segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Dados pessoais: um negócio assustadoramente lucrativo e atual

Será que nós achamos que estamos seguros porque temos uma palavra passe para cada rede social, app ou qualquer outra plataforma? A maior parte das pessoas não lê os termos de utilização de dados por uma questão de pragmatismo e rapidez. No entanto, tudo o que fazemos fica registado no mundo virtual, desde os jogos, as compras online, a nossa atuação em redes sociais, o uso de uma app, entre outros exemplos.
Todos estes serviços têm algo em comum: são necessários dados para a sua utilização, muitas vezes apenas indiretamente. As redes possuem dados relativos às conversas que estabelecemos, fotografias e informações pessoais que partilhamos. Além disso, as apps que usamos têm, por norma, as chamadas cookies que armazenam a nossa informação e que nós aceitámos sem sequer ler as suas condições.
Todas essas informações que partilhamos, ainda que sem termos sempre essa noção, são uma grande fonte de negócio de grandes empresas como a Google, que prestam serviços de informação que permitem traçar os perfis dos consumidores. Então a Google vende os nossos dados? Não! Se alguém gosta de nadar e fá-lo com frequência, a probabilidade de comprar produtos ligados à natação é mais relevante. Assim sendo, é aí que entram estas multinacionais, exibindo os anúncios com produtos de natação a quem pratica ou gosta desse desporto. Na verdade, o facto de não vender os dados é o que torna o negócio tão lucrativo, disponibilizando a informação que pode, no momento certo, ao cliente que faz mais sentido.
A Google sabe muito sobre nós, conhece o que compramos online na nossa loja preferida, os compromissos que temos registados no calendário ou todos os locais que percorremos? Será que temos assim tanto poder de escolha? Na teoria temos, mas as nossas decisões, por exemplo de consumo, são muitas vezes condicionadas por aquilo que pesquisamos na internet. De facto, isto acontece até mesmo quando vamos ao supermercado, já que o uso dos cartões de desconto permite-lhes perceber quais os produtos que nos vão suscitar interesse, para que depois possam enviar aquela mensagem “nada programada” a informar que na semana seguinte irão fazer promoção nesses artigos.
Os maiores defensores da privacidade dos dados pessoais dos indivíduos acreditam que se pode proteger mais informações com uma maior transparência sobre os dados que realmente existem e não podem ser utilizados para nada além do estritamente aceite. Nesta linha de pensamento, a Google tem sido multada por violar alguns desses direitos. A mais recente contraordenação teve a ver com o uso não autorizado de informações de crianças via Youtube, tendo sido aplicada uma multa na ordem dos 150 milhões de euros. De facto, a Children's Online Privacy Protection Act (criada em 1998) nunca tinha revelado uma punição com um valor monetário tão avultado.
De facto, a realidade dos dias de hoje pode ser bastante assustadora quando refletimos um pouco sobre a mesma. Pensar que tudo aquilo que fazemos está à disposição de todo um mundo digital é realmente apavorante. No entanto, toda essa evolução está associada a uma maior eficiência das empresas, pois conseguem direcionar muito mais a sua atuação para os seus alvos e os consumidores têm acesso a informação e publicidade sobre produtos que vão de encontro às suas necessidades.
Concluindo, não vou dizer que a falta de privacidade não me deixa insegura, mas, numa perspetiva macro, esta permite uma melhor interação e concretização da lei da oferta e da procura, ou seja, um melhor funcionamento da economia

Alice Graça

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

domingo, 29 de setembro de 2019

Eleições e abstenção - inimigas letais?

