segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O caminho de Portugal…

Portugal inserido numa comunidade com uma moeda única vê-se conjuntamente envolvido nesta crise mundial, desemprego, inflação, ruptura no sistema financeiro bancário, falta de investimento, entre outros, o que fazer?
No meu entender, a saída está, uma vez mais, além-mar como o passado já nos mostrou, só que desta vez com parcerias com as nossas ex-colónias, como por exemplo o Brasil. País irmão, de dimensões continentais e com muito ainda por explorar. Já começamos a dar os “primeiros passos”, como podemos observar uma parceria que esta a dar certo é a Galp e a Petrobrás com a descoberta de campos petrolíferos, dando origem a terceira maior jazida de petróleo do mundo. Sem dúvida são riquezas para Portugal, mas não podem ser apenas “passos”, tem que ser uma “caminhada”, temos que investir mais, a parceria tem de ser maior, muito maior, tem que abranger também as indústrias, agricultura, pecuária, entre outras. Temos que nos apressar, antes que outros países seduzam o Brasil, como por exemplo na indústria dos automóveis, em que todas as empresas automobilísticas estão a apostar, tornando o país num dos maiores produtores de carros do mundo. Portugal tem que ser a “ponte” entre o Brasil e a Comunidade Europeia.
Portugal deve investir também nas novas inovações tecnológicas da actualidade, e aproveitar os países dos PALOP e com eles também criar parcerias para a produção de, por exemplo, biocombustível, o que ajudaria os dois lados, ou seja, traria para Portugal novas esperanças económicas, saindo assim desta economia saturada, e abriria as portas desses países para novos investimentos.
Portugal geograficamente pequeno tem que pensar “em grande”. Não podemos ficar a espera que ponham aqui dentro investimentos de outros países, é exactamente ao contrário, temos de reaver o nosso espírito de aventura que já nos tornou grandiosos mundialmente, e partirmos atrás de novas descobertas económicas, temos essa capacidade que já em outros tempos demonstramos, e nós é que temos que investir lá fora e trazer riquezas para Portugal.
Não podemos ficar a lamentar e a culpar a entrada de Portugal na União Europeia, e nem questionar se a adesão ao Euro como nossa moeda foi certa ou errada. Temos que ser nós os intermediários dos produtos das nossas ex-colónias para a comunidade europeia. O caminho é Portugal.
Alexandre Cruz
(artigo de opinião)

domingo, 5 de outubro de 2008

Capitalismo – o renascer da fénix

Em consequência do panorama económico que vivemos actualmente, muito se têm dito e escrito sobre a saúde do sistema capitalista, sendo que muitos, erguidos dos túmulos, lhe têm chamado de insustentável.
Não é a minha opinião. As grandes economias mundiais, nomeadamente os EUA, Reino Unido e outra grande parte dos países Europeus, têm-no praticado, sem que grandes problemas lhe tenham sido diagnosticados. Pelo menos até agora.
Mas para melhor percebemos a metamorfose que, acredito, esta filosofia está prestes a sofrer, temos de ver onde surge o problema actual. Antes de mais temos de compreender que temos em mãos um capitalismo mais selvagem, nos EUA, e uma vertente mais suavizada, sob o olhar atento da regulação dos respectivos países, na Europa.
Pois bem, o início deste século foi pautado por valores de juros bastantes baixos, nos Estados Unidos, tendo havido uma facilidade extrema na concessão de crédito, especialmente no que respeita aos créditos à habitação. Por esta altura a falta de regulação era tal que houve a banalização dos chamados “liar loans”, ie, dos créditos em que o requerente apenas tinha que dar a sua identificação e, sem ter necessidade de um credor. Tendo em conta a volatilidade do sistema laboral neste país, em que é comum mudar-se de emprego, e não existindo qualquer tipo de apoio social para as situações em que isso acontece, podemos ver onde fomos parar. Esta foi a base da chamada crise do subprime. Como era esperado os juros começaram a subir, como consequência da desconfiança dos bancos entre si. Esta situação levou a que os privados, com receio da saúde financeira do sistema, começassem a retirar as suas poupanças dos bancos, o que conduziu a uma situação de falta de liquidez. Obviamente que a isto se seguiu a queda de alguns gigantes da banca norte-americana, e até à nunca vista nacionalização de outras grandes agências, de maneira a não pôr em questão a saúde de outras tantas instituições. Isto nos EUA, com o seu capitalismo selvagem.
No capitalismo ‘versão’ Europa é que está a grande (e feliz) diferença. Devido à instabilidade vivida no sistema financeiro norte-americano, e por contágio entre as instituições dos dois continentes, houve também uma grande perda de poder de compra na Europa, reforçado pela valorização sucessiva do euro face ao dólar.
De modo a evitar um agravamento da crise, e numa situação inédita, houve uma injecção de mihares de dólares nos mercados, pelos principais bancos mundiais.
E finalmente chegamos à dita diferença que tenho estado a falar, e que vai, na minha opinião, ditar a transformação do sistema capitalista.
Passo a explicar: nos EUA não existe protecção social, o que para mim ajudou em muito ao agravamento do subprime. Ou seja, se esta existisse, os bancos saberiam que pelo menos o Estado, por um subsídio qualquer, financiaria (ou ajudaria o particular a financiar) o crédito que este teria contraído. Em vez de uma crise agravada teríamos apenas um excesso de crédito de risco, que poderia não ter afectado tão gravemente as expectativas futuras e, por consequência, as taxas de juro. No presente, temos uns Estados Unidos quase histéricos a querer fazer um fundo comum para combater situações de crise (o que não me parece muito viável).
Já na Europa temos um Jean Claude Trichet , presidente do BCE, a garantir a protecção das instituições europeias, dizendo ‘não’ à ideia de um fundo comum para a Europa, e com insinuações de descida das taxas de referência de modo a estimular a procura (resta-nos ver se a euribor não se vai comportar de forma independente e continuar a sua escalada).
O que quero dizer com isto é que de facto o capitalismo não está morto, nem para morrer, ao contrário do que alguns têm afirmado. O que temos de entender é que este sistema não é incompatível com um regulação dos mercados eficaz e realista, e com um sistema colectivo de apoio social (embora acredite que este não precise de ser tão enraizado como o é actualmente em alguns países europeus).

