terça-feira, 18 de dezembro de 2018

O desemprego na Zona Euro

A Zona Euro refere-se à uma união monetária dentro da União Europeia, na qual alguns Estados-membros adotaram oficialmente o euro como moeda comum. Esta é a segunda maior economia do mundo, segundo estimativas da Agência Central de Inteligência (CIA), em 2013. Atualmente, são 19 estados membros da União Europeia que fazem parte da zona do euro, nomeadamente: a Alemanha, a Áustria, a Bélgica, o Chipre, a Eslováquia, a Eslovénia, a Espanha, a Estónia, a Finlândia, a França, a Grécia, a Irlanda, a Itália, a Letónia, a Lituânia, o Luxemburgo, a Malta, os países baixos e Portugal. No entanto, Alguns países que fazem parte da União Europeia resolveram não adotaram a moeda única, a exemplo de Inglaterra, Suécia e Dinamarca.
Em relação ao desemprego, este é um tema muito relevante e discutido na atualidade, uma vez que é um dos maiores problemas do mundo em que vivemos. Segundo Garraty, o desemprego significa a condição da pessoa sem algum meio aceitável de ganhar a vida e os desempregados são pessoas capazes de trabalhar para satisfazer as suas necessidades mais ociosas, que elas possam fazer para atender às necessidades da sociedade. Desta forma, o desemprego fica caraterizado como sendo a não possibilidade do trabalho assalariado ou por conta própria nas organizaçōes.
Na Zona Euro, a taxa de desemprego fixou-se em 8,6%, em Janeiro, estável em relação a Dezembro e abaixo dos 9,6% de Janeiro do ano passado (2017). Este era o valor mais baixo que se verificou em janeiro quando foi feito o estudo. Contudo, o nível se manteve estável em Outubro de 2018, em 7,3%, o mesmo valor foi registrado em Dezembro.
Segundo os dados do Eurostat, entre os Estados-membros da União Europeia, as taxas de desemprego mais baixas foram registadas na República Checa (2,2%) e Alemanha (3,3%), enquanto as mais elevadas foram observadas na Grécia (18,9% em agosto) e na Espanha (14,8%).
As descidas mais acentuadas foram registadas em Chipre, Grécia, Croácia, Espanha e Portugal, onde o desemprego caiu, em Janeiro, para 7,9%. Dados recentes mostram que desde janeiro de 2018 a taxa de desemprego na zona do euro tem vindo a descer consideravelmente, recuando para 8,1% em Agosto de 2018.
 Entretanto, esta manteve-se constante, em outubro, em 8,1% (quando comparada com os meses de Agosto e Setembro), na zona euro e na União Europeia (UE), com Portugal a registar a quarta maior descida (de 8,4% para 6,7%), depois da Croácia (de 10,2% para 8,1%), da Grécia (de 20,8% para 18,9%, em agosto) e da Espanha (de 16,6% para 14,8%).
Segundo os dados da Eurostat, este é o valor mais baixo na taxa de desemprego registado até Outubro de 2018:

Figura 1: Desemprego na Zona Euro
Fonte: Eurostat

É de salientar que em relação ao desemprego jovem, isto é, respeitante a jovens com idade inferior a 25 anos, este desceu tanto na Zona Euro como na União Europeia.  Dados da Eurostat mostram que, em Janeiro deste ano, 3.646 milhões de jovens estavam desempregados, dos quais 2.535 milhões na Zona Euro.  
Em comparação com Janeiro de 2017, o desemprego jovem caiu em 333 mil na União Europeia e em 280 mil na Zona Euro. A taxa de desemprego jovem desceu para 16,1% na UE e para 16,6 % em agosto de 2018 na região da moeda única, o que compara com 17,6% e 19,9%, respetivamente, em Janeiro de 2017.


Ilustro no gráfico abaixo a considerável descida na taxa de desemprego entre os jovens:

Figura 2: Desemprego entre jovens

Tendo em conta que a taxa de desemprego tem vindo a diminuir de forma significativa, acompanhada de um aumento dos salários mais baixos, pode-se concluir que o progresso económico e tecnológico tem sido cada vez mais notório, causando assim um impacto extremamente positivo na Economia Portuguesa e Europeia. Constatei também que a taxa de desemprego e o salário mínimo possuem uma relação direta, uma vez que o Professor Doutor João Cerejeira, afirma que a acentuada subida no salário mínimo nacional (SMN) é fruto de uma considerável redução na taxa de desemprego.

