sexta-feira, 2 de novembro de 2018

A Transformação Digital

A transformação digital já não é um tema novo para as empresas, sobretudo para aquelas que acompanham mais intensamente a evolução dos mercados e as suas tendências. É um processo no qual as empresas fazem uso da tecnologia para melhorar o seu desempenho, aumentar o alcance e garantir resultados melhores. A transformação digital está a revolucionar o negócio de muitas empresas já estabelecidas no mercado e ao mesmo tempo surgem outras empresas que utilizam a tecnologia para criar novos negócios. Esta adaptação das empresas à tecnologia é essencial nos dias de hoje, contudo é necessário o dispêndio de algum tempo e recursos.
É certo que as tecnologias têm mudado radicalmente as nossas vidas, e têm contribuído principalmente para um acesso generalizado à informação, que torna as pessoas mais esclarecidas e exigentes. Por isso, é importante que as empresas sejam capazes de acompanhar as evoluções que acontecem na sociedade e perceber como é que a tecnologia molda os indivíduos e de que forma é que conseguem extrair o melhor desta adaptação.
Na última conferência realizada pela Cegoc (Centro de Estudos de Gestão e Organização Científica), mostrou-se que é essencial as empresas não terem medo da transformação digital e devem usufruir ao máximo das vantagens que advém da Inteligência Artificial e da small data. “A Inteligência Artificial não vai roubar trabalhos, vai melhorar o desempenho”, disse Jeanne Meister, um dos profissionais mais importantes na área dos recursos humanos. Um exemplo utilizado nesta conferência foi o do Hotel Hilton, que utiliza um chat bot para comunicar com os candidatos a emprego. Isto permite uma relação mais dinâmica entre candidato e recrutador, uma vez que facilita o conhecimento das áreas mais indicadas para cada candidato e também permite saber em que estádio se encontra o processo.
Paula Panarra, diretora geral da Microsoft Portugal, considera que a Inteligência Artificial vem aumentar a capacidade do homem, o que conduz a uma otimização das operações e uma melhor relação com os clientes. Refere ainda que “as empresas que não estão a aplicar a inteligência artificial aos seus negócios já estão fora do jogo”. O estudo realizado pela Microsoft a 22 empresas portuguesas mostra que 18% das empresas não utilizam a Inteligência Artificial nos seus processos e apenas 1/3 já utiliza, como é o caso da EDP, dos CTT, Crédito Agrícola e da Salsa.
Atualmente, as grandes marcas procuram compreender os comportamentos dos seus consumidores recorrendo a big data. Mas, segundo Lindstrom, isso constituiu apenas metade do processo. Assim, à análise da informação fornecida pela big data é preciso adicionar a small data. “As previsões mais fidedignas resultam da big data (lógica) e da small data (instinto) em conjunto”, disse Lindstrom. A big data consiste na recolha de um conjunto de informações sobre as necessidades encontradas no mercado para que seja possível por parte das empresas preencher as lacunas existentes. Já a small data analisa os comportamentos individuais que aparentemente parecem ser insignificantes de modo a compreender quais as necessidades que cada consumidor apresenta. A empresa Lego foi uma das empresas que utilizou a small data para combater a queda nas receitas ao analisar os sentimentos e comportamentos dos seus consumidores.