Cristina Lobo
cristina-lobo@hotmail.com

(artigo de opinião)

Défice: um fim à procura de novos meios

O controlo do défice orçamental, em Portugal, tem sido conseguido, concretizado, alcançado, mas isto tem sido feito de uma forma que pode ser questionada. Entenda-se, genericamente, por défice orçamental a diferença entre as receitas e as despesas públicas. Este assunto torna-se pertinente de debate uma vez que este é um dos objectivos estipulados pela UE, ou seja, os Governos dos Estados pertencentes à UE têm de manter um défice abaixo dos 3%. Aqui é que se coloca uma grande questão à governação portuguesa: estará Portugal a controlar este défice de uma forma correcta e sustentável?
Na minha opinião isto não se está a verificar. Nos últimos anos, Portugal tem controlado este défice (2,2% em 2008) através de sucessivos aumentos da carga fiscal. Note-se que a carga fiscal tem tido uma tendência de crescimento, apresentando-se em 2008 à volta dos 36% (em percentagem do PIB). Este tipo de controlo não me parece ser o mais apropriado nem o mais sustentável, pois ao aumentarmos a carga fiscal estamos a retirar capacidade de consumo e de investimento aos privados, agentes estes mais eficientes do que o Estado. Denote-se que para que tenhamos um crescimento sustentável é necessário dar estímulos e confiança aos motores de crescimento, os quais são o investimento e o consumo interno, e digo consumo interno porque com a crise internacional Portugal dificilmente conseguirá aumentar as suas exportações pelo que terá de criar mercado internamente (aumentar os impostos não se apresenta como uma boa ideia uma vez que não permitirá que os consumidores se direccionem para o consumo). Ao estimularmos os agentes económicos (diminuindo ou não aumentando a carga fiscal) conseguiremos fazer com que o PIB português cresça mais do que tem crescido nos últimos anos, crescimento este mais sustentável, o que por sua vez fará com que se controle o défice, pois as receitas do Estado aumentarão, não pelo aumento dos impostos mas pelo aumento da matéria colectável (note-se que, em 2007, o investimento e o consumo interno foram os impulsionadores do crescimento do PIB em Portugal).
Portugal tem tido políticas e atitudes que contrastam completamente com as ideias por mim apresentadas. É verdade que o défice orçamental tem sido controlado mas o aumento sucessivo da carga fiscal tem reduzido o nível de investimento, apresentando este, em 2006, valores idênticos aos de 1994 (21,6% em percentagem do PIB). Este aumento da carga fiscal, felizmente, ainda não se tem feito sentir muito no consumo interno, uma vez que este até teve uma ligeira subida em 2008, mas o índice de confiança dos consumidores apresenta-se num dos níveis mais baixos de sempre, o que ilustra, perfeitamente, a importância que é necessária atribuir a este agente e motor económico.
Outro ponto que pode ilustrar a forma incorrecta que se tem utilizado para se manter o controlo orçamental é o facto de o PIB português, em 2008, apenas crescer entre 0,9% e 1,1% (contra os 2,2% estimados pelas entidades governamentais). Uma vez mais, o aumento da carga fiscal pode ser utilizado como explicação para o desolador crescimento do PIB.
Por todos estes e outros motivos parece-me ser esta uma forma errada encontrada pelo Governo para controlar o défice orçamental. Para bem de todos espero que possamos encontrar novas formas de controlo e de crescimento para que nos possamos tornar num país mais competitivo e sustentável.

