sábado, 16 de novembro de 2019

População estrangeira residente em Portugal: vantagens e constrangimentos

Portugal é, desde há muito tempo, um país de partidas e de chegadas. Desde o início do século XXI, Portugal tem-se colocado na liderança das melhores políticas de integração daqueles que escolhem o país para viver. As migrações representam uma enorme oportunidade para Portugal e o país tem sido capaz de aproveitar.       

Em 2018, foi publicado o Decreto Regulamentar do Regime Jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de cidadãos estrangeiros do território nacional que vai de acordo com as alterações da Lei de Estrangeiros em 2017. Este Decreto tem como objetivo simplificar e desburocratizar o pedido de residência de estrangeiros em Portugal. Apesar da intenção deste ser de reduzir o tempo perdido em questões legais, na realidade verificam-se alguns constrangimentos. Considerando que de momento Portugal é um país atrativo pois é dos mais seguros e revela desemprego baixo muitas são as pessoas que querem de facto viver em Portugal.

Todos nós enquanto residentes em Portugal já notamos um aumento do número de estrangeiros no país, que à partida não são apenas turistas. Segundo dados apresentados no PORDATA, desde 2016 a população estrangeira com estatuto legal de residente tem vindo a aumentar e em 2018, verificou-se uma diferença de quase mais 85 mil indivíduos a residir em Portugal. A nacionalidade com maior população migratória é a brasileira, seguida da cabo-verdiana, ucraniana e romena. A comunidade brasileira teve um enorme aumento em particular na cidade de Braga. No entanto, também se constata um aumento do número de europeus, mais especificamente italianos e franceses, residentes em Portugal que alegam a causa desta imigração o facto de ser dos países mais seguros do mundo. 

Segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras a maioria dos estrangeiros residentes em Portugal têm idades compreendidas entre os 20 e os 39 anos. Assim, cerca de 80% destes fazem parte da população ativa e acabam por colmatar a falta de mão-de-obra nos setores da agricultura e da construção civil, entre outras áreas de atividade. As migrações podem acarretar um conjunto de vantagens e desvantagens, inicialmente refletimos sobre as vantagens para a sociedade recetora: mão-de-obra com diversos tipos de know-how; mão-de-obra mais barata, por vezes com qualificações elevadas; mais e melhor produtividade e maior competitividade.

Este aumento da mão-de-obra ativa concorre para que o sistema atual da Segurança Social assuma um aumento populacional contínuo, isto é, a próxima geração terá sempre mais indivíduos do que a anterior, esta realidade pode ser benéfica para a economia portuguesa. Os dados estatísticos apontam para que Portugal enfrenta o problema do envelhecimento populacional, o qual poderá ser colmatado com a entrada de novos residentes em idade ativa e residentes que por sua vez se tornam consumidores e os impostos sobre o consumo e sobre o rendimento revertem para a Segurança Social, podendo esta ser uma forma eficaz de salvar o sistema atual de reformas e pensões.

Contudo, o aumento repentino do número de estrangeiros pode vir a tornar-se um problema grave face à incapacidade de resposta, nomeadamente em termos de habitação provocando um inflacionamento no custo do alojamento. Este problema reflete-se hoje em dia na cidade de Braga, nomeadamente no aumento exponencial do preço de quarto para os estudantes universitários. É de conhecimento geral que existe um problema habitacional estudantil em Portugal e Braga não é exceção. Existem poucas camas nas residências e as rendas estão cada vez mais elevadas. 

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) a imigração beneficia os países de origem e os de destinos. O fluxo migratório acarreta implicações nomeadamente para os países de saída com a perda de capital humano diferenciado. Nos países recetores alguma desconfiança e agitação social poderá surgir por medo da perda dos seus empregos, no entanto os benefícios notam-se no aumento do produto interno bruto e no contributo para a sustentabilidade da segurança social.


