terça-feira, 7 de outubro de 2014

“Portugal, um país de ‘velhos’ ”

Em vários países europeus tem-se vindo a constatar que o número de pessoas idosas cresce em ritmo maior que a natalidade. Se há quarenta anos Portugal apresentava a maior taxa de natalidade da Europa, no último ano, 2013, registou a mais baixa, cerca de 7,9 crianças por mil habitantes, num total de 89 841 nascimentos, sendo o país onde mais desceu a natalidade na Europa. Nesse mesmo ano, Portugal ocupava o sexto lugar na lista dos países mais envelhecidos do mundo, segundo estudo apresentado em conferência do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. 
Na última década, dos 308 municípios portugueses, 302 verificaram uma descida no número de jovens com idades entre os 15 e os 19 anos, num total de quinhentos mil. De um modo geral, na Europa, entre 1990 e 2011, todos os países nórdicos começaram a subir no índice de fecundidade, enquanto o padrão se manteve sempre baixo nos países do Sul, ao ponto de, atualmente, o valor mínimo de fecundidade nos países nórdicos ser o valor máximo de fecundidade nos do Sul.
O envelhecimento da população portuguesa deve-se essencialmente ao aumento da esperança média de vida, à redução da taxa de mortalidade e ao contínuo decréscimo da taxa de natalidade. Segundo o relatório anual do Conselho da Europa, Portugal terá menos um milhão de habitantes em 2050, esperando-se que a população idosa represente 32% da população total, enquanto a população jovem equivala a 13%. 
As consequências que derivam do envelhecimento demográfico constituem importantes desafios e oportunidades para a sociedade. Por exemplo, em termos sociais, este fenómeno permite a coabitação de diversas gerações, onde o idoso representa uma fonte de experiência e conhecimento. Em termos económicos, relativamente ao sistema de segurança social, se existem cada vez mais idosos que vivem cada vez mais anos, maior será a necessidade de recursos para sustentar o aumento desta facha etária. Em termos de mercados, uma sociedade envelhecida tem necessidade de novos produtos e serviços, originando novas profissões associadas ao desenvolvimento de mercados emergentes.
O Sistema Nacional de Segurança Social português enfrenta o importante e custoso desafio da sua sustentabilidade, pois o aumento da despesa com pensões devido ao crescente número de pensionistas e o período mais alargado que estes beneficiam das suas pensões contrasta com a diminuição da população ativa e, consequentemente, com a redução do valor das contribuições, ou seja, as receitas. Para contrariar este desequilíbrio, o Governo e os Parceiros Sociais acordaram, em 10 de Outubro de 2006, um pacote de medidas que visam fortalecer o sistema e a sua sustentabilidade. Este acordo baseava-se na proteção básica da cidadania, de natureza solidária, na estruturação de um regime de natureza contributiva, com contribuições de trabalhadores e empregadores e na necessidade de constituição de poupanças complementares. 
 Com isto, e, à semelhança de outros países desenvolvidos na Europa e no Mundo, Portugal tem sentido uma alteração na sua estrutura etária e dimensão populacional. O envelhecimento da população apresenta um conjunto de desafios como a sustentabilidade do sistema da segurança social, o crescimento económico e a produtividade. Mas também concebe novas oportunidades, como novos mercados económicos, novas profissões e maior tolerância social. Fica-se então consciente que uma das principais consequências económicas deste fenómeno diz respeito à pressão sobre a despesa pública com as pensões. 

Andreia Soraia Fernandes Soares 

Referências
Público
Instituto Nacional de Estatística
Diário de Notícias 
Outros
http://www.cnel.gov.pt/document/Acordo_Reforma_Seguranca_Social_Out2006.pdf

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

Inovação tecnológica: é ela um fator primordial?