Eleições: um direito muito disputado ao longo dos séculos, desde o começo dos começos com o simples direito ao voto, passando por lutas mais recentes que permitiram que este direito fosse de todos os cidadãos e não só de classes/géneros específicos, como fora no passado.
A existência de eleições é, a meu ver, algo extremamente positivo, permitindo que tenhamos algum impacto nas decisões feitas pelas identidades para as quais votamos. Claro está, tem custos inerentes (alguns muito significativos), desde a paralisação do país nos meses que antecedem as eleições, passando pela aprovação/manifestação de ideias dos políticos no período final do mandato apenas para agradar ao eleitorado, aos custos da própria eleição. Importa não esquecer, ainda, os ciclos viciosos de repetição de eleições, que têm-se tornado mais comuns na Europa, com graves consequências para os países por afetar a estabilidade e a imagem destes face a investidores estrangeiros.
Ainda assim, pesando ambos os lados da balança, continua a fazer todo o sentido manter este direito que tanto custou a conseguir. Mas, parece que nem toda a gente pensa desta maneira, ou pelo menos os dados da abstenção isso indicam:

Acima, pela leitura do gráfico, é possível detetar um crescimento bem claro. Destacar ainda que se trata de dados sobre a abstenção para a eleição da AR. Se analisássemos para as Europeias, os números seriam ainda mais expressivos.
Elevadas abstenções são graves? Evidentemente, pela simples razão que comprometem a democracia – aumenta a distância entre os eleitores e os governantes, correndo inclusive o risco destes últimos serem elegidos de forma enviesada, ou seja, não refletirem efetivamente a maioria com que o país se identifica.
Porque estão as pessoas a deixar de votar? Existe um famoso paradoxo, o “paradoxo do voto”, que ajuda a explicar isto. Economicamente, falando de milhões a votar para estas eleições, o benefício que tiramos do nosso voto, que estatisticamente não terá influência, é inferior ao custo (seja ele um dia em casa com a família ou um dia a passear de carro). Logo, racionalmente, ninguém deveria votar. Mas as pessoas votam! Votam pela consciência de que é um direito cívico e que é a forma de preservar o nosso estilo de vida democrático.
Achámos então o nosso problema e com ele a solução: as pessoas deixaram de estar consciencializadas com esta mentalidade e, portanto, a solução passa por voltarem a estar.
Na minha perspetiva, formas de o conseguir podem surgir por uma referência a este direito mais frequentemente, utilizando os media e as redes socias para chegar aos jovens (um dos segmentos populacionais com maior abstenção) e também por um estilo político mais perto dos mesmos, com referência a causas que estes acham relevantes (o PAN suporta muito o seu crescimento neste método). Sejam estas, ou outras soluções mais concretas, o facto é que é um problema muito atual e todos devemos endereçar esforços para o solucionar, e em especial a esfera política.

Rui Moutinho Bessa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Carros elétricos: já passado ou (ainda) futuro?

