sábado, 21 de dezembro de 2019

Setor têxtil em Portugal

A afirmação do setor têxtil na economia portuguesa é notável. Apesar de ser dos setores mais antigos em Portugal, a sua importância e peso não desvaneceram na economia nacional.
A origem da produção têxtil, em termos industriais, remonta à Revolução Industrial, iniciada em Inglaterra, no final do século XVIII. A propagação desta indústria pela Europa foi assinalada pela atividade mecânica em detrimento da manufatura, com o surgimento da máquina a vapor e dos teares, que vieram substituir, em parte, a mão-de-obra humana.
Para Portugal são poucas as informações relativamente aos primeiros desenvolvimentos da indústria. A informação é escassa, sobretudo no que diz respeito à maquinaria empregue, termos de produção e técnicas. Inicialmente, tratava-se de uma atividade meramente artesanal, em pequenas regiões rurais, realizada, essencialmente, por hábeis artesãos. É de notar que este trabalho era desempenhado por membros da mesma família, onde o montante subsidiado era atribuído ao homem como espécie de ordenado familiar.
Contudo, a evolução tecnológica permitiu o desenrolamento de sistemas fabris, viabilizando a melhoria das condições laborais e como resultado a competitividade das fábricas. As décadas de 70 e 80 do século XX, distinguem-se pelo ilustre progresso deste ofício, em virtude de custos de mão-de-obra comparativamente mais baratos.
A maior contração deste setor aconteceu no período entre 2001 e 2008. A adesão de Portugal ao euro, a alargamento da União Europeia a Leste, a crise financeira internacional e, sobretudo, a entrada da China para a Organização Mundial do Comércio contribuíram para o arrefecimento do ramo. Todavia, os primeiros sinais de recuperação dados em 2010 baseavam-se em pilares sólidos, capazes de levar ao crescimento de longo prazo. A aposta foi feita, nomeadamente, na inovação, design, qualificação dos recursos humanos, know-how industrial, qualidade coerente com rapidez e flexibilidade. Na contemporaneidade, o setor tem-se mostrado competitivo pela qualidade que apresenta nos seus produtos. Portugal é conhecido, cada vez mais, como país fabricante de alta-costura, aliada a princípios ambientais e de sustentabilidade.
Segundo a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, ATP, o contributo do setor têxtil representava, sensivelmente, 10% do total das exportações portuguesas, em 2018, 5314 milhões de euros (M€), uma evolução de 1,9% face ao ano anterior. Por sua vez, as importações situavam-se nos 4307 M€, mais 4,1% face a 2017. Em termos de empregabilidade, os 138000 postos de trabalho, em 2018, figuravam 20% do emprego da indústria transformadora.
Os dois grandes desafios à evolução requerida para este ramo centram-se na própria composição do setor e na falta de recursos humanos disponíveis para a área. Por um lado, o primeiro entrave relaciona-se com o facto de a maior parte das empresas constituintes serem classificadas como pequenas e médias empresas. Neste contexto, Paulo Vaz, Diretor-Geral da ATP, espera que o governo seja capaz de criar incentivos para a concentração empresarial, e que, por sua vez, o tecido empresarial arrisque no design e desenvolvimento de novos produtos mais sofisticados. Por outro lado, a reduzida oferta de mão-de-obra dirigida ao setor industrial tem preocupado os empresários detentores das grandes organizações.  Paulo Vaz declara que o “perfil do país tem mudado radicalmente”, com isto se refere a que as qualificações dos jovens criam desincentivos à procura de futuro nas fábricas por parte dos mesmos.
Concluindo, acho pertinente citar, uma vez mais, Paulo Vaz: “mais vale ser dono de metade de alguma coisa do que ser dono de 100% de coisa nenhuma”. A meu ver, a citação cinge-se a uma crítica construtiva, de modo a apelar à valorização da capacidade competitiva através de empresas de maior dimensão, capazes de sobressair nos mercados internacionais, os maiores consumidores de têxteis produzidos no nosso país.

Margarida Pimenta

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Refugiados, um fardo para a Economia?