Shelcia Sofia Lima Custódio

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Desemprego em Portugal

A evolução do desemprego é um fator de preocupação, não só em Portugal, mas em todos os países. O emprego é a principal fonte de rendimento de muitas famílias e, portanto, a sua perda pode ter vários impactes negativos, implicando, muitas das vezes, a redução da qualidade de vida e a perda de bem-estar.
Para conhecer o estado em que um país se encontra a nível de desemprego, é necessário realizar uma avaliação da população, que pode ser feita utilizando alguns métodos. Um deles é a análise da situação laboral dos indivíduos, na qual se contabiliza o número de indivíduos empregados, desempregados, reformados, etc.
Pessoas (com idades compreendidas entre os 15 e os 74 anos) que não têm emprego, mas que estão ativamente à procura de emprego e se encontram disponíveis para trabalhar, constituem a população desempregada. Ainda que os Centros de Emprego trabalhem para auxiliar as pessoas na procura de emprego, o processo pode ser algo complicado e demorado. A taxa de desemprego permite-nos definir o peso da população desempregada sobre o total da população ativa. Através deste resultado é então feita a avaliação da situação.
As piores taxas do desemprego português foram registadas em 2013, quando a taxa de desempego atingiu 16,25%. Quando comparado com o resto da União Europeia, Portugal esteve sempre numa pior posição, registando sempre taxas de desemprego bastante superiores. A partir de 2013, o desemprego começou a sofrer uma diminuição bastante significativa, acompanhando a tendência decrescente que se verificava na União Europeia.
Atualmente, o desemprego nacional está a passar uma boa fase. Em Portugal, segundo dados estatísticos do INE, a taxa de desemprego estabilizou em julho nos 6,8%, o que corresponde ao nível mais reduzido desde setembro de 2002. Face a julho de 2017, a queda foi de 2,1 pontos percentuais, enquanto no Chipre totalizou 3 pontos percentuais e na Grécia 2,2 pontos percentuais.
Na Zona Euro, a taxa de desemprego estabilizou em 8,2%, um mínimo desde novembro de 2008, enquanto na União Europeia desceu uma décima, para 6,8%, igual ao valor registado em Portugal. No ranking dos países com a taxa de desemprego mais elevada, Portugal desceu mais uma posição, igualando agora o registado pela Eslováquia.
O desemprego trata-se de recursos desperdiçados, pois os indivíduos que se encontram desempregados têm capacidade para trabalhar e contribuir para a economia, no entanto, não o fazem.

Ana Rita Jordão Macedo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Portugal, um país cada vez mais iluminado

