quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Irá o envelhecimento arruinar o Serviço Nacional de Saúde?

Atualmente, o envelhecimento da população é um dos maiores desafios que a Europa enfrenta. Portugal não escapa à regra: é mesmo um dos países mais envelhecidos do continente. Dados relativos aos índices de envelhecimento da população portuguesa, disponibilizados pelo PORDATA, revelam que, com o passar dos anos, existe um maior número de idosos por cada 100 jovens. Será este um entrave à sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde(SNS)?
Tendo em conta que o consumo e gastos de saúde tendem a aumentar com a idade, o facto de o índice de envelhecimento ter vindo a aumentar pode causar algum “desconforto” ao normal funcionamento do SNS, segundo alguns especialistas. Partindo do pressuposto de que uma pessoa idosa é mais dependente e possui mais doenças, isto provocará um aumento da “corrida” aos serviços hospitalares, gerando problemas a dois níveis: por um lado, o anormal funcionamento dos serviços hospitalares; e, por outro, pode diminuir a acessibilidade aos cuidados de saúde primários, geralmente prestados pelos Centros de Saúde, na medida em que se existir um número demasiado elevado de utentes nos hospitais, terá de existir uma alocação de verbas, equipamentos e recursos humanos direcionados primordialmente aos mesmos.
No entanto, este é um tema que gera alguma controvérsia e se analisarmos esta questão através de outra lente, o cenário apresentado pode mudar e tornar-se menos negro.
Um aumento do índice de envelhecimento pode não implicar um aumento dos gastos e “uso” de saúde. Na verdade, é complicado perceber o impacto do envelhecimento da população nas despesas em saúde, isto porque tudo depende da forma como as pessoas envelhecem, ou seja, se vivem mais anos saudáveis ou doentes. Nos dias que correm, uma pessoa com 65 anos é considerada relativamente saudável e não precisa de cuidados assim tão diferentes dos que precisava há 10 ou 15 anos.
Posto isto, apesar do envelhecimento não arruinar o SNS, é necessário que este evolua no sentido das necessidades que a população apresenta e mude o tipo de serviços e a maneira como os presta. Um envelhecimento crescente da população exige a existência de mais cuidados continuados, além de cuidados de proximidade, nomeadamente cuidados domiciliários e sistemas de telemonitorização e telemedicina, sendo, portanto, necessária inovação tecnológica.
Além disso, é essencial apostar na prevenção e em estilos de vida saudáveis desde as idades mais jovens.
Concluindo, o desafio primordial do envelhecimento recai sobre o modelo de organização do SNS e a solução que este oferece às carências da população.

Bárbara Coelho

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Acesso à reforma mais flexível ou mais restrito?