A transformação digital beneficia as empresas de várias formas. Melhora o contacto com os clientes proporcionando-lhes uma experiência personalizada, o que contribui para uma fidelização dos clientes à organização pois o facto de a empresa se preocupar com cada um deles mostra que valoriza individualmente as suas caraterísticas e as preferências. Para além disso, a transformação digital permite às empresas melhorar a sua eficiência. Os colaboradores conseguem estar em contacto constante, aceder a dados e a informação. Esta partilha de informação contribui para a otimização dos processos e permite uma maior rapidez na resolução dos problemas e melhorar a qualidade do trabalho e apoio ao cliente.
Quanto mais eficaz e rápida for uma empresa a resolver um determinado problema mais vantagem ganha sobre as restantes empresas. Uma empresa aberta às mudanças tecnológicas consegue adaptar e inovar com mais facilidade os seus processos e desta forma é capaz de colocar no mercado produtos mais competitivos, que vão de encontro às preferências dos consumidores.
Torna-se relevante abordar os três pilares fundamentais da transformação digital, sendo o primeiro a necessidade de adaptação do modelo de negócio tirando partido das vantagens tecnológicas. Um exemplo atual de grande sucesso é a Uber. Esta plataforma de transportes veio tornar o processo mais sofisticado, eficaz e menos dispendioso. Este modelo de negócio consegue prestar um serviço de elevada qualidade e bastante dinâmico pois no final de cada viagem o utilizador pode avaliar diversas componentes da viagem como, por exemplo, a o desempenho e simpatia do condutor ou a qualidade do automóvel. O segundo pilar está relacionado com os processos internos. Aqui destaca-se a otimização de metodologias de trabalho através da utilização de ferramentas de gestão, como CRM (Customer Relationship Management – apoia o contacto com o cliente) ou ERP (Enterprise Resource Planning- sistema informático capaz de tratar de todas as operações diárias de uma empresa). Por fim, o último pilar assenta na relação com o cliente.
O IDC DX Performance Scorecard permite medir o sucesso obtido por uma empresa através da transformação digital, através da análise dos benefícios diretos e indiretos dos investimentos da transformação digital. Para além disso, na sua componente de responsabilidade e transparência, estabelece pontos de referência e responsabilidade para os parceiros da transformação digital. Permite também traçar a estratégia, fornecendo uma base estratégica para o planeamento de resultados comerciais, operacionais e tecnológicos das iniciativas digitais.
A transformação digital é um desafio complexo e demorado, mas as vantagens para as empresas são imensas. Ao investir nas tecnologias certas, a empresa está a potenciar a sua evolução e transformação e a garantir um lugar seguro no mercado.

