sábado, 12 de outubro de 2013

Privatização dos CTT – Correios de Portugal

      No dia 25 de Julho foi aprovado em Concelho de Ministros a privatização total dos CTT. A questão que se põe é porquê privatizar os Correios de Portugal, se é uma empresa pública que apresenta resultados positivos no final de cada ano, funciona de forma eficiente e é distinguida internacionalmente em vários eventos, como, por exemplo, nos World Mail Awards 2013, considerados os óscares da indústria postal.
Os CTT são financiados através de subsidiação cruzada, ou seja, as zonas que dão lucro (as cidades grandes e mais populosas) financiam as zonas onde é mais dispendioso fazer chegar a correspondência, como as zonas do interior mais desertas. Um facto preocupante é que os privados apenas vejam interesse no negócio nas zonas mais lucrativas e “abandonem” o serviço nas zonas mais remotas do país, acabando assim com o sistema de entrega postal como o conhecemos.
A receita angariada com a privatização será utilizada para abater a dívida pública e reduzir o défice, o que é extremamente necessário nos tempos de crise em que vivemos e é uma forma de os portugueses não verem os seus rendimentos diminuídos ainda mais. Contudo, o Governo espera angariar, segundo o Jornal de Negócios, cerca de 600 milhões de euros com a venda da empresa e a dívida pública no primeiro semestre deste ano situou-se nos 214.573 milhões de euros, ou seja, os problemas económicos do país não vão ficar resolvidos.
Ao privatizar os CTT estaremos a prejudicar as gerações futuras, pois vamos deixar as empresas que dão lucro e trabalham de forma eficiente nas mãos dos privados e o Estado fica com aquilo que os privados não querem, isto é, o que dá prejuízo.

Andreia Filipa Oliveira Martins 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Eleições Autárquicas

O grande vencedor do dia 29 foi o Partido Socialista, que passou das 132 Câmaras Municipais conquistadas em 2009 para 148, obtendo uma vantagem de 39 Câmaras face ao PSD, o grande derrotado da noite eleitoral. Esta desaprovação do Governo tem consequências políticas e económicas. Neste artigo, vou-me focar apenas no efeito que as Eleições Autárquicas tiveram na Economia. Para isso, vou recorrer aos mercados de capitais e analisar a evolução do PSI 20 e das taxas de juro das Obrigações do Tesouro português.
A última cotação do PSI 20 de sexta-feira, 27 de Setembro, foi de 6000,47 pontos e, segunda-feira ,fechou nos 5953,51, o que representa uma queda de 0,8%. Para melhor analisar esta queda do índice bolsista português, vou recorrer às cotações da banca, devido a esta estar sempre intimamente relacionada com a situação do país, porque depende muito da atividade económica, das expetativas dos agentes económicos e detém grande parte da dívida pública. Então, o BCP passou dos 0,094 euros por ação para 0,08, uma queda de 14,9%, o BES caiu 3,5% e o BPI baixou 1,2%. Através desta informação, a conclusão que eu tiro é que é bastante pertinente discriminar as cotações da banca quando se está a fazer uma análise da economia portuguesa como um todo, porque, como podemos observar a partir destes dados, é muito mais sensível à atividade económica nacional e as variações são mais percetíveis do que as do índice. Assim, uma queda do índice de 0,8% pode parecer pequena, mas ao olhar para o setor bancário já ficamos mais apreensivos com as consequências da instabilidade política.
Surpreendentemente, as taxas de juro das Obrigações de Tesouro desceram no mercado secundário em todas as maturidades, senão vejamos: a 2 anos passou dos 5,43% para os 5,34%, o que equivale a uma queda de 9 pontos base; e a 10 anos estava nos 6,95% e desceu 12 pontos base para os 6,83%.
É sempre difícil fazer uma análise “ceteris paribus” porque há dezenas de acontecimentos que influenciam os mercados de capitais por dia e uma notícia em qualquer país no mundo tem reflexos em Portugal devido à globalização e à interdependência das economias. Assim sendo, convém comparar Portugal com outros países semelhantes, como Espanha, para tentar sentir o pulso de qualquer choque internacional que estivesse a influenciar os mercados nessa altura. E Espanha teve um comportamento semelhante ao português: tanto o IBEX 35 (-0,5%) como as taxas de juro das OT (-6 pontos base) desceram de 27 para 30 de Setembro, mas foi uma descida muito ligeira comparada com a portuguesa, o que me permite aferir que as Eleições Autárquicas acentuaram essa tendência de queda em Portugal.
A leitura que eu faço dos mercados é que o risco de Portugal não cumprir com os seus títulos de dívida a 2 anos não se alterou com as eleições, isto porque teremos um novo Governo nessa altura (previsivelmente do PS) e,  portanto, numa visão de médio e longo prazo, é um pouco indiferente termos eleições antecipadas agora ou Eleições Legislativas no final do mandato deste Governo. Por outro lado, no mercado de ações, o curto prazo é mais relevante, e o resultado destas eleições veio pôr em causa sobretudo a viabilidade governativa no próximo ano, por causa do aumento do peso político dos partidos da oposição, partidos de esquerda que tradicionalmente penalizam mais a banca nas suas medidas, o que também pode explicar a grande queda bolsista dos três maiores bancos nacionais do PSI 20.
Rui Vasco Rodrigues Ramos

