sábado, 30 de novembro de 2013

Dan Ariely: «As pessoas comportam-se de uma forma irracional na economia»

Em todos os modelos económicos que estudei durante esta licenciatura assumimos sempre que os agentes económicos são “racionais”, talvez numa tentativa de simplificar os modelos e de os tornar mais simples e mais resolúveis. Mas esta excessiva simplificação pode levar a que os resultados não retratem minimamente a realidade e que, portanto, não tenham utilidade prática, isto se os pressupostos que assumimos nos modelos estiverem errados. Neste texto, vou analisar a hipótese da racionalidade dos agentes económicos.
Em primeiro lugar, convém dar uma definição do que é ser-se “racional” em sentido económico: «significa que temos uma capacidade infinita de pensar; pensamos no futuro, consideramos todas as opções e depois tomamos sempre, sempre as decisões certas.» Será que as pessoas têm comportamentos racionais? Como em muitos outros tópicos em Economia, esta pergunta não gera consenso. O autor que eu cito neste texto defende que não e argumenta «as pessoas não têm uma capacidade infinita para pensar. Não pensamos no futuro de todas as formas racionais possíveis». Efetivamente, eu acho que todos concordamos que as pessoas não são perfeitamente racionais como supomos nos modelos económicos. É impossível examinar uma infinidade de hipóteses e escolher a que é a melhor para nós. Todas as pessoas são humanas e por isso têm limitações. Agora, o ponto de discórdia é saber quão longe é que estamos desses agentes económicos perfeitamente racionais. Para isso, vou analisar algumas decisões com que nos enfrentamos no dia-a-dia.
Um dos problemas é que os consumidores dão demasiada importância ao presente, à satisfação no momento, em detrimento do futuro. Nós vemos isso quando as pessoas dizem que “vão fazer dieta a partir de amanhã”, “vão começar a ir ao ginásio amanhã”, “vão deixar os trabalhos que têm para fazer para outro dia”. Isto não é mais do que passar as obrigações do presente para o futuro ou, posto de outra forma, damos mais valor à utilidade no presente do que à utilidade no futuro. O mesmo acontece com as decisões económicas: a poupança é pequena porque os consumidores preferem comprar hoje em vez de comprar amanhã (mesmo com juros); nas lojas, se virmos alguma coisa que gostemos, temos sempre tendência para comprar no momento se tivermos dinheiro em vez de comprar no futuro, porque a satisfação no presente tem mais valor no momento da decisão.
Outro argumento forte que sustenta a irracionalidade dos agentes económicos é a fraqueza humana. Como já disse, os seres humanos não são perfeitos, erram, têm defeitos e vícios que não controlam e, por vezes, isso prevalece no seu comportamento. Um bom exemplo é fumar, que vicia os consumidores e manipula o seu consumo ao causar dependência. Outro exemplo são os impulsos irracionais consumistas que todos temos quando vamos a um centro comercial, ou por causa da decoração, ou da música, ou das cores. Sem darmos por isso, somos apanhados num ambiente tal em que perdemos o controlo dos nossos sentidos e damos por nós a comprar objetos sem pensar, sem qualquer tipo de racionalidade.
Estes dois argumentos serviram para fundamentar a teoria do autor Dan Ariely, que defende que as pessoas não têm comportamentos racionais. Assumindo a outra perspectiva, se considerarmos que os agentes económicos são racionais, então a única preocupação do regulador deve ser a informação, porque se um consumidor estiver bem informado então ele vai tomar a melhor decisão possível. A principal diferença entre estas duas perspectivas é exatamente esta: será que os agentes económicos, estando bem informados, tomam as melhores decisões para eles?
Eu acho que não, que os consumidores não defendem bem os seus interesses e que portanto necessitam de uma entidade superior (o Estado) que regule o seu comportamento, e isso já acontece atualmente com a proibição de fumar em espaços fechados, porque se não existisse essa lei os fumadores prejudicariam a saúde dos demais. Outro exemplo prende-se com o facto da limitação da velocidade nas estradas. Efetivamente, se não houvesse controlo por parte das autoridades, os condutores não moderariam a sua velocidade, o que poderia dar aso a situações de elevado grau de risco para os mesmos. O Estado deve assumir uma atitude paternalista para regular o comportamento dos cidadãos, de modo a defender os seus próprios interesses.