No paradigma vigente, cada vez mais atuamos numa economia intensiva em tecnologia e em mudança permanente. A inovação tecnológica designa, grosso modo, a conceção e desenvolvimento de novos produtos e serviços ou de novos processos de produção, bem como a agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique melhorias incrementais. 
Partindo da análise do impacto da inovação tecnológica ao nível empresarial, é primordial evidenciar que quanto mais inovadoras forem as empresas maior a possibilidade de estas virem a obter vantagem competitiva perante as concorrentes, dado que a inovação tecnológica é atualmente substancial na dinamização das empresas e nas suas estratégias de diferenciação. Através de modificações nos produtos, de novas abordagens ao nível da comercialização e novas formas de distribuição, as empresas podem assim alcançar um determinado grau de diferenciação face às suas concorrentes e obter um melhor desempenho.
De entre o leque diversificado de vantagens que a inovação tecnológica proporciona às empresas, a mais relevante incide ao nível da produção. A tecnologia permite aumentar o volume de produção, resultando num produto mais barato e de melhor qualidade. 
Tendo em referência o exposto anteriormente e na sua aceção lata, a inovação tecnológica é, indubitavelmente, a principal fonte e, simultaneamente, tem inquestionáveis  efeitos a nível de difusão do crescimento e desenvolvimento social e económico de um país. O economista Joseph A. Schumpeter foi um dos primeiros defensores da vinculação entre a capacidade de inovar de um país e o seu nível de desenvolvimento e crescimento económico.
Apesar de todos estes benefícios que a inovação tecnológica faculta, quer em termos gerais ao país, quer em termos particulares às empresas, é primordial referir que a ela estão também associados inconvenientes, nomeadamente a poluição e o desemprego tecnológico. Este tipo de desemprego resulta da desvalorização e substituição da mão-de-obra humana por máquinas, podendo posteriormente converter-se em desemprego de longa duração, gerando avultadas despesas para o estado, nomeadamente ao nível dos subsídios de desemprego.
A inovação, no entanto, não é algo que surge de forma espontânea. Tratando-se o investimento em I&D (Investigação e Desenvolvimento) de uma componente essencial da inovação, a aposta neste campo deve ser considerada uma prioridade estratégica.
Analisando a performance de Portugal nesta temática, e tendo em conta dados estatísticos obtidos no PORDATA assentes na rubrica das despesas em atividades de I&D, é possível constatar que, apesar dos maus resultados que Portugal apresenta atualmente, com um valor de apenas 1,7% do PIB, é essencial evidenciar que desde 1982 Portugal veio a apresentar uma tendência de crescimento neste campo, passando de 0.1% do PIB em 1982 para 1.7% do PIB, tal como referido anteriormente. Todavia, os baixos índices de investimento em investigação e desenvolvimento que se têm arrastado ao longo dos anos, e que ainda persistem, terá limitado a inovação e impedido o acesso a tecnologias mais produtivas.
Face ao exposto, é possível constatar que a inovação tecnológica permite aos países desenvolverem-se economicamente, tornando-se mais competitivos, não só no mercado interno mas também no mercado externo. A riqueza de uma economia assenta na sua capacidade de inovar. A inovação tecnológica é indubitavelmente a chave para o crescimento a longo prazo no contexto competitivo atual.

Windy Martins Noro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

Educação: custo ou investimento?

