quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Novo episódio, mesmo protagonista: Donald Trump

O tempo vai passando e as marcas do mandato de Donald Trump não param de aumentar, sendo já bastantes as polémicas geradas ao longo dos últimos 2 anos. O presidente norte-americano continua a acumular “inimizades” e climas de tensão com outras nações, como por exemplo com o seu país vizinho, o México, aparte a Coreia do Norte, o Irão ou até mesmo com a China, com a qual mantém uma relação baseada em polémicas.
Os Estados Unidos e China têm vindo a rivalizar de forma crescente no panorama económico mundial, o que se refletiu numa queda das trocas comerciais entre ambos os países. No foco desta situação estão as taxas alfandegárias impostas pelo governo aos bens importados do país rival. Deste modo, numa tentativa de garantir a supremacia americana, Donald Trump já alegou intenções de elevar o valor destas taxas para os 30% sobre os 250 mil milhões de bens comprados à China, bem acima dos 15% anteriormente fixados, como forma de diminuir a importação de bens chineses. O líder norte-americano afirma ainda que os EUA “perderam estupidamente” biliões de dólares para a China nos últimos anos, incluindo “no roubo de propriedade intelectual”.
As repercussões desta disputa fizeram-se de imediato sentir: ocorreu uma queda de 22% nas importações de produtos americanos por parte da China durante o mês de agosto, comparativamente ao mesmo mês do ano transato, o que representa a perda de 10.3 milhões de dólares. No sentido oposto, o consumo de produtos chineses pelos norte americanos (maiores consumidores dos mesmos) sofreu uma quebra de 16%, cerca de 44.4 milhões de dólares.
Deste processo resultou que as empresas norte-americanas receberam um aviso para que cessassem quaisquer negócios que mantivessem com entidades chinesas, e começassem a procurar parcerias noutros países. Um dos casos que teve mais destaque no seio desta situação foi a proibição imposta no início de maio do ano corrente (que mais tarde nesse mesmo mês foi levantada por um período de 3 meses, a pedido de empresas norte-americanas) à empresa “Huawei”, marca chinesa e maior representante do país na produção de smartphones no cenário internacional. O hardware e software utilizados na produção dos smartphones era em grande parte proveniente de empresas americanas.
O impedimento de ter acesso ao sistema operativo “Android” e ao maior motor de busca existente, o “Google”, como restrição de acesso a aplicações americanas, como “Facebook” e “Instagram”, levou a que a empresa tivesse quebras nas receitas a rondar os 30 milhões de dólares até ao passado junho, e espera que até ao final do ano atinjam os 100 milhões de dólares, cerca de 10% face ao ano anterior.
Na outra face da moeda, levantam-se algumas preocupações em relação ao homólogo americano da fabricante de smartphones chinesas, a “Apple”.
A “Apple” deverá ser provavelmente o gigante americano que mais depende dos produtos chineses uma vez que a grande maioria dos seus fornecedores são entidades chinesas. A multinacional norte-americana tem, em solo chinês, cerca de 17% das suas receitas, e 29% dos lucros da empresa advêm das margens sobre os produtos de alta qualidade lá vendidos. Contudo, a confirmar-se o cenário negativo para a “Apple”, o Goldman Sachs estima que os lucros da empresa possam cair 30%, cerca de 15 biliões de dólares.
Outro ponto importante carateriza-se pelos problemas associados à realocação do elevado volume de negócios para fora de território chinês, assim como ações associadas a empresas de produção do mesmo. É de realçar que a “Apple” é a primeira empresa com valor superior a 1 trilião de dólares.
Várias questões se levantam: e se a China retribui da mesma forma? Que impacto terá na empresa mais rentável dos EUA? Caso a China retalie, irá Donald Trump reagir da mesma forma, como reagiu perante a resposta da China face às taxas aduaneiras e agravar ainda mais esta guerra comercial instaurada?

