quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O endividamento, a poupança, os fundos europeus e o Investimento em Portugal na década 2000/2010

A economia portuguesa conheceu na década de 2000/2010 um período de forte endividamento, aqui medido pela PII, que em 2000 representava (-39.5%) do PIB e em 2010 representava (-107%) do PIB. (Fonte: Série longa da BP)
O PII-Posição de Investimento Internacional, mede a diferença entre os activos e os passivos detidos pelos agentes económicos de um determinado país. Quer isto dizer que os agentes económicos portugueses - públicos e privados - deviam, no ano de 2010, ao estrangeiro um pouco mais do que riqueza produzida pelo país durante um ano ou, sendo mais cruel, teríamos que trabalhar um ano e mais uns meses para pagar a dívida, não fazendo qualquer despesa!
Por outro lado, podemos concluir que a economia portuguesa teve capacidade de atracção de capitais ou poupanças externas, que no total da década representaram 67,5% do PIB (107-39.5), em valores acumulados.
Se o endividamento cresceu, a poupança teve um comportamento medíocre quando comparada com a década anterior ou mesmo com a média da EU. No entanto, em termos acumulados, a poupança financiou a economia em 72.9% do PIB [contas nacionais anuais (base2011)] durante a década.
Por outro lado, as transferências líquidas da UE representaram na década valores acumulados de 16.4% do PIB [contas nacionais anuais (base2011)].
O aporte destas verbas à economia portuguesa, pela sua natureza, devia contribuir para um aumento do Investimento Total na economia e, consequentemente, na Formação Bruta de Capital Fixo, contribuindo assim para um fortalecimento do factor Capital, levando a um crescimento da intensidade capitalista da economia e consequentemente a um crescimento mais saudável, mais intenso e sustentável, apoiado num aumento da produtividade dos factores. No entanto tal não aconteceu. O PIB cresceu em média 1% (contas nacionais anuais (base2011) na década em apreço, divergindo da média europeia.
 O Investimento Total (público e privado) decresceu, passando de 31,6% PIB,em 2000, para 22,3 do PIB (Contas Nacionais base 2006) em 2010. 
A Formação Bruta de capital Fixo foi, em 2000, 28% PIB e, em 2010, desceu para 20,5% do PIB [contas nacionais anuais (base 2011)], significando isso que não houve reposição do Capital depreciado, nem acumulação de novo Capital.
 Se num contexto de investimento seria já preocupante o perfil de financiamento, em que a geração de recursos próprios (as poupanças) é baixa, e os recursos alheios são “instáveis”, como o endividamento, em que dependemos dos credores (embora as taxas de juro sejam baixas) ou as transferências da UE, que um dia destes irão acabar ou reduzir-se, mais preocupante, diria mesmo assustador, é esta transferência de rendimentos inter-geracional, em que o consumo presente se sobrepõe ao investimento e em que a riqueza produzida não suporta o crescimento desse mesmo consumo.
Este “gastar por conta” vai com certeza colocar grandes problemas às gerações futuras (próximas e distantes), que herdam endividamento não reprodutivo que não usufruíram e um país que não é capaz de criar riqueza.
Chegados a este ponto, resulta evidente que o país e a economia dispuseram de recursos (se tinham o perfil ideal ou se eram suficientes é outra questão). Não soubemos foi tomar as melhores opções, nem sequer definir aquilo que queríamos para o nosso futuro colectivo.
Perdemo-nos em teorias mais ou menos importantes mas que têm em si própria controvérsia suficiente para nos ocupar, sem que daí resulte verdadeiramente uma ideia definitiva do que queremos. Foi a entrada na moeda única a culpada da situação? Foi o modelo de crescimento anterior a adesão ao Euro? O investimento nas não-transacionáveis em prejuízo da produção de transacionáveis nesta década 2000/2010?
Também as soluções apontadas têm algum dom de controvérsia. Devíamos abandonar a moeda única de modo a poder dispor de um instrumento cambial na condução da política económica? Mas não foi isso que nos trouxe até aqui , ou seja, abandonarmos uma moeda forte e substituí-la por uma moeda fraca , sujeita a desvalorizações, focando a nossa competitividade do lado do preço e não pelo lado do valor acrescentado, da qualidade dos produtos e da produtividade dos factores, potenciador da criação de riqueza?
Outra das soluções apontadas é não pagar a dívida, pela impossibilidade do seu pagamento e pela asfixia que o serviço da dívida provoca na economia. Mas uma economia que não cresce, não cria riqueza, não gera excedentes, como vai financiar o seu funcionamento e, mais importante, o seu investimento?
Em minha opinião, temos que repensar o modelo económico do país, já que as teorias e os modelos económicos (Anglo-Saxónicos e Norte Americanos) têm em conta realidades diferentes de países como o nosso. O aumento do rendimento disponível das famílias para fomentar o consumo, numa economia com uma indústria de bens transacionáveis pobre, sem capital, com baixo desenvolvimento tecnológico e capacidade de inovação leva ao desequilíbrio externo, com mais endividamento e consequente transferência de riqueza para países já ricos, aumentando a desigualdade relativa.

