domingo, 17 de novembro de 2019

Agricultura, de Setor Primário a Setor sem Primazia

Nos últimos dias/semanas muito se tem ouvido falar da Web Summit e sobre o privilégio de Portugal receber de 2016 a 2028 na sua capital a maior cimeira de tecnologia e empreendedorismo do mundo. Para memória futura, este evento custou ao Estado português mais de 20 milhões de euros, que será pago por todos nós num qualquer imposto. Este artigo não é sobre se este evento gera, ou não, algum impacte na economia do país, mas sim sobre a visão que Portugal e os seus governantes têm sobre o desenvolvimento económico, por exemplo, do sector agrícola.
Inicialmente e de uma forma muito abstrata, o problema do setor Agrícola está associado à falta de visão e reconhecimento do contributo do mundo rural para o crescimento e desenvolvimento da economia. Para que se tenha uma ideia, em Portugal, cerca de 48% do território são terrenos agrícolas e 39% áreas florestais. Apenas 2,5% dos agricultores têm menos de 35 anos e 72,3% das explorações totais têm menos de 5 hectares. Estes números ajudam a revelar a enorme dependência do setor agrícola da agricultura tradicional.
O território português possui diferentes tipos de solos e caraterísticas climatéricas, o que lhe possibilita apresentar uma agricultura bastante diversificada. Num contexto económico, e segundo o INE, em 2018 a balança comercial dos produtos agrícolas totalizava um aumento do défice em 80 milhões de euros face ao período homólogo. O problema deve-se ao aumento das importações, 261,9 milhões de euros acima do valor das exportações (181,1 milhões de euros).
Embora a adesão à União Europeia tenha trazido benefícios e progressos ao setor agrícola, existem problemas, estruturais e naturais, que levaram a que este setor tenha vindo a perder peso ao longo das últimas décadas.

                                    Emprego na Agricultura

A baixa densidade populacional e o envelhecimento da população, o baixo nível de instrução e formação dos agricultores, a incapacidade de inovar e modernizar o sistema agrícola, as dificuldades de acesso ao crédito/financiamento e o consequente abandono dos espaços rurais são alguns dos problemas estruturais. Já as condições meteorológicas irregulares e adversas e a qualidade do solo são problemas do tipo natural. Mas não só de problemas naturais e estruturais se carateriza o problema do crescimento do setor agrícola. O orçamento anual da União Europeia contempla 38% das suas verbas, 58 mil milhões de euros, para este setor, que são distribuídas através da Política Agrícola Comum para cada Estado Membro.
Segundo o relatório Agriculture Atlas – Facts and figures on EU farming policy, cerca de 72% das verbas destinadas ao setor agrícola vão para pagamentos agrícolas que assumem a forma de pagamentos diretos à quantidade produzida ou à área total de produção/cultivo. A distribuição destas verbas representa, por si só, um erro no que diz respeito à equidade de pagamentos/recebimentos.
Se, por um lado, quem alcança um nível de produção alto, beneficia proporcionalmente do recebimento destes subsídios, por outro lado, quem possuí muita área de cultivo mas produz pouco, pois não existem objetivos de produção, aufere dos mesmos direitos e benefícios. O grande problema da forma como os pagamentos são realizados está associado ao segundo tipo, isto é, beneficia quem possui bastantes hectares de exploração - normalmente nem são agricultores - e penaliza o pequeno agricultor, que é quem mais precisa.
Mas o quadro atual não nos tranquiliza. Associado à qualidade de distribuição dos fundos comunitários está também e não menos importante, pelo contrário, a quantidade de verbas que a UE disponibilizará a cada Estado Membro. O futuro incerto da Europa, a sua instabilidade, a possibilidade do Brexit, e um possível corte de verbas destinados à Política Agrícola Comum, entre outras áreas, deveriam preocupar a sociedade portuguesa e os seus governantes. Contudo, o que transparece é que as pessoas não percebem, ou não têm noção, da implicação que os fundos comunitários e a agricultura têm no desenvolvimento do país e na vida de cada um de nós.
É urgente repensar o sector agrícola, modernizá-lo e aumentar a competitividade da agricultura portuguesa, de modo a que o nível de produtividade se aproxime dos níveis europeus. A economia portuguesa não deve, ou não deveria olhar para os subsídios agrícolas ou fundos comunitários como rendimentos extras, mas sim como investimentos para que no futuro nos possamos tornar mais independentes das oscilações financeiras, das ajudas externas e, acima de tudo, mais competitivos.

