segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

As falhas das agências de “rating”

Recentemente, foi publicado pela “European Securities and Markets Authority” – ESMA –, a entidade europeia que está encarregue de supervisionar os mercados financeiros, um relatório que se pronuncia sobre as conclusões da sua investigação aos procedimentos das agências de notação financeira internacional.
Nesta exposição, conclui-se que foram verificadas diversas falhas na atribuição de “ratings” soberanos, os quais são direccionados para o estabelecimento de notas sobre a performance económica, financeira e orçamental de um país, por forma a atribuir informação aos investidores externos sobre variáveis relevantes nas decisões de investimento. Nesta particular vertente, Portugal foi absolutamente dizimado pela investida das sucessivas notas desfavoráveis atribuídas pela Moody’s, pela Fitch e pela Standard & Poor’s.
Em concreto, no parecer, foram detectados problemas em áreas como: na independência e prevenção de conflitos de interesses; na confidencialidade da informação sobre o “rating” de um determinado país soberano; no tempo demorado no processo de comunicação das mexidas no “rating”; nos recursos aplicados à atribuição de “ratings” soberanos. Um caso mais específico relatado foi a divulgação de futuras decisões de “rating” a uma terceira parte não autorizada. Portanto, houve fuga de informação para fontes privilegiadas, de forma a estas poderem preparar o seu plano de actuação de forma antecipada.
Este novo relatório não vem dizer nada que o público em geral já não se tenha apercebido. Como já se sabia, as agências de “rating” tinham e têm problemas. Ou melhor dizendo, as agências de “rating” são parte integral do problema. Estas entidades, que deviam ter feito o seu trabalho pré-crise do sub-prime, em 2008, limitaram-se a olhar para o lado e deixar passar em branco todas a falhas e procedimentos insustentáveis, para a prevenção das quais foram criadas, em primeira instância. Depois, em 2010, vem atacar economias já extremamente fragilizadas – como a Grécia e Portugal – para as mostrar como exemplo, para que todos vejam que os pecados económico-financeiros que praticaram nunca saem impunes.
Na minha opinião, o que a ESMA deveria ter escrito neste relatório era que as agências de “rating” foram e são, por si próprias, a falha monumental do sector financeiro. Estas entidades deviam utilizar métodos rigorosos de notação financeira – quer empresarial, quer soberana – e emitir notação do mesmo modo. Por outro lado, se a ESMA tivesse dignidade institucional, reconhecia igualmente o seu próprio falhanço regulatório contínuo e gravoso, que contribuiu para o agravamento das situações de financiamento e consequentemente liquidez dos países europeus – principalmente dos países do sul da Europa.
A crescente volatilidade nos últimos anos no processo de atribuição de “ratings” soberanos, a par da crescente importância da actuação das agências de notação financeira para o mercado de crédito e a estabilidade financeira, fez com que se comprometesse a credibilidade perante os utilizadores e, primeiramente, perante os cidadãos, em geral – que é quem mais sofreu e sofre as consequências do desgoverno destas administrações. Além do mais, ninguém sabe muito bem como se processa o procedimento da notação, nomeadamente, os critérios que as agências usam para notar uma dada economia. Essas informações deveriam ser do conhecimento do público, até por uma questão de simples transparência. 
A mim, parece-me que toda a neblina envolvida nesta área não favorece a própria ESMA. A Fitch, a Moody’s e a Standard & Poor’s parecem quase como um oligopólio natural de notação financeira, em que os reguladores pouco ou nada podem fazer para desconcertar as suas acções. Não há incentivos suficientemente grandes para as rearranjar de forma a seguirem o caminho do rigor porque, muito provavelmente, os interesses dos lobbies por detrás das notações falam sempre mais alto. 
Na minha opinião, há que garantir que as agências de notação financeira cumpram a sua missão de forma rigorosa, livre de conflitos de interesses e o façam oportunamente. Mas, como é este simples objectivo, em teoria, exequível? Talvez, no fundo, não seja na prática possível regular um sector tão abrangente e ao mesmo tempo impalpável, como é o sector financeiro. Quiçá, o único que se pode fazer é relativizar as notações emitidas.
Em conclusão, não há maior falha possível de ocorrer do que quando um regulador falha consecutivamente os propósitos da sua criação. No caso das agências de notação financeira, há uma cadeia de ineficiências interligadas entre os agentes e não parece que muito tenha mudado. Este caso é gritante se por nada mais for pela mera proporção do baque que provocou às economias europeias.