José Avelino Rodrigues Magalhães 

Fontes: 
BANCO DE PORTUGAL-SERIE LONGA-PII.
PORDATA (TODOS OS OUTROS DADOS)

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

Partir: opção ou obrigação?

Com o rebentar da crise, o fenómeno que marcou o país nos anos 60 parece estar a repetir-se. À medida que o desemprego sobe e os apoios aos desempregados vão sendo cortados, são cada vez mais os que decidem abandonar Portugal e procurar um novo rumo.
Na década de 60 eram vários os fatores que levaram ao significativo fluxo migratório. Os jovens deixaram o país para fugir à guerra colonial, ao regime político vigente na altura bem como às dificuldades económicas que então se faziam sentir.
No entanto, hoje a emigração tem outros contornos. Dos cerca de cem mil portugueses que estão a emigrar anualmente, a maioria deles são jovens qualificados, entre os 25 e os 34 anos - as grandes vítimas do desemprego nacional. As dificuldades em encontrar um emprego qualificado, as condições pouco aliciantes e as perspetivas de progressão de carreira não são suficientes para a população mais qualificada de sempre!
Na caracterização da população jovem em Portugal o INE destaca que, "apesar do aumento do nível de ensino e das qualificações, a situação económica dificulta a inserção dos jovens no mercado de trabalho (em que a taxa de desemprego jovem é quase o dobro da taxa de desemprego total)" e, por isso, muitos dos que não quiseram deitar fora o investimento de uma vida emigraram.
Assim como o INE, outras entidades reportam também dados que suportam esta análise. O estudo – “Geração 2020 - o Futuro de Portugal aos olhos dos universitários” – reportou que 46% dos universitários que participou no estudo acredita que em 2020 estará a viver fora de Portugal. Já o relatório da Comissão Europeia – “Emprego e Situação Social na União Europeia” – calcula que o fluxo de emigrantes subiu entre 2008 e 2012, tendo registado o maior aumento de toda a UE. 
Aludindo aos dados divulgados, é de frisar a importância do sucedido, pois é algo que deve preocupar a todos, visto que são aqueles que mais podem contribuir para o crescimento no país que o estão a abandonar.
Posto isto, a taxa de emigração dos qualificados é um indicador problemático da chamada ‘fuga de cérebros’, que ao diminuir o capital humano, limita o potencial de crescimento dos países em crise.
Com o objetivo de inverter este défice migratório, o Governo deve desenvolver a sua economia de forma mais dinâmica de modo a atrair mão-de-obra qualificada e promovendo a inovação, tornando o país atrativo para que os jovens portugueses, aqueles em que Portugal investiu muito e que deixaram o nosso país, regressem, pois se isso for conseguido a nossa economia também beneficiará dos conhecimentos obtidos por estes no estrangeiro.
Portugal deve então apostar na diversificação da estrutura produtiva e na diminuição dos interesses instalados na Economia Portuguesa para dar lugar ao capital humano português.

Diana Viana Abreu

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

Emigrar é a solução?