Após décadas a poluir constantemente este planeta, nos últimos anos vemos uma crescente preocupação com a Natureza. Esta preocupação levou a que nos anos 90, com os novos acordos ambientais (por exemplo, a norma EURO 0 – imposição de limites máximos de emissões de poluente), surja um renascimento da discussão sobre a sustentabilidade rodoviária e os veículos elétricos. Sim, renascimento.
O primeiro carro elétrico já data de 1884, construído pelo engenheiro Thomas Parker. E os carros elétricos “dominavam” o quotidiano até…Henry Ford construir o Model T, a gasolina. Assim, a produção de carros elétricos passou a ser praticamente nula até que nos anos 70, devido à crise petrolífera provocada pelo embargo dos países da OPEP, muitos viram os automóveis elétricos como uma possível solução. Hoje, mais de 1 século depois de Parker, temos as maiores marcas do mercado com carros elétricos no mercado.
Mas voltando ao carro elétrico, afinal o que é um carro elétrico? Os carros elétricos diferenciam-se dos demais pelo facto de utilizarem um sistema de propulsão elétrica e não terem a necessidade de recorrer à combustão interna. O motor elétrico converte a energia armazenada (em baterias recarregáveis), alimentando um motor que, por sua vez, fará a conversão da energia em energia mecânica, possibilitando que o veículo se mova.
Agora a questão que se prende é: os carros elétricos vão cair novamente em desuso ou, desta vez, é para se imporem firmemente no mercado?
Por um lado, quem compra um carro elétrico ainda tem direito a muitos benefícios por optar por esse tipo de viaturas. Deste modo, os governos, as leis, as normas tentam impor a ideia de que os carros elétricos vão ter uma posição cada vez mais forte no mercado. Um dos incentivos, a nível nacional, prende-se com o facto das pessoas singulares poderem receber um incentivo de € 3 000 e as pessoas coletivas receberem até quatro unidades de incentivo (€ 2 250 cada incentivo, num total de 9 000 euros). Outro exemplo é a aquisição destas viaturas e as respetivas despesas não estarem sujeitas a qualquer tributação autónoma e, ainda ser possível deduzir o IVA (os valores limites de dedução referem-se ao preço base dos carros, sem impostos). Mesmo o IUC destes carros é consideravelmente mais baixo. Além disto tudo, todos sabemos que já existem zonas (em Lisboa, por exemplo) que impedem a entrada de viaturas que tenham determinados níveis de emissão de poluentes. Estas medidas sugerem que a um curto/médio prazo vão surgir (possivelmente, até já existem) zonas de países que estejam restritas ao acesso a carros elétricos.
Contudo, nem tudo é bom nestas viaturas. Um dos principais problemas prende-se com o custo e recarregamento das baterias destes carros. Outro é o custo de instalação de postos de recarregamento de baterias.
Assim, volto a perguntar: esta ideia de carros elétricos não está a começar a ficar em desuso, novamente?
E, de facto, já há algum tempo que se vem mencionando o novo “modelo” de carros: carros movidos a… hidrogénio!! Isso mesmo, hidrogénio e, os próprios responsáveis de algumas marcas defendem esta ideia. De acordo com o responsável da Mercedes na Índia, Roland Folger, “…dentro de pouco mais de duas décadas, todas as populações vão conduzir automóveis a hidrogénio!”. Outro a defender esta ideia é um dos diretores executivos da Continental. Segundo este, as baterias dos carros elétricos são muito limitadas. Estas limitações permitem assim abrir portas aos veículos movidos a hidrogénio. Outra desvantagem apontada por este diretor é o facto dos carros elétricos terem uma relação qualidade/preço mais baixa do que os modelos a gasolina ou diesel. Assim, o mesmo conclui que a Continental já está a considerar investir na tecnologia das células de combustível a hidrogénio.
Uma das principais vantagens do hidrogénio é o facto de ser o elemento mais abundante no universo e ter grande densidade energética. E depois, claro, também não contribui com efeitos nocivos para o ambiente. A nível de custos, são ligeiramente superiores aos elétricos. Além disso e como ainda não são tão populares como estes, ainda não têm tantos benefícios.
Num futuro próximo, os carros elétricos ainda continuarão muito provavelmente a circular, a par dos carros movidos a hidrogénio (apesar de neste momento só a Toyota, Hyundai e Honda comercializarem estes carros). Como tal, a nossa escolha deverá recair em dois principais aspetos: preferimos ter um carro com bateria, que pode carregar em casa todos os dias (sem contudo, estar assegurado, neste momento, um sistema nacional de rede elétrica que permita esse carregamento numa situação dos carros serem elétricos a 100%) ou preferimos ter um carro a hidrogénio, mais eficiente e que abastece muito mais rápido, com um custo ligeiramente superior?
Esta luta entre estes dois tipos de células de combustível será resolvido pelas marcas e pelos produtores. No entanto, as decisões deles serão influenciadas diretamente pelo mercado, no qual os consumidores (e os governos de todos os países) têm uma palavra muito importante a dizer.

Pedro Luís Pereira de Sousa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Transportes híbridos e elétricos