Rui Vasco Rodrigues Ramos

Fonte: http://www.publico.pt/economia/noticia/as-pessoas-comportamse-de-uma-forma-irracional-na-economia-1612878

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

FALHAS E RISCOS DO MERCADO AUTO-REGULADO

O modo como opera o sistema financeiro constitui-se como um dos maiores pilares do desenvolvimento económico da sociedade. Por um lado, temos projectos de investimento por parte das empresas que necessitam de recursos económicos, por outro, temos as famílias que, mediadas pelas instituições financeiras, afectam parte do seu rendimento disponível, a poupança, para estes mesmos projectos. Contudo, esta forma de operar, que coordena e organiza a sociedade num processo de entreajuda, assenta num requisito precioso: a confiança. Referindo Fernando Alexandre et al., no seu livro “A crise financeira internacional”, a confiança é um requisito necessário para o funcionamento dos mercados financeiros, constituindo-se como principal activo das instituições financeiras.
A importância que este activo, a confiança, tem nos mercados financeiros torna-se bem evidente na história passada e recente. As crises financeiras de 1929 e 2008 foram sobretudo resultado de, numa fase inicial, um excesso de confiança por parte dos agentes económicos e, numa fase posterior, de um abalo dessa mesma confiança.
A forma como se gere essa confiança é a que nos conduz ao debate em torno da regulação ou de auto-regulação, que voltou à agenda política e económica. Na verdade, existem duas visões acerca do mercado financeiro: a de um mercado auto-regulado, que defende uma intervenção mínima por parte do Estado; e a de um mercado que privilegia uma intervenção intensa de regulação e supervisão das instituição financeiras.
A questão em torno do ponto óptimo de regulação de supervisão deve ter em conta que, por um lado, este deve procurar evitar a ineficiência associada ao controlo excessivo, e, por outro, deve evitar o comportamento selvagem de um mercado auto-regulado. Desta forma urge a importância de compreender as principais falhas e riscos do mercado auto-regulado, de modo a perceber onde se pode e deve actuar:
O risco sistemático, o risco da ocorrência de um evento não antecipado, afigura-se como sendo um dos principais riscos a ter em conta. Um choque, como o que assistimos com a falência do Lehman Brothers, poderá abalar o sistema financeiro e depressa ceifar parte da confiança dos agentes económicos. Torna-se pois importante um papel activo por parte das instituições na prevenção deste risco sistemático e na intervenção imediata de forma a conter o efeito bola de neve do mesmo na economia real.
A assimetria de informação assume-se como outra das falhas associadas ao mercado financeiro. Na verdade, as empresas dispõem de muita mais informação quanto à disponibilidade de pagar de volta do que os investidores e, para além do mais, existem agentes muito mais bem posicionados, com informação privilegiada, o que distorce completamente o mercado. Informação credível e clara deverá ser um objetivo essencial na supervisão destes mercados com o propósito de defender os investidores.
Por fim, é importante ter em conta o perigo do surgimento de bolhas especulativas, alimentadas sobretudo com recurso à divida, que se constituiu como o principal detonador do crash da bolsa de 1929 e da crise financeira recente.
A existência destas falhas e riscos justifica, sem sombra de dúvida, a participação activa de agentes reguladores e de supervisão independentes ao mercado financeiro. A verdade é que a intervenção por parte das instituições tem sido escassa e ténue neste papel de “controlo” do mercado, como ficou provado com a crise que se iniciou em 2008. Mesmo com a recente experiência, tem existido falta de vontade política de tomar decisões que apontem para uma maior intervenção no mercado financeiro. Não deveremos fazer vista grossa aos acontecimentos passados. Espera-se que o debate se intensifique em torno da regulação e supervisão e se tomem medidas concretas no sentido de uma maior intervenção no mercado financeiro.

Hélder Gaspar Gonçalves Miranda

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Romania GDP & Unemployment rate.