Mariana Teixeira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

O retorno do papel

Com a chegada da era dos computadores e smartfones, muitas mudanças ocorreram na sociedade, na forma como nos comunicamos e trocamos informações de forma rápida e eficiente, mas também nos recursos que usamos para atingir essa disseminação de informação. É de se esperar que, com a substituição dos jornais, livros e fax pelos aparelhos eletrônicos de hoje, a demanda de papel caia. Com isso não é difícil imaginar que a indústria estaria em decadência, porém esse não é o caso.
Ao contrário do que se imagina, a demanda por papel vêm crescendo por todo o mundo. Isso ocorre devido à demanda por papéis diferentes do papel gráfico usado em jornais e livros. De fato, com a crescente preocupação de vários países com o meio-ambiente e a poluição que é causada, o plástico usado diariamente aos poucos vai sendo substituído, sendo o papel um dos principais concorrentes para tomar o seu lugar. Com muitos países como o Canada, Índia e a União Europeia movendo-se em direção ao banimento do uso de plásticos descartáveis, muitas empresas planejam substituí-los por produtos de papel.
A crescente demanda de papel vem em resultado do desejo de sustentabilidade e proteção ao meio ambiente, mas ao mesmo tempo traz mais desafios para serem enfrentados, tanto para a sustentabilidade da indústria quanto no respeitante aos danos que ela pode causar ao meio ambiente. O processo da produção do papel é de extrema complexidade, indo do corte das árvores para os processos químicos e o clareamento. E com todos esses processos, muitos gastos ambientais acompanham, em todas as etapas.
O primeiro e mais óbvio problema vem do desmatamento necessário para alimentar a indústria pelo mundo, o que leva a maiores emissões de carbono e perda de biodiversidade nas florestas com grande importância ecológica, as quais por vezes são usadas. Além disso, problemas vindos das outras etapas do processo produtivo incluem o alto nível de consumo de energia, além do alto nível do consumo de água. Não bastasse isso, ainda há a poluição causada pela água tóxica que surge do processo, com dificuldades técnicas surgindo para dispor dela.
Mas a indústria já avança para enfrentar tais problemas. Empresas nos Estados Unidos e na Europa se movem para reduzir o desperdício de água, sendo algumas capazes até de reciclar toda a água usada, como é o caso de uma fábrica no Novo México. Para o uso de energia, novas tecnologias ajudam a aumentar a eficiência com um aumento menos do que proporcional nos gastos energéticos. E, por fim, temos a sustentabilidade do corte das árvores, que foi abordada através de políticas que obrigam a plantação de novas árvores em áreas desmatadas.
Possivelmente, o maior instrumento para a virada da indústria do papel foi a reciclagem. Os produtos reciclados viram um crescimento estável da sua demanda nos últimos anos. Além disso, países europeus mantiveram a maior taxa de reciclagem do mundo, como, por exemplo, na Itália, onde cerca de 57% dos materiais usados para a produção vêm de papéis reciclados. Porém, até mesmo nesse ponto existem desafios a serem abordados, como o problema na reciclagem de papéis sujos. Uma alternativa sendo explorada vem de empresas desenvolvendo papéis comportáveis para ajudar na reciclagem.
Com uma onda de preocupação com o meio ambiente tomando conta do cenário global, uma indústria de onde se esperava a decadência teve uma nova oportunidade para tomar espaço no mercado. Enquanto as facetas mais intuitivas ao se pensar na indústria do papel, como o papel gráfico, vêm a cair, novos caminhos aparecem devido à substituição do plástico e da importância da reciclagem. Tanto países da União Europeia quanto das Américas e da Ásia são altamente afetados por mudanças em sua demanda, participando de diversas partes do seu processo produtivo, e consumindo. Com o uso do papel crescendo em inúmeros pontos da vida do homem, das embalagens das comidas até seu uso nos banheiros, essa se faz uma indústria para se ficar atento na virada da década.

