segunda-feira, 26 de setembro de 2016

APRENDER A EMPREENDER – A ESCOLA, O LUGAR ONDE

O reconhecimento da relevância das dinâmicas de empreendedorismo foi ganhando terreno nos discursos sociopolíticos, fenómeno evidente no eco produzido pelos media, e disseminou-se muito para além do domínio estrito da esfera empresarial, porque se foi sedimentando a perceção de que a tessitura de uma economia sólida depende de uma rede de interações, mormente com o domínio da educação.

Na União Europeia, desde há mais de uma década que o objetivo de implementar a educação para o empreendedorismo, pela sua correlação com a empregabilidade e a vitalidade económica, se tornou um desígnio prioritário da agenda política; no entanto, nem todos os países caminharam ao mesmo ritmo na persecução desta meta. Pela análise de um estudo da Comissão Europeia (relativo a 2014/15), constatamos que as estratégias específicas de educação para o empreendedorismo estão concentradas no norte da Europa e na região das Balcãs Ocidentais, sendo Portugal um dos países onde não existe uma estratégia nacional.

É certo que a Direção Geral da Educação trabalha já na promoção de um papel ativo das escolas no desenvolvimento do espírito empreendedor – apresenta, na sua página online, essa intenção, documentos de referência, projetos e concursos, recursos educativos e ferramentas de avaliação – porém sem que isso resulte na definição de uma linha de ação efetiva vertida, por exemplo, nos curricula. Assim, fica ao critério, e vontade, das escolas o comprometimento com a inclusão de estratégias de aprendizagem estimuladoras de perfis empreendedores, o que parece democraticamente válido mas que compromete, certamente, a desejável difusão de práticas neste domínio.

Apesar de as abordagens à educação para o empreendedorismo poderem ser várias – desde a sua configuração como disciplina à tematização incluída nos programas das disciplinas que já integram o currículo ou enquanto área interdisciplinar –, a verdade é que o exercício de experiências de aprendizagem centradas nesse objetivo não tem ganho espaço significativo na moldura escolar (são tão residuais os casos de escolas que criaram a disciplina como oferta de escola quanto os exemplos de exploração de dinâmicas de empreendedorismo no âmbito dos programas das disciplinas instituídas) e parece confinar-se, maioritariamente, ao pontual decorrente da participação em projetos e concursos.

Claro que as modalidades podem e devem ser heterogéneas consoante o público-alvo a que se destinam: turmas do ensino regular vs. ensino profissional (será sempre mais premente ser disciplina no plano de estudos dos cursos profissionais, porque estes preparam jovens adultos para a entrada no mercado de trabalho); alunos dos ciclos do básico ou secundário (sobretudo nos primeiros ciclos, o importante é estimular a curiosidade, a cooperação, a ideia de superação, algo trabalhável no âmbito das áreas disciplinares existentes). O problemático será se o volume de experiências educativas que envolvem o desenvolvimento de competências de empreendedorismo se reduzir a avulsas atividades extracurriculares, coincidentes com o calendário de concursos de ideias/projetos, de incipiente implicação disciplinar/interdisciplinar.

Não obstante a ressalva sobre a limitação de um trabalho decorrente apenas de estímulos exteriores à escola, sem uma linha de ação pedagógica intrínseca, é inegável o contributo dos concursos de ideias e projetos, cada vez mais a multiplicarem-se do local ao nacional (o INOVA é um bom exemplo da forma como diferentes instituições se associam para promover dinâmicas de empreendedorismo); bem como das iniciativas da própria esfera empresarial, ou desenvolvidas com a sua parceria, que procuram incentivar o espírito empreendedor no contexto escolar (casos da Associação Nacional de Jovens Empresários e da Associação Industrial Portuguesa); potenciando competências importantes para o percurso académico, a vida pessoal/profissional e o quadro económico-social.

