segunda-feira, 24 de setembro de 2018

A corrida às casas

A 14 de setembro, o jornal Público avançava com a notícia de que 85% das casas à venda em Portugal estariam a ser vendidas em menos de seis meses. Segundo dados da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários, os imóveis estão a ser vendidos mais rapidamente. Prova disso é que, em 2015, o tempo médio de venda de uma casa era de dois anos e, atualmente, a maioria sai de venda em menos de meio ano.
Está visto que, em Portugal, a procura por habitação tem sido crescente, sendo que, na minha opinião, isto não seja algo que me surpreenda. São vários os fatores que ajudam a explicar este acontecimento atual. Poderemos apontar o contínuo aumento do preço das rendas das casas como um dos grandes motivos que levam a esta “corrida” à compra de casa.
Entre 2011 e 2013, registaram-se aumentos consecutivos das rendas, atingindo mesmo um valor recorde (3,36% em 2013). Após o abrandamento até 2015, desde aí que o mercado de arrendamento tem encarecido, com a previsão de, neste ano, o aumento do preço das rendas se estimar em 1,12%, e em 1,19% em 2019, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.
Muito se tem discutido acerca dos elevados valores das rendas em Portugal, justificado com a pouca oferta e grande procura por arrendamento. Tal situação veio dificultar o acesso à habitação de uma parte significativa da população, que se confronta com preços de habitação cada vez mais próximos dos praticados nas principais capitais europeias, embora os seus rendimentos não estejam em conformidade.
A elevada procura por arrendamento de longo prazo (por parte das famílias nacionais e estrangeiras, uma tendência em crescimento) e de curto prazo (associado ao turismo) fez com que a aquisição de casa para fins arrendatários se apresente, nos dias de hoje, como um investimento viável, de elevado retorno.
Assistimos, então, ao aumento do número de casas para arrendar, ainda que o preço dos imóveis tenha vindo a aumentar, mas não tanto como o valor das rendas, as quais facilmente encontram inquilinos dispostos a suportar tais valores. E porquê que isto acontece? A resposta é muito simples: as famílias estão agora mais confiantes para com a conjuntura económica e há uma maior abertura dos bancos à concessão de crédito.
O crescimento da economia, assim como a reposição de rendimentos e o fim da sobretaxa de IRS vieram trazer maior poder de compra, com o Fundo Monetário Internacional a apontar para o maior aumento deste século ocorrido em 2017 (2,9%).
O crédito à habitação possui agora melhores condições comparativamente com os anos da crise, onde os bancos restringiram fortemente a concessão de crédito. Apesar de existir, por exemplo, um maior controlo sobre a taxa de esforço, a verdade é que o número tem vindo a aumentar. Se em 2013 haviam sido concedidos 2.048 créditos à habitação, no ano passado esse valor praticamente que quadruplicou.
Ao que parece, os bancos pouco ou nada aprenderam com a crise financeira recente, uma vez que estão dispostos a conceder créditos com condições de financiamento mais favoráveis, valores de spread mais baixos e financiamento a 100%, aliados a taxas de juro baixas. A aquisição de habitação própria apresenta-se como um “plano de fuga” do arrendamento, pois, na maior parte dos casos, o valor atual de uma prestação mensal chega a ser bem mais baixa que a de uma renda.
No meu ponto de vista, são estes os três grandes motivos pelos quais temos vindo a registar um crescimento do número de construções e do menor tempo de venda dos imóveis disponíveis no mercado.
Nos dias de hoje, todos procuram casa em Portugal e a tendência é a de um contínuo aumento. Tudo isto terá um impacto positivo na economia, até porque o imobiliário é dos setores que mais potencia outros, nomeadamente, a construção, indústrias e serviços. Isto tem sido discutido como sendo algo terrível para a economia, o que, na verdade, até é bastante benéfico. É simplesmente a lei da oferta e da procura a funcionar em pleno e um acontecimento que tem potencial para alavancar ainda mais o crescimento económico.

