sábado, 28 de dezembro de 2013

O percurso das taxas de câmbio reais, do crescimento e do protecionismo comercial desde a crise financeira – o porquê de manter a economia aberta

A crise económica global, acentuada a partir de 2008, e a consequente fragilidade da economia desde então, tem alimentado rumores de que os governos podem recorrer ao protecionismo comercial com vista a sustentar as respectivas economias e a proteger as mesmas da concorrência estrangeira. 
Este receio de um aumento do protecionismo tem os seus fundamentos, dada a esmagadora evidencia empírica do período pré-crise, que segundo alguns teóricos da área, demonstra que os governos tinham mais propensão a erguer barreiras comerciais, sempre que a economia experimentasse recessões/perdas de competitividade.
Apesar desta relação contra-cíclica (historicamente documentada) entre o crescimento, a competitividade, o protecionismo comercial e o abrandamento da economia global (incluindo a recente desaceleração do comércio mundial) os dados existentes sugerem que os governos do G20, até agora e maioritariamente, resistiram à tentação de avançar para políticas comerciais mais protecionistas. Isto levanta a questão se a relação contra-cíclica pré-crise se mantem depois do surgimento desta.
Por um lado, há a possibilidade de esta relação ter sido interrompida (não só) como um resultado da fragmentação progressiva entre as cadeias de abastecimento de todos os países que vão, a pouco e pouco, reduzindo os seus incentivos para fechar os mercados domésticos aos produtores estrangeiros. Se assim for, os receios de um aumento do proteccionismo nasceram sem fundamentos e todos os esforços para conter as politicas comerciais restritivas devem ser direccionadas para outras questões políticas.
Por outro lado, se esta relação se mantiver, a resposta protecionista tem sido reduzida por factores  desconhecidos e de cariz pontual, e o proteccionismo pode aparecer a qualquer momento. Se assim for, a coordenação internacional no âmbito do G20 ou da Organização Mundial do Comércio deve entrar em acção para impedir o uso de politicas protecionistas.
Relacionando o número de políticas protecionistas implementadas pelos países do G20 para o crescimento do PIB real é possível identificar, genericamente que: na queda de um ponto percentual no PIB resultou do aumento do número de medidas comerciais de cariz restritivo; a apreciação real da moeda nacional em 1%, é, tipicamente, seguida de um aumento das mesmas medidas; e um fraco crescimento de um parceiro comercial não induziu, em nada, economias do G20 para adicionar mais barreiras ao comércio.
Estes resultados sugerem que a relação entre crecimento, competitividade e proteccionismo antes da crise se mantém, mesmo após esta e que não acarreta grande importância na determinação das políticas comerciais recentes. 
Assim, é claro que, quanto mais tempo demorar para que a economia global se recupere,  mais difícil será acreditar que as politicas comerciais permanecerão (relativamente) não discriminantes. Os governos do G20 terão de suportar a procura pelo proteccionismo comercial, e com o passar do tempo esta tentação terá tendência a agravar-se se as respectivas economias não ganharem qualquer impulso de crescimento. Como tal, todos os esforços para evitar a “peer pressure” no âmbito do G20 devem ser monitorizadas bem de perto pela Organização Mundial do Comércio, por exemplo.

Rita Andrade 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Carga Fiscal em Portugal