Recentemente, foi lançada a proposta de Orçamento de Estado para 2019 onde constam algumas medidas para que vale a pena chamar a atenção, como é o caso, nomeadamente, o que estabelece no âmbito das reformas antecipadas, onde foram introduzidas algumas alterações.
Atualmente, o regime em vigor permite o acesso à reforma antecipada aos trabalhadores com 60 anos de idade ou mais e 40 anos de carreira. No entanto, as pensões estão sujeitas a cortes: corte por antecipação (0,5% por cada mês que falte para a idade da reforma ou 6% ao ano) e o corte que decorre do fator de sustentabilidade (14,5%, em 2018). Está também em vigor um regime de antecipação da reforma para quem começou a trabalhar ainda criança, ou seja, um regime especial para as longas carreiras contributivas. Para estes trabalhadores, deixam de existir os cortes (tanto o corte por antecipação como o do fator de sustentabilidade) para quem tem pelo menos 60 anos de idade e 48 anos de carreira contributiva, ou 46 anos ou mais de contribuições, tendo cumulativamente começado a trabalhar pelo menos aos 14 anos.
Em 2019, o Governo pretende fazer algumas alterações no que diz respeito a este tema. A proposta de lei do Orçamento de Estado para 2019 inclui a criação de um novo regime de flexibilização da idade de acesso à reforma, permitindo o acesso apenas aos trabalhadores que aos 60 anos de idade tenham 40 ou mais anos de carreira. Simultaneamente, é eliminada a penalização do fator de sustentabilidade aplicado às reformas antecipadas (que tira 14,5% ao valor das pensões), mantendo-se apenas o corte de 0,5% por cada mês de antecipação face à idade legal de 66 anos. Porém, o corte do fator de sustentabilidade é feito em dois momentos: em Janeiro, para os pensionistas com 63 ou mais anos de idade; e, em Outubro, para todos os pensionistas com 60 ou mais anos.
Estas alterações trazem algumas consequências, restringindo o número de pessoas que poderão pedir a reforma antecipada. Uma pessoa com 61 anos de idade e 40 anos de descontos, que poderia pedir a reforma antecipada no regime atual, ainda que com cortes, fica impedido de o fazer no novo regime, uma vez que aos 60 anos de idade tinha apenas 39 anos de carreira contributiva. No entanto, as pessoas que abrangem este novo regime saem beneficiadas face ao regime atual, uma vez que o corte de 14,5% associado ao fator de sustentabilidade deixa de ser aplicado, tendo apenas o corte de 0,5% por cada mês de antecipação. Ainda assim, estas novas regras não se aplicam ao regime de antecipação nas situações de desemprego de longa duração, nem aos regimes destinados a profissões específicas.
A meu ver, apesar do fator de sustentabilidade apenas ser eliminado para as pessoas que abrangem este novo regime, julgo que vai continuar a ter a função de adequar a idade legal da reforma à evolução da esperança média de vida, que atualmente está a crescer a um ritmo de um mês por cada ano. A intenção do Governo poderá ser abolir este fator para todas as reformas antecipadas num período posterior, no entanto penso que este é um fator relevante na medida em que compensa as alterações demográficas do nosso país, e o seu impacto nas contas da Segurança Social, algo que considero ser de elevada importância. 
Por outro lado, acho que a medida de “aos 60 anos de idade tenha completado 40 anos de descontos” demasiado restrita, pois limita a possibilidade a um grande número de pessoas de reforma antecipada. Penso que o acesso deveria ser permitido a quem já tenha 60 ou mais anos de idade e 40 anos de descontos, independentemente de ter atingindo estes 40 antes ou depois dos 60 anos de idade. Deve ser permitido às pessoas reformar-se antecipadamente se assim o desejarem, ainda que com cortes, sendo mais justa a existência de uma forma de acesso progressivo.
Todavia, acredito que a nova medida de acesso limitado à reforma antecipada seja para manter o equilíbrio, no sentido em que acaba por aliviar a eliminação dos cortes aplicados a estas pensões.

Inês Azevedo

Referências bibliográficas:

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Um futuro mais robótico

O mundo do trabalho mudou drasticamente nos últimos anos e tudo isso deveu-se às rápidas e constantes inovações tecnológicas, tornando a economia “digital”.
Segundo comprovam estudos, os impactes causados são três mil vezes mais importantes que os impactes causados pela revolução industrial, iniciada no século XVIII, provando também que os robôs podem vir a eliminar cerca de 5 milhões de postos de trabalho nas principais potências económicas mundiais. Porém, enquanto que postos de trabalho mais “monótonos” serão eliminados, são cada mais necessários mais trabalhadores qualificados que possam operar estes robôs.
Face a isto, podemos colocar certas questões: será que a inovação leva ao aumento da produtividade? Irão existir cada vez maiores desigualdades salariais? Os países menos desenvolvidos poderão acompanhar esta inovação?
A resposta depende do que procuramos com a robotização. Naturalmente que para realizar tarefas mais rotineiras a resposta à primeira pergunta é sim, porém, sempre existirão trabalhos onde é necessária criatividade e a capacidade de gerir pessoas, atividades essas que nunca poderão ser conduzidas por robôs. É necessário que os governos consigam assim prever as áreas chaves para investir de modo a que possam ter algum controlo público nessa matéria, podendo assim reduzir o seu impacte a nível social, como o das desigualdades salariais.
Para acompanhar todo este processo, deverá então existir um novo “contrato social”, isto é, deverá existir uma transição sustentável entre os empregos antigos e os que irão surgir. Isto passa pela educação, mas não só ao nível académico, mas sim uma constante aprendizagem dos novos métodos que surgirão no mercado de trabalho, sendo necessário reformular todos os outros mercados que servem de suporte, como os serviços e os mercados de produção.
Naturalmente, irão surgir obstáculos e pontos negativos. Por exemplo, as prestações sociais associadas ao emprego do indivíduo deverão ser substituídas por um modelo onde estão associados à própria pessoa. Isto porque cada pessoa, devido ao grande auxílio das máquinas, poderá ter mais do que um trabalho, o que iria desequilibrar o sistema atual. Como falado anteriormente, a formação ao longo da vida será necessária de modo a manter a estabilidade do mercado de trabalho pois a inovação ocorre, e cada vez mais manterá esta tendência, de forma exponencial, pelo que o método utilizado hoje pode ser rudimentar amanhã.
Assim, percebemos que inovações tecnológicas, como a robotização, têm tudo para potencializar o crescimento e a produtividade económica, mas apenas se interligados de uma forma correta e sustentada nos mercados atuais. Por outro lado, cada vez mais, os seres humanos devem ser mais criativos de modo a conseguir acompanhar este desenvolvimento.

