terça-feira, 13 de novembro de 2018

A mobilidade social e a sua relevância

A mobilidade social é um conceito que se refere ao deslocamento de indivíduos e grupos entre posições socioeconómicas diferentes. A mobilidade entre a posição de pais e dos seus filhos define-se como mobilidade intergeracional e a mobilidade durante o tempo de vida de um indivíduo é chamada de mobilidade intrageracional.
A mobilidade social é um indicador bastante importante pois está conectada com a igualdade de oportunidades que é um princípio fundamental para uma sociedade democrática. Boas perspetivas de mobilidade social ascendente aumentam a satisfação e bem-estar da população e reduzem a probabilidade de ocorrência de conflitos sociais. Pelo contrário, baixas expectativas de mobilidade social podem reduzir a participação democrática dos cidadãos ou dar força a extremismos políticos e ao populismo.
Segundo estudos recentes, nomeadamente da OCDE, há uma perceção de que a mobilidade social tem diminuído. Existe também um maior número de pessoas que consideram a situação patrimonial dos pais como um fator crítico da vida dos filhos e também um pessimismo crescente quanto à possibilidade de melhorarem a sua situação financeira pessoal, quer no curto prazo quer ao longo da sua vida. O pessimismo também domina em Portugal, sendo que 58% dos pais portugueses temem que os filhos não consigam ter o estatuto e conforto que eles tiveram.
O estatuto socioeconómico influencia acentuadamente as perspetivas de empregabilidade, a qualidade de emprego, a saúde, educação e outros aspetos que interferem no bem-estar dos cidadãos. O círculo vicioso gerado por uma fraca educação, baixas qualificações e baixas perspetivas de emprego pode prender as pessoas a situações em que estão mais facilmente expostas a perigos e à violência. Também a saúde dos cidadãos é influenciada pelo seu meio de origem e riqueza da sua família.
Começando a falar em dados, desde 1990, tem havido uma tendência de maior permanência dos indivíduos no topo e no extremo inferior da cadeia e, quando há mobilidade no extremo inferior, geralmente deve-se a alterações temporárias no rendimento e não a uma carreira sustentável.
A mobilidade no que diz respeito aos rendimentos é maior na classe média, o que proporciona não apenas mais oportunidades comparativamente aos outros grupos, mas também implica um maior risco de descida na cadeia, estando os indivíduos mais vulneráveis quando ocorrem eventos inesperados, como perda de emprego ou divórcio.
Portugal tem um grau de mobilidade menor que a média da União Europeia, mas a tendência tem sido para convergirem. O número de gerações que uma família dos 10% mais pobres da população demora a chegar ao rendimento médio do país é de 5(gerações) em Portugal e de 4,5 como média da OCDE. Este valor é menor nos países nórdicos.
Em Portugal, a mobilidade relativa à educação e a profissões é das mais baixas da OCDE, ou seja, a probabilidade de um indivíduo ser bem-sucedido na sua carreira académica e profissional está altamente ligada ao contexto socioeconómico e ao nível de qualificações dos pais. Por exemplo, dos indivíduos cujos pais são trabalhadores manuais, 54,5% são trabalhadores manuais e apenas 8,8% são gestores, comparativamente com 36,5% e 24,1% na OCDE.
As soluções para aumentar a mobilidade social e a igualdade de oportunidades abrangem áreas muito distintas, começando pela identificação de crianças em risco e disponibilização de uma orientação especial tentando dissuadi-las de comportamentos negativos e ajudando-as a traçar o seu caminho escolar e profissional. Relativamente à escolaridade, é importante que a qualidade de ensino não varie de acordo com as origens da pessoa. Também é importante providenciar formação a desempregados que lhes permita atualizar as suas competências, adaptando-se ao mercado de trabalho. Outras soluções passam por providenciar habitação de baixo custo em zonas de classe média, combatendo a segregação, e também por políticas que afetem a acumulação de riqueza, como taxas sobre heranças ou património.
Na minha opinião, considero que uma mobilidade social elevada proporciona um bom clima social, em que as pessoas sentem que podem subir na vida através do seu mérito. Relativamente a soluções, além de apoiar as soluções anteriormente mencionadas, como estudante universitário, penso que um sistema de financiamento como o estabelecido no Reino Unido, em que as propinas são taxadas apenas nos futuros salários dos estudantes, seria uma alteração a estudar pois poderia permitir que menos estudantes desistissem devido a dificuldades financeiras e mais pessoas de camadas sociais baixas optassem pelo ensino superior.

