segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Particularidades do Setor Agrícola

A baixa rentabilidade, o envelhecimento populacional, a reduzida formação da maior parte dos ativos agrícolas e a fragilidade do setor produtivo face ao crescente poder da grande distribuição são parte integrante dos problemas específicos do nosso setor agrícola.
O estado atual da agricultura portuguesa reflete não só os problemas específicos do setor como também a situação financeira, económica e social crítica que o país atravessa. A atual conjuntura económica vem agravar as condições do exercício das atividades agrícolas, florestais e agro-alimentares, cujas empresas são de micro, pequena e média dimensão, o que as torna vulneráveis comparativamente com outros sectores.
A grave crise que Portugal está a atravessar faz-nos esquecer, por vezes, a enorme riqueza que possuímos: a natureza e o que ela nos pode oferecer! O nosso país é dotado de uma boa localização geográfica, o que nos permite uma grande diversidade animal e vegetal, uma elevada variedade de paisagens e climas, com zonas secas e zonas húmidas, planícies e montanhas, rios e mar, muito vento, biomassa e calor saído da terra. Assim, temos todas as condições para poder tirar o melhor proveito desta riqueza em recursos energéticos renováveis. Desenvolver este potencial pode ajudar a economia a crescer! 
A floresta, por sua vez, ocupa 64% do território nacional e é o terceiro maior exportador, contribuindo anualmente com 1 300 milhões de euros para a economia portuguesa. A costa de Portugal é extensa, ronda os 1230 km no continente, 667 km nos Açores e 250 km na Madeira. 
Apostar no mar é, acima de tudo, ser mais sustentável. A combinação de tudo isto tem uma grande potencialidade económica. 
Em primeiro, parece-me necessário reabilitar a imagem do setor, que  por muitos é considerado como atrasado e incapaz de gerar riqueza. É preciso demonstrar que os setores agrícola e agro-alimentar têm futuro a nível alimentar, energético e ambiental. A revitalização da agricultura e o aumento da produção nacional poderão gerar receitas capazes de contribuir para o equilíbrio da balança alimentar, ou seja, para que as nossas exportações sejam iguais às importações. É vital para o nosso país encontrar vias para diminuir a nossa dependência externa de bens alimentares e para aumentar as nossas exportações, preferencialmente com elevado valor acrescentado, de modo a ultrapassar de forma duradoura a atual crise. Tendo este objetivo, os setores da produção agrícola, da produção florestal e agro-alimentar podem desempenhar um papel muito importante. 
Por outro lado, devem-se aumentar os incentivos aos verdadeiros interessados, os agricultores, e tornar o mundo rural aliciante, de forma a atrair jovens para a agricultura. Assim, estaremos a combater a desertificação humana do meio rural.
Os produtos da floresta devem ser valorizados, por serem genuínos e com valor nos mercados internacionais, assim como o mar se deve tornar essencial ao desenvolvimento português. Com isto, importa, portanto, reforçar os apoios aos múltiplos setores ligados às atividades marítimas. 
Segundo Adam Smith: “O consumo é a única finalidade e o único propósito de toda produção”. Enquanto consumidores, olhando para a atual conjuntura, devemos comprar conscientemente, contribuindo para valorizar a nossa produção agro-alimentar, apoiando os agricultores e empresas nacionais. Assim, o consumo nacional deve ser preferencial. Ao consumir estamos a contribuir também para o aumento da produção, criando novos postos de trabalho, combatendo assim outro problema macroeconómico da atualidade.  
Há estudos de organizações como as Nações Unidas que mostram que a economia verde pode ser uma mina de riqueza, visto que acelera o crescimento do PIB e é uma fonte de empregos. Eu acredito que a sustentabilidade ambiental, económica e social é o caminho certo para a Humanidade, e regressar aos campos como uma solução para responder à crise, pode ser uma opção.  Assim, cada vez mais viveremos num mundo onde reina a economia verde. 