João Pessoa Trigo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Obesidade – uma fatia pesada no orçamento da saúde

Há uma dicotomia no nosso planeta. Enquanto alguns países ainda têm problemas de subnutrição e passam por muitas dificuldades no acesso às caraterísticas que consideramos essenciais para viver, outros ultrapassam crises relacionadas com obesidade.
O cenário desta doença não é animador: desde 1980, o número de pessoas com obesidade mais do que duplicou. Em 2015, mais de 1,5 mil milhões de pessoas tinha excesso de peso (IMC >25KG/m2) e, destes, 600 milhões eram obesos. Na Europa, 1 em cada 6 pessoas sofre desta doença.
Em Portugal, especificamente, estamos a falar de uma evolução significativa entre 2004 e 2014, conforme pode ser analisado pela tabela abaixo, sendo possível concluir que mais de 50 % das pessoas acima dos 18 anos têm excesso de peso:

O aumento do sedentarismo e do stress, depressões, a diminuição de horas de sono, pior alimentação (mais alimentos processados e acesso fácil a fast e junk food, bem como um aumento significativo das doses e em calorias das mesmas) são algumas das causas apontadas pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para esta evolução.
Ao contrário da imagem defendida pelas avós da nossa vida, gordura não é sempre formosura, e muitas consequências advêm do excesso de peso. Tanto a nível individual, pela pior qualidade de vida, fadiga mais frequente e menor mobilidade, mas também a nível económico, pela perda de produtividade e pela componente de despesa pública no orçamento da saúde, derivado de problemas que têm como fator de risco e causa esta condição, a obesidade é uma doença que requer uma gestão a longo prazo e tem diversas consequências, como síndrome de apneia de sono, alguns tipos de cancro, doenças cardiovasculares, diabetes tipo II, entre outras.
O nosso sistema de saúde, embora com a introdução de sucessivos incentivos para uma maior aposta na prevenção (é o único país da Europa com política de regulamentação no tratamento da obesidade), ao invés do tratamento, no geral, continua muito assente nesta última componente. Tal deve-se à mentalidade mais comum das pessoas no nosso país: “Só vou ao médico quando estou doente”. Esta é uma frase recorrente que, de certo, já ouvimos pelo menos uma vez.
A nível de despesas diretas na saúde, encontramos os seguintes dados no INE:


Olhando para estes dados, ficaríamos com a impressão imediata de que, afinal de tudo, não é um problema, pelo menos não para a gestão da despesa da saúde (dado ser tão pouco significativo). Porém, além de serem dados desatualizados (embora os mais recentes que temos), não há nenhum estudo que relacione as doenças (e os custos com as mesmas) causadas pela obesidade, apresentando então um custo total resultante da doença.
Existe, no entanto, um estudo a nível europeu: é estimado que os sistemas de saúde europeus gastem 59 mil milhões de euros com este problema, por ano, o que representa cerca de 8% do orçamento total de saúde da Europa. A SPEO pretende fazer um estudo semelhante, mas só para Portugal, sendo previsíveis resultados bastante elevados pela elevada percentagem de portugueses com excesso de peso, já expressa no início no artigo.
Dietas mais ou menos milagrosas, regimes vegetarianos ou veganos, práticas de incentivo ao exercício físico na escola, na vida adulta e no trabalho, são várias as soluções que têm sido discutidas sem termos chegado a um consenso. Mas algo é garantido: é um problema, um problema grave, que cresce a cada ano que passa e, sem quaisquer dúvidas, um dos tópicos mais preocupantes deste inicio de século relativamente à saúde.