Henrique Carvalho

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, 13 de outubro de 2018

A Indústria Portuguesa no contexto da integração

Cada facto ou acontecimento econômico possui sua devida relevância no cenário do desenvolvimento nacional. É lícito afirmar que a integração de Portugal na então Comunidade Econômica Europeia, em 1986, representou um marco sui generis - possivelmente definidor maior das feições atuais que o país apresenta, tanto a nível econômico como social. O presente relatório busca inquirir acerca do contexto da integração portuguesa, com foco específico no impacto causado pelas mudanças que se seguiram quanto à industrialização.
A escolha de tal variável não é aleatória, uma vez que, no entendimento do autor,  a mesma constitui exemplo notável  no referido contexto de integração, no que diz respeito ao esforço de coesão comunitária. Com este intuito, busca-se realizar uma breve análise das condições da indústria portuguesa à referida época, assim como mudanças observáveis decorrentes do fenômeno. Derradeiramente, pretende-se analisar um dos planos dentro do orçamento dos fundos estruturais (PEDIP) e seus impactos macroeconômicos.

As condições econômicas que cercearam a entrada de Portugal à Comunidade Europeia jamais foram de paridade em relação aos outros membros em termos de equilíbrio econômico[1]. Além do facto da década de 70 haver representado um período de desaceleração de crescimento a nível mundial, devido ao “Choque do Petróleo” em 1973, Portugal possuía o agravante de haver saído recentemente de uma Revolução, com uma economia bastante fragilizada e pouca competitividade (salienta-se que os motivos de tais problemas não decorrem necessariamente da Revolução). Urgia lançar mão de políticas de compensação para que o então novo membro adquirisse condições de sustento face à abertura econômica que se seguiria, através do advento dos fundos estruturais, que mais tarde se coadunariam em fundos de coesão. Mereceu especial atenção o setor industrial, que demonstrava um atraso profundo frente às outras nações integrantes da comunidade.[2]
É de se mencionar que a indústria portuguesa, apesar da pouca modernização, veio a desempenhar singular papel no crescimento econômico, tendo tido protagonismo neste aspecto: entre 1915 e 1995, foi responsável pelo crescimento de 50,16% da produtividade total[3].  Cientes destas necessidades, após longas negociações, foi instituído o plano “PEDIP” - Programa Específico de Desenvolvimento da  Indústria Portuguesa. O termo “específico” merece maior atenção uma vez que, como já referenciado na introdução, o programa foi estabelecido como uma desmembramento do Fundo de Desenvolvimento Regional, parte da iniciativa do QCA I, com aplicação projetada entre 1989 e 1993.
O programa possuía 4 objetivos bem definidos: Acelerar a modernização das estruturas vitais à indústria; a melhora no treino vocacional,financiamento de investimentos produtivos; e promover a   produtividade e modernização.[4]
Neste sentido, o programa foi designado como uma tentativa de superar os atrasos e insuficiências da indústria nacional. O principal objetivo era pôr em funcionamento um processo de modernização industrial, além de reverter o quadro de baixo investimento na área. Com o suporte dos fundos estruturais europeus, o projeto se tornou um importante  instrumento de modernização, compreendido entre 1988 e 1992, ainda que tenha resultados derradeiros questionáveis[5].
Em relatório final do programa elaborado em 1993[6], conclui-se que, para além de efeitos subjacentes relativos ao fomento da indústria (criação de EMP's, produtividade do trabalho, capacidade de empreendedorismo, especialização de mão de obra, etc.), o projeto teve efeitos macro-econômicos substanciais, alterando “drasticamente” alguns indicadores. Os dados a seguir foram extraídos do supracitado relatório, acerca dos impactos macroeconômicos:
1– A taxa de desemprego em Portugal caiu de 10,9% para 4.8%, em 1992.
2 – A tendência de crescimento de investimento anual cresceu 0,02%, em 1992.
3 -  A atratividade ao investimento estrangeiro aumentou significantemente: de 1% a 5,1%, em 1992

