quinta-feira, 27 de novembro de 2014

INSURANCE MARKET IN LITHUANIA

Insurance is a contract by which one party, in consideration of a price paid to him adequate to the risk, becomes secure by the other that he shall not suffer loss, damage or prejudice by the happening of the perils specified to certain things which he may be exposed to.

At the end of 2013, insurance services in the Lithuanian market were provided by 24 insurers, of which 10 are insurance undertaking registered in Lithuania and 14 are branches of insurance undertakings established in other EU countries. Insurance licences of two insurance undertakings, i.e. UAB Būsto paskolų draudimas and UADB Industrijos garantas, were suspended. 
The share of Lithuania’s overall insurance market held by branches expanded to 49 per cent, from 40 per cent (53% of non-life insurance market, 42% of life assurance market), primarily due to a merger between three non-life insurance undertakings of ERGO in the Baltic countries early in 2013 and the continuation of the insurer’s operations in Lithuania through a branch of ERGO Insurance SE. 
In 2013, Lithuania’s insurance market continued to grow steadily: the insurance undertakings registered in the country and the branches of insurance undertakings established in Lithuania by other EU countries last year grew to LTL 1.946 billion in insurance premiums, 8.8 per cent more versus 2012. Growth rates of life assurance and non-life insurance markets were broadly similar, in particular, the life assurance market expanded by 8.9 per cent, or LTL 626.0 million, and the non-life insurance market — by 8.7 per cent, or LTL 1,319.5 million. 
However, neither life assurance nor non-life insurance segments managed to match the highest scopes seen in previous years. Record premiums written in traditional life assurance by the life assurance segment reflect increased demand for more conservative investment products. At the same time, a rather significant increase (of 9%) in the scope of unit-linked insurance has shown that, despite higher investment risks, policyholders also choose investments in riskier products of life assurance undertakings in the environment of low interest rates. 
For the non-life insurance market, 2013 was a year of record volumes. Last year, the scope of compulsory motor third-party liability (MTPL), status, general civil liability, financial loss, railway rolling stock and assistance insurance classes was the largest in a decade. However, the amounts paid by the latter insurance groups in claims were record high as well, thus, the loss ratio of non-life insurance market  (excluding claims handling expenses and subrogation amounts) decreased marginally by meagre 3 percentage points (to 58%). 
According to unaudited data, insurance undertakings registered in Lithuania earned LTL 61.2 million in profit in 2013, i.e. LTL 15.5 million less than in 2012. In contrast to previous periods, profitability of insurance undertakings was mostly driven by successful core, i.e., insurance operations. The prevailing environment of low interest rates affected investment performance of insurance undertakings’ last year, in particular, the return on investment (ROI) decreased by 2.7 percentage points to 2.6 per cent, and investment performance was one of the weakest as compared with performance in the past five years. In line with the previous periods, undertakings pursuing life assurance activities scored better in terms of the aggregate performance than non-life insurance undertakings. 
In 2013, as compared to 2012, assets of insurance undertakings grew by 8 per cent and amounted to LTL 2.8 billion. Growth was driven by a 3.7 per cent increase in the value of insurance undertakings’ investments and by an increase of as much as 14.7 per cent in the amount of life assurance investments, where the investment risk is borne by insurance policyholders. The composition of the insurers’ investment portfolio remained virtually unchanged, i.e., it remained conservative with the biggest amounts invested in government securities, corporate bonds and term deposits with banks. At the same time, insurance undertakings started looking for more profitable, albeit riskier, investments. As a result, investments in shares and other variable-yield securities increased by 14 per cent (to LTL 105.6 million) to account for 6.6 per cent of total investments. 
One of the major indicators of financial stability in the insurance market (solvency margin coefficient) was rather high, of 2.6 (solvency margin requirements are met where the solvency coefficient is above 1). Sufficient coverage of technical provisions of the insurance market with assets and a high solvency margin mean a financially stable market. 
In 2013, two planned inspections of insurance undertakings were carried out with focus on the adequacy of reserves formed by insurance undertakings, i.e. insurance technical provisions, as well as on the assessment of other areas relevant to the financial standing of the undertakings and the quality of their management system.