Enfim, apesar do atávico atraso de Portugal, começam a ser dados passos no sentido de promover o empreendedorismo em contexto escolar, todavia ainda pouco consistentes face aos desafios que se colocam aos jovens e premência no quadro de uma crise económica onde o impulso empreendedor, assente na criatividade e inovação, pode ser essencial para potenciar o aumento da taxa de empregabilidade. Falta uma política educativa clara que fomente a implementação de práticas coerentes e consequentes que viabilizem aprendizagens específicas neste domínio da construção do conhecimento que é o empreendedorismo, pois Portugal precisa de jovens proativos, que tenham ambição e visão, que sejam o futuro.



Inês Magalhães Castro Silva


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

domingo, 25 de setembro de 2016

Os Refugiados da Desavença e os “Valores Europeus”

Face à crise dos refugiados que se sente na Europa, algumas instituições Europeias tentam minimizar o drama humanitário, respondendo às necessidades de quem chega à costa do nosso continente, fugidos da guerra. Seremos nós, os europeus, assim tão dignos dos benefícios que esta “invasão” de refugiados nos traz?
São milhares os que de facto chegam até nós todos os dias com o intuito de sobrevivência e com esperança de um futuro mais risonho. Contudo, o aumento desse número, bem como as imagens divulgadas pelos média, têm criado sentimentos contraditórios entre os europeus, variando entre empatia e solidariedade e a angústia e egoísmo.
É assustador observar a rapidez com que os “valores europeus” são dizimados perante tamanha pressão proporcionada pela dita crise. Contudo, as principais vítimas não são os europeus e muito menos a Europa em si. Trata-se da Crise dos Refugiados - Os Refugiados da Desavença. Isto é, pelo menos para alguns europeus que os intitulam assim e que admitem que “o melhor seria fechar-lhes a fronteira e aproveitar a nossa paz” ou “Antes eles do que nós”. “Pessoas ignorantes” penso, “mas que culpa têm eles das religiões fanáticas que os assombram e do cenário de guerra que se instalou? Ninguém merece ter que enterrar a sua família!”. E como este, há outros tantos motivos que visam assustar os residentes da Europa, passando a citar: “Portugal não tem condições para acolher este fluxo de pessoas”, o que mais uma vez não é necessariamente verdade!! É preciso saber distinguir entre as pessoas que são vítimas das flutuações abruptas do mercado capitalista daquelas que são vítimas dos ambientes de guerra vividos por décadas na região do médio oriente (porém, atenção! não pretendo incrementar desvalorizações).
Pois bem, a história dos refugiados já toda a gente conhece, e eu não me vou estar a repetir. É certo e sabido que a sua vinda pode ter causado algumas preocupações e um pouco de desordem no quotidiano da Europa, contudo um problema jamais se resolve erguendo barreiras, mas sim administrando as pressões e os riscos de forma a beneficiar ambas as partes e, como em tudo, há um lado positivo nesta dramática história.
A Europa continua a estar muito longe da Crise dos Refugiados existente em outros locais do planeta, quer na sua capacidade financeira para lidar com estes novos fluxos, quer na quantidade de refugiados que recebe. Note-se ainda que este fluxo migratório contribuiu para a estimulação da economia Europeia, e ainda que o apoio a milhares de pessoas possa, a curto prazo, ter custos elevados, segundo o FMI, o acolhimento e a subsequente integração dos refugiados de uma forma eficiente e eficaz pode trazer impactos económicos positivos. Contudo, evidenciaram-se algumas falhas da política comum de asilo na UE e estão a levantarse dúvidas sobre a capacidade de integração anteriormente falada.
Fomos “invadidos” mas nem tudo está perdido! “Uma rápida integração dos refugiados no mercado laboral terá importantes benefícios económicos, orçamentais e sociais”, afirma estudo realizado pelo FMI.
Sabe-se que o crescimento de uma economia depende do consumo e investimento. E, assim, um aumento populacional impulsionará o consumo e estimulará a capacidade de produção do país, contribuindo modestamente para o aumento do PIB (refletindo a expansão fiscal). Há também a entrada de novas ideologias o aparecimento de novas iniciativas/ideias associadas à criação de novos negócios, contribuindo para os níveis de desenvolvimento. Já para não falar que, devido à grande flexibilidade de mobilidade geográfica, os refugiados podem se deslocar para os locais onde a oferta de trabalho é mais elevada e, consequentemente, quanto mais rápido estes encontrarem um emprego, também mais rápido começam a ajudar as Finanças Públicas através de contribuições para a Segurança Social e pagamentos de impostos. E aqui refiro-me aos programas de reinstalação que permitem não só dar uma solução mais gratificante aos refugiados, como também permitem uma maior partilha dos encargos e das responsabilidades na gestão dos fluxos destes em variadas regiões do mundo. Por fim, o FMI alega também que os refugiados podem amenizar os problemas demográficos vivenciados na Europa, uma vez que existem muitos idosos e poucas crianças, sublinhando que quem procura asilo na Europa está a dirigir-se para países com baixos níveis de desemprego e não para as regiões onde o problema de envelhecimento é mais severo.
Ainda que eu seja a favor do apoio a estas pessoas, infelizmente, uma integração demorada ou sem eliminação das barreiras a essa mesma integração, existentes em alguns países da EU, proporcionará um impacto bastante negativo.