Jorge Carneiro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Precisamos de mão de obra desesperadamente!? A culpa é dos jovens?

O Coordenador do Observatório da Emigração afirmou, no sábado passado, que Portugal “precisa desesperadamente” de imigrantes para combater a falta de mão-de-obra. Para Rui Pena Pires, o problema demográfico que Portugal e a Europa enfrentam de falta de mão-de-obra em alguns setores só se resolve com mais imigração. O país “precisa desesperadamente de imigrantes” e passa “demasiado tempo a falar dos problemas da natalidade”, considerou. As políticas para a natalidade não têm resultados a curto prazo, como tal não é através das mesmas que se vai resolver de imediato um problema de falta de mão-de-obra já existente em muitos setores.
Os perfis especializados, ou seja, eletricistas, soldadores, mecânicos, e os técnicos, como motoristas, engenheiros, informáticos, professores, pessoas para as áreas de apoio ao cliente, advogados e investigadores, gestores de projeto e alguns administrativos, são as classes profissionais com mais escassez de recursos humanos. Os motivos para a falta de trabalhadores para efetuar estas funções são diversos e variam de setor para setor.
Ser eletricista, soldador ou mecânico não faz parte das opções da maior parte dos jovens, por serem consideradas profissões “menores” e com remuneração salarial mais reduzida do que aquela que os mesmos pretendem auferir no futuro. Por outro lado, há outras como ser engenheiros e informáticos, que têm as caraterísticas opostas das profissões anteriores, mas que ainda assim há falta de trabalhadores, ou seja, apesar de muitos jovens escolherem seguir estas áreas, a oferta ainda não chega para a procura.
Quando os jovens que seguem para o ensino superior têm de decidir o seu futuro, trata-se de uma escolha difícil quando ainda se é tão jovem. Essas escolhas, muitas vezes, não têm em consideração os aspetos mais importantes, como: quais os setores que estão a precisar de mais profissionais neste momento, quer isto dizer, quais os cursos com maior empregabilidade. Aquilo que pesa mais, muitas vezes, nesta tomada de decisão é aquilo que os pais acham ou querem para os filhos. Alguns encontram-se mal informados e pensam que profissões ditas com mais “prestígio” são o melhor para os seus filhos, mas certamente algumas delas não precisam de mais profissionais neste momento. Isto fará com o melhor se torne no pior, pois estes acabarão por ir parar ao desemprego após terminaram a sua formação ou então terão de efetuar funções que nada tem a ver com a mesma.
Outro problema é a sociedade machista em que vivemos, que ainda considera que certas funções são só para homens e outras só para mulheres, como tal a grande maioria dos alunos de certas engenharias com mais procura no mercado de trabalho são rapazes. Deste modo, profissões altamente especializadas como as engenharias ficam com falta de trabalhadores.
Para combater este problema, a solução será pelo regresso de alguns emigrantes, mas também pela via da imigração, dado que a oferta interna do nosso mercado de trabalho não satisfaz a procura. Contudo, para conseguir atrair imigrantes Portugal terá de colocar menos obstáculos aos processos de entrada e tomar a iniciativa de fazer recrutamento em vários países. Talvez esta seja uma situação ainda mais complicada neste momento dado os movimentos nacionalistas que estão a nascer por toda a Europa.
Quero com isto dizer que, na minha opinião, parte do problema de termos, por um lado, desemprego mas, por outro lado, precisarmos urgentemente de importar mão-de-obra é a decisão tomada pelos jovens para o seu futuro profissional.
Ana Patrícia Costa Alves
[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A trajetória de Portugal para a produção elétrica sustentável