In my opinion, insurance is very important because it contributes a lot to the general economic growth of the society by providing stability to the functioning process. The insurance industries develop financial institutions and reduce uncertainties by improving financial resources. Insurance generate funds by collecting premium. These funds are invested in Lithuanian government securities and stock. These funds are gainfully employed in industrial development of the Lithuania for generating more funds and utilised for the economic development of the country. Employment opportunities are increased by big investments leading to capital formation. Insurance generates significant impact on the economy by mobilizing domestic savings. It turns accumulated capital into productive investments, enables to mitigate loss, financial stability and promotes trade and commerce activities those results into economic growth and development. Thus, insurance plays a crucial role in sustainable growth of an economy.

AIRA JANONYTĖ

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Multinacionais

As multinacionais, além de grandes, são também empresas fortemente rentáveis e produtivas. Geram concorrência nos mercados externos em que se inserem, produzem bens e serviços dos melhores níveis de qualidade, criam um vasto número de postos de trabalho, o que atrai fortemente os governos dos países onde se instalam e todos os consumidores que estão dispostos a pagar apenas pelos melhores produtos.
Recentemente, foi tornado público que algumas multinacionais pagavam baixos impostos ou até nenhuns, nomeadamente, a Starbucks, rede mundial de cafés, foi manchete nos sites e jornais do Reino Unido por nos últimos anos ter pago zero ao fisco. Á lista de multinacionais que fogem aos impostos, podemos acrescentar ainda a Google,a Apple, a Amazon, entre outras.
Segundo a OCDE, cerca de 400 multinacionais pagam apenas 4% a 5% de impostos sobre os lucros. Valores bastante irrisórios e cerca de 32-57% abaixo da média dos impostos das empresas nacionais.
A pergunta que se coloca agora é: como é que estas grandes empresas evitam o pagamento ao fisco? Uma das principais formas de fuga é a atribuição dos lucros a subsidiárias que se encontram localizadas nos chamados “paraísos fiscais”, como é o caso das Ilhas Caimão e das Bermudas, onde a lei facilita a aplicação de capitais estrangeiros, oferecendo uma espécie de dumping fiscal com alíquotas de tributação muito baixas ou nulas. Outra das estratégias utilizadas é a manipulação dos preços de transferência e rácios de dívida.
Com a divulgação deste problema, a OCDE em parceria com o G-20, grupo formado pelos ministros de finanças e chefes dos bancos centrais das 19 maiores economias do mundo, mais a União Europeia, irão atuar de forma a eliminar as lacunas nos tratados fiscais que as multinacionais aproveitam para não pagar impostos. Isto irá implicar um aumento da pressão em países como a Irlanda, a Suíça, o Luxemburgo e a Holanda, onde as empresas internacionais estabelecem sede e têm facilidade em fugir ao fisco.
A verdade é que este comportamento por parte das multinacionais é legal, mas imoral, ou seja, a lei permite, no entanto os princípios éticos estão a ser violados. A mesma empresa acaba por ter duas imagens contraditórias, no mercado é lucrativa e no fisco deficitária.
Não desconsiderando todas as contribuições que as multinacionais fazem para a economia, a meu ver, empresas como a Starbucks, a Apple e a Google, que estão em todo o lado do mundo, fazem diariamente parte do nosso dia, têm um vasto público fiel à sua marca e aos seus produtos, deveriam ser as primeiras a demonstrar os conceitos de transparência, lealdade e igualdade. Como é óbvio, este comportamento revolta todos aqueles que fazem sacríficos, levando-os também a procurar planos de fuga aos impostos. E como todos nós sabemos, nenhuma economia sobrevive quando a evasão aos impostos se torna “o pão nosso de cada dia”.