Já dizia Derek Bok, Ex-Presidente da Universidade de Harvard (1971-1991), “If you think education is expensive, try ignorance”. Portugal tem vindo a aprender a lição, mas da maneira mais difícil. 
Existe uma forte relação entre educação e desenvolvimento desde sempre. Para haver desenvolvimento económico, tem de existir investimento em educação e formação da população. Uma população com mais conhecimento traduz-se numa população que trabalha melhor, mais curiosa, mais inovadora e mais produtiva; traduz-se em empresas mais bem geridas e num país economicamente mais estável.
Em 1999, a despesa de Portugal em ensino era de 8.352 mihões de Euros. Em 2011, este valor passou para apenas 10.950,35 milhões de Euros. Quando comparado com outros países da União Europeia, é claro o desinteresse por parte do Estado português em investir na formação do nosso capital humano. Em 2004, o orçamento de estado para a educação sofreu um corte de 4,2% em relação a 2003. Em 2008, 2011 e 2012, verificam-se mais reduções na despesa relativa a educação, reduções estas que se têm acentuado cada vez mais.
 As medidas tomadas para reduzir a despesa nesta área passaram pela criação de agrupamentos escolares, que levou a diminuição de necessidade de contratação e ao despedimento de professores. As consequências são óbvias: o desempenho dos professores tornou-se mais fraco e a qualidade do ensino tem vindo a degradar-se cada vez mais: a eliminação de disciplinas e o aumento de alunos por turmas levam a um desinteresse crescente por parte dos jovens, que se reflete no seu desempenho e que se traduz muitas vezes em reprovações (que têm um custo alto para o estado). 
No que diz respeito ao ensino superior, as propinas têm vindo a aumentar e as bolsas a reduzir-se, o que provoca  uma taxa de abandono escolar cada vez mais alta, principalmente devido a incapacidade financeira. 
Em 2013, a percentagem de pessoas com o nível de ensino secundário ou mais foi de 40%. Na União Europeia (28 países) este valor foi de 75,2%. Mas, afinal, o que é que isto diz sobre o nosso país? O facto da qualidade da nossa mão-de-obra ser radicalmente inferior ao resto da União Europeia coloca-nos automaticamente num patamar mais baixo, tornando-nos dependentes de todos esses países, pois são eles quem tem mais capacidade de inovar, criar novos produtos e empresas… Já não basta sermos um país pequeno com limitações fisícas. Teremos nós também de nos limitar à ignorância? 
O Estado português tem de começar a olhar para a Educação não como um custo mas sim como um investimento. Se Portugal quer, um dia, tornar-se numa economia sustentável, isso terá de passar pela qualificação e formação do capital humano. 

Margarida de Barros Martins

Fontes/Entidades
Eurostat / UNESCO-UIS / OCDE / Entidades Nacionais, PORDATA

Referências:
O INVESTIMENTO EM EDUCAÇÃO EM PORTUGAL: RETORNOS E HETEROGENEIDADE http://www.esec.pt/cdi/ebooks/docs/Alves_Investimento.pdf

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

Capital humano no contexto português

Uma máquina pode fazer o trabalho de 50 pessoas vulgares. Nenhuma máquina conseguirá alguma vez fazer o trabalho de uma pessoa extraordinária (Elbert Hubbard)

Por volta de metade do século passado, os economistas Theodore Schultz, Gary Becker e Kenneth Arrow desenvolveram o conceito de capital humano, revelando-se este um conceito vago e de definição complexa. Todavia, atualmente, pode ser definido como o conjunto de características imersas no indivíduo, tais como conhecimentos e experiências, que tornam o recurso humano produtivo. 
O capital humano adquire uma elevada importância nas organizações, constituindo um fator capaz de proporcionar vantagens competitivas duradouras e de ser um combustível para ajudar a empresa a obter transformações positivas. Em virtude de todos os benefícios que é capaz de proporcionar, a literatura económica considera-o como um motor para o crescimento económico.
Becker (1962), um dos autores da teoria do capital humano, considera e enaltece a existência de várias fontes de investimento no capital humano, sendo a escolaridade a principal em que o capital humano se materializa, pois da sua eficiência dependerá toda a formação futura, além de constituir um patamar mínimo necessário à vida contemporânea.
Nos últimos anos, a temática do Capital Humano tem vindo a adquirir progressiva visibilidade em Portugal, tendo os níveis de escolaridade da população apresentado uma tendência de crescimento. 
Mas os factos continuam pouco animadores. De acordo com estatísticas oficiais, uma parte da nossa força de trabalho (9.5%) não possui qualquer nível de escolaridade, cerca de 24.6% possuem apenas o primeiro ciclo, aproximadamente 11.9% possuem menos de seis anos de escolaridade, apenas cerca de 18.5% concluem o ensino secundário e apenas uma pequena parte (cerca de 15%) possui uma qualificação de nível superior. 
Para além disto, a dimensão que ainda hoje assume o fenómeno do abandono escolar precoce constitui, para Portugal, um sério obstáculo à formação de uma mão-de-obra mais qualificada e, simultaneamente, restringe as possibilidades de criação de capital humano adicional a médio e longo prazo. 
Na última década, as despesas em educação efetuadas pelo estado têm vindo a perder visibilidade. No ano de 2001 representavam um valor de 5% da execução do PIB, passando para 4,1% em 2008. Contudo, com a crescente importância que as qualificações profissionais têm vindo a adquirir, desde 2008 a tendência inverteu-se, levando assim o estado a aumentar a sua despesa em educação, pois o investimento em capital humano pode ser visto como forma de promover uma reafectação de recursos para atividades com maior conteúdo tecnológico e procura mais vigorosa, em especial num contexto em que o progresso técnico é particularmente exigente em trabalho bastante qualificado. Assim, de 2008 para 2011 verificou-se um aumento das despesas do Estado em educação, representando em 2011 um valor de 4.5% da execução do PIB.
Quando comparado com os países da Europa, Portugal constitui um dos países com mais baixa taxa de alfabetização, apresentando um valor de 95% no ano de 2010, enquanto a grande maioria dos países europeus (por exemplo, a Alemanha ou a França) apresenta uma taxa de alfabetização de 99 % nesse mesmo ano.
Face ao exposto, pode-se constatar o crescente envolvimento da sociedade e governo no investimento em capital humano, tendo esta temática sido objeto de intensos debates. Todavia, Portugal continua a apresentar um baixo nível educacional e uma fraca convergência com a UE nestas matérias. Os progressos alcançados nas últimas décadas são ainda insuficientes. 