De acordo com o objetivo da União Europeia de atenuar consideravelmente as alterações climáticas, Portugal tem-se envolvido, desde 1991, no desenvolvimento das fontes de energia renovável. Em 2013, o governo português estabeleceu concomitantemente o Plano Nacional de Ação para as Energias Renováveis (PNAER) assim como o Plano Nacional de Ação para a Eficiência Energética (PNAEE). Estes planos preveem a implementação de 31% de fontes de energias renováveis nos setores energéticos que envolvem aquecimento e arrefecimento, transporte e eletricidade até 2020. Mais precisamente, as fontes renováveis deverão contribuir com pelo menos 34% no aquecimento e arrefecimento, 10% nos transportes e 60% na eletricidade.
Desde 1991, Portugal tem observado uma evolução considerável do seu setor elétrico. No início de 2018, esse desenvolvimento atingiu um marco histórico do progresso na produção de energia renovável. No mês de Março, a quantidade da eletricidade renovável produzida foi superior ao consumo total da eletricidade em Portugal Continental. Em termos reais, foram consumidas, no período da análise, apenas 4.646 GWh, ou seja, 96,4% do total das 4.812 GWh produzidas. Além do mais, nesse mesmo mês, foram registados dois períodos de 70 e 69 horas, respetivamente, em que não houve necessidade de fazer uso de eletricidade provindo de fontes não renováveis. Isto é, o uso de eletricidade com origem em energia hídrica (55%) e eólica (42%), em particular, foi suficiente para o fornecimento em todo o país (parte continental).
Em comparação a esse mesmo período, a eletricidade renovável representou, entre Janeiro e Outubro deste ano, um valor médio de 52,7% do total produzido em Portugal Continental. Esse valor, embora seja consideravelmente inferior ao de Março, demonstrou um aumento significativo na produção de eletricidade renovável ao longo da última década. Em 2007, as fontes renováveis da energia produzida em Portugal Continental constituíram apenas 37,45% do total, por exemplo, enquanto em 2017, o seu valor subiu até 42,09%.
Essas medidas tomadas pelos políticos da UE e portugueses são de grande importância no combate ao aquecimento global. A título ilustrativo, em Março de 2018, foram evitadas, em Portugal Continental, emissões de 1,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono graças à produção de eletricidade renovável. Se um dia Portugal pudesse renunciar ao uso de fontes elétricas fósseis durante o ano inteiro, poderiam ser evitados cerca de 45% do total das emissões de CO2 anuais, em comparação ao total das emissões de CO2 medidas em 2014, por exemplo. Efetivamente, num futuro próximo, considera-se possível que o consumo total de eletricidade em Portugal Continental seja garantido com mais frequência e por períodos mais extensos através das fontes renováveis. A longo prazo, até 2040, o aprovisionamento de Portugal Continental com eletricidade puramente renovável e de maneira custo-eficaz tornar-se-ia realidade.
O aumento do uso das fontes renováveis é também de grande interesse económico, dado que até este momento as fontes renováveis de eletricidade já têm gerado benefícios brutos de 660 milhões de Euros na economia portuguesa por terem reduzido o preço da eletricidade em cerca de 18€ por MWh. As fontes alternativas às fósseis ganharam ainda mais importância ao tomar em consideração o consumo crescente de eletricidade desde o início deste milénio. Houve, em Portugal Continental, um aumento de 134,58% do consumo elétrico total entre 2000 e 2017.
Face à rapidez preocupante com que o aquecimento global e o conjunto das suas consequências estão a desenvolver-se, é satisfatório observar Portugal tomar medidas eficazes no combate às alterações climáticas, apesar da variedade de desafios económicos vivenciados na última década. Tomando em conta os progressos que já têm sido registados no setor da eletricidade, Portugal parece estar num caminho favorável para atingir as cotas de 60% de eletricidade renovável impostas pela UE até 2020.