A mobilidade de passageiros e mercadorias, em constante crescimento, fruto da globalização, é uma das mais relevantes, se não a maior, fonte de emissão de gases de efeito estufa, devido ao alargado/generalizado uso de combustíveis fósseis no setor dos transportes. Esta realidade, tem vindo a preocupar a humanidade; despertam-se consciências, difundem-se produtos/escolhas mais sustentáveis, mais amigas do ambiente.
Os automóveis híbridos plug in e 100% elétricos estão em voga um pouco por todo o mundo. Portugal não é exceção… “Portugal quer também estar na linha da frente nos automóveis elétricos”, diz Siza Vieira, o ministro da Economia.
Os incentivos dados por empresas, governos, ou os atuais “influencers” são formas de cativar a atenção dos consumidores, formas de manipular vontades, de maneira a que as pessoas optem por adquirir ou trocar os seus automóveis por uns mais sustentáveis.
Contudo, um estudo realizado por um aluno de mestrado mostra que ainda há muita resistência à mudança. Nem toda a gente está recetiva a trocar o seu meio de transporte: “em Portugal existem ainda consumidores equivocados e pouco confiantes sobre a autonomia, custo e confiabilidade dos automóveis elétricos, o que pode favorecer a escolha de uma viatura convencional”.
Enunciando algumas vantagens e desvantagens dos carros híbridos e elétricos, podemos perceber se a escolha das pessoas foi feita em prol do “bolso” de cada um ou da “consciência”. 
Vantagens: a emissão de gases de efeito de estufa é nula, ou muito reduzida; são independentes do petróleo;  têm elevada eficiência energética; um veículo 100% eléctrico não tem que pagar ISV e o proprietário tem direito a uma redução do IUC; e a manutenção de um carro elétrico é mais barata do que a dos carros movidos a hidrocarbonetos, porque não precisam tão frequentemente da manutenção do motor (mudanças regulares de óleo, por ex.).
 Desvantagens: o custo inicial do automóvel é muito elevado; tem uma autonomia limitada, pela bateria; e a infraestrutura de carregamento limitada, por ainda ser uma tecnologia recente e não haver ainda muita adesão.
Não considero bem uma desvantagem, mas estes automóveis, pela quase total ausência de ruído, ameaçam a segurança dos invisuais e dificulta a utilização das estradas e rodovias pelos mesmos. São automóveis silenciosos, tornando difícil aos peões cegos identificá-los no trânsito e julgar corretamente a sua distância de modo a evitar atropelamentos e colisões.
O Lítio é o elemento químico mais procurado na atualidade, com tantas utilidades, como, por exemplo, a produção de baterias para os automóveis elétricos. A procura do lítio em Portugal está a aumentar. Portugal tem um enorme potencial para ser um “país com reservas suficientes para uma exploração comercial economicamente viável.”
Siza Vieira afirmou também o seguinte: “Se para haver mobilidade elétrica é necessário haver baterias, é importante que as baterias que os automóveis europeus utilizem sejam baterias que são fabricadas no respeito pelos mais exigentes ‘standards’ ambientais e sociais”. Dessa forma dando a entender que apoia totalmente a ideia de que a produção destes automóveis seja mais regular e que “Interessa a Portugal porque obviamente nós temos um setor automóvel muito importante. Este ano vamos bater o recorde de exportações do setor automóvel como um todo, mas também do número de veículos produzidos em Portugal. Vamos entrar no clube dos grandes produtores automóveis. E temos, além disso, toda uma cadeia de valor muito focada no automóvel”.
Gostava de concluir dizendo que partilho da mesma opinião que Siza Vieira. Reconheço que os veículos elétricos e híbridos só trazem vantagens, tanto para a economia portuguesa, como para a nossa mãe natureza. Só há um pequeno contra: o elevado preço de compra, matéria onde urge intervenção estatal, nomeadamente no reforço dos incentivos na aquisição/troca. Ainda há muita gente sem capacidade financeira para adquirir um veículo elétrico devido ao seu alto valor de mercado.

Ariana da Cunha Alves 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Relaxar no interior

Há anos que dizemos que o turismo em Portugal está a aumentar, contudo, cada vez a passos mais pequenos. Pela primeira vez desde que temos verificado este crescimento, enfrentamos uma diminuição do número de dormidas em alojamentos turísticos. Constata-se que o maior impacto desta caída foi no mercado externo, tendo as dormidas aumentado 1,8% em 2018, sendo que no ano anterior obteve-se um crescimento de 12,2%. Contrariamente a este movimento, os estabelecimentos de turismo no espaço rural e de habitação são cada vez mais procurados. De 2017 para 2018, registou-se um aumento do número de hóspedes (+6,8%), que proporcionou um aumento do número das dormidas (+5,3%).