Rui Filipe Alves Barbosa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Uma perspetiva nacional e internacional da saúde

O mercado da saúde é, frequentemente, desvalorizado pelos estudos económicos face a outros mercados como o da energia, trabalho ou imobiliário. Contudo, em Portugal, as despesas em saúde ultrapassaram, nos últimos anos, os 10% do PIB, segundo dados da OCDE. Na verdade, a evolução tecnológica tornou a nossa vida substancialmente mais longa ao longo das últimas décadas, o que contribuiu, em larga medida, para uma valorização de vários ativos, nomeadamente, imobiliários ou ações. No entanto, apesar destes ganhos houve custos: os tratamentos médicos tornaram-se significativamente mais complexos e, portanto, mais dispendiosos. 
No mesmo sentido, embora a expectativa de vida tenha aumentado, durante uma parte cada vez maior da nossa vida, deixamos o estatuto de produtores, resumindo a nossa existência como agentes económicos ao consumo. Estes desafios levaram os povos europeus a criarem um modelo social que respeite não só o acesso a cuidados de saúde dignos, mas também que proteja os seus cidadãos quando estes deixarem de poder contribuir para a economia. É, neste ponto, que atingimos um dos mais polémicos debates da atualidade. Serão o estado social e a saúde pública sustentáveis e até onde e para onde estamos a ir?
Nos últimos anos, Portugal foi um dos países da Europa que mais gastou em saúde em percentagem do PIB. Este dado tem servido de argumento para sustentar uma linha de pensamento que defende cortes severos no SNS. De facto, Portugal é o sétimo país da União Europeia com maior despesa em percentagem do PIB, mas mais preocupante do que os dados sobre o passado é o que podemos esperar do futuro. 
Sabendo que os idosos são o grupo etário com maior consumo de cuidados de saúde, quando olhamos para os dados do INE verificamos que nunca foi tão elevado o número de portugueses na faixa etária entre os 65-69 anos (645159 indivíduos). Mas se estes são os potenciais consumidores de cuidados de saúde, no grupo etário anterior 60-64 temos um novo máximo, com mais de 600 mil cidadãos. Se a estes dados alarmantes juntarmos o facto de a ciência médica ter conseguido aumentar a esperança média de vida em um ano a cada cinco, temos uma combinação absolutamente explosiva: maior número de consumidores de saúde, consumo de cuidados de saúde durante mais tempo, técnicas utilizadas na prestação de serviços de saúde mais caras e os consumidores de cuidados de saúde são cada vez mais carenciados devido à recessão económica que vivemos. Assim, é de forma dramática que assistimos a uma diminuição da base da pirâmide etária - correspondente à população mais jovem - e, em contrapartida, a um alargamento do seu topo - correspondendo à população mais idosa.
Tendo em conta os motivos expostos anteriormente, importa perceber como foram capazes os países do centro e do norte da Europa de sobreviver ao seu envelhecimento populacional. A primeira explicação é económica: embora alguns países tenham uma pirâmide etária dos nativos invertida, como o é caso português, foram capazes de importar jovens, em muitos casos, diga-se, os nossos próprios jovens, para equilibrar a sua estrutura etária. Mas tal feito só foi possível porque monstraram economias fortes, capazes de atrair imigração e gerar crescimento que lhes permite hoje gastarem significativamente mais com cada cidadão sem que isso tenha um peso expressivo no seu PIB. 
Para além disto, a má qualidade da distribuição dos recursos é outro fator a ter em conta. Os países nórdicos apostam, desde há décadas, nos cuidados primários e terciários em detrimento dos cuidados secundários, que são cada vez mais dispendiosos. De facto, em Portugal, os cuidados primários representam 2,1% do total de despesa e os terciários 1,4%, sendo que os cuidados secundários representam em Portugal 62% das despesas, segundo dados da OCDE. Quando comparamos estes dados com a Dinamarca (primários 2,3%, secundários 55%, terciários 24,4%), verificamos a forte enfatização dos cuidados hospitalares no nosso SNS mas também a elevada despesa com equipamentos, medicamentos e serviços de apoio (35% contra 19%).
Podemos assim constatar que a hospitalização do nosso SNS deu origem a um caos organizacional com mais de 5000 funcionários, com centenas de linhas de produção, com fortes deseconomias de escala, de difícil gestão e pouco especializados. Esses pontos foram precisamente focados pelo relatório para a reorganização hospitalar. Simultaneamente, embora se multipliquem os institutos anexos ao ministério da saúde, não há um planeamento consistente, como acontece com o NICE, no Reino Unido, reunindo um conjunto de economistas de saúde com a única função de aumentar a eficiência e qualidade do sistema.
Em suma, os portugueses despendem um enorme esforço face à capacidade da sua economia na saúde dos seus cidadãos, sem que com isso consigam atingir resultados de destaque a nível europeu. Existem fortes restrições económicas, de gestão e de política de saúde que condicionam os resultados obtidos e fazem com que haja um desfasamento significativo entre o que os portugueses recebem e aquilo que são obrigados a contribuir para o seu SNS!