Pedro Antônio Rocha Giuffrida


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Portugal e o seu baixo nível de poupança

O dia mundial da poupança celebrou-se recentemente, no dia 31 de outubro. Relacionado com esta data, foram publicados por algumas entidades (entre elas, o Pordata) dados sobre este tema. Os resultados foram, de certa forma, surpreendentes. A verdade é que, face a dados de 1978, a poupança das famílias portuguesas desceu para cerca de um terço do registado na altura - passou de 21,2% do rendimento disponível para os 6,5% atuais. Muito mudou desde a década de 70: os hábitos das famílias e, consequentemente, as suas despesas, a tecnologia, o tipo de consumo, etc. No entanto, estes valores são bastante alarmantes.
Uma medida relacionada com a poupança é a capacidade de fazer face a despesas inesperadas. Ora se os valores da poupança são preocupantes, os deste último indicador não são de ignorar. Em 2017, aproximadamente 37% da população em Portugal não tinha esta capacidade. Quando comparado com a média da União Europeia a 28 - de 34% - concluímos que os valores não se encontram muito distantes, mas mais uma vez nos encontramos abaixo dos outros.



Analisando o gráfico, verificamos que a poupança dos particulares, ou seja, a poupança das famílias e instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias em Portugal, em percentagem do rendimento disponível, é atualmente 3 vezes inferior à registada em 1978. Quando comparado com a União Europeia, Portugal encontra-se em décimo sétimo numa lista de 26 países, ordenados de acordo com os valores de poupança das suas famílias (de forma decrescente). No geral, a poupança das famílias em Portugal, em percentagem do PIB, é muito inferior à de países como a Suécia, a Alemanha, o Luxemburgo e a França – países onde os valores da poupança rondam os 8,6% e os 10,8%.
No entanto, não é de admirar que efetivamente os níveis de poupança em Portugal sejam baixos. Por norma, um indivíduo recebe um rendimento e, desse rendimento, escolhe uma parte para consumir e uma parte para poupar. Desta forma, o objetivo do indivíduo ao não utilizar todo o seu rendimento para consumo é, no futuro, em caso de emergência, não ter preocupações em termos financeiros. Ainda poupa porque espera ter algum retorno do dinheiro que deposita nos bancos. Falamos então nos depósitos a prazo. Estes continuam a ser um dos instrumentos de poupança preferidos dos portugueses, contudo têm vindo a ser cada vez menos atrativos, visto que as taxas de juro se aproximam cada vez mais de 0. Significa isto que o retorno que auferimos dos depósitos a prazo é cada vez menor e, segundo os últimos dados revelados pelo Banco Central Europeu (BCE), Portugal é o terceiro país da Zona Euro com pior remuneração associada aos depósitos a prazo (pior só mesmo a Espanha e a Irlanda).
Na verdade, o facto das taxas de juro estarem próximas do zero é, em certa parte, propositado, na medida em que acaba por ter como objetivo o desincentivo da poupança e o incentivo dos empréstimos e do consumo. O problema em vista a resolver aqui é o de que dinheiro poupado não é dinheiro gasto e, portanto, o efeito de poupar é a redução da procura agregada. A isto se chama o paradoxo da parcimónia – um aumento da poupança leva a uma diminuição da procura agregada, o que consequentemente leva a uma contração da economia e portanto o indivíduo comum ficará mais pobre e não mais rico. Deste modo, a poupança pode ser prejudicial ao bom funcionamento da economia.
Ainda assim, é sempre necessário existir uma quantia mínima de poupança. Concluindo, os níveis de poupança em Portugal encontram-se consideravelmente baixos, algo que devia mudar. É verdade que quando comparado com os países da União Europeia, os valores não diferem muitos dos portugueses, no entanto não deveria ser isso motivo para efetivamente termos um mau desempenho. Assim, o facto de que os portugueses poupam pouco deve-se ao baixo rendimento da população (o salário mínimo não permite que os portugueses não gastem todo o seu rendimento em consumo) e também às baixas taxas de juro, que atualmente vigoram nacionalmente – tal como referido anteriormente, Portugal é o terceiro país da Zona Euro com pior remuneração associada aos depósitos a prazo.

