terça-feira, 19 de dezembro de 2017

O CR7 do Eurogrupo chegou mesmo a presidente

Depois de nos últimos dois anos ter conseguido responder às dúvidas, em Portugal e em Bruxelas, quanto à capacidade de cumprir regras, reduzir o défice e fazer a economia portuguesa crescer, o ministro das Finanças português foi o vencedor da corrida à presidência do Eurogrupo. Não foi logo à primeira, mas à segunda volta.
A decisão sobre quem iria assumir a presidência do Eurogrupo foi tomada e o vencedor foi Mário Centeno. Visto como favorito à corrida desde o início, tinha três adversários: os ministros das Finanças da Letónia, do Luxemburgo e da Eslováquia.
Após a segunda volta, Mário Centeno recebeu a notícia de que seria o vencedor, numa disputa com o eslovaco, Pierre Gramegna, depois da desistência do candidato luxemburguês Peter Kazimir. No final da votação, o atual presidente, Jeroen Dijsselbloem, anunciou que Centeno tinha sido o escolhido entre "quatro candidatos excelentes" e desejou-lhe felicidades para o novo cargo. Dijsselbloem já anteriormente tinha sido portador de boas notícias, sem querer, ao dizer, num deslize, que Mário Centeno seria o seu sucessor. “Sou presidente até dia 12 de janeiro e Mário Centeno, assumirá o cargo, a 13", disse aos jornalistas à entrada da reunião que iria decidir o vencedor. E se à entrada da reunião, Mário Centeno referiu estar confiante, depois da vitória disse estar preparado e ansioso para formar consensos: "É uma honra devido à relevância deste grupo, à qualidade dos meus colegas e à importância do trabalho que temos de fazer nos próximos anos", declarou, durante a conferência de imprensa.
Este resultado é bem visto e consensual da esquerda à direita, Governo, Presidente da República e até a oposição já demonstraram o seu agrado com a nomeação. “Com esta eleição não há margem nem para descuidos, nem aventuras”, disse o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que felicitou a conquista do ministro das Finanças, mas reforçou alertas: “Se o Governo não estivesse a produzir bons resultados, o presidente do Eurogrupo não seria o ministro das Finanças de Portugal”. A partir de Marrocos, António Costa referiu-se à eleição do seu ministro das Finanças como um reconhecimento internacional da credibilidade de Portugal numa área sensível: “Não é possível presidir ao Eurogrupo e depois prevaricar dentro de casa”.
Do lado do PSD houve saudações mas também alertas: a “Política de oposição não mudará pelo facto de o ministro das Finanças ser presidente do Eurogrupo”. Também o CDS afirmou que a eleição deve ser valorizada, mas que o seu sucesso vai depender do “desempenho do próprio”. E que o Ministério das Finanças não deve ser descurado.
Na minha opinião, e indo em consonância com o que foi anteriormente escrito, esta eleição é notável pois reflete o bom trabalho e os bons resultados que têm sido obtidos pelo atual governo. Pode, esta eleição, significar, também, uma maior capacidade de negociação de Portugal junto de Bruxelas. Sendo assim, além do reconhecimento do trabalho que tens sido realizado, Portugal pode também ver a sua capacidade de negociação internacional aumentada.

António Manuel Freitas Martins Cardoso

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Estarão os Portugueses a gastar mais no Natal?