Windy Martins Noro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

A supervisão bancária em Portugal

A supervisão bancária em Portugal (Banco de Portugal e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários - CMVM) não tem sido eficaz, como pudemos verificar recentemente com alguns bancos acusados de agir de forma irresponsável, tendo-se averiguado muitas situações de crédito mal parado, esquemas de incentivos corruptos e comportamentos imprudentes onde a auditoria não conseguiu exercer um controlo adequado, observando-se condutas imprudentes e sinais de má governação na conceção e implementação de um sistema regulador financeiro eficiente.
No sentido de contrariar esta tendência, a supervisão bancária em Portugal tem que ter um papel mais interventivo, idóneo e credível, pois só assim é possível evitar os problemas financeiros, como os casos do Banco Privado Português (BPP), do Banco Português de Negócios (BPN) e, mais recentemente, do Banco Espírito Santo (BES).
As crises financeiras dos casos BPP e BPN, que exibiram indícios de vários tipos de crime, como corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influências, levando ao fim do BPP em 2010 e à nacionalização do BPN em 2011, não foram suficientes para que as entidades reguladoras financeiras começassem a agir de um modo mais eficaz.
No caso do BES, as consequências não foram tão catastróficas já que não levaram à instabilidade geral do sistema financeiro, embora não tendo evitado as consequências que neste momento esta instituição bancária está a atravessar. 
Se analisarmos mais de perto o caso BES, verificamos esta ineficácia através dos enormes prejuízos que este vinha apresentando desde 2011. Bastava estar atento à sua “engenharia financeira”, que num curto espaço de tempo lançou obrigações perpétuas que, passado um ano, foram convertidas em ações, e, passados seis meses, houve um aumento de capital, terminando em junho deste ano com novo aumento de capital. Tudo isto são sinais de alerta que passaram ao lado da supervisão, e o mais grave é que foi esta que autorizou que tudo isto acontecesse. Como foi possível autorizarem um aumento de capital (27/05 a 09/06) com o prospeto publicitário “Participe no Futuro” e passados dois meses este banco deixar de existir, defraudando todos os acionistas que foram ao aumento de capital e que posteriormente compraram mais ações?
Foi com o desenrolar destes acontecimentos e do banco ter apresentado elevados prejuízos semestrais que, em agosto deste ano, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, anunciando a separação da instituição em duas entidades distintas: o banco mau, onde ficaram concentrados os ativos e passivos tóxicos do BES; e o banco bom (Novo Banco), onde ficaram os ativos e passivos considerados não problemáticos. Podemos assim dizer que no caso do BES a supervisão bancária, embora tardia, conseguiu atuar de modo a evitar o colapso do banco e efeitos de contágio.
O Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, disse que "O que poderia ter sido um incidente sistémico é agora um incidente restringido aos donos do banco", elogiando a atuação das autoridades portuguesas e da Comissão Europeia nesta crise do BES, considerando que evitaram uma possível crise sistémica, estancando efeitos de contágio no sistema financeiro português e nos mercados europeus.
Draghi disse ainda que "O BCE disponibilizou à entidade supervisora [Banco de Portugal] melhores padrões (…) formulando melhores critérios de análise e foi graças a esses melhores padrões que a autoridade de supervisão portuguesa pôde identificar os problemas no BES".  Podemos então concluir que é urgente aumentar a credibilidade do sistema financeiro português e estabilizar os níveis de confiança, pois só assim é possível ter um sistema financeiro funcional, idóneo e credível.
Esta mudança, tão urgente, espero que aconteça a partir de novembro deste ano, no âmbito do Mecanismo Único de Supervisão (MUS), onde o BCE, em cooperação com as autoridades nacionais competentes dos Estados-Membros da União Europeia participantes, vai assumir a supervisão direta dos principais bancos europeus, que em Portugal serão a Caixa Geral de Depósitos, o BPI, o BCP e o Novo Banco. Já os supervisores nacionais ficam com a competência da supervisão das instituições mais pequenas, mas sob o controlo do BCE.
De momento, o BCE está a avaliar o balanço dos cerca de 130 bancos que supervisionará diretamente e que representam 80% dos ativos da Zona Euro, e realizará também testes de stress. O presidente do BCE disse ainda, no dia 22 de Setembro, na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas, que poderá obrigar os principais bancos da Zona Euro a cortar nas remunerações dos administradores e nos dividendos e a usar os lucros para reforçarem a sua base de capital.
Sendo assim, temos aqui indicadores promissores, que vaticinam uma mudança no sistema de supervisão bancário e que esperamos que seja eficaz. 