Patrícia Daniela Ribeiro Fertuzinhos


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Poupança e os Portugueses

         Entendemos por poupança a ação de não gastar hoje para gastar no futuro. No entanto, os portugueses são dos principais na União Europeia a não gostarem muito de o fazer. O presente é algo tangível e concreto e, portanto, estarmos a restringir o nosso consumo hoje para apenas gastar no futuro, que é algo incerto e subjetivo. Tal não parece fazer muito sentido para os portugueses.
         Daí, e com base em dados do Eurostat, Portugal tem a mais baixa taxa de poupança entre os membros da União Europeia, com as famílias a dedicarem apenas 4% dos seus rendimentos para esse fim. Porém, é importante realçar que a preocupação com a poupança aumentou no meio dos portugueses. No primeiro semestre deste ano, 33,7% dos residentes no continente possuíam uma conta deste tipo, contra 31,6% no ano anterior. A questão levanta-se: faz sentido os portugueses pouparem mais e serem os que menos poupam na EU? Claro que sim!
         Primeiro, os portugueses poupam mais porque, cada vez mais, Portugal é um país caraterizado por constantes alterações cíclicas na economia. Ora estamos a crescer e vivemos momentos de prosperidade, ora estamos a ultrapassar uma crise cheia de cortes salariais e aumento dos impostos. Esta inconstância tornou-se tão real para os portugueses que eles próprios se tornaram mais precavidos. Comprovamos isto ao observar que, num ambiente onde faria sentido que os portugueses não poupassem, estes vão contra a história e aumentam a sua poupança. Aliás, 68% dos portugueses afirmam que o seu principal motivo de poupança são as despesas inesperadas que possam surgir.
         Segundo, estes são dos que menos poupam porque não existem incentivos para que isso aconteça. Com a taxa de poupança em mínimos históricos, o montante dos depósitos praticamente a zero e a taxa de imposto sobre as aplicações de aforro das mais elevadas da zona euro, os consumidores não têm razões para poupar. É importante acrescentar ainda que a descida da taxa de poupança é justificada pelo aumento do consumo, cujo ritmo de crescimento superou o aumento do rendimento disponível. A despesa de consumo final aumentou 0,9%, enquanto o rendimento disponível cresceu 0,7%.
         Em suma, mesmo que a consciência dos portugueses comece a ter algum peso aquando da decisão de poupar ou não, o Estado tem de criar incentivos para que a poupança aumente. É do conhecimento geral que poupar tem um peso gigantesco no investimento. Assim, é essencial que a entidade pública incentive o povo português a poupar para que depois estes possam investir, fomentando o crescimento económico.