Daniel Andrade

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Alojamento universitário

O alojamento nos centros universitários tem sido um tema alvo de debate e preocupação social. A cada ano letivo a situação repete-se. Vagas completas nas residências universitárias e rendas insuportáveis nas habitações privadas, para a maioria das famílias portuguesas.
A posição da Secretária de Estado do Ensino Superior, Fernanda Rollo, segundo o jornal público, encontra-se dividida em duas vertentes: “um problema que é bom”, porque vem mostrar a existência de muitos alunos deslocados, alunos que estudam fora da sua área de residência; mas que, por outro lado, torna-se um fator de desencorajamento ao ingresso do ensino superior. Está à vista de todos, portanto, que são necessárias medidas como forma de resposta a este problema social. Um dos objetivos do Plano de Alojamento no Ensino Superior é a aposta na reabilitação de edifícios públicos para a conversão em residências.

 No que concerne a estudantes deslocados, a região do Algarve e a área metropolitana de Lisboa (AM Lisboa) são as únicas regiões onde se verificam valores inferiores a 40%. Pela observação da figura percebe-se que são várias as regiões onde os valores passam os 50%, culminando em 42% de deslocados do total de estudantes. 

É importante observar quantos destes alunos têm vaga em residências públicas. Nesta vertente, o Algarve apresenta uma das maiores taxas de cobertura, 31,2%. Já no Porto o cenário é bem diferente uma vez que apenas 9,7% dos estudantes deslocados conseguem cama nas residências. Em Lisboa a proporção é semelhante, 9,2%. As 13.971 camas disponíveis nas residências para estudantes do ensino superior só garantem alojamento para 12% dos 131.813 alunos deslocados.
Com o agravamento da situação ao longo dos anos, os universitários este ano letivo podem contar com mais 595 camas. Este aumento resulta, principalmente, de protocolos de colaboração estabelecidos com pousadas de juventude, Santa Casa da Misericórdia, exército e diocese do Porto. E irá sentir-se, na sua larga maioria, em Lisboa e no Porto, representantes de 44% e 31% deste aumento, respetivamente, por força da procura. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, trata-se de um aumento de 4% face ao último ano, aumentando para 15.965 o número de camas disponíveis.
Perante esta situação as associações académicas começam a fazer-se ouvir. Em Vila Real, na academia transmontana, como forma de protesto foram colocados 600 tecidos e almofadas representantes das “camas que não atravessaram a serra do Marão”, segundo a Associação Académica da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (AAUTAD), “nas universidades do interior, onde se verifica um número significativo de alunos deslocados, e o aumento de camas foi zero ou abaixo de dez”. Nesta instituição cerca de 72% dos alunos são deslocados, e neste novo ano letivo verificou-se um aumento do número de entradas na primeira fase de acesso ao ensino superior.
Já em Braga a medida foi diferente, mas com o mesmo intuito. A Associação Académica do Minho (AAUM) lançou neste início de ano o movimento “Uma Pedra Por Mim” para o apelo ao aumento de alojamento público. Nesta academia, cerca de 74% dos alunos são deslocados.

Margarida Pimenta

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Um julgamento sem sentença?