Rui Barbosa

Bibliografia:
http://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_p_etarias&menuBOUI=13707095&contexto=pe&selTab=tab4

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

A Emigração dos Jovens Qualificados

Olhamos à nossa volta e vemos, todos os meses, milhares de jovens emigrar. Ouvimos amigos a falar dos seus planos para partir. Não com a satisfação de quem procura novas experiências, mas com a frustração de quem sente que o país onde nasceu não lhe dá nem lhe dará no futuro qualquer oportunidade.
Estamos a perder agora as primeiras gerações de gente qualificada. Qualificada graças a um investimento que, no discurso dominante, é tida como um luxo incomportável. O emigrante dos anos 60 vinha de meios rurais e era, em muitos casos, ou analfabeto ou próximo disso. O emigrante atual é jovem, qualificado e procura carreira, e não apenas dinheiro para sobreviver no estrangeiro e depois regressar. A emigração de jovens qualificados é hoje um indicador problemático para o nosso país. 
O número de emigrantes portugueses com o ensino superior aumentou mais de 87% numa década, passando de um total de 77.790 em 2001 para mais de 145 mil em 2011. Numa perspectiva comparada com o total da emigração portuguesa, são já 10% os portugueses que emigram com curso superior, sendo que há dez anos o número de emigrantes qualificados não passava de 6%, o que representa um salto de quase 60% neste indicador. O Reino Unido é hoje o principal destino da emigração e o principal destino dos emigrantes qualificados. Segue-se a Suíça, tendo-se mantido constante como importante foco de emigração portuguesa desde o final da década de 80, e a Alemanha reaparece no mapa como um dos principais destinos de emigrantes qualificados. Para quarto lugar cai a Espanha, que está hoje a assistir a um ligeiro decréscimo da população portuguesa emigrada com o colapso da construção civil, que veio com a crise financeira de 2008.
Constatamos, então, que os jovens mais qualificados olham, de uma forma global, para as oportunidades de carreira, pelo que é natural que considerem mais vantajoso algumas saídas profissionais no estrangeiro. São engenheiros, enfermeiros, professores, economistas. É inúmera a diversidade de estudantes qualificados que procuram novas oportunidades e novos desafios fora do seu país. Portugal investiu em educação mas esqueceu-se que era necessário criar empregos para os milhares de alunos que terminam os seus cursos todos os anos. O estado português financiou a nossa educação durante anos e agora quem irá beneficiar dos seus frutos serão países como o Reino Unido, a Suíça e Alemanha, entre outros, pois estes países são sinónimo de oportunidade. Oportunidade de adquirir e aplicar novos conhecimentos, oportunidade de ter um futuro.
O incentivo à emigração dos jovens fará com que o país perca o seu bem mais valioso, o único capaz de o fazer renascer: o capital humano qualificado. É então necessário a reorganização do nosso mercado, numa lógica de valorização do capital humano e da criação de oportunidade de desenvolvimento profissional, para que se criem condições de acolhimento para esta geração que se vê aliciada a emigrar e que, apesar de poder trazer algumas vantagens disso, é uma geração altamente qualificada e preparada, que muito pode dar ao país e ajudar no seu desenvolvimento.