Marcelo Amaro Guimarães



[1]     Abreu, M. (2001). Da adesão à Comunidade Europeia à participação na União Económica e Monetária: a experiência portuguesa de desinflação no período 1984-1998. Boletim Económico, Dezembro, Banco de Portugal; p.1
[2]     ROMÃO, António (2006) ; “A Economia Portuguesa – 20 anos após a adesão” ´p.194
[3]                AGUIAR, Álvaro; MARTINS, Manuel M.F. (2004) "O Crescimento da Produtividade da Indústria Portuguesa no Século XX"
[4]     Decreto-Lei 483-D/88, capítulo 1, art.1, "Ambitos e objetivos"
[5]     Questionamento do autor: o período abrangido pelo relatório extravasa a implementação e pleno funcionamento do PEDIP, uma vez que leva-se em consideração o biênio compreendido entre 1986 a 1988, tendo o programa entrado em funcionamento somente em fevereiro de 1989.
[6]     "PEDIP Specific Industrial Development Programme for Portugal Final Report"
[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Efectos que produce el turismo en el desempleo español

Las transformaciones que se han producido en la estructura económica y social de España desde 1960 en adelante y, sobre todo, desde su ingreso en la Unión Europea en 1986, han sido muy profundas. Entre 1984 y 2007, la estructura productiva de la economía española ha cambiado radicalmente: ha pasado a convertirse en proveedora de servicios (públicos y privados), en detrimento del sector agrario e industrial, que no han cesado de perder peso en el PIB. Pero en 2008 llegó a una fuerte crisis, con muy fuertes costes para el estado, costes a los que se sumaría el deterioro de la actividad empresarial y el desempleo,  así como su impacto sobre la convivencia en nuestro país.
Según los datos del Instituto Nacional de Estadística (INE), la tasa de paro que presentaba España en los años de crisis hasta la actualidad son los siguientes:



Fuente: elaboración propia a partir de los datos del INE
A continuación, se hablará de la tasa de desempleo que posee España en lo que llevamos de año, y lo iremos comparando con años anteriores.
El número de parados registrados en las oficinas de los Servicios Públicos de Empleo ha bajado en julio de 2018 en 27.141 personas en relación con el mes anterior. Es decir, el paro ha descendido en 12.183 personas. Si lo comparamos con julio de 2017, el paro se ha reducido en 200.903 personas, lo que sitúa su nivel de reducción interanual en el 6,02%. Así, la cifra total de parados registrados es de 3.135.021, la más baja desde diciembre de 2008. Es decir, la contratación acumulada en los siete primeros meses de 2018 ha ascendido a 12.916.533, lo que supone 447.436 contratos más, un 3,59% que en igual periodo del año anterior.
El paro registrado en 2018 ha bajado en 14 comunidades autónomas y lo hace principalmente en números absolutos en Galicia (-6.653), Andalucía (-5.534) y Castilla-La Mancha (-2.818). Sube, sin embargo, en las tres restantes, Islas Baleares (656), País Vasco (572) y Navarra (515).
Si ahora nos centramos en el paro según los sectores, podemos ver como el mayor número de empleos se consiguieron en los servicios vinculados al turismo, gran proveedor de empleos estacionales, seguidos de la construcción y la industria.
El número total de contratos registrados durante el mes de julio ha sido de 2.086.655, lo que representa  un incremento de 158.016 (8,19%) sobre el mismo mes del año 2017. Esto se debe en gran parte al turismo que recibe España en los meses de verano, ya que se precisa más contrataciones en el sector servicio, por ejemplo.
Veamos como el turismo afecta a la economía española, aportando un mayor PIB y una gran reducción del paro en los principales meses.
Fuente: elaboración propia a partir de los datos del INE
Los datos del INE, hasta mayo, indican que en la primera mitad de 2018 España marcaba un nuevo récord con 28,5 millones de turistas extranjeros. Pero esa trayectoria se torció en los meses de julio, agosto y septiembre debido a una menor llegada de británicos y alemanes y por el crecimiento de países competidores en el Mediterráneo como Egipto, Túnez o Turquía. Pero, aún así, España sigue siendo uno de los países que más turistas recibe.
Como no disponemos de todos los datos con respecto al turismo que ha recibido España en 2018, analizaremos los resultados obtenidos en 2017 y los compararemos con los años anteriores.
España cerró el 2016 como tercer destino turístico del mundo, detrás de Estados Unidos y Francia, con un máximo histórico de 75,6 millones de turistas extranjeros, un 10,3% más que el 2015. Los principales mercados emisores fueron el Reino Unido, con 17, 8 millones de turistas (un 12,4% más), Francia, con cerca de 11,4 millones de visitantes (+7,1%), y Alemania, con 11,2 millones (+6,4).
España vuelve un año más a despuntar con sus cifras dentro del sector. Más de 82 millones de turistas internacionales visitaron España durante 2017, un año que cerró con un aumento del 8,9% en el número de visitantes y un gasto total de 87.000 millones de euros, es decir, un 12,4% más comparado con el año anterior.
Según datos proporcionados por el Instituto Nacional de Estadística (INE), España pasa a ocupar el segundo puesto internacional en el número de llegadas de turistas, adelantando a Estados Unidos y sólo por debajo de Francia.
No sólo el número de visitas mejora, los 82 millones de turistas en 2017 han gastado un 12,4% más que sus predecesores. Se estima que cada turista incrementó su gasto en más de un 3%, lo que se traduce en un gasto promedio de 1.061 € durante la estancia.
Durante la primera mitad de 2018, España ha superado los 28,5 millones de turistas. Cifra que, comparada con el año anterior, representa un incremento del 6%.
Las comunidades autónomas más visitadas son:

Comunidad Autónoma           
              2016
2017
2018 (En-Jun)
Cataluña
16.793.818
19.731.060
6.980.604
Andalucía
8.498.724
18.418.237
6.868.938
Madrid
4.545.820
11.999.504
4.929.594
Baleares
11.348.259
10.110.188
2.425.549
Canarias
11.474.965
9.767.334
3.919.007

En Marzo de 2018 el turismo que recibió España destacó notablemente, en parte, debido a la influencia de la Semana Santa. Este mes recibió 5,4 millones de turistas que gastaron 5.727 millones de euros, un 12,1% más para el mismo mes durante 2017.
Para el primer trimestre del 2018, el gasto total en España creció un 7,7% con respecto al año pasado, alcanzando los 14.735 millones de euros según el Instituto Nacional de Estadística (INE).
Analizando ahora lo que gastan los turistas por destinos, Canarias es la región en la que más gastan los turistas con 4.480 millones de euros, un 3,6% más que el primer trimestre de 2017. Cataluña se posiciona en el segundo puesto con 3.098 millones de euros (+10,4). Por último, Andalucía ocupa el tercer puesto con 2.171 millones de euros (+9,8%).
Entre las nacionalidades que más gastan están los británicos, con 2.634 millones de euros, seguidos por los alemanes (1.935 millones de euros) y los escandinavos (1.685 millones de euros).
Pese a que España ha comenzado a salir de la crisis y lleva tres años con un crecimiento del PIB superior al 3%, sufre más de un 15,28% de paro, el mayor de la Unión Europea después de Grecia. Pero, a pesar de esto, España está a la cabeza de los países que más turistas recibe, generando así miles de puestos de trabajo en los principales meses y aportando beneficios a la economía española.