Mafalda Rebelo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

e-Commerce: potencialidade à distância de um clique?

Diariamente, somos assoberbados pela tecnologia como uma companheira silenciosa e indiscreta nas 24 horas do dia. Vivemos agora a 4ª era digital, dominada pela cloud, pelo mobile e pela big data. A Internet, por sua vez, dotada de um impacto imensurável e irrevogável nas rotinas diárias, permite-nos chegar a qualquer recanto do mundo, contactar com praticamente qualquer pessoa e, entre outras incontáveis potencialidades, permite que qualquer indivíduo, à distância de um clique, possa vender ou comprar bens ou serviços sem sair de casa.
Assim, surge o conceito de e-Commerce, ou comércio eletrónico, que incorpora todas as compras feitas online. Este conceito aparentemente recente surgiu, na verdade, na década de 60, tendo vindo a assistir-se a um crescimento exponencial, em muito devido à massificação do acesso à Internet e à explosão das redes sociais. Tem, subsequentemente, metamorfoseado a economia mundial, permitindo às empresas incrementar a oferta aos consumidores.
De facto, nos últimos cinco anos, houve um incremento notável de lojas online e de comércio por conta própria, que ganham espaço nas redes sociais com maior adesão, como o Instagram e o Facebook. Paralelamente, é também fácil a constatação do número crescente de “influenciadores digitais”, promotores remunerados de marcas.
No ano transato, a percentagem de população portuguesa que fez compras online foi de 36%, num valor total de 4,73 mil milhões de euros, aos quais se somam 70 mil milhões de euros em negócios online efetuados por empresas e pelo Estado (e em 2025 estima-se que seja de 59%, com um valor de compras da população de 8,9 mil milhões de euros e volume de negócios efetuados pelas empresas e pelo Estado de 132 mil milhões de euros). Todavia, ainda que estes valores sejam promissores, depressa se apreende que o comércio eletrónico em Portugal está longe de ter atingido o seu grau de maturidade. Com efeito, o crescimento verificado em Portugal de 12,5% está “abaixo da média europeia, que se estimava em 13,6%, em 2017, e particularmente aquém dos países no sul da Europa, que terão registado um crescimento de 18%”, pode ler-se num estudo divulgado pela Cushman & Wakefield, que também cita os dados da E-commerce Foundation. Percebe-se então que o potencial de crescimento do comércio eletrónico em Portugal é elevado.
Mas como estão as empresas a adaptar-se a esta nova realidade? “Apenas 39% das empresas portuguesas têm presença online e só 27% fazem negócio através da Internet”, refere Luís Castro Henriques, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), na edição de 2017 do Portugal Digital Summit, “O que quer dizer que 60% das empresas nacionais ainda continua no século XX”. Logo, os cidadãos portugueses já apostam muito no digital, mas os empresários ainda não.
Sob a minha perspetiva, existem vantagens e desvantagens neste “boom” do e-Commerce. Ter uma loja online significa ter o negócio aberto ao público 24h por dia, evitando todas as burocracias de ter um espaço físico. Além disso, até agora não se registaram quebras nas vendas em lojas físicas por causa do aumento das vendas na internet. Por outro lado, problemas com compras online em Portugal suscitaram mais de 2600 queixas de consumidores da União Europeia na Plataforma de Resolução de Litígios em Linha, nos últimos dois anos. E são as empresas portuguesas as que mais motivam queixas dos consumidores nacionais. Pode haver, então, falta de segurança ou insatisfação com as compras efetuadas.
Contudo, na UE estão presentes regras para este tipo de comércio, incluindo direitos que assistem aos consumidores e os meios pelos quais podem obter o ressarcimento de eventuais prejuízos. Adicionalmente, existe a possibilidade de evasão fiscal: a mudança nos modelos de negócio, aliada à constatação que a legislação tem dificuldade em acompanhar a rapidez com que estas atividades se desenvolvem, levam o Fisco a considerar como fundamental a criação de um sistema de monitorização e controlo de operações realizadas por empresas que desenvolvem a sua atividade em plataformas online.
O comportamento dos consumidores tem sofrido transfigurações, sobretudo nos anos mais recentes, e a Internet é uma das causadoras. Consequentemente, o comércio eletrónico aflorou e é agora uma área com muito potencial para se expandir, com um crescimento agilizado. As empresas estão a enfrentar novos e iminentes desafios, onde a adaptabilidade, criatividade e inovação são palavras de ordem. Mas são obstáculos a ser ultrapassados.

