sábado, 15 de novembro de 2014

Investimento estrangeiro em Portugal

Nos últimos três anos, Portugal tem sido alvo de um grande investimento estrangeiro. O principal país responsável por este fenómeno foi a China, sendo responsável por cerca de 40% das aquisições e fusões em Portugal (5.65 mil milões de euros), vindo a França a seguir, com 22,70%, e o Brasil com 17,94%. Ainda outros países, como Angola e Espanha, também tiverem a sua quota neste fenómeno. Apenas 15% do valor total investido em Portugal veio de empresas portuguesas e, em alguns casos, essas aquisições foram em parcerias com investidores estrangeiros.
Nestes mesmos últimos três anos temos vindo a assistir a um reforço dos investimentos chineses em Portugal, muitas vezes como porta de entrada para o mercado europeu e para os países de língua portuguesa. Assistimos, por exemplo, à aquisição de participações na EDP em 2011, pela China Three Gorges, à aquisição de participações na REN em 2012, pela China State Grid, à aquisição de uma participação de 80% na Fidelidade, na Multicare e na Cares (portefólio de seguros da Caixa Geral de Depósitos), pela chinesa Fosun, entre outras. O montante total envolvido em aquisições e fusões em Portugal por empresas chineses foi de 5,65 mil milhões de euros nos últimos três anos, em comparação com os 14,28 mil milhões de euros que é o montante total investido em Portugal no mesmo período.
Importa, então, perceber o que levou, por um lado, o Estado a selecionar as empresas chinesas, e, por outro lado, as empresas chinesas a apostar em Portugal. Durante o período mais difícil da crise, os investidores tradicionais, europeus e americanos, afastaram-se de Portugal. Pelo contrário, os investidores chineses souberam avaliar Portugal numa perspetiva de longo prazo e de forma mais objetiva. O facto de os investidores chineses pensarem a longo prazo foi o que fez a diferença e, assim, investir significativamente na EDP e na REN, por exemplo, duas grandes empresas portuguesas. Isso deu um sinal positivo a outros investidores chineses, no entanto mais pequenos que a China Three Gorges e a China State Grid, mas que seguiram o exemplo destas duas grandes empresas. 
A verdade é que a seleção de grandes empresas chinesas se sustentou também nas parcerias estratégicas apresentadas para as empresas alvo, no potencial crescimento das empresas nacionais privatizadas e na possibilidade de reforço da sua capacidade económico-financeira, tanto no mercado nacional como internacional. Também a situação geográfica e as relações privilegiadas e forte presença das empresas portuguesas em África e na América Latina, designadamente nos países de expressão portuguesa, são outros fatores que fazem de Portugal um destino atrativo para o investimento chinês.
Mas será o investimento chinês bom para o nosso país? Para uns, o investimento das empresas chinesas em Portugal não traz nada de bom para o país, sendo que apenas serve para "levar o conhecimento” de forma barata. Para outros, o melhor investimento é aquele que cria empresas e não o que compra empresas. É óbvio que será preferível investimentos em novos empreendimentos, pois é isso que gera emprego e crescimento. Por outro lado, como economia aberta que é a economia portuguesa, não se pode desprezar o investimento na compra de empresas. E um atrai o outro. O embaixador da China em Portugal, Huang Songfu, diz que só o tempo é que dirá se o investimento chinês é bom para Portugal ou não.
Uma coisa é certa, estamos em Portugal e tem-se assistido a um constante investimento vindo do estrangeiro, não só por parte de empresas chinesas, mas também de empresas de outras nacionalidades, e esta privatização tem levado a que estejamos cada vez mais perto de ter mais empresas em Portugal controladas por pessoal estrangeiro do que português. Para quem é patriota, isso é mau, mas é certo que também tem algo de bom pois possibilita a manutenção de postos de trabalho e até um aumento dos mesmos e, consequentemente, ao crescimento económico.