Ana Sánchez Gómez

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O que será o futuro dos jovens?

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), “em julho de 2018, a taxa de desemprego situou-se em 6,8%, igual à do mês anterior, menos 0,3 pontos percentuais (p.p.) em relação a três meses antes e menos 2,1 p.p. que no mesmo mês de 2017. Desde setembro de 2002 que não era observada uma taxa de desemprego tão baixa como as de junho e julho de 2018”.
Apesar da taxa de desemprego jovem ter diminuído em Portugal, esta continua a ser uma das mais elevadas da União Europeia (18,6% em julho de 2018).
O desemprego jovem em Portugal pode ser explicado pela desadequação entre a formação e as necessidades das empresas, a retoma do emprego em setores que não valorizam as qualificações mais elevadas (setores que oferecem baixos salários e precariedade, não tendo em conta a formação e qualificações dos trabalhadores) e/ou pela reformulação dos estágios apoiados pelo Estado.
Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a redução do desemprego jovem na zona euro deve-se, sobretudo, ao facto de os jovens simplesmente saírem do mercado de trabalho.
São várias as razões que explicam a diminuição da população ativa jovem. Uma delas é o aumento da idade da reforma, que fez com que houvesse menos jovens a entrar no mercado de trabalho. Para além disto, houve uma diminuição da emigração para os países europeus devido à crise económica sentida na zona euro. Por outro lado, os jovens apostam cada vez mais na sua formação, dado que as empresas procuram trabalhadores altamente qualificados, o que faz com que estes entrem no mercado de trabalho muito mais tarde.
No ano passado, 15,2% dos jovens que viviam em Portugal eram “nem-nem” (expressão que designa aqueles que deixaram de estudar, mas que também não estão a trabalhar). Segundo o relatório "Education at a Glance 2018", um em cada sete jovens adultos não estuda nem trabalha. Portugal encontra-se em 10º lugar numa lista de 31 países da OCDE.
Em suma, é necessário tomar medidas para que os jovens permanecem em Portugal de forma a desenvolver o país, que apostem ainda mais na sua formação e para que consigam ter estabilidade.

Adriana Sofia Alves Ferreira

Bibliografia:
·        Observador
·        INE
·        RTP Noticias
·        Economia online
·        Público