Nuno Miguel Ribeiro Fernandes
nmrf10@hotmail.com

Fontes:
· http://www.portugal.gov.pt/
- “Encontro sobre perspectivas da economia portuguesa” – Junho 2006
· http://dn.sapo.pt/
- “Carga fiscal nacional é das que mais sobem até 2008” – Janeiro 2006
· http://www.ine.pt/
- “Síntese Económica de Conjuntura – Mensal – Agosto de 2008”
· Jornal “Diário de Notícias”
- “Economia cresce entre 0,9% e 1,1% em 2008” – Setembro 2008

(artigo de opinião)

Estarão as nossas poupanças a salvo?

O mundo encontra-se num estado negro de maior crise financeira do início do século XXI. Esta crise teve origem principalmente no crédito hipotecário, gerada pelo capital financeiro e especulativo devido ao forte sobreendividamento das famílias norte-americanas.
O sistema financeiro assume um papel fundamental nas economias pois remunera as poupanças canalizando-as para financiamento do risco, sem, contudo prejudicar aqueles que poupam. Devido à grande interdependência, este sector é muito vulnerável e de fácil irradiação. Por esta razão, nos finais do mês de Setembro, o mundo esteve de olhos postos em Washington, onde se tentava aprovar o plano se salvamento dos EUA – o Plano Paulson. Numa primeira fase, este plano foi inesperadamente chumbado e logo se assistiu a uma derrocada generalizada nas bolsas. Lisboa está entre estas praças financeiras onde o índice PSI-20 desvalorizou 39,8%.
De facto estamos a viver a maior crise financeira desde a Grande Depressão de 1930. E a crise já se tornou global, tal como seria de esperar.
Por cá, a crise financeira começa a fazer os seus estragos. O projecto de obras públicas lançado pelo Governo desespera para conseguir um financiamento junto da banca, que neste momento se encontra parada devido à falta de liquidez.
E este facto, de a banca se encontrar sem liquidez põe, de alguma forma em causa as poupanças das famílias portuguesas?
O Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos afirmou que “para que este plano [Paulson] seja eficaz é preciso ter a confiança de volta aos mercados financeiros", e que “o sistema financeiro português tem-se mostrado suficientemente robusto para resistir a esta crise. Em Portugal, as nossas instituições financeiras têm-se mostrado resistentes a esta situação e não vejo razões para não considerar que as nossas instituições sejam capazes de atravessar esta situação, e espero que a situação possa desanuviar-se a pouco e pouco e a normalidade volte aos mercados financeiros".
Mas tal como disse Carlos Tavares, presidente da CMVM, “não se pode dizer que haja um país imune. Numa economia global há sempre contágio”. Como tal, temos de estar atentos e preocupados com os contornos que esta crise poderá tomar.

Andreia Amorim
andreia.egamorim@gmail.com

(artigo de opinião)

sábado, 4 de outubro de 2008

Do Sonho Americano ao Pesadelo Mundial!