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Manter o rumo?

De acordo com a informação disponibilizada pelo Eurostat num boletim informativo de 1 de outubro, a taxa de desemprego ajustada na zona euro era de 12% em agosto de 2013, e de 10,9% na UE28. Comparando com o mês anterior ambas mantiveram-se estáveis, mas representam uma subida em relação aos dados de agosto de 2012 (+0,5 p.p. e +0,03 p.p., respetivamente). 
Os dados da taxa de desemprego por países mostram um cenário bem mais complexo (ver http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/3-01102013-AP/EN/3-01102013-AP-EN.PDF). A par de taxas de desemprego na ordem dos 4%-5% na Áustria, Alemanha e Luxemburgo, a taxa de desemprego na Grécia atingiu os 27,9% (dados de junho) e em Espanha 26,2%. Em Portugal a taxa de desemprego atingiu os 16,5%, o que representa uma variação de -0,01 p.p. em relação a julho, mas uma variação de + 0,02 p.p. em relação ao mesmo mês no ano anterior. 
Esta assimetria entre países torna o debate sobre o subsídio de desemprego europeu mais urgente. A discussão já havia sido lançada em junho pelo responsável do maior partido da oposição em Portugal, ao propor a mutualização europeia do pagamento dos subsídios sempre que a taxa ultrapassar a média europeia. Mais recentemente, o Fundo Monetário Internacional “alargou as possibilidades” de debate ao incluir a questão numa proposta de união orçamental para a zona euro. 
O estudo de transferências entre regiões com base no nível de desemprego ocorre num clima de culpabilização, e em que tem prevalecido o discurso de que o mais importante é a reforma estrutural dos países em dificuldades. Estas “reformas estruturais” levadas a cabo na Grécia, Espanha e Portugal, por exemplo, trouxeram-nos até aos números de agosto. Tal como em Portugal, a taxa de desemprego em Espanha em agosto de 2013 era mais alta do que a registada em agosto de 2012 (+0,06 p.p.), e na Grécia a variação foi de +3,3 p.p. (dados de junho). 
Este nível de desemprego tem inúmeras consequências ao nível da coesão social. Ainda que do ponto de vista da estratégia política a mudança de discurso a nível europeu seja difícil, trata-se necessariamente de um problema de todos. Neste contexto, interessa perguntar, que rumo é este em que os líderes europeus insistem?

