segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Indicadores do consumo privado e da actividade económica melhoram – Outubro de 2009

A economia portuguesa volta a dar sinais de melhoras. Indicadores do Banco de Portugal mostram que a actividade económica nacional continuou a recuperar em Setembro. Os indicadores mostram um aumento do consumo privado e uma melhoria da confiança dos consumidores, acompanhados por um abrandamento da queda da actividade económica.
O indicador coincidente da actividade mensal registou, em Setembro, uma variação homóloga negativa de 0,5%, representando assim uma recuperação face aos meses anteriores. É de salientar que este já é o quinto mês consecutivo em que se registam melhorias neste indicador, que apesar de ainda se encontrar em valores negativos, tem evoluído gradualmente para valores positivos.
O indicador coincidente do consumo privado subiu para dois pontos em Setembro, quando em Agosto estava em 1,0, continuando assim numa trajectória ascendente que teve início em Maio, após mínimos de -1,3 em Março e Abril. O consumo privado é o principal motor da economia, e em Portugal vale dois terços da criação de riqueza. Não é de admirar que esta subida seja uma boa notícia. Mas a crise, devido á economia portuguesa ter gasto mais do que devia, levou a que se pedisse aos portugueses para pouparem. Logo, há aqui uma certa contrariedade entre poupança e consumo. O que levou Vítor Constâncio, governador do Banco de Portugal, a afirmar em Julho deste ano "Se a poupança aumentar [até 2010] mais do que se espera [a situação económica] pode ser pior", acrescentando que "Há uma grande incerteza quanto ao andamento do consumo". Com isto podemos pensar que o ambicionado seria que o consumo aumentasse moderadamente, sem ultrapassar as possibilidades do rendimento disponível, o que faria com que a poupança não fosse acentuada, dando possibilidade á recuperação da economia.
O indicador de confiança dos consumidores mostra por seu lado a melhoria mais débil. Passou de -31 em Agosto para -30 pontos percentuais em Setembro, mas está em subidas há sete meses consecutivos. Não esquecer o valor muito baixo, o mínimo deste ano, em Fevereiro, de -53. E superou também a média de 2008, ano em que no último trimestre já se sentia a crise internacional. Está também muito próximo do valor de -29 relativo a 2007. Esta melhoria deve ser produto do comportamento positivo demonstrado nas repostas sobre as perspectivas da situação económica do país e do agregado familiar e também devido ao menor pessimismo sobre a evolução do desemprego nos próximos meses.
Tal como o indicador de consumo, o indicador coincidente mensal de actividade económica continuou também a trajectória de subida, mas permanece ainda em terreno negativo. O indicador de actividade económica, negativo desde o terceiro trimestre de 2008, depois de mínimos de -3,0 em Março e Abril, estava no mês passado, Setembro, em -0,5. Estava ainda longe do valor de 2007 (2,0), mas próximo da média do ano passado (-0,4).
Apesar das melhorias nos indicadores, nada de ilusões, pois o ambiente continua a ser de incerteza, e toda a calma e prudência é necessária. Por um lado, é de salientar que os indicadores caracterizam a variação face ao mês de Setembro de 2008, altura em que a crise económica desvendou a sua verdadeira face. É, por isso, natural que se registem melhorias significativas. Por outro lado, os indicadores de conjuntura do BdP mostram que, apesar do caminho percorrido em sentido positivo, a economia portuguesa tem ainda um extenso caminho a percorrer até à recuperação. Exemplos disso são os dados da construção, que voltaram a piorar, confirmando que o sector foi mesmo um dos mais afectados pela recessão. As vendas de cimento recuaram 14,2% face ao período homólogo, ao passo que o indicador de confiança do sector voltou a cair - regista agora 43 pontos negativos -, depois de ter recuperado muito ligeiramente em Agosto.
Concluindo, estes indicadores do BdP podem ser uma comparação em relação ao ano em que a crise se revelou, mas os valores positivos que apresentam não deixam de ser uma boa noticia por esse facto. Convém ser contido nas expectativas, pois parece me que ainda há um vasto caminho a percorrer para a recuperação económica.