Bruna Macedo Ferreira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, 24 de setembro de 2016

O Impacto da Conquista do Euro 2016 na Economia Portuguesa

“Somos campeões europeus de futebol! Boa, somos os melhores!” Isto será mesmo assim? Seremos mesmo os melhores? A resposta é não. Claro que em termos desportivos, com a conquista do Euro 2016 garantimos que somos os melhores da Europa no futebol, mas e no resto? O que terá trazido de bom a conquista deste grande título?
Ainda antes do início do campeonato europeu de futebol, o Instituto Português de Administração e Marketing (IPAM) fez um estudo em que concluiu que a conquista do EURO 2016 por Portugal traria um prémio de 609 milhões de euros para a economia portuguesa. Inicialmente eram poucos os que acreditavam na vitória, mas a verdade é que com o decorrer deste campeonato a confiança do nosso povo foi aumentando e com este aumento de confiança houve também um aumento de receitas para a economia portuguesa. Claro que tínhamos vantagens nas bancadas, pois era como se estivéssemos a jogar em casa. Ora isto traz um assunto considerado problemático para Portugal que, neste caso, foi uma grande ajuda: a avalanche de emigração que se deu nos últimos anos para França.
Desde há muitos anos para cá, que a França tem sido um dos destinos de eleição para os portugueses emigrarem. Ora se eles emigram, é porque não estão bem cá e ao emigrarem não estão a ajudar a economia portuguesa. Mas não nos vamos dispersar. “Somos campeões europeus!” Alguém imaginaria que este ano podíamos gritar isto em voz alta? A resposta é sim: o IPAM. Segundo as contas que eles fizeram antes do início do Europeu, uma boa prestação de Portugal seria uma enorme lufada de ar fresco na economia portuguesa.
As contas são fáceis de se fazer: passamos a fase de grupos que nos rendeu à volta de 199 milhões de euros, a fase de estágio valeu-nos 117 milhões de euros e mais 169 milhões de euros provenientes dos jogos mais importantes tais como, oitavos-de-final, quartos-de-final, meia-final e final. Isto tudo somado dá cerca de 485 milhões de euros. Nada mau, certo? A este montante, o IPAM acrescentou o restante valor que perfaz os 609 milhões de euros provenientes do tal apoio e da sensação de jogar em casa. Sim, aproximadamente 124 milhões de euros foram ganhos pelo marketing à volta da Seleção Nacional. Segundo o gabinete de estudo de Marketing para o desporto do IPAM, indicadores como publicidade, vendas de produtos oficiais, viagens para apoiar a seleção e consumos na restauração foram tidos em conta e geraram, como disse anteriormente, cerca de 124 milhões de euros.
Portugal está e estará nas bocas do mundo, pela positiva, nos próximos tempos e com todo o mérito. Parece incrível Portugal estar associado a algo positivo na Europa e no resto do mundo, visto que somos sempre associados a notícias menos boas, principalmente no que tem a ver com a Economia. A verdade é que estamos e toda esta euforia vai ficar na História de Portugal para sempre. Mas será mesmo assim tudo perfeito?
Até agora apenas vimos vantagens e indicadores bons da conquista do EURO. E quando assentamos os pés na Terra, será que este sonho continua a ser um sonho ou já passa a um mini pesadelo? Rui Paulo Figueiredo, jurista de profissão e escritor de artigos de opinião do Diário Económico, olha para a outra perspetiva da conquista do EURO: a economia. É verdade, os 609 milhões de euros já ninguém nos tira, mas o que representam eles para a nossa economia? Rui Paulo Figueiredo não quer de certeza acabar com a euforia da nossa conquista, mas vem alertar-nos que não é todos os dias nem todos os meses que conquistaremos campeonatos da Europa e que “Se o controlo da despesa pública corre bem, as previsões de crescimento do nosso PIB têm vindo a baixar.” Segundo Rui Paulo Figueiredo, devemos aplicar este dinheiro extra no investimento e nas importações de modo a reduzir a dívida, incentivar o crescimento de Portugal na economia Europeia e Mundial, atrair o investimento estrangeiro, atrair turistas e promover as riquezas naturais do nosso país. Este dinheiro ganho não deve ser usado como maioritariamente das vezes é usado: para servir os bens dos políticos e aumentar ainda mais os gastos do Estado, isto é, beneficiar quem não precisa, as pessoas do poder, e prejudicar quem mais precisa, a maioria da população. Os 609 milhões de euros dão uma enorme ajuda, no entanto não são a solução da nossa economia nem a chave para o sucesso do nosso país, uma vez que este valor representa apenas uma gota no oceano que é a nossa dívida pública. Citando o jurista, que nos diz que para termos sucesso como tivemos no EURO 2016 “Temos de ter estratégia como Fernando Santos, liderar como Ronaldo e sermos, enquanto país, determinados como este grupo de campeões. Só assim cresceremos na economia como precisamos!”