Desde 2015 que a União Europeia conhece um afluxo sem precedentes de refugiados que fogem da guerra, de perseguições e da pobreza extrema, constando-se a maior crise humanitária desde a 2ª Guerra Mundial. Perseguições, conflitos e violações dos direitos humanos levam a que muitos arrisquem as suas vidas e enfrentem travessias de morte. Quando falamos de refugiados, falamos de pessoas numa situação de extrema fragilidade emocional, social e económica.
A imagem que a maior parte da população tem da imigração é a de filas de refugiados a caminhar pelas estradas e campos da Europa, insufláveis lotados no mediterrâneo, afogamentos e salvamentos, barcos à deriva, falta de alimentos, campos de refugiados repletos de tendas, entre outros. Isto são tudo situações que, traduzidas em imagens televisivas ou em redes sociais, mais se assemelham com uma invasão da Europa por uma multidão de indivíduos de tez escura.
Paralelamente, e ao invés de estabelecer uma política comum, estruturada e consistente de imigração, ou seja, encarar o problema de frente, os governos europeus limitam-se a pagar à Turquia para reter o fluxo, a negociar discretamente com traficantes e a fixar quotas de acolhimento por país. Não existindo nenhuma política europeia de integração para aqueles que acabam por chegar, o destino normal é sobreviver da assistência da segurança social ou da exploração laboral, e viver em guetos controlados. Todo o cenário assim criado origina, naturalmente, inquietação nas populações.
A Europa recebeu um recorde de refugiados nos últimos cinco anos, mas que em termos demográficos e económicos terá um impacto mínimo, pelo que a crise política que se gerou não se justifica, segundo um relatório publicado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Esta sublinhou ainda que os refugiados trarão um aumento na população em idade ativa nos países europeus em cerca de 0,33%, até 2020. Em alguns países, o efeito do fluxo de refugiados será mais evidente: na Áustria, Grécia e Suécia, os refugiados recentes aumentarão a força de trabalho em até 0,5%; e na Alemanha em até 0,8%. Alguns estudos mostram também que a complementaridade entre as competências laborais dos refugiados e dos nativos pode ter consequências positivas, embora em certos setores possa haver efeitos negativos significativos, ou seja, alguns refugiados podem competir diretamente com os nativos no mercado de trabalho.
No que concerne aos custos de integração dos refugiados, estes variam muito de um país para outro, mas encontram-se entre 0,1% e 1% do Produto Interno Bruto (PIB). O estudo mais recente, publicado em junho na revista Science Advances, mostra que os refugiados começam a “devolver” o dinheiro gasto com eles logo no ano de chegada.
A verdade é que, apesar de todos estes dados favoráveis, a crise de refugiados que se tem vivido nos últimos anos veio trazer ao de cima o pior da humanidade, mostrando que os cidadãos europeus são menos tolerantes relativamente aos estrangeiros do que os líderes esperavam e que os partidos mais radicais transformaram esses eventos em narrativas alarmistas – associadas, normalmente, ao desemprego, à violência, ao terrorismo e à perda de identidade. A tradição de atribuir ao estrangeiro todas as desgraças da nossa existência, para mais quando este apresenta uma tez diferente e professa um credo diferente, é uma constante da História.
Apesar dos muitos progressos feitos ao nível das operações de salvamento no mar e da assistência nas rotas terrestres, há, na minha opinião, ainda muito a fazer ao nível do acolhimento e integração de refugiados. É necessário ajudá-los a encontrar e a permanecer em postos de trabalho, bem como trabalhar mais de perto com uma ampla variedade de partes interessadas na integração de migrantes, incluindo a sociedade civil, o setor privado, os parceiros sociais e órgãos governamentais a nível subnacional. Mostra-se, também, ser essencial criar um plano de crise para identificar parceiros, canais de comunicação e responsabilidades diante de grandes afluxos de pessoas que procuram proteção. Assim, é imperativo e urgente salvar vidas e assegurar as condições básicas de vida aos refugiados.
     
Sara Vieira Ribeiro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Brexit: desmoronamento da União Europeia? O lado negro

Neste momento, a União Europeia vive uma fase de grande tensão político-social, determinada pelo aparecimento de alguns movimentos independentistas. Existe muita incerteza quanto ao futuro: com o Brexit, os meios de financiamento terão de ser reajustados, os investidores terão de ser informados quanto aos possíveis riscos dos seus investimentos, a imprensa terá de consciencializar a população de que poderão estar na iminência tempos de crise e os governos terão de adotar medidas que salvaguardem a estabilidade do país, recorrendo a instrumentos de política orçamental e política monetária. A saída de um país tão influente na Europa, potencialmente provocará uma diminuição da riqueza europeia. 

