segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Um abrigo chamado €uro

Actualmente, o sistema em que os países da zona euro estão inseridos (partilha de uma moeda, sendo que cada país possuí um governo independente) pode, com o tempo, vir a ser prejudicial para determinados países por vários motivos, sendo um deles os choques assimétricos no caso português. No entanto, para quem se encontra do lado de fora, a moeda única pode ser bastante atractiva, principalmente nos actuais tempos de turbulência.
De certo modo, os membros ricos da EU que não aderiram ao euro por opção, têm vindo a repensar essa decisão. No mês passado, a Suécia registou uma forte desvalorização da sua moeda face ao euro[1], o que levou a que o seu banco central descesse a taxa de juro[2] de modo a evitar uma recessão (em parte devido à grande importação de bens[3]). Também em Outubro, a Dinamarca aumentou a taxa de juro da coroa dinamarquesa2 que é estritamente indexada ao euro, de modo a proteger a sua moeda. Deste modo, Anders Rasmussen, primeiro-ministro dinamarquês, divulgou que pretende realizar um referendo em 2011 sobre a adesão á moeda única.
A leste da Europa, a situação é mais complicada[4]. À excepção da Eslovénia (que já adoptou o euro) e da Eslováquia (que vai aderir já em 2009), os restantes países estão longe de o conseguir. Para um país aderir ao euro é necessário que obedeça a um conjunto de critérios rigorosos[5], entre os quais baixa inflação, défice baixo e sustentável. No que toca à inflação, para este grupo de países isso é um problema sério pois as grandes taxas de crescimento a que têm obtido trás consequências, entre as quais a subida de preços. Além disso, este forte crescimento tem como origem a mão-de-obra barata que atrai investimento estrangeiro. Com esta crise, a dificuldade de acesso a crédito aumenta, o que leva a uma redução do investimento privado, o que provoca um efeito devastador neste tipo de economias. Nestas condições, as acções correctas (diminuir os impostos e aumentar o investimento público) não vão de encontro aos critérios de convergência exigidos pelo Tratado de Maastricht. Aliás, mesmo aos membros da EU que fazem parte da zona euro não lhes é conveniente a entrada de novos membros problemáticos que possam abalar o poderio da moeda única, e de momento já existem dois países membros que começam a gerar essa situação: Grécia e Itália (possuem elevadas dividas públicas).
Para algumas pessoas, a adesão ao euro traduz-se numa perda de identidade nacional. No entanto, também significa que os governos perdem o controlo directo da política monetária e da taxa de juro, o que de certo modo confere credibilidade à moeda (importante nos tempos correntes). Mesmo com a ajuda externa (FMI e por vezes também o BCE), para alguns países o uso de uma moeda independente começa a tornar-se um tormento, mas, no entanto, não resta outra solução uma vez que os critérios de convergência são apertados e rigorosos.

Helder Fernando Pereira Alves
hefepeal@hotmail.com
*
[1] http://www.ecb.int/stats/exchange/eurofxref/html/eurofxref-graph-sek.en.html
[2] http://www.economist.com/markets/indicators/displaystory.cfm?story_id=12566810
[3] http://stats.oecd.org/wbos/viewhtml.aspx?queryname=481&querytype=view&lang=en
[4] http://diarioeconomico.sapo.pt/edicion/diarioeconomico/edicion_impresa/empresas/pt/desarrollo/959606.html
[5] http://www.bportugal.pt/euro/emudocs/bce/faq_alargamento_p.htm

(artigo de opinião)

domingo, 9 de novembro de 2008

IVA ou IRS?