Hugo Oliveira
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

domingo, 13 de dezembro de 2009

Governo recusa aumentar impostos

Com a divulgação do défice das contas públicas esperado para Portugal no ano de 2009, num valor próximo dos 8% deixou economistas e o governo preocupados. Havendo necessidade de arranjar soluções credíveis para atingir o objectivo definido pelo governo de o reduzir para valores próximos dos 3% até ano de 2013.
Segundo Teixeira dos Santos o motivo para um défice tão elevado seria a quebra da receita garantindo também que não há derrapagem na despesa. Teixeira dos Santos sublinhou também que é a quebra das receitas que na generalidade dos países da Europa está a ser responsável pelos maus resultados orçamentais. Perante esta explicação o que o ministro das Finanças deu a entender que o problema estaria na diminuição das receitas e por isso a solução passaria por um aumento dos impostos. Mas este pensamento vai, pelo menos para já, contra as ideias do governo que garantiu que durante esta legislatura não aumentaria os impostos.
Mas se formos racionais uma diminuição das despesas públicas não será, pelos menos na minha opinião, a maneira mais eficaz da reduzir o défice. Será solução sim, se for realizado conjuntamente com um aumento dos impostos.
Uma coisa é certa, qualquer um dos métodos utilizados para atingir o objectivo terá efeitos sociais. Se a medida passar por um aumento dos impostos, os grandes prejudicados serão os contribuintes que verão as suas despesas aumentarem, o que numa situação tão delicada como é o caso de Portugal poderá ter efeitos negativos. Por outro lado, se a medida passar por uma diminuição da despesa pública, também terá efeitos sociais. Visto que uma diminuição de despesa publica terá também efeitos nas condições dos funcionários públicos.
Assim sendo é inevitável o governo não cumprir a promessa feita. Apesar de não concordar, pois na minha opinião não deverão ser sempre os contribuintes a pagar por soluções que não tiveram os efeitos desejados por parte do governo, ou então por investimentos que não foram bem planeados e pensados. Mas é mesmo a única opção a tomar.
Se o mesmo não acontecer país poderá chegar a 2013 com um défice entre os 5 e os 6 por cento e uma dívida pública próxima dos 100 por cento do PIB, situação essa impossível de remediar.
Outra solução possível passaria por uma manutenção dos estímulos à economia, esperando pelo fim da crise por tomar uma medida com vista a diminuição do défice. Para já deverá ser esta a solução a tomar por parte do governo, tal como afirmou a comunicação social José Sócrates "Os programas de sustentação das finanças públicas de redução dos défices orçamentais só devem ser adoptados depois da crise superada, depois da recuperação económica ser visível e sustentável". Esta solução também será, na minha opinião arriscada, visto que nem sempre a economia cresce da maneira prevista.
Assim sendo veremos no futuro quais as decisões a ser tomadas pelo governo. Se vai cumprir a promessa e não ficar mal visto pela população em geral, esperando por uma retoma da economia para em seguida proceder a uma outra medida, mas nunca passando pelo aumento dos impostos. Ou se por outro lado, ser racional e ficar no curto prazo mal visto pelos portugueses podendo no longo prazo atingir os objectivos da economia.
Pedro Manuel Oliveira Gonçalves
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