 
Inevitavelmente, o Reino Unido deixará de ser uma prioridade para a União Europeia e, com os mercados externos a abrandarem, o consumo privado, o investimento direto estrangeiro e as exportações líquidas dos ingleses irão diminuir significativamente, tendo essa realidade, de igual modo, um impacte substancial no seu PIB.
Kallum Pickering, economista do banco Berenberg, estima que menor migração, comércio e investimento entre o Reino Unido e a Europa continental, devido à saída do mercado comum, poderia reduzir o crescimento potencial do país em 1,8% por ano. A verificar-se, essa estatística implicaria uma perda no PIB de cerca de 5,5% até 2030.
Por outro lado, a União Europeia teria de lidar com consequências de alto calibre, logo a começar com uma grande perda de poderio a nível mundial, passando a ser um parceiro comercial menos atrativo e competitivo. Os impactes nesta dimensão seriam tão alarmantes que um estudo conduzido na universidade de Birmingham, em 2017, estimou que o comércio internacional europeu, face ao resto do mundo, sofreria uma queda abrupta de 18,2% caso o Reino Unido saísse da União Europeia.
Existem duas soluções para este problema: ou serão os restantes países Europeus a pagar a riqueza que se perdeu ou poderá recorrer-se aos lucros do Banco Central Europeu. Caso a primeira medida fosse praticada, a queda dos rendimentos reais da economia portuguesa rondaria os 0,5%, como forma de contribuição relativa.


Efetivamente, uma das grandes razões para a intenção de saída do Reino Unido é o facto de que contribui mais em termos financeiros relativamente àquilo que recebe. Um sistema de União Europeia reparte os fundos gerados por todos os países integrantes. Desta forma, essa política favorece os países com economias menos desenvolvidas, como Portugal e Grécia, que acabam por beneficiar financeira e economicamente de certas atividades criadas e sustentadas pelos países líderes da Europa.
Com uma França desestabilizada, teria de ser a Alemanha a carregar a Europa às “costas”. Será que iríamos conhecer a faceta generosa dos alemães, ainda com remorsos das duas grandes Guerras Mundiais? Muita incerteza se instalaria e uma das revolucionadoras hipóteses passaria pela saída da Alemanha deste sistema. Espero estar errado, porém podíamos muito bem assistir a um efeito “bola de neve” e, nesse caso, a partilha de recursos e fatores produtivos poderia diminuir consideravelmente, causando problemas estruturais em todos os países. Por exemplo, ao nível do mercado de trabalho, acentuar-se-ia a dificuldade de afetar os recursos humanos, e, consequentemente, o desemprego friccional aumentaria.


Adicionalmente, um começo da separação europeia leva também a que o BCE tenha cada vez menos reservas e menos depósitos bancários no conjunto dos bancos comerciais europeus, e, com isso, um menor potencial de criação de moeda, já que a concessão de crédito agregada diminuirá.
No que concerne aos mercados financeiros, a subida do preço dos títulos financeiros poderá restringir as possibilidades de investimento para os investidores. Um menor investimento, devido a taxas de juro mais elevadas, leva a uma diminuição na procura nos mercados de capitais. Por sua vez, menor uso de capital acarreta uma diminuição do crescimento económico no longo-prazo.
Em suma, a desagregação europeia, como podemos verificar, apresenta, impreterivelmente, efeitos nefastos. Assim sendo, as ações políticas recomendáveis passariam por amenizar esta saída do Reino Unido com o estabelecimento de contratos comerciais de mercadorias e de fluxos de pessoas que sejam flexíveis, permitindo que o ajuste das economias europeias acarrete menores custos totais. Acima de tudo, o grande objetivo é que a estrutura se mantenha coesa, e, isso implicará entreajuda entre os diferentes governos, mais do que nunca.