Olhamos à nossa volta e vemos, todos os meses, milhares de jovens emigrar ou com planos para partir. Não com a satisfação de quem procura novas experiências, mas com a frustração de quem sente que o país onde nasceu não lhe dá nem lhe dará no futuro qualquer oportunidade. Os jovens estudantes estão realmente preocupados com o seu futuro, amedrontados com o facto de não saberem o que os espera quando terminarem a sua educação, e perdidos e inseguros quanto ao que terão de enfrentar.  Será que Portugal lhes dá condições de vida? Será que conseguirão ser bem sucedidos neste país? Será que o investimento realizado na formação vale a pena? Várias questões que estão por responder e que nos remetem para uma solução: emigrar! 
Analisando as estatísticas sobre este importante assunto, a maioria (57%) dos jovens portugueses entre os 15 e os 24 anos admite emigrar ou já emigrou para outro país em busca de emprego, e Portugal perdeu quase meio milhão de jovens (entre os 15 e os 29 anos) numa década (entre 2001 a 2011). Segundo os dados do INE, a população activa com ensino superior está a crescer menos do que a população total com essa mesma formação. Essa diferença pode dever-se  ao facto de existirem jovens que terminam o seu curso e nem entram no mercado de trabalho e nem sequer chegam a procurar emprego no país. Para agravar mais a situação e a má imagem perante a Europa e o mundo, conseguimos registar o maior aumento de emigração de toda a União Europeia entre 2008 e 2012.
A procura de novas e melhores oportunidades profissionais e de um melhor nível de vida são os principais motivos para os jovens saírem de Portugal. Estes querem mais do que um primeiro emprego, vão por uma carreira. No mundo cada vez mais global, ficarão e farão a sua vida de acordo com o país onde a sua formação e qualidade forem reconhecidas. Adaptando-se à vida local. Para Portugal significa muito: estamos perante a perda da tão necessária mão-de-obra qualificada.
Mais importante ainda é salientar que a emigração tem consequências graves para Portugal, contribuindo para o envelhecimento da população portuguesa e a fuga de população com qualificações em idade de trabalhar. É urgente criar programas que invertam este processo e que cativem os nossos jovens qualificados a ajudar o nosso país!

Letícia Freitas Fonseca

Fontes: 
http://expresso.sapo.pt/a-melhor-geracao-esta-de-partida=f770082 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Emprego: um percurso otimista

Segundo os dados do Eurostat, houve um aumento de emprego em Portugal neste segundo trimestre. Portugal foi o terceiro país da União Europeia com um maior aumento de postos de trabalho (um crescimento de 0,9% face ao trimestre anterior, o que originou um aumento na criação de emprego de 1,6%).
Nesse mesmo período, a Estónia foi o país membro da União Europeia (EU) que obteve um maior crescimento (+1,2%), já a Lituânia e o Chipre sofreram uma queda de -1% e -0,1%, respectivamente. Em termos homólogos (face ao mesmo período do ano anterior), a Hungria teve uma subida de 3,1%, Malta 2,6% e a Irlanda 1,7%. Foi também entre Março e Junho que o emprego cresceu 0,4% na Zona Euro, e por sua vez Portugal verificou no mês de Julho deste ano uma grande descida na taxa de desemprego (situava-se nos 14%, enquanto que no mesmo mês do ano anterior esta assumia um valor de 16,3%). A taxa de desemprego nos 28 Estados-membros era de 10,2% nesse mesmo mês, mas no ano anterior era de 10,9%, o que representa uma descida de 0,7%. Na Zona Euro esta taxa foi de 11,5%.
Estes dados levam-nos a um pensamento mais otimista dada a situação portuguesa dos últimos anos, uma vez que um aumento do emprego no segundo trimestre é sinónimo que um dado números de pessoas que antes não usufruíam de um posto de trabalho agora terem essa oportunidade, e como tal obterão um rendimento. Mas a situação não é assim tão linear, uma vez que se avaliarmos a empregabilidade por sectores obtemos uma subida nos serviços na Zona Euro no segundo trimestre (1,5%) e uma descida no mesmo período no sector primário (-1,3%). Nos 28 países da União Europeia passa-se uma situação semelhante, onde a maior subida se encontra no sector dos serviços e a maior queda no sector primário. 
Isto poder-nos-á levar a uma ideia de mobilidade do factor trabalho, isto é, os trabalhadores moverem-se de um sector para outro, mas existe a questão da especialização, o que é um entrave para os indivíduos que possuem poucas qualificações. E é este mesmo “entrave” que nos faz pensar até que ponto haverá um maior emprego. Porém, se nos desviarmos dessa perspectiva (e tendo em conta que em Portugal o sector com mais peso é o sector dos serviços) e nos concentrarmos na ideia de que efectivamente foi registado este aumento de empregabilidade, há uma possibilidade de o consumo privado aumentar. Isto é, os indivíduos que adquiriram um rendimento poderão dedicar uma parte desse mesmo rendimento à poupança e também às suas despesas (por outras palavras, consumo, como por exemplo a educação). Esta relação proporcional do rendimento/consumo (ou seja quando o rendimento aumenta/diminuiu, o consumo privado aumenta/diminui) traz um certo otimismo à economia portuguesa, uma vez que este aumento da empregabilidade no determinado trimestre ajude ao crescimento económico do país.
Porém, Portugal necessita de mais “movimentos impulsionadores”, ou seja, mais incentivos à inovação, ao desenvolvimento, e também ao investimento. E é por estes incentivos que há possibilidade de aumentar um pouco mais a taxa de empregabilidade, recorrendo, por exemplo: a tecnologias mais inovadoras, que permitam um trabalho mais eficiente e igualmente eficaz; a um desenvolvimento dos indivíduos e das empresas, isto é, promover a educação e estágios especializados para que os trabalhadores possam conhecer melhor as suas competências e saber como usá-las a seu favor; e, por fim, para que exista inovação tecnológica e este apoio ao desenvolvimento, é necessário um bom investimento por parte do Estado português.
Assim, podemos ver esta queda no desemprego como uma revelação, pois foi “uma melhoria das condições de base do mercado de trabalho", como diz Filipe Garcia (Presidente do CA e Economista da IMF), uma vez que os inquéritos mais recentes comprovam uma estabilização ou até aumento da empregabilidade da indústria e de estabilização nos outros sectores. A população activa aumentou tal como o emprego, mas há ainda efeitos de sazonalidade que não devem ser esquecidos. No entanto, este aumento de empregabilidade move-nos para um pensamento mais optimista, dada a situação vivida pelos portugueses nestes últimos anos.