Ana Luísa Araújo Rodrigues

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

sábado, 7 de dezembro de 2013

O Comportamento do consumo das famílias

O consumo privado das famílias reveste-se de grande importância uma vez que a despesa interna é composta pela soma entre o consumo, investimento e despesa do Estado. Através de uma análise gráfica, do período entre 1954 e 1994, constata-se que o peso do consumo no PIB é bastante elevado o que faz dele um factor determinante. Esta situação teve o reverso da moeda afectando de forma significativa a poupança das famílias. Assim, é importante perceber quais os motivos que contribuíram para este aumento do consumo nos últimos anos bem como quais os bens mais procurados. 
A mudança política e a adesão à CEE, nos anos 70 e 80, respectivamente, fizeram os portugueses acreditar num futuro melhor, alargando o acesso a bens e serviços. Enquanto em décadas anteriores apenas os grupos mais ricos tinham acesso a certos bens e serviços, num passado mais recente essas barreiras foram sendo eliminadas. Com a integração na CEE, o desenvolvimento do sistema financeiro associado a baixas taxas de juro também permitiu reduzir as restrições de liquidez. Todos estes factores conjugados com o desenvolvimento tecnológico e a constante inovação contribuíram para o aumento do consumo em Portugal.
Ao longo do tempo, o consumo foi-se aproximando do rendimento disponível. Segundo dados do Banco de Portugal, verifica-se que entre 1999 e 2006 houve um aumento do consumo em Portugal de cerca de 64% para 68%. Enquanto na zona Euro o peso do consumo está bastante abaixo do que acontece em Portugal, mantendo-se relativamente constante no período referido. Aliás, Portugal é dos países em que o peso do consumo é mais elevado. 
Depois de uma pequena referência à evolução do consumo, é importante perceber quais os bens que se destacaram nos últimos anos. Analisando os bens que satisfazem necessidades primárias, tal como os bens alimentares, dados do INE demostram uma tendência crescente, embora ligeira, passando de 18589,8, em 2006,  para 21317,4 milhões de euros, em 2012. Embora os dados demonstrem uma tendência crescente, em altura de crise, pode verificar-se um efeito de substituição trocando alguns produtos por marcas brancas. 
Analisando a riqueza em habitação, verifica-se que a partir da adesão à moeda única (1999) esta aumenta de forma acentuada. Esta riqueza passa de cerca de 275% do rendimento disponível das famílias em 1999 para aproximadamente 300% em 2008, começando a partir deste ano a diminuir. 
Em relação aos bens duradouros, o que incluiu tecnologia, electrodomésticos e automóveis, ou seja, os chamados bens supérfluos, este foi o sector mais afectado pela crise que o país atravessa nos últimos anos. Recorrendo novamente a dados do INE, constata-se uma diminuição de 8873,7 para 6548,1 milhões de euros de 2011 para 2012. 
Os choques de expectativas positivas que se verificaram com a adesão à CEE contribuíram para o aumento do consumo de forma acentuada durante alguns anos. Contudo, a crise económica financeira que se faz sentir desde 2007 levou a medidas de austeridade por parte do Governo que em muito têm contribuído para desacelerar o consumo privado. Perante a crise que o país atravessa, tornou-se mais difícil o acesso ao crédito o que, conjugado com os altos impostos e a insegurança nos empregos, leva as pessoas a reduzirem o investimento em bens duradouros (automóveis, electrodomésticos, tecnologia), direccionando os seus rendimentos para os bens essenciais.  
Reino Unido, Grécia, Estados Unidos e Portugal representam o grupo de países onde o peso do consumo é mais elevado, sendo que a maioria se encontra no momento em dificuldades. Aliás, é importante referir que tanto Portugal como a Grécia são os países onde a economia mais depende do consumo. Na minha opinião, a correcção dos desequilíbrios apresentados por Portugal deve passar por uma diminuição do peso do consumo e um aumento da poupança. É certo que, com base na teoria Keynesiana, aumentar a poupança pode agravar a recessão, a não ser que a diminuição do consumo se baseie na diminuição dos bens importados. Para mim, aqui reside o problema. O consumo em Portugal baseou-se durante anos na importação, enriquecendo os estrangeiros. Durante anos, o país consumiu mais do que produziu, apresentando uma despesa superior à produção. Esta situação levou a défices externos recorrentes, que têm de ser corrigidos, e para tal será necessário um aumento das exportações conjugado com a redução das importações.  