Catarina da Rocha Correia

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A mudança da hora e o impacte na produtividade e na economia

Hoje em dia, com o desenvolvimento das tecnologias e a evolução do conhecimento acerca do ser humano, somos sempre alvo de observação na sociedade em que vivemos. Qualquer que seja a hora a que nós acordemos, a nossa rotina diária e a nossa organização são alguns dos fatores que variam de pessoa para pessoa e que bem combinados tornam possível atingir um máximo de produtividade no trabalho e nas relações pessoais.
Neste artigo irei abordar o facto de alterarmos a hora no nosso horário de verão e inverno e o impacte que esta ação tem ou pode ter no trabalho e na produtividade dos trabalhadores, além da movimentação da economia.
Para aqueles mais desatentos, que pensam que a mudança de hora pouco afeta na vida das pessoas ou que só afeta as horas que se dedicam a dormir, convirá deixar claro que não poderiam estar mais enganados. Na madrugada de sábado para domingo (26 para 27 de outubro), os ponteiros foram atrasados 60 minutos e entrámos, portanto, no horário de inverno. A mudança da hora, além da possibilidade imediata de dormir mais uma hora, segundo estudos já feitos, causa benefícios para a saúde na exposição solar, que pode ser mais prolongada. Num estudo feito com base em dados recolhidos no território, concluiu-se que o corpo humano necessita de pelo menos 14 dias para se adaptar completamente à mudança da hora. Enquanto isso, sintomas como falta de atenção, dificuldades de memorização, sono fragmentado, dores de cabeça e alterações nos ritmos cardíacos são, o que por si só tem consequências no trabalho realizado.
O início desta mudança para o horário de inverno foi uma medida criada há mais de 200 anos, mas tornou-se mais usual durante a I Guerra Mundial, devido à escassez de carvão, o que obrigou assim a uma adoção de uma estratégia que permitisse poupar energia, sendo então bem vista uma vez que permitia diminuir o consumo de energia e tirar o melhor partido possível da luz do dia.
Atualmente, com a evolução das tecnologias, esta poupança energética praticamente não existe uma vez que praticamente é tudo mais eficiente e bastantes tarefas do nosso dia necessitam na mesma de energia, como lavar a roupa, o aquecimento interior, trabalhar no computador ou mesmo o tráfego automóvel.
Quando entra o horário de Verão, é comum dizer-se que a mudança da hora tem um impacte positivo na economia pois os setores do retalho e do turismo beneficiam principalmente da hora extra de luz nas tardes de Verão, que permitem que os clientes fiquem mais tempo nos estabelecimentos para aproveitar a luz do dia e a temperatura mais agradável, aumentando o consumo nos bares. Também com os dias mais longos e a escurecer mais tarde, as pessoas sentem-se mais seguras para ficar até mais tarde na rua, o que permite também ao comércio criar possibilidade de maiores vendas. Por outro lado, há pessoas que no horário de verão estão disponíveis para trabalhar até mais tarde uma vez que estão habituadas a sair do trabalho mais no escurecer do dia. Mesmo estes trabalhadores se saírem do trabalho e ainda estiver de dia, muitas vezes, empolgam-se e param num café ou num restaurante. No entanto, também há algumas indústrias que sofrem com esta alteração da hora, como a agricultura, uma vez que esta atividade se orienta muito pela luz solar.
Em versão inversa, quando falamos no horário de Inverno, pensamos que tudo acontece ao contrário, pois retiramos uma hora de luz às tardes para a colocarmos de manhã. De facto, a diminuição da luz do dia ao final da tarde, no outono ou no inverno, afetam e muito a vida das pessoas. Em primeiro lugar, o nosso estado de humor ao sair do trabalho ou da escola de dia ou de noite é completamente diferente e a nossa disponibilidade para irmos a um café ou a um restaurante de noite é menor. Além disto, afeta e muito a segurança rodoviária, principalmente nas horas de ponta, que nesta época já se começa a fazer essencialmente às escuras, precisamente quando a visão diminui e quando começam a ocorrer mais acidentes.
No entanto, ao imaginarmos que não havia mudança na hora e que não entraríamos em horário de inverno, as consequências seriam que, entre meados de novembro e meados de janeiro, teríamos o sol a nascer sempre perto das 8h e mesmo no final do ano teríamos o sol a nascer depois das 8h, ou seja, isto condicionaria muito as nossas vidas, umas vez que as pessoas aos entrarem no seu trabalho ou na sua escola às 8h da manhã ainda não teriam luz em quantidade suficiente para o seu sistema “acordar”. Assim, em vez do tráfego ser feito ao final da tarde já escurecido era feito de manhã, com as luzes acesas e com pouca iluminação, o que em conjunto com um corpo ainda meio adormecido prevê um número ainda maior de acidentes. 
Uma coisa é certa, o Parlamento Europeu já aprovou o fim da mudança da hora nos Estados-membros em 2021, e esta discussão ainda está em cima da mesa.