Paula Alexandra Teixeira do Rego

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Produto ´Made in Portugal`

Compro o que é nosso” é uma Associação Empresarial de Portugal que pretende estimular o consumo de produtos e marcas nacionais, trazendo com isso a criação de emprego, riqueza e desenvolvimento económico. “O projeto apela à consciência cívica de consumidores, empresários e trabalhadores no sentido de comprarem o que os portugueses produzem”, ou seja, é de enorme importância a valorização da produção nacional.
            Segundo o INE, a taxa de desemprego no 2ºsemestre de 2013 subiu em termos homólogos, pois em 2012 registou 15%. Uma vez que o emprego é um dos fatores essenciais para a determinação do poder de compra das famílias, estas optam por usar como primeiro critério de escolha o preço, e não a origem. Outro indicador interessante de análise após a adesão ao euro é o indicador de confiança do comércio em Portugal, que tem descido consideravelmente, registando 7,4% em Setembro de 1999, e, face ao mesmo mês, em 2012, atingiu os -20%. Este é o valor mais baixo registado na base de dados do instituto e traduz a baixa auto-estima de empresários e trabalhadores na sua sociedade, justificando mais uma vez as baixas de produtividade. Contudo, a aposta em inovação, qualidade e preço de alguns produtores, fez com que em Setembro de 2013 se registasse um índice de confiança de -5,9% em Portugal.
            Por outro lado, veremos então alguns casos de sucesso que contribuíram para esta recente trajetória. Portugal tem ótimas condições climáticas comparadas com outras regiões europeias, como demonstram os valores das exportações de bebidas para a UE, cerca de 502 milhões de euros em 2011, num total exportado de 11 mil milhões de euros, registado pelo INE. Numa perspetiva nacional, contrariando o contínuo desinvestimento português e promovendo a competitividade de empresas de micro ou pequena dimensão do sector do comércio a retalho, foi criado em Julho de 2013 uma medida designada de “Comércio Investe”. Trata-se de um sistema de apoios ao investimento na modernização do comércio, financiado pelo Fundo de Modernização do Comércio, no qual o apoio é de 25 milhões de euros afetos ao sistema de apoios, com igual valor para a linha de crédito associada. “O investimento total induzido rondará os 75 milhões de euros, disse Leonardo Mathias, secretário de Estado Adjunto da Economia ao Jornal Negócios (3/10/2013), e que este privilegia o apoio a projetos com qualidade.
            Em suma, a estratégia que Portugal demorou a desenvolver foi a de competir com mercados europeus e mundiais pela produção de produtos diferenciados, com qualidade e nos quais temos elevada capacidade de produção, como no caso do vinho e calçado. Assente em mercados estrategicamente pensados, conseguimos colocar o produto ou serviço com o preço que corresponde à sua qualidade, aumentando os lucros. Como podemos verificar na análise de dados do INE, o número de empresas nacionais exportadoras de bens Intra-UE tem diminuído desde 2008, registando em 2011 um total de aproximadamente 31 mil empresas, em contrapartida, o valor das exportações com destino à UE tem aumentado para um total de quase 32 mil milhões de euros, em 2011. Pode conclui-se que a persistência da estratégia baseada no preço mais baixo não traz vantagens nem para a indústria nem para a agricultura. Fica a aposta no produto com qualidade como caminho de sucesso de negócio.