Rita Inês Cunha Meira Carvalho

[Bibliografia/Webgrafia]
·        ACEPI
·        Dinheiro Vivo
·        Ecommerce & MKT
·        Expresso
·        Jornal Económico
·        Observador

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Evolução da tecnologia nas empresas

Atualmente, encontramo-nos numa era tecnológica, aliamos a tecnologia a todos os aspetos da nossa vida. Se olharmos à nossa volta, esta está em todo o lado. As vantagens que trás são irrefutáveis, mas será que nos devemos entregar totalmente a esta nova realidade?
Vivemos cada vez mais numa era digital, com constantes avanços e crescentes inovações na área da tecnologia. O principal objetivo é, de facto, melhorar e facilitar a vida das pessoas, melhorando o mundo, daí que estas tecnologias digitais comecem a ser atrativas para as empresas. De facto, estas já começam a incorporar esta vertente no seu funcionamento, ao ponto de empresas que não acompanhem esta evolução podem começar a ficar para trás.
Assim, como devem as empresas reagir à transformação digital? Muitos defendem que devem abraçar esta mudança, tal como abraçaram inovações revolucionárias antes (revoluções industriais que se antecederam; considera-se que vamos agora na quarta), como maneira de melhorar o desempenho dos trabalhadores, a formação dos mesmos e até a sua relação com o público.
Uma das tecnologias que está a mudar o mundo é precisamente a inteligência artificial, que tem vindo a ganhar grande popularidade, e que poderá ser usada para substituir processos rotineiros nas empresas, bem como ser aplicada no processo de recrutamento e seleção. A diretora geral da Microsoft Portugal afirma mesmo que todo o tipo de empresas tem, atualmente, oportunidade de implementar tecnologias digitais nos seus negócios, fazendo especial referência à inteligência artificial como forma de aumentar a capacidade do homem e otimizar operações, referindo que aquelas que não o estão a fazer “estão fora do jogo”. Várias empresas de diferentes áreas já utilizam tecnologias digitais com sucesso e para os mais variados objetivos, como é o caso da EDP, que usa estas tecnologias com o propósito de melhorar a sua relação com os clientes, os CTT, para prever as rotas ideais para os carteiros, e o Crédito Agrícola, para prevenir fraudes.
Apesar do crescente uso de tecnologias, nunca devemos esquecer que, tal como tudo, esta pode ter um lado bom mas também um lado mau. Por um lado, a tecnologia vem melhorar a comunicação e gestão da empresa, tornando esta mais eficiente e, com a maximização da utilidade, a empresa pode, porventura, reduzir custos.
Por outro lado, há quem defenda que a substituição de trabalho humano por sistemas automáticos pode causar desemprego em massa e consequente frustração da população. Outras preocupações surgem associadas ao uso da inteligência artificial, que apresenta uma rápida expansão, levando-nos a questionar quando irá esta superar o ser humano e quais serão as consequências disso. Um estudo feito por investigadores da Universidade de Yale e de Oxford revelou que, em 2024, o desempenho humano poderá ser ultrapassado pelas máquinas a transcrever discursos, porém, as máquinas só conseguirão a automatização total do trabalho, ou seja, executar tarefas automaticamente sem qualquer intervenção humana, desde a simples tarefa de ligar um forno até a algo mais complexo como gerir um estabelecimento de crédito, em 2138, o que já não estaremos cá para ver acontecer.
Assim, na minha opinião, não devemos ser avessos à mudança e as empresas devem adotar medidas digitais que favoreçam e melhorem o seu desempenho, sempre com alguns cuidados. No que toca a inteligência artificial, esta pode ser o início de uma nova era, contudo, é necessário cuidado com aquilo que criamos para não ficarmos perante algo maior que nós, que mais tarde possamos não conseguir controlar, pois, caso os objetivos destas máquinas não sejam os mesmos que os nossos, o feitiço pode virar-se contra o feiticeiro.
Em suma, a mudança é inevitável. O que difere é a maneira como reagimos a ela. O que hoje é novidade, amanhã é comum. Cabe-nos a nós adaptarmo-nos a esta evolução, com as precauções necessárias, mas sempre com entusiasmo e braços abertos para o que virá.