Efecto que causa la natalidad y mortalidad en las pensiones del futuro para España

En este trabajo hablaremos de como se encuentran actualmente las tasas de natalidad y mortalidad para España, y como se ha ido desarrollando a lo largo de las últimas décadas. También veremos como estas tasas afectan a la “hucha” de las pensiones del futuro.
Si analizamos la tasa de natalidad, España ha registrado en 2017 un total de 391.930 nacimientos, el número más bajo desde 1996, mientras que la tasa de natalidad se sitúa en 8,4 nacimientos por cada mil habitantes,  y es la más reducida de toda la serie histórica, que se remonta a 1976. Así lo reflejan los datos obtenidos en el Instituto Nacional de Estadística (INE). Por tanto, hay una pérdida de población registrada en España durante el año pasado, con un saldo vegetativo negativo (la diferencia entre nacimientos y muertes) de 31.245 personas. 
Según datos provisionales, en 2017 nacieron en España 391.930 niños, lo que supone un descenso del 4,5 % respecto al año anterior (18.653 nacimientos menos) y, desde 2008, año en que nacieron 519.779 niños y que fue el máximo en 30 años, el número de nacimientos se ha reducido un 24,6 %.
Por otro lado, también ha descendido levemente el número de hijos por mujer, que se sitúa en 1,31 frente al 1,34 de 2016, mientras que la edad media a la hora de tener un hijo ha ascendido hasta los 32,1 años y es la más alta de toda la serie histórica. Además, el número de mujeres entre 15 y 49 años (en edad de ser madres) se ha reducido hasta los 10,57 millones en 2017. También se ha atrasado la edad media a la que una pareja contrae matrimonio: ahora va en aumento y alcanzó los 37,8 años para los hombres y los 35 años para las mujeres. Las razones de demorar la maternidad y el casamiento se concentran en las dificultades laborales de los más jóvenes, en un momento de mercado con altas tasas de temporalidad y desempleo.
En conclusión, desde 1976, la esperanza de vida se ha incrementado en diez años, pasando de los 73,6 años de media a los 83,6 años de vida actuales. La natalidad, por su parte, se ha reducido a la mitad, pasando en cuatro décadas de 2,77 hijos por madre a 1,32, según el Instituto Nacional de Estadística (INE). La Comisión Europea estima que en el 2060 un tercio de la población tendrá más de 65 años. Y un último dato: la edad media de los españoles ya alcanza los 44 años y en varias provincias supera incluso los 50.
Analizando ahora la tasa de mortalidad, durante 2017 fallecieron en España 423.643 personas, un 3,2 % más que en el año anterior, y la tasa de mortalidad se situó en 9,1 defunciones por cada mil habitantes, frente a 8,8 del año 2016. Esto implica que durante el pasado año el país perdió población, en concreto 31.245 personas (la diferencia entre nacimientos de madre residente en España y defunciones de residentes en el país), algo que ocurrió por primera vez en 2015, cuando se registró un saldo negativo de 1.976 personas, pero que previamente nunca había pasado.
La esperanza de vida al nacer se mantuvo en 83,1 años (al igual que en 2016) y, por sexo, en los hombres alcanzó los 80,4 años y en las mujeres los 85,7. De acuerdo a las condiciones de mortalidad del momento, una persona que alcanzara los 65 años en 2017 esperaría vivir, de media, 19,1 años más si es hombre y 23 más si es mujer.
Si juntamos la tasa de natalidad y de mortalidad podemos ver como España será el segundo país más envejecido del mundo para 2050, detrás de Japón. La siguiente pirámide nos muestra el envejecimiento de la población:
El sistema de pensiones en España es de reparto, es decir, trabajadores actuales, mediante sus cotizaciones sociales, pagan a los pensionistas presentes. En términos de PIB, el gasto en pensiones en España es del 11,4% del PIB, siendo el principal gasto que recogen los Presupuestos Generales del Estado (PGE). Cada año que pasa el problema de las pensiones crece ya que el sistema va integrando a más pensionistas con una esperanza de vida mayor y con pensiones más altas por lo cotizado en la vida laboral. Atendiendo al gasto presupuestado para 2018 en materia de pensiones, será de 144.834 millones, lo que supone un incremento del 3,7% respecto a 2017, 5.188 millones más.