O ano 2013 tem sido bastante “pesado”, e um dos anos mais difíceis em termos fiscais de que há memória.
Segundo dados do INE, a carga fiscal em 2012 registou um decréscimo relativamente a 2011 de 0,9 p.p. As receitas de carga fiscal arrecadadas pelo Estado verificaram uma queda em 2009, ano de forte crise económica, facto que poderá ter a ver com o aumento do desemprego, que faz com que se reduzam as contribuições para a segurança social, e também de forma indireta vai reduzir as receitas de impostos de consumo, nomeadamente o IVA, pois evidentemente esta crise leva a que as famílias tenham uma menor disponibilidade financeira para consumir. Pelo contrário, em 2011 registou-se a maior percentagem de carga fiscal refletida no PIB. Com os impostos cada vez mais altos, o consumo diminui o que conduzirá a uma retração da procura com efeitos negativos na nossa economia.
A carga fiscal portuguesa tem-se demonstrado inferior à da média da UE ao longo do tempo, o que parece razoável, uma vez que Portugal é dos países com níveis salariais mais baixos. No entanto, segundo dados do Eurostat, Portugal apresentou a maior subida de carga fiscal da União Europeia. Este facto é consequência da mentalidade dos nossos políticos, que vêm o aumento da carga fiscal como a forma mais eficaz de aumentar as receitas do Estado, esquecendo-se que esta não é uma relação direta mas sim uma relação causa-efeito – a subida dos impostos reflete-se na contração do consumo, do emprego (empresas tornam-se mais rígidas ao aumento do número de trabalhadores para não incorrerem em custos mais altos), e da poupança. Assim, as receitas efetivas não correspondem às receitas estimadas. 
Este assunto conduz-nos ainda para uma discussão clássica: qual dos impostos é o mais justo? Impostos sobre o rendimento ou impostos sobre o consumo? Embora pareça consensual que os impostos sobre o rendimento sejam mais justos, por serem os únicos que permitem distinguir a capacidade contributiva dos cidadãos, em Portugal, ao longo das últimas décadas, tem-se verificado um maior peso dos impostos indiretos, o que não é de estranhar uma vez que estes criam uma menor resistência psicológica por parte dos contribuintes e são menos propensos à fraude e à evasão fiscal. Contudo, esta situação poderá estar a sobrecarregar maioritariamente as famílias de baixo rendimentos, principalmente as numerosas (estas tem obrigatoriamente um maior consumo), podendo mesmo estar a condicionar o acesso aos bens essenciais.  
Daqui emerge que a tão desejada redução da dívida pública através do aumento desumano de impostos não está a resultar. Perante este contexto, sendo a mudança extremamente necessária, e como já vem sendo hábito, espera-se mais austeridade, através do aumento de impostos, o que torna as previsões ainda mais pessimistas.

Marisa Oliveira Couto 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

A evolução do sector agrícola em Portugal

O sector agrícola em Portugal tem vindo a ser alvo de grandes transformações nas últimas décadas. Este sector foi durante muitos anos uma forma de sobrevivência do meio rural. 
Desde que entrámos na Comunidade Economia e Europeia (CEE), a atual União Europeia, em 1986, o número de agricultores e explorações agrícolas caiu para menos de metade. O sector primário em si, onde se inclui não só a agricultura mas também as pescas e silvicultura, perdeu, desde então, relevo na economia portuguesa e, consequentemente, registou-se uma aumento da importação de produtos alimentares. 
Nestes últimos anos a agricultura nacional modernizou-se, ou seja, mecanizou-se, tornando-se mais empresarial, menos familiar e de subsistência. Contudo, não evitou a perda de relevo na economia. O estudo “25 anos de Portugal Europeu”, da Fundação Francisco Manuel dos Santos, conclui que o valor acrescentado bruto do sector primário em 1986 era de 10% do total do país e em 2008 este representava apenas 2% do total do país. 
Entre 1986-2010, foram gastos 21 mil milhões de euros em equipamento, nomeadamente, máquinas e estruturas de rega, dos quais 11 mil milhões foram provenientes dos fundos comunitários. Todavia, este investimento não conseguiu evitar o atraso na produtividade e na rendibilidade face ao padrão europeu. Na agricultura em Portugal, subsistem ainda alguns problemas estruturais como, por exemplo, o baixo investimento ao nível da instrução, a idade avançada dos agricultores no nosso país e as dificuldades de integração na União Europeia, em resultado da abertura ao mercado único e da propagação de empresas de grande distribuição, abastecidas à escala mundial.  
O presidente da Confederação Nacional de Agricultura é da opinião que a “PAC (Politica Agrícola Comum) e as matrizes nacionais arruinaram a agricultura que era praticada ao nível das famílias, sendo que 95% do financiamento comunitário foi entregue a uma percentagem muito pequena dos agricultores, cerca de 5%”. Concluindo assim que os fundos foram mal distribuídos e utilizados com critérios errados. 
Observando as relações com o exterior neste sector, constata-se que a cobertura das exportações pelas importações é relativamente baixa, resultado do facto da produção agrícola em Portugal ser maioritariamente direcionada para o mercado interno. O sector da pesca marítima é responsável por cerca de 31,4% do total das exportações primárias. 
Dentro do subsector da agricultura, Portugal produz cerca de 70% das suas necessidades de consumo. Ao nível da balança comercial, destacam-se produtos como o vinho e o azeite, que são os únicos que apresentam um saldo positivo.  
Segundo dados do INE, em 2011 o sector primário representava cerca de 7,5 mil milhões e cerca de 12,3% dos postos de trabalho.
Perspetivando o futuro, o orçamento para 2014 prevê uma diminuição de despesas do Ministério da Agricultura e do Mar em cerca de 2,6%, que representa uma diminuição de cerca de 33,8 milhões de euros face a 2013. Este ano coincide com a entrada em vigor do Programa para o Desenvolvimento Rural 2014-2020, que garante para Portugal um “envelope de 500 milhões de euros para o Desenvolvimento Rural isento de cofinanciamento nacional". Este programa visa melhorar a eficiência na utilização de recursos, aumentar a produção e a produtividade dos fatores primários e diminuir o défice agroalimentar, para além da valorização do espaço rural. Tomando como exemplo a má redistribuição dos fundos recebidos para este sector anteriormente, esperemos que façam uma melhor redistribuição dos mesmos e que, efetivamente, melhore a situação da agricultura em Portugal.