Joana Isabel de Almeida Gonçalo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Envelhecimento da População Portuguesa e o futuro do SNS

    Os dados não enganam, Portugal, à semelhança do resto da Europa, está a ficar mais velho. O número de idosos aumenta com o aumento da esperança de vida e o número de jovens diminui com a diminuição da taxa de natalidade, provocando alterações nos tipos de cuidados e despesas em saúde e pondo em risco o funcionamento do sistema nacional de saúde.
   Indicadores de envelhecimento como o índice de envelhecimento (número de idosos por cada cem jovens) ou o índice de dependência de idosos (número de pessoas com 65 e mais anos por cada 100 pessoas em idade ativa) apontam para um envelhecimento generalizado da população portuguesa, nomeadamente nas regiões do interior centro e norte. 

    Atualmente, o índice de envelhecimento da população portuguesa é dos mais altos da Europa, com valor de 153,2%, cerca de 30 pontos percentuais acima da média da União Europeia e cerca de 50% acima do valor registado no início do milénio, seguindo a tendência de envelhecimento presente desde os anos 60. Se estas tendências persistirem, é estimado que em 2060 mais de um terço da população portuguesa (34,6%) terá 65 ou mais anos.
   Não é segredo para ninguém que pessoas mais velhas têm tendência a ter mais gastos com saúde, sendo responsáveis por cerca de 35-50% da despesa em saúde nacional. São normalmente pessoas que padecem de múltiplas doenças, como alzheimer, demência, incapacidades motoras, fragilidades nos ossos e músculos, doenças cardiovasculares, cancros e outras complicações derivadas de maus hábitos, como tabaco e má alimentação, doenças essas cujos tratamentos ficarão cada vez mais caros à medida que a tecnologia que os suporta avança e melhora.
   Em 2012, as pessoas com 65 ou mais anos representavam 50,53% dos custos com internamento em Portugal e, com o aumento gradual do número de idosos, é de esperar que a despesa publica em saúde aumente não só em internamento como em tratamentos, cuidados médicos e cuidados domésticos, podendo pôr em causa a sustentabilidade do SNS se mudanças não forem realizadas para lidar com os custos de longo-prazo de uma população envelhecida.
   Apesar de parecer óbvio que o envelhecimento da população conduzirá a um aumento da despesa pública com saúde, a verdade é que o impacto da idade não é assim tão linear, pois tudo depende da qualidade do envelhecimento, isto é, se os anos vividos são saudáveis ou passados em doença. Na verdade, e segundo diversos estudos econométricos, a idade é uma das variáveis que menos impacto tem nos gastos públicos em saúde, estando estes relacionados maioritariamente com gastos em cuidados nos dois anos anteriores à morte, onde se concentra a maioria dos gastos em saúde na vida de um indivíduo. No entanto, tendo em conta que cada vez mais pessoas têm esse custo depois dos 65 anos, as despesas de saúde com idosos aumentam, mas na realidade pode significar apenas um adiamento de uma despesa que em vez de ocorrer dos 15 aos 64 ocorre aos 65 ou mais anos, não constituindo um aumento real dos gastos em saúde deste grupo.
   Ao analisar a variação da despesa pública em saúde, observa-se que fatores como a tecnologia, inovação e alterações nos procedimentos médicos têm um peso muito maior nos custos, pois o desenvolvimento de novos tratamentos e equipamentos é dispendioso, sendo exemplo disso os Estados Unidos, onde apesar do envelhecimento da população não ser elevado apresentam gastos com saúde dos mais altos do mundo. Também em Portugal a despesa pública com saúde cresceu, em média, 4,6% ao ano entre 1995 e 2009, sendo o principal determinante que integra os preços a inovação, e o efeito idade o que menor contributo deu para esse crescimento.
   Desta forma, o objetivo não deve ser contrariar o envelhecimento, mas sim criar um SNS capaz de garantir que este é vivido em boas condições de saúde. Para tal, terá de mudar o tipo de serviços que oferece e a maneira como os presta, de forma a responder às necessidades de uma população envelhecida.
   Investir em tratamentos e acompanhamentos domiciliários em combinação com serviços de internamento e cuidados continuados em instituições de saúde, não só promove o bem-estar como evita custos hospitalares desnecessários, revelando-se uma mais-valia financeira, apesar dos possíveis gastos na formação de técnicos em serviços sociais e domésticos. Também a inovação tecnológica pode representar uma poupança a longo-prazo, especialmente se esta for aplicada não só em novos tratamentos como no acompanhamento e monitorização de idosos e melhoramento da gestão e base de dados do SNS. Muitos são os que defendem que a melhor abordagem para promover um envelhecimento saudável é através da prevenção e encorajamento de estilos de vida saudáveis desde idades jovens, como forma de evitar problemas futuros ligados à obesidade, tabagismo e doenças mentais.
   Outras medidas, como evitar desperdícios, combater o excesso de urgências, controlo dos custos e dos preços dos medicamentos e restrições à decisão médica podem também ter efeitos positivos na diminuição dos gastos em saúde e na manutenção do SNS, sendo o principal desafio identificar, compreender e replicar modelos de sucesso, lembrando que o envelhecimento é inevitável e que a prioridade é dar uma vida digna e saudável aos idosos, não só pela redução dos custos inerente como pela valorização da vida e trabalho das pessoas.

Hugo Machado Vaquero

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

O porquê das constantes variações dos preços dos combustíveis?