Naquele que é um período histórico marcantemente capitalista, um sistema que move na sua maioria as atividades quotidianas da sociedade, não valerá a pena recordar e refletir sobre as palavras de Karl Marx? Marx via o capitalismo como um sistema completamente instável, afirmando: Sem sombra de dúvida, a vontade do capitalista consiste em encher os bolsos, o mais que possa. E o que temos a fazer não é divagar acerca da sua vontade, mas investigar o seu poder, os limites desse poder e o caráter desses limites. Mas, não estaremos mesmo a assistir a uma concretização das suas palavras?
Entre 2002 e 2013, decorreu o processo “cartel da banca”, que investigava a troca de informações confidenciais sobre práticas comerciais internas no crédito à habitação, consumo e a empresas. No âmbito deste processo, a 9 de setembro, chega-nos finalmente um comunicado da Autoridade da Concorrência (AdC) que condena 14 bancos que operam em Portugal por cartelização, num valor total e surpreendente de 225 milhões de euros, devido a "prática concertada de troca de informação comercial sensível, durante um período de mais de dez anos”. A CGD foi alvo da maior multa (82 milhões de euros), seguida do BCP (60 milhões), Santander Totta (35,6 milhões), BPI (30 milhões) e Banco Montepio (13 milhões). Ora, não se trata de uma mera acusação, trata-se de voltarmos à afirmação proferida por Marx, acima referida, e refletir. Um século depois, as suas ideias voltam para o debate da economia. Embora muitas delas obsoletas, outras não podem deixar de nos surgir ao espírito crítico. O capitalismo tem vindo a evoluir, mas em certos casos para pior, arruinado pelos próprios capitalistas.
Segundo Margarida Matos Rosa, presidente da AdC, as instituições bancárias trocavam entre si não só informação sobre a amplitude do spread que futuramente seria aplicado assim como sobre todas as condições da oferta, sendo que estas eram previamente determinadas e não podiam ser do conhecimento dos concorrentes, pois tal constituía uma violação às leis da concorrência. Este esquema acabava por alinhar o comportamento dos bancos, permitindo que cada um soubesse o que os concorrentes ofereciam aos seus clientes, o que, automaticamente, eliminava quaisquer estímulos para que o banco oferecesse melhores condições. Resultado destas ações, os spreads aplicados pelas instituições financeiras a novas operações de crédito à habitação assinalaram uma subida acentuada, desde meados de 2008, assim como a abrupta queda da Euribor (valores historicamente baixos em 2013 - a média mensal de dezembro de 2013 das Euribor a três e a seis meses foi de 0,27 por cento e 0,37 por cento, respetivamente) levou a uma subida sustentada dos spreads médios, logo a um abrandamento na redução da taxa de juro.
Posto isto, a situação não poderia ficar mais clara: trata-se de vermos os bancos portugueses, que representam quase a totalidade do mercado financeiro, roubarem às empresas e aos cidadãos, durante mais de uma década, o seu direito de beneficiar com o cenário concorrencial que, por lei, é caraterístico deste setor.  Coloca-se então uma importante questão: onde está a prática de um mercado livre defendida pela banca? Não está, porque não foi praticada. E para estimular a revolta e crítica do povo, podemos relembrar uma outra questão, tão simples quanto é a seguinte: qual o período em que tudo ocorreu? Entre 2002 e 2013, um período que deixa feridas. Afinal, foram os anos que lançaram o país para a crise financeira.
Previsivelmente, a maioria dos bancos tem vindo a recorrer da decisão imposta pela AdC e, seguramente, já podemos antecipar os massivos gastos em sociedades de advogados que serão investidos por parte de cada um. Do outro lado do julgamento ficam os lesados, cujos danos serão definitivamente mais acrescidos, já que o prejuízo de que foram alvo não justificará todo o dinheiro em advogados que terão de gastar para que consigam ficar em pé de igualdade com o seu adversário em tribunal… Este tipo de injustiça não se pode considerar algo novo num país que nem dá o devido valor a uma concorrência honesta e muito menos se inquieta com as instabilidades que advém da “batotice” praticada pelos “grandes” da sociedade.
Aqui fica o grande ponto de toda esta questão: há, claramente, um enorme desequilíbrio promovido pela escassez de recursos e meios entre os sectores da economia com maior poder e as entidades reguladoras. É certo, que já vivemos tempos em que o governo liderava as decisões sobre a imposição das taxas de juro comerciais e os limites de crédito para cada banco, mas a lei da concorrência já deu provas suficientes de que veio para ficar, e de que velhos hábitos não são para retomar. Contudo, é imprescindível assumirmos que, neste momento, estamos a enfrentar a forte necessidade, mais do que exposta pelo cartel, de instituições supervisoras e reguladoras de pulso forte. Caso contrário, situações como esta acabam inevitavelmente por obedecer às formalidades mas deixar de parte qualquer justiça -um julgamento sem sentença.