Sara Margarida Pimenta

[Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3° ano do curso de Economia (1° ciclo) da EEG/UMinho]

A sustentabilidade das contas públicas: dívida pública, reforma da administração pública e sistema de segurança social

O problema da dívida pública tem um lugar de importância no que toca ao debate relativo às finanças públicas portuguesas. A verdade é que a dívida pública atingiu máximos históricos nos últimos anos e é de extrema prioridade reduzi-la (a tendência é para que se assista a uma diminuição da dívida nos próximos tempos, sempre em valores muito elevados). De facto, a dívida bruta das Administrações Públicas em percentagem do PIB tem vindo a aumentar desde o início do século XXI, tendo atingido um máximo histórico de 128,0 % do PIB. Desde 2008 que, de ano para ano, essa percentagem aumenta consideravelmente.
A renegociação e a reestruturação da dívida são hoje em dia muito faladas como medidas a tomar para a diminuição da dívida. A renegociação da dívida implicaria renegociar ativamente a dívida. Essa renegociação seria levada a cabo pelo IGCP com operações de troca por maturidades mais longas e recompra de dívida. Já uma reestruturação da dívida implicaria sempre incumprimento nos termos previamente acordados com os credores. Esta última é uma solução que implicaria sempre a redução da dívida mas, como agravante, colocaria os mercados financeiros contra Portugal (e mesmo que continuassem a financiar os défices públicos, iria assistir-se a uma subida em flecha das taxas de juro). 
Na minha opinião, a solução ou posição mais realista para o problema da dívida pública portuguesa será a satisfação pontual das obrigações já contratualizadas, esperando que os credores sugiram uma extensão do prazo de pagamento das mesmas. Dada a sensibilidade dos mercados financeiros, qualquer dúvida em relação à situação da dívida portuguesa levará a um aumento das taxas de juro, sendo esse um problema que se estende também às empresas e aos bancos, trazendo graves consequências para a economia no que toca ao seu financiamento. Além disso, parece-me trivial que a existência de contas públicas sãs seria outro passo no caminho certo para o país. Um ajustamento do défice orçamental, além de respeitar o compromisso intergeracional (inerente a qualquer gasto no presente a ser pago pelas gerações futuras), no que toca à sua sustentabilidade, ainda diminuiria a necessidade de recorrer à emissão de títulos de dívida para financiar o excesso de despesa pública. Mas de que forma pode ser realizada esta redução no défice? Que medidas pode o Estado adotar de forma a ver um aumento das receitas públicas ou uma diminuição das despesas?
Os impostos são a principal fonte de receita do Estado. Um aumento de receitas pelos impostos pode ser conseguido pelo alargamento da base de incidência, pela subida das taxas de tributação e pelo aumento da eficiência fiscal. As possíveis bases de incidência tributária estão relativamente bem cobertas pelos atuais impostos, pelo que não há grande margem de manobra nesta alternativa. A subida das taxas de tributação também não deve ser utilizada atendendo que as mesmas já estão relativamente elevadas e é conveniente preservar a equidade e a competitividade fiscais. Posto isto, a melhor solução, a meu ver, para um aumento das receitas provenientes de impostos será um aumento da eficiência no combate à fraude e evasão fiscal. Esta alternativa levaria a um aumento das receitas fiscais e parafiscais do Estado e ainda seria vantajosa no que toca a questões de equidade fiscal e de competitividade empresarial.
Embora a posição assumida pelo Governo atual tenha sido, maioritariamente, a de aumentar a receita do Estado através de impostos (nomeadamente, do aumento das taxas de tributação), o ideal seria ocorrer um ajustamento do défice orçamental pela parte da despesa pública. Reduzir a despesa pública pode ser percorrer o caminho mais difícil mas, uma vez feita, e com critério, seria muito importante para que a economia portuguesa tivesse uma estrutura mais forte para o futuro. Referi que esta redução deve ser feita com critério porque, a meu ver, cortar despesa ao reduzir os recursos disponíveis para certos sectores é um verdadeiro “tiro no pé”. A Educação tem sido um sector bastante afetado pelas políticas de cortes. A formação de capital humano mais valioso é vital para o avanço da Ciência, da Investigação e Desenvolvimento e para o progresso tecnológico, um dos motores de crescimento de uma economia no longo prazo.
O que poderá ser então feito para que haja uma diminuição no défice público? Uma via para isso seria, na minha opinião, mais uma vez melhorar em termos de eficiência, ou seja, conseguir os mesmos resultados obtidos até agora com o um nível inferior de recursos. Esse tipo de resultados só pode ser conseguido, obviamente, com alterações na gestão da administração pública. Em vez de se dar início a essa reforma com grandes alterações legislativas, uma forma mais eficaz seria seguir uma estratégia de pequenos passos que nos levasse a um caminho de mais aproveitamento dos recursos. Uma opção seria a implementação de medidas que diminuíssem a intervenção burocrática do Estado em atos desnecessários, que melhorassem a eficiência através de uma definição de objetivos e metas, posteriormente seguido de uma avaliação de desempenho dos organismos e funcionários. 
As despesas com a segurança social, nomeadamente pensões de reforma, são das que mais têm crescido nos últimos anos, ameaçando a sustentabilidade das contas públicas. Parece-me que já se justifica uma reforma no sistema de pensões de forma a reduzir um pouco os encargos do Estado com este tipo de prestações sociais. O início de uma transição para um sistema misto de repartição e capitalização poderia ser uma medida a ter em conta como forma de financiamento das pensões.