O sistema fiscal, tal como consta na Constituição da República, visa a satisfação das necessidades financeiras do Estado e uma repartição justa dos rendimentos e da riqueza.
Existem três tipos de impostos; os impostos sobre o património, os impostos sobre o rendimento e os impostos sobre o consumo. No nosso país existem o IRS e o IVA, estes impostos afectam a riqueza dos particulares. O IVA incide sobre o consumo e o IRS tem como base de incidência o rendimento que é o somatório do consumo e da poupança.
Ora, o rendimento das famílias tem como destino o consumo ou a poupança. Porém, sabemos, segundo o economista Franco Modigliani, que a poupança é consumo futuro. Portanto, todo o rendimento se torna em consumo quer seja consumo presente, quer consumo futuro. Em termos genéricos, pode-se considerar que tanto o IRS como o IVA tributam o consumo, o IVA directamente e o IRS de forma indirecta. Podemos, assim, estar perante um caso de dupla tributação? Ao auferir qualquer tipo de rendimento o sujeito é, em princípio e de acordo com a lei, passível de IRS, há, assim uma diminuição do rendimento disponível. Por sua vez o rendimento disponível irá ser utilizado no consumo e este acto por conseguinte será também alvo de imposto…concluindo o mesmo acto é taxado duas vezes, mas em períodos distintos e sobre forma e método diferentes.
Posto isto, seria uma solução acabar com o IRS e aplicar um único imposto sobre o consumo, o IVA? Muitos economistas já defenderam esta hipótese, mas por ser radical nunca foi aplicada. Os mesmos economistas argumentam que com esta substituição a riqueza do país poderia aumentar 20%, 30% ou até mesmo 40%!
Actualmente, em Portugal, temos uma taxa de IRS única e progressiva, isto é, quanto mais se ganha mais se paga de imposto, como é fácil de entender há um desincentivo à criação de riqueza e ao trabalho e há também estimulação à evasão fiscal. Ou seja, o imposto tem como objectivo a distribuição da riqueza porém gera externalidades negativas. Se este imposto fosse substituído por um imposto único, tal como o IVA, a consequência económica imediata seria o aumento do consumo. O rendimento disponível para consumo iria aumentar, logo haveria um aumento das quantidades consumidas e por sua vez haveria um incremento na produção, registar-se-iam variações positivas no crescimento económico.
Isto pode ser facilmente verificado ao analisarmos a diminuição do imposto sobre o rendimento levada a cabo na década de 60 nos EUA. Quando John Kennedy se tornou presidente dos EUA, em 1961, decidiu cortar nos impostos de forma a aumentar o rendimento disponível os efeitos foram um aumento de 0,7 pontos percentuais do PIB entre 1964 e 1965 e diminuição da taxa de desemprego em 1,2 pontos percentuais entre 1963 e 1965.
No entanto, um dos argumentos contra reside na questão da justiça social. Considerando dois indivíduos, o individuo A aufere 1000 euros, o individuo B 200 euros. Ambos consomem 100 euros, o nível de vida é o mesmo pois gastam o mesmo. Será legitimo A ser mais taxado que B? A poupa 900 euros e B apenas 100 euros, logo A poupa mais que B e no futuro pode consumir mais. Ao consumir no futuro irá pagar o imposto devido. A justiça social é garantida pois a riqueza ou o nível de bem-estar mede-se através do consumo e não quantidade de dinheiro que temos.
Uma outra vantagem seria a diminuição ou aumento da dificuldade da fuga ao fisco. O IVA vem já inserido no preço dos bens, quando queremos comprar temos que pagar o preço mais o valor de IVA, não é possível a separação. No que diz respeito ao IRS, é sempre possível (sobretudo no nosso país!) não declarar ou declarar rendimentos mais baixos do que os efectivamente recebidos!
Em suma, o esquema de organização fiscal português não proporciona a distribuição de riqueza como era desejado. Prova disso são os dados, de 2008, do EUROSTAT que demonstram que Portugal regista a maior desigualdade na distribuição de rendimentos da Europa a 25. Uma das soluções possíveis para uniformizar a sociedade pode estar na criação de um imposto único sobre o consumo. Quem mais consome mais paga. Que consequentemente gera efeitos económicos positivos como o aumento da produção, do crescimento económico e do bem-estar das pessoas. Sem prejuízo de outras soluções, tais como a melhoria na eficácia e eficiência do funcionamento do sistema actual. O mais importante é atingir o objectivo de maximizar a igualdade social, o meio é discutível!

Bruna Dias
Brunadias06esp@sapo.pt
(artigo de opinião)