Andreia Amorim

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Plataformas digitais vieram para ficar

A economia da partilha veio para ficar. Cada vez mais são as plataformas digitais que estão ao nosso dispor, possibilitando a obtenção, a previsão e a partilha de bens e serviços que contribuem para o nosso bem-estar e melhoria do nível de vida. Contudo, os problemas relacionados com estas aplicações existem. De uma forma geral, as plataformas digitais devem ser vistas como benfeitoras ou claramente o contrário?
Uma das principais e mais polémicas aplicações que se encontra disponível com apenas alguns cliques no nosso smartphone é a Uber. Esta aplicação permite-nos obter transporte para o local desejado, contudo funciona sobretudo nas cidades, não tendo uma gande cobertura nas restantes regiões do nosso país.
Segundo um estudo da Deloitte, realizado entre Setembro de 2017 e Janeiro de 2018, o impacto da Uber em Lisboa revelou-se positivo para a economia, contribuindo para a criação de oportunidades de emprego nesta cidade.
A Uber está presente no nosso país desde 2014, colaborando para a criação de 5300 postos de emprego nesta Área Metropolitana, dando oportunidade de trabalho a cerca de 630 desempregados. Os dados estimados apontaram para um impacto económico total na ordem dos 90 milhões a 130 milhões, apenas nesta cidade, em 2017. Prevê-se, com base no histórico, que em 2020 atinja um impacto na economia de 170 milhões a 235 milhões e ainda a capacidade de criação de novos empregos.
Do ponto de vista dos utilizadores, parceiros e motoristas, esta aplicação contribuiu para a melhoria da mobilidade em Lisboa. Efetivamente, estes serviços digitais facilitam a vida dos cidadãos locais e, sobretudo, turistas, permitindo que através de alguns procedimentos consigamos ter à nossa disposição um conjunto vasto de serviços úteis, que outrora não eram tão acessíveis.
Apesar destas vantagens, um dos problemas associados a estas plataformas que vieram revolucionar o mercado de transporte é a menor segurança, quando comparadas com o sistema tradiconal. Efetivamente, o aparecimento de novos dilemas relacionados com estas aplicações estão em cima da mesa. Manifesta-se a necessidade dos serviços tradicionais “acompanharem” estes novos serviços digitais, sendo que setores que persistam mais desatualizados acabam por ficar prejudicados.
Mas não são só as plataformas digitais com o objetivo de tornar a mobilidade mais fácil que estão presentes em Portugal. Outro caso que contribuiu para a geração de riqueza no nosso país e incremento do setor turístico é a aplicação conhecida por Airbnb, que permite a qualquer pessoa a possibilidade de encontrar e oferecer estadias, experiências e restauração em vários países. Surgiu com o objetivo de tornar a procura de alojamento mais acessível e rápida.
Segundo dados divulgados pela Airbnb, em 2018, Portugal recebeu 3,4 milhões de turistas graças à plataforma digital de reservas de alojamento, gerando mais de 2 mil milhões de euros. O nosso país foi o 10º maior mercado desta aplicação em todo o globo, ultrapassando a Alemanha e a China.
Esta plataforma revelou que “84% dos anfitriões portugueses que no ano passado receberam hóspedes através da Airbnb são proprietários da casa”. Isto significa que o rendimento extra obtido permite-lhes melhorar o seu nível de vida, ajudando-os a pagar hipotécas e despesas, por exemplo.
Salienta-se que algumas plataformas empregam trabalhadores de forma direta, enquanto outras aplicações permitem que qualquer indivíduo use a sua marca e obtenha um bónus nas suas remunerações. Deste modo, contribuem para o crescimento do PIB português, assim como a divulgação do nosso país.
A economia da partilha tem cada vez mais relevância, proporcionando a diminuição dos custos de transação e do tempo dispendido, tal como a redução do número de intermediários. Por outro lado, esta economia essencialmente online, ocasionalmente, pode originar problemas de ineficiência na economia e desafios propensos a provocar alterações que afastam os diversos mercados de um sistema competitivo justo.
Mas será que ainda há margem para expansão destas aplicações? E quanto ao turismo derivado das plataformas digitais, ainda poderá ter acréscimos significativos? No meu ponto de vista, a economia da partilha veio para ficar e, decerto, este mercado online veio para prosperar. Apesar das questões complicadas que possam surgir, uma coisa é certa: o mercado digital tem potencial para crescer nos próximos anos e é com esta nova realidade que temos de aprender a viver.