Portugal ilumina-se, os espetáculos de luzes cativam as multidões, o país reveste-se de pinheiros e efeitos natalícios excêntricos e são cada vez mais os destinos a aderir, tentando diversificar-se e distinguir-se pelas decorações e pela oferta de produtos e serviços alusivos ao Natal. Esta época festiva envolve todo um conjunto de implicações para as diversas regiões ao longo do país, que têm cada vez mais aderido à tendência da celebração da época natalícia. Assim, tem sucedido uma crescente valorização, por parte das regiões, da comemoração do Natal, sendo que são cada vez mais exuberantes as formas de demonstrarem um espírito natalício.
Na minha opinião, um aspeto que tem vindo a marcar este tipo de eventos é o acréscimo da envolvência pelos diversos cantos do país, o que pode induzir inúmeros benefícios para as regiões. Primeiramente, permite aos locais desenvolverem a sua atratividade durante todo o período, por diversos motivos, deslocando um enorme fluxo de pessoas aos locais que oferecem todo um espetáculo natalício. Um excelente caso é Guimarães, que todos os anos no dia 29 de Novembro desloca milhares de pessoas de todas as faixas etárias para a tão reconhecida festa do Pinheiro.
No entanto, o evento mais reconhecido nesta época natalícia é claramente a Vila Natal de Óbidos, que todos os anos se distingue pelos crescentes esforços para ser mais original e pela constante tentativa de se superar, ano após ano. Este local tenciona proporcionar aos visitantes uma experiência única, com uma enorme envolvência natalícia. Toda a atratividade nesta época concede a Óbidos o desenvolvimento de setores como a restauração, hospedagem e outros serviços complementares.
Adicionalmente, um aspeto muito vantajoso reside no facto de permitir a divulgação da cultura e tradição regional, pela exposição e possível aquisição de produtos regionais, medida esta que tem sido desenvolvida em diversos locais, pela criação de um mercado regional. Famalicão já aderiu a esta tendência e instalou um “mercadinho” na reconhecida “Aldeia de Natal”, onde se destacam sugestões de presentes criativos e únicos, apresentados por produtores locais, e simultaneamente toda uma oferta de produtos gastronómicos. Toda esta iniciativa contribui para o desenvolvimento de projetos de empreendedorismo locais e, consequentemente, para o crescimento económico regional, bem como para a divulgação do concelho. Adicionalmente, Famalicão proporciona inúmeras atividades complementares, que vão desde o ringue de patinagem, presente todos os anos, até ao designado “Circo de Papel” e à “Cabana Solidária”, com a presença do Pai Natal a apelar a um Natal mais solidário, proporcionando uma experiência mais agradável e profunda para os visitantes.
Na minha perspetiva, a envolvência por parte das localidades nesta celebração festiva tem intrínsecos alguns efeitos mais prejudiciais, como todo o congestionamento, principalmente em grandes centros, e todos os gastos inerentes, principalmente no que concerne à iluminação. Porém, estes gastos podem, de certa forma, considerar-se um investimento na perspetiva da atratividade pública, que é um dos objetivos primordiais das regiões que participam.
Não obstante, esta é uma época única e já assente no coração de imensas pessoas, o que aparentemente parece ter toda uma envolvência que agrada à maioria da população, revelando um certo espírito de especial alegria e contentamento. Nesta época, é importante as pessoas relembrarem a importância da união, sendo a junção das pessoas um momento extremamente único, pelo que a adesão das regiões ao Natal permite exatamente a reunião da comunidade, o convívio e esse sentimento de harmonia e fraternidade.
É importante ter em consideração fatores como a diversificação e distinção, sendo indispensável criar programas originais e de qualidade, de forma a permitir toda a consolidação da experiência para os participantes, a fidelização dos mesmos e a divulgação dos territórios. Assim, é essencial utilizar ferramentas de marketing, uma vez que estamos perante uma era tecnológica, para divulgar toda a oferta inerente e promover a atratividade local. É crucial continuar a promover, efetiva e eficientemente, estes eventos festivos para que proporcionem o crescimento dos mesmos e, consequentemente, contribuam para o sucesso das futuras edições.
Em suma, o Natal é uma época na qual o povo português transparece felicidade e comunhão, estando intrínseco na tradição do país celebrar esta festividade, razão pela qual é fulcral tirar o máximo proveito de um dos momentos mais excecionais do ano e manifestar o verdadeiro espírito natalício português nos diversos cantos do país!

Daniela Araújo Azevedo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

É importante a interação entre Empresas e Universidades?