El envejecimiento en curso pone presión sobre la sostenibilidad financiera en un sistema de la Seguridad Social que tiene un déficit de 18.000 millones de euros. Es una de las tasas más elevadas del mundo, ligeramente por detrás de Japón y al mismo nivel que Suiza, según datos de la OCDE. Este es un fenómeno que, además, se encuentra lejos de detenerse. Cada año que pasa vivimos 2,5 meses más y la esperanza de vida podría superar los 90 años hacia mediados de siglo. En el caso de la prestación por jubilación hay que tener en cuenta que a partir de 2022 (los últimos 25 años) se calculará la cuantía de la pensión en función de los años cotizados y las bases por las que se cotizó.
En el ámbito de la demografía, esta es una de las claves de los sistemas de pensiones de reparto como el español. Los condicionantes demográficos clave de las estructuras de población se limitan a tres: nacimientos, defunciones y migración. Los nacimientos constituyen un aumento de la población; las defunciones, una reducción; y la migración puede ser ambas: un aumento (inmigración) o una reducción (emigración).
Para ver cuál es el verdadero problema de todo esto, analizaremos el ratio trabajador-pensionista para poder analizar la sostenibilidad de la “hucha” de las pensiones. Hoy hay 2,1 trabajadores por cada pensionista. Una ratio al borde del equilibrio financiero que va camino de empeorar si no se modera el coste de las pensiones. Dicho de otro modo, únicamente una mayor recuperación del empleo y los salarios podría paliar los desajustes del sistema. Pero el desequilibrio demográfico juega en contra del actual sistema y esperar una recuperación rápida es algo improbable a medio plazo.
En 2011 la hucha de las pensiones llegó a acumular 70.000 millones de euros. En tan sólo cinco años, desde 2012, el Gobierno ha sacado 66.000 millones de euros de la llamada hucha. Además, para cubrir las necesidades de gasto, entre 2017 y 2018 la Seguridad Social ha pedido prestados otros 25.000 millones. Hoy el Fondo cuenta con 8.095 millones de euros frente a los 70.000 millones de euros que contaba en 2011.
Por otro lado, la Seguridad Social tiene que dar en la actualidad cobertura a 8,7 millones de pensionistas, 1,1 millones más que al principio de la crisis. Cada uno de ellos percibe, de media, 250 euros más al mes que hace una década. Todo ello supone una subida del 57% de los costes del sistema público. La devaluación salarial vivida en los años más duros de la crisis es una realidad con efectos negativos para el presente y para el futuro. A esto también le sumamos que las bonificaciones a la contratación y los menores salarios que ha dejado la crisis se han traducido en unos ingresos que crecen más despacio que la economía y que los gastos. En la última década los ingresos para las pensiones se han mantenido prácticamente estancados por la disminución del número de ocupados y la moderación salarial, la cual, pese a favorecer la recuperación del empleo, ha hecho mella en las cotizaciones. Todo esto ha provocado que el sistema de previsión tenga un déficit de unos 18.000 millones de euros en 2017, que apenas se reducirá a los 16.000 millones en este ejercicio.
Por último, a partir de mediados de la próxima década, España deberá afrontar un desafío crítico: la jubilación de los baby boomers. Entre 2025 y 2050, se retirarán millones de personas y, si la inmigración no lo remedia, este contingente superará ampliamente al de nuevos trabajadores. Con ello, la relación entre ocupados y pensionistas podría verse ubicada por debajo de la cifra actual, incluso en una situación de pleno empleo, lo que obligará a nuevos ajustes. La bomba demográfica es una amenaza, pero también una oportunidad que cambiará la economía para siempre. El sistema necesita cotizantes (trabajadores) para abonar las prestaciones (pensiones).
El desequilibrio demográfico que implica una población envejecida pone en jaque la salud de las cuentas de la Seguridad Social, dado que aumentan los gastos al aumentar la población mayor de 65 años que, además, causa pensiones cada vez más altas, sin conseguir incrementar los ingresos por la vía natural del incremento de cotizantes, al haber cada vez menos nacimientos. Con una natalidad en descenso, los ingresos pueden incrementarse por la vía de la inmigración, el aumento de la productividad y el empleo, o el aumento de la presión contributiva.
Ana Sánchez Gómez
[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A evolução do ISP em Portugal