Andreia Filipa Teixeira Barbosa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A dor de cabeça salarial

Durante a terceira semana do mês de outubro de 2018, os meios de comunicação foram inundados com informação relativa à evolução dos “custos com salários e remunerações por hora trabalhadadurante o segundo trimestre de 2018, revelada pelo Eurostat. Este estudo veio divulgar não só que os salários aumentaram em 1,2% em termos nominais e homólogos, como também conclui que Portugal, no panorama europeu, foi o quarto que menos evoluiu, à frente das economias luxemburguesa, espanhola e holandesa.
A razão do estudo ter atingido de forma tão vigorosa os media prende-se com outros ancontecimentos públicos, tais como a previsão do JP Morgan, onde se prevê a subida de 2,5% dos salários para as economias avançadas (o dobro do que se verificou em Portugal) ou de que, em 2016, o salário médio em Portugal, de trabalhadores por conta de outrem, era de 924,9€, enquanto que na União Europeia essa mesma rubrica apresentava um valor médio de 1995€.
Quais serão então as razões da discrepância nas evoluções, sendo que, perante a disposição económica atual, a economia portuguesa deveria apresentar maior potencial de crescimento, aos olhos de quem ouve as notícias, pelo menos? Apresentemos então algumas razões justificativas para este fenómeno e que esclarecem a situação de perda de ritmo português face às “economias avançadas” no pós-crise financeira.
Por um lado, o que aconteceu na economia portuguesa durante a crise de 2008 foi que, em muito por razões sindicais e de incapacidade de se darem descidas brutas nos ordenados por parte das empresas, os trabalhadores do privado que mantiveram os seus empregos não sentiram quedas salariais muito significantes, e como tal as posteriores recuperações apresentar-se-ão mais lentas. Por outro lado, a globalização e a desvalorização do trabalho vêm representar um papel muito importante neste crescimento contido. Isto porque, numa sociedade globalizada como a dos dias de hoje, a concorrência é muito maior, o que evidentemente pressiona a descida real das remunerações, tal como acontece com o procedimento de automação dos processos produtivos. Todos estes fatores levam à desvalorização do fator trabalho. O que a torna evidente essa desvalorização é, por exemplo, o que se deu em Portugal com a descida do salário médio dos engenheiros, numa economia que necessita de mais engenheiros, quando o efeito sobre o salário médio devia ser o contrário.
É ainda de referir o atraso no processo de recuperação a que a nossa economia se sujeitou em comparação com outras economias, tais como a americana, a crescer desde 2008, e a europeia, que, de modo geral, apesentou crescimentos a partir de 2009. Pois bem, sobre este entrave cíclico apenas ganhei verdadeiramente conhecimento do mesmo numa rotineira viagem de comboio recente onde, entre palavras perdidas, ouvi um indivíduo comentar que havia mudado de casa há coisa de 4/5 anos, “na altura da crise”, disse ele. Ora vejamos, se excluirmos o período de 2010, onde a tentativa de estimulo à economia se revelou crítica para o afundamento da mesma, posteriormente, após o choque de 2008, Portugal apenas começou a apresentar sinais de recuperação em finais de 2013/2014, há precisamente 4/5 anos, representando assim um atraso de igual período para as economias acima referidas. É compreensível que toda a recuperação se apresente atrasada igualmente, na qual se inclui o aumento de salários.
Por fim, e passando para uma vertente mais de opinião pessoal, a situação salarial portuguesa é um tema a ver e rever com bastante cuidado. Isto porque vivemos numa altura em que o PIB da Zona Euro já foi revisto para baixo por duas vezes no que se refere a este ano, e onde se prevê um abrandamento no crescimento do PIB português para os próximos 4 anos (espera-se que este seja de “apenas” 1,6% em 2022, menos 0,8 pontos percentuais que em 2018), em época em que já se começam a cozinhar teorias sobre a próxima crise, quer em termos internacionais, quer também em termos nacionais, como já referiu recentemente Richard Thaler para a possibilidade de uma futura catástrofe no mercado imobiliário português.
Perante estes fatores e o futuro sempre incerto, uma das prevenções óbvias é o reforço da solidez económica das famílias, que não irá acontecer, na minha opinião, sem uma intervenção breve do Estado. Intervenção essa que poderia passar pelo aumento de apoios às empresas privadas para incremento de produção quer para o mercado externo quer para o interno, incentivos e facilidade ao consumo através da redução de impostos indiretos, por exemplo, ou até mesmo com medidas diretas sobre os salários, tais como aumentos na função pública ou aumento do salário mínimo nacional. Esta medida já se encontra na agenda do governo para o ano de 2019.

Diogo Eduardo Machado Ferreira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

domingo, 23 de setembro de 2018

Será o “boom” das Universidades Privadas?