Tiago Almeida Ribeiro

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

O consumismo

con·su·mis·mo
(consumo + -ismo)
substantivo masculino
Hábito ou ação de consumir muito, em geral sem necessidade.
Palavras relacionadas: ostentatório, infrene

Com o desenvolvimento dos produtos de curta duração, ou seja, que rapidamente precisam de ser substituídos, despertou-se na sociedade a necessidade de comprar sempre mais, para permutar o que se encontra velho e gasto por algo novo e brilhante. Este tipo de comportamento foi levado ao extremo quando as pessoas começaram a comprar desenfreadamente, sem pensar na utilidade dos produtos e na necessidade pessoal.
O aparecimento da publicidade foi também fomentando o consumo desinibido e compulsivo. O incentivo constante e o apelo à necessidade de certos artigos, com o bombardeamento diário de anúncios sobre o mais recente artigo de cozinha ou o shampoo milagroso que devolve cabelo, tudo isto leva a que as pessoas consumam mais sem pensar se realmente precisam.
Mas não me entendam mal. Não estou a dizer que o consumo não é bom para a economia e o seu desenvolvimento. Contudo, devemos ter em atenção a forma como consumimos e o nosso comportamento perante tal ato.
Se olharmos para o mais recente evento que apoia o consumo infrene, a Black Friday, constatamos que uma porção da sociedade é movida não pela necessidade real de certos bens ou serviços mas pela vontade insustentável de possuir artigos que não serão olhados uma segunda vez e que serão guardados com a justificação que um dia poderão fazer falta. Umas das principais razões que leva a um aumento do consumo neste dia são os vários descontos e promoções que ocorrem em variadas lojas, tanto de luxo como de baixos preços, que manipulam o comprador fazendo-os acreditar que efetivamente estão a obter um bom preço pelos seus artigos, porém não passam de meras utopias. De facto, as promoções não são diferentes dos habituais “saldos” ou “mid-season”, que acontecem ao longo do ano, com o acréscimo de andarmos colados a todas as pessoas dentro da loja como “sardinhas em lata”.
Este tipo de consumo não segue as normas de um consumo sustentável, racional e com o peso social do que a sua compra trará para as gerações futuras e, portanto, não é um modelo por onde nos devemos guiar.
Uma outra palavra associada a todo este cosmos é o consumerismo, que se baseia no ato oposto ao consumismo. Prende-se em valores sociais, vinculado num consumo racional, com atenção a certos pormenores, como, por exemplo, a informação sobre o produto ou uma seleção previamente definida do que irão comprar com vista a tornar o ato de consumir um ato sustentável.
Em suma, é evidente que vivemos numa sociedade em que se mede o sucesso e o valor de uma pessoa pela quantidade de sacos com que sai de um shopping ou pelas marcas que usa, dando mais enfâse ao que se tem do que ao que se é, criando, desta forma, um ambiente baseado na ostentação e na ânsia de ter mais e melhor. Porém, no meu ponto de vista, há certos valores que deveriam falar mais alto. Apelando, assim, à consciência de cada consumidor para que tenha perceção das consequências que cada panela ou par de calças traz, como, por exemplo, a nível ambiental ou a nível dos direitos dos trabalhadores que fabricam estes bens.

Mariana Carvalho

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Obesidade infantil em Portugal