Conforme aproximamo-nos do final de 2018, apesar de seu consumo ter diminuído ao longo dos últimos anos e de múltiplos esforços terem sido feitos para encontrar outros recursos viáveis, o petróleo ainda é considerado o recurso básico da sociedade industrial contemporânea. É responsável por cerca de 35% do total de consumo de energia no mundo, o que lhe garante a liderança em relação a outras fontes de energia e o seu uso está presente constantemente no nosso dia a dia. Dado isso, não é difícil concluir que os diversos produtos petrolíferos têm uma elevada importância para Portugal e, consequentemente, para o Estado onde o ISP (Imposto Sobre os Produtos Petrolíferos) assegurou 7% das receitas totais do fisco nos anos anteriores. Este imposto indireto aplica-se a todo o gasóleo e gasolina, assim como petróleo, GPL e gás propano e butano, do qual se exclui somente o gás natural e a turfa.
"A carga fiscal sobre os combustíveis em Portugal é uma das maiores da Europa, o que penaliza seriamente as empresas, as pessoas e a economia nacional", diz Francisco Albuquerque, presidente da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec).
De facto, se analisarmos os impostos sobre o preço final imposto ao consumidor, Portugal tem das taxas mais elevadas da União Europeia: 63% do preço da gasolina 95 são impostos e 55% no caso do gasóleo. Somente países como o Reino Unido, a Grécia, a Holanda e a Itália taxam mais a gasolina do que Portugal, que está ao nível da Finlândia e da Alemanha. Contudo, o preço final ao consumidor alemão consegue ser mais baixo, consequente do preço mais baixo da matéria-prima e da diferença do IVA.
No caso dos combustíveis, avaliando os euros de impostos indiretos, em cada 1000 litros, os dados da ACEA (European Automobile Manufacturers Association) revelam que Portugal tinha, à data de 1 de janeiro de 2018, um valor de 659 euros de impostos por cada 1000 litros de gasolina sem chumbo, ficando em sétimo lugar numa tabela com 28 elementos. A liderar a tabela está a Holanda, com um montante de 778 euros por cada 1000 litros de gasolina, seguindo-se a Itália, com um total de 728 euros por cada 1000 litros, e a Finlândia, com 703 euros por cada 1000 litros.  No que diz respeito ao Diesel, volta-se a observar o elevado impacto do ISP, sendo que Portugal surge no 11º lugar na tabela, com um valor de 471 euros por cada 1000 litros de gasóleo. No topo da tabela aparece o Reino Unido, com 661 euros por cada 1000 litros, seguindo-se a Itália, com 617 euros por cada 1000 litros.
No estudo da ACEA, Erik Jonnaert, secretário-geral, assinala que “os impostos relacionados com os veículos automóveis representam anualmente centenas de milhares de milhões de euros para os governos europeus, contribuindo significativamente para os projetos com financiamento público e para a saúde geral da economia”, sendo por isso um elemento bastante importante na determinação dos orçamentos para cada país.
Devido à sua grande relevância, o ISP é uma matéria bastante discutida pelos partidos e principalmente durante o período de debate do novo Orçamento de Estado, todos os anos. No dia 29 de outubro de 2018, o ministro das Finanças, Mário Centeno, anunciou uma redução do ISP durante o debate na generalidade sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2019: a redução do imposto em 3 cêntimos no preço da gasolina. Nesse contexto, o custo vai ficar dentro da média europeia. Em relação ao ISP aplicado ao gasóleo não irá haver nenhuma alteração, dado que no caso de Portugal este já está abaixo da média europeia. Assim sendo, será reposto o nível fiscal que vigorava antes do último aumento em 2016 e poucos conseguem especular com precisão as mudanças que este imposto irá sofrer no futuro consequente da cada vez maior instabilidade mundial.