Os indicadores da secção rural do turismo em Portugal apontam para que, em termos gerais, os interessados pelos espaços rurais sejam uma clientela culta e com poder económico superior à média. Aquilo que se tem verificado nos últimos anos é que, cada vez mais, não só os turistas estrangeiros, como também os portugueses, que desejam explorar os quatro cantos do seu país, demonstram interesse por este tipo de turismo, fazendo, assim, com que o leque de clientes se alargue. Para além disso, atividades como caça, pesca, feiras e festivais atraem turistas, maioritariamente nacionais, independentemente dos seus status socioeconómicos.
         Por um lado, podemos notar que o turismo rural no nosso país afeta positivamente as economias nacional, regional e local, ao criar empregos, promover a sustentabilidade e gerar receitas que dinamizam as economias ao, indiretamente, levar ao crescimento de outros setores de atividade para os quais o turismo é benéfico – como, por exemplo, a restauração.
Em 2018, o número de dormidas em estabelecimentos de turismo de habitação e de turismo no espaço rural representou cerca de 2% do número total de dormidas em Portugal. Tendo em conta que os mercados interno e externo obtiveram em 2018 um total de 67,7 milhões de dormidas, de facto, está longe de ser a área do turismo com maior impacto a nível nacional. No entanto, também é verdade que nos últimos 6 anos se verificou um aumento de mais de 1 milhão de dormidas. De entre as diversas regiões, destacaram-se o Norte e o Alentejo, com crescimentos de +8,5% e +7,6%, respetivamente.


Por outro lado, também positivo, acredito que o turismo rural traz dinamismo às regiões do interior. O aumento da procura por parte de turistas locais e estrangeiros por estabelecimentos rurais nas zonas menos povoadas do nosso país gera a necessidade de abertura de novos alojamentos turísticos e de outros negócios. Prevê-se, então, o aumento do número de estabelecimentos não só para a clientela com maior poder económico que referi como, também, alojamentos mais acessíveis, que fomentam o interesse da população e combatem a desertificação destas regiões.
Se acredito que o turismo rural é a resposta à discrepância entre o litoral e o interior e à necessidade de aumentar a população deste último? Não. Acredito, sim, que tem a capacidade de apoiar o desenvolvimento económico das regiões e, consequentemente, criar incentivo à mobilidade da população. O apetite por explorar o interior de Portugal é cada vez maior e com isso cresce o interesse pelas tradições e património portugueses e potencia-se a melhoria dos acessos e das comunicações.
Concluindo, vejo o turismo rural como uma mais-valia para o país e para as pessoas que o procuram. Acredito que, apesar de enfrentarmos uma desaceleração no crescimento do turismo português, esta secção, em específico, ainda tem um caminho longo para crescer. Desde as termas aos campos de férias para as crianças, penso que há zonas muito sub-exploradas que agora, com o crescimento do interesse pelo turismo rural, têm a oportunidade de prosperar.

Bruna Torres,

Dados consultados no Instituto Nacional de Estatística (INE), Pordata e Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural.

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Coitada da Greta

Greta Thunberg é uma miúda sueca que ficou famosa por faltar às aulas. Sofre de ansiedade por ver o mundo a transformar-se num inferno. Diz que a infância lhe foi roubada. Felizmente, nasceu num dos países do mundo onde a qualidade de vida está entre as melhores possíveis, o que lhe permitiu preocupar-se com questões como o das Mudanças Climáticas. Se tivesse nascido no meio da guerra ou da miséria, como milhões de crianças, que seria da Greta?

De momento, é o rosto do combate às Mudanças Climáticas. Fez um discurso no World Economic Forum, em Davos, e ainda outro na Cimeira de Ação Climática planificada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Porquê dar tempo de antena a uma criança que claramente não sabe do que está a falar, em vez de dar voz a alguém com mais conhecimento na matéria? Alguém que se dê ao trabalho de separar os factos da ficção e que não regurgite o mesmo “mantra” simplificado de como o clima no nosso planeta funciona.

Desde que Edward Bernays aplicou as descobertas do seu tio, Sigmund Freud, na técnica científica de moldar e manipular a Opinião Pública, que se sabe que as crianças podem ser usadas para fins políticos. Se estiverem a chorar baba e ranho, mais impacto têm.