sábado, 8 de novembro de 2008

A utopia do Orçamento de Estado para 2009

Foi hoje aprovada, pela maioria Socialista, a proposta de Orçamento de Estado para 2009. A controvérsia em torno do documento fez-se sentir de imediato, já que a votação contou com votos contra de toda a Oposição.
Com um ano marcado pela crise económica, tendo em conta que esta poderá ter efeitos ainda mais profundos no nosso país, José Sócrates apresentou medidas de alívio à crise, de maneira a minimizar o possível impacto da mesma na economia nacional. No entanto, a proposta revela-se como utópica inserida no contexto actual.
Em relação às previsões apontadas pelo executivo, a Oposição aponta o optimismo excessivo, no que diz respeito ao cenário macroeconómico. De facto, no Orçamento, é previsto um crescimento de 0,6% na economia portuguesa para o próximo ano, o que contraria as previsões da Comissão Europeia e do FMI – que vaticinam um crescimento 0,1%. O Governo Socialista já nos tem vindo a habituar às constantes revisões das suas previsões, modificando os valores previstos várias vezes durante o presente ano. Aliado a esta constante indecisão, a discrepância de valores entre FMI e Orçamento de Estado, transmite a ideia de “falta de rigor” e insegurança nas metas determinadas e nos objectivos a alcançar.
A previsão da manutenção da taxa de desemprego em 7,6% - o mesmo que o previsto em 2008 - , é olhada com desconfiança pelos economistas uma vez que, neste caso, as consequências do optimismo se mostram como sendo mais severas. Se, de facto, o enquadramento económico esperado não se verificar, a redução das receitas e o aumento do desemprego levarão a um encargo excessivo com subsídios, assim como a uma menor contribuição ao nível do IRS.
Abordando a questão das obras públicas, o investimento deverá rondar os 505 milhões de euros, representando 2,5% do PIB. Estes investimentos são previstos em grande escala no Orçamento, com o financiamento do TGV e do novo aeroporto, investimentos esses que suscitaram a contestação da Oposição. Teme-se que o Estado pague mais do que o orçamentado, já que a escassez de liquidez e o aumento do custo do crédito levarão a que paguemos mais do que a rendibilidade que poderemos ter. Além disso, num país profundamente vulnerável a crises económicas internacionais, tal como é o nosso, não parece sensato aplicar uma quantia tão avultada das receitas do Orçamento em obras que, quando terminadas, não conseguirão gerar rendibilidade.
A proposta do Orçamento de Estado prevê, também, um prosseguimento nas políticas de privatização, tendo em conta que será a evolução do mercado de capitais a ditar quando. Apesar de não serem descritas as empresas a privatizar, o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, destacou o caso da GALP que, no ano que vem, deverá ser privatizada. Através da privatização de outros grandes grupos, como a ANA, TAP e Inapa, o Governo espera arrecadar 1,2 mil milhões de euros em 2009.
Em relação ao défice orçamental, o executivo de José Sócrates revê em alta a meta inicial, ou seja, prevê um défice de 2,2% no próximo ano. Mais uma vez, há uma visível divergência de estatísticas entre as apresentadas pelo Governo e as fornecidas pelo FMI e pela Comissão Europeia, que anunciaram um défice orçamental para o nosso país três décimas acima – 2,5%. Mais uma vez, esta “obsessão” do Governo em estabilizar o défice, em torno dos valores propagandeados, não parece enquadrar-se no contexto económico actual. Afinal, de que vale ter o défice estabilizado, se a crise pode destruir o sistema financeiro português tal como o conhecemos? Estes esforços deveriam ser apontados em sentidos diferentes e não apenas num único objectivo de estabelecer metas para o défice que, a par com o choque tecnológico, se mostra como primordial para o Governo.
A principal inovação da proposta do Orçamento de Estado para 2009 consiste nos fundos de investimento imobiliário para arrendamento habitacional, cujo objectivo é promover o arrendamento, apoiando famílias com dificuldades no pagamento das prestações. Tal será conseguido através de um conjunto de benefícios fiscais, como isenção de IRS, IMT E IMI (segundo determinadas condições).
Finalmente, a medida mais polémica, apelidada de “eleitoralista” pela Oposição, diz respeito ao aumento dos salários dos funcionários públicos, que irá responder à promessa eleitoral do Partido Socialista de aumentos salariais em 2,9%. Este aumento corresponderá a 350 milhões de euros, suportados pelo Orçamento de Estado. Nem é preciso referir que esta é, sem dúvida nenhuma, uma medida de carácter extremamente eleitoralista, funcionando como um último recurso para garantir votos e uma possível reeleição. Esta será, provavelmente, uma das maiores provas da incongruência da política salarial do Governo que, com um crescimento económico próximo de zero, concede aos funcionários públicos aumentos acima da inflação.
Controvérsias à parte, é impossível negar o carácter decisivo que este Orçamento de Estado, quando aprovado, irá ter no percurso económico do país para o próximo ano. A crise financeira levanta incertezas em relação ao futuro, logo são necessárias medidas fortes e incisivas, para que consigamos amortecer o impacto que esta terá. As medidas eleitoralistas, apesar de todos sabermos que são comuns e completamente previsíveis, são dispensáveis no contexto económico actual. Acima de tudo, o país e o seu futuro sobrepõem-se aos interesses de qualquer partido.