Ana Margarida Magalhães Seara

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Onde é que está a crise?

A pouco mais de uma semana para o Natal, as compras pagas com cartões bancários chegaram aos 1969 milhões de euros. O valor, divulgado pela SIBS, corresponde ao período entre 24 de Novembro e 14 de Dezembro e é 5,1% superior ao do ano passado, na mesma altura. Estes valores já tinham sido antecipados por um estudo do IPAM - The Marketing School, que apontava para uma subida de 7% nos gastos com compras este Natal e para um valor médio de gastos a rondar os 272 euros.
 Mas onde é que está a crise, afinal? Numa altura em que apenas se fala no colapso do maior banco português, nos cortes salariais, no facto da bolsa portuguesa estar entre as piores do mundo, no aumento do IVA e outros impostos, na pobreza do país, é possível haver um aumento de gastos, seja no que for?
A taxa de desemprego está a diminuir, é certo, mas talvez devido ao facto de cada vez mais pessoas que faziam parte da população ativa e desempregada estarem a emigrar. O salário mínimo aumentou em 20 euros, praticamente nada se comparado com o aumento do IVA que vai ocorrer já no início de 2015.
Então, qual é a lógica disto? Se os salários estão mais baixos, como é que se gasta mais em relação ao ano passado? Se há pessoas a passar fome, como é que se gasta milhões em compras de natal? Em plena crise, enquanto dizem que é para apertar o cinto, que a austeridade vai continuar, os portugueses continuam a ter os mesmos padrões de consumo do pré-crise? Falam que a crise está a abrandar, mas isso não significa que tenha acabado. Aliás, está muito longe de acabar!
Só há, então, uma explicação para estes valores: há uma loucura instalada na sociedade em relação ao natal (e não só). A população portuguesa continua a ser consumista, parece haver uma ignorância por parte dos consumidores em relação à crise, pois esta parece não estar a afetar em nada o poder de compra dos portugueses. Basta dizer-se que a crise está a abrandar para se aumentar o clima de confiança dos consumidores portugueses. Há claramente uma inconsciência por parte dos consumidores em relação à crise que enfrentamos ou, pior que isso, os portugueses estão a ignorar a crise e continuam a gastar mais do que podem, como faziam noutros tempos. Tudo isto não faz sentido, na minha opinião, e contraria tudo que se tem vindo a afirmar nos últimos anos. Afinal, estamos em crise ou não?