Regina Marques Gonçalves

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Portugal Europeu

Apesar da crise que o nosso país atravessa, a memória mais recente não pode sobrepor-se ao balanço global. A presença de Portugal na União Europeia foi, inicialmente, bastante positiva, contudo esse progresso inicial tornou-se limitado para permitir ao país encarar com êxito, por um lado, os novos desafios concorrenciais relativos à entrada de novos países para a União Europeia e, por outro lado, o desafio do regime cambial e orçamental resultante da união económica e monetária.
Após a adesão de Portugal às comunidades europeias em 1986, e deparando-se com um ambiente externo relativamente auspicioso, a confluência da economia portuguesa concebeu-se com virtude e sem especiais dificuldades, especificamente no momento em que se tratava de promover a recuperação de atrasos evidentes e a adaptação a modelos e leis bem estipulados. 
Inicialmente, a economia portuguesa atingiu metas favoráveis de crescimento relativamente depressa, comparativamente com as economias da União Europeia mais civilizadas e avançadas, contendo fortemente o ritmo da inflação e consolidando as grandes variáveis da política monetária e cambial. Portugal tornou-se um país mais atraente para viver e trabalhar, os níveis de imigração e investimento aumentaram, tendo o nível de vida médio potencial da população portuguesa crescido com largo mérito.
Todavia, este cenário não foi duradouro e, perante o alargamento da União Europeia a novos países da Europa Central e Oriental e com a paralisação económica, a convergência da economia portuguesa tornou-se dificultada e com declínios crescentes nos campos que solicitavam modificações bastante consideráveis. 
A economia portuguesa não conseguiu, por um lado, impossibilitar uma depreciação íngreme do seu padrão de crescimento económico nem, por outro lado, evitar uma fusão complexa de desemprego estrutural e conjuntural, os quais se foram associando num painel de crescentes oscilações quer nas contas públicas quer nas contas externas. Este desfecho aparenta preconizar que a sociedade portuguesa não depreendeu, no tempo conveniente, que a sua trajectória de total integração europeia seria tanto mais custosa quanto menor fosse a cobertura de todos os princípios da convergência real, através da uma progressão continuada da produtividade global dos fatores, e da convergência estrutural, com a geração de instituições e de regras comuns, de modo a estimular a eficiência e a equidade. 
O itinerário de Portugal desde a adesão até então apresenta-se com algumas falhas, exemplo disso é o Pacto de Estabilidade e Crescimento, das políticas monetárias que envolvem o euro e das políticas comunitárias de convergência e união. Para além do referido previamente, o itinerário português nesta Comunidade Europeia foi marcado maioritariamente por um percurso de imperfeições e restrições da experiência portuguesa, das políticas públicas e do favoritismo social e económico, que acabaram por imperar na sociedade, na própria economia e até mesmo no Estado. 
Futuramente, a União terá de começar a ser mais focada no aperfeiçoamento do poder das instituições, tendo de ser reforçado o poder democrático, quer em Portugal, quer na União Europeia. Deste modo tornar-se-á mais fácil assegurar escolhas colectivas mais equitativas e oportunas, propiciando-se vantajosas políticas públicas, melhor sustentadas e duradouras, capazes de um melhor incremento do interesse geral.