Vera Castro
veracastro24@hotmail.com
(artigo de opinião)

Os porquês da internacionalização

A história económica recente enfatiza que um dos aspectos mais relevantes da economia global é o elevado crescimento do comércio internacional. No período de 1970 a 2005, o volume de comércio internacional de bens e serviços tem crescido à média anual de 6,0 por cento, bastante acima do crescimento real do PIB mundial de 3,7 por cento. Neste contexto, a internacionalização faz parte integrante das preocupações estratégicas das empresas portuguesas e assume um papel decisivo na sua competitividade e no seu desenvolvimento sustentado.
De facto, a globalização, a especialização e a internacionalização do trabalho explicam em larga escala o sentido que a economia mundial tem seguido nos últimos anos. A capacidade de efectuar transacções e assumir riscos em qualquer parte do mundo está a criar uma economia verdadeiramente global. A produção internacionaliza-se cada vez mais. As empresas procuram por todo o mundo os recursos de mão-de-obra e materiais mais competitivos. Não se limitando ao território nacional, as empresas estão a reduzir não só os custos e a inflação dos preços, mas também a criar o coeficiente de mais-valias produzidas, a forma mais ampla de avaliar a produtividade.
Entendendo um mundo plenamente globalizado como aquele em que a produção, o comércio e os serviços são impulsionados por iniciativas de risco e pela procura do lucro, o fenómeno da globalização é indicado como o causador da intensificação da competição entre empresas, conduzindo-as à ponderação riscos versus oportunidades da expansão das suas actividades para além das fronteiras nacionais. Neste âmbito, a presença dos agentes económicos portugueses nos mercados externos assume particular importância quer ela se efective através da expansão comercial quer se efective por meio de deslocação industrial. No mix de factores mais relevantes na internacionalização das empresas portuguesas, geralmente encontramos objectivos de crescimento, normalização de processos, resposta a alterações na concorrência, proximidade da procura, acesso a recursos produtivos e consolidação de relações. A par destes factores, a reduzida dimensão do mercado português é também ela apontada como justificação para as decisões de internacionalização. Por seu lado, o acesso a competências organizacionais, de gestão e tecnológicas é um modelo crescente de motivação de investimento.
Contudo, a aventura internacional das empresas não deve ser encarada levianamente. Ela envolve recursos humanos e financeiros escassos. Por essa razão, não pode ser resposta a um eventual insucesso no mercado doméstico mas sim o resultado de vantagens competitivas por meio da acumulação de experiência e conhecimento dos seus promotores, exploradas no mercado interno pela via da exportação de produtos e serviços inovadores. É condição fundamental para o sucesso que a decisão assente em estratégias globais e integradas que permitam transpor as barreiras à entrada existentes nos mercados além-fronteiras. A internacionalização portuguesa tem vindo a descobrir (por vezes à custa de alguns “naufrágios”) que é possível desbravar novos caminhos num mundo altamente competitivo e segui-los com cada vez mais segurança.
Sendo a internacionalização um processo gradual de evolução da integração das empresas em actividades de negócio internacional, é pois lícito concluir que as mais-valias obtidas situam-se, acima de tudo, ao nível da aproximação a novos e mais amplos mercados que possibilitam levar por diante objectivos de crescimento e de diversificação geográfica. Mas a internacionalização não é apenas a conquista de novos mercados. É também um desafio para a globalização das funções das organizações. As empresas, quando assumem um estatuto multinacional, procuram o acesso, em condições mais vantajosas do que aquelas que encontram no mercado doméstico a recursos que lhes possibilite a diminuição dos custos de produção e assim tornarem-se empresas mais competitivas e inovadoras à escala global.