Ana Pereira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Um mundo eletricamente em movimento

Os carros movidos por combustíveis fósseis são cada vez mais uma problemática presente no nosso dia-a-dia em que os preços do petróleo, mesmo com as diminuições que temos observado atualmente, continuam elevados e a libertação dos gases poluentes cada vez mais preocupantes, como, por exemplo, o aumento do nível de emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Há uma necessidade de combater as alterações climatéricas, para as quais terão de ser reduzidas as concentrações de CO2 na atmosfera, de forma a contrariar o modelo de combustíveis fósseis. Por outro lado, verifica-se a possibilidade de esgotamento deste recurso energético cujo consumo está a crescer mais rápido que a sua produção e, apesar da atual crise económica, se as economias continuarem no atual ritmo de crescimento, os preços continuarão a aumentar.
Na tentativa da resolução desta problemática, tenta-se inserir no mercado os chamados veículos elétricos (VE). Veículos elétricos são aqueles que possuem parcial ou total parte do seu funcionamento movido por energia elétrica. Desses veículos podemos destacar os veículos híbridos (parcial), os veículos híbridos plug-in (parcial) e veículos elétricos puros (total). 
Num contexto económico como o de Portugal, perante o elevado peso dos produtos petrolíferos no setor dos transportes, os VE apresentam-se como uma das soluções de promoção do transporte eficiente. Em 2011, Portugal foi o sétimo país com maior dependência energética, estando portanto acima da média dos 27 países que compõem a UE. Portugal é um país com poucos recursos energéticos endógenos, em particular, petróleo e derivados, representando estes mais de 80% da fatura energética, onde o setor dos transportes é aquele que regista um maior consumo energético (40% da energia é utilizada neste setor). Desta forma, os transportes são assim um setor com elevado peso em matéria energética e ambiental, apresentando mais de um terço do consumo de energia em Portugal.
A utilização de energias renováveis é um instrumento de redução da dependência externa, dos níveis de emissões de gases poluentes e a dissociação dos custos da energia das flutuações dos preços do petróleo. Desta forma, o país torna-se mais autónomo com o uso destas energias, combatendo o aquecimento global. As desvantagens apontadas ao sistema utilizado nos veículos elétricos são as tecnologias usadas nos motores, as quais ainda são consideradas muito dispendiosos e com falta de autonomia.
Em 2009, com as importantes questões quanto ao nível energético, a UE teve de aprovar o pacote 20-20-20 – medidas de combate às alterações climáticas de forma a alcançar determinadas metas para 2020, tais como: 20% de redução das emissões de GEE relativamente aos níveis de 1990; 20% de quota de energia proveniente de fontes renováveis no consumo final bruto; 20% de redução do consumo de energia primária relativamente à projeção do consumo para 2020, mediante um aumento da eficiência energética.
Durante o primeiro ano de vendas destes veículos, o Governo manteve os incentivos fiscais onde os veículos exclusivamente elétricos estavam isentos do Imposto Sobre Veículos (ISV), sendo esse direito revogado através de uma proposta feita pelo PSD e CDS, a qual foi justificada "com o compromisso assumido no memorando de entendimento celebrado pelo Estado português com a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) de avaliar os atuais instrumentos relacionados com a energia, incluindo os incentivos fiscais em matéria de eficiência energética, designadamente da avaliação do risco de sobreposição ou de inconsistência de instrumentos". Para além disso, com o reduzido número de carros elétricos a circular na estrada, existe uma certa falta de interesse por parte do Governo no investimento em postos de abastecimento elétricos. Apesar da existência de alguns postos pelo país, esses ainda não são o número desejado, o que faz com que as pessoas interessadas neste tipo de veículos pensem duas vezes antes de o adquirir. 
Também é defendido que uma das causas da falta de incentivo para a compra destes veículos será os interesses económicos no setor dos combustíveis fósseis, em que, caso grande parte da população portuguesa possuísse um VE, parcerias com outros países, nomeadamente com os pais exportadores destes combustíveis, terminariam, acabando também com eventuais interesses económicos inerentes.
Estudos feitos a esta temática afirmam que a procura de combustíveis em Portugal tenderá a diminuir, como consequência da redução de consumos provocada pelo desenvolvimento tecnológico e pelo aumento da eficiência dos motores de combustão e resultado do número de viaturas a gasóleo. Na vertente económica, o aumento do número de VE no mercado permite uma redução da dependência dos combustíveis fósseis, quer por via da maior eficiência de consumos quer pela diversificação energética e da utilização de eletricidade proveniente de fontes de energia renováveis, contribuindo assim para um equilíbrio da balança comercial, nomeadamente ao nível da redução do saldo de importações de petróleo e derivados.