Setembro é o mês mais aguardado pelos estudantes que terminam o ensino secundário pois todo o seu percurso académcio é verdadeiramente definido. É, de facto, uma mudança na vida de todos aqueles que ingressam no ensino superior, não só a nível académico/profissional como também a nível pessoal. Assim sendo, este fenómeno é anualmente falado no que toca, por exemplo, ao número de inscritos no ensino superior, às médias de ingresso ou até mesmo às rendas pedidas aos estudantes na hora de alugar uma casa para viverem no período letivo.
No decorrente ano, foram 43 992 os alunos colocados na 1ª fase de candidaturas ao ensino superior público face aos 49 362 candidatos, o que perfaz uma redução de 2% de colocados em relação a 2017. Pelo contrário, no que toca ao ensino superior privado, deu-se o crescimento entre os 4% e os 20%, destacando-se que no anterior ano letivo ocorreu algo similar, rondando um crescimento entre 10 e 36%, segundo o Jornal de Notícias.
Analisando de forma cronológica, o ensino público sempre foi o favorito no que toca ao ingresso no ensino superior. No entanto, olha-se cada vez mais para as universidades privadas como uma opção viável e, por isso, justifica-se o movimento a que se tem assistido a partir do ano letivo de 2015/2016. Perante tais resultados, é inevitável a seguinte questão: por que razão há tanta aderência às universidades privadas nos últimos anos?
Primeiramente, a conjuntura económica tem-se verificado cada vez mais sorridente após a última crise sentida em Portugal e este torna-se um fator muito relevante, ou até mesmo o mais relevante, na hora da escolha por parte das famílias. A partir de dados económicos de 2017, e prevendo que siga uma tendência semelhante no presente ano, o rendimento disponível das famílias registou um aumento, exibindo uma taxa de variação de 1,7%. Tal foi possível devido ao aumento das remunerações e prestações sociais, segundo o Instituto Nacional de Estatítica, permitindo às famílias alocar uma maior parte do seu rendimento à educação.
É ainda de destacar que, no ano transato, o poder de compra registou o seu nível máximo desde 2000 (var. 2,9%), segundo o FMI, salientando o papel da diminuição da taxa de desemprego para tal.
Posto isto, os pais têm uma maior facilidade de proporcionar o percurso académico numa universidade privada aos seus filhos de modo a, entre outras razões, ficarem mais perto da família.

Além deste fator, podemos também identificar a implementação de uma medida pelo Estado português que acabou por não refletir o objetivo primordial da mesma, fazendo com que existisse um incentivo à procura das universidades privadas. Esta medida consistia na diminuição das vagas no ensino superior público no Porto bem como em Lisboa. Apesar da mesma ter como principal finalidade a deslocação dos jovens para o interior do país de forma a dinamizar e combater o envelhecimento, os jovens não responderam a tal de forma positiva, preferindo recorrer a uma universidade mais próxima, apesar do valor das propinas poder ser 5 vezes maior, por exemplo.

Por fim, podemos ainda destacar a entrada, cada vez mais significativa, de estudantes internacionais no nosso país, bem como o facto da escolaridade obrigatória, atualmente em vigor, se situar  no 12ºano. Esta última medida referida potencia os estudantes a seguir o ensino superior, mesmo aqueles que não têm os resultados mais satisfatórios, uma vez que têm sempre a opção onde as médias do secundário não são consideradas da mesma forma que no ensino público.
         Perante todos estes fatores, será de esperar no curto prazo um crescimento da procura do ensino superior privado. Por um lado, este aumento da procura das mesmas é propício ao desincentivo e, talvez, a uma desacreditação do ensino público, o que leva à velha história de que só as pessoas com mais rendimentos têm o acesso a educação superior. No entanto, este também pode tornar-se um desafio ou até mesmo um incentivo à modernização/inovação do ensino público.