Sara Margarida Pimenta 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Vamos apostar na produtividade ou na competitividade?

Frequentemente, vamos ouvindo notícias sobre os níveis de produtividade e competitividade de Portugal e respetivas conclusões: de que Portugal necessita de apostar na produtividade, de que os portugueses trabalham muito mas não são produtivos, salientando-se que maiores níveis de produtividade garantem maiores níveis de competitividade.
A liderar o ranking da produtividade do trabalho por hora, na União Europeia, está a Bélgica, com um índice de 133,1, seguido dos Países Baixos, com 129,4, e da Dinamarca, com 129. Esta informação, recolhida no PORDATA, apresenta um índice de produtividade do trabalho por hora para Portugal de 65,3, situando-se acima apenas da Bulgária (43,3), Roménia (45,1), Letónia (57), Polónia (60), Estónia (60,9) e Hungria (61,6).
A situação portuguesa no que respeita à sua classificação nos rankings de produtividade não é a melhor, nem a desejável. Mas a causa estará nas capacidades e qualificações dos trabalhadores portugueses?
Os fatores que poderão influenciar os níveis de produtividade de uma empresa são os custos com a matéria-prima, infraestruturas e equipamento e a mão-de-obra.
Contudo, qualquer uma destas medidas pode, por si só, não significar melhorias ao nível da produtividade. E, no caso concreto de Portugal, é preciso ter em conta aspetos culturais, opções estratégicas, processos, procedimentos e formas de gestão implementadas nas empresas, que poderão limitar efetivamente os seus níveis de produtividade.
Ao mesmo tempo que se fala de produtividade, fala-se de competitividade e da necessidade de sermos mais produtivos para podermos competir à escala europeia e mundial, relacionando assim produtividade com competitividade.
Uma empresa poderá ter aumentos de produção porque, por exemplo, trabalhou mais horas ou porque foi feito um investimento numa máquina tecnologicamente mais avançada, garantindo assim uma maior oferta de produtos, mas não quer dizer que sejamos mais competitivos, pelo menos ao nível do preço. Podemos colocar no mercado maiores quantidades de produto, mas a preço superior, não garantindo assim níveis de competitividade (por exemplo, se competirmos com a China). Podemos até colocar no mercado maiores quantidades de produto a um preço inferior ao praticado no mercado, mas sem qualquer valor acrescentado, por exemplo, ao nível da inovação do produto, e aí não estaremos também a ser competitivos (por exemplo, se competirmos com Alemanha).
Na sua última edição, o Índice Global de Competitividade do Fórum Económico Mundial avaliou Portugal na 36ª posição dos países mais competitivos do mundo. Atualmente este ranking é liderado pela Suíça, seguindo-se Singapura, Estados Unidos, Finlândia, Alemanha, Japão, Hong Kong, Holanda, Reino Unido e Suécia.
É preciso apostar em maiores níveis de competitividade nas empresas portuguesas e posicionar Portugal num patamar superior, e isso poderá acontecer através de maiores níveis de produtividade...mas não só!
A competitividade da economia portuguesa passa pela aposta na inovação, na diferenciação da oferta e no desenvolvimento de produtos com real valor acrescentado.
Temos vindo a assistir ao longo dos anos a uma evolução positiva de investimento privado em I+D+i, contudo essa aposta ainda não é significativa quando comparada com outros países da União Europeia. Não assistimos a grandes níveis de transferência de tecnologia das universidades, centros tecnológicos e centros de I+D+i para as empresas, deixando grande parte dos projetos de ter aplicabilidade no mercado empresarial. E o certo é que a competitividade da economia portuguesa poderá passar por aí.
Por um lado, é necessário aproximar as empresas destes centros. Por outro lado, é importante apostar em projetos que tragam valor acrescentado à indústria e que possam ser propostos ao meio empresarial.
Portugal poderá competir globalmente, apresentando diferenciação através, por exemplo, de produtos desenvolvidos por empresas de base tecnológica, por produtos desenvolvidos pela indústria tradicional portuguesa mas com incorporação de I+D+i ou design. O setor do calçado ou do têxtil são um exemplo. Empresas como a Petratex ou Luis Onofre deram a volta ao panorama nacional e vingam no mercado mundial.
Mais do que apostar na produtividade, acredito na aposta em mais e melhores empregos, em mais conhecimento e transferência de massa critica para as empresas portuguesas. Só assim conseguiremos posicionar Portugal lá fora. Os trabalhadores portugueses são produtivos, trabalham bem e muito, mas precisam também que sejam criadas condições ao nível laboral, organizacional, apostando na qualificação dos seus gestores e lideres.
          Assim, é possível aliar a produtividade à competitividade.