Sérgio Monteiro
Sergio.Monteiro@delphi.com
(artigo de opinião)

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Orçamento de Estado para 2009

O orçamento de Estado é um instrumento de gestão que considera a previsão das receitas e despesas públicas. Este orçamento é apresentado pelo governo à assembleia da república até 15 de Outubro de cada ano, sob a forma de proposta de lei das Grandes Opções do plano. Um debate associado a este instrumento está sujeito a um processo legislativo especial.
O orçamento proposto para 2009 tem como principais critérios a responsabilidade, o incentivo à economia e emprego, protecção e justiça social. Estes critérios podem ser definidos em três princípios orientadores:
→ Responsabilidade financeira (está subjacente o realismo, prudência e rigor)
→ Responsabilidade com a economia (combate os efeitos da crise)
→ Responsabilidade com os portugueses.
Nos últimos três anos foi resolvida a grave crise orçamental, estando actualmente as contas públicas em ordem. O défice orçamental deverá manter-se baixo tal como em 2008. Segundo a proposta do OE para 2009, a crise orçamental ficou para trás e estamos hoje em melhores condições para enfrentar as consequências da crise financeira internacional. Neste plano, a solidariedade e o aumento do salário mínimo farão aumentar a responsabilidade social permitindo incentivar a economia, emprego e apoiar as famílias.
O governo promoveu no ano passado, e vai promover para 2009 o aumento histórico do salário mínimo. De acordo com OE, o salário mínimo em 2009 deverá atingir os 450 euros e espera-se que em 2011 chegue aos 500 euros. Em relação a este aspecto, creio que as empresas, em especial as PME, terão que enfrentar dificuldades adicionais e poderá ser esse o motivo pela qual o governo propôs quedas no valor do IVA, IRC, entre outros.
O PSD critica esta atitude do governo, não aprovando de forma nenhuma a proposta do orçamento de estado, tendo este sido caracterizado pela fraca transparência. Manuela Ferreira Leite considera que “este é o momento em que se exige aos responsáveis que falem a verdade em vez de venderem ilusões, (…) sendo a mudança (das actuais políticas) cada vez mais necessária”.
Em oposição ao PSD encontra-se Santos Silva, que considera grave que este partido continue numa linha de contestação permanente ao governo.
Na minha opinião, o orçamento de estado proposto poderá conter algumas gralhas, gralhas essas associadas às medidas sociais anunciadas para as famílias, pois é possível que a capacidade orçamental não seja suficiente. Creio que deveria também ter sido objectivo deste plano, a recuperação do poder de compra que tem vindo a diminuir nos últimos anos.
É também conteúdo do orçamento de estado para 2009, o apoio fiscal às empresas (em especial às PME), contudo considero que este facto não é muito coerente, pois actualmente é exigido às empresas que paguem de modo imediato o valor do IVA ao estado, mesmo que estas não tenham ainda recebido as suas receitas.
Porém, não podemos considerar a atitude do governo “irresponsável”, pois irresponsabilidade seria não combater a pobreza nos activos.
Em conclusão, podemos definir o orçamento de estado por uma ordem de prioridade:
1- Prioridade à educação
2- Prioridade à ciência
3- Prioridade à melhoria dos cuidados de saúde
Na situação de instabilidade com que nos deparamos, é necessário estimular a economia bem como o seu crescimento. Para tal é preciso aumentar o investimento público e privado (entre outros factores) de forma a modernizar e desenvolver o país.

Maria Goreti Silva Gomes
(gmgoretti@sapo.pt)

Bibliografia:
http://orcamentoestado2009.info/
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/MF/Comunicacao/Programas_e_Dossiers/20081014_MEF_Doss_OE_2009.htm
http://www.governo.gov.pt/Portal/PT/Primeiro_Ministro/Intervencoes/20081105_PM_Int_OE_2009_AR.htm
→ Jornal de negócios
→ Destak
(artigo de opinião)