Recentemente, foi divulgado pelo INE (Instituto Nacional de Estatística) que o poder de compra em Portugal fixou-se em 77,3% da média da União Europeia, em 2016, sofrendo um ligeiro aumento face ao ano anterior (76,8), ocupando o 14º lugar entre os Estados-membros. Portugal mantém-se à frente de países como a Eslováquia, Lituânia, Estónia, Grécia e Letónia, ficando muito atrás do Luxemburgo, que ocupa a 1ª posição.
Face a esta notícia, achei interessante analisar alguns estudos recentes em relação às intenções de compra dos Portugueses. A febre das compras de Natal chegou e, como é hábito na nossa sociedade, não há Natal sem presentes para amigos e familiares. Todavia, esta ideia de que no Natal se pode gastar sem pensar, confiando que a economia está a recuperar e que podemos abrir largamente os cordões à bolsa, será realmente verdade?
Segundo um estudo da Deloitte, no ano passado, o consumo estimado dos portugueses para a época festiva era de 356€ por, agregado familiar. No entanto, para este ano, as famílias portuguesas esperam gastar, em média, 338€, o que significa uma diminuição face ao ano passado. Será uma contradição face à notícia divulgada pelo INE? A resposta é não. Neste estudo, a conclusão é que Portugal é o único país que sente que o seu poder de compra evoluiu favoravelmente face ao ano passado. O que acontece é que o consumo efectivo tem sido, normalmente, superior ao esperado: perto de metade dos consumidores nacionais gastou mais em 2016 do que tinha pensado, incluindo as festas de Natal e de Ano Novo. As promoções e o aumento do rendimento disponível são as principais razões que levam os portugueses a gastar mais do que o esperado. Andando para trás, se analisarmos o consumo esperado entre 2009 e 2014, regista-se uma queda superior a 50%: dos 620 para os 270 euros.
Na minha opinião, este estudo revela que as famílias portuguesas estão otimistas quanto ao estado da economia e começam a recuperar poder de compra, após um período de recessão, contudo, mostram-se contidas nas despesas. Continua a haver um principal gasto do orçamento natalício nas prendas e mercearias, mas há claramente uma diferença significativa face aos gastos antes do período de crise em Portugal.
Esta mesma consultora, a Delloite, revelou que, em Portugal, quase nove em cada dez consumidores continuam a preferir fazer compras maioritariamente em centros comerciais, colocando o comércio tradicional em segundo plano. No entanto, o "fenómeno" que está a ganhar mercado são as compras de natal pela internet. A poupança de tempo e preço estão entre as principais razões apontadas pelos portugueses para fazerem as compras via online.
De uma perspetiva pessoal, acho que o comércio tradicional tem vindo novamente a ganhar quota de mercado e que a tendência das famílias portuguesas em fazer compras neste tipo de comércio também tem vindo aumentar. Ter um atendimento mais pessoal, conseguir fugir à confusão dos centros comerciais são pontos muito positivos. No entanto, é um facto que por vezes torna-se um pouco difícil competir, em preços, com cadeias mundialmente conhecidas e que, por vezes, conseguem oferecer promoções e descontos mais apelativos para os consumidores. Devo contudo confessar que devemos continuar apostar no comércio local e promover o seu crescimento.

Marina Vieira Pires

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Coesão Económica na União Europeia

          Na semana anterior, os membros do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia e do Conselho Europeu chegaram a um consenso sobre o rumo do Plano Juncker e decidiram aumentar o Fundo Europeu para Investimento Estratégico para os 500 mil milhões de euros. À luz desta notícia, decidi dar a minha opinião sobre o assunto enquanto concilio alguns conceitos abordados nos meus estudos.
         No tratado de Maastricht, em 1991, foi implementado um dos grandes pilares da União Europeia: a criação de uma união monetária. A moeda única não só nos permite excluir da equação os custos de conversão mas também os riscos cambiais. Mas existe uma problemática associada a estes benefícios que será a dificuldade por parte do Banco Central Europeu conduzir uma política monetária adequada a todos os países na presença de choques assimétricos (diferentes de país para país). Para acabar com este problema é necessário que exista uma convergência a nível económico, para se chegar a uma área monetária ótima, uma área onde uma moeda única é solução deveras mais eficiente, onde as oportunidades proporcionadas pela moeda sejam superiores aos custos provenientes da perda de independência.
         É por estas razões que iniciativas como o Plano Juncker são essenciais. No caso de Portugal, já foram financiados mais de 1,209 mil milhões de euros, o que financiou 15 projetos nas áreas das infraestruturas e inovação e 7 acordos com intermediários financeiros que beneficiaram 1314 pequenas e médias empresas e “startups”. Além disto, os fundos são direcionados para áreas da economia com pouco apoio, como é o caso do ambiente, a energia e os transportes. Ao fazer isto, não só se tornam mais atrativos os setores ao investimento como também se eliminam barreiras ao desenvolvimento.  
         Este crescimento não é superficial, é intrínseco, e pode ser o “empurrão” que Portugal precisa para voltar ao caminho da prosperidade e talvez, até, a coesão que traz pode levar a que a Europa volte ao caminho certo. Não existem “desculpas” para Portugal ficar atrás dos seus companheiros europeus com tantas oportunidades para crescer.
        