Patrícia da Conceição Oliveira Gomes

Fontes:
·        http://www.compronosso.pt
·        http://www.ine.pt

(artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

A Banca e a crise em Portugal

Os maiores bancos a atuarem em Portugal apresentaram um comportamento misto relativamente aos resultados líquidos no primeiro semestre deste ano, com o BPI e o Santander Totta a obterem lucro e o BCP, o BES e a CGD a apresentarem resultados líquidos negativos.
O BPI apresentou o resultado líquido mais robusto, com um lucro de 58,9 milhões de euros, dividido entre mercado doméstico (20,4 milhões de euros) e operações internacionais (38,5 milhões de euros). No entanto, face ao período homólogo de 2012, tal representa uma queda de 30,7%.
O Santander Totta conseguiu atingir um lucro de 30,9 milhões de euros, graças ao forte crescimento no segundo trimestre deste ano, em que duplicou o resultado do trimestre anterior. Comparando com o período homólogo de 2012, é evidente uma queda para metade neste ano mas o banco justifica-se com o facto de no primeiro trimestre do ano passado se ter verificado um ganho não recorrente “com a operação de recompra de títulos emitidos no âmbito de operações de securitização de créditos.”
O BES, que no primeiro semestre de 2012 tinha apresentado um lucro de 25,5 milhões de euros, sofreu uma forte queda no período homólogo deste ano e obteve um prejuízo de 237,4 milhões de euros. As principais razões deste comportamento são a diminuição do produto bancário em 17,6% e o reforço das provisões em 75,3%.
O BCP, apesar de um prejuízo de 488 milhões de euros entre janeiro e junho de 2013, conseguiu ser a única instituição bancária das cinco apresentadas a melhorar a sua situação face ao período homólogo de 2012 (-544 milhões de euros).
Quanto à CGD, o único banco de capital público em Portugal, com um resultado líquido negativo de 181,6 milhões de euros no primeiro semestre de 2013, agravou a sua situação, que era de 12,7 milhões de euros no período homólogo de 2012. A Caixa explica estes resultados através do comportamento desfavorável da margem financeira, do aumento das imparidades e do aumento não recorrente dos custos com pessoal.
Como se pode ver pela informação anterior, a crise não tem sido fácil para os bancos e 2008 marcou um antes e um depois para o sector. A banca passou para um novo cenário em que a economia entrou em recessão, a taxa de desemprego disparou, a rendibilidade diminuiu, a deterioração da qualidade do crédito exigiu um reforço de provisões para imparidades, os mercados grossistas deixaram de emprestar, o prémio de risco aumentou até níveis insustentáveis, a carteira de títulos perdeu valor devido à crise económica e ao prémio de risco soberano e surgiu a necessidade de recorrer ao BCE como fonte de liquidez, para além de ser efetuada uma regulação mais exigente em termos de capital.
Perante tal situação, cabe aos bancos garantir os meios de pagamento da economia, as necessidades financeiras de investimento das famílias, o financiamento do tecido empresarial, a recolha de poupança de aforradores e a prestação de serviço de aconselhamento nas decisões de investimento. Para que tal acontecesse surgiu a necessidade de aproximação ao cliente, aliada à maior proatividade, melhor adequação dos produtos às necessidades do cliente (segmentação dos clientes), melhor gestão do risco e maior rendibilidade. Os bancos têm, ainda, de posicionar-se para a época de pós-crise e para a próxima fase de crescimento do sector, recuperando a confiança dos clientes, efetuando uma aproximação ao mercado com bons gestores de clientes, realizando importantes investimentos tecnológicos, e sempre com qualidade de serviço para um produto que se parece cada vez mais a uma “commodity”.
A rendibilidade passou a ser a palavra de ordem para as instituições bancárias e para isso era preciso gerir melhor os recursos (o que conduziu ao encerramento de várias agências bancárias pouco rentáveis), fazer crescer o negócio de empresas, aumentar o cross-selling e a vinculação de clientes, alargar a margem financeira e complementar, e reduzir o incumprimento e as imparidades.
Face ao descalabro do negócio do crédito à habitação, os clientes particulares deixaram de ser o foco na banca e o negócio de empresas tornou-se na grande aposta dos bancos por ser um segmento de elevada rendibilidade e um pilar fundamental na dinâmica da economia portuguesa. Cada empresa é uma organização de pessoas, cada uma dessas pessoas é um potencial cliente e a cada empresa estão ligados meios de captar novos clientes. No entanto, face à concorrência do sector, já não é viável para o negócio da banca esperar que as empresas venham ter com as instituições, mas antes os bancos, são compelidos a tomarem uma posição de pró-actividade e sobrevivência, procurando novos clientes e empresas. A “caça às empresas” é hoje uma constante pois, apesar dos números e relatórios contabilísticos serem importantes, não são uma verdade absoluta e tornou-se fundamental o conhecimento da realidade de cada cliente, o chamado “ver com os pés”.
Com a economia nacional em recessão, a salvação de várias empresas passa pela internacionalização que está adjacente a vários riscos, como a falta de capacidade ou vontade do importador em efetuar o pagamento, acontecimentos de carácter político que impeçam o importador de fazer face às suas obrigações, a falta de capacidade/vontade dos Governos em permitir pagamentos na moeda acordada (controlos cambiais) ou, ainda, a depreciação da moeda do contrato. A missão dos bancos passa, portanto, por vender às empresas não só instrumentos de cobertura dos riscos anteriores, como o recebimento antecipado e o pagamento postecipado, mas também fornecer apoio à tesouraria, apoio ao investimento no estrangeiro, trade finance e apoio ao negócio internacional.