Filipa França da Silva

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Ainda vamos a tempo?

Sabe-se que o Desenvolvimento é um processo complexo e um desafio multidimensional, com interligações entre as diversas variáveis económicas, sociais e ambientais. O desenvolvimento sustentável refere-se a um modo de desenvolvimento capaz de responder às necessidades do presente, sem comprometer a capacidade de crescimento das gerações futura. Visa, assim, melhorar as condições de vida dos indivíduos, preservando simultaneamente o meio envolvente a curto, médio e, sobretudo, longo prazo, comportando um triplo objetivo: um desenvolvimento economicamente eficaz, socialmente equitativo e ecologicamente sustentável.
Só em 2015 foi possível conceber uma agenda global de desenvolvimento, aprovada ao mais alto nível político, que integrasse as três dimensões do desenvolvimento sustentável numa visão comum e universalmente partilhada do que queremos para a humanidade nos próximos anos. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030, adotados pela quase totalidade dos países do mundo, no contexto das Nações Unidas, definem as prioridades e aspirações do desenvolvimento sustentável global para 2030 e procuram mobilizar esforços globais à volta de um conjunto de objetivos e metas comuns.
São 17 ODS, em áreas que afetam a qualidade de vida de todos os cidadãos do mundo e daqueles que ainda estão para vir. Um relatório feito por cientistas independentes para a Organização das Nações Unidas (ONU) sobre desenvolvimento sustentável para 2019, apresentado este mês em Nova Iorque, coloca Portugal em 26.º lugar de um total de 162 países avaliados. Com 76,4 pontos de um máximo de 100, Portugal encontra-se entre os 30 países mais sustentáveis do mundo, segundo o relatório, que avalia o desempenho de 162 países nos 17 ODS. Desses 17, Portugal está a cumprir da melhor forma o sétimo - energias renováveis e acessíveis, que deve garantir o acesso a fontes de energia fiáveis, sustentáveis e modernas para todos. À semelhança da maioria dos países, Portugal tem tido um desempenho negativo no objetivo 13, da ação climática, que consiste em adotar medidas urgentes para combater as alterações climáticas nas políticas, estratégias e planeamentos nacionais.
Os cientistas consideram que o progresso feito nos últimos 20 anos está em risco de se reverter, devido às desigualdades sociais e declínios "potencialmente irreversíveis" no ambiente. De forma geral, o relatório conclui que as mudanças e o desenvolvimento sustentável do mundo são demasiado lentos e não vão garantir o cumprimento dos ODS até 2030. Na sequência destes dados, António Guterres alertou que o mundo precisa de um novo modelo de desenvolvimento, ligado às alterações climáticas, que garanta justiça e igualdade entre as pessoas, mas também uma boa relação entre a população e o planeta.
Na minha opinião, é urgente e obrigatório a existência de mudanças de atitude por parte de todos, em especial por parte das autoridades públicas, que devem adotar políticas e soluções apropriadas, de modo a limitar e combater as emissões de dióxido de carbono, melhorar a gestão dos recursos naturais, especialmente, o seu consumo, e combater a exclusão social e a pobreza na Europa e no mundo. É fundamental que ciência e política assumam papéis mais significativos para a transformação das quatro áreas mais importantes da relação humana com a natureza: o uso de recursos naturais, o sistema alimentar, a produção e o consumo, e a sustentabilidade das cidades. 
A formação, a educação e a consciencialização humana são também instrumentos importantes para alcançar o desenvolvimento sustentável. Numa era de sinais contraditórios, em que por um lado existem cada vez mais pessoas preocupadas com as alterações climáticas, estando a população jovem cada vez mais mobilizada, e, por outro lado, temos as mudanças políticas em países importantes, como os EUA ou o Brasil, que põem em causa as metas estabelecidas nos últimos anos, torna-se necessário consciencializar os países e os seus governantes que os padrões de desenvolvimento económico têm que ser outros. Estes padrões devem basear-se numa relação diferente com os recursos naturais e a sua exploração, sendo necessário que os governantes mundiais percebam que o problema da sustentabilidade do planeta não é uma fábula, mas sim um problema real e cada vez mais preocupante.