Adriano Lopes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Os efeitos da crise financeira portuguesa nas famílias

Atualmente, Portugal atravessa um excelente período económico. Recentemente, a Fitch e a Standard & Poor’s retiram o país da categoria de lixo. Além disso, o Banco de Portugal melhorou as suas expetativas de crescimento do PIB e das exportações. Apesar disto tudo, não há muito tempo, Portugal passou por uma crise económica financeira que acabou por afetar as famílias portuguesas. Em 2011, face a um fraco crescimento e a uma subida a pique da dívida pública e do défice, o governo na altura decidiu pedir ajuda às instituições financeiras internacionais. Medidas de austeridade foram implementadas para “apertar o cinto”. Apesar da melhoria das contas públicas e recuperação da confiança dos investidores, essas medidas acabaram por piorar a recessão e prejudicaram as famílias e as suas escolhas.
Entre 2010 e 2014, segundo o INE, a carga fiscal em % do PIB aumentou de 30,4% para 34,3%. Isto mostra-nos claramente um maior peso sobre a economia e, por isso, sobre as famílias. Este aumento da carga fiscal provocou uma diminuição dos rendimentos das famílias. Em 2010, as famílias registavam perto de 130 mil milhões de euros em rendimentos disponíveis brutos, tendo esse valor sofrido uma queda violenta até 2014, cujo valor ficou à volta dos 117 mil milhões. Face a esses indicadores, verifica-se que as escolhas de consumo das famílias foram afetadas. Segundo a Pordata, no mesmo período que estamos a analisar, registou-se uma descida das despesas de consumo das famílias de 122 mil milhões para praticamente 114 mil milhões de euros.
Contudo, apesar de entre 2014 a 2016 a carga fiscal em % do PIB e os rendimentos disponíveis das famílias terem praticamente estagnado, as despesas de consumo das famílias aumentaram. Isso pode ser justificado pelo aumento da confiança das famílias na economia, já que, nos finais de 2013, Portugal tinha saído da recessão e registado uma recuperação, pelos baixos valores dos juros e pelas famílias não verem benefícios em adiar o seu consumo, tendo em conta os valores da taxa de poupança.
Atualmente, este governo tem implementado uma política de recuperação de rendimentos. Essa recuperação de salários tem ajudado a fazer crescer o consumo, mas há que ter cuidado em não provocar um défice na balança comercial.