Célia Catarina Barbosa Santos
[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Um “pequeno” destino à beira mar plantado

Ao longo dos últimos tempos, Portugal tem-se revelado uma pequena pérola no que se refere ao turismo, contribuindo, ano após ano, para as receitas do nosso país e consequente melhoria na economia. O país está na moda e tem vindo a acumular prémios sucessivos no âmbito turístico, sendo motivo de grande orgulho. Assim, justifica-se uma breve análise às componentes do turismo, nacional e internacional, baseada nos dados disponibilizados pelo INE, de modo a traduzir todo este sucesso num objeto de estudo mais conciso.
Em relação ao turismo mundial, os dados demonstram uma tendência crescente das chegadas de turistas internacionais representada pelo aumento de 84 milhões em 2017 (comparativamente a 2016). Este crescimento resulta num total de 1323 milhões de turistas (acréscimo de 6,8%). A Europa continua a ser o destino de eleição dos internacionais, concentrando a maioria das chegadas (50,7%), o que representa um aumento de 8,4% relativamente a 2016. Já no caso Português, em 2017, o total de dormidas em alojamento turístico ascendeu aos 65,8 milhões, 47,1 dos quais correspondem a não residentes. Relativamente ao proveito do alojamento turístico, é a zona de Lisboa que mais se destaca com cerca de 1100 milhões de euros, e no âmbito dos mercados nas dormidas é o Reino Unido que lidera com 9,9 milhões, seguindo-se a Alemanha com 6,5 milhões. Mas como nem só de estrangeiros se constitui o turismo, justifica-se analisar também a vertente dos residentes. Neste caso, as viagens realizadas são apresentadas em 4 categorias: profissionais ou negócios; lazer, recreio ou férias; visita a familiares ou amigos; e outros motivos. Aqui, destacam-se as viagens em âmbito de lazer, recreio ou férias, com 45,2%, e as visitas a familiares ou amigos, com 44%. 
Estes são alguns dos números que podem explicar os prémios arrecadados ultimamente, dos quais se pode salientar os seis óscares mundiais conquistados em Dezembro de 2017 (mais quatro que no ano anterior, no Dubai), que levaram à eleição de Portugal como o melhor destino turístico do mundo, tornando-se ainda o primeiro país europeu a conquistar este prémio nos World Travel Awards, realizados no Vietname. Mais recentemente, em Agosto de 2018, o país foi distinguido como “o destino a visitar” (Hottest Destination), prémio atribuído pelos Virtuoso Awards (a maior rede global de viagens de luxo) no âmbito da Virtuoso Travel Week, que decorreu em Las Vegas, nos Estados Unidos. 
No entanto, nem tudo é perfeito e todo este sucesso vê-se agora ensombrado por notícias que relatam que o turismo em massa pode ser “destrutivo” e como os residentes, dos destinos mais populares, já sentem estes efeitos. Em Portugal, Porto e Lisboa aparecem como cidades “ameaçadas” pelo excesso de turismo, que dificulta cada vez mais a vida dos residentes. Os moradores queixam-se do aumento de lixo na cidade, atribuindo-o ao crescimento do turismo, à escassez de meios das autarquias e à falta de civismo. Este fenómeno já está a ser também noticiado, nomeadamente na imprensa alemã, que relatou o caso Portuense. 
Cada vez mais as companhias aéreas promovem viagens low cost e, hoje em dia, já não se pode considerar o ato de viajar um luxo, como em tempos se constatava. A meu ver, esta é uma das vertentes que mais contribui para o elevado número de turistas que se concentram em excesso em algumas cidades, sendo que a componente cívica acaba por ser sempre um ponto a ter igualmente em consideração.
Na minha opinião, deve-se continuar a apostar no turismo, promovendo o que de melhor Portugal tem para oferecer tanto a nível cultural, gastronómico como paisagístico, e que se observa um pouco por todo o país, incluindo as regiões autónomas. Além disso, e como referiu Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal, o investimento turístico deve ter como objetivos não só promover o país como destino de visita, mas também como possível oportunidade de investimento ou compra de habitação.

Marta Esteves Oliveiros

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Carros Elétricos – uma solução ambiental em crescimento