With an area of 238,400 km2, Romania is the twelfth largest country in Europe. Located at the intersection of Central and Southeastern Europe, bordering the Black Sea. Romania has 3,195 kilometers of border. Republic of Moldova lies to the east, Bulgaria lies to the south, and Serbia and Hungary to the west. In the southeast, 245 kilometers of sea coastline provide an important outlet to the Mediterranean Sea and the Atlantic Ocean. And its estimated population is almost 22 milion people.
Romania, which joined the European Union on 1 January 2007, began the transition from Communism in 1989, with a largely obsolete industrial base and a pattern of output unsuited to the country's needs. The country emerged in 2000 from a punishing three-year recession thanks to strong demand in EU export markets. Domestic consumption and investment fueled strong GDP growth, but led to large current account imbalances. Romania's macroeconomic gains have only recently started to spur creation of a middle class and to address Romania's widespread poverty.
Corruption and red tape continue to permeate its business environment. Inflation rose in 2007-08, driven by strong consumer demand and high wage growth, rising energy costs, a nation-wide drought, and a relaxation of fiscal discipline. As a result of the global financial crisis, Romania's GDP fell more than 7% in 2009, prompting Bucharest to seek a $26 billion emergency assistance package from the IMF, the EU, and other international lenders. Drastic austerity measures, as part of Romania's IMF-led agreement, led to a 1.6% GDP contraction in 2010. The economy returned to positive growth in 2011 due to a strong export performance, but in a deflationary environment caused by bountiful crops and weak domestic demand. In March 2011, Romania and the IMF/EU/World Bank signed a 24-month precautionary stand-by agreement, worthing $6.6 billion, to promote compliance with fiscal targets, progress on structural reforms, and financial sector stability. The Romanian authorities have announced that they do not intend to draw funds from the facility. Growth slowed to less than 1% in 2012.
GDP
Composition by structure (2011, est.):
Agriculture 7.9%
Industry 32.9%
Services 59.2%
The evolution of the Romanian economy over the past decade indicates an emerging economy that went through a phase of overheating, but now recovering, with a services sector which is still below the EU average and where low value sectors, such as agriculture, are now replaced by sectors with higher added value, which is beneficial and contribute to the real convergence criteria for the euro.
Industry increased its contribution to GDP in the last five years due to exports, after a decline in 2003-2008. Large share of the industry reflects the existence of cheap and skilled workforce that has attracted some manufacturers from developed countries. On the other way, services were rising in 2003-2008, but they have reduced their contribution to GDP during the financial crisis, although they represent the highest share of the Romanian GDP, over 50%. The share of construction in GDP has risen sharply in the years before the crisis, but this sector has been hit by the recession, contributing to economic growth decline in the last years, around 8.6%
Agriculture has continually reduced its share of GDP: from 11% in 2003 to 6.6% in 2008 and 5.3% in 2012.  Romania remains one of the EU countries with the highest share of agriculture in GDP, even though the agricultural gross value is low compared to other EU economies.
In the years preceding the crisis, economic growth was based mainly on consumption, share of services sector in GDP and the growth of construction sector, while the contribution of industry and agriculture has been declining.
In the coming years, amid slowing economic recovery and fiscal consolidation in Europe, we should see a return to the convergence mainly to support an increase in the relative importance of the service sector, a sector whose share is about 70% in European Union.
Unemployment rate
In Romania, the unemployment rate was at the level of 6.70% at the end of 2012. In all developed countries the number of unemployed young people aged between 15 and 24 years old is growing. Most of the unemployed are young people aged between 15 and 24 years. In this age group, the unemployment rate exceeds 22%. The causes of youth unemployment are often the same as unemployment causes in general. But there are specific elements that influence the share of young unemployed in the total number of people without a job, namely:
1. lack of qualification.  The fact that the training structure does not comply with the employment structure makes the educational system unable to offer the new graduates a training that will allow them to rapidly adapt to the new requirements. Youth people without skills is very hard to be employed, because in these difficult economic times companies want to invest as less as possible in the youth’s development. At this time, many young people are unemployed because of the crisis. Companies prefer, due to the lack of money, to hire people with experience, even when they need to increase their workforce;
2. the slow development of the private sector;
3. the consolidation of the quasi-monopoly of some companies which has as consequence  the non-flexibility of the work-market;
4. the deepening of the tendencies of divisioning and specialization, of forming some  groups and non-competing socio-professional categories as a result of the multiplication  of the specializations and of the differences between the employers from the point of view of practice, skills, adapting capacity.
However, we can say that that there are also a few causes of unemployment that are not determined by the above mentioned characteristics and which can be found in Romania’s economy. These causes are:
·      the natural selection;
·      psychology;
·    the changes in the economic structure and the employees’ difficulties to adapt    themselves to these changes;
·      the people’s will and behaviour;
·      the technical progress;
·  the budgetary expenses for “social protection” or “transfer payments”    (unemployment benefit, poverty benefit, etc.);
·      the laziness and the individual’s failures;
·      the political system.
Another major cause that generates and keeps the high rates of unemployment in our country is the volume of the heavy imports of products, which can be official and “unofficial”. The “unofficial” imports of products, the fact that national persons are bringing to the country products, led to the production decrease in our country after 1989 because the respective products were sold at lower prices than the similar products in Romania. This situation lasted a long period of time and made our country addicted to from the point of view of the supply with production factors. The heavy imports deteriorated the commercial balance and, therefore, the payment balance which created places of employment for the national economy and not for the foreign economies, which generated the increase of the unemployment.