A constante alteração no preço dos combustíveis é algo a que os portugueses já se habituaram nos últimos tempos, tendo em conta os aumentos e descidas semanais dos preços dos combustíveis em Portugal. A subida do preço dos combustíveis significa que os consumidores têm menos rendimento disponível para gastar. Ao mesmo tempo, as flutuações do preço do petróleo têm uma influência direta nas empresas, levando a um aumento dos custos operacionais e afetando os lucros do negócio nas áreas de transportes e logística.
Segundo dados da Comissão Europeia, o preço do gasóleo é o 10.º mais caro entre os 28 países da União Europeia e o preço da gasolina 95 em Portugal é o quinto mais alto na UE-28. Desta forma, o preço dos combustíveis estão a atingir valores históricos e demasiadamente elevados.
É claro que o preço dos combustíveis varia consoante o preço das matérias-primas, no entanto não é percetível como ao menor preço da matéria-prima não corresponde uma redução do preço da gasolina em Portugal.
Mais de metade do preço de venda dos combustíveis em Portugal resulta de taxas e de impostos, sendo o Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos (ISP) o que representa a maior fatia do valor pago pelos consumidores.
Em 2016, o Governo aumentou o ISP para corrigir a perda de receita fiscal resultante da diminuição da cotação internacional do petróleo, e comprometeu-se a fazer uma revisão do valor do imposto em função da variação do preço base dos produtos petrolíferos, o que levou a pequenas reduções do ISP ao longo desse ano. No entanto, em 2017, o Governo deixou de rever o valor do imposto, apesar das variações do preço do petróleo.
O aumento do preço do petróleo claro que leva ao aumento do preço dos combustíveis, no entanto a permanência do aumento dos impostos (ISP) é algo que o Governo consegue controlar e tem agravado imenso os preços dos combustíveis.
Assim, na minha opinião, penso que a medida do governo em não rever o valor do imposto seja uma medida de austeridade que tem afetado muito os consumidores. Penso ainda que o governo consegue diminuir o imposto e manter a receita fiscal mínima, uma vez que, segundo a Direção-Geral do Orçamento, o Estado arrecadou 803,2 milhões de euros com o ISP no primeiro trimestre deste ano, mais 2,4% do que os 784,1 milhões de euros no mesmo período de 2017. No conjunto do ano passado, o ISP rendeu 3.364,4 milhões de euros aos cofres do Estado, mais 3,2% do que em 2016. Desta forma podemos afirmar que o governo não quer apenas o imposto como uma receita fiscal mínima, mas sim aplicar alguma austeridade implícita.
Torna-se assim bastante discutível o aumento do ISP pois , além do aumento mundial do preço das matérias-primas, também o aumento dos impostos tem levado o preço do gasóleo e gasolina a atingir valores bastantes elevados.
Além da flutuação dos preços globais do petróleo (que representam 25% do preço pago pelos consumidores) e da carga fiscal sobre os combustíveis, que tem um grande peso nos preços da gasolina e do gasóleo vendidos em Portugal (no caso do gasóleo representa metade do preço final de venda ao público e no caso da gasolina representa mais de metade do valor), há que ter em conta outro fator igualmente importante para nós, europeus, que tem a ver com a cotação do euro.
O petróleo é cotado em dólares nos mercados internacionais. Tendo vindo a moeda europeia a perder terreno em relação à divisa Norte Americana e como neste mundo a referência é o dólar, fica tudo mais caro nos mercados europeus.
Também para que o combustível chegue das refinarias até às estações de serviço, há um processo que envolve transporte, armazenamento e distribuição. Trata-se de custos logísticos que também têm de ser tidos em conta no preço final do combustível.
Por fim, é importante ter em conta a margem de comercialização. Tendo em conta que cerca de 25% do custo dos combustíveis corresponde ao valor da matéria-prima nos mercados internacionais e que, em média, cerca de 60% do custo deve-se aos impostos, os restantes cerca de 10% a 15% estão reservados para os custos logísticos e para a margem de comercialização.