Marta Sofia Lemos Marques Rodrigues

Referências:
Negócios
Banco Central Europeu
https://www.ecb.europa.eu/ssm/html/index.pt.html

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

As PME em Portugal: reflexões e desafios

As pequenas e médias empresas (PME) desempenham um papel económico e social muito importante. Este papel é extremamente apreciado em períodos de crise e de agravamento do desemprego, como o que atravessamos.
Em particular, o desenvolvimento das PME proporciona várias possibilidades de emprego, o que pode contribuir para reduzir a taxa de desemprego, contribuindo para o bem-estar das comunidades locais e regionais. Por outro lado, o desenvolvimento do sector das PME pode reforçar a concorrência e a produtividade, estimulando, por conseguinte, o crescimento do rendimento global e do rendimento per capita.
O tecido empresarial português é principalmente feito de pequenas empresas, responsáveis por grande parte do emprego da mão-de-obra nacional. Estas são as PME que, por gerarem quase dois terços do PIB, concentram grande parte das atenções.
De acordo com os dados fornecidos pelo INE, em 2011, existiam cerca 1,1 milhões de PME, o equivalente a 99,9% do conjunto de empresas em Portugal. No mesmo ano, 78,5% da mão-de-obra empregada trabalhava nas empresas de menor dimensão.
Apesar de 99,9% das empresas serem PME, estas eram responsáveis em 2011 por 58,8% do volume de negócios total gerado em Portugal. Ainda assim, uma percentagem elevada já que as PME são, por definição, pequenas empresas com menos de 250 trabalhadores e com um volume de negócios menor ou igual a 50 milhões de euros.
O forte peso das PME na economia nacional é acompanhado de uma significativa contribuição destas empresas para o PIB. Os dados do INE, para 2011, revelam que as PME foram responsáveis por 61,1% do valor acrescentado bruto. Ou seja, quase dois terços do que se produz em Portugal vem de empresas de pequena e média dimensão.
Todavia, as PME vêem-se muitas vezes confrontadas com deficiências do mercado, pois têm dificuldade na obtenção de financiamento, designadamente na fase de arranque, e os seus escassos recursos podem igualmente reduzir o acesso a novas tecnologias. As PME são efectivamente confrontadas com problemas que não são comuns às grandes empresas, nomeadamente o acesso a recursos financeiros e humanos.
Entre as principais vantagens, comparativamente às grandes empresas, as PME têm actividades diversificadas e estruturas de mercado flexíveis que favorecem respostas rápidas às mudanças no mercado e têm a capacidade de aproveitarem mais facilmente os diversos nichos de mercado. Estas características são importantes vantagens no contexto económico actual, marcado pela incerteza.
Concluindo, é um facto de que as PME são indispensáveis para o alcance do crescimento económico, a criação de empreso e a coesão económica e social. Além disso, para revitalizar a economia, Portugal necessita de mais pessoas dispostas a tornarem-se empreendedores. Assim, na minha opinião, é fundamental o apoio às pequenas e médias empresas, na promoção de um ambiente favorável. Sendo essencial tomar medidas para resolver as ineficiências do mercado que continuam a persistir e que constituem um obstáculo ao seu potencial de desenvolvimento, limitando o acesso das PME à inovação, às tecnologias de informação e ao financiamento.
                                                                                              