Rui Moutinho Bessa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

O mercado de habitação em Portugal

O dinamismo que se tem vindo a sentir no mercado de habitação é considerado por uns motivo de agrado e por outros uma questão polémica com consequências severas, nomeadamente no mercado de arrendamento.

Analisando primeiramente pela perspetiva positiva, sem dúvida que dinamismo é bom para Portugal. É um facto, não podemos negar. Este dinamismo é sobretudo sentido nas grandes cidades, principalmente na parte histórica. Isto justifica-se pois são as zonas de maior liquidez, isto é, pensando numa possível futura venda, será mais fácil de transformar o investimento em dinheiro nestas localidades.

Mas porque será que hoje em dia se manifesta tanto a capitalização das nossas poupanças neste mercado? A questão é simples: com as míseras taxas de juro a que as nossas poupanças são sujeitas, os investidores veem neste mercado uma forma mais atraente e rentável de investir o seu dinheiro. Para além disso, a aposta no mercado também se pode afirmar como uma fonte de diversificação do risco.

Analisando ainda por outra perspetiva, tendo em conta o panorama geral das capitais europeias, seria expectável este dinamismo de modo a que houvesse uma nivelação dos preços. Esta situação ocorreu nas várias capitais europeias e, mais tarde ou mais cedo, a onda de subida dos preços de habitação acabaria por se alastrar também a nós.

No caso em concreto de Portugal, para além do nivelamento expectável, também contribuíram para a situação as baixas taxas de juro, situações que, aliadas, fizeram com que o acontecimento em Portugal tivesse um impacto ainda maior. Mas este dinamismo, como acima referido, nem sempre é visto como algo positivo.

Numa outra, que põe a par o conceito de habitação e desigualdade social, podemos afirmar que toda a gente tem direito a ter uma habitação digna e em condições, de modo a satisfazer uma das necessidades mais básicas de vida. Sendo este elemento indispensável ao bem-estar e à qualidade de vida das pessoas, devem ser desenvolvidas pelo Estado políticas públicas de desenvolvimento integrado no sentido de construção de habitações de qualidade e com rendas acessíveis, promovendo assim a coesão social. Tendo em conta esta medida, ao promovê-la, estamos ainda combater a pobreza, a fragmentação territorial e a desigualdade das regiões.

E é nesta perspetiva de olhar para a situação como sinónimo de qualidade de vida das pessoas que nos questionamos se será correto deixar o acesso à habitação refém das flutuações de mercado, da alteração dos rendimentos e do investimento.

Numa formulação mais ampla sobre a dualidade de situações no mercado de habitação, na minha opinião, o arrendamento e compra de imóveis pode e deve ser uma realidade lucrativa para quem tenha a possibilidade de investir no mercado. Porém, a par disto, têm de existir respostas do Estado para os que não conseguem acompanhar a evolução do mercado devido aos seus rendimentos. Neste contexto, o Estado já tentou intervir com uma nova Lei de Bases da Habitação. Porém, não há grandes perspetivas de que venha efetivamente a resolver os casos de alojamento mais graves.

Precisamos de políticas que não se guiem somente pelos interesses imobiliários, turísticos e pelos lucros. Precisamos de políticas com funções sociais que garantam o bem-estar da nossa população, pois o direito à habitação é um interesse público. Mas muito mais do que um interesse público, é uma responsabilidade coletiva. Não podemos deixar que a habitação seja abandonada à especulação. Temos de nos precaver e garantir que a satisfação das necessidades básicas não estão a ser retiradas aos nossos cidadãos.


Rita Isabel Afonso Leite

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, 16 de novembro de 2019

População estrangeira residente em Portugal: vantagens e constrangimentos

Portugal é, desde há muito tempo, um país de partidas e de chegadas. Desde o início do século XXI, Portugal tem-se colocado na liderança das melhores políticas de integração daqueles que escolhem o país para viver. As migrações representam uma enorme oportunidade para Portugal e o país tem sido capaz de aproveitar.       