Pedro Vilela

Bibliografia/Webgrafia
·         Jornal de Negócios
·         Expresso
·         Motor24
·        Diário de Notícias  
Observador

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Portugal: um Paraíso Turístico

Nestes últimos anos, o turismo em Portugal tem sido uma verdadeira mina de ouro e um dos principais contribuidores para o PIB nacional, sendo responsável por cerca de 9% do mesmo. Tal importância deve-se ao facto das condições reunidas pelo nosso país de satisfazer os diferentes interesses que os turistas possam ter quando procuram decidir o seu destino de férias.
Portugal foi eleito o melhor destino turístico europeu pelo segundo ano consecutivo pelos World Travel Awards, sendo que esta distinção foi atribuída pela primeira vez ao nosso país em 2017 e foi renovada no presente ano de 2018.


                       1. Número de Turistas por Ano

Graças à fantástica localização geográfica do nosso país, estamos dotados de uma extensa costa de 943 Km, repleta de belas praias, simples areais ou falésias. E para completar tal, um clima mediterrânico que nos torna um destino balnear a considerar nos meses de Julho e Agosto, e com condições propícias para os amantes de desportos aquáticos como, por exemplo, o surf , devido à magnitude das ondas durante o ano, especialmente na praia da Nazaré.
É com esta mesma localização e a sua consequente costa que Portugal acabou por se tornar também uma porta de entrada marítima para a Europa com os seus portos, ficando assim nas rotas de cruzeiros do mundo, sendo este mais um feito do turismo português, pois só no ano de 2017 passaram mais de 1,3 Milhões de turistas  em cruzeiros e foram feitas mais de 947 escalas nos portos nacionais. Salienta-se que tudo indica que estes números serão superados no presente ano de 2018, especialmente devido ao facto de o porto de Lisboa ter sido o palco escolhido para a realização do Seatrade Cruise Med, o maior evento para o mercado de cruzeiros do mediterrâneo.
Mas como sabemos, Portugal é mais do que apenas um destino de turismo balnear. O nosso território é especial porque demonstra uma excelente diversidade de paisagens. Temos diversas serras e parques/reservas naturais espalhados de norte a sul do país perfeitos para amantes da natureza. Somos detentores da Região Vinhateira do Alto Douro, considerado pela UNESCO Património Mundial, região esta que é conhecida pela sua beleza natural e riqueza gastronómica, que acaba por também ser um dos grandes destinos de vários cruzeiros que fazem a sua travessia, sem esquecer o sul do nosso país onde predominam as extensas planícies. Tudo isso, torna o nosso país perfeito para quem procura uma fuga ao stress da rotina urbana, ou que simplesmente pretende seguir a moda que neste momento é o Turismo Rural.
Outro grande fator atrativo do nosso país é o nosso património histórico, onde os nossos antepassados deixaram pelo nosso território inúmeros monumentos e obras arquitetónicas que atraem turistas de todo o mundo.
Por último, temos como já foi mencionado em cima, uma basta cultura gastronómica que chama pessoas de todo o mundo devido à riqueza de sabores disponíveis por todo o país, desde os famosos doces conventuais, os vinhos de excelência que são apreciados à volta do mundo, e outras inúmeras receitas tradicionais deixadas pelas várias gerações.
Contudo, no que é que isto se traduz para a economia do nosso país? A resposta é que graças a este crescimento do turismo, assistimos a um aumento da empregabilidade nessa mesma área, a um aumento não só do seu peso no Produto Interno Bruto, mas também do PIB em si, e a sua contribuição para o equilíbrio externo.
Só no ano de 2017, Portugal obteve 15 mil milhões de Euros em receitas com o turismo, segundo os dados fornecidos pela Organização Mundial do Turismo (OTM), sendo que estas receitas colocaram Portugal no quarto lugar da tabela das maiores receitas turísticas do sul da Europa, tendo apenas países como a Espanha, Itália e Turquia à sua frente.
Com os dados referidos anteriormente, Portugal é dos países em que a economia mais depende do setor do turismo, sendo apenas ultrapassado também pela Espanha.
No caso das escolas de turismo de Portugal, também no ano de 2017 foi possível garantir uma taxa de empregabilidade de 90%, escolas essas que tinham como oferta de ensino Cozinha, Pastelaria, Restauração e Bebidas, Turismo de Ar Livre, Turismo Cultural e do Património, Hotelaria/ Alojamento e Gestão de Turismo
Portanto, como é possível verificar com os dados anteriormente mencionados, e com a propensão do nosso território para este mesmo serviço, é seguro afirmar que é de grande importância continuar a apostar no turismo de forma a potenciar a economia do nosso país, aproveitando os fundos de projetos tais como “Turismo 2020” e outros Fundos Europeus.