BCE fecha a torneira

O Banco Central Europeu decidiu retirar as condições extraordinárias que concedeu no crédito junto á banca, uma medida que tem como intuito principal retirar do mercado o excesso de liquidez que poderia levar a inflação e bolhas no mercado financeiro. No entanto, Jean-Claude Trichet, presidente do BCE, garante que nos próximos meses a liquidez continuará abundante.
Esta medida pode ser vista como uma resposta ao início do fim da crise financeira, abandonando as ajudas que estavam a ser dadas aos bancos. Estes terão agora que procurar financiamento junto aos mercados de crédito, deixando assim que o mercado caminhe para o equilíbrio de liquidez e taxas de juro. Contudo, surgem algumas desconfianças de como esta medida pode agravar a inflação para os próximos anos, isto porque esta medida deixa a entender que o BCE se está a proteger de um eventual aumento das taxas de juro. Ao manterem-se os empréstimos á banca a taxas fixas, poderia haver uma corrida por parte dos bancos a financiamento junto do BCE para obterem financiamento a baixo preço. Este regresso por parte das instituições bancárias a obterem financiamento junto aos mercados de crédito trás alguns problemas para os bancos, como declara o economista Don Smith ao Financial Times, "há determinados bancos que vão conseguir obter financiamento (nos mercados de crédito) a níveis relativamente baratos, isto porque têm balanços fortes","Por outro lado, alguns dos bancos mais pequenos poderão ter dificuldades em financiar". Desta forma estes bancos poderão passar por dificuldades já que também não podem contar com o apoio do Estado e dos Bancos Centrais. Os investidores irão agora ser mais cuidadosos na escolha dos bancos que dão melhores garantias do cumprimento de responsabilidades.
O BES, um dos maiores bancos em Portugal, pelas palavras do seu administrador financeiro Amílcar Morais Pires, assume-se preparado para esta medida, "temos um plano de financiamento. Esta emissão (de dívida sénior) que fizemos já faz parte do plano de refinanciamento para 2010."
O fim das medidas extraordinárias por parte do BCE vai levar ao aumento das taxas Euribor, os indexantes mais usados nos empréstimos em Portugal, e irá assim reflectir-se junto do crédito concedido aos consumidores e empresas tornando-o mais caro. As empresas portuguesas podem ficar numa situação mais complicada em comparação com as congéneres europeias, a nossa economia é pequena e existe uma grande incerteza em relação ao futuro, o que levará a que as restrições ao crédito em Portugal sejam superiores às existentes na Zona Euro. Por cá, as restrições no acesso ao crédito bancário aumentaram no terceiro trimestre de 2009, na Zona Euro tem-se verificado o oposto, com a diminuição das restrições ao crédito. O aumento das taxas Euribor vai levar também ao aumento dos encargos com os empréstimos, a Euribor a três e seis meses encontram-se abaixo de 1% que é o nível actual determinado pelo BCE, sendo estes indexantes utilizados nos empréstimos à habitação, antevê-se assim um aumento dos encargos das famílias com as prestações bancárias.
O aumento das taxas de juro leva também a benefícios, a subidas dos juros valorizam as poupanças, e com esta crise no sector financeiro muitos investidores abandonaram o mercado bolsista e transferiram as suas poupanças para produtos mais seguros como os depósitos, tornando neste ponto de vista benéfica a medida tomada pelo BCE.

Francisco Guerreiro
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Os "favores" e o enriquecimento (in)justificado