Inês Silva

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

O Porto de Sines, um sinal de futuro

Atualmente, Portugal atravessa um período recessivo e de emergência em matéria de crescimento económico e, como tal, procuram-se e analisam-se soluções económicas, políticas sustentáveis e exemplos de crescimento, desenvolvimento e integração. 
Portugal, como se tem visto nos últimos anos, carece de espírito empreendedor, de aproveitamento de potencialidades, de um rumo e de consciencialização do papel de cada um enquanto cidadão, porém, há que separar o trigo do joio, querendo eu com isto dizer que Portugal também tem excelentes exemplos de sucesso e de desenvolvimento, como é o caso do porto de Sines.
O porto de Sines é um porto de águas profundas com uma localização estratégica aliada a condições naturais ímpares para acolher todos os tipos de navios, o que permite posicioná-lo como um grande Hub Port (concentrador de cargas e linhas de navegação) da fachada Ibero-Atlântica, sendo atualmente líder nacional no que concerne à quantidade de mercadorias movimentadas e estando dotado de modernos terminais especializados, permitindo assim a movimentação de diferentes tipos de mercadorias. Desta forma, o porto de Sinas acabou por tornar-se indubitavelmente a principal porta de abastecimento energético do nosso país (petróleo e derivados, carvão e gás natural) e também um importante porto de carga geral/contentorizada. Conta ainda com acessibilidades terrestres adequadas para o tráfego atual e com um plano de evolução rodo-ferroviário, que permitirá dar resposta às projeções futuras de crescimento do porto e da sua área de influência, levando à afirmação de Portugal no mundo.
Contudo, o porto de Sines não funciona por si só, nem nos é garantida a importância e o relevo deste em perpetuidade e, como tal, há trabalho a fazer: há potencialidades e mercado a explorar, como demonstra a mais recente notícia do alargamento do canal do Panamá, o qual conduzirá a um aumento exponencial do tráfego de navios, pelo que urge melhorar a competitividade associada a este tráfego tendo sempre em conta os passos dos portos concorrentes, quer no contexto nacional quer a nível internacional, apostando em estratégias de dinamismo e diversificação. Importa ainda referir quanto a esta matéria o facto de o porto de Sines, até à data, ser apenas dotado de uma capacidade para acolher navios porta contentores de capacidade máxima até 12.000 TEU’s (em comparação, os navios de 18.000 TEU’s necessitam de uma profundidade de 14,5 m). 
O problema que daqui deriva remete para a possibilidade de o Porto de Sines perder relevo a nível ibérico, europeu ou até mundial, caso não se adapte, no longo-prazo, à constante evolução na capacidade de carga e envergadura dos navios. Torna-se assim urgente uma constante adaptação e evolução do porto às intermitentes mudanças deste mercado. 
Devo também realçar uma grande vantagem que se poderá associar ao Porto de Sines em termos futuros: o terminal de Gás Natural do porto, uma vez que dada a crescente aposta no transporte de gás natural pelas frotas, e tendo em conta a perspetiva de que dentro de poucos anos os países membros da CPLP (com os quais temos relações económicas e culturais que advêm de longa data) serão responsáveis por cerca de um quinto da produção mundial de gás e petróleo. Por isso, reveste-se  de enorme importância a aposta neste terminal, de modo a que se facilite o fornecimento de bancas de gás natural aos navios que por lá passem.
A nível nacional, o Porto de Sines desempenha um papel fundamental na economia, revelando também um potencial de crescimento nos últimos anos, o qual ficou demonstrado nos primeiros seis meses de 2014, com um crescimento de 40% no tráfego de contentores, face ao período homólogo de 2013, com as exportações a registarem níveis positivos, sobretudo para países fora das fronteiras da União Europeia. Tal tem contribuído para um maior número de postos de trabalho (estando prevista pelo memorando a criação de 200 novos postos de trabalho), resultado do projeto de expansão com um investimento de 139 milhões de euros para alargamento do terminal de contentores e ampliação das infraestruturas de proteção marítima. Relevante é também o crescimento de outras empresas associadas, ou não, ao sector, como é o caso da CP Carga, que regista em 2014 um crescimento da atividade para os portos nacionais (no total de 65% do volume de negócios), nomeadamente para o porto de Sines, onde a mesma detém a exclusividade do transporte ferroviário. 
Desta forma, o porto de Sines desempenha um papel crucial quer a nível regional, contribuindo para a fixação de população na região, desenvolvimento de infraestruturas e para a criação e dinamização de um conjunto de atividades ligadas à investigação e novas tecnologias, quer a nível nacional, contribuindo para a criação de riqueza e afirmação de Portugal no mundo, tornando este a "porta de entrada na Europa”!