Ana Isabel Lamas Nunes 

Referências:
Expresso
Visão
Público
http://www.publico.pt/economia/noticia/portugal-entre-os-paises-da-ue-com-maior-aumento-do-emprego-1669428

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

Um enfermeiro voava, voava…

Portugal de 2013 é um país a esvaziar-se… Com 128 108 emigrantes, a população portuguesa voltou a descer pelo terceiro ano seguido e o saldo migratório negativo foi um dos principais contributos para esta quebra.
Um projecto europeu, que procura perceber como a crise tem afectado as migrações e a mobilidade no espaço comunitário, procedeu a um inquérito para tentar averiguar o impacto deste fenómeno na população e na economia.
Dos resultados obtidos no inquérito, destaco que 51,9%, das 3322 pessoas que responderam ao inquérito, referiram que saíram de Portugal por “não ver futuro” no seu país de origem. Dos inquiridos, 87,7% declararam possuir grau de educação de nível superior e, entre esses, 39,1% um mestrado e 9,4% um doutoramento.  
Um exemplo específico de indivíduos com grau de educação de nível superior que, na minha opinião, é chocante para o nosso país é o dos Enfermeiros que, não sendo os únicos, foram os que mais me intrigaram.
Afirmações da Ordem dos enfermeiros, confirmadas pela OCDE, expõem que, já em 2010, “Um estudo comprova que há falta de enfermeiros em Portugal e a inversão desta situação poderia contribuir decisivamente para melhorar os indicadores de saúde em áreas como a diabetes, obesidade, baixo peso à nascença e Saúde Mental”. 
Até aqui, parecem boas notícias: é ótimo que sejam necessários Enfermeiros uma vez que, em Portugal, há muitos a formar-se e com uma formação que é invejada e procurada por vários países.
Contudo, com base em dados disponibilizados pela OCDE, existem cerca de 9 mil enfermeiros no desemprego, quando, em Portugal, “faltarão algo como 25 mil enfermeiros a trabalhar em hospitais e centro de saúde”.
As medidas do Governo de contenção da despesa no sector da saúde fizeram com que Portugal acabasse por cortar o dobro do que era exigido no memorando de entendimento com a troika, diz um relatório da OCDE, que refere ainda que o Governo português assumiu o compromisso de fazer “poupanças significativas” no sector da saúde em 2011 e 2012, nomeadamente através de cortes nas despesas com o pessoal, “concentração e racionalização” da oferta em centros de saúde e hospitais do Serviço Nacional de Saúde.
O resultado foi: deixaram de ser pagas horas extra a um enfermeiro – pensando nos enfermeiros que trabalham nas urgências, por exemplo, que não têm hora de saída; deixou de haver diferença na remuneração de um Enfermeiro por este trabalhar ao fim-de-semana; há enfermeiros a receber salários de 2€ por hora - uma empregada doméstica recebe, em média, 5€ por hora. 
Como vamos pedir a um Enfermeiro que fique no nosso País? (Não que o nosso Governo queira, uma vez que já foi feito um apelo a que os jovens emigrassem para reduzir a taxa de desemprego).
 A pouca valorização dada a um Enfermeiro em Portugal, e não só aos generalistas, mas também aos especialistas, faz com que, desde o início do ano, se registe uma média de 11 declarações de saída do país por dia, segundo a Ordem dos Enfermeiros, que acrescenta ainda que, em 2009, o número de pedidos situou-se nos 609, tendo subido para 1.030 em 2010 e para 1.724 em 2011.
E então, como vamos dizer aos cerca de 2 300 Enfermeiros que emigraram que fazem falta no nosso País? Isto, num contexto em que se sabe que valorizam o trabalho deles em países como a Alemanha e o Reino Unido. E quando atribuem uma remuneração justa face ao trabalho realizado, sabido que são dos profissionais mais respeitados?
Não vamos! E entretanto continuamos a investir na sua boa formação para que outros países possam usufruir dela.
E os Enfermeiros continuam a voar…