Sara Vieira Ribeiro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Impacte do Turismo em Portugal

O turismo é o principal impulsionador da economia portuguesa, tendo vindo a crescer substancialmente nos últimos anos e em todas as regiões do território nacional.
Segundo o Observador, até junho deste ano o número de turistas cresceu mais de 6% e as receitas 7% face ao mesmo período do ano passado, sendo em 2019 esperados mais de 24 milhões de visitantes. Portugal está projetado no mundo, tendo já conquistado novos mercados como os EUA, o Canadá e o Brasil.
A partir da crise financeira internacional, as pessoas começaram a ver no turismo não só uma forma de lazer, mas cada vez mais uma oportunidade de negócio e, desse modo, decidiram dedicar-se totalmente a esta atividade, o que permitiu divulgar e dinamizar o território português, contribuindo para o rápido crescimento e recuperação da economia, bem como para o equilíbrio da balança comercial de Portugal.
O desenvolvimento das cidades, nomeadamente das áreas metropolitanas, implicaria melhores condições ao nível dos transportes, da segurança e do ambiente. Contudo, não é isso que se verifica, tendo a evolução do setor turístico provocado alterações na morfologia das cidades. Observa-se então a presença de exaustão em Lisboa e no Porto e, com o aumento do número de visitantes, regista-se uma elevação no preço dos bens e serviços, assim como no congestionamento do trânsito, na poluição e na falta de zonas verdes.
Na minha opinião, o objetivo atual consiste na construção de mais espaços destinados ao acolhimento dos turistas, em particular, através da utilização dos prédios rústicos, e ao comércio moderno, em vez de oferecerem apoio a quem comercializa ainda por via tradicional, uma vez que isso é que constitui a essência de uma cidade.
Uma das possíveis soluções é colocar o aeroporto de Beja como complemento ao aeroporto Humberto Delgado, o que possibilita a diminuição da sobrecarga deste e contribui para a dinamização do interior. Assim, as pessoas, em vez de se deslocarem imediatamente para a azáfama de Lisboa, são convidadas a usufruírem da natureza do Alentejo. Para isso, é necessário preparar a receção dos turistas, o que penso que neste momento a região Alentejana não está apta a fazer, bem como as infraestruturas que a ligam à capital. Desta forma, o que inicialmente aparenta ser uma alternativa viável, constitui um entrave ao desenvolvimento do aeroporto de Beja. Mesmo assim, é necessário considerar a sua concretização o mais rápido possível.
Nas restantes regiões em que não há a possibilidade de conduzir as pessoas para um local em que não haja tanta afluência, as soluções passam mesmo por sensibilizar todos os cidadãos de que temos que preservar as cidades para que possamos continuar a abrir as nossas portas ao mundo. Caso contrário, será iniciativa das pessoas que veem do estrangeiro não visitar o nosso país pela imensa deterioração dos centros urbanos.
Embora já tenham sido implementadas algumas medidas, como a taxa turística, é necessário fazer mais de modo a atingir um turismo mais sustentável em todas as suas vertentes e transformar Portugal num país não só para visitar mas para investir e, principalmente, para viver.
Assim sendo, é possível afirmar que “o turismo pode exercer impactes que não são contabilizados no decorrer do seu desenvolvimento e causar transformações socio-espaciais”.