O tema da actualidade não podia ser outro senão a crise financeira que começou nos E.U.A., mas que rapidamente se alastrou a todo o mundo; passou a ser uma crise a nível mundial. Mas, como surgiu realmente esta crise?
A crise deve-se ao crédito “subprime” (crédito com muitos riscos associados) americano. Os bancos americanos, apesar de conhecerem os riscos, concederam empréstimos a famílias de parcos rendimentos aceitando como garantia as suas casas. Inicialmente, apesar do factor risco ser muito grande o retorno era bastante favorável devido aos elevados “spreads” praticados pelas instituições de crédito.
Com a subida dos juros, a partir de 2004, as prestações iniciaram suavemente um processo de ascensão, sendo no ano de 2007 que a situação se agravou mais, as famílias começaram a deixar de cumprir o pagamento das prestações. Os bancos iniciaram o processo de hipoteca, a oferta começara a superar a procura o que conduziu a queda do valor das habitações. Surgiu por conseguinte a tão conhecida crise do sector imobiliário.
Porém esta crise imobiliária transformou-se numa crise financeira mundial. E porquê? Porque os títulos/instrumentos financeiros vendidos pelos bancos americanos tinham incorporado os elevados riscos relativos aos créditos, disfarçados sobre a forma de “rating” elevado, isto é, sobre um produto criavam-se outros tantos, camuflando, assim, o elevado risco. Desta forma a crise conseguiu chegar muito rapidamente a todas as economias mundiais, desencadeando uma sucessão de acontecimentos que todos os dias podemos testemunhar, através dos meios de comunicação social. A nacionalização, fusão e até mesmo falências de muitos bancos americanos e europeus deixaram de surpreender. De entre os mais conhecidos estão o Lehman Brothers (com mais de um século de existência), Fannie Mae e Freddie Mac (ambos gigantes hipotecários), nos E.U.A., Northern Rock e Fortis, na Europa. Também as economias asiáticas sentem na pele os efeitos desta crise; com as suas bolsas de valores a registaram fortes quedas.
O sistema financeiro mundial foi, portanto completamente arrasado por alguns especuladores “sem escrúpulos” que puseram em prática um “capitalismo selvático” e que não olharam a meios e muito menos tiveram em conta as consequências que os seus actos poderiam provocar!
A intenção de gerar ganhos através de produtos financeiros não sustentáveis, ou sustentados em activos de muito elevado risco foi arriscada e teve grandes e graves consequências. Um dos principais actores deste filme, eram as famílias americanas, de baixos rendimentos, que carregavam consigo o famoso “sonho americano” tinham apenas um único e elementar objectivo: serem proprietários da sua própria casa; no final de tudo acabaram sem nada. Inconsequentemente provocaram uma perigosa situação de incerteza, desconfiança e quebra no sistema financeira de todo o mundo. Do outro lado estão os capitalistas especuladores, engenheiros financeiros, que para responder às exigências cada vez mais fortes dos mercados não pouparam a imaginação e não tiveram qualquer problema em basear os seus produtos em teias bambas; criando, estes sim, deliberadamente um cenário de insegurança.
Apesar de, hoje, serem muitas as vozes que se levantam e afirmam que era de se esperar, mais tarde ou mais cedo, o desmoronamento de todo este frágil castelo de cartas. Foram muito poucos, ou quase ninguém, aqueles que efectivamente previram esta situação a ponto de ter sido atenuada ou controlada atempadamente.
O sonho de alguns tornou-se, infelizmente, no pesadelo de muitos…!

Bruna Dias
brunadias06esp@sapo.pt
(artigo de opinião)

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Os dados da conjuntura e a preparação do próximo orçamento de Estado

«Economia cresce entre 0,9% e 1,1% em 2008
Crise. Governo revê em baixa economia e mantém défice em 2,2%
A 15 dias da apresentação do Orçamento para 2009, o Governo reviu, em forte baixa, o crescimento da economia para o corrente ano e mantém o défice das contas estatais em 2,2% do PIB, graças a excedentes da Segurança Social. Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, admite agora uma expansão da economia entre os 0,9% e 1,1% face a 2007, de acordo com o Procedimento dos Défices Excessivos, ontem remetido para Bruxelas.
Pela terceira vez este ano, o Executivo remexe nas previsões, com a economia a perder metade do impulso herdado de 2007.Em Outubro do ano passado, Sócrates previu um acréscimo de 2,2% para 2008. Mas em Maio último reviu para 1,5% e já no início de Setembro, o Primeiro-ministro refere que a economia deverá crescer entre 1,2% e 1,5%. Mas ontem, o Executivo admitiu que a economia pode, afinal, crescer abaixo de 1%.
É o resultado de anemias no consumo dos portugueses, do Estado e pouco gás nas exportações com os mercados de destino em crise, acusarem quebras na procura, como sucede em Espanha, Alemanha e França.
Os gastos da Administração Central - Estado, Fundos e Serviços Autónomos, por onde se processam salários, investimentos do Estado e transferências - superam as receitas, principalmente em impostos, em cinco mil milhões de euros, 2,9% do PIB. Representa um défice de mais 153 milhões de euros para além do previsto.
São as contas da Segurança Social que salva o défice público. Mais de 1,23 mil milhões de euros - dos quais 422,7 milhões de euros herdados do ano passado - levam o défice final para os 2,2% do PIB, já previstos desde Maio. Crescimento das contribuições e cortes nos gastos com o desemprego e subsídio de doença explicam o desempenho das contas tuteladas pelo ministro Vieira da Silva.
O Governo vai investir mais do que o previsto, mas, em contrapartida, gastará mais 60 milhões de euros em juros. No total em juros para remunerar os títulos da dívida-que ascende a 107,7mil milhões de euros, 63,5% do PIB - as Finanças despendem este ano 49 mil milhões de euros, o suficiente para pagar o novo aeroporto de Alcochete.»
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(reprodução integral de notícia do Diário Notícias de 08/09/30)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Em busca de um novo paradigma energético