Os carros elétricos são um tema muito atual, tanto a nível do nosso país como a nível mundial, pois estes podem ser vistos como uma solução necessária para a população, uma vez que todos os cidadãos beneficiariam com a consequente diminuição drástica da poluição do ar. Os veículos elétricos diferenciam-se dos veículos usuais pelo facto de utilizarem um sistema de propulsão elétrica e não a solução comum de motor de combustão interna. Deste modo, os primeiros não emitem ruído nem poluem o ambiente. Atentos a esta realidade, os grandes fabricantes de automóveis têm desenvolvido diversas tecnologias alternativas, permitindo disponibilizar no mercado cada vez mais automóveis elétricos.
Em Portugal, foram vendidos quase mil carros elétricos até ao final de agosto deste ano, tendo sido atingida a quota de apoio do Fundo Ambiental em apenas oito meses, pelo que, do meu ponto de vista, talvez seja necessário aumentar o valor desta mesma quota de apoio para o próximo ano. Na verdade, 2017 marca a diferença no mercado nacional destes automóveis, que passam a ter um volume anual de vendas muito significativo e sem precedentes. Entre os anos de 2010 e 2017, verificou-se a venda de 2319 veículos elétricos ligeiros em Portugal e até julho deste corrente ano o número já ascendia os 921 carros, o que corresponde a mais 129,7% do que nos primeiros sete meses do ano de 2016. O mercado português de veículos elétricos começa, assim, a ter uma manifestação significativa, o que demostra que a sociedade poderá estar cada vez mais alertada e preocupada com o ambiente e as suas possíveis soluções.
Também a indústria de automóveis aposta em maior escala na produção de veículos automóveis elétricos. Deste modo, prevê-se que, entre 2025 e 2030, os carros elétricos tornem-se mais competitivos face aos de combustão interna, correspondendo a 54% das vendas de novos carros até 2040. Na minha opinião, a principal razão poderá derivar da queda acelerada do preço dos carros elétricos, estimulada pela descida do preço das suas baterias. Assim sendo, será mais fácil combater as alterações climáticas com uso maioritariamente de carros elétricos.
A meu ver, é possível salientar alguns obstáculos que impedem o aumento da venda de viaturas deste tipo, nomeadamente: a falta de incentivos e de mais informação útil para os futuros compradores, assim como as limitações de autonomia que ainda existem.
Relativamente aos incentivos, já há alguma preocupação de melhoramento dos mesmos, pois no próximo ano haverá apoio para quem comprar um automóvel elétrico, uma vez que receberá um cheque de 2250 euros. Porém, este apoio poderá não chegar a todos, na medida em que neste corrente ano o incentivo limitou-se apenas às primeiras mil unidades vendidas (limite este que foi atingido no final de agosto), assim como a isenção do imposto único de circulação (IUC) e o facto de os consumidores poderem ser remunerados pelo abate ou entrega do seu veículo antigo.
Uma outra forma de incentivo seria criar uma nova taxa para os veículos movidos a combustíveis fósseis. No que concerne às empresas, há a possibilidade de isenção na tributação autónoma e da dedução do imposto sobre o valor acrescentado (IVA), o que poderá levar a que Portugal acompanhe o crescimento das vendas destes automóveis que já se verifica a nível europeu.
Efetivamente, estas medidas podem ajudar nas escolhas dos portugueses face aos automóveis elétricos. Também os governos dos vários países estão a incentivar cidadãos e construtoras automóveis a trocar os motores de combustão por motores elétricos, de forma a conseguirem cumprir as suas metas para a redução da emissão dos gases de efeito de estufa e da poluição nas cidades.
A mudança para o carro elétrico tem sido acelerada por fatores ambientais e pelo desenvolvimento da tecnologia de mobilidade autónoma e de energia renovável. No entanto, a nível de consumo de energia, importará ser crescentemente eficiente, pelo que os carros elétricos terão de consumir muito menos para conseguir percorrer a mesma distância que os modelos que usam combustíveis fósseis. Isto implica que, se a energia elétrica for proveniente de fontes renováveis, o impacto em termos de emissões de gases de efeito de estufa, considerando o ciclo de vida dos automóveis elétricos, será seis vezes e meia menor em comparação com os veículos comuns.
Concluindo, os carros elétricos já são uma mais-valia no combate à poluição e consequentes alterações climáticas prejudiciais para toda a sociedade. De facto, com os incentivos existentes, verificou-se um aumento muito significativo das vendas destes automóveis a nível nacional, prevendo-se que este aumento seja progressivo para os próximos anos.