Francisca Pereira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Empreendedorismo e inovação em Portugal

O Empreendedorismo é o principal fator promotor do desenvolvimento económico e social de um país. Afinal, o que é o empreendedorismo? O empreendedorismo é o fenómeno que visa a busca da criação de valor, através da expansão da atividade económica, pela introdução de novos produtos, processos ou acesso a novos mercados. Ao empreendedorismo estão associadas muitas vantagens económicas, tais como a criação de novas empresas, o que conduz a investimentos nas economias locais, a criação de postos de trabalho, a melhoria na competitividade empresarial, e a promoção de métodos, técnicas e modelos inovadores. 
O empreendedorismo e a inovação são, portanto, considerados como objetivos prioritários para o desenvolvimento e para o aumento da competitividade da economia nacional. Portugal devia apostar numa nova realidade económica, competitiva e aberta ao mundo, assente em conhecimento e inovação, capital humano altamente qualificado e forte espírito empreendedor.  
A esta luz, foi criado o programa estratégico para o empreendedorismo e inovação (+e+i), que tem como principais objetivo contribuir para a formação de uma sociedade mais empreendedora, ou seja o fomento da mudança cultural, intergeracional, a favor do espírito de iniciativa e do empreendedorismo. Este, deverá ser promovido e cultivada desde cedo, e ser um dos motores de inovação. Alargar a base de empresas inovadoras e com uma forte componente exportadora é uma peça essencial. Importa sermos um país inserido nas redes internacionais de empreendedorismo, conhecimento e inovação e sermos capazes de tirar melhor partido do investimento que, neste contexto, possa ser realizado. Para que Portugal se afirme a nível internacional de forma competitiva é necessário que se concentrem esforços nas empresas com maior potencial inovador, para que possam ser desenvolvidas capacidades e competências competitivas e diferenciadoras e, consequentemente, para que sejam criadas vantagens competitivas ao nível das ofertas de mercado. 
Os pilares fundamentais deste programa assentam no alargamento das competências da população, dinamização da inovação, estímulo ao empreendedorismo e promoção destes objetivos através de adequados instrumentos de financiamento. 
Apesar dos progressos que estas matérias têm vindo a conhecer nas últimas décadas, verifica-se que existem dificuldades estruturais, que acarretam impactos negativos na capacidade de recuperação económica. Destaca-se, por exemplo, a insuficiente capacidade de rentabilização económica da Investigação e Desenvolvimento (I&D), ou o reduzido impacto do capital de risco, circunstância que limita as soluções de financiamento de novos projetos e conduz a um peso pouco significativo da ciência e da tecnologia na globalidade da economia. 
Neste contexto, o empreendedorismo e a inovação carecem de uma intervenção prioritária e especialmente direcionada para as atividades de índole empresarial, indo além dos campos da investigação e da ciência. As prioridades da estratégia Europa2020 e da sua iniciativa Innovation Union são referenciais para o desenvolvimento da política de inovação em Portugal para os próximos anos.
Na minha opinião, o Programa Estratégico para o empreendedorismo e inovação é essencial para que haja uma maior aposta no empreendedorismo, que, no fundo, é o incentivador de mudança para uma sociedade equitativa, justa e solidária e, acima de tudo, é um desafio necessário, sendo possível uma maior promoção da inovação, que é um dos principais fatores que impulsionam o desenvolvimento económico do nosso país.