Anthony Macedo 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Reformas na educação? Sim, por favor

Quando nos apercebemos que a taxa de desemprego jovem em Portugal é das mais altas da união europeia e sabendo que somos um país com uma população muito envelhecida, começamos a preocupar-nos com o futuro, e com o que será das próximas gerações deste país. É fácil perceber que algo está mal. Resta saber o quê…
A maioria das pessoas tem na ideia que em Portugal de nada serve tirar um curso superior, que o mercado de trabalho está lotado, e que o mais importante é fazer-se à vida o mais depressa possível, arranjando trabalho e descurando todas as competências que um jovem pode obter durante o percurso académico que interrompe para ganhar “uns trocos”. Pois, para que se saiba Portugal, é dos países da Europa que tem menos pessoas com o ensino superior ou secundário concluído, sendo que em 2007 apenas 30% da população Portuguesa entre os 25 e os 64 anos tinha algum destes graus académicos completo! Mas então algo se passa: o estereótipo do licenciado atrás de uma caixa de supermercado, ou de bandeja na mão a servir cafés é cada vez mais frequente, e isto porquê? Por causa da falta de investimento na educação ou, pelo menos, de bom investimento… Desde cursos lotados até outros em que nem se preenche 10% das vagas existentes, os erros são demasiados.
O País tem que se adaptar às situações existentes: há certas instituições no país que a percentagem de emprego dos recém-licenciados é, ano após ano, a mesma… 0! Deve-se melhorar o plano do curso, melhorar as competências com que os alunos acabam a licenciatura, criar protocolos para estes mostrarem que afinal certo curso na universidade “X” desenvolve profissionais competentes! Este problema não é só do governo, mas também dos alunos que são muito levianos a tomar uma das decisões mais importantes das suas vidas, não pensando muitas vezes nos prós e nos contras de entrar em determinado curso, em determinada instituição, querendo apenas ter um diploma que muito provavelmente não usará…
Esta décalage é como uma bola de neve, começa aqui um problema que Portugal não tem conseguido combater: a competitividade…
Se a maioria dos jovens que estudaram 3/5 anos (alguns mais) para determinado mercado de trabalho vêem-se obrigados pelas condições existentes a ir para outro completamente diferente, é natural que a sua produtividade seja baixa, já para não falar da frustração inerente a esta situação, que provoca uma redução na sua autoconfiança e consequentemente a sua produção. Do outro lado estão aqueles cursos para onde ninguém quer ir, ou porque só existe em universidades longe de casa, ou porque o passo entre o final do curso e o 1º emprego é gigante (e aqui a culpa é de quem manda), mas de que Portugal precisa realmente para se desenvolver e para poder competir com o resto dos países da União Europeia. Neste caso, e por não haver profissionais com competências, procura-se um jovem com menos qualificações, e que até sai mais barato. Dá-se um curso do género das novas oportunidades e em 3 meses fica a fazer um trabalho de um licenciado. Será que a nível de produtividade há diferenças? Salvo raras exceções, onde realmente tirar um curso e não tirar é quase igual (mais uma vez a culpa é de quem manda), a diferença na produção e consequentemente na competitividade do país é enorme!
Já ficou provado que a competitividade não aumenta cortando nos salários de quem trabalha. Talvez seja hora de olharem um bocadinho para o nosso país, para todo o potencial que ele tem e adaptarem-se às necessidades, criando mais Instituições, e mais espalhadas pelo país, algumas mais especializadas, consoante as necessidades da região, e talvez assim se consiga produzir mais e melhor! Talvez assim não seja preciso emigrar, e mandar pessoas competentes para outros países apenas porque o curso que tiraram estava na “moda” e concorreram para um emprego onde a vaga já estava reservada para o filho de alguém importante.
Chega de hipocrisia e de interesses. Neste momento delicado é necessário apostar em gente com valor, com competências, que podem reerguer o nosso país e que apenas precisam de melhorias na formação e de uma ligação mais estreita entre as universidades e o emprego desejado! Não é assim tão difícil, pois não?