Gabriel Stoica

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Emigration in Lithuania

After Lithuania joined the EU and free migration of people became legal, the extent of emigration rate in the country increased particularly. This resulted from the opportunity to migrate freely and obvious differences in economic conditions between the developed European countries and Lithuania. It is not difficult to understand the willingness of people to earn more money and live better, however this target cannot be absolute. The State has to create favorable conditions for its citizens to have appropriate income to live with dignity, to maintain their family in the country and not going abroad for this reason.
However, emigration especially increased during the 2008-2009 global economic crisis. In 2010, 83 thousand people left Lithuania, which was 4 times higher than the previous year. Based on evaluation of experts, during the 22 years of independence about 30% of population left Lithuania and that mainly concerned youth and qualified specialists. The shortage of jobs, low salary, disappointing opportunities of self-realisation and career, ineffective science and education system are the main reasons of emigration from Lithuania. The increasing scale of emigration creates dangerous demographic, economic and social consequences for Lithuania.
Decreasing population number can be emphasized as one of the essential problems of emigration. Intensive migration processes greatly influence changes of ethnic structure of the inhabitants. Possibility of de-nationalisation is often identified as a problem. As far as partial migration is concerned, where one or both parents go to work abroad and the family remains in Lithuania, the social capital of Lithuania, the family, is weakened. The conception of family as a value and the sense of family stability weakens.
Illegal migration also causes many problems. Two major categories of such problems
are the flow of illegal migrants to/through Lithuania and illegal migration of Lithuanians to other countries. When the extent of illegal migration is large, women’s trafficking tends to increase. On the other hand, women’s trafficking is encouraged by material deficiency, unemployment, flaws of the social support system and lack of knowledge about this problem. Unless the mindset of people about migration and economic conditions in the country changes, it is likely that women trafficking will remain a prevalent problem in Lithuania in the near future.
     One more major problem is the loss of young people. This fact may have very severe consequences in the near future because it will change the demographic structure of the society, i.e., only geriatric people will stay, birth rate and family development will diminish, also labour power will decrease and it will be necessary to compensate it by importing people from the Third World countries. While liberalisation processes of the international labour market are in progress, Lithuania encounters not only emigration but also a very relevant “brain drain” problem. This is about specialists of various fields that are unable to find work environment where they could self-actualise. Therefore, they leave the country and the Lithuanian intellectual capital diminishes, accordingly.
      General standard of living and resolution of socio-economic problems of the country depend particularly on the effective use of that the most productive part of the society. After creating a well-planned national strategy, educated Lithuanian scientists in the West could and should become one of the driving forces of restoring and developing the Lithuanian science.
     The reason of brain drain is not only the general economic lag of Lithuania. Brain drain is also encouraged by the flaws of the Lithuanian science and education systems, their severe and long-lasting problems. Analyses conducted by the World Bank show that Lithuania is among the countries with the least science production and innovations, even compared to Central and Eastern European countries. One of the most important factors leading to brain drain is the position of the Lithuanian Government towards education. Investments in education are ineffective. According to the data of Eurostat, financing of one student expressed in terms of purchasing power standards in Lithuania is 8 times lower than in Sweden, and 5 times lower than in Germany. According to this data, Lithuania leads against Latvia and Bulgaria, is relatively at the same level as Poland, and is lagging far behind from the Czech Republic and Estonia. Also, the financing condition of students is poor. However, in recent years, financing has increased. In this regard we are among the EU leaders. However, study quality depends on education level. Education financing in Lithuania increases very insignificantly.
     Considering this data, we can conclude that governmental financing is not sufficient and Lithuania has a flawed system of distributing money for studies. Another important factor leading to brain drain is low level of education and international acknowledgement. According to various researches, the best college/ university seniors are not satisfied with the quality of education of Lithuania.
      After summarising the problems of emigration (decrease in population, deformation of age structure, lack of labour power, possibility of de-nationalisation, consequences of social migration, especially for family, children, brain drain, human trafficking, illegal migration) encountered by Lithuania, it can be stated that the problem of emigration is associated with socio-economic situation in Lithuania and this problem should be solved at national level.
      Emigration is a serious problem in Lithuania; however, Lithuanian institutions do not pay too much attention to the issue. So far, Lithuania has no strategies or programmes implemented to reduce the amount of emigration and this problem in Lithuania has no adequate solution.