Pedro Correia

Fontes
http://www.pordata.pt/Portugal/Administracoes+Publicas+divida+bruta+em+percentagem+do+PIB+(R)-824

[Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3° ano do curso de Economia (1° ciclo) da EEG/UMinho]

The Astonishing Trajectory of Germany and its Supremacy in Europe

“And once the storm is over, you won’t remember how you made it through, how you managed to survive. You won’t even be sure, whether the storm is really over. But one thing is certain. When you come out of the storm, you won’t be the same person who walked in. That’s what this storm’s all about.”
Haruki Murakami

“Difficulties strengthen the mind, as labor does the body.”
Seneca

Looking backwards, from the second world war period until now, it is almost impossible to avoid the question about one case in Europe: how it’s possible to such country like Germany, fallen into ruins in 1945 and be the main cause of the biggest disaster in human history, has surpassed big economies in a few decades, and even more, achieves the 4th biggest world economy nowadays? What is actually called “the German miracle”, nothing supernatural happened, and all the progress made by this country can be measured by analyzing its complex methods applied in monetary and fiscal policies, correlated with a specific ideological movement from the population at the time.  
But all those changes didn’t come up easily, and after the Second World War around 20% of all housing were completely destroyed, food production in 1947 went to 51% of its level in 1938, the post-war industrial output was less than one third based on pre-war levels, and a large percentage of Germany’s working-age men were dead. In 1948, German people had lived under price control for 12 years and rationing for 9 years. The Nazi Regime had imposed price controls to the people in 1936 so that the government could buy war materials at artificially low prices.
 During the totalitarian period, some economists opposed drastically to the ideas of the government, and exposed them with great risk in attempt to change the dramatic destiny of this Nation. Walter Eucken, the leader of school of economic thought called Soziale Marktwirtschaft, or “social free market” based at Germany’s University of Freiburg (similar with Chicago School) believed in free markets but their efforts to change the polices almost had no effects. To make things worse, Cartels had been explicitly legal before the war. 
After check all those variables together, it is impossible to deny the astonishing trajectory of Germany which, from high inflation and most of capital stock destroyed in ‘40s, made progress until achieving the largest net exports in the world on 2010. Even more, from a totalitarian nation to the most soft power country (term used by Joseph Nye to describe the ability to attract and cooperate rather than coerce). But even totally destroyed, Germany still had good tools, and by analyzing them thoroughly, this miracle was mostly based on a high level of determination to make changes, and also a favorable environment to put the plans in order. 
For instance, even after 8 million German causalities, they still had skilled workforce and high technological level in 1946. Another important event was the currency reform in 1948, which replaced the Reich mark to Deutsche Mark, that gave a new economic structure to the country like the elimination of price controls and a decrease on inflation. Good policies were also made, like decrease the income tax from 95% to 18%, giving the people more purchase power, pushing the economy to better structural levels. 
Paradoxically, a few variables from the war times also contributed to a fast recovery in Germany, such as very high capital investments rate, thanks to low consumption and very small need for replacement of the capital investments, due to small capital stock. The results afterwards were a steadily growth of purchasing power, and wages increasing by 73% from 1950 to 1960. As real income roses, the government could raise more funds, from tax income and borrowing, to speed up the investment and spending in projects with high production rates. 
Global circumstances also opened the doors to German markets such as the Korean War in 1950, with shortage of goods that helped to overcome the resistance to the purchase of German products. But the most important variable that gave basis for all those changes, were the astonishing physical resilience, hard work, and incredible level of collectiveness of the German people in time of adversity, that lead the population to work at full capacity putting the unemployment at low record levels of 0.7% in 1961-1966, and 0.8% in 1970-1971. That only increased with the emergence of oil supply shocks. 