Paulo Francisco Ferreira Lopes

Nota: Todos os dados mencionados neste texto foram retirados da Pordata e do INE

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

PORTUGAL, PRODÍGIO DO TURISMO

Nos últimos World Travel Awards, Portugal foi eleito o melhor destino turístico do mundo, sendo o primeiro país europeu a receber tal prémio. Mas os prémios não ficaram por aqui! Lisboa recebeu o prémio de melhor destino para City Break do mundo e Portugal também foi eleito vencedor noutras categorias como Melhor Organismo Oficial de Turismo do Mundo, atribuída ao Turismo de Portugal, e de Melhor Sítio Oficial de Turismo, atribuída ao portal visitportugal.com.
Como podemos ver, o turismo é um dos pontos fortes do nosso país e a aposta cada vez mais forte neste setor começa a dar frutos.
O setor do turismo é um dos que mais tem contribuído para o crescimento da economia portuguesa e claro está que a beleza da nossa paisagem natural, a riqueza das nossas cidades e a amabilidade da nossa população são motivos pelos quais os turistas estrangeiros tanto prezam o nosso país. Mas nada disto aconteceria sem o investimento e aposta dos empresários e do Estado, que viram no turismo um caminho para o crescimento. Pelo menos, não seria possível da mesma forma, uma vez que a existência destas caraterísticas pode não ser, por vezes, suficiente se for desconhecida e se não for guiada e moldada da forma correta.
Quem aposta na divulgação do nosso “cantinho da Europa” e mostra tudo o que de bom tem o nosso país ao mundo é quem merece ver, agora, reconhecido este esforço. O Turismo é um setor que possibilita a atividade a grandes empresas, mas também a pequenas e médias, que constituem a maior parte do tecido empresarial português e precisam de crescer para gerar valor e ajudar a desenvolver a economia. Portugal está de parabéns e também todos os que investiram no turismo, divulgando a riqueza do nosso país ao mundo, trazendo o mundo cá e dinamizando o país.
Claro que demasiados turistas poderão trazer algumas consequências menos boas para os residentes mas, no geral, é muito positivo termos cada vez mais no nosso país. E nestes últimos anos este crescimento tem sido considerável, sendo que o número de turistas estrangeiros em estabelecimentos hoteleiros, por cada 100 habitantes, passou de 61, em 2006, para 121, em 2016, e tendo em conta que, em média, cada turista gasta cerca de 27,6€/dia, vemos que, por cada 100 habitantes, há uma receita média de 3339,6€ provenientes do turismo. É fácil fazer as contas a estes valores médios e chegar a um resultado de mais de 300 000 000€ resultantes das atividades deste setor.
Assim, acho que o turismo é um setor a promover constantemente e, sendo um dos grandes potenciadores da nossa economia, não podemos perder o prestígio que estamos a ganhar cada vez mais.

Bárbara de Sousa Gomes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

União Bancária

O reforço da união bancária é uma das medidas de reforma na zona euro, surgindo de modo a acabar com todos os desequilíbrios externos. Esta visa a criação de um “emprestador de última instância” para efeito da aplicação da medida de resolução e de uma garantia de depósitos dos europeus.
Recuando à crise 2008, que atingiu o seu pico em Portugal em 2010, sabemos que esta demonstrou ligação com o facto de os bancos estarem frágeis e também com contas públicas deficitárias do Estado e, por consequência, também as finanças públicas acabaram por sofrer. É por isso importante não deixar este cenário pairar novamente e para isso deve-se recuperar a confiança dos europeus nos bancos e no euro.
Há então necessidade de uma melhor regulamentação e supervisão do setor financeiro da UE, especialmente na área do euro. A União Bancária, por pressão do G-20, nasce em Novembro de 2014 e foi colocada em prática em 31 de Dezembro de 2015. Em dezembro de 2016, o Conselho iniciou os trabalhos sobre um conjunto de propostas que visam alterar as atuais regras da união bancária. Os principais objetivos consistem em continuar a reforçar a resiliência dos bancos e aumentar a estabilidade financeira na EU.
O objetivo é garantir que o setor bancário na área do euro e na EU, em geral, seja seguro e fiável e que os bancos não viáveis sejam objeto de resolução sem recurso ao dinheiro dos contribuintes. Visa-se, também, reduzir a fragmentação e reforçar a estabilidade financeira
Quais são, afinal, as grandes ameaças que o sistema financeiro global enfrenta? Têm valor de análise a subida dos valores dos ativos imobiliários e dos ativos financeiros? São hoje, em 2017, diferentes os sinais de 2008? Na minha perspetiva, piores situações poderão ser evitadas a longo prazo se começarmos já a erradicar todas as causas que pioram a economia e as expetativas das pessoas.