Segundo Ana Cristina Monteiro, endocrinologista pediátrica do Hospital CUF Descobertas, a obesidade é definida como: “uma doença crónica e complexa, com uma prevalência crescente em todo o mundo e considerada pela Organização Mundial de Saúde como a epidemia global do século XXI”.
Através dos dados da 5ª fase do COSI Portugal (Sistema de Vigilância Nutricional Infantil do Ministério da Saúde), foi possível registar uma diminuição do excesso de peso nas crianças de 37,9% para 29,6% de 2008 a 2019.
Por um lado, é de conhecimento geral que a obesidade é formada pela acumulação excessiva de gordura, ou seja, a quantidade de calorias que são ingeridas correspondem a um nível muito mais elevado daquelas que são desgastadas. Por outro, a causa para este excesso de gordura é explicada muitas vezes pela composição de uma pessoa, isto é, devido a aspetos metabólicos e genéticos, no entanto a cultura do país e o próprio ambiente social têm um impacto elevado neste assunto.
A verdade é que, infelizmente, com toda a informação existente, continua a haver um elevado número de crianças portuguesas com excesso de peso. Fatores como o sedentarismo, aliado a uma dieta hipercalórica, a ausência de um horário de refeições e a publicidade fast food não ajudam a combater a obesidade, pois estas condições, combinadas ou até mesmo isoladas, contribuem para o aumento da mesma.
Na minha opinião, é importante a prática de atividades físicas. O simples brincar à bola no parque ou jogos tradicionais, como jogar à mata, macaquinho de chinês, entre outros, que exigem um esforço físico e que são de grande deleite, já não são habituais. Hoje em dia, as crianças estão habituadas a fazer desporto na escola, e por isso veem essa atividade como obrigatória e não de prazer.
         Outra questão que é em grande parte responsável pelo excesso de peso é a alimentação. O consumo de alimentos fast food é algo que é combatido há muitos anos. Os programas escolares tentam ensinar às crianças como são os hábitos saudáveis que devemos ter e os seus benefícios, e as consequências, caso escolham ter um consumo de produtos alternativos. Porém, estes são os que ganham, pois devido aos corantes e todas as modificações a que são sujeitos tornam-se mais saborosos e apelativos para os mais novos. Vários especialistas são a favor de que se deve adotar uma alimentação mais saudável e não reduzir drasticamente, pois como estão em fase de crescimento, o objetivo é manter o peso para depois ser adequado à altura que a criança irá ter.
A quantidade de publicidade de alimentos hipercalóricos que passa na televisão é elevadíssima, e é compreensível, para mim, que, enquanto criança, esses sejam os alimentos mais apetecidos. Os legumes e outros alimentos mais nutritivos não parecem tão saborosos, e a imagem que é transmitida pelos anúncios é que os chocolates, os hamburgers e as bolachas são muito mais divertidos para se comer.
 Em suma, eu acredito que a nova geração não tem a alimentação mais adequada, porém estas são apenas vítimas do meio social envolvente e dos hábitos alimentares que lhes são ensinados. Além disso, estes não têm culpa por ter nascido num século tão modernizado. Apenas escolhem fazer o que lhes dá mais satisfação, normalmente, ficar em casa ao invés de ir brincar para o parque. Para mais, a prática de exercício físico extracurricular é um serviço que a maior parte das vezes é pago, e muitas famílias não têm possibilidades financeiras ou não têm flexibilidade no horário para levar e ir buscá-los, por isso acabam por não fazer nada.
Para combater a falha da publicidade, esta devia sofrer uma redução ou então devia ser passada em horários menos visíveis por crianças. Como é óbvio, a publicidade é uma ajuda ao negócio e é usada com o propósito de influenciar a mente dos mais pequenos, mas não é o mais correto, pois estes não têm capacidade para perceber que aquele género de comida só traz problemas de saúde futuros.

Ana Catarina Dias

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Deixaremos de lavar a roupa?