André Oliveira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A importância da chegada das redes 5G à Europa

Nos dias que correm, Portugal é um dos países europeus com maior cobertura e densidade de redes de fibra, colocando-nos numa posição de vantagem para aproveitar o potencial desta nova tecnologia.
Por volta dos anos 80, surgiram os sistemas de comunicação que permitiam a transferência de dados, apenas por voz, através de ondas que variavam de forma contínua: os sistemas de 1ª geração (1G). A tecnologia 2G surge nos anos 90, quando as empresas de telecomunicações disponibilizaram aos seus utilizadores a possibilidade de enviarem mensagens de um equipamento para outro. Depois, a tecnologia móvel 3G permitiu não só continuar a enviar mensagens de um dispositivo para outro mas, também, fazer chamadas, enviar mensagens de texto e aceder à internet. A 4G apareceu para otimizar a tecnologia 3G em termos de rapidez de download e upload de conteúdos e, ainda, proporcionar uma melhor cobertura e qualidade de rede.
Associado a esta evolução surge o conceito “long term evolution” (LTE), que marca a tecnologia 4G em termos de rapidez. Estas gerações vão sendo definidas de acordo com a velocidade de transmissão de dados e são marcadas por uma interrupção no procedimento de codificação, de modo a que as novas tecnologias sejam incompatíveis com as suas antecessoras.
A tecnologia 5G vem substituir a atual 4G LTE, assegurando uma maior velocidade e capacidade do que as atuais tecnologias sem fios, dando às pessoas a possibilidade de acederem mais rapidamente à informação já disponível. Deste modo, enquanto a velocidade de transferência do 4G LTE consegue alcançar 1gb por segundo, o 5G aumentará a velocidade de download para até 10gb por segundo; por outras palavras, um download que demorasse uma hora em HD (assumindo condições ideais e em que o sinal não é interrompido), com a nova tecnologia 5G, demorará apenas uns segundos.
Neste sentido, as redes 5G tornar-se-ão o pilar da nossa economia, ligando inúmeros objetos/serviços e sistemas entre si, nomeadamente, os que estão relacionados com o funcionamento da nossa economia. Esta tecnologia será crucial para fomentar a competitividade da Europa no mercado mundial em setores tão importantes como a indústria automóvel, a saúde, os transportes e a energia. Os países europeus estão em concorrência com outras regiões avançadas a nível mundial (por exemplo, os EUA e a China), que preparam o lançamento desta nova tecnologia.
Neste momento, a Europa é líder mundial no que diz respeito a ensaios desta tecnologia, tendo realizado várias experiências em 23 dos seus Estados-Membros. No entanto, a posição que ocupa é de relativa fragilidade dada a rapidez de evolução deste setor.
Juntamente com a implementação da 5G, vem também o encargo de responsabilidade para os Estados-Membros ao nível de incentivos de investimento e de condições de enquadramento legal desta nova rede na nossa economia, de forma a garantir atratividade e certeza jurídica quanto a aplicação da nova rede.
Trata-se de uma tecnologia excecional e de uma oportunidade de avançar qualitativamente no desenvolvimento da UE. Desta forma, a próxima etapa é a criação de um conjunto de medidas destinadas a identificar e diminuir os riscos para a cibersegurança dos países da União. A implantação da rede 5G levará a que haja, por exemplo, uma maior exposição a ataques que poderão ser feitos de variadas formas e com uma maior rapidez. Assim, as ameaças à disponibilidade e à integridade das redes tornar-se-ão grandes preocupações em matéria de segurança (como ameaças à confidencialidade e à privacidade). A UE terá de agir rapidamente e com assertividade no sentido de proteger a sua sociedade e economia.
Por conseguinte, assegurar a cibersegurança das redes 5G é uma questão estratégica para a União Europeia, numa altura em que a frequência e a sofisticação dos ciberataques estão a aumentar exponencialmente. É urgente proteger os direitos humanos e as liberdades fundamentais dos cidadãos para que esta rede seja, realmente, um contributo para a nossa sociedade.