Debora Ribeiro Maravilha

https://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2017/12/06/a-reforma-da-zona-euro/

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Estranhos usos da solidariedade

Quando pensamos numa organização sem fins lucrativos que apoia crianças em estados de saúde delicados, pensamos imediatamente numa causa nobre, em gente que dedica parte da sua vida a ajudar crianças e, consequentemente, é apelado o nosso lado emotivo de uma forma enfatizada, pois são crianças e nenhuma criança merece passar uma infância assolada por uma doença e perspetivas de um futuro incerto. Quando imagino uma criança, que não devia nunca ter que passar por momentos tão difíceis, que devia poder viver realmente a sua infância, há algo em mim que se revolta. É injusto uma pessoa ter assim a vida condicionada desde tão cedo, é injusto uma criança não poder simplesmente viver a sua infância.
Mas há quem, tal como eu, veja essa injustiça e dedique parte da sua vida a combatê-la ou a suavizá-la, tentando levar alguma normalidade e felicidade à vida da criança. É algo nobre e bonito de se ver, é algo que comove.
O problema é que, no meio de tudo isto, há quem veja uma oportunidade nesta injustiça e dê um uso indevido à palavra “solidariedade”. É o caso da senhora Paula Brito e Costa, ex-presidente da Raríssimas. É revoltante ver alguém dirigir uma organização deste tipo, que supostamente se preza pela bondade, utilizar assim meios que deveriam estar a ser usados na melhoria da vida de crianças que nasceram com doenças raras, crianças que não tiveram culpa do destino que lhes calhou, mas não! Estão, segundo a reportagem divulgada pela TVI, a ser usados para bem próprio, para uso pessoal, para alimentar a “vaidade” supérflua e egoísta de uma pessoa que se intitula de “solidária”. Pois, solidariedade aqui não há nenhuma porque, enquanto as crianças lutam arduamente contra as suas doenças, a senhora Paula deslocava-se num carro de luxo, cujo aluguer ascendia aos 921,59€ por mês, auferia de um rendimento mensal base de 3000€, ao qual acrescia 1300€ em ajudas de custo, 816,67€ para um plano-poupança reforma e, ainda, 1500€ de deslocações (quando o carro que conduzia era pago pela organização). Uma despesa que ultrapassa os 7500€ mensais, numa organização que vive maioritariamente de donativos que lhe são concedidos por quem acredita na causa da Raríssimas e quer contribuir para melhorar a vida das crianças, mas que são desviados sem dó nem piedade para fins egoístas e completamente desnecessários.
Desperta-me uma tristeza desmedida ver as crianças serem usadas como pretexto para que uma pessoa leve uma vida de luxo e, ainda, arranje forma de conseguir o mesmo para o marido e filhos, cujos rendimentos mensais provenientes da Raríssimas eram de 3200€ e 1200€, respetivamente.
E não podemos esquecer a mancha que isto deixa no mundo das organizações que se dedicam a ajudar, porque nem todas elas funcionam desta forma vergonhosa. Há realmente quem se preocupe com os outros e utilize os fundos a que tem acesso da forma devida, mas perante casos destes como é que as pessoas saberão se os seus donativos estão a ser aplicados da forma correta ou estão apenas a patrocinar luxos alheios? Não sabem e, na dúvida, deixam de ajudar para não correrem o risco. E quem sai prejudicado? São as pessoas que realmente necessitam e veem as suas hipóteses de obter ajuda desaparecerem por motivos vergonhosos como este.
Pergunto-me quantas crianças viram a sua suposta ajuda a passar-lhes ao lado, diretamente para o bolso da senhora Paula Brito e Costa. Era suposto ajudar crianças, mas há vestidos demasiado bonitos para ficarem na prateleira e assim se perde a hipótese de uma pobre criança…para vestidos.
A confirmarem-se as acusações feitas a Paula Costa, este é um caso que danificará a confiança das pessoas nas organizações dedicadas a ajudar quem quer que seja e que deverá ser exemplarmente punido pela Justiça. Espero sinceramente que todos estes dados tenham uma justificação, para bem dos valores da nossa sociedade, mas, na falta disso, é preciso atuar de forma a desincentivar qualquer ação que se assemelhe a esta, para que os fundos obtidos através, por vezes, de donativos suados sejam corretamente aplicados e geridos.

Bárbara de Sousa Gomes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]