Alexandre Barbosa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Portugal é um investimento de qualidade

O dia 12 de outubro ficará marcado como o dia em que a Moody’s retirou finalmente Portugal do nível de “lixo financeiro”. Após sete anos, o país é agora para esta agência de rating um investimento de qualidade, deixando de ser um mero investimento especulativo.
A história entre Portugal e a Moody’s é já longa e é marcada pela elevada desconfiança da agência para com a conjuntura económica do país. Tudo começou a 5 de julho de 2011, aquando do pedido de resgate financeiro pelo governo de José Sócrates. A Moody’s atirava então Portugal para a classificação de lixo financeiro.
Assim, esta foi a primeira agência de notação financeira a colocar Portugal nesse patamar, seguindo-se a Fitch e a Standard & Poor’s. Apenas a agência canadiana DBRS não classificou o país de “lixo” durante todo este tempo, o que permitiu que continuássemos nos mercados financeiros até agora.
Conhecida por ser mais cautelosa e conservadora, a Moody’s quis estar segura de que a trajetória de melhoria da economia portuguesa iria continuar e, apesar de há já um ano atrás ter mudado o outlook do país para positivo, só agora é que reviu o rating.
Na minha perspetiva, esta decisão da Moody’s é muito positiva e só peca por ser um pouco tardia, uma vez que já há algum tempo que o país tem apresentado uma conjuntura económica favorável e indicadores que demonstram um crescimento sólido.
Prova disso é a de que há mais de um ano que Portugal possui ratings positivos por parte das outras três agências, fazendo da Moody’s a única que ainda não tinha revisto em alta tal indicador. Como tal, as demais agências viram que, na verdade, o país tem apresentado motivos mais do que suficientes para ser considerado um investimento de qualidade.
Segundo dados do INE, a dívida pública tem baixado nos últimos anos (atingiu o pico em 2014, com 130,6% do PIB, e em 2017 já tinha baixado para os 124,2%) e a tendência, segundo analistas, é de assim continuar. A Moody’s assim o confirmou aquando desta elevação do rating, dizendo que a dívida está a caminhar para uma descida sustentável e com limitados riscos de se vir a reverter, prevendo um rácio da dívida sobre o PIB de 116% em 2021.
Convém ainda destacar o combate ao défice orçamental, cujo indicador se tem mantido em consonância com o que é exigido pela Comissão Europeia, estando bem abaixo dos 3% (com algumas oscilações ocasionais, mas a tendência é a de decréscimo). Para o presente ano, o Banco de Portugal prevê que o objetivo do atual governo seja exequível, podendo assim o défice chegar aos 0,7% do PIB, pelo que, caso isto se concretize, Portugal ficará muito perto de igualar o valor das receitas e das despesas, aproximando-se então o fim dos sucessivos défices orçamentais.
O Orçamento do Estado era um dos motivos para esta desconfiança por parte da Moody’s, contudo, agora que o Orçamento para o próximo ano começou a ser discutido, a agência considerou que o país era já merecedor de uma maior confiança e, como tal, viu o nível de rating aumentado.
Não podemos também deixar de falar da melhoria das contas externas. Há muito que o saldo da balança comercial se tem vindo a consolidar, com os últimos anos a serem marcados por excedentes que, ao que parece, tendem a aumentar. Apesar de tanto as exportações como as importações terem estado a subir em termos de valor, a verdade é que o crescimento das primeiras é suficiente para fazer face ao que o país adquire do estrangeiro.
A resiliência da economia nacional é merecedora de destaque uma vez que, segundo o INE, o PIB nacional, em termos reais, atingiu uma taxa de crescimento que já não se via há 17 anos, ficando-se pelos 2,52% em 2017, com a riqueza nacional a atingir valores bem semelhantes aos registados antes da crise económica que assolou o país.
Finalmente, temos Portugal em pleno nos mercados financeiros, provando o tão conhecido ditado popular de que quem espera sempre alcança. É com mérito próprio que tal acontece, provando que este é o caminho que deveremos continuar a seguir. É certo que ainda nem tudo é perfeito, mas a verdade é que este acontecimento beneficiará e muito a confiança dos mercados para com o país nos mais variados níveis. Só nos resta esperar para ver a bonança.

Andreia Filipa Teixeira Barbosa

Referências:
- Instituto Nacional de Estatística (INE)
- Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP)
- Banco de Portugal
- Jornal Público
- Moody’s

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]