Nos últimos anos, Portugal progrediu bastante em relação aos meios materiais e às infraestruturas.Também os indivíduos são os mais bem formados de sempre. No entanto, esta evolução não se reflete na produção da economia. Por isso surge um paradoxo, já que apesar da melhor combinação dos fatores de produção da economia, não nos encontramos numa posição superior em comparação com os últimos anos. Como resultado, levanta-se uma grande questão a respeito da razão pela qual nos situamos praticamente estagnados a nível produtivo. Além disso, é relevante associar esta questão quando estamos a enfrentar um momento de revolução tecnológica, em que o mundo está a mudar rapidamente. Será que vamos conseguir acompanhar esta revolução?
         O sucesso que pode derivar desta revolução possibilitará o crescimento da produtividade. Na minha opinião, este é alcançado através da inovação, o desenvolvimento tecnológico e principalmente através do conhecimento. Para tal, as universidades, os nossos centros de saber e conhecimento, necessitam não só de ser as melhores e afirmarem-se internacionalmente mas também é extremamente importante existir uma proximidade e interação das universidades com as empresas, e vice-versa.
Atualmente, a presença das empresas nas universidades é maior, seja através dos órgãos de gestão, de programas de estágio, de ações de formação, de parcerias com programas de investigação e desenvolvimento, entre outros. Da mesma forma, existem universidades prestigiadas internacionalmente que estabelecem diversos projetos com empresas. Como exemplo, temos a Universidade do Minho que conseguiu alcançar uma relação privilegiada com os empresários e com as empresas da região. Destaca-se a interação com a empresa Bosch, que só foi possível porque produzimos ciência de qualidade. Também o ISCTE detém protocolos com empresas internacionais de consultoria, que asseguram estágios remunerados, com a possibilidade de integração nos quadros das empresas, e a Porto Business School foi distinguida com o título honorário da Ordem do Mérito, visto que foi considerada “como pioneira nacional na ligação entre universidades e empresa’’, segundo Marcelo Rebelo de Sousa, entre outras.
Contudo, esta ligação ainda é pouca quando comparada com o que acontece no estrangeiro. A título de exemplo, durante os anos 50, na Universidade de Stanford, o professor Frederick Terman criou “parques de ciência’’ em que a área próxima do campus era utilizada pelos investigadores e professores para criarem lá as suas empresas, e ao mesmo tempo estes utilizavam as tecnologias da universidade para gerar empresas tecnológicas. Além do mais, os indivíduos das empresas conseguiam interferir nas atividades das universidades, lecionando com os investigadores. No nosso país esta transferência de tecnologia entre universidades e as empresas como meio de promoção do desenvolvimento socioeconómico praticamente não existe. Porém, podemos argumentar que estes parques não são formados próximos das universidades visto que a maior parte destas são multipolares, logo não conseguimos estar fisicamente próximos uns dos outros, contrariamente ao que se vive nas grandes universidades anglo-saxónicas, em que conseguiram aproximar-se das empresas e juntar todos os departamentos, de forma a conceber conhecimentos inovadores. Todavia, nos dias de hoje, apesar de não estarmos próximos fisicamente, existem alternativas e são essas que, para mim, devem ser exploradas no futuro.
Posteriormente, como já foi referido, é preciso que o conhecimento se encontre nas universidades. Porém, é igualmente necessário saber como o vamos partilhar. A partilha corresponde à disponibilização da informação correta para as empresas através, por exemplo, dos websites das universidades, através dos quais as empresas conseguem contactar as mesmas.
         Em suma, considero urgente a maior integração entre universidades e empresas para o desenvolvimento da economia. É de referir que os recursos existentes na economia estão melhores que há alguns anos, mas também é fundamental combiná-los da melhor forma com a tecnologia, para conseguirmos produzir mais e gerar mais riqueza.

Ana Catarina Freitas da Costa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Mudanças climáticas: intervenções, atualidade e futuro

As condições climáticas mais extremas já não são uma previsão. É necessária uma ação para evitar que a situação se torne muito pior.
Atualidade
No que muitos descrevem como as maiores negociações internacionais sobre mudanças climáticas desde o Acordo de Paris de 2015, a COP24 reuniu-se este mês na cidade de Katowice, na Polônia, as “summits” climáticas da ONU, ou seja, a chamada COP (Conference of the Parties), que são conferências globais no curso das quais a ação para a política climática é negociada.
Delegados de quase 200 países no domingo iniciaram duas semanas de negociações para enfrentar as profundas divisões políticas na mais importante reunião da ONU sobre o aquecimento global desde que o marco de Paris, em 2015, tratou de abandonar os combustíveis fósseis.
As expectativas são baixas de que as negociações em Katowice, no coração da região de carvão da Polônia, resolvam totalmente as preocupações apresentadas nos relatórios das últimas semanas sobre a gravidade das crescentes emissões de gases de efeito estufa. O clima político também se transformou desde que o acordo de Paris e a frágil unidade global que provocou o acordo foi abalada.
"Esta é uma conferência muito, muito importante", afirmou a chefe do clima da ONU, Patricia Espinosa. "Isso também acontece num cenário em que temos sinais claros sobre a urgência com a qual precisamos abordar as questões da mudança climática."
No entanto, as divisões políticas foram claras desde o início, com o Brasil tendo retirado sua oferta para sediar as negociações de 2019. Enquanto isso, os Estados Unidos reiteraram a sua posição na cúpula do G-20 na Argentina.
O recente relatório de referência do IPCC SR15 sobre o aquecimento global de 1,5 graus Celcius deixa bem claro que são necessárias medidas urgentes e agressivas para evitar as consequências catastróficas da mudança climática.