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A INDÚSTRIA AUTOMÓVEL PORTUGUESA E A IMPORTÂNCIA DA VOLKSWAGEN

O setor de automóveis de Portugal é uma das áreas económicas mais importantes do país. Segundo um estudo recente da Mobinov (Associação do Cluster Automóvel), esse setor representou 5,9% do PIB português em 2017, assim como 20% das exportações de bens portugueses. Além disso, o estudo relatou que o crescimento do PIB neste setor foi de 0,7% entre 2012 e 2016.
Em relação à produção de automóveis em Portugal, a situação económica dos anos antes da crise financeira de 2007/2008 estava sólida, com uma quantidade de cerca de 220.000 unidades produzidas por ano. Em 2007, em contrapartida, a produção caiu 22,5%, resultando em 176.242 unidades produzidas. A partir de 2010, a situação começou a estabilizar, com cerca de 160.000 veículos produzidos até 2016, quando houve mais uma queda de 8,6% face ao ano anterior. Em seguida, a produção de automóveis cresceu de novo. A quantidade fabricada no mês de janeiro de 2017 face ao mês de janeiro de 2016 testemunhou um aumento de 51,6%. Ainda mais significativo foi a aumento de unidades produzidas nos meses de janeiro de 2017 e 2018: houve um crescimento de 100,4% (25.267 unidades em janeiro deste ano).
A Autoeuropa, empresa fundada em 1995 pelo Grupo Volkswagen em Palmela, no distrito de Setúbal, representa, hoje em dia, 60% do mercado de automóveis português. Em janeiro de 2018, os 4.377 trabalhadores da Autoeuropa fabricaram 19.355 dos 25.276 veículos produzidos em Portugal, o que equivale a 76,6%. O número de automóveis produzidos pela Autoeuropa representa atualmente cerca de 1% do PIB português assim como 4% das exportações nacionais. As outras marcas, constituindo a menor parte do mercado de automóveis em Portugal, são a Peugeot/Citroën, Mitsubishi e Toyota.
Interpretando esses dados, o fato de a Volkswagen ter transferido uma parte da sua produção para Portugal contribuiu de maneira significativa para a economia portuguesa. São exemplos desse fortalecimento, entre outros: foi criado um grande número de empregos; houve um desenvolvimento considerável na região de Setúbal; a competitividade económica portuguesa foi reforçada. Mas existe, para além das várias vantagens no aparecimento da VW no mercado português, uma parte inconveniente?
Desde 2015, o Grupo Volkswagen o pára de ter lugar de destaque negativo nos meios de comunicação. O escândalo “Dieselgate” revelou que a empresa tinha manipulado o software que mede os valores de emissão de gases dos seus veículos com motor a diesel a fim de respeitar as diretivas ambientais. Embora o escândalo, assim como as consequências do mesmo para a empresa alemã ainda não tenham chegado ao fim, os pedidos de indemnização, as multas e os custos legais já são estimados em milhares de milhões de euros. Além disso, a VW perdeu a sua confiabilidade por parte dos seus clientes. Embora as fábricas portuguesas ainda não tenham sido atingidas, a VW reduzirá 30.000 empregos na Alemanha até 2025, a fim de compensar os défices feitos desde 2015. Será que a Autoeuropa - e concomitantemente a economia portuguesa - podem sofrer das consequências que trouxe e trará consigo o escândalo “Dieselgate” a longo prazo?
Mais um evento problemático em relação à VW surgiu em 2017, desta vez no território português, quando a VW decidiu produzir o novo modelo T-Roc na Autoeuropa. Para adaptar a Autoeuropa a um volume de produção duplo que traria consigo a produção do T-Roc, a VW anunciou uma alteração do horário de laboração, o que incluiu trabalhar ao domingo. Isso fez com que a maioria dos trabalhadores entrasse em greve. Esse conflito, que demorou cerca de um ano e refreou a produção do novo modelo, suscitou a questão se a VW poderia transferir uma parte da sua produção para outro lugar. Desde agosto deste ano, os trabalhadores da Autoeuropa estão a fazer o novo horário de laboração contínua para aumentar a produção do novo modelo da Volkswagen, o que inclui trabalhar ao domingo. Para além das greves em função do aumento das horas laborais, houve recentemente mais greves por parte das fornecedoras da Autoeuropa, mesmo após a produção do T-Roc em Portugal ter sido iniciada.
Conclui-se que a economia portuguesa beneficia significativamente da produção de automóveis por parte de uma empresa com um poder económico tão forte quanto a do Grupo Volkswagen. Porém, esse ganho não pode ser garantido perpetuamente, e pode estar sujeito a uma política empresarial com consequências negativas para Portugal.

Simon Jäger

Fontes:
- ACAP
- https://www.zeit.de/wirtschaft/diesel-skandal-volkswagen-abgase
- https://www.dn.pt/dinheiro/interior/setor-automovel-vale-59-do-pib-e-emprega-72-mil-pessoas-9048092.html
- https://econews.pt/2018/01/05/autoeuropa-it-is-a-defeat-for-the-portuguese-if-it-is-not-solved/
- https://www.stuttgarter-nachrichten.de/inhalt.portugal-wenn-vw-hustet-ist-das-land-krank.6eafa8f8-c960-4ed8-8ea7-27abe0f05e7e.html

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]