After the structural recovery reach healthy conditions, the social-economic situation in Germany rose steadily among the years until get to the top levels we see nowadays. An important analysis is that all those political and social changes in Germany were also followed by a period of global turbulence, the reconstruction process in Europe, and the establishment of a bipolar order leading to the cold war. Europe faced very unstable phases until getting what we know now as European Union. Germany had an important role on the monetary union as we can see easily that after 1971, time where the new European monetary system start to work. A phase really influenced by an International monetary crisis resulted by the collapse of the Bretton-woods system, but, simultaneously, the statement of autonomously monetary tendencies that would lead the creation by France and Germany the new European monetary system. 
Actually the crisis created conditions for more autonomy in Europe, and the German commitment on the project of unified monetary system meant actually a new level of consciousness based on an extension of the Deutsche Mark rules on Europe in a way to get rid of the extreme dependence from the American dollar. In the following years, Europe and the rest of the world definitely realized the emerging of a new big power with strong conditions to make changes in the global economy. 
In ‘90s, Europe faced a good economic environment that made possible for the countries to reduce in a reasonable sustainable way the budget deficits and the public debt close to the limits set, to also ensure the convergence to low inflation and interest rates. In May of 1998, at the European council in Brussels, the decision would be taken about the first countries to integrate the Euro zone in 1 of January of 1999. They were: Germany, Austria, Denmark, Spain, France, Netherlands, Ireland, Italy, Luxembourg and Portugal. The definition of the criteria of nominal convergence and the requirement of a tight compliance, leaded to an almost hegemonic influence of Germany on the entire Euro Zone. 
It is unquestionable the recent power of Germany, possessing a great ability to influence its neighbors destinies. The biggest economy on Europe, Germany agreed to give the largest financial rescue on the recent Eurozone crisis, and so was able to determine the methods of managing the crisis. It also imposed the agenda of reform and austerity across the Eurozone. But Germany’s position as chief does not mean political supremacy, and as the euro crises has escalated and Germany seemed to lost the biggest political ally, with France’s new president François Hollade, has advocated the pro-growth agenda that clashes with German Chancellor Angela Merkel’s preferences for austerity, many doubts started to rise about the common area and thoughts about disintegrate the group start to appear. For instance, if Germany would introduce a new currency with the collapse of the Eurozone, its value would be much above to its neighbors, destroying the country’s export competitiveness. 
As we can see, Germany will find increasingly difficult to influence other European countries according to its own norms. Historically, every single empire, country, or group of people had moments of prosperity, and periods of crisis, even collapse. It’s not easy to know the future of Germany and Europe, but by looking backwards, in time of adversity, individual steps only make things worse, and Germany should lead policies with other European countries in a more collective way, as much as the German people worked together in time of crises. This challenge basically started with a high level of monetary integration, but really poor economic identity on Europe. 
This multicultural continent, will always require a greater effort to make unified and effective macroeconomic decisions, and many sacrifices people will have to make in order to overcome the crisis as much as past generations did many years ago. The economic life-cycle found in Institutions all over the world doesn’t differ fundamentally from the life of the individuals, with ups and downs, deaths and births. 

Igor Saulo Pampolha Ferreira

• "A integração monetária na Europa: da União Europeia de pagamentos ao euro". António Mendonça - Professor Associado do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. Presidente do CEDIN - Centro de Estudos de Economia Europeia e Internacional.

[Artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3° ano do curso de Economia (1° ciclo) da EEG/UMinho]

A economia que não se vê, apenas se sente

A economia paralela constitui um dos retratos mais obscuros de Portugal. Mesmo que não tenhamos consciência daquilo em que esta nos prejudica, é importante ter uma noção básica do seu significado. Assim, fazem parte da economia paralela, ou economia Não-Registada (ENR), como o próprio nome indica, todas as atividades económicas que não são registadas oficialmente. Por outras palavras, são atividades que não são contabilizadas (diretamente) para o Produto Interno Bruto (PIB), ou seja, não pagam impostos e acabam por não contribuir para a riqueza de uma nação. Estão associadas a isto, não só a economia legal que desrespeitas as normas fiscais, chamada de economia subterrânea, mas também a economia ilegal e informal. 
Um estudo realizado pelo observatório de Economia e Gestão de Fraude, da Faculdade de Economia do Porto, afirma queo Estado português perdeu, só no ano transato (2013), mais de 44 milhões de euros com a economia paralela, o equivalente aproximadamente a 26% do PIB. Isto significa que, por cada cem euros transacionados de forma legal, cerca de vinte e seis provieram da economia paralela, aponta o estudo. Será difícil compreender a verdadeira dimensão destes números, mas estima-se que, se o Estado conseguisse controlar a economia paralela por meio de uma tributação mais assertiva, este valor estrondoso era suficiente para tirar o país dos pesados défices orçamentais. Sim, esse défice que tanto nos tem atormentado a nós, Portugueses… A par disso, estão as abdicações e sacrifícios que podiam ser inferiores se esta economia paralela fosse realmente taxada. Dá que pensar! A questão que se coloca é a seguinte: porque serão estes valores tão elevados? E porque é que esta tendência se mantém ano após ano?
A principal causa vai de encontro à carga fiscal, onde se incluem os impostos e contribuições para a segurança social que, por ser tão significativos e em constante aumento, compensam escapar deles. As medidas de austeridade, em especial a de agravamento e aumento dos impostos, deverão fazer com que o país assista a uma subida significativa da economia negra. Estudos comprovam que a tendência de aumento deste tipo de economia será tanto maior quanto maior for o número medidas que o governo continuar a implementar sobre as empresas e contribuintes. Torna-se mais fácil de perceber se tivermos em mente a curva de Laffer, onde existe um ponto ótimo que leva a maior receita arrecadada. A partir desse ponto, a curva é descendente, o que significa que a maior tributação gera menor receita. Isto acontece devido à existência de economia subterrânea, que aumenta com o aumento dos impostos. 
É de realçar que, com esta ganância e ansiedade do Estado de querer recolher cada vez mais e mais impostos, apenas incentiva a fraude fiscal, criando um efeito “bola de neve”. Não menos importante, outra causa passa pela regulação, onde o excessivo peso de consumo do Estado causa necessidade de financiamento. Aliada a esta está o mercado de trabalho, com o desemprego a atingir valores recorde (16,2% em 2013), o que leva as pessoas a encontrar alternativas, que passam pelo trabalho ilegal.
  Este problema tem consequências drásticas ao nível da economia do país. No que toca às empresas, geram-se distorções de concorrência entre as que cumprem e as que não cumprem as suas obrigações fiscais. As que cumprem acabam por ter custos maiores e deste modo lucros inferiores. Isso, mais tarde, levará a empresa a abondar o mercado criando desemprego. 
É notório um clima de incerteza na estabilização da economia, uma vez que os indicadores, sendo influenciados pela ENR, estão mal medidos e enviesados, o que muitas vezes acaba por afetar as decisões políticas, tornando-se desajustadas da realidade. Globalmente, como se comprova, o efeito é o de um país injusto, com maiores desigualdades sociais e económicas, originando, portanto, grave injustiça social. 
Com tudo isto, torna-se importante tomar medidas de combate a esta economia negra. Já foram criadas algumas, como o uso obrigatório de máquinas registadoras de passar recibo em qualquer compra. Outra também conhecida e importante foi a criação do sorteio “ fatura da Sorte”, destinada aos contribuintes que apresentarem faturas, o que força os mesmos a pedi-las, obrigando o prestador ou vendedor a declarar o que vendeu, não conseguindo desta maneira fugir à contabilidade fiscal. 
Em jeito de conclusão, podemos afirmar que o "fenómeno obscuro" que, em percentagem, equivale a um quarto do peso do PIB, traduz-se numa falta de eficiência das medidas que o governo tem vindo a implementar, contribuindo assim para um maior desajuste e aumento da desigualdade que, por conseguinte, revela que as novas opções devem ter efeito se levarmos em conta a qualidade e não a quantidade.