Catarina Antunes Ferreira

Fonte: https://ec.europa.eu/digital-single-market/en/5g-europe-action-plan

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Cultura: uma despesa ou um investimento?

Foram divulgados no mês de outubro deste ano os resultados provisórios dos Concursos Sustentados Bienais 2020/2021, realizados pela Direção-geral das Artes (DGArtes). A Direção-geral das Artes é o organismo responsável pela coordenação e execução de políticas de apoio às artes. Detém, assim, um papel fulcral na garantia de condições para a estabilidade, consolidação e renovação do tecido artístico profissional em Portugal, bem como para a sua internacionalização.
O concurso permite que entidades que apresentem projetos com a finalidade de dinamizar e renovar a oferta artística nacional se associem a outras entidades financiadoras, públicas e privadas, para promover a atribuição de apoio a projetos artísticos. De entre 196 candidaturas apresentadas, apenas 177 foram consideradas elegíveis, sendo que, destas, só 102 vão receber financiamento. De acordo com um comunicado da entidade responsável pela organização dos concursos, este resultado, que totaliza uma verba de 18,7 milhões de euros para o próximo biénio, “garante uma cobertura de 60% do total das 177 candidaturas elegíveis”. Apesar do concurso apresentar um crescimento de quase três milhões de euros face a anos anteriores, as verbas ainda não são suficientes para financiar todos os candidatos elegíveis.
Numa missiva ao governo, várias entidades artísticas defenderam que: “Os apoios às artes são investimento em bens de interesse público, defendendo o direito à criação e à fruição cultural (de acordo com os artigos 73.º e 78.º da Constituição da República Portuguesa). Consideramos de extrema importância a ampliação da verba afeta à criação e programação das artes em Portugal".
A indústria cultural não se consegue afirmar em Portugal e não é vista de forma atrativa. No entanto, o mesmo não se verifica com os restantes países da União Europeia. O comércio cultural tem vindo a crescer na Europa, mas estagna em Portugal. Em dados fornecidos pela Eurostat sobre gastos em lazer, cultura e religião, para 2016, Portugal encontra-se nos cincos países que menos investem em cultura na União Europeia. Do mesmo modo, o turismo cultural apresenta-se, agora, como uma das maiores fontes de rendimento económico na União Europeia, ao mesmo tempo que as empresas culturais crescem e se conjugam com novos e diferentes mercados.



Apesar de o governo defender que “A cultura é um elemento fundamental na valorização da marca Portugal”, a mesma é ainda vista como uma despesa e não um investimento e não é aceite como um possível pilar para o crescimento. É então necessária uma revisão do modelo de apoio às artes em Portugal, em que não se promova apenas o investimento de verbas em cultura mas que, também, incentive os cidadãos a consumirem mais bens culturais.
Portugal é um país com grande potencial e capacidades em termos culturais, sendo muito rico em património cultural. Daí que entenda ser necessário apostar na re-funcionalização pública do património, dos museus e monumentos, e na reconstrução de serviços públicos que garantam pluralidade de oferta cultural.

Sílvia Dias

http://portocanal.sapo.pt/noticia/198573

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Estarão as BITCOINS ainda na moda? Quem ainda investe?