1,5ºC
              2ºC
Impacto 2ºC
Calor extremo
14%
37%
2,6x
pior
Ártico sem gelo
Pelo menos uma vez em 100 anos
Pelo menos uma vez em 10 anos
10x
pior
Aumento do nível do mar
0,40
metros
0,46 metros
Aumento de 0,6 metros
Perda de espécies
(fauna e flora)
Aprox.
4%-8%
Aprox.
 8%-18%
2x-3x pior
Futuro – Impacte e medidas
De Atenas a Melbourne, de Seul a Nova York, as grandes cidades estão-se voltando cada vez mais para as árvores para ajudar a protegê-las das ondas de calor e inundações e para aumentar a saúde física e mental das pessoas, dizem autoridades urbanas e especialistas em meio ambiente.
Atenas está a procurar plantar mais árvores para baixar as temperaturas e proteger a capital grega de chuvas repentinas.
Milão que está a planear plantar 3 milhões de árvores e expandir os seus espaços verdes até 2030, presenciou um aumento de temperatura de 2 graus Celsius e um aumento de mortes relacionadas com o calor nos últimos 20 anos, além de piorar as inundações.
Árvores e espaços verdes reduzem os níveis de stress e incentivam as pessoas a se exercitarem e se socializarem mais, segundo especialistas. Mas com as populações urbanas projetadas para aumentar em 2,5 bilhões de pessoas até 2050, a procura por mais habitação e transporte está pressionando os espaços verdes.
E a falta de conhecimento, dados ou a capacidade de atrair fundos significa que as cidades tendem a optar por projetos de infraestrutura "cinzentos" sobre projetos "verdes" para cumprir o mesmo trabalho, de acordo com um relatório da rede 100 Resilient Cities, de Nova York. No entanto, Milão está a tentar fugir a estes projetos através do “primeiro” edifício verde, a “Floresta Vertical”, duas torres residenciais repletas de arvoredo, construídas como a primeira de muitas medidas para combater o smog e as inundações.
Conclusão:
As alterações climáticas agravadas pelo Homem são um problema premente, sem intervenção combatente, estas irão degradar a Terra como a conhecemos em passos galopantes. As ações necessárias apenas têm resultado no longo prazo (30-60 anos) e tem elevados custos, não só financeiros como também de estilos e modos de vida. Porém, estudos e entendidos (tais como David Attenborough) afirmaram que estes são os últimos anos em que a implementação de ditas ações conseguirá ter um efeito impactante e efetivo, sem compromisso de perdas graves na vida humana, fauna e flora mundial.

Daniel Garcia Ribeiro

Referências:
Cameron, Layne – World Economic Forum – “How flooding causes damaging carbon to course through ecosystems”. Disponível em:<https://www.weforum.org/agenda/2018/12/how-flooding-causes-damaging-carbon-to-course-through-ecosystems/> Acesso em: 13 Dezembro 2018
Whiting, Alex – World Economic Forum – “Cities are planting more trees to fight climate change and improve healthy living”. Disponível em:< https://www.weforum.org/agenda/2018/12/cities-are-planting-more-trees-to-curb-wild-weather-and-boost-healthy-living-ec92b137-4610-4871-a341-0c10ea1b3954/ > Acesso em: 14 dezembro 2018
Ellsmoor, James – Forbes – “Ten Things The World Learned At The COP24 Climate Change Negotiations”. Disponível em:< https://www.forbes.com/sites/jamesellsmoor/2018/12/13/ten-things-the-world-learned-at-the-cop24-climate-change-negotiations/#1d04fdea1cd2> Acesso em: 14 dezembro 2018
AFP – The Journal – “A jungle high above the city streets - living in Milan's elite 'Vertical Forest'”. Disponível em:< https://www.forbes.com/sites/jamesellsmoor/2018/12/13/ten-things-the-world-learned-at-the-cop24-climate-change-negotiations/#1d04fdea1cd2> Acesso em: 14 dezembro 2018

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Custos com a saúde em Portugal