André Filipe Vilas Boas Ferreira

·         Observador
·         Público
·         Jornal de Negócios
·         Jornal Sol

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

"Make China Great Again"

O presidente Donald Trump é o centro das atenções da política ocidental, mas na minha opinião o presidente mais importante da década está no outro lado do Pacífico. Desde que se estabeleceu como o líder da China em 2012, Xi Jinping é visto como uma celebridade que vai levar o país a um futuro glorioso. Logo no discurso de tomada de posse o presidente disse que a missão de “alcançar o grande rejuvenescimento da nação chinesa é o maior sonho do país na história moderna”.
De facto, se voltarmos ao tempo das dinastias, a China era um grande império com tudo para se tornar a força dominante do continente Asiático. Mas com a Guerra do Ópio veio aquilo que os chineses chamam de “século de humilhação”, um período de subjugação às condições do imperialismo ocidental e japonês. Na segunda metade do século XX, com o regime de Mao Zedong, a situação piorou, e enquanto países como o Japão, Coreia do Sul, Singapura, Taiwan e Hong Kong competiam com as Indústrias do resto do mundo, os cidadãos chineses tinham falta de alimentos, vestuário e habitação, assim como um sector dos serviços inadequado.
Desde a abertura aos mercados, a China tornou-se na maior economia de manufaturas e exportadora de bens. A taxa de crescimento do PIB é a maior do mundo, com uma média anual de 9,58% entre 1989 e 2018, alcançando um máximo de 15,4% no primeiro trimestre de 1993 e um mínimo de 3.8% no quarto trimestre de 1990 (fonte: National Bureau of Statistics of China). Estima-se que supere o PIB dos Estados Unidos dentro de dez anos, através de um plano chamado “Made in China 2025”. Esta iniciativa tem como objetivo liderar as indústrias mais importantes a nível mundial, entre as quais a indústria automóvel, comboios de alta performance, farmacêuticos, construção aeronáutica e inteligência artificial.
Para melhorar o alcance comercial, foi também desenvolvida uma enorme rede de infraestruturas conhecida como “Belt Road Iniciative” ou “Nova Rota da Seda”. O projeto consiste na construção de estradas, pontes, ferrovias e portos marítimos em países da Europa, Ásia e África. Este projeto foi acusado de ser uma forma de ganhar influência onde, tal como o colonialismo Europeu, os restantes países ficam endividados e com obrigações que não conseguem cumprir. Mas eu acho que é mais fácil de comparar com os empréstimos do plano Marshall por parte dos EUA, em que um país com enorme capacidade de produção cria laços com os países vizinhos para melhorar as relações comerciais. A China está a realizar os contractos de uma forma não intervencionista, exigindo menos condições burocráticas e taxas de juro muito baixas a países com dificuldades financeiras. Mesmo os países com mais problemas de corrupção e endividamento podem chegar a acordos de arrendamento das infraestruturas.
O líder Chinês lembrou no seu encontro com António Guterres no Fórum de Cooperação China-África que “é necessário uma ONU mais forte, face à ascensão do unilateralismo e do protecionismo”, isto num contexto de saída dos Estados Unidos do Conselho dos Direitos Humanos. A imposição de taxas alfandegárias de 250 mil milhões de dólares nas importações do país asiático teve como resposta de Pequim taxas sobre os bens norte-americanos e a redução das taxas de reservas obrigatórias dos bancos. A guerra comercial passa agora a uma disputa pelos movimentos de capitais. Ao gastar as suas reservas cambiais, a China tenta segurar o valor do yuan, o que parece contraditório, dado que uma desvalorização cambial podia estimular as exportações em resposta às novas barreiras alfandegárias dos EUA. Deste modo, a determinação de Xi Jinping passa o teste de sinceridade porque ele priorizou a estabilidade da moeda chinesa em vez de superavits temporários. Se não o fizesse também poderia encorajar os investidores a tirar capital da China, levando a um aumento dos custos de financiamento das outras indústrias.
A influência da moeda Americana mostrou em 2008 que uma crise financeira global pode se decidir numa reunião de um banco privado. O descontento da China em relação ao poder do dólar no resto do mundo é o que a leva a alavancar a sua moeda com o mesmo risco. Num ambiente com tudo para ser autoritário, o partido Comunista da China continua a desafiar a democracia como única maneira de desenvolver um país.

Henrique Leones de Matos

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]