Agne Sipaviciute 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Transmissão intergeracional da pobreza em Portugal

Quando estudamos uma transmissão intergeracional da pobreza, a noção de pais ultrapassa, neste caso, a existência de uma relação biológica ou de adopção legal, questionando-se o indivíduo sobre a pessoa/pessoas, a quem este atribuía a figura parental, no período de referência.
 A pobreza, enquanto conceito multidimensional, pode ser perspectivada de diferentes formas e ser objecto de várias explicações.
 A ideia de transmissão intergeracional da pobreza e das desigualdades constitui um particular domínio que resume a hipótese do risco de pobreza dos indivíduos reproduzir-se de pais para filhos quando se encontra associado ao contexto social, económico e educacional da família de origem.
Vamos então estudar a mobilidade social e escolar intergeracional e relacionar com a taxa de risco de pobreza/transmissão da pobreza.
De acordo com dados tornados públicos em 2004, nos extremos temos uma mobilidade social e escolar descendente/estacionária ou mobilidade social e escolar ascendente, com taxas de risco de pobreza associadas de 14,6% e 12% respectivamente. No meio, é de realçar o peso da mobilidade social, ao invés da mobilidade escolar, ou seja indivíduos com mobilidade escolar ascendente mas com mobilidade social descendente/estacionária têm uma taxa de risco de pobreza mais elevado do que indivíduos com mobilidade social ascendente e moblidade escolar descendente/ estacionária.
Podemos então concluir que para uma transmissão da pobreza é necessário ter em conta vários factores, como a situação familiar do indivíduo, o número de pais que trabalham do agregado familiar, os cargos que estes ocupam e o nível de educação dos pais.
Tendo em conta os estudos, o peso da situação social no risco de pobreza sobrepõe-se à situação escolar, o que evidencia, na minha opinião, a falta de incentivos para continuar a alargar os estudos, uma mobilidade escolar ascendente.