Maria Alexandra Pereira Lima

Referências:
Fontes/Entidades: INE, PORDATA
Última actualização: 2014-10-02
(1998) As Migrações dos Quadros Altamente Qualificados em Portugal – Fluxos
Migratórios Inter-Regionais e Internacionais e Mobilidade Intra-Organizacional, Dissertação de doutoramento em Sociologia Económica e das Organizações, Lisboa, Instituto Superior de Economia e Gestão / Universidade Técnica de Lisboa, 1998.
http://www.oecd.org/portugal/

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

“Portugal, um país de ‘velhos’ ”

Em vários países europeus tem-se vindo a constatar que o número de pessoas idosas cresce em ritmo maior que a natalidade. Se há quarenta anos Portugal apresentava a maior taxa de natalidade da Europa, no último ano, 2013, registou a mais baixa, cerca de 7,9 crianças por mil habitantes, num total de 89 841 nascimentos, sendo o país onde mais desceu a natalidade na Europa. Nesse mesmo ano, Portugal ocupava o sexto lugar na lista dos países mais envelhecidos do mundo, segundo estudo apresentado em conferência do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida. 
Na última década, dos 308 municípios portugueses, 302 verificaram uma descida no número de jovens com idades entre os 15 e os 19 anos, num total de quinhentos mil. De um modo geral, na Europa, entre 1990 e 2011, todos os países nórdicos começaram a subir no índice de fecundidade, enquanto o padrão se manteve sempre baixo nos países do Sul, ao ponto de, atualmente, o valor mínimo de fecundidade nos países nórdicos ser o valor máximo de fecundidade nos do Sul.
O envelhecimento da população portuguesa deve-se essencialmente ao aumento da esperança média de vida, à redução da taxa de mortalidade e ao contínuo decréscimo da taxa de natalidade. Segundo o relatório anual do Conselho da Europa, Portugal terá menos um milhão de habitantes em 2050, esperando-se que a população idosa represente 32% da população total, enquanto a população jovem equivala a 13%. 
As consequências que derivam do envelhecimento demográfico constituem importantes desafios e oportunidades para a sociedade. Por exemplo, em termos sociais, este fenómeno permite a coabitação de diversas gerações, onde o idoso representa uma fonte de experiência e conhecimento. Em termos económicos, relativamente ao sistema de segurança social, se existem cada vez mais idosos que vivem cada vez mais anos, maior será a necessidade de recursos para sustentar o aumento desta facha etária. Em termos de mercados, uma sociedade envelhecida tem necessidade de novos produtos e serviços, originando novas profissões associadas ao desenvolvimento de mercados emergentes.
O Sistema Nacional de Segurança Social português enfrenta o importante e custoso desafio da sua sustentabilidade, pois o aumento da despesa com pensões devido ao crescente número de pensionistas e o período mais alargado que estes beneficiam das suas pensões contrasta com a diminuição da população ativa e, consequentemente, com a redução do valor das contribuições, ou seja, as receitas. Para contrariar este desequilíbrio, o Governo e os Parceiros Sociais acordaram, em 10 de Outubro de 2006, um pacote de medidas que visam fortalecer o sistema e a sua sustentabilidade. Este acordo baseava-se na proteção básica da cidadania, de natureza solidária, na estruturação de um regime de natureza contributiva, com contribuições de trabalhadores e empregadores e na necessidade de constituição de poupanças complementares. 
 Com isto, e, à semelhança de outros países desenvolvidos na Europa e no Mundo, Portugal tem sentido uma alteração na sua estrutura etária e dimensão populacional. O envelhecimento da população apresenta um conjunto de desafios como a sustentabilidade do sistema da segurança social, o crescimento económico e a produtividade. Mas também concebe novas oportunidades, como novos mercados económicos, novas profissões e maior tolerância social. Fica-se então consciente que uma das principais consequências económicas deste fenómeno diz respeito à pressão sobre a despesa pública com as pensões. 