Ângelo Rafael Gonçalves Moreira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Comportamento oligopolista das operadoras de telecomunicações em Portugal

No mercado Português das telecomunicação verifica-se uma “Estrutura Oligopolista” que, segundo a ANACOM (Autoridade Reguladora em Portugal de Comunicações) “sugere a possibilidade de os operadores terem incentivos para um comportamento coordenado, em detrimento de um comportamento concorrencial”. 
Para operarem neste setor, as operadoras necessitam de um vasta infraestrutura, sendo que o investimento é elevadíssimo. São necessárias concessões do governo para entrarem no mercado, através de leilões públicos. Em função do elevado investimento, é difícil verificarmos um elevado número de operadoras. Contudo, podem permitir o acesso à sua rede a outras empresas. 
Segundo dados da ANACOM, subscrições por pacotes e adesão à fibra aumentaram 10,6% num ano. O grupo NOS detém a quota de assinantes de televisão paga mais elevada, de 45,3% no final de Junho deste ano. A PT comunicações e a MEO detinham uma fatia de 41,9% no mesmo período. A Cabovisão e a Vodadone possuem uma cota de mercada mais baixa representando, respetivamente, 6,7% 3 e 5,9%. Contudo, é a Vodafone que tem vindo a conquistar mercado, sendo o líder de novas subscrições. 
No que respeita aos serviços móveis, as receitas destes caíram cerca de 10% no final do 2º trimestre deste ano. A MEO retém uma quota de 47,3%, a Vodafone de 34,5% e a NOS possui 16% de quota. Como podemos comprovar pelos dados mencionados, um número pequeno de empresas domina quase totalmente este mercado. 
O número de queixas junto da Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor (DECO), aumentou 20% entre Janeiro e Outubro do ano passado. As telecomunicações lideram o ranking das reclamações dos consumidores, incidindo sobretudo em questões de fidelização e falta de transparência e de informação. Segundo a mesma entidade reguladora, estas empresas atuam de forma coordenada, em detrimento de um comportamento concorrencial, impedindo a entrada de novas empresas no mercado e impossibilitando o acesso às suas redes a novos aspirantes que pretendam oferecer serviços de retalho. Este tipo de comportamento desvia-nos da ilusão da existência de um Oligopólio, chegando a funcionar mesmo como um Monopólio. 
Desde meados de 2001, verificou-se uma retração da concorrência, ao contrário do que sucedia anteriormente, em que “o mercado português era bastante eficiente e estava ao nível dos melhores da Europa”. Os preços de retalho dos três operadores (TMN, Vodafone e Optimus) mantiveram-se relativamente estáveis, exibindo um comportamento não consistente com a descida generalizada de custos.
Atualmente, Portugal é um dos poucos países da União Europeia onde os únicos a prestar serviços móveis de retalho são os operadores de rede. Na maioria dos países existem outras empresas que oferecem serviços no mercado de retalho utilizando o acesso às redes dos operadores. Por conseguinte, os consumidores portugueses são prejudicados por este “comportamento de cartel”, sendo “obrigados” a pagar preços elevadíssimos por um serviço que, neste momento, já não justifica tais custos. Há um “abuso” neste tipo de mercado pois é certo que todos nós necessitamos destes serviços.
Como sabemos, em Portugal não existe uma verdadeira tradição de política de concorrência nos mercados de bens e serviços. Uma boa regulação por parte Estado é essencial para combater este tipo de comportamentos que prejudicam o consumidor. Assim, excedente do consumidor é quase totalmente transferido para o produtor, afetando o bem-estar social da economia.
Será necessário, deste modo, uma intervenção pública mais ativa, criando condições e atenuando barreiras para que se permita a entrada de novas operadoras que, naturalmente, forçarão a descida dos preços. É necessário melhorar a utilização dos recursos, promover o investimento de infraestruturas economicamente eficientes, reduzir as barreiras à entrada e a promover uma concorrência efetiva.

Ana Marta Gomes Carvalho

Bibliografia:
http://www.telemoveis.com/tecnologia/anacom-denuncia-estrutura-oligopolista.html

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

“… Despesas com Rendimento de Inserção baixam 40% em três anos…”