Em Portugal, não é novidade falar-se de favores. Mais grave é quando esses "favores" saltam para a praça pública, e mais grave ainda, quando entre os visados se encontra, o presidente de uma empresa na qual o Estado português é accionista maioritário (José Penedos - REN), um ex-secretário de Estado (Armando Vara), e várias empresas públicas ligadas a Manuel José Godinho (Refer, IDD, CP entre outras).
O caso "Face Oculta" levanta a discussão de qual o processo de selecção dos gestores e administradores das empresas públicas. Mais uma vez o Governo vê a sua imagem manchada, e tudo isto numa fase em que a economia portuguesa necessita de um governo que mostre o caminho a seguir, que transmita confiança, que se demonstre presente e atento para assim auxiliar uma recuperação económica que não se vislumbra fácil.
Este caso envolve suspeitas de crimes económicos, corrupção passiva e tráfico de influências, acções estas que envolvem empresas públicas. Todas estas suspeitas ajudam a acumular a desconfiança dos cidadãos, consumidores e investidores, na verdade existente na economia portuguesa, na qual, ao que parece, nem mesmo o Estado é correcto. Como pode o investidor pensar em alocar parte do seu rendimento em investimentos em áreas nas quais existam empresas públicas se, mesmo contra estas, se sofre uma concorrência desleal. Ou será que todas as empresas presentes em ramos onde existam empresas públicas tiveram também que recorrer a este tipo de estratégia para conseguirem ganhar concursos públicos.
O conhecimento destes "esquemas" para ultrapassar o sistema levanta também a suspeita sobre o enriquecimento injustificado. As novas regras em relação ao sigilo bancário fez com que o Fisco ficasse com mais dificuldade em punir os contribuintes que apareçam subitamente com uma conta bancária com valores avultados, ou que façam despesas desproporcionais ao seu rendimento. As alterações à Lei Geral Tributária, que entraram em vigor em Setembro deste ano prevêem que a administração fiscal só pode socorrer-se de métodos de avaliação indirecta para obrigar o contribuinte a pagar o seu enriquecimento injustificado, se este verificar um aumento de património ou despesa superior a 100 mil euros. Ou seja, se o valor for inferior a 100 mil euros, o contribuinte escapa ao imposto. Mas nem tudo são aspectos negativos, esta nova redacção da lei traz mais facilidade em punir aqueles enriquecimentos de maior valor. Contudo, fonte da administração fiscal revela que a aplicação de métodos indirectos com este fundamento envolvem na sua maioria valores inferiores a 100 mil euros, até porque os contribuintes que possuem valores mais elevados têm maior facilidade em dissimular o enriquecimento.
A aparição de casos como o "Face Oculta", faz repensar a necessidade da mudar as regras para o enriquecimento injustificado e do sigilo bancário, pois torna-se cada vez mais evidente a necessidade de tornar a economia mais transparente, e as punições cada vez mais necessárias, para que suspeições como estas deixem de existir.
A justiça portuguesa tem fama de lenta, penosa e ineficaz em muitos casos. Todas estas razões levam a que, por cá, a própria justiça é vista como suspeita, onde as burocracias, recursos e investigações levam a que os processos demorem anos a ser resolvidos, ou em muitos casos, a prescreverem. Uma justiça que pelas palavras de Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados, encontra a sua maior fragilidade, não na lei, mas na sua aplicação, e culpabiliza os magistrados pela demora na resolução dos processos, juízes que invocam a "independência dos tribunais para não justificarem processos". António Martins, da associação sindical dos juízes, diz que o problema não esta nos juízes, magistrados ou investigadores, mas sim na legislação, considerando que os problemas dos processos penais são "a falta de celeridade, falta de eficiência, falta de credibilidade". É o jogo do empurra, pois por muito conhecidas que sejam as fragilidades do sistema de justiça em Portugal, a verdade é que a poucas mudanças se têm assistido.

Francisco Guerreiro
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Momento ideal para a retirada dos apoios do Estado às empresas?