          O primeiro impacto perante esta possibilidade pode ser estranho, mas o futuro não pára de nos surpreender e, portanto, as máquinas de lavar roupa, detergentes e ferros de engomar poderão ter os dias contados. De facto, a sociedade não se encontra formatada para pensar na possibilidade de utilizar a mesma camisola três semanas consecutivas sempre com o cheiro a lavado.
É com este propósito que Mac Bishop, fundador da start-up que desenvolveu a marca Wool&Prince, lança o conceito de roupa sem necessidade de lavagens constantes, mantendo-se limpa e perfumada e sem se amarrotar. O segredo está no tipo de matéria-prima empregue, a lã merino, já utilizada, em parte, na confeção de roupa desportiva. Esta lã mostra-se resistente a odores e bactérias e capaz de regular a temperatura corporal.
Apesar do longo caminho que tem pela frente, este tipo de vestuário consegue ser destacável do demais, no sentido em que há uma relação intrínseca com responsabilidade e sustentabilidade do meio ambiente, que tem sido uma constante. Deste forma, é possível uma dupla redução envolvendo custos financeiros e custos ambientais, uma vez que cerca de 17% do consumo de água que é gasto em casa tem como finalidade a máquina de lavar roupa. Para além disto, é importante salientar que todo o processo da lavagem da roupa, desde a separação de cores à arrumação, é cansativo e por alguns considerado chato. É neste sentido que se destaca a sua conveniência para uma geração desapegada de bens, que sugere dar mais valor à experiência em detrimento dos objetos físicos, e que passa parte do tempo a viajar.
Contudo, o maior entrave à produção de vestuário incorporando a lã merino prende-se com a necessidade de aplicação de fibras sintéticas que não são recicláveis. Em contrapartida, a Pangaia consegue resultados 100% recicláveis. Esta empresa, que surgiu no final do ano passado, comercializa indumentária à base de fibras de algas, corantes naturais fabricados através de plantas e frutos e óleo de hortelã-pimenta para garantir o ar fresco acabado de lavar.
Portugal não passa despercebido a este conceito, uma vez que a roupa da Pangaia é produzida em fábricas a nível nacional. Esta empresa apurou que, face ao modelo tradicional de roupa em algodão, uma t-shirt produzida segundo estes procedimentos poupa até 3000 litros de água no seu ciclo de vida. Efetivamente, não estamos preparados para pensar qual seria a poupança total, em litros de água, de uma diminuição da comercialização de peças em algodão.
Em adição, a dificuldade desta tendência relativamente à massificação da produção e à redução de custos constitui, igualmente, um obstáculo. Se, por um lado, temos a dificuldade da produção em quantidades suficientes para a eventualidade de, um dia, a procura se tornar elevada, por outro, encontramos os preços ainda relativamente elevados, o que coloca estes produtos fora do alcance de todos. Nestas circunstâncias, fica aquém a possibilidade de mudança por parte de toda a população pela incessibilidade daqueles que apresentam menos possibilidades.
Concluindo, e realçando a minha opinião, o maior obstáculo está no convencimento do consumidor para a ideia de não precisar de lavar roupa com tanta frequência para esta se manter realmente limpa. Finalmente, acho que será um conceito difícil de se estender a todo o tipo de vestuário e, por isso, as máquinas de lavar roupa não irão desaparecer na sua totalidade. No entanto, se surgir oportunidade de provar tal lançamento, encontro-me bastante curiosa.  Afinal, está à vista de todos que o processo de mudança para a sustentabilidade do meio ambiente está cada vez mais individualizado e depende de pequenas mudanças.

Margarida Pimenta

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Será a ´Black Friday` real?

A Black Friday surgiu nos Estados Unidos como uma oportunidade para o comércio tradicional aumentar a sua faturação através da concessão de descontos, na sua maioria das vezes, consideráveis. No seguimento desta ação pioneira, muitos países implementaram também este ritual, ao qual Portugal não podia também escapar.

Como seria de esperar, a adesão inicial à Black Friday em Portugal foi massiva. Porém, os portugueses têm o hábito de deturpar os conceitos de forma a que sejam tidos em conta maioritariamente os seus próprios interesses. Especificando, ao longo dos anos, vimos casos em que os comerciantes usam a Black Friday para seu exclusivo proveito, não tendo em atenção o lado do consumidor.

Os consumidores, uma vez que não têm a informação completa, na tentativa de comprarem os produtos que necessitam com desconto significativo, acabam por utilizar o dia em questão para adquirir grande parte dos produtos que necessitam. Nesse sentido, são muitas vezes iludidos pelas falsas alegações do conceito generalizado e internacional deste dia.

No entanto, alguns consumidores já começam a ter a noção clara de que, em algumas situações, a Black Friday não passa de uma artimanha. Entre eles há a crença de que nas semanas anteriores à Black Friday os preços são inflacionados de forma a que no dia do veredicto, os descontos sejam maiores e mais atrativos com o intuito de influenciar a compra. A questão que se coloca é: não existirá uma potencial situação de fraude contra o consumidor ?

Na minha opinião, a resposta tanto pode ser um sim como um não. O ponto fulcral de qualquer compra realizada na Black Friday é o consumidor se manter informado de forma a conseguir perceber se o desconto e preço apresentados são válidos ou se está a ser vítima de fraude. Neste sentido, a Deco já apresentou um site que permite fazer a comparação de preços de alguns produtos em diversos sites nos 30 dias anteriores à Black Friday. Isto é mais uma ótima iniciativa a favor dos consumidores e do processo de decisão de compra informado e justo.

É agora necessário alertar cada vez mais os consumidores para a possível ilusão da Black Friday e, aliado a isto, para a existência de possíveis mecanismos de combate à fraude e seu respectivo uso.


Rita Isabel Afonso Leite

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]