Durante a Cimeira de Acção Climática o atual secretário geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, também discursou, tendo dito que a natureza está arreliada, e que nos iludimos se pensamos que podemos enganar a natureza, porque a natureza contra-ataca sempre. Que tinha ido à ilha de Tuvalu, onde testemunhou uma nação inteira a lutar pela sua existência contra a subida do mar. Se a natureza pode ser considerada um inimigo, que nos contra-ataca, é debatível. O que não é debatível é a situação que se vive no arquipélago de Tuvalu.

Num estudo feito pela Escola do Meio Ambiente da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, com o título “The dynamic response of reef islands to sea-level rise: Evidence from multi-decadal analysis of island change in the Central Pacic”, os investigadores concluíram que, apesar da subida do nível do mar, os resultados demonstram que a área das ilhas se manteve estável, ou aumentou durante o período em análise. Que não há evidência de uma diminuição da área em grande escala.

Mudanças Climáticas sempre existiram. Há períodos em que as temperaturas médias aumentam, e há períodos em que o contrário acontece. Isso é confirmado por evidência de Eras Glaciares. Há milhões de anos que as temperaturas oscilam sem influência da ação humana.

A mediatização das Mudanças Climáticas já tem barbas. Há mais de 80 anos que se reportam previsões de degelos. “Todos os glaciares do lado Este da Gronelândia estão a derreter rapidamente”, foi declarado pelo Professor Hans Ahlmann, um geologista sueco, em 1939. Depois, a narrativa mudou de direcção. Desta vez, em vez de as temperaturas estarem a aumentar, estavam a diminuir. Em 1970, James Lodge, um especialista em poluição, previa que por causa da poluição do ar a energia solar poderia não chegar à Terra o que originaria uma nova Era Glaciar. Outros especialistas corroboravam a versão de um Arrefecimento Global.

Nos anos 80, um consenso foi formado, o do Aquecimento Global. Em 1989, Noel Brown afirma que nações inteiras poderão desaparecer devido ao aumento de nível do mar se o Aquecimento Global não for revertido até ao ano de 2000. As previsões de que não existiria gelo no Ártico continuaram, sendo das mais famosas, entoada por Al Gore no documentário Verdade Inconveniente. A verdade inconveniente é que nenhuma das previsões se concretizou.

O ser humano tem por caraterística resolver problemas. Mas quando tenta perceber um problema com várias camadas de complexidade e reduz o problema a uma causa e a um efeito, assemelha-se aos curandeiros cuja solução para as doenças dos enfermos era expurgação de sangue. Durante anos, o tema do Aquecimento Global mudou para Arrefecimento Global, retornando a Aquecimento Global e hoje é batizado de Mudanças Climatéricas. E o culpado desta situação é o ser humano, que produz dióxido de carbono ou a flatulência das vacas que contém metano.

A narrativa é que o dióxido de carbono é um gás com efeito de estufa, que produzido e emitido para a nossa atmosfera provoca um efeito de aquecimento por não permitir que os raios infra vermelhos se escapem.

Num artigo elaborado pelo Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Turku, os cientistas chegam à conclusão de que a contribuição do dióxido de carbono para o aumento da temperatura nos últimos 100 anos é de 0,1 graus Célsios e que o impacto antropogénico é ainda menor.

Apesar de novas descobertas, a narrativa persiste. Já Lenine sabia que uma mentira repetida frequentemente torna-se uma verdade.

Dentro do leque das soluções estão medidas de diminuição da emissão de gases de estufa, impostos sobre poluição ou ideias mais arrojadas como o lançamento de partículas na estratosfera para refletir os raios solares. Ainda há aqueles que defendem que devíamos deixar de procriar porque a solução passa por uma diminuição do número de seres humanos.

Concordo com a diminuição da emissão de gases de estufa. Por princípio, ar limpo é melhor que ar poluído. Mas a imposição de regras a nível global penaliza aqueles que sendo pobres não podem optar por alternativas “amigas do ambiente”, pois são substancialmente mais caras que combustíveis fosseis. Lançamento de partículas para estratosfera acho que é uma ideia de jerico. O mundo é demasiado complexo para deixarmos que o impacto das experiências de uns cientistas seja partilhado por todo o mundo. Quanto àqueles que acreditam que a solução passa pela diminuição do número de pessoas, não se fiquem pelas palavras, suicidem-se já.