Hélio André Guimarães Ribeiro  

Referências
http://www.portodesines.pt/pls/portal/go

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Quando as promessas diferem da realidade

O período de governo de Pedro Passos Coelho sempre ficou marcado pelo seu discurso bastante optimista face à realidade dos números e indicadores macroeconómicos, contudo a estratégia para 2015 parece ser ainda mais optimista uma vez que em breve iremos entrar no ano de eleições. Começando pelas previsões bastante distintas do real e acabando no orçamento de estado demasiado “bom” para ser verdade, tudo isto surge como uma espécie de pré-campanha do atual primeiro-ministro para que possa manter-se no cargo nos próximos quatro anos.
Desde cedo se percebeu qual seria a estratégia deste governo: aguentar nos primeiros tempos os danos causados pela perca de popularidade e da percepção de competência para depois se poder vangloriar com pequenas melhorias na economia resultantes da austeridade aplicada.
Todavia, o resumo dos quase quatro anos de governação de Passos Coelho cinge-se a um aumento brutal dos impostos e a um corte indescritível nos salários e pensões, pelo que em relação a isto pouco ou nada de positivo se pode extrair do mandato deste governo.
Quando se imaginava que, para 2015, o governo se iria preocupar um pouco mais com as classes mais desfavorecidas e lhes reduzisse a carga fiscal de modo a tornar o sistema mais justo, os seus principais objetivos apenas se focaram nas eleições, pelo que as medidas tomadas em nada foram de encontro a esta situação. Outro ponto em que o governo irá falhar, tendo em conta o orçamento de estado, é na não redução do IVA sobre a restauração, que se encontra nos 23%, visto que este setor perde consumidores devido a preços elevados, e se tivesse um IVA mais baixo iria ser muito mais lucrativo (não nos podemos esquecer que Portugal é um país bastante turístico, pelo que a restauração é um setor com grande peso na economia).
O aumento do salário mínimo em 20 euros e das pensões mínimas em 1,5%, são os doces que este governo deu aos eleitores para garantir os seus votos. Passos Coelho pensa que estes doces, aliados a projeções optimistas para 2015 (mas irreais), são o suficiente para voltar a ter a confiança de muitos portugueses, e que se o seu discurso for sempre de encontro ao “crescimento económico”, a população irá pensar que as políticas demasiadamente austeras foram as ideais.
Relativamente ao desemprego, este governo também tem falhas bastante acentuadas, pois em vez de tentar controlar o seu valor, incentivava ainda à saída de população ativa para o exterior, provocando assim uma diminuição artificial da taxa de desemprego. Além disso, gerou-se um clima de precariedade em relação ao trabalho, uma vez que o estado destinou alguns milhões destinados a estágios profissionais, ou seja, mais uma forma de contornar os números do desemprego em Portugal.
O início deste novo crescimento económico é meramente artificial, pelo que uma evolução positiva com um crescimento sustentado da economia portuguesa não será um cenário viável no curto prazo, correndo-se mesmo o risco de se entrar novamente em recessão.
É verdade que o governo tem gasto alguns milhões nos últimos tempos em estágios profissionais e para aumentar o salário mínimo, mas isso não passam de medidas “para inglês ver”, pois, além de serem a pensar nas eleições, são autênticas migalhas que não escondem a verdadeira e cruel realidade portuguesa, que é a inexistência de uma política real de criação de emprego e de crescimento económico. Ao longo destes quatro anos, a tão aclamada “Reforma de Estado” ainda não foi concluída com sucesso, tendo ainda o governo muitas “gorduras” que necessitam de ser cortadas para que funcione melhor e não haja um nível de pobreza tão acentuado em Portugal.
Em suma, podemos concluir que este crescimento sazonal foi provocado estrategicamente pelo governo para garantir a vitória nas eleições no próximo ano, logo, as previsões que podemos fazer neste momento é que apenas em 2016 veremos o verdadeiro estado da nação.