Em 2018, foi publicado o Decreto Regulamentar do Regime Jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de cidadãos estrangeiros do território nacional que vai de acordo com as alterações da Lei de Estrangeiros em 2017. Este Decreto tem como objetivo simplificar e desburocratizar o pedido de residência de estrangeiros em Portugal. Apesar da intenção deste ser de reduzir o tempo perdido em questões legais, na realidade verificam-se alguns constrangimentos. Considerando que de momento Portugal é um país atrativo pois é dos mais seguros e revela desemprego baixo muitas são as pessoas que querem de facto viver em Portugal.

Todos nós enquanto residentes em Portugal já notamos um aumento do número de estrangeiros no país, que à partida não são apenas turistas. Segundo dados apresentados no PORDATA, desde 2016 a população estrangeira com estatuto legal de residente tem vindo a aumentar e em 2018, verificou-se uma diferença de quase mais 85 mil indivíduos a residir em Portugal. A nacionalidade com maior população migratória é a brasileira, seguida da cabo-verdiana, ucraniana e romena. A comunidade brasileira teve um enorme aumento em particular na cidade de Braga. No entanto, também se constata um aumento do número de europeus, mais especificamente italianos e franceses, residentes em Portugal que alegam a causa desta imigração o facto de ser dos países mais seguros do mundo. 

Segundo dados do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras a maioria dos estrangeiros residentes em Portugal têm idades compreendidas entre os 20 e os 39 anos. Assim, cerca de 80% destes fazem parte da população ativa e acabam por colmatar a falta de mão-de-obra nos setores da agricultura e da construção civil, entre outras áreas de atividade. As migrações podem acarretar um conjunto de vantagens e desvantagens, inicialmente refletimos sobre as vantagens para a sociedade recetora: mão-de-obra com diversos tipos de know-how; mão-de-obra mais barata, por vezes com qualificações elevadas; mais e melhor produtividade e maior competitividade.

Este aumento da mão-de-obra ativa concorre para que o sistema atual da Segurança Social assuma um aumento populacional contínuo, isto é, a próxima geração terá sempre mais indivíduos do que a anterior, esta realidade pode ser benéfica para a economia portuguesa. Os dados estatísticos apontam para que Portugal enfrenta o problema do envelhecimento populacional, o qual poderá ser colmatado com a entrada de novos residentes em idade ativa e residentes que por sua vez se tornam consumidores e os impostos sobre o consumo e sobre o rendimento revertem para a Segurança Social, podendo esta ser uma forma eficaz de salvar o sistema atual de reformas e pensões.

Contudo, o aumento repentino do número de estrangeiros pode vir a tornar-se um problema grave face à incapacidade de resposta, nomeadamente em termos de habitação provocando um inflacionamento no custo do alojamento. Este problema reflete-se hoje em dia na cidade de Braga, nomeadamente no aumento exponencial do preço de quarto para os estudantes universitários. É de conhecimento geral que existe um problema habitacional estudantil em Portugal e Braga não é exceção. Existem poucas camas nas residências e as rendas estão cada vez mais elevadas. 

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) a imigração beneficia os países de origem e os de destinos. O fluxo migratório acarreta implicações nomeadamente para os países de saída com a perda de capital humano diferenciado. Nos países recetores alguma desconfiança e agitação social poderá surgir por medo da perda dos seus empregos, no entanto os benefícios notam-se no aumento do produto interno bruto e no contributo para a sustentabilidade da segurança social.