St. Andrews, Escócia, 6-7 de Novembro. Os líderes do G20 debateram a retirada dos apoios, isto depois de Bruxelas ter avançado com uma melhoria das previsões económicas. Destacamos a Alemanha, Estados-Unidos, França, Reino-Unido, Japão, Rússia, Brasil e principalmente a União Europeia entre os 20 membros do G20. Antes desta reunião, houve um encontro do G20 em Pittsburgh, nos Estados- Unidos, de que resultou um consenso que incidiu sobre o pagamento dos bónus ao longo de vários anos, o reembolso no caso de prejuízos, maior transparência dos contratos e a imposição de limites dos bónus em relação ao rendimento total da instituição embora não tenham sido impostos valores. Recorde-se que em Pittsburgh, o G20 concordou que não era a altura para retirar os apoios, isto é, estímulos à economia. O grupo frisou também na altura que essa retirada de apoios teria que ser planeada e organizada pelas maiores economias de forma a não prejudicar a recuperação de outros países. Essa decisão tem que ser bem reflectida, porque pode causar sérios distúrbios na economia, uma vez que muitos comentadores económicos dizem que a economia ainda está frágil, e qualquer decisão com influência sobre a economia tem que ser bem ponderada.
O Fundo Monetário Internacional, convida os Ministros das Finanças do G20, reunidos na Escócia, a não se deixar iludir pela melhoria económica. Uma retirada prematura dos apoios às empresas pode sair caro, e lembra aos principais dirigentes do mundo para não repetir os mesmos erros dos anos 1930, anos depois da grande crise financeira de Wall Street de 1929 (Crash de 1929), em que a retirada prematura dos apoios às empresas, conduziu a duríssimas consequências. O FMI diz ainda que a retoma da economia mundial ainda é muito frágil e ainda é dependente das injecções do Estado. O Fundo Monetário Internacional lembra ainda a crise dos anos 1990 no Japão, em que uma retirada prematura da política de relançamento, ditou enormes custos. O FMI quer avisar o G20 das consequências que pode ter essa retirada prematura dos apoios do Estado.
O facto de o país poder voltar a entrar numa crise se o Governo decidir retirar os apoios estatais às empresas, preocupa bastante o presidente da Confederação da indústria Portuguesa (CIP), Francisco van Zeller. É preciso « manter os apoios que estão a ter lugar, porque se retiram os apoios há o perigo de se regressar à crise» afirma Francisco Van Zeller. Para o presidente da CIP ainda «não é seguro (retirar os apoios) e é preciso manter muita atenção», apesar da situação actual ser melhor do que há 6 meses.
Relativamente à criação de emprego, Van Zeller considerou que a economia não vai gerar mais empregos do que aqueles que se perdem antes de um crescimento acima dos 2,5%, o que significa que a taxa de desemprego só deve descer depois de 2011, dado que as últimas previsões económicas apontam para um crescimento de 0,3% em 2010 e de 1,5% no ano seguinte. Van Zeller defendeu ainda o aumento das reformas antecipadas dos trabalhadores mais velhos, de modo a reduzir o desemprego entre os mais jovens. «Uma das soluções para atenuar o desemprego dos mais jovens, é a substituição dos empregados mais velhos por desempregados jovens, normalmente mais qualificados, dando-lhes reformas antecipadas», continua Francisco Van Zeller.
É impensável retirar os apoios pelo menos até 2011. A situação está estabilizada. Os maiores perigos estão ultrapassados e é natural que os líderes europeus precisem de discutir, nesta altura, o fim dos apoios do Estado, sobretudo por causa do défice orçamental. As confederações patronais pediram ao primeiro-ministro, José Sócrates, para que mantenhamos apoios estatais às empresas durante pelo menos 2 anos.
O aumento do salário mínimo deve ser repensado. Relativamente ao aumento do salário mínimo nacional em 2010, acordo que previa o seu aumento gradual até aos 500€ em 2011, deverá voltar a ser debatido. Van Zeller diz que «é preciso reduzir ao máximo as consequências deste aumento e fazer um plano de longo prazo, com objectivos naturalmente ambiciosos». Temos de nos lembrar que se hoje em dia existem muitos empregadores de empresas com salários em atraso, como será a situação em 2011? E ainda para mais sem apoios do Estado. É uma situação que tem de ser estudada, porque a taxa de desemprego pode subir consideravelmente.
Alistair Darling, ministro das Finanças do Reino-Unido, disse que os poderes públicos dos países do G20 vão continuar os planos de relançamento económico, até que a retoma económica esteja garantida, e que um novo sistema de controle esteja estabelecido, que tem como objectivo reequilibrar o crescimento mundial e evitar futuras crises. Alister Darling acrescenta: «Penso que podemos chegar a um acordo que garanta em primeiro lugar que não vamos retirar instantaneamente os apoios, porque a retoma não é omnipresente».
Alguns indícios dão ideia de que o fim da crise financeira e económica está para breve. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, diz que todo e qualquer apoio tem que ser justo, calculado e que permitir ao sistema financeiro dar a contribuição necessária para o futuro crescimento económico.
O presidente do BES (Banco Espírito Santo) defendeu que a retirada dos estímulos às economias europeias é «prematura», pois os países enfrentam ainda os efeitos da crise. Ricardo Salgado salientou: «A Europa talvez esteja a exagerar um pouco ao querer retirar estímulos, que foram muito menores que os conseguidos nos Estados Unidos e na China». O Presidente do BES considera «extraordinário que a União Europeia esteja já nesta altura a pensar retirar os estímulos à economia, o que vai obrigar os países a um esforço enorme», tendo frisado que estão já medidos os estímulos concedidos nas principais zonas económicas do mundo, sendo que na Europa os apoios não representam mais de 2%, contra 6% nos Estados Unidos e 15% na China. Em causa estão os apoios concedidos pelo Estado para enfrentar a crise, através de medidas como as garantias estatais aos empréstimos bancários, o aumento do esforço financeiro para os subsídios de desemprego e o prolongamento deste subsídio.
Esta decisão é muito perigosa e a maioria dos economistas concordam que este não é o momento indicado para retirar os apoios do Estado. Penso que a retirada só pode acontecer uma vez que a economia esteja estabilizada, antes é muito perigoso, pode criar problemas nas empresas e consequentemente para os seus trabalhadores, que podem tornar-se desempregados. A taxa de desemprego pode subir, e isso pode piorar a situação em Portugal. A subida do desemprego pode significar uma subida da violência e dos assaltos, que neste momento já são muito frequentes. A retirada dos apoios dos Estado às empresas pode causar vários distúrbios na economia e por isso tem que ser bem ponderada.