José Luís Silva

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Desemprego Jovem: um desafio para a União Europeia

Com a crise de 2008, a Europa começou a apresentar índices de desemprego bem elevados. Em 2009, a taxa de desemprego na zona do euro era de 8,9%. Em Portugal não foi diferente: no mesmo período, o país apresentava uma taxa de desemprego de 9,4%. No ano de 2013, a União Europeia apresentou a taxa de desemprego de 11% e para Portugal a taxa no mesmo ano foi de 17%. 
No meio dessa crise, os primeiros a sofrerem com o desemprego são os jovens. Em Portugal, a taxa de desemprego das pessoas com menos de 25 anos foi de 35,2% no mês de setembro de 2014. No mesmo período para União Europeia o percentual foi de 21,6%. Um cenário preocupante ocorre na Espanha, onde, em setembro de 2014, 53,7% da população com menos de 25 anos estava desempregada. A Alemanha é o país que apresenta a menor taxa, sendo de 7,6% no mesmo período. 
Comparando as regiões de Portugal, a mais afetada com o desemprego jovem em 2013 foi a região da Madeira com 51,8% dos jovens com menos 25 anos desempregados. No mesmo ano, a região de Lisboa apresentou o percentual de 45,3% e a região Norte teve 35,4%.
Em Portugal, as mulheres são as mais afetadas com o desemprego jovem. No ano de 2013, 39,6%  das mulheres com menos de 25 anos estavam desempregadas. Enquanto o percentual para os homens foi de 36,7%. Na União Europeia, no mesmo período, ocorreu o inverso: os  homens foram os mais afetados pelo desemprego juvenil, apresentando a taxa de 24,1% e as mulheres tiveram o percentual de 22,7%.
O desemprego jovem é uma grande preocupação para os governantes europeus porque isso ameaça a estabilidade da União Europeia. Está-se criando uma geração que não tem perspectivas claras de melhorias de emprego. Segundo Stéphane Carcillo, economista da OCDE, os jovens encontrarão salários mais baixos durante anos em decorrência da crise. 
Muitos jovens para fugir do desemprego pensam em emigrar. Um estudo internacional encomendado pela seguradora Zurich no ano de 2013 apontou que 57% dos jovens portugueses com idade entre 15 e 24 anos admitiriam emigrar ou já estavam emigrando para outro país em busca de emprego.  A busca de novas e melhores oportunidades profissionais e um melhor nível de vida seriam os principais motivos para a emigração.
Para Stéphane Carcillo, uma importante ferramenta para combater o desemprego juvenil é proporcionar a ligação entre os jovens e o mercado de trabalho o mais cedo possível. Segundo ele, países como a Alemanha e a Áustria, que possuem sistemas de aprendizagem dual, que oferecem experiência de trabalho mais cedo para os jovens, estão conseguindo combater o desemprego juvenil.

Eduarda Coelho da Silva

Referências:

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A geração do empreendedorismo