O Rendimento Social de Inserção (R.S.I.) é uma medida de protecção Social criada para apoiar as pessoas/famílias mais carenciadas, com dificuldades económicas e em risco de exclusão Social. É constituído por um contrato de inserção que consiste em ajudar na integração Social e profissional através de uma ajuda pecuniária (subsídio) que, de certa forma, contribui para combater a exclusão social e satisfazer as necessidades básicas. Quem recebe o Rendimento Social de Inserção assina um contrato de inserção onde consta um conjunto de deveres e obrigações.  
Dos dados fornecidos pela Segurança Social, podemos dizer que o número de casos está a diminuir, mas esta diminuição de certa forma deve-se ao aumento dos “cortes do estado”. Sendo este tipo de ajuda atribuído a pessoas/famílias que, normalmente, são desempregados de longa duração, como podemos, então, analisar os dados da Segurança Social, entre 2004 e 2013? Os referidos dados apontam que, em média, assistimos na verdade a uma queda no Rendimento Social de Inserção nos últimos três anos. Entre 2004 até 2010, em média, verificou-se um aumento considerável no número médio de benificiários do R.S.I, passando de 84.316 em 2004 para 526.013 em 2010. Entretanto, note-se que a partir de 2010 até ao ano transacto (2013) se verificou uma diminuição no número de beneficiários em 165.860 beneficiários. Ou seja, em 2010 existiam 526.013 beneficiários com de R.S.I. e em 2013 passou-se, em média, para 360.153 beneficiários. Estes dados referem-se a Portugal, incluindo os Açores e a Madeira.
Podemos referir que no distrito de Braga, em média, em 2004, existiam 5.615 beneficiários do R.S.I., número que foi crescendo até 2010, para 31.387 indivíduos. Mas, de 2010 para 2011, passaram a ser 23.724 beneficiários, em 2012 tivémos 20.592 e em 2013 passámos a ter 15.224. 
Também o número de famílias com processamento de R.S.I., em média, em 2010, foi de 206.700 famílias. Devido à redução das despesas do Estado em R.S.I., em 2013 tivémos 148.107 famílias, menos 58.593 famílias com processamento de R.S.I.
Em conclusão, este auxílio económico, ao ser atribuído, tem de ter regras, e não é umas para os mais ricos e outras para os mais pobres, não sendo estas pessoas responsáveis pela sua situação actual. O Estado pode reduzir nas despesas sociais, mas para isso tem de fazer um estudo exaustivo e minucioso de cada caso em situação de carência económica. Devido à existência de casos fraudulentos, existem indivíduos/famílias a possuir este auxílio económico, sem tais carências. Aqui sim, o Estado deve intervir e penalizar estes actos. 
Por um lado, é bom o Estado reduzir nas despesas sociais, se a esta redução estiver associada uma economia mais estável, isto é, com maior empregabilidade. Por outro lado, o Estado não deve ignorar os casos em decadência económico-social. Nestes últimos três anos, como podémos verificar nos dados da Segurança Social, a despesa para este tipo de prestações sociais sofreu uma queda de 40%, certamente alta, já que ainda existem muitos casos com dificuldades económico-financeiras.

     Marília Fernandes Rodrigues 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

domingo, 16 de novembro de 2014

Economia Paralela: da fraude de milhões ao pequeno desvio ocasional

A dimensão da economia paralela num país dá-nos a ordem de grandeza da crise social, e não somente económica, do país. Ela é uma preocupação transversal à sociedade portuguesa. Ao mesmo tempo que se reivindica o seu fim no cartaz de manifestação, está nas preocupações do Governo ao analisar a política fiscal. Muitos reivindicam contra ela, vários declaram ou fingem combatê-la e alguns manipulam e controlam a sua existência e os seus grandes benefícios.

Ela tem vindo a crescer entre nós, facilitada pela livre circulação de bens e serviços e pela desmaterialização de boa parte das transações comerciais, mas também pela lentidão da justiça, pelas limitações de eficiência do aparelho tributário, pelo aumento contínuo da carga fiscal, do desemprego e dos “biscates” para poder sobreviver. Da fraude de milhões ao pequeno desvio ocasional.

Perante a dimensão da crise social, não surpreende o facto de que o valor da economia paralela em Portugal tenha crescido para os 44 mil milhões de euros, 27% do produto interno bruto oficial do país. Um montante de actividades que se pagassem impostos faria com que não tivéssemos “excessivo” défice no Orçamento do Estado (admitindo, com muita improbabilidade, que toda a sua actividade está aí reflectida).

Responsabilidade de cada um de nós? Responsabilidade do Governo, bode expiatório das nossas desilusões? Responsabilidade do sistema, declarada quando não conseguimos identificar as causas?