Michel Pereira Pinto

Bibligrafia: “Jornal de Negócios”
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

La tasa de paro en España dobla la media de la zona euro

España en los últimos meses ha vuelto a ser el país de la unión europea con más desempleados. Fue el país europeo en el que más pronto se trasladó la crisis sobre el empleo.
El alza del desempleo español causa preocupación por sus efectos sobre el gasto del consumidor una vez que esta disminuye la población activa.
La tasa de paro en España alcanzo en el primer trimestre del año el 17,4 %, su mayor nivel desde finales del 1998, y también se ha acelerado el ritmo de destrucción de empleo.
El rápido y fuerte deterioro del mercado de trabajo está añadiendo bastante presión a los bancos de forma que los impagos y la morosidad está creciendo. Esto empieza a ser un problema a principios del 2008 en donde el banco de España ha multiplicado su tasa de morosidad, pero sin duda , el deterioro más grave viene siendo en el sector inmobiliario, llegando alcanzar una tasa de morosidad del 6,1%. Entonces este empeoramiento del mercado laboral y la tasa de morosidad obligan a que los bancos reduzcan los ritmos de sus préstamos de forma que la recuperación del consumo se está retrasando.
Aunque el deterioro del mercado laboral español no está siendo igual de intenso en otras economías europeas, éstas también verán incrementadas su tasa de paro, y esto hace que se aleje la posibilidad de un reapunte temprano en la demanda de los consumidores.
Después de esta situación la crisis española durará algunos trimestres más que en el resto de Europa, y su recuperación será lenta, débil y frágil.
En cuanto al panorama laboral, uno de los temas más preocupantes para los españoles hoy por hoy, las previsiones son bastantes catastróficas para toda la próxima década. Según estas previsiones la creación de empleo se reducirá a 30.000 puestos de trabajo anuales, Entonces sin una reforma laboral el paro superara el 20% tanto en 2009 como 2010 y no bajara hasta recién dos años después, eso es en el 2012.
En el caso de la construcción se prevé que no se estabilizara hasta el 2011, y e l turismo se recuperara en los próximos meses mientras que el sector servicios y la industria se recuperarán a mediados del 2010.