Empreendedorismo. Esta poderia ser considerada a palavra do ano, sendo que é usada todos os dias como se fosse a solução para os nossos problemas. Como se fosse a receita para as dificuldades todas que o país enfrenta actualmente a nível de desemprego. Como se todos nós, geração dos 20 aos 30 anos, tivéssemos o que é preciso para sermos empreendedores. 
Mas o que é o empreendedorismo realmente? O empreendedorismo tem origem no termo empreender, que significa realizar, fazer ou executar. Uma das características de um empreendedor é a criatividade, inovação e curiosidade. Mas haverá espaço para nós, recém-licenciados, jovens inovadores e criativos, para ganharmos a coragem de não ir pelo caminho fácil, como imigrar ou trabalhar fora da nossa área, e criar novos produtos, novos conceitos, novas empresas, redefinindo, assim, o mercado de trabalho em Portugal?
As estatísticas dizem que os portugueses são dos que têm menos medo de falhar, talvez devido ao enorme desemprego vivido em Portugal, e a intenção de criar um negócio próprio quadruplicou nos últimos dez anos, ou seja, existe “empreendedorismo por necessidade”. Mas a taxa de mortalidade das empresas recém-criadas em Portugal é das mais elevadas na União Europeia, sendo 70% ao fim de cinco anos. Por exemplo, só três em cada dez sociedades criadas em 2004 estavam a funcionar depois de cinco anos. Estes valores devem ser encarados com grande preocupação. 
A maior causa é a falta de financiamento, já que, normalmente, as empresas nascem com dinheiro emprestado por familiares ou amigos. Logo, ao criar uma empresa, existe um grande risco a nível pessoal, pois o dinheiro “saí do bolso”. António Marques considera, também, que a grande questão é que “não há um ambiente de verdadeira valorização empresarial em Portugal” e, com este problema, as empresas mais jovens não sobrevivem. 
No que diz respeito mais especificamente às "startups", estas representam 18.800 das 30.041 empresas criadas, em média, por ano, em Portugal. Uma "startup"  é uma empresa, normalmente de base tecnológica, que possui elementos inovadores e trabalha num ambiente de incerteza. As "startups" representam 6,5% do tecido empresarial e 18% do novo emprego. Até aqui tudo bem, mas vamos agora analisar as suas taxas de sobrevivência. Dentro das "startups", menos de 50% apresentam actividade no fim do terceiro ano e a taxa de sobrevivência ao fim do 5º ano é de 40%, ou seja, menos de metade das "startups" consegue aguentar cinco anos. Relativamente ao financiamento destas, 32% provém de família e amigos. 
O empreendedorismo tem, se calhar, de deixar de ser feito por necessidade e começar a ser feito com vontade. Acho que faz sentido arriscar, acho que há espaço para ideias novas e de qualidade que possam ser reconhecidas internacionalmente. Acho que temos pessoas para o fazer. Mas para haver mais empreendedorismo de qualidade tem de haver um maior apoio, principalmente a nível financeiro. Vejo que há um esforço cada vez maior, através da criação de iniciativas entre faculdades e empresas, e é esse o caminho. Procurar revelar o espírito empreendedor dentro das faculdades para que, assim, a qualidade das nossas novas empresas seja cada vez melhor e estas sobrevivam aos desafios que apareceram no seu percurso.

Margarida Martins

Bibliografia:
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=3297793&page=-1

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Da esperança à desilusão! Orçamento de Estado para 2015

O Orçamento de Estado para 2015 é(ra) visto por muitos portugueses como a luz ao fundo do túnel. Era este que iria permitir a recuperação económica e a alavancagem que Portugal precisava. Estavam muito enganados os que esperavam que assim fosse. Apesar das boas perspectivas na pasta da Economia com a queda do desemprego, o crescimento económico de 1,5% (esperado) e até mesmo da certeza que a dívida pública decrescerá para 123% do PIB, há questões que ainda continuam em stand by e outras que pioraram! E mais uma vez o meu foco, é na área da Educação!
A área da Educação foi, certamente, das mais afectadas pelos cortes neste orçamento de estado, tendo o investimento caído em 700 milhões de euros só no ensino básico e secundário, face a 2014. No Ensino Superior, a queda é de 8.4% face a 2014, o que poderá em alguns casos obrigar ao encerramento de algumas instituições de Ensino Superior. Após algumas críticas e sugestões de sindicatos e até do CRUP (Conselho de Reitores), o orçamento de estado de 2015 conseguiu tirar, à população em geral e aos jovens estudantes, a esperança de que 2015 seria o ano da retoma.
Sendo a Educação um dos sectores fundamentais do Estado, não há uma explicação sólida e coerente sobre estes números, o que faz com que não só se perca em qualidade como em quantidade. Tendo os alunos um papel importante a desempenhar no futuro, todo esse futuro fica em risco devido ao grande desinvestimento desde muito cedo na Educação! 

António José Rodrigues Peixoto

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]