Já pararam para refletir nos custos dos cuidados de saúde? Quanto custará uma cirurgia? E um internamento no hospital público? Ou o custo de um simples exame?
O custo de tudo isto é elevado. São serviços caros e têm um efeito inevitável de bola de neve, sempre a somar. O aumento da população envelhecida, e a consequente diminuição da população ativa contribui para mudar a estrutura demográfica do nosso país e para alimentar os custos na saúde, daí a necessidade de reformulação do SNS.
Através de dados estatísticos retirados do PORDATA do INE, verifica-se uma tendência crescente no rácio relativo ao índice de envelhecimento. Desde a década de 60, o rácio foi sempre aumentando, passando de 27,5% para valores iguais a 153,2%, no ano passado. O envelhecimento da população deve ser encarado como um desafio. É preciso o governo adaptar-se de forma a responder às necessidades dos mais velhos, principalmente a nível dos cuidados de saúde.
         Na minha opinião, é necessário adotar medidas para reorganizar o sistema nacional de saúde, de forma a manter a sua sustentabilidade e para que este continue universal e gratuito. Isto porque o problema do envelhecimento tem como tendência o aumento da despesa pública, uma vez que a prestação de cuidados das pessoas mais velhas não são cuidados hospitalares, mas sim outro tipo de cuidados, tal como o internamento. E estes cuidados são de natureza muito mais cara, por sinal.  Mas tudo depende da maneira como as pessoas envelhecem, ou seja, se vivem mais anos saudáveis ou doentes. Morrer com uma idade avançada mas ser saudável durante grande parte da vida leva a poupanças imediatas para o SNS. Daí a necessidade das sociedades investirem mais em cuidados preventivos, de forma a reduzir possíveis gastos futuros.
Quando pensamos em pessoas idosas, aliamos o nosso pensamento ao aparecimento de várias doenças em simultâneo, provocando incapacidade física e mental. São doenças crónicas que levma a que as pessoas precisem de cuidados continuados, o que implica uma despesa permanente.
 No livro de Pita Barros “Economia da Saúde” é esclarecido que, tradicionalmente, os idosos eram acompanhados através de cuidados informais, em que os familiares ou amigos cuidavam deles. Hoje em dia, já não é tanto assim, daí o aumento da procura deste tipo de serviços. A tendência é a procura de instituições que se assemelhem tanto ao hospital tradicional como aos cuidados de origem familiar. É preciso e importante que seja o paciente a monitorizar a sua situação, existindo um acompanhamento domiciliário (que vai permitir que os idosos permaneçam nas suas próprias casas), e não recorrendo ao internamento.
Na minha perspetiva, Portugal possui uma boa rede de cuidados primários, que é essencial para a tal proximidade atualmente. Os mais idosos precisam de apoios e cuidados informais, por exemplo alguém que os ajude nas compras de supermercado, na higiene, na farmácia, na cozinha, … A prestação destes serviços iria levar à diminuição dos gastos por parte do SNS. É, deste modo, crucial uma maior coordenação entre os cuidados de saúde e os serviços sociais, o que fortalece os sistemas de cuidado a longo prazo.
Temos que ter em conta, também, os maus hábitos da sociedade, tal como o tabagismo, maus hábitos alimentares, sedentarismo, obesidade e álcool, e aplicar políticas e iniciativas para melhorar o estilo de vida. É preciso atuar com uma perspetiva de futuro e controlar os riscos de doenças permanentes daqui a 5, 10,15 anos!  É importante o incentivo de programas de promoção e prevenção de doenças que visam as principais causas de morbilidade e mortalidade prematura, em particular a obesidade e hipertensão, bem como a saúde mental. Estas medidas devem incluir exercício físico e envolvimento social. O incentivo por parte das campanhas de sensibilização relativas a certos maus comportamentos na sociedade também pode ajudar a melhorar certos hábitos.
Em modo de conclusão, penso que o SNS deve assumir-se enquanto serviço nacional de saúde e não de doença para continuar a ser universal e gratuito.
Ana Cláudia Marques André
Bibliografia:  
PORDATA                                                                                                                                            
“Economia da Saúde”, Pita Barros
[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Consumismo natalício

Nos últimos dois anos, assistiu-se a uma quebra no consumo declarado de Natal e de Ano Novo em Portugal, tendo os gastos efetivos sido inferiores aos estimados. Em 2018, volta a assistir-se a uma tendência de diminuição no consumo esperado, passando o valor médio que os consumidores portugueses estimam despender na época natalícia para 314€ por agregado familiar, considerando as despesas com presentes, alimentação e bebidas e eventos sociais. Este valor representa uma redução de 24€ face a 2017 e é cerca de metade do valor registado em 2008 (610€).