Andreia Soraia Fernandes Soares 

Referências
Público
Instituto Nacional de Estatística
Diário de Notícias 
Outros
http://www.cnel.gov.pt/document/Acordo_Reforma_Seguranca_Social_Out2006.pdf

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

Inovação tecnológica: é ela um fator primordial?

No paradigma vigente, cada vez mais atuamos numa economia intensiva em tecnologia e em mudança permanente. A inovação tecnológica designa, grosso modo, a conceção e desenvolvimento de novos produtos e serviços ou de novos processos de produção, bem como a agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique melhorias incrementais. 
Partindo da análise do impacto da inovação tecnológica ao nível empresarial, é primordial evidenciar que quanto mais inovadoras forem as empresas maior a possibilidade de estas virem a obter vantagem competitiva perante as concorrentes, dado que a inovação tecnológica é atualmente substancial na dinamização das empresas e nas suas estratégias de diferenciação. Através de modificações nos produtos, de novas abordagens ao nível da comercialização e novas formas de distribuição, as empresas podem assim alcançar um determinado grau de diferenciação face às suas concorrentes e obter um melhor desempenho.
De entre o leque diversificado de vantagens que a inovação tecnológica proporciona às empresas, a mais relevante incide ao nível da produção. A tecnologia permite aumentar o volume de produção, resultando num produto mais barato e de melhor qualidade. 
Tendo em referência o exposto anteriormente e na sua aceção lata, a inovação tecnológica é, indubitavelmente, a principal fonte e, simultaneamente, tem inquestionáveis  efeitos a nível de difusão do crescimento e desenvolvimento social e económico de um país. O economista Joseph A. Schumpeter foi um dos primeiros defensores da vinculação entre a capacidade de inovar de um país e o seu nível de desenvolvimento e crescimento económico.
Apesar de todos estes benefícios que a inovação tecnológica faculta, quer em termos gerais ao país, quer em termos particulares às empresas, é primordial referir que a ela estão também associados inconvenientes, nomeadamente a poluição e o desemprego tecnológico. Este tipo de desemprego resulta da desvalorização e substituição da mão-de-obra humana por máquinas, podendo posteriormente converter-se em desemprego de longa duração, gerando avultadas despesas para o estado, nomeadamente ao nível dos subsídios de desemprego.
A inovação, no entanto, não é algo que surge de forma espontânea. Tratando-se o investimento em I&D (Investigação e Desenvolvimento) de uma componente essencial da inovação, a aposta neste campo deve ser considerada uma prioridade estratégica.
Analisando a performance de Portugal nesta temática, e tendo em conta dados estatísticos obtidos no PORDATA assentes na rubrica das despesas em atividades de I&D, é possível constatar que, apesar dos maus resultados que Portugal apresenta atualmente, com um valor de apenas 1,7% do PIB, é essencial evidenciar que desde 1982 Portugal veio a apresentar uma tendência de crescimento neste campo, passando de 0.1% do PIB em 1982 para 1.7% do PIB, tal como referido anteriormente. Todavia, os baixos índices de investimento em investigação e desenvolvimento que se têm arrastado ao longo dos anos, e que ainda persistem, terá limitado a inovação e impedido o acesso a tecnologias mais produtivas.
Face ao exposto, é possível constatar que a inovação tecnológica permite aos países desenvolverem-se economicamente, tornando-se mais competitivos, não só no mercado interno mas também no mercado externo. A riqueza de uma economia assenta na sua capacidade de inovar. A inovação tecnológica é indubitavelmente a chave para o crescimento a longo prazo no contexto competitivo atual.

Windy Martins Noro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]