Para quem ainda não sabe ou até mesmo já se esqueceu, a bitcoin é uma moeda digital que permite transferir dinheiro ou fazer pagamentos de uma forma instantânea e barata para qualquer ponto do mundo e que não é controlada pelos bancos centrais ou por entidades governamentais.
Sendo digital, é fácil de transferir. E uma vez que a sua emissão e transmissão dependem de um complexo processo de autenticação, a famosa blockchain, é muito difícil de falsificar. Duas boas razões para a bitcoin poder ser considerada uma moeda. Mas cumpre as funções de uma moeda? Em teoria, sim. Na prática, não. Ou ainda não. Ou sim, mas de forma muito imperfeita. O número de agentes económicos que aceitam a bitcoin ainda é limitado. E faltam leis que regulem as transações.
A bitcoin é sinónimo de valorizações estonteantes. Partindo literalmente do zero quando foi criada, a bitcoin começou uma escalada impressionante que a levou a atingir quase 20 mil dólares em algumas bolsas de bitcoin no mês de dezembro de 2017, antes de perder mais de 80% desse valor e regressar aos 3 mil dólares um ano depois (dezembro de 2018), valor que desde aí voltou a quadruplicar. Tudo isto com subidas e descidas diárias que, de forma rotineira, ultrapassam os 10%. 2019, tem sido um ano de recuperação para o mercado de criptomoedas e para a bitcoin, em particular. Depois da queda em 2018, a bitcoin tem vindo a fazer uma recuperação significativa em 2019.
Depois de começar o ano a valer 3.746$, a bitcoin estabilizou entretanto por volta dos 10.000$, o que representa um aumento de cerca de 160% no seu valor.
Quem é que investe em bitcoins? Dado que as bitcoins são um tipo de ativo que apresenta alta volatilidade e risco, o investimento é mais indicado para investidores com experiência. São os chamados investidores de perfil arrojado, capazes de tolerar perdas em curto prazo em vista de ganhos maiores no futuro. Então as bitcoins não são uma boa opção de investimento para o investidor conservador
Se for um investidor com perfil moderado, ou seja, que tem algum apetite por risco, em troca de maiores ganhos, talvez as moedas digitais possam ter uma pequena parte na sua carteira de investimentos. Afinal, a diversificação reduz o risco total da sua carteira de investimentos, ajudando seu patrimônio a crescer com um bom nível de segurança.
Mas é seguro investir em bitcoins? No passado, houve casos de ataques informáticos a carteiras de moedas virtuais que resultaram em perdas totais para os investidores. Houve também sites fraudulentos que prometiam este serviço, mas desapareceram, levando com eles as moedas digitais que tinham guardadas.
O Banco de Portugal publicou nos últimos anos avisos a explicar que "as moedas virtuais não são seguras”. As entidades que emitem e comercializam "moedas virtuais" não são reguladas nem supervisionadas por qualquer autoridade do sistema financeiro, nacional ou europeio.
Estarão os economistas a favor da compra/investimento em Bitcoins? O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, advertiu que a 'bitcoin' e outras criptomoedas são "ativos muito arriscados", que devem ser mantidos com prudência, nomeadamente por bancos. "As moedas virtuais estão sujeitas a grande volatilidade. O seu preço é completamente especulativo", declarou Draghi, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. Draghi disse ainda que as criptomoedas evoluem “num espaço que não está regulamentado” e que os bancos têm de ter em conta “um risco elevado”, sobretudo devido a grande volatilidade.
Joseph Stiglitz, de 74 anos, Prêmio Nobel de Economia em 2001 e ex-economista-chefe do Banco Mundial, não usa meias palavras ao falar da bitcoin. Em entrevista à BBC, o economista americano explicou por que acredita que o bitcoin deveria ser proibido: "Por que as pessoas querem bitcoins? Por que as pessoas querem uma moeda alternativa? A verdadeira razão pela qual as pessoas querem uma moeda alternativa é participar de atividades ilícitas: lavagem de dinheiro, evasão fiscal".
De forma a concluir, na minha opinião, o investimento em bitcoins não é “para todos”. É um investimento favorável aos investidores que já se encontram em níveis superiores quer de experiência quer em reservas monetárias. Contudo, gostava de experienciar uma economia em que os Bancos aceitassem as moedas digitais como a bitcoin, entre outras. Tal aceitação levaria provavelmente à “falência” de algumas moedas atuais que não são tao fortes no mercado, prejudicando os países que as adotassem, contudo poderia vir a beneficiar outros.
Também consigo imaginar o uso da bitcoin como a moeda dos indivíduos de classe média-alta, que auferem rendimentos superiores. Dado que uma bitcoin corresponde a 8202,62 €, porque não usar bitcoins na transação/compra de bens de preço elevado, como casa, carro, de modo a simplificar o processo.

Tomás Ferreira Pinto

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]