Rita Isabel Carneiro Araújo

Fontes
MENDONÇA PINTO, António - O Desafio Europeu e a Economia Portuguesa, Lisboa/São Paulo: Editorial Verbo, 2000
http://www.publico.pt/mundo/noticia/portugal-o-destino-da-europa-1612852

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Deflação: um perigo real

Quando alguém afirmou que a deflação nos Estados Unidos era altamente improvável, o Presidente da Reserva Federal Americana, Ben Bernanke, (agora de saída) comentou em 2002: "Seria imprudente ao descartar completamente essa possibilidade". Nesse ano, a inflação nos EUA ultrapassou os 2%, e o risco de se tornar negativa era, de facto, remoto, mas Bernanke sentiu a necessidade de traçar uma rota de fuga de um cenário potencialmente catastrófico. A resposta que ele descreveu era essencialmente uma previsão das políticas que a Fed viria a implementar na sequência do choque de 2008.
Para a zona euro, hoje, a ameaça não é remota. De acordo com os últimos dados, a inflação anual de preços ao consumidor é de apenas 0,9% (1%, excluindo os preços de energia e alimentos voláteis). Ou seja, um ponto percentual abaixo da meta do Banco Central Europeu, que fixou o objectivo “abaixo, mas próximo, de 2%”. Com a economia a funcionar claramente abaixo da capacidade total e o desemprego acima de 12%, o risco de uma queda ainda maior não pode ser excluída, sobretudo quando pressionado por uma taxa de câmbio a apreciar de forma gradual e num contexto global de crescimento negativo. Assim, é hora de começar a reconhecer o perigo que a Europa enfrenta de deflação e, principalmente, considerar o que poderá ser feito para o evitar.
O primeiro problema com a deflação é que esta tende a elevar a taxa de juro real (ajustada à inflação) acima do seu nível de equilíbrio. Como há um mínimo de zero vinculado à taxa de juro nominal, o banco central pode muito bem encontrar-se incapaz de manter o diferencial taxa de juro-inflação a um nível suficientemente baixo, o que pode resultar numa queda e até mesmo numa espiral descendente. É verdade que alguns bancos centrais (Suécia em 2009 e a Dinamarca em 2012) cobraram aos bancos para fazerem depósitos, registando, assim, taxas de juros negativas. Mas há limites para essas tácticas, já que, se os depósitos são cobrados, a dada altura torna-se preferível para os depositantes manter o dinheiro parado, algo que, de resto, foi assumido por Toshihiko Fukui. [1]
Este problema é de grande relevância para a zona euro, que está a emergir de uma longa recessão, com o PIB ainda abaixo do seu nível de 2007 e a recuperação, ainda que real, num horizonte distante. Tendo reconhecido o perigo, o BCE reduziu a taxa de juro de referência duas vezes nos últimos meses, para 0,25%. O problema é que poderá ter sido um pouco tarde demais para mover a taxa de juro real para onde deveria estar, a fim de promover uma recuperação económica suficientemente forte. 
O segundo problema com a deflação é que torna o reequilíbrio económico na zona euro um processo muito mais doloroso. De Outubro de 2012 a Outubro de 2013, a inflação foi negativa na Grécia e na Irlanda, e zero em Espanha e Portugal. Com a insistência no aumento da competitividade através da redução do preço relativo dos produtos de exportação, e a inflação média na zona euro a pairar perto de zero, este grupo de países enfrenta uma escolha muito desconfortável entre a falta de competitividade e uma ainda mais profunda deflação doméstica. 
Por último, a deflação aumenta o peso da dívida. Um título de dívida é uma reivindicação nominal cujo valor não varia com a taxa de inflação. Com a deflação a originar um crescimento negativo do rendimento, o peso da dívida em relação produto aumenta, podendo tornar-se insuportável para os mutuários - e, assim, aumentando o risco de crises de dívida pública e privada.
 Durante muitos anos, um cenário deflacionista parecia impensável. Actualmente não. Como resultado da deflação e da recessão, o PIB (a preços correntes) da Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha está aos níveis de 2005 ou 2006. 
Cortes recentes dos juros do BCE reflectem claramente a sua preocupação com estes riscos. A expectativa parece ser de um longo período de inflação baixa, seguida por um movimento ascendente gradual em direcção ao alvo de 2%. Assim, é expectável que a taxa de referência se mantenha nos 0,25%, ou até mesmo seja levada a zero, de modo a impulsionar o investimento e o consumo.
Apesar de o BCE não poder ser acusado de negligenciar o risco de deflação, o problema com a sua postura é que manter a inflação anual em torno de 1%, na esperança de uma ascensão tardia e gradual fica aquém do exigido. Não só contraria o que o BCE foi mandatado para alcançar, mas também representa uma almofada muito pequena na eventualidade de mais um choque deflacionário, para além de tornar a recuperação de países altamente endividados desnecessariamente dolorosa. 
Pode o BCE fazer mais? Como alternativa, poderia colocar o politicamente correto de lado e fazer por cumprir o seu objectivo de estabilidade de preços, começando por divulgar uma estratégia para voltar à normalidade, e indicando à comunidade internacional uma disposição inequívoca de adoptar uma lista explícita de políticas não convencionais.
A questão é que o BCE deve estar preparado para fazer essa escolha. Como Bernanke pôde confirmar, as políticas monetárias convencionais podem parar de trabalhar mais cedo ou mais tarde.