Dados da Agência Internacional de Energia, indicam que a procura do petróleo deverá aumentar cerca de 37 por cento até 2030. Ao mesmo tempo, são poucos aqueles que acreditam que os reservatórios do “ouro negro” possuem uma capacidade infinita. Neste cenário, parece muito provável que vamos assistir no futuro próximo a um agravamento do diferencial entre a oferta e a procura se os mercados não encontrarem alternativas energéticas.
Embora o rácio do consumo mundial de petróleo relativamente ao PIB tenha vindo a decrescer desde 1973 nos países mais desenvolvidos, é um facto que um naipe de economias em vias de desenvolvimento, no qual se destacam China e Índia, para dar continuidade aos seus programas de crescimento, não têm seguido a mesma trajectória e têm, pelo contrário, vindo a aumentar significativamente a procura por esta fonte energética.
Além das economias emergentes, questões ambientais e as limitações no lado da oferta, são, geralmente, apontadas como algumas das principais causas para os actuais aumentos do preço do crude nos mercados internacionais. Mas, se por um lado, as pressões sobre o preço de mercado do custo desta fonte primária de origem fóssil pode e deve ser encarado como um aviso sério à economia mundial de que é necessário encontrar alternativas menos dispendiosas, mais amigas do ambiente e, acima de tudo, promover a eficiência energética, por outro, todos sabemos que não é muito provável que enquanto existir petróleo para ser extraído e os preços não forem colocados, permanentemente, num patamar elevado, nos desacostumemos dele em absoluto.
A vulnerabilidade dos mercados do petróleo a actos de terrorismo e os consequentes prejuízos na economia global são hoje encarados, também, como uma razão muito forte para a procura de novas alternativas energéticas. As economias dependentes de fontes de abastecimento de petróleo exógenas e potencialmente inseguras ficam mais expostas aos resultados dos conflitos como, por exemplo, aqueles que se verificam em áreas voláteis do Médio Oriente. O petróleo é uma matéria-prima com uma utilização tão intensa, resultado de uma economia mundial próspera e devoradora de vastas quantidades, que qualquer suspensão na sua oferta afectaria gravemente a mais pujante economia que seja dependente de fornecedores precários. Com este pano de fundo, será lícito concluir que qualquer responsável político desejaria considerar o petróleo como uma fonte energética de opção e não de necessidade.
Embora incipiente, o potencial de inovação inerente às tecnologias conectadas às energias renováveis – Hidráulica, Eólica, Solar, Geotérmica, Biomassa e Co-geração - deve ser rentabilizado antes do esgotamento geológico do crude se efectivar. Se é verdade que as a energias limpas apresentam vantagens como as emissões limitadas de CO , progressão tecnológica, valorização de recursos ociosos, entre outras, também é verdade que se verificam desvantagens associadas como custos elevados de produção, limitações crescentes à construção de grandes barragens e restrições nos espaços necessários para a sua instalação que têm provocado um crescimento moderado deste tipo de fontes energéticas cuja exploração não implica, à escala humana, a diminuição de recursos respectivos.
É de acreditar que exista no subsolo petróleo em quantidades suficientes para fazer face ao aumento da procura mundial prevista pela AIE mas a delapidação dos recursos petrolíferos é preocupante. Convém não esquecer que, assim como o petróleo, qualquer outra fonte de energia é um recurso escasso e com preços, tendencialmente, cada vez mais elevados. Portanto, a ênfase na promoção da eficiência energética deverá ser encarada por todos os agentes económicos como uma linha de orientação fulcral na economia mundial.

Sérgio Monteiro
Sérgio.Monteiro@delphi.com

(artigo de opinião)