Mariana Teixeira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

O retorno do papel

Com a chegada da era dos computadores e smartfones, muitas mudanças ocorreram na sociedade, na forma como nos comunicamos e trocamos informações de forma rápida e eficiente, mas também nos recursos que usamos para atingir essa disseminação de informação. É de se esperar que, com a substituição dos jornais, livros e fax pelos aparelhos eletrônicos de hoje, a demanda de papel caia. Com isso não é difícil imaginar que a indústria estaria em decadência, porém esse não é o caso.
Ao contrário do que se imagina, a demanda por papel vêm crescendo por todo o mundo. Isso ocorre devido à demanda por papéis diferentes do papel gráfico usado em jornais e livros. De fato, com a crescente preocupação de vários países com o meio-ambiente e a poluição que é causada, o plástico usado diariamente aos poucos vai sendo substituído, sendo o papel um dos principais concorrentes para tomar o seu lugar. Com muitos países como o Canada, Índia e a União Europeia movendo-se em direção ao banimento do uso de plásticos descartáveis, muitas empresas planejam substituí-los por produtos de papel.
A crescente demanda de papel vem em resultado do desejo de sustentabilidade e proteção ao meio ambiente, mas ao mesmo tempo traz mais desafios para serem enfrentados, tanto para a sustentabilidade da indústria quanto no respeitante aos danos que ela pode causar ao meio ambiente. O processo da produção do papel é de extrema complexidade, indo do corte das árvores para os processos químicos e o clareamento. E com todos esses processos, muitos gastos ambientais acompanham, em todas as etapas.
O primeiro e mais óbvio problema vem do desmatamento necessário para alimentar a indústria pelo mundo, o que leva a maiores emissões de carbono e perda de biodiversidade nas florestas com grande importância ecológica, as quais por vezes são usadas. Além disso, problemas vindos das outras etapas do processo produtivo incluem o alto nível de consumo de energia, além do alto nível do consumo de água. Não bastasse isso, ainda há a poluição causada pela água tóxica que surge do processo, com dificuldades técnicas surgindo para dispor dela.
Mas a indústria já avança para enfrentar tais problemas. Empresas nos Estados Unidos e na Europa se movem para reduzir o desperdício de água, sendo algumas capazes até de reciclar toda a água usada, como é o caso de uma fábrica no Novo México. Para o uso de energia, novas tecnologias ajudam a aumentar a eficiência com um aumento menos do que proporcional nos gastos energéticos. E, por fim, temos a sustentabilidade do corte das árvores, que foi abordada através de políticas que obrigam a plantação de novas árvores em áreas desmatadas.
Possivelmente, o maior instrumento para a virada da indústria do papel foi a reciclagem. Os produtos reciclados viram um crescimento estável da sua demanda nos últimos anos. Além disso, países europeus mantiveram a maior taxa de reciclagem do mundo, como, por exemplo, na Itália, onde cerca de 57% dos materiais usados para a produção vêm de papéis reciclados. Porém, até mesmo nesse ponto existem desafios a serem abordados, como o problema na reciclagem de papéis sujos. Uma alternativa sendo explorada vem de empresas desenvolvendo papéis comportáveis para ajudar na reciclagem.
Com uma onda de preocupação com o meio ambiente tomando conta do cenário global, uma indústria de onde se esperava a decadência teve uma nova oportunidade para tomar espaço no mercado. Enquanto as facetas mais intuitivas ao se pensar na indústria do papel, como o papel gráfico, vêm a cair, novos caminhos aparecem devido à substituição do plástico e da importância da reciclagem. Tanto países da União Europeia quanto das Américas e da Ásia são altamente afetados por mudanças em sua demanda, participando de diversas partes do seu processo produtivo, e consumindo. Com o uso do papel crescendo em inúmeros pontos da vida do homem, das embalagens das comidas até seu uso nos banheiros, essa se faz uma indústria para se ficar atento na virada da década.

Pedro Antônio Rocha Giuffrida


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Portugal e o seu baixo nível de poupança

O dia mundial da poupança celebrou-se recentemente, no dia 31 de outubro. Relacionado com esta data, foram publicados por algumas entidades (entre elas, o Pordata) dados sobre este tema. Os resultados foram, de certa forma, surpreendentes. A verdade é que, face a dados de 1978, a poupança das famílias portuguesas desceu para cerca de um terço do registado na altura - passou de 21,2% do rendimento disponível para os 6,5% atuais. Muito mudou desde a década de 70: os hábitos das famílias e, consequentemente, as suas despesas, a tecnologia, o tipo de consumo, etc. No entanto, estes valores são bastante alarmantes.
Uma medida relacionada com a poupança é a capacidade de fazer face a despesas inesperadas. Ora se os valores da poupança são preocupantes, os deste último indicador não são de ignorar. Em 2017, aproximadamente 37% da população em Portugal não tinha esta capacidade. Quando comparado com a média da União Europeia a 28 - de 34% - concluímos que os valores não se encontram muito distantes, mas mais uma vez nos encontramos abaixo dos outros.