João Nuno Ferreira Antunes

[1] Governador do Banco do Japão entre 2003 e 2008, país que enfrentou uma forte crise deflacionária e foi pioneiro na aplicação dos Quantitative Easing (programa de estímulos não convencionais) que viria a ser replicado pelo Fed, em 2008.

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Empreendedorismo Feminino

      Ser-se empreendedor, em Portugal, na actual conjuntura económica (o que quer que isto signifique) é difícil. Ser-se empreendedora é um desafio ainda maior e apenas com uma dose de coragem e uma outra de loucura é que se dá o primeiro passo.

O Empreendedorismo é o principal factor promotor do desenvolvimento económico e social de um país. O Empreendedorismo feminino é a criação e desenvolvimento de empresas geridas por mulheres. As mulheres empreendedoras têm actualmente o apoio no desenvolvimento dos seus negócios de projectos de organizações como a ANPME (Entidade Promotora do Empreendedorismo em Portugal), a FAME (Programa de Formação e Consultadoria de Apoio à Criação de Empresas) e o Projecto EVA (Empreendedorismo Feminino de Valor Acrescentado), ao qual darei mais importância ao longo do artigo. 
Actualmente, as mulheres continuam a ter mais dificuldade que os homens em encontrar financiamento e apoios para o desenvolvimento dos seus projectos. Podemos pensar que ao longo dos anos Portugal tem feito melhorias nesse campo. É uma ideia falaciosa. Segundo o relatório do Fórum Económico Social, no que diz respeito à discriminação por género, ocupamos a 47ª posição, descendo 12 lugares relativamente à posição anterior.
De forma a colmatar estas falhas no mercado, como a fraca percentagem das mulheres nas iniciativas de criação de empresas, em geral, e nas empresas baseadas em conhecimento intensivo e tecnologia, e a necessidade de potenciar o empreendedorismo inovador e qualificado para o desenvolvimento da economia regional, nasceu  o projecto EVA, desenvolvido pela Tecminho (interface da Universidade do Minho). 
  O projecto teve a duração de aproximadamente 3 anos, e atingiu objectivos como desenvolver competências nas mulheres qualificadas para a exploração de ideias de negócio e a gestão de empresas, apoiar as empreendedoras na fase de arranque das empresas, e promover a partilha de informação entre as mesmas, contribuindo assim para a criação de sinergias e desenvolvimento de parcerias que conduzam à sustentabilidade das empresas.
O EVA funcionou  em 3 fases: formação (frequentada por 15 mulheres); apoio à criação e arranque do negócio (6 promotoras tiveram um apoio de 5.030,64€); e criar uma rede de empresas, com vista a facilitar a troca de informação sobre o negócio e possibilidade de expansão do mesmo.
Foram criadas 6 empresas: Sound Tailors, Alnutri, Braga POP Hostel, Carla Luz Design, Gaveta d’ Encantos e Metro Cúbico Digital.
Helena Gomes, responsável pelo projecto Braga POP Hostel, deu-me o seu testemunho, do qual nos foi possível saber que o projecto EVA a deixou muito bem preparada. Helena diz que acredita que seja mais difícil para uma mulher ser empreendedora em Portugal, mas que muitas vezes o principal problema está na cabeça das mesmas, pois ainda acreditam que têm de ser mães e donas de casa. 
As portuguesas têm de trabalhar e estudar mais para chegar ao mesmo nível salarial que um homem, e se quiserem criar o seu negócio ainda têm que se esforçar mais por financiamento. A minha geração espera sair da universidade e ver estes preconceitos resolvidos, ou então que existam mais projectos EVA para sermos nós próprias a combatê-los.
  Portugal ainda tem de mudar a sua mentalidade!
Helena Ferreira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Análise do concelho de Felgueiras