Frederico Pires

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Energias renováveis

            Em 2010 foi aprovado um investimento de cinco mil milhões de euros em energias renováveis, com o objectivo de 31% da electricidade em 2020 ser produzida por energias renováveis, ou seja, 3500 MW de electricidade em nove anos, criação de emprego e desenvolvimento regional. Com isto, haveria um melhoramento da competitividade da economia, pois a subida continuada do preço dos combustíveis faz com que haja maior dependência de Portugal face ao exterior, e ainda melhoraria a qualidade ambiental.
            Portugal, em 2010, conseguiu atingir o 5º lugar dos países europeus com maior utilização de energias renováveis, sendo que 25% do consumo era assegurado por fontes ambientalmente limpas.
            Os subsídios entregues às empresas produtoras de energias renováveis sofreu um grande corte em 2012, pondo em causa 130 mil posto de trabalho. Em Fevereiro do mesmo ano, foram suspensas todas os novos licenciamentos de potências até 2014, colocando em questão o desenvolvimento do mercado interno e a meta estabelecida a nível europeu de, em 2020, 31% do consumo ser proveniente de energias renováveis. Uma das dificuldades mais evidente é a parte correspondente aos transportes (10% dos 31% previstos), pois verificou-se uma diminuição na venda de carros eléctricos, a queda do investimento da Nissan em Portugal e a reavaliação de toda a rede Mobi.E.
            Sendo que em 2012 Portugal ocupava o 4º lugar dos países da União Europeia mais avançados no cumprimento das metas sobre as energias renováveis. Em 2013, a electricidade de origem fóssil sofreu um recuo de 22% no uso de carvão e verificou-se um aumento da produção absoluta de energias renováveis de 34%, em comparação com o ano anterior.
            Verifica-se que as energias renováveis empregaram cinco mil pessoas nos últimos 4 anos e, para 2014, já há mais de 3 milhões de euros de encomendas do estrangeiro em máquinas eólicas fabricadas em Portugal.
            Acredita-se ainda que em 2050 Portugal irá conseguir que 100% da sua electricidade e uma grande parte do resto da energia que necessita seja portuguesa, renovável, com tecnologia portuguesa, feita e investigada em Portugal.

Rafaela Castro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

O subsídio de desemprego: uma política social efetiva?

                Uma das políticas sociais mais controversas no debate político é sem dúvida o subsídio de desemprego, provavelmente porque este é um instrumento utilizado para manter uma igualdade social e muitas das vezes é utilizado pelos utentes de forma imprópria e aproveitadora.
                Desde o início da crise que o governo alterou duas vezes esta política, tendo em vista tornar este subsídio uma compensação eficiente para os indivíduos que perderam o seu trabalho por razões, muitas vezes, alheias e não uma forma de rendimento sem esforço.
                Em 2010, a legislação sobre o subsídio de desemprego alterou-se, não permitindo que o subsídio ultrapassasse 75% do valor líquido da remuneração do trabalho de referência, contudo, se o rendimento de referência for bastante elevado, estes não recebem 75% do seu salário, mas sim o valor máximo de subsídio que na altura se encontrava nos 1257€. Para quem já estava a receber subsídio de desemprego, deixou de poder recusar propostas de emprego, desde que estas superassem em 10% o valor do subsídio de desemprego.
                O problema social do desemprego é um dos mais graves e urgentes do ponto de vista político. Um indivíduo na situação de desempregado tem um incentivo muito maior em ter comportamentos desviantes, limitando o progresso do país tanto a níveis económicos como sociais. De forma a controlar os comportamentos dos desempregados, criou-se um subsídio para que, enquanto não encontram um novo emprego, se consigam sustentar. Contudo, em alturas de níveis de desemprego elevados, os encargos do Estado são bastante grandes. Como se não chegasse, o subsídio motiva indivíduos desempregados a atrasar a procura de emprego, pois recebem uma remuneração durante um período de tempo limitado, mas ainda longo (18 meses, atualmente).
                A meu ver, era necessário contrariar a tendência de sobreviver com subsídio de desemprego e incentivar novamente os desempregados a procurar trabalho. Tendo em conta que foi uma medida implementada em 2010 e a taxa de desemprego continuou a aumentar, o seu impacto não foi muito relevante. Embora concorde principalmente com a proibição de recusar empregos, a meu ver um agente económico que não esteja a contribuir para a progressão do país tem de ser integrado o mais rápido possível e isto não se consegue se dermos a possibilidade deste estar sistematicamente a recusar postos de trabalho. Tendo em conta que, por essa altura, Portugal já sentia pressões externas para um pedido de resgate, o antigo governo diminui o volume de subsídios que ia atribuir, tentando reduzir a despesa pública.              
                Tendo em conta os resultados obtidos pós estas medidas, diria que não são muito efetivas, visto que no ano a seguir Portugal foi obrigado a pedir um resgate e a dívida pública tem continuado a aumentar. É uma visão um bocado pessimista, visto que esta medida, por si só, não é milagrosa, logo não iria resolver nada. Acredito que as medidas complementares é que foram mal aplicadas e esta compensação pode ser ainda mais eficiente do que é atualmente.

José Coelho 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]