Ana Isabel Costa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Os contratos ´swap`: consequências e responsabilidades

Os contratos swap são instrumentos financeiros totalmente válidos e extremamente úteis, desde que utilizados com a ponderação adequada. São contratos que têm como objetivo proteger os financiamentos da variação da taxa de juro, pois permitem substituir uma taxa variável por uma fixa (e vice-versa). Teoricamente, num cenário de subida de taxas, os swaps protegem o cliente, compensando-o do aumento do nível dos juros. Mas num cenário de descida das taxas de juro, o contrato protege a instituição financeira, pois é o cliente que paga a diferença entre a taxa fixada e a taxa real. Primeiramente, um dos problemas que se colocam são os desequilíbrios entre os reduzidos ganhos em caso de subida das taxas e as perdas elevadíssimas em que as empresas incorrem quando se dá uma descida. Mas isto não pareceu demover os gestores de algumas empresas públicas em Portugal.  
Em meados de 2012 constata-se que os custos financeiros de algumas empresas públicas, como a CP, Metro de Lisboa, Carris, Metro do Porto e STCP, não batem certo com a descida das taxas de juro de referência. É iniciada uma investigação pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, ajudada mais tarde pela Inspecção-Geral das Finanças. A descoberta é assustadora: em Abril de 2013, o buraco já se contabilizava em cerca de 3000 milhões de euros. “O conselho de ministros determinou a demissão de gestores públicos, a cessação da designação em regime de substituição de vogal de instituto público ou ainda o afastamento dos cargos de direcção ou de responsabilidade na área financeira", como se pode ver no comunicado enviado pelo Governo. Mas afinal a quem cabem as responsabilidades? Ao Governo, aos gestores públicos, ao Banco de Portugal, como regulador do sector bancário, ou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários? 
O Governo da altura alega que as empresas públicas tinham autonomia total para fazerem o que quisessem na gestão de risco financeiro. Um gestor de uma empresa pública endividada podia assinar à vontade com a banca a troco de financiamento. Estava tudo dentro da lei.
Os gestores das empresas públicas que contrataram swaps altamente especulativos afirmam que a gestão desses contratos era feita de forma controlada e o problema foi que, de repente, o país e as empresas perderam a sua capacidade de financiamento. Não importa que estivessem a brincar com o fogo e a assinar contratos que não dominavam. O importante é que estava "tudo sob controlo".
O banco de Portugal rejeita qualquer responsabilidade de supervisão bancária dos contratos swap, afirmando que estes são considerados instrumentos financeiros regulados explicitamente pelo Código de Valores Mobiliários, pois as instituições actuam como intermediárias financeiras.
Carlos Tavares, presidente da CMVM, afirma que, “estando em causa investidores qualificados, derivados transaccionados em balcão e não tendo a CMVM competências legais para intervir na concepção do produto, nenhuma destas características permitiria a intervenção da CMVM”.
O Governo, por seu lado, decidiu cancelar os contratos problemáticos existentes, tendo pago 1008 milhões de euros aos bancos para anular 69 contratos com nove bancos, com perdas potenciais de cerca 1500 milhões de euros. Segundo a Unidade Técnica de Apoio Orçamental, estes cancelamentos permitiram poupar 367 milhões no défice até 2030. De acordo com as estimativas, em 2015 "espera-se que os juros líquidos de swap dos contratos cancelados venham a contribuir, isoladamente, para agravar o saldo das administrações públicas em 0,045% do PIB desse ano", mas "caso não tivesse ocorrido o cancelamento o impacto seria superior, em 0,02% do PIB", ou seja, cerca de 35 milhões de euros.
Para os contribuintes portuguese, swap é apenas um fantasma de quem todos parecem descartar responsabilidades, contrários à proteção do interesse público e que agravaram ainda mais a situação económica e financeira do país.