O concelho de Felgueiras situa-se no Vale do Tâmega e confina com Guimarães, Fafe, Amarante, Lousada e Celorico de Basto. Está localizado a 50 Km do Porto e 17 Km de Guimarães. Abrange 114 Km2, repartidos por 32 freguesias. Neste concelho, segundo os censos, em 2011, o total de população era de 58.065 indivíduos, apenas mais 474 do que em 2001. Do total de indivíduos, 29.795 representam a população ativa. Em Felgueiras existiam, no mesmo ano, cerca de 6 índividuos em idade ativa por cada idoso. Embora se registe uma tendência de decréscimo deste indicador, o índice de sustentabilidade potencial verificado em Felgueiras, no ano em questão, continua a ser bastante superior ao registado a nível nacional (3,4 indivíduos em idade ativa por cada idoso).
O concelho é marcado pelo grande abandono escolar, contribuindo em grande medida para o predomínio da mão-de-obra desqualificada no concelho. Contudo, o fenómeno desemprego não tem afetado tanto este como se verifica noutros concelhos, não querendo, no entanto, com isto afirmar que o desemprego tem diminuído. Na verdade, segundo os últimos censos realizados no país (2011), o desemprego em Felgueiras registou uma tendència de aumento de 2001 para 2011. Em 2001, existia um total de apenas 1.069 desempregados e, portanto, uma taxa de 3,7%. O número de desempregados, em 2011, era de 3.079, o que corresponde a uma taxa de desemprego de cerca de 10,3%. Assim sendo, verifica-se uma variação positiva de, aproximadamente, 6,6 pontos percentuais de 2001 para 2011. Como seria de esperar, é o sexo feminimo o mais afetado pelo desemprego ao longo dos anos em análise. A taxa de desemprego do sexo feminimo variou 6,6 pontos percentuais de 2001 para 2011, sendo de 10,9% em 2011. Relativamente ao sexo masculino, a taxa em análise registou a mesma variação que a do sexo oposto contudo, em 2011, a taxa de desemprego masculina é de apenas 9,8%, mais baixa cerca de 1,1 pontos percentuais que a taxa do sexo feminino. 
De todos os concelhos que pertencem ao Tâmega, Felgueiras é o que tem a menor taxa de desemprego. Em 2011, o concelho com a maior taxa em questão era Cinfães (20%). Em todo o Tâmega, segundo os censos, em 2011, existiam 36.748 indivíduos desempregados, o que corresponde a uma taxa de desemprego de 14,3%, ou seja, uma taxa superior em 4 pontos percentuais à verificada apenas no concelho de Felgueiras. 
Em Portugal, segundo os censos, em 2011, as duas menores taxas de desemprego observavam-se no Centro do País, no concelho de Oleiros (5,1%) e no concelho de Arruda dos Vinhos (7,7%). A maior taxa de desemprego era de 22,9% no concelho de Mourão no Alentejo. A nível nacional, a taxa de desemprego era de 13,2%.
Assim sendo, concluiu-se que, embora a taxa de desemprego no concelho em análise não seja a mais baixa a nível nacional, é mais baixa que em todo o Tâmega, é ainda inferior em cerca de 12,6 pontos percentuais à taxa de desemprego mais elevada no país e, por fim, inferior, aproximadamente, em 2,9 pontos percentuais à verificada em todo o país, em 2011. Isso dito, comprova-se a afirmação referida anteriormente: o “desemprego não tem afetado tanto a região como se verifica noutros concelhos”.
No município de Felgueiras existem vários “pontos fortes” que justificam a taxa de desemprego baixa, como o calçado, os bordados, o vinho verde e o pão de ló. De todos estes “pontos fortes”, é o setor do calçado o que mais se destaca. A indústria de calçado representa cerca de 50% da indústria transformadora do município e emprega grande parte da população ativa do concelho. Em Felgueiras, existem várias empresas de calçado com prestígio, nomeadamente a Codizo, uma das melhores empresas a nível nacional, a Itaflex e a A. Cerqueira & Ribeiro.