Margarida Marques Cardoso 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

As pequenas e médias empresas em Portugal

As pequenas e médias empresas (PME) são amplamente reconhecidas como o pilar da economia nacional, sendo as principais responsáveis pela criação de emprego em Portugal.
As pequenas e médias empresas constituem cerca de 99,9% do tecido empresarial português e empregam a maior parte dos trabalhadores ao serviço das empresas, com uma percentagem de 77.6% de empregados, contra 22.4% nas grandes empresas.
Apesar de 99,9% das empresas serem pequenas e médias empresas, estas só são responsáveis por 58,8% do volume de negócios total gerado em Portugal. Ainda assim uma percentagem elevada, já que são, por definição, pequenas empresas com menos de 250 trabalhadores e com um volume de negócios menor ou igual a 50 milhões de euros. Existem então cerca de 1.120.000 PME’s em Portugal, com um volume de negócios combinado de 220 mil milhões de euros
O forte peso das PME na economia nacional é acompanhado de uma significativa contribuição destas empresas para o produto interno bruto. As PME foram responsáveis por 61,1% do valor acrescentado bruto, ou seja, quase dois terços do que se produz em Portugal vem de empresas de pequena e média dimensão. 
No entanto, estas empresas apresentam uma realidade preocupante em Portugal. Apesar da sua expressividade, a fragilização de tais empresas tem vindo a agravar-se, especialmente desde 2008, ano que marca o surgimento da crise financeira e em que se regista o primeiro de sucessivos decréscimos no número de empresas e no número de pessoas ao serviço. O decréscimo da procura interna bem como a falta de financiamento e a dificuldade de crédito levam a que o número de falências deste tipo de empresas tenha subido cerca de 444,4% desde 2007.
O financiamento é um dos fatores de relevo neste tipo de empresas pois permite que estas subam a nível de qualidade e quantidade do seu produto e recursos humanos, inovação etc. Torna-se, então, necessário desenvolver estratégias alternativas de financiamento para estas empresas. O acesso a fundos comunitários, a dinamização da Bolsa de Valores para estas empresas, o estímulo do capital de risco, incentivos para os aumentos de capital e a retenção de lucros são algumas das soluções que permitem melhorar a situação das pequenas e médias empresas em Portugal. O Estado pode também intervir de forma a proporcionar as mesmas condições existentes noutros mercados internacionais através do regime tributário simplificado para as PME’s. Com este regime, a carga fiscal que incide atualmente sobre as PME’s será reduzida, com estas a ficarem dispensadas do pagamento especial por conta e das tributações autónomas relacionadas com a sua atividade.
Para além das dificuldades de acesso ao financiamento que estas empresas enfrentam, as PME’s portuguesas têm as faturas energéticas mais pesadas, bem como o crédito mais caro da zona Euro. Os custos de contexto, como os impostos e a demora que se faz sentir na justiça, não ajudam a que estas consigam competir com empresas internacionais de semelhante dimensão. No entanto, estas conseguem ainda assim competir internacionalmente, através da diferenciação e da alta qualidade dos produtos que apresentam.
Num país em que há muito trabalho e cada vez menos empregos, a Economia está cada vez mais dependente das Pequenas e Médias Empresas, nomeadamente da sua capacidade de criação de emprego e da sua grande flexibilidade como instrumentos para pôr em prática a capacidade empreendedora e inovadora. 
O difícil acesso ao financiamento ao longo dos últimos anos levou a que muitas destas empresas tivessem encerrado. De forma a estimular o sucesso destas empresas é necessário investimento privado cada vez maior, bem como uma maior facilidade no financiamento, para que seja possível apoiar a criação de emprego e o incremento do valor acrescentado gerado por estas empresas. 

Margarida Marques Cardoso

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]