Rafaela Silva Ribeiro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Desemprego estrutural: a sugestão de Carlos Costa…

Na última década houve um aumento acentuado e contínuo da taxa de desemprego estrutural. Dados do Banco de Portugal apontam que o ano de 2013 terminou com uma taxa de desemprego de 14,2%, sendo que a taxa de desemprego estrutural rondou os 11,5%, tornando este facto um dos fenómenos mais gravosos da evolução da economia portuguesa.

A resolução do problema do desemprego estrutural está necessariamente dependente da reestruturação da economia e da transferência de recursos do setor não transacionável para o transacionável, sendo que a transferência de capital humano não será nunca instantânea, pois requer a adequação dos trabalhadores que estão hoje no desemprego aos requisitos de qualificação, de localização geográfica, etc. Tudo isto vai levar tempo, certamente muito mais do que o desejável do ponto de vista da gestão do impacto do desemprego de longa duração, sendo necessários a criação e o reforço de mecanismos de apoio à requalificação dos desempregados de longo-prazo para se ajustarem às novas oportunidades de emprego e para evitar que passem para a inatividade.

No entanto, Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, que no passado dia 23 de Setembro discursava numa conferência organizada pelo Fórum para a Competitividade dedicada ao Pós-Troika, sugeriu que trabalhadores com longas carreiras contributivas e neste momento menos produtivos (devido a vários fatores), possam ser substituídos, através de um pré-pensionamento, por desempregados mais jovens e mais bem preparados, reduzindo desta forma o desemprego estrutural e elevando a produtividade nacional. Esta sugestão, que surpreendeu pela novidade, tem como vantagens a maior rapidez no combate a este tipo de desemprego, pois como vimos as reformas levam bastante tempo a surtirem efeito, e a contribuírem para a elevação da produtividade. Esta sugestão parece ser, também, interessante do ponto de vista do equilíbrio social, ou seja, com esta integração de jovens desempregados no mercado de trabalho, evita-se o desgaste mental e a fuga de cérebros, bem como se estabiliza o padrão social/económico dos mais velhos, uma vez que todas estas transformações profissionais e salariais que tem ocorrido, demasiadamente depressa, provocam uma enorme desmotivação e incerteza entre os mesmos.

Em termos financeiros, ao invés das aparentes vantagens enumeradas anteriormente, esta sugestão poderá ser desequilibrada. Ao adotar-se esta medida, haverá um aumento das despesas da Segurança Social, em resultado do aumento dos encargos sociais com estas reformas antecipadas e com o não recebimento das contribuições destes trabalhadores mas, em boa verdade, este aumento da despesa poderá também ser mitigado com o facto de estes “novos empregados” deixarem de receber contribuições sociais futuras.

Telmo Filipe Lino Martins

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]