Sílvia Leite

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Planos de Reforma

Atualmente, a poupança para a reforma tem uma especial importância, sendo inevitável uma maior responsabilização de todos os cidadãos na preparação e planeamento da sua reforma, para fazerem face à significativa redução da taxa de substituição que terão que enfrentar.
Após anos perdidos na tentativa de alterar um modelo de proteção social que deixou de ser economicamente viável, a temática das Pensões tornou-se numa obsessão nacional, em que a falta de informação e as inúmeras medidas isoladas impostas aos atuais pensionistas, e outras que se poderão ainda perspetivar, têm vindo a provocar uma onda de manchetes nos órgãos de comunicação social.
Apesar das diversas medidas de ajustamento já implementadas, designadamente, as concretizadas em 2007, (que envolveram, entre outras, a alteração da fórmula de cálculo, com a consideração de toda a carreira contributiva e a aplicação do fator de sustentabilidade), a sustentabilidade financeira dos Sistemas Públicos de Pensões está longe de estar assegurada, conforme indicia um recente Estudo apoiado pela APFIPP - Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios.
O que era uma realidade ignorada tornou-se, agora, fruto das circunstâncias com o impacto da crise económica e financeira que vivemos, numa necessidade inadiável de repensar o atual Sistema.
As tendências demográficas projetadas para as próximas décadas em Portugal apontam para uma grande alteração da estrutura etária da população, devido aos baixos níveis de fertilidade, uma maior longevidade e um envelhecimento generalizado da população. Assim, a subida continuada da esperança média de vida implicará uma trajetória decrescente do fator de sustentabilidade, conduzindo, ano após ano, a uma redução do valor da pensão dos novos pensionistas, facto que não pode ser ignorado, em especial quando as projeções indicam que em 2020 a redução (só por esta via) seja de cerca de 10%, de 18,3% em 2040 e de 24,5% em 2060.
Os encargos com pensões assumiram um peso crescente na riqueza criada pelo país, com um ritmo de crescimento superior ao das contribuições. É necessário, portanto, repensar o Sistema e promover um debate no sentido de procurar caminhos alternativos que garantam a existência de Sistemas de Pensões adequados, seguros e sustentáveis, para que as pensões de “Amanhã” não sejam uma ilusão.
Uma opção natural, que poderá dizer respeito à acumulação de poupança para a reforma, são os Fundos de Pensões, por se constituírem como instrumentos de poupança especialmente vocacionados para a reforma, que beneficiam de uma gestão profissional e estão sujeitos a regulamentação e supervisão exigentes.
Em matéria de Pensões, é importante passar do momento atual, em que se mistura incredulidade, pânico e desalento, e entrar numa nova fase de ação positiva e começar o mais cedo possível a trilhar o caminho da preparação da reforma. Está em causa o futuro de cada um!

Marisa Leite

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]