Analisando o gráfico, verificamos que a poupança dos particulares, ou seja, a poupança das famílias e instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias em Portugal, em percentagem do rendimento disponível, é atualmente 3 vezes inferior à registada em 1978. Quando comparado com a União Europeia, Portugal encontra-se em décimo sétimo numa lista de 26 países, ordenados de acordo com os valores de poupança das suas famílias (de forma decrescente). No geral, a poupança das famílias em Portugal, em percentagem do PIB, é muito inferior à de países como a Suécia, a Alemanha, o Luxemburgo e a França – países onde os valores da poupança rondam os 8,6% e os 10,8%.
No entanto, não é de admirar que efetivamente os níveis de poupança em Portugal sejam baixos. Por norma, um indivíduo recebe um rendimento e, desse rendimento, escolhe uma parte para consumir e uma parte para poupar. Desta forma, o objetivo do indivíduo ao não utilizar todo o seu rendimento para consumo é, no futuro, em caso de emergência, não ter preocupações em termos financeiros. Ainda poupa porque espera ter algum retorno do dinheiro que deposita nos bancos. Falamos então nos depósitos a prazo. Estes continuam a ser um dos instrumentos de poupança preferidos dos portugueses, contudo têm vindo a ser cada vez menos atrativos, visto que as taxas de juro se aproximam cada vez mais de 0. Significa isto que o retorno que auferimos dos depósitos a prazo é cada vez menor e, segundo os últimos dados revelados pelo Banco Central Europeu (BCE), Portugal é o terceiro país da Zona Euro com pior remuneração associada aos depósitos a prazo (pior só mesmo a Espanha e a Irlanda).
Na verdade, o facto das taxas de juro estarem próximas do zero é, em certa parte, propositado, na medida em que acaba por ter como objetivo o desincentivo da poupança e o incentivo dos empréstimos e do consumo. O problema em vista a resolver aqui é o de que dinheiro poupado não é dinheiro gasto e, portanto, o efeito de poupar é a redução da procura agregada. A isto se chama o paradoxo da parcimónia – um aumento da poupança leva a uma diminuição da procura agregada, o que consequentemente leva a uma contração da economia e portanto o indivíduo comum ficará mais pobre e não mais rico. Deste modo, a poupança pode ser prejudicial ao bom funcionamento da economia.
Ainda assim, é sempre necessário existir uma quantia mínima de poupança. Concluindo, os níveis de poupança em Portugal encontram-se consideravelmente baixos, algo que devia mudar. É verdade que quando comparado com os países da União Europeia, os valores não diferem muitos dos portugueses, no entanto não deveria ser isso motivo para efetivamente termos um mau desempenho. Assim, o facto de que os portugueses poupam pouco deve-se ao baixo rendimento da população (o salário mínimo não permite que os portugueses não gastem todo o seu rendimento em consumo) e também às baixas taxas de juro, que atualmente vigoram nacionalmente – tal como referido anteriormente, Portugal é o terceiro país da Zona Euro com pior remuneração associada aos depósitos a prazo.

Catarina da Rocha Correia

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A mudança da hora e o impacte na produtividade e na economia