Creio que esta narrativa ainda vai coabitar connosco mais umas temporadas. Como Charles Mackay escreveu no livro Extraordinary Popular Delusions and the Madness of Crowds: “Men, it has been well said, think in herds; it will be seen that they go mad in herds, while they only recover their senses slowly, and one by one.”

Carlos Jorge Costa Leite

Fontes:
https://www.sciencedaily.com/releases/2019/07/190703121407.htm

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, 28 de setembro de 2019

O custo da Moda

Com a emergência das problemáticas climáticas, revelou-se que a indústria da moda é uma das áreas mais destrutivas no que diz respeito à preservação do ambiente. Assim, uma realidade talvez não tão conhecida é a da poluição causada por cabides de plástico descartados pela indústria de Retail. Na mais recente semana da moda em Paris, o realizador português John Filipe realizou uma campanha que traz o problema à luz das atuais medidas ecológicas.
O fenómeno denomina-se de GOH ou “Garments On Hangers”. Segundo o realizador, quando as roupas são transportadas das fábricas para as lojas, as mesmas já estão em cabides de plástico, prontas para serem expostas. A justificação encontra-se, para uns, no facto de a roupa ter menos “dobras” desta forma e, para outros, no facto de ser um método de poupar no empacotamento e na própria exposição das mesmas. No entanto, a realidade é mais assoladora do que aquilo que aparenta. Os cabides de plástico barato servem como “plástico de uso único”, isto é, não são vendidos junto com a peça e acabam em aterros sanitários ou no fundo dos nossos oceanos.
Apesar de incertos, os números são aterrorizantes: de cerca de 150 mil milhões de peças, 2/3 delas usam este método. Assim sendo, cerca de 100 mil milhões de cabides são usados apenas uma vez, levando mais de 1000 anos a decompor.
Aos olhos de qualquer um de nós, o fenómeno é demasiado ridículo para ser real. Quando compramos uma peça de roupa, o cabide vai parar a uma caixa debaixo de um balcão para nunca mais ser usado. Contudo, cada um de nós também compra cabides, duplicando assim o desperdício. Por outro lado, os mesmos cabides poderiam voltar à fábrica para serem utilizados, mas são tão baratos que a firma não tem qualquer proveito em tal.
Uma outra hipótese seria a da venda de roupa sem os cabides. No entanto, do ponto de vista do marketing, as pessoas tendem a comprar menos quando o produto não se encontra disposto.
Num jogo de culpas, estas distribuem-se equitativamente. Em 2006, a Voluntary Inter-industry Commerce Solutions Association alertou para este problema e apresentou uma solução: um cabide “emagrecido”, que usaria qualquer tipo de plástico reciclado e que, na teoria, pouparia 78 mil euros. Esta ideia, porém, não foi concretizada, já que a falta de exigência dos materiais poderia tornar-se nociva.
Agora, 13 anos depois, na situação de emergência ambiental com que nos deparamos, aparece uma verdadeira solução. Apresentado pelo Ridley Scott Creative Group, em parceria com Arch & Hook, BLUE é o único cabide no mundo feito na sua totalidade de plásticos marinhos. Este artigo vira o jogo, sendo uma alternativa 100% reciclada e que pode ser utilizada várias vezes. Esta parece ser a oportunidade para acabar com a poluição marinha; no entanto, se veio tarde demais ou não, depende ainda da atitude dos retalhistas.
A meu ver, esta é apenas uma solução “ilusória”, isto é, enquanto a situação é recente há uma espécie de motivação publicitária para ser ambientalmente consciente. Todavia, com o correr do tempo, deixa de existir controlo em relação ao assunto, deixando de ser rentável utilizar estes cabides ecológicos. Todos sabemos que, em muitas destas empresas, economia e moralidade nem sempre coexistem, pois nem sempre a moralidade “vende”.

Ana Catarina Batista Pires Barroso


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]