Quando, no início do presente milénio, analisámos a globalização, quando as perturbações da crise ainda não existiam, mas eram previstas, a partir da observação das suas características, concluímos da existência de uma importante actividade ilegal (droga, órgãos humanos, espécies protegidas, armamento, escravatura, etc.). Acrescentaríamos hoje uma forte dimensão da fraude e da corrupção, do branqueamento de capitais…

Os crimes socialmente mais relevantes são praticados por quem está profundamente integrado na sociedade, pela “criminalidade de colarinho branco”.

A crise de 2007 poderia ter conduzido a uma alteração dos modelos de comportamento, como pareciam indiciar algumas declarações políticas de então, mas o poder económico conseguiu subordinar o poder político, e tudo continuou parecido. Demonstram-no as políticas assumidas e a realidade dos paraísos fiscais e tributários, os offshores. Isto é, espaços legalmente constituídos e politicamente suportados para dificultar a criminalização nacional dos actos ilícitos, para aproximar actividades legais e a criminalidade económica internacional, para disfarçar a grande corrupção, para fluir o branqueamento de capitais, para implantar empresas-fantasma e reforçar a fraude fiscal.
E tudo isto está estreitamente associado a uma profunda desigualdade na distribuição do rendimento, assumindo frequentemente formas que qualquer moral do senso comum rejeitaria: as fraudes e crimes de uns (uma elite económica e política defraudadora) são pagas pelos que nada têm a ver com o assunto e, muitas vezes, se encontram no limiar que separa o viver do sobreviver: para que o capital financeiro não se desvalorize, desvalorizam-se as condições de vida das populações.

A tendência de aumento da economia “não registada” nas últimas décadas é, em primeiro lugar, resultado da integração do nosso país nesta dinâmica global da globalização. Contudo, tal não reduz a responsabilidade dos poderes políticos neste processo: durante grandes períodos tem havido uma cumplicidade e envolvimento nessa dinâmica internacional, facilitou-se o controlo de importantes segmentos do Estado pelo poder económico. A crise acelerou as tensões existentes e aumentou as desigualdades sociais no nosso país.

Neste contexto, foi-se assistindo nacionalmente a um conjunto de atuações de curto prazo, mas duradouras, que corroeram a confiança entre o Estado e os cidadãos. Quando ela se rompe, ou continua destruída, a incerteza aumenta, as relações sociais enfraquecem-se, a ética degenera e os desonestos reforçam o seu poder, porque ficam em melhores condições de “vencer a concorrência”.

E há razões para essa quebra de confiança. É importante reforçar que a corrupção, a fraude fiscal e o crime económico-financeiro são menos combatidos que os “crimes de rua”, que o não cumprimento de obrigações de muitas famílias por estritas razões de sobrevivência. As desigualdades na distribuição do rendimento agravam-se obscenamente.
Quanto às responsabilidades de cada um, elas são muito diferenciadas. Há quem canibalize, quem viva e quem sobreviva.

O Homem deveria ser a razão da actividade económica, mas quem anseia respeito e dignidade tem de procurar substituir o Estado-mercado pelo Estado-nação.
Só em democracia se reduz a economia “não registada”, mas não acontecerá enquanto o poder político estiver exclusivamente subjugado à dinâmica económica, aos “mercados”.

Susana Costa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

INTERNATIONAL SOURCING

1) O QUE E O SOURCING INTERNACIONAL?
international sourcing consiste na deslocalização total ou parcial de funções até então realizadas por uma empresa residente num determinado país, para outras empresas localizadas nesse país ou no estrangeiro e com as quais existiam ou não relações de grupo. As funções deslocalizadas podem constituir o core business da empresa (negócio principal) ou funcionarem como atividade de suporte.
Estamos perante sourcing internacional quando as funções são deslocalizadas para outras empresas no estrangeiro.

2) COMPARATIVA SOURCING INTERNACIONAL NO PERÍODO 2009-2011 E PLANOS PARA 2012-2015.