Segundo o “Estudo de Natal de 2018”, realizado pela Delloite, o valor estimado para este ano é o segundo mais baixo da pesquisa (o valor mais baixo registado foi de 270€, em 2014), sendo que em comparação à media europeia a previsão dos gastos dos portugueses fica 63€ abaixo. Portugal é, efetivamente, dos países que mais diminuiu o seu valor estimado de gastos para este ano.
Apesar de uma proporção significativa da população nacional que participou neste estudo afirmar não ter um orçamento definido para gastar na época natalícia, aqueles que definiram um orçamento acabaram por ultrapassá-lo cerca de 40% das vezes, em 2017.  Ainda assim, a maioria gastou o montante que tinha previsto, sendo que apenas 7% afirmou ter conseguido gastar menos do que tinha planeado. Assim, do valor médio previsto pelos portugueses para ser gasto durante as festividades de 2017 (338€), pôde observar-se uma redução de 30€, tendo sido o valor declarado no montante de 308€ por agregado familiar nesse ano.
Portugal encontra-se em linha com a Europa no que diz respeito à divisão do consumo por categorias, apresentando valores bastante semelhantes relativamente à média europeia. Os portugueses revelaram uma repartição igualitária dos gastos pelas áreas de maior consumo para a época natalícia de 2018, continuando os presentes (51%) a liderar as despesas do orçamento familiar, seguido da alimentação e bebidas (36%) e, por último, os eventos sociais (13%).
Como já vem sendo um hábito, o fator fulcral para o aumento da despesa familiar na época natalícia em Portugal é a existência de promoções (apesar da ligeira diminuição verificada face a 2017), independentemente do género, faixa etária ou escalão retributivo. As promoções vêm, portanto, incentivar o consumo nesta época festiva, e os portugueses são dos que mais planeiam comprar em ocasiões como a chamada “Black Friday”, representando cerca de 1/3 do seu orçamento.
É de realçar que os europeus em geral se querem divertir sem pensar na insegurança da situação económica, ou seja, preferem disfrutar e evitar pensar na situação económica, sendo este o segundo maior motivo para o aumento das despesas dos portugueses na época natalícia. Ainda assim, em 2018, os portugueses sentem-se menos confiantes relativamente ao estado atual da economia, apesar de continuarem mais otimistas que a média europeia.
À semelhança dos resultados obtidos em 2017, são aqueles que auferem rendimentos mais elevados os mais otimistas em relação ao estado da economia, prevalecendo o estado considerado como “neutro” para os restantes escalões remuneratórios. No entanto, a classe média encontra-se mais pessimista comparativamente ao ano homólogo, subindo mais de 10 pontos percentuais a avaliação negativa do estado da economia e descendo 8% a avaliação positiva.
Apesar da redução no valor do orçamento para a quadra natalícia, parece existir uma estabilização do poder de compra em Portugal, uma vez que a maioria dos portugueses afirma ter o mesmo montante para gastar nas compras de Natal, pelo que a perceção geral face à evolução do poder de compra tem-se mantido relativamente estável desde 2009. Assim, a maioria da população afirma ter, em 2018, o mesmo poder de compra, dando os portugueses mais destaque à influência do Orçamento de Estado nos seus comportamentos de consumo, face ao que revelavam dar em 2017.
Podemos então concluir que apesar da época natalícia ser uma época de consumo excessivo e impulsivo por parte dos consumidores, tem-se assistido a uma maior contenção por parte dos mesmos, com um orçamento destinado às compras de Natal cada vez mais reduzido. Posto isto, as pessoas tendem a aproveitar períodos de promoções no sentido de pouparem mais nas suas compras. Ainda assim, esta época festiva impulsiona bastante o consumo, e a maioria dos portugueses prefere desfrutar sem se preocupar demasiado com a situação económica.
Na minha opinião, o consumo natalício irá sempre ao encontro de um comportamento consumista, no entanto e dada a tendência observada, quem sabe não consigamos atingir um consumismo natalício no futuro.

Inês Azevedo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]