Gustavo Alexandre Gomes Lima

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Exportações/Importações em Portugal

          Na economia de um país uma componente essencial consiste no saldo da balança comercial, ou seja, a diferença entre as exportações e as importações. O objectivo de qualquer economia parte por tentar assegurar um saldo positivo e para tal é necessário que as exportações superem as importações de modo a evitar apresentar um saldo comercial deficitário. No entanto, para tal acontecer é necessário criar incentivos de modo a atrair o interesse de clientes externos.
            Com o aparecimento da crise este assunto foi e ainda continua a ser amplamente discutido. É fulcral investir no aumento das exportações como forma de aumentar as receitas e diminuir os défices que apresentamos. Portugal foi um país que, salvo certas excepções, tais como a cortiça ou o Vinho do Porto, apresentava sistematicamente um valor de importações superior às exportações em bastantes produtos.
Torna-se evidente o esforço contínuo e a aposta que se tem feito nas exportações desde a “explosão” da crise que afectou gravemente inúmeros países. Segundo dados do Eurostat, vemos que nos primeiros seis meses de 2013, Portugal apresentou um valor de exportações que ascendeu a cerca de 23,8 mil milhões de euros, o que consiste num aumento de 3% face ao mesmo período do ano passado. Segundo o relatório do Eurostat, não só Portugal está a conseguir excelentes resultados no que toca a melhorar o seu comércio internacional mas também outros países tais como Chipre, Espanha e Grécia, que também apresentaram valores de crescimento positivos para as suas exportações. Estes dados mostram a importância que os Governos em funções estão a dar a esta componente como forma de impulsionar a economia.
Um dado que é importante destacar, também, consiste no facto de as importações de bens terem diminuído 2%, para 27,8 mil milhões de euros. Apesar de ainda ser um valor demasiado alto, permitiu que, conjugado com o aumento das exportações, o défice da balança comercial tenha diminuído para 4,1 mil milhões de euros. No mesmo período de 2012, este valor era de 5,4 mil milhões de euros, o que se reflecte numa diminuição bastante positiva mas que ainda permite muita margem de melhoramento.
            Uma das razões pelas quais as exportações estão a ter resultados positivos prende-se com o facto de determinados países apresentarem taxas de crescimento económico muito elevadas, tais como China, Índia e Brasil, entre outros.
            Em relação ao alto valor das importações que ainda apresentámos, uma parte está directamente relacionada com uma mentalidade que na minha opinião tem prejudicado gravemente a performance económica do país. Existem determinados produtos que importámos que facilmente verificamos que não fazem sentido tendo em conta as características geográficas que apresentamos, e estou a falar, por exemplo, de produtos agrícolas e frutíferos. Portugal apresenta uma vasta quantidade e variedade destes produtos e com uma óptima qualidade, que deviam ser alvo de investimento, aumentando a produção e servindo deste modo para consumo interno e exportação, no entanto isto não é a realidade que vivemos. Infelizmente, a situação é exactamente o oposto, isto é, uma quantidade enorme de terrenos que estão simplesmente abandonados e produtos de pior qualidade a serem importados e comercializados em vez dos produtos nacionais. Encontramos exemplos de que esta realidade está a ser alterada no norte do país, onde terrenos abandonados estão a ser entregues a quem está disposto a cultivá-los, e esta é uma atitude que está a ter resultados positivos mas, de modo a ter um impacto mais significativo em termos de exportações e importações, precisa de ganhar uma dimensão maior.
Esta situação para um país que apresenta um potencial enorme nesta área, com terrenos que podem ser usados para cultivo e excelentes condições atmosféricas, simplesmente não faz sentido e deve ser alvo de uma atenção redobrada, como meio de fomentar ainda mais a diminuição das importações e o aumento das exportações. Como cidadão português, sou a favor de que se somos capazes de produzir produtos de excelente qualidade e esta é, claramente, uma área que merece investimento.

João Pedro Ferreira de Carvalho

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]