2.1) Introdução
No período 2009-2011, 15,3% das empresas em Portugal com 100 ou mais pessoas ao serviço realizaram sourcing internacional, principalmente dirigido a países da União Europeia e dos PALOP.
Cerca de 12% tiveram planos para realizarem sourcing internacional no período 2012-2015. Os países da UE a 15 e os PALOP seriam também destinos preferenciais, adquirindo os PALOP uma importância acrescida.
Em 2011, 9,1% das empresas com 100 o mais trabalhadores tinham filiais no estrangeiro, constituindo os PALOP, os países da UE15 e o Brasil os destinos prediletos para a sua localização. Cerca de 24% das empresas subcontrataram funções de negócio a fornecedores externos estrangeiros, localizados maioritariamente nos países da UE15.

2.2) O sourcing internacional no período 2009-2011.
No período 2009-2011, 15,3% das empresas com 100 o mais trabalhadores realizaram sourcing internacional (mais 3,1% que no período 2001-2006). Mais de 72% das empresas que realizaram sourcing internacional faziam parte de um grupo económico.
Em portugal, 18,2% das empresas da indústria deslocalizaram atividades para o estrangeiro, 5% mais do que observado no conjunto dos outros setores de atividade.
O sourcing internacional continua a ser um modelo sobretudo usado por empresas do setor da indústria, sendo crescente a utilização por empresas de outros setores. Em relação ao período 2001-2006, Portugal registou um acréscimo de 8,7% na proporção de empresas de outros setores que realizarem sourcing internacional.
Também em relação ao período 2001-2006, no período 2009-2011 foi notório o incremento da deslocalização das funções de suporte ao negócio (acréscimo em Portugal de 8,9%).
Em Portugal, as funções de suporte mais deslocalizadas para o mercado internacional foram as administrativas e de gestão e as TIC.
No contexto Europeu, as TIC foram as funções mais frequentemente objeto de sourcing internacional; as funções de I+D e engenharia foram outras das funções de suporte mais deslocalizadas para o mercado internacional.
Em Portugal, cerca de 70% das empresas realizaram sourcing internacional com parceiros localizados na UE.Também foi elevada a frequência de empresas portuguesas a deslocalizarem funções para o resto do mundo, incluindo no “resto do mundo” os PALOP (percentagem significativo).
Por tipo de funções de negócio, os países de UE foram o primeiro destino escolhido pelas empresas portuguesas para a deslocalização quer de funções de core business quer de funções de suporte ao negócio.
Os PALOP ocupam a segunda posição enquanto destino para o sourcing internacional de parte ou da totalidade das funções de core business e a terceira posição para a deslocalização de funções de suporte ao negócio.
Em Portugal, as decisões estratégicas do cabeça de grupo foram consideradas como a principal motivação para a deslocalização, e o acesso a novos mercados foi a segunda motivação.
No contexto europeu, as decisões estratégicas do cabeça de grupo e a redução de gastos de pessoal foram as motivações mais valorizadas aquando da deslocalização de funções para o mercado internacional.
2.2.1) Retorno do sourcing internacional 2009-2011.
2,3% das empresas com 100 ou mais trabalhadores ao serviço fizeram regressar a Portugal funções de negócio alvo de sourcing internacional. Para 25,9% das empresas, os custos superiores ao esperado foram a principal motivação para o retorno do sourcing internacional.
2.2.2) Atividades das filiais de empresas portuguesas no estrangeiro em 2009-2011.
9,1% das empresas com 100 ou mais trabalhadores tinham filiais localizadas no estrangeiro.
Cerca de 40% das empresas com filiais tinham filiais localizadas nos PALOP dedicadas a realização de parte ou totalidade de funções do seu core business. Por outro lado, cerca de 52% tinha filiais na UE para onde deslocalizaram pelo menos uma das suas funções de suporte ao negócio principal. 34,8% registaram incremento do emprego das filiais no estrangeiro.
2.3) Planos outsourcing internacional 2012-2015.
Cerca de 12% das empresas com 100 ou mais pessoas ao serviço tem planos de deslocalizar. Esta percentagem sobe para 56,4% se forem consideradas só aquelas que realizaram sourcing internacional em 2009-2012.
UE e os PALOP continuam sendo os primeiros lugares para a deslocalização de funções de core business.
Mais de 69% das empresas portuguesas optaram pela UE. Os PALOP e o Brasil acolheram 32,4% e 24,7% das empresas, respetivamente.
Cerca do 40% das empresas com planos futuros para a realização de sourcing internacional referiram esperar que este tenha impactos no emprego da sua empresa ao nível da deslocalização para o estrangeiro de postos de trabalho de elevada qualificação.