Diana Gaspar

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

domingo, 22 de setembro de 2019

Pensiones inciertas

Cuando trabajas, una parte de tu sueldo “se guarda” para en un futuro poder optar a tu pensión, pero en realidad, con ese dinero “guardado” se pagan las pensiones de, en ese momento, las personas jubiladas. Así, cuando te jubilas tendrías una pensión que te la estarían pagando los trabajadores de ese momento y así sucesivamente. Esto está fallando ¿por qué? Sencillo, el número de natalidad ha descendido en un 30% y la esperanza de vida se sitúa en 83,4 años de media (86,1 años para la mujer y 80,6 años para el hombre).
En la actualidad, el número de pensionistas en España asciende hasta los 8,85 millones de pensionistas, de los cuales 4,56 millones son hombres y 4,29 millones son mujeres, aproximadamente.

Esto supone un gasto de 9.681,52 millones de euros en agosto de 2019, un 5% más con respecto al año pasado. De media, la pensión en España se sitúa en unos 1000€ para el hombre y unos 500€ para la mujer. Esta diferencia tan notable de pensión es debida a los años trabajados, ya que normalmente la mujer no trabajaba. Según los últimos datos de la Seguridad Social, de enero de 2018, la media nacional se sitúa en 1.074 euros al mes. Un importe que ha crecido en la última década, a pesar de la crisis económica, en un 40%. En 2007, la pensión media era de solo 766 euros mensuales. 
Pero el dato negativo es que no solo ha subido la cuantía de la pensión por jubilación, sino también el número de personas que la reciben. España se hace mayor, y esto pone en peligro la sostenibilidad de este sistema público, ya que no solo los asalariados que cotizan a la Seguridad Social ven cómo sus ingresos no aumentan, sino que, además, cada vez hay más personas jubiladas cuyas pensiones se hacen más difíciles de sostener. Antes de la crisis, 4,8 millones de españoles tenían derecho a la pensión por jubilación. Hoy, la cifra supera los 5,8 millones, y la esperanza de vida sigue creciendo en nuestro país, mientras que la natalidad está estancada.
A parte de estos gastos en los PGE, se añade el Fondo de Reserva de Seguridad Social, o “hucha de las pensiones”, con la cual se pagan las pagas extras de las pensiones. Este fondo se encuentra actualmente con 8.095 millones de euro ha diferencia de los 66.815 millones de euros con los que contaba en 2011. Es un claro ejemplo de la necesidad de encontrar soluciones urgentes si queremos seguir teniendo pensiones.

Las distintas manifestaciones de este año, convocadas por distintos sindicatos para exigir una revalorización de las pensiones acorde al IPC, han avivado el debate por el futuro de las pensiones. Esta preocupación se ha plasmado en el Barómetro de Opinión realizado por el Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) del mes de julio de 2019. La inquietud sobre el futuro de las pensiones se sitúa entre los diez problemas que más preocupan a los españoles, con un 9,5% de españoles que situó las pensiones entre los principales problemas.
Algunas de las medidas propuestas son la subida de la edad de jubilación, que se pondrá en marcha a partir de 2027, subiendo de la edad de 65 años a 67 años. A pesar de tomar algunas medidas, el gobierno no interfiere mucho en este tema. Al haber continuas elecciones, le conviene tener el voto de la parte mayor de la población al igual que el voto de los jóvenes. De ahí que se mantengan en no bajar las pensiones al igual que consolar a los jóvenes con un discurso fácil. Este plan de pensiones no es sostenible y de no tomar medidas urgentes se irá agravando el problema.
Recordamos la crisis financiera de 2007-2009 en la que España se vio por no querer ver el problema cuando se podía solucionar. Aún se está a tiempo de buscar soluciones y evitar una caída peor.
En mi opinión, creo que se necesitan muchas más medidas de las tomadas, como a lo mejor un nuevo sistema de pensiones ya que el que tenemos funcionaba cuando la natalidad era más alta, dando lugar a un número de trabajadores proporcional al número de jubilados, pero no en la actualidad, en la que el número de jubilados es mayor al número de trabajadores.

Jennifer Ciria González


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]