Hoje em dia, com o desenvolvimento das tecnologias e a evolução do conhecimento acerca do ser humano, somos sempre alvo de observação na sociedade em que vivemos. Qualquer que seja a hora a que nós acordemos, a nossa rotina diária e a nossa organização são alguns dos fatores que variam de pessoa para pessoa e que bem combinados tornam possível atingir um máximo de produtividade no trabalho e nas relações pessoais.
Neste artigo irei abordar o facto de alterarmos a hora no nosso horário de verão e inverno e o impacte que esta ação tem ou pode ter no trabalho e na produtividade dos trabalhadores, além da movimentação da economia.
Para aqueles mais desatentos, que pensam que a mudança de hora pouco afeta na vida das pessoas ou que só afeta as horas que se dedicam a dormir, convirá deixar claro que não poderiam estar mais enganados. Na madrugada de sábado para domingo (26 para 27 de outubro), os ponteiros foram atrasados 60 minutos e entrámos, portanto, no horário de inverno. A mudança da hora, além da possibilidade imediata de dormir mais uma hora, segundo estudos já feitos, causa benefícios para a saúde na exposição solar, que pode ser mais prolongada. Num estudo feito com base em dados recolhidos no território, concluiu-se que o corpo humano necessita de pelo menos 14 dias para se adaptar completamente à mudança da hora. Enquanto isso, sintomas como falta de atenção, dificuldades de memorização, sono fragmentado, dores de cabeça e alterações nos ritmos cardíacos são, o que por si só tem consequências no trabalho realizado.
O início desta mudança para o horário de inverno foi uma medida criada há mais de 200 anos, mas tornou-se mais usual durante a I Guerra Mundial, devido à escassez de carvão, o que obrigou assim a uma adoção de uma estratégia que permitisse poupar energia, sendo então bem vista uma vez que permitia diminuir o consumo de energia e tirar o melhor partido possível da luz do dia.
Atualmente, com a evolução das tecnologias, esta poupança energética praticamente não existe uma vez que praticamente é tudo mais eficiente e bastantes tarefas do nosso dia necessitam na mesma de energia, como lavar a roupa, o aquecimento interior, trabalhar no computador ou mesmo o tráfego automóvel.
Quando entra o horário de Verão, é comum dizer-se que a mudança da hora tem um impacte positivo na economia pois os setores do retalho e do turismo beneficiam principalmente da hora extra de luz nas tardes de Verão, que permitem que os clientes fiquem mais tempo nos estabelecimentos para aproveitar a luz do dia e a temperatura mais agradável, aumentando o consumo nos bares. Também com os dias mais longos e a escurecer mais tarde, as pessoas sentem-se mais seguras para ficar até mais tarde na rua, o que permite também ao comércio criar possibilidade de maiores vendas. Por outro lado, há pessoas que no horário de verão estão disponíveis para trabalhar até mais tarde uma vez que estão habituadas a sair do trabalho mais no escurecer do dia. Mesmo estes trabalhadores se saírem do trabalho e ainda estiver de dia, muitas vezes, empolgam-se e param num café ou num restaurante. No entanto, também há algumas indústrias que sofrem com esta alteração da hora, como a agricultura, uma vez que esta atividade se orienta muito pela luz solar.
Em versão inversa, quando falamos no horário de Inverno, pensamos que tudo acontece ao contrário, pois retiramos uma hora de luz às tardes para a colocarmos de manhã. De facto, a diminuição da luz do dia ao final da tarde, no outono ou no inverno, afetam e muito a vida das pessoas. Em primeiro lugar, o nosso estado de humor ao sair do trabalho ou da escola de dia ou de noite é completamente diferente e a nossa disponibilidade para irmos a um café ou a um restaurante de noite é menor. Além disto, afeta e muito a segurança rodoviária, principalmente nas horas de ponta, que nesta época já se começa a fazer essencialmente às escuras, precisamente quando a visão diminui e quando começam a ocorrer mais acidentes.
No entanto, ao imaginarmos que não havia mudança na hora e que não entraríamos em horário de inverno, as consequências seriam que, entre meados de novembro e meados de janeiro, teríamos o sol a nascer sempre perto das 8h e mesmo no final do ano teríamos o sol a nascer depois das 8h, ou seja, isto condicionaria muito as nossas vidas, umas vez que as pessoas aos entrarem no seu trabalho ou na sua escola às 8h da manhã ainda não teriam luz em quantidade suficiente para o seu sistema “acordar”. Assim, em vez do tráfego ser feito ao final da tarde já escurecido era feito de manhã, com as luzes acesas e com pouca iluminação, o que em conjunto com um corpo ainda meio adormecido prevê um número ainda maior de acidentes. 
Uma coisa é certa, o Parlamento Europeu já aprovou o fim da mudança da hora nos Estados-membros em 2021, e esta discussão ainda está em cima da mesa.

André Oliveira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]