sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PARO ACTUAL EN ESPAÑA

El paro registrado en España se sitúa en 3.923.603 personas en el mes de diciembre, 54.657 desempleados más que en el mes anterior lo que produce un aumento del 1,4%.
En términos interanuales, el incremento de 2009 ha sido de 794.649 desempleados (25,4%), si bien es cierto que el aumento del paro en diciembre es casi un 61% inferior al registrado en el mismo periodo de 2008, que fue de 139.694 personas.
La Secretaría General de Empleo, ha señalado que "en 2009 el desempleo ha aumentado, pero menos que el año anterior, y esta tendencia permite afirmar que continúa frenándose la destrucción de empleo. Desde marzo la variación interanual del paro sigue disminuyendo y se sitúa en el nivel más bajo desde agosto de 2008". La Secretaria General de Empleo, Maravillas Rojo, siguiendo lo comentado por su secretaria afirma que en el 2010 “contemplamos el comienzo de la recuperación del crecimiento económico". Desde el gobierno central ahora dan la fecha de esta recuperación para el tercer cuatrimestre del año, es decir podríamos hablar ya del 2011. Las asociaciones de empresarios confirman los datos de reducción del paro con respecto al año 2008 pero también señalan que se destruirá menos empleo pero tampoco aumentara el número nuevos empleos debido a la gran crisis en todos los sectores.
Por sectores, el desempleo ha aumentado en 54.936 personas en Construcción (7,5%), 11.477 personas en Industria (2,3%) y 202 en Servicios (0,01%), mientras que ha bajado en 3.934 personas en Agricultura (-3,5%) y entre las personas sin empleo anterior en 8.024 personas (-2,7%).
Si distinguimos por sexo y edad los datos son los siguientes. El desempleo masculino se sitúa en 2.012.536 personas, al subir en 72.135 (3,7%). Entre las mujeres, hay un total de 1.911.067 desempleadas, con una disminución de 17.478 personas (-0,9%). En términos interanuales, el paro masculino sube en 436.069 personas (27,7%) y el femenino se incrementa en 358.571 (23,1%).
Entre los jóvenes menores de 25 años el desempleo se ha reducido en diciembre en 17.570 personas (-3,8%) respecto al mes anterior, mientras que en los mayores de 25 años ha subido en 72.227 (2,1%).
Por comunidades, el paro ha bajado en Canarias (-3), mientras que ha subido en las restantes, principalmente en la Comunidad Valenciana (7.707) y en Castilla-La Mancha (6.467 personas). Además, el desempleo ha descendido en 5 provincias, encabezadas por Jaén (-7.192), mientras que ha subido en 47, la primera de ellas Sevilla (4.896 personas).

Jesus Sánchez Alvar
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A agricultura biológica em Portugal

Numa época em que se dá cada vez mais valor ao ambiente e em que se procura de forma mais visível proteger o mesmo, é necessário ter em conta que a prática de uma agricultura pouco “amiga” do ambiente poderá conduzir a níveis de poluição extrema. A agricultura biológica surge como possível solução para este problema. Esta pode ser definida como um método de produção agrícola que privilegia o uso de boas práticas de gestão da exploração agrícola, procurando adaptar as produções agrícolas às características regionais e intervindo com práticas como rotações culturais, adubos verdes, luta biológica contra pragas e doenças, entre outras.
Este tipo de agricultura tem vindo a apresentar uma tendência de aumento, tanto no que se refere aos hectares ocupados como no que diz respeito à mão-de-obra empregada. Portugal, seguindo a tendência apresentada pelos restantes países, revela um aumento significativo tanto na área de produção biológica como no número de operadores certificados em agricultura biológica. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2003, a área destinada a agricultura biológica representava apenas cerca de 3,5% da superfície agrícola utilizada, em 2007, esta área passou a ocupar aproximadamente 7% da SAU. Dados do Serviço Internacional para a Aquisição de Biotecnologia Agrícola referem que, em 2008, a área de cultivo de produtos biológicos, em Portugal, cresceu 9,4%.
A agricultura biológica desempenha um papel importante a nível ambiental, porém, verifica-se que esta se destaca também ao nível da saúde, contribuindo para alimentos mais nutritivos e livres de pesticidas; ao nível da população rural, uma vez que permite a revitalização desta população e fomenta o respeito pelos agricultores como protectores da paisagem; e ao nível do emprego, dado que permite a criação de novos postos de trabalho. Para além disso, a PAC estabelece um conjunto de medidas favoráveis a esta actividade e muitos dos países membros da União Europeia procuraram a implementação de medidas tais como compensações financeiras em caso de perdas ocorridas na transacção de um tipo de agricultura tradicional para uma agricultura biológica ou na ocorrência de uma fraca colheita; prémios agro-ambientais; entre outros. A maioria destas medidas é co-financiada pela Comissão Europeia, o que torna o processo de transição de uma agricultura para a outra ainda mais favorável.
Em Portugal, este tipo de agricultura detém um mercado relativamente pequeno, observando-se uma tendência de crescimento nos últimos anos. Um dos entraves à ascensão deste mercado prende-se com o facto de os preços serem ainda bastante elevados, verificando-se que, em 2008, este tipo de produtos representavam menos de 1% do cabaz alimentar português. No entanto, Portugal dispõe de condições favoráveis à produção biológica, nomeadamente no que se refere a potencialidades agro-ecológicas, diversidade de fauna e flora, e pelo facto de muitas das formas tradicionais de produção estarem próximas deste tipo de agricultura. Assim, Portugal deverá procurar investir nesta actividade, procurando realçar-se de forma positiva perante os seus concorrentes, aproveitando as condições favoráveis de que dispõe.

Magali Rodrigues
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ambiente vs Economia

As alterações energéticas são um tema relevante e de grande debate