Rosana Pilar López Alvez

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Vantagens para Portugal do abandono da zona-euro

Portugal está com enormes desequilíbrios não só nas finanças públicas como também na economia: mercado de trabalho e balança comercial desequilibrados.
Imaginando que é tomada a decisão de Portugal abandonar a moeda Euro, existia desde já uma vantagem: Portugal tem a possibilidade de valorizar ou desvalorizar a nova moeda adotada, desde que não seja uma moeda comum a outros países, tal como acontece atualmente com o Euro, em que não pode ser Portugal a tomar a decisão de valorizar ou desvalorizar esta moeda, mas sim a própria UE.
Considerando um cenário em que Portugal sai do Euro e desvaloriza a nova moeda (ex.: Escudo), teria as seguintes vantagens: 
- desvalorizando a moeda nacional, o preço dos produtos nacionais ficaria mais baixo nos mercados internacionais, o que permitiria aumentar a venda de produtos nacionais nos mercados externos, com consequente estímulo e aumento das nossas exportações que constituem um dos principais motores da economia nacional; passaria assim a existir um protecionismo natural dos produtos nacionais e consequente redução  das importações e aumento das exportações;
uma moeda Portuguesa fraca, iria tornar o país ainda mais atrativo para o turismo internacional, com consequente aumento da receita e consequente vantagem para o setor do turismo, restauração e afins, bem como para a nossa balança comercial externa;
o aumento das exportações arrastaria uma série de novas vantagens que se auto-sustentam e se influenciam reciprocamente, nomeadamente:
c.1) aumentando o volume das exportações, o que significaria que o volume de vendas nacional iria aumentar na mesma proporção;
c.1.1) se o volume das exportações e das vendas aumenta, a balança comercial com o exterior tende a equilibrar e aumenta a riqueza e o PIB Nacional; por sua vez, o Estado vai aumentar proporcionalmente a sua receita fiscal; existindo uma maior receita fiscal, o défice das contas públicas tende a baixar, passando a existir um maior equilíbrio entre despesa e receita do Estado e, consequentemente, um Estado com as suas Contas Públicas e défice equilibrados poderá aliviar um pouco a carga fiscal que incide sobre os contribuintes; é também, assim, um Estado que não depende de ajudas externas, como por exemplo financiamento da Troika e de países e entidades diversas, não tendo assim que depender desses financiamentos, nem que suportar o pagamento dos respetivos juros altíssimos;
c.1.2) Existindo um maior alívio da carga fiscal sobre os cidadãos/famílias, estes dispõem de um maior rendimento disponível para consumo interno e, naturalmente, de um maior poder de compra; maior poder de compra significa aumento das vendas e da produção para as empresas, com resultante aumento de receita fiscal para o Estado; no entanto, será de prever um aumento da taxa de inflação, sobretudo numa fase inicial; porém, na globalidade da economia nacional, atendendo ao aumento de produtividade das empresas portuguesas e à redução da taxa de desemprego, será de prever  um aumento do poder de compra que contribui positivamente  para uma maior capacidade de poupança das famílias; daqui decorrem benefícios para a Banca, passando esta a dispor de um aumento e de um maior reforço dos depósitos de clientes, bem como de uma menor necessidade de se financiar no exterior;
c.1.3) por outro lado, aumentando o volume das exportações e das vendas, é necessário que as empresas aumentem a sua produção e, deste modo, precisam de mais mão-de-obra; a necessidade de um aumento de mão-de-obra cria novos postos de trabalho e reduz o número de desempregados.
Assim, do meu ponto de vista, se não fosse o nosso elevado endividamento a outros países que compraram a dívida pública portuguesa, com a contrapartida de pagamento de juros altíssimos, e se o Banco de Portugal mantivesse a paridade de 1 euro = 200,482 escudos em todos os empréstimos celebrados no período de vigência do Euro, seria vantajoso que Portugal saísse da Zona Euro, por todas as vantagens mencionadas.

Sara Filipa Azevedo Rijo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]