Marta Oliveira Gil
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O crescimento da economia e os pobres

De há uns anos a esta parte que se tem vindo a notar um fomento do buraco entre indivíduos que recebem salários altos e indivíduos que recebem o salário mínimo, ou subsistem em condições contratuais mais adversas. Assim, a classe dita média tem vindo a desaparecer e ver diminuídas condições para que subsistam em tais condições.A actual conjuntura economia é propícia a condições mais precárias a nível contratual e até mesmo a nível das condições de trabalho, levando por vezes as empresas menos preparadas para reagir a uma situação de falência.
Toda esta situação económica e social tem vindo a fazer emergir novos paradigmas para as empresas e cabe a estas lançar um novo olhar para novas oportunidades de negócio e relançamento da economia.
Contudo, existe um segmento de mercado que não tem vindo a ser considerado como tal a nível histórico mas que pode surgir como um marco importante e um novo olhar sobre todas as questões emergentes. Falamos assim dos pobres.
É importante realçar que os pobres referidos não tratam os mais pobres dos pobres que segundo alguns estudos vivem com menos de 1 dólar por dia. Falamos de indivíduos numa situação de pobreza relativa com rendimentos anuais abaixo dos três mil dólares.
Inversamente ao termo que tem vindo a surgir de “novos-ricos”, a actual situação socioeconómica faz surgir, por sua vez o termo “novos-pobres”. Este termo pode retratar indivíduos que viviam na designada classe média e que por força do desemprego, entre outros, passou a uma situação de pobreza relativa, entre tantos outros exemplos.
Contudo, o poder de compra deste segmento de mercado, considerado como a base da pirâmide social, quando agregado vale biliões. Existe um termo que os designa como “Next Four Bilion”, sendo que quatro mil milhões de consumidores com tais características, juntos, valem cerca de cinco mil milhões de dólares.
Desde já podemos fazer referencia a Philip Kotler, intitulado de o homem dos “4P”, seja “product, price, place, promotion” e com 78 anos é apontado como a maior autoridade mundial do “marketing” e ainda considerada a sexta pessoa com mais influência no mundo dos negócios, pelo “the Wall Street Journal”. Philp Kotler salientou que “o crescimento da economia mundial dependerá da forma como se conseguir transferir o poder de compra para as mãos dos mais pobres, seja desenvolvendo produtos apropriados e baratos, seja promovendo o empreendedorismo”.
Segundo o World Resource Institute, o segmento da clase média conta com 1,4 mil milhões de pessoas com rendimentos per capita anuais entre três mil e vinte mil dólares, representando um segmento urbano já bastante explorado e sugado. Desta forma, novas oportunidades de negócio podem surgir com as pessoas situadas na base da pirâmide, promovendo o desenvolvimento das empresas, da economia e da sociedade em geral.
Podemos reter que as empresas mais audazes iriam criar novas ideias e novos projectos e que este segmento de mercado e o seu valor total não seria um valor representativo para ser analisado e não duraria muito tempo, mas é necessário saber investir de foram a que também este segmento não se torne saturado nem explorado, como em tantos países da Ásia e do mundo observamos.
Um exemplo de uma multinacional que reviu o conceito de pobreza foi a Procter & Gamble que criou um produto purificador de água para o mercado africano, sendo que cada saqueta tem o custo de 0.1 dólares e dá para 10 litros. A empresa consegue assim fazer negócio e salvar vidas.
Podemos concluir que conjuntura economia trouxe o conceito de “novos pobres”, mas trouxe ainda novas oportunidades de negócio face a esses indivíduos e face ao empreendedorismo. Cabe assim à empresas saberem reestruturar-se e criarem pordutos criativos, úteis e mais baratos.

Ivo Duarte Dias Costa
Fonte: Jornal de Negócios, nº 1635, 24 de Novembro de 2009
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]