A posição de Portugal perante a crise

Como sabemos, a economia mundial está em recessão. A crise ‘importada’ dos EUA trouxe consigo uma grande incerteza aos mercados financeiros, sendo que no espaço europeu assistimos a uma subida inevitável da Euribor (que é a taxa da usualmente utilizada no crédito à habitação).
A primeira evidência que tivemos em relação à crise nos mercados financeiros, foi a falta de liquidez que se sentiu (e ainda se sente), e cuja solução encontrada pelo BCE foi a diminuição da taxa de referência do espaço europeu (é necessário perceber que esta medida foi tomada mais tardiamente que o esperado pois o principal objectivo do BCE é a estabilidade dos preços, e apenas por esta altura as pressões inflacionistas estavam controladas).
Após esta medida, também a Euribor começou a descer, uma vez que estas duas taxas andam sempre atreladas. Contudo, e cientes do facto desta não se apresentar como uma medida suficiente para combater a crise financeira actual, os responsáveis pela condução das políticas económicas no espaço europeu apelaram para a acção concertada de todos os países deste espaço, de maneira a garantirem a estabilidade dos seus sistemas financeiros nacionais, e, por conseguinte, do sistema financeiro europeu.
Como resultado deste pedido, e à semelhança dos outros países Europeus, Portugal tomou medidas para contornar esta crise, e para evitar que esta se instalasse de forma mais crítica.
Uma dessas medidas, que está formalizada no orçamento de Estado, consiste na concessão de crédito no valor de 20 mil milhões de euros para bancos em crise, de forma a reforçar a estabilidade do sistema. Ou seja, esta medida diz-nos que se uma instituição financeira está em apuros o Estado assume a responsabilidade por ela (tal como fez actualmente com o Banco Português de Negócios). Esta medida está em consonância com a posição europeia, uma vez que o BCE já havia garantido que não iria permitir a queda de nenhuma agência financeira de relevo.
Outra medida que o nosso Governo também tomou para aumentar a liquidez nos mercados financeiros, foi decidir efectuar o pagamento das suas dívidas para com as empresas privadas, que representam cerca de 2% do produto português. Uma medida bastante eficaz, que vai impulsionar a economia (que podemos até comparar ao micro crédito, mas em relação apenas às empresas), e que não parece ter grandes contrapartidas uma vez que o Estado está aqui apenas a cumprir com as suas obrigações.
Para financiar qualquer uma destas medidas, o nosso Estado pondera recorrer à emissão de dívida pública, o que vai enviar para gerações futuras as responsabilidades de pagamento das dívidas do presente.
Neste caso, e para evitar estas transferências financeiras entre as gerações, defendo que o Estado deveria desistir dos investimentos públicos que tem em vista, e que, neste momento não parecem ser sustentáveis, dado o clima de instabilidade financeiro e de dificuldade em fazer previsões de longo prazo.

Cristina Lobo
cristina-lobo@hotmail.com
(artigo de opinião)

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O corte do BCE nas taxas de juro

O BCE continua atento a evolução negativa da economia e a grande recessão económica que se faz sentir. Neste sentido houve um corte de 0,50 pontos para os 3,25% na taxa de juro, o que pode representar um grande alívio para as empresas e famílias a nível europeu. E, por outro lado, este corte pode tranquilizar o mercado das acções.
Após o Banco Central da Inglaterra ter realizado um corte de 1,5 pontos percentuais o Banco Central Europeu também optou por uma descida na taxa de juro. Mas neste caso o corte foi mais suave: apenas de 0,5 pontos percentuais. Este corte no “preço do dinheiro” deve-se sobretudo a preocupação cada vez mais evidente por parte das famílias e empresas, e com este corte reforça-se a relação de confiança entre o BCE e as famílias/empresas no sentido de que o BCE irá conseguir controlar a inflação. Mas este corte poderá ser insuficiente: na realidade já se discutiu se não teria sido melhor ter feito um corte de 0,75 pontos percentuais ou até de 1 ponto percentual. Assim sendo prevê-se que para o BCE conseguir controlar a inflação e melhorar a situação financeira das famílias e empresas terá no futuro proceder a mais cortes. Estes cortes poderão fazer com que a taxa de juro se situe entre os 2% e os 2,5%.
Mas porquê este corte tão pequeno face ao abrandamento abruto na evolução da economia? A razão é que se os cortes forem demasiado grandes então estes poderão assustar o mercado. Neste sentido vai haver pequenos cortes na taxa de juro ao longo do tempo, para se chegar a um valor óptimo no sentido de controlar a inflação e melhorar o estado da economia. Por outro lado este corte na taxa de juro influencia positivamente o mercado accionista. Se, por um lado, face a crise económica, existe um sentimento extremamente negativo por parte dos investidores o que influencia negativamente o mercado accionista, por outro, a diminuição da taxa de juro consegue atenuar as consequências negativas no mesmo mercado. Isto, na medida em que, face a esta recessão económica, o lucro das empresas parece estar a diminuir, mas, com a diminuição da taxa de juro, existe a perspectiva de uma melhoria de condições para as empresas conseguirem sobreviver a grande crise financeira que abala o mundo.
Pode-se dizer que o BCE está a tentar reanimar a economia através de cortes nas taxas de juro. Estamos perante uma grande crise financeira, e para tal têm que ser tomadas medidas drásticas de forma a combater este abrandamento geral da evolução das economias. Para tal estes cortes na taxa de juro têm que ser feitos de forma a salvaguardar as finanças das famílias e empresas.

Alex dos Santos Teixeira
italianoboaonda@hotmail.com
(artigo de opinião)