Inês Isabel Carvalho Garcia Pinto Pereira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

UM UBER SEM NIGUÉM AO VOLANTE

Nesta altura, o tema dos carros autónomos já começa a ser um tema que se houve bastante, mas que continua a ser uma realidade distante que, para já, apenas está presente nos Concept Cars de algumas marcas de automóveis. Pois, isso era o que eu inicialmente pensava e o que muitos ainda pensam, no entanto, não é assim tão verdade quanto isso, uma vez que já vemos na estrada carros que estacionam sem a necessidade de intervenção por parte do condutor e alguns carros autónomos estão já a ser efetivamente testados nas estradas e até já são considerados legais, como é o caso da Alemanha, que se assume, assim, como o primeiro país a legaliza-los.
Esta medida, apesar de ser um grande passo na direção da automatização da condução, não permite ainda que não haja um condutor encartado atrás do volante, pronto a assumir o comando, e também não permite que os automóveis se encontrem naquilo que se chama o nível 5 da condução automática, que é quando o automóvel é totalmente automatizado e não tem qualquer tipo de comandos a ser tomados pela mão humana, ou seja, tem que haver a possibilidade de o condutor poder tomar rédeas da situação a qualquer altura. Nos Estados Unidos, já há entregas de pizza feitas com carros autónomos e, em Portugal, os testes deste tipo de automóveis terão início em 2018, por parte da Indra, em Lisboa e Coimbra, cujos veículos virão de França e Espanha, mas um deles é um automóvel modificado pela Universidade de Aveiro.
Outro projeto que, até este ano, eu desconhecia é o projeto da Waymo, que foi anunciado no Web Summit de 2017, em Lisboa. Este projeto consiste em tornar os carros autónomos acessíveis às “pessoas comuns”, sendo este considerado o próximo grande passo a dar pela empresa. A ideia inicial é criar uma espécie de Uber com estes carros, em que as pessoas podem escolher o modelo de carro que querem, de entre os modelos disponíveis, e podem solicitá-los apenas para uma deslocação de um ponto da cidade para outro (exatamente como um Uber ou um táxi) ou podem solicitar o carro por um período mais alargado de modo a ter transporte, por exemplo, durante todo o seu período de férias, sem ter que, para isso, comprar um carro. Tudo isto é feito mediante um pagamento de um aluguer adequado ao serviço solicitado. Este projeto promete contribuir em muito para a diminuição dos acidentes de trânsito e das mortes na estrada, pois elimina o erro humano.
Perante toda esta evolução, surge uma questão acerca da legislação a ser aplicada a este tipo de automóveis e sua condução. É preciso ter em conta as normas do código de estrada em vigor e as que precisam de ser alteradas. Por exemplo, um dos propósitos deste tipo de carros é permitir à pessoa que estaria a conduzir ocupar o seu tempo com outras atividades mais produtivas, nomeadamente, envolvendo o uso de tablets, computadores, telemóveis e livros. Ora, a utilização dos mesmos não é permitida atualmente, pois o condutor tem de se focar apenas na condução, mas com um carro que não precisa de ser conduzido essa atenção já não será tão necessária. Será, ainda, uma necessidade essencial que os fabricantes forneçam toda a informação de forma clara a quem utiliza estes automóveis, para que não sejam utilizados sem os devidos cuidados, como consequência de expectativas diferentes da realidade. Outra medida a ter em conta é o facto de se possuir ou não a carta de condução, ou seja, se eu não tenho carta e quero deslocar-me, posso chamar um Uber ou um táxi, mas se chamar um carro da Waymo sem um condutor não haverá ninguém com carta de condução dentro do carro, no entanto ele anda na estrada da mesma forma. Será isto possível?
Bem, para já, no único país onde estes veículos são legais, isso não é possível, pois a lei Alemã obriga a que um condutor encartado esteja atrás do volante, mas a mudar-se esta legislação o que acontecerá com as escolas de condução? Poderá ser um golpe muito grande para toda uma parte do tecido empresarial português, levando ao encerramento de muitos destes estabelecimentos. Será também necessário estipular como se dará a tributação relacionada com estes carros e a forma como se dará a sua introdução no mercado e na vida quotidiana da sociedade.
Na minha opinião, este poderá ser um futuro relativamente próximo, representando mais um passo na direção da evolução, mas tem que ser muito bem delineado, sem pressas e com todas as devidas proteções, de forma a que não haja contratempos perigosos ou até fatais, e de forma a que a legislação tenha tempo de acompanhar esta mesma evolução. De um modo geral, esta poderá ser uma ótima oportunidade para o mercado português, caso este decida investir nesta vertente, e é muito bom que Portugal vá fazer parte deste movimento já no próximo ano e com a participação direta de uma das nossas universidades.

Bárbara de Sousa Gomes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]