Ana Soraia Sousa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

O futuro em causa: emigração a disparar

Num mundo global e numa Europa sem fronteiras, devíamos dar mais importância às estatísticas sobre o futuro dos portugueses e repensar as forças de atratividade do país, ora vejamos: em 2012, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), Portugal registou 52 mil emigrantes permanentes e mais de 69 mil emigrantes temporários (pessoas com intenção de permanecer no estrangeiro por um período inferior a um ano). Quer isto dizer que, num só ano, abandonaram o país mais de 121 mil portugueses, sendo um indicador preocupante para a economia.
A tendência decrescente dos fluxos migratórios como a de Portugal, em que a imigração está a diminuir e a emigração aumentar, é justificada pela crise económica e consequente redução do número de ofertas de trabalho na União Europeia. E, neste seguimento, em 2012, a população portuguesa voltou a diminuir, registando menos de 90 mil nascimentos, ao passo que tenha tido um total de 121 mil emigrantes temporários e permanentes.
Com 52 mil emigrantes permanentes e 14 mil imigrantes permanentes, registados pelo INE em 2012, podemos verificar uma saída em grande escala de Portugal aliada a uma ideia de estagnação económica e de fraca atração.
A motivação económica para a emigração, que remonta à década de 60, faz hoje outra vez sentido: a procura de melhores salários e de melhores condições de vida tem levado os portugueses a saírem do seu país à procura de novos destinos já desde a época dos descobrimentos, e atualmente para diferentes países, mas em número de emigrantes próximo (rondando os 170 mil emigrantes).
Nestes últimos anos, tem-se verificado a abertura para novos mercados de emigração, como Angola e Brasil, continuando a ter como destinos tradicionais a França, a Alemanha, o Luxemburgo ou a Suíça.
Por fim, é importante, salientar que a emigração tem consequências graves para Portugal, nomeadamente ao nível demográfico, contribuindo para o envelhecimento da população portuguesa e fuga de população com qualificações em idade de trabalhar.

Patrícia da Conceição Oliveira Gomes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Impostos e taxas com relevância ambiental