Ricardo Fernando Azevedo da Silva 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Um diagnóstico ao preço dos combustíveis

Nos dias que correm, os combustíveis são indispensáveis no quotidiano. A economia mundial é fortemente dependente de combustíveis fósseis, não renováveis, como é o caso do petróleo e seus derivados (como, por exemplo, o gasóleo). Assim, a situação política mundial, desde a 2ª Guerra Mundial, está deveras dependente do equilíbrio entre países consumidores e países produtores de petróleo. Uma situação que é complicado alcançar uma vez que as maiores empresas petrolíferas mundiais são Americanas e Europeias, enquanto os maiores produtores mundiais de petróleo são a Arábia Saudita, o Irão, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela, fundadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
As crises petrolíferas a que assistimos ao longo dos anos foram causadas pelos aumentos significativos do preço do petróleo por parte da OPEP, liderada pela Arábia Saudita. Esta tinha como objectivos políticos assumir o controlo da produção, aumentar a influência dos países produtores nas relações mundiais e reforçar o poder sobre as petrolíferas e os seus países de origem. Para além disso, tinha também objectivos económicos, como a gestão da relação entre oferta e procura com o maior lucro possível.
Contrariamente ao que aconteceu no passado, nos últimos meses assistiu-se a uma redução do preço dos combustíveis. A cotação do petróleo está em queda desde Junho mas só agora é que surgem as grandes reduções de preços no gasóleo e na gasolina. As empresas que operam no sector em Portugal prevêem uma redução acentuada nos preços, reflectindo a descida das cotações internacionais do petróleo, que agora alcançaram níveis mínimos de quatro anos. A queda das cotações de petróleo está a ser forçada pelas grandes quantidades de petróleo que estão a chegar aos mercados internacionais, numa altura em que não houve aumentos no consumo - com a Europa e a China a evidenciarem abrandamentos. 
No momento presente, a OPEP está a registar os níveis mais elevados de produção petrolífera, com a Arábia Saudita e o Irão a praticarem os preços mais baixos dos últimos seis anos. "Além do aumento da produção petrolífera na América Latina, sobretudo no Brasil, os mercados estão a ter um excesso de oferta de petróleos de diversas proveniências, com grande expressão por parte das produções sauditas e do Médio Oriente, onde os contractos de futuros sobre o crude iraniano atingiram os valores mais baixos dos últimos seis anos, mas também dos produtores russos e do próprio petróleo norte-americano", analisa uma fonte de uma empresa portuguesa do sector.
Já Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal, refere que "há muitos reguladores que questionam o lento ajustamento da descida de preços da gasolina e do gasóleo, e isso acontece em vários mercados, dos EUA a Espanha", mas admite que "há factores cambiais (a desvalorização do euro face ao dólar) que amorteceram as quedas de preços dos refinados em euros". 
Em jeito de conclusão, é importante referir que a procura por combustíveis no mercado nacional recuou no mês passado, facto revelado pela Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis, apesar da crescente redução do preço dos combustíveis. O mercado de energia, bem como quaisquer outros mercados, passa por ciclos. Segundo diversos analistas russos, o preço do petróleo começará a aumentar já a partir do próximo ano, contrariamente ao que é previsto pelos portugueses que operam neste sector.

Rita Margarida Silva Costa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]