A crise económica e financeira mundial afetou gravemente a economia Portuguesa. Desta forma, a consolidação orçamental é uma das prioridades atuais, tendo por objetivo resolver o forte défice orçamental.
No contexto ambiental, o principal desafio a curto prazo para Portugal será aumentar a relação custo-eficácia das políticas ambientais, para fazer mais com menos. A longo prazo, Portugal deverá integrar o ambiente nas reformas estruturais que estão em curso, por forma a aumentar a produtividade e a competitividade. 
Existem oportunidades e sectores como as energias renováveis para que se possa avançar no sentido de um crescimento mais verde, em que as políticas económicas e ambientais se reforcem mutuamente.
Nos modelos tradicionais de crescimento económico predominam preocupações de crescimento, deixando para segundo plano os efeitos sociais e ambientais gerados por esse. É então urgente inverter a situação e procurar prosseguir um crescimento sustentável. A contínua degradação dos ecossistemas exige a utilização de instrumentos económicas, nomeadamente o recurso a impostos ambientais. Estes podem ajudar no sentido do redireccionamento do desenvolvimento, não apenas enquanto meio para proteção do ambiente mas também para uma nova reforma fiscal.
Segundo o instituto nacional de estatística, o valor dos impostos com relevância ambiental recolhidos em 2012 totalizou 5,03 mil milhões de euros, sendo este o valor mais baixo para o período compreendido entre 2006 e 2012, ao longo do qual houve uma redução de receita fiscal com estes impostos em mais de mil milhões de euros. Esta diminuição deve-se sobretudo à diminuição das receitas com impostos sobre a energia e impostos sobre os transportes.
Avaliando a receita fiscal por tipo de contribuinte, destacam-se as famílias como o segmento que mais contribui para a receita dos impostos com relevância ambiental, contribuindo com quase a totalidade da receita de imposto sobre a poluição e tendo ainda um peso importante na receita de impostos sobre o transporte. No entanto, quem mais contribui para os impostos sobre a energia são as empresas, nomeadamente, os ramos associados aos transportes. 
Fazendo uma comparação com a União Europeia, em 2011 o peso dos impostos com relevância ambiental em Portugal foi superior ao da média da União Europeia, com um valor de 7.1%, enquanto que a média da União Europeia se estabeleceu em 6.2%. Estes números  colocam Portugal na 14º posição entre os países da União Europeia em que os impostos com relevância ambiental têm mais peso no respetivo sistema fiscal, depois da 11º posição ocupada em 2010. Relativamente ao indicador peso dos impostos com relevância ambiental no PIB, Portugal apresenta um valor idêntico à média da União Europeia, sendo esse valor de 6.4%.
No que se refere às taxas com relevância ambiental, em 2011 atingiram os 722 milhões de euros, que representam 0.4% do PIB, registando um aumento de 4% face a 2010, explicado sobretudo pelo aumento da cobrança das taxas de recolha e tratamento de resíduos sólidos efetuado pelos municípios.
As empresas ambientais e o emprego relacionado têm aumentado nos últimos anos, especialmente nos sectores renováveis, resíduos e recursos hídricos. Os clusters da energia eólica e solar são bons exemplos de desenvolvimento ecológico integrando a geração de energia proveniente de fontes renováveis com a produção de tecnologia e equipamentos necessários, e com a criação de emprego. No entanto, a balança comercial em tecnologias ambientais e energias renováveis continua negativa. A parte da despesa pública destinada a investigação e desenvolvimento continua muito baixa. A mão-de-obra no sector de bens e serviços ambientais é ainda composta maioritariamente por trabalhadores pouco qualificados. Portugal precisa de continuar a promover a eco-inovação e melhorar as suas capacidades de mão-de-obra com vista a aumentar a produtividade, competitividade internacional e as perspetivas de crescimento da sua economia.
Uma reforma fiscal poderia ajudar o pais a cumprir os compromisso com a troika, onde a utilização do potencial das taxas relativas ao ambiente não representaria apenas um alivio fiscal, como ajudaria a proteger o ambiente e controlar o uso de recursos humanos, tornando a economia Portuguesa mais competitiva.

Daniela Filipa Costeira Barbosa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Como são as famílias em Portugal?

Trata-se de uma análise simples da situação das famílias em Portugal, segundo os resultados dos Censos 2011, comparativamente com censos anteriores.

Há mais famílias clássicas mas com dimensão média decrescente
O número de famílias clássicas, residentes em Portugal, aumentou cerca de 11% nos últimos dez anos, passando de 3 650 757 em 2001, para 4 043 726 em 2011.
As alterações sócio-demográficas sentidas ao longo das últimas décadas têm-se refletido em transformações também nas estruturas e composições familiares.
A dimensão média das famílias entre 1970 e 2011, diminuiu aproximadamente uma pessoa, por família clássica.

Há mais pessoas a viver sós e menos famílias numerosas
Em 2011, as famílias clássicas constituídas por uma só pessoa representavam 21,4% do total de famílias, correspondendo a um aumento de cerca de 4 (p.p.) relativamente a 2001. Relativamente à proporção de famílias clássicas com 5 ou mais pessoas, diminuiu de 9,5% do total de famílias clássicas, em 2001, para 6,5%, em 2011.

Aumenta o risco de pobreza, quando em condição de desemprego
A população que vivia em agregados familiares enfrentava um risco de pobreza de 18,0% em 2010, o que traduz uma melhoria relativa face a 2003, com 20,4%, e sobretudo face a 1994, com 23%.
Todavia, em condição de desemprego, o risco de pobreza aumentava para valores da ordem dos 36%, bastante maior do que o risco de pobreza para a generalidade da população, que vivia em agregados familiares (cerca de 18%).

As pessoas que vivem sós, são sobretudo idosas/os e mulheres
Em 2011, as famílias unipessoais de pessoas com 65 ou mais anos correspondiam a 10,1% do total de famílias clássicas e representavam a maior parcela de famílias unipessoais (46,9%), traduzindo-se num aumento de 26,8% relativamente a 2001.

Aumentou o número de famílias monoparentais
Verificou-se um aumento dos núcleos familiares monoparentais, de 11,6% do total de núcleos familiares, em 2001, para 14,9%, em 2011.
As famílias constituídas por casal com filhos continuam a representar metade dos núcleos familiares, embora as relações conjugais de facto, com filhos, tenham aumentado.
Os núcleos familiares constituídos por um casal (de direito ou de facto) com pelo menos um filho representavam metade (50 %) dos núcleos familiares em 2011. Observa-se, contudo, um decréscimo de 7 p.p. face a 2001, altura em que representavam 57,2% do total de núcleos familiares.
A proporção de casais com um filho, aumentou de 53,5% em 2001 para 58,4% em 2011.
Paralelamente, a proporção de casais com mais do que um filho foi menor em 2011 do que em 2001, independentemente do número de filhos.
As relações conjugais de facto ganharam expressão em Portugal entre 2001 e 2011. Em 2001, os núcleos conjugais de facto representavam 6,1% do total de núcleos conjugais (185 917 núcleos), e em 2011 esta proporção subiu para 11,3% (363 891 núcleos).

Os núcleos familiares reconstituídos aumentaram em 2011
Entre 2001 e 2011, a proporção de núcleos familiares reconstituídos face ao total de núcleos familiares de casais com filhos mais do que duplicou, passando de 2,7% (46 786) para 6,6% (105 763).
Por outro lado, a análise dos segmentos respeitantes a núcleos de direito e de facto, no total de núcleos familiares reconstituídos, traz para primeiro plano a crescente realidade da conjugalidade de facto. Verifica-se que mais de metade dos núcleos reconstituídos em 2011 correspondia a casais de facto, com pelo menos um filho não comum (59,2%).

O risco e a intensidade da pobreza são mais gravosos para as famílias com crianças dependentes
De um modo geral, entre 2003 e 2010, as pessoas a viver em agregados com crianças dependentes registaram taxas de risco de pobreza superiores à média da população, acentuando-se esta discrepância a partir de 2007.

Pessoas pobres sem capacidade para ter uma refeição de carne, peixe pelo menos de 2 em 2 dias
A leitura das dificuldades, em 2011, evidencia que 3,1% das pessoas em agregados familiares referiu não ter capacidade para ter uma refeição de carne, peixe (ou equivalente vegetariano) pelo menos de 2 em 2 dias.
Já nas famílias em risco de pobreza, a proporção de pessoas sem capacidade para ter uma refeição de carne, peixe ou equivalente vegetariano, pelo menos de 2 em 2 dias, sobe para 8,4%.
Relativamente às condições de habitabilidade dos domicílios, 26,8% referiu não ter capacidade para ter a casa adequadamente aquecida.

A situação financeira da família de origem, influencia o risco de pobreza na atualidade
Do conjunto de pessoas com 25 a 59 anos, que se encontravam em risco de pobreza em 2010, 42,0% referiram ter vivido enquanto adolescentes em famílias cuja situação financeira consideraram ser má ou muito má, sendo que, para a população em geral, com a mesma idade, aquela proporção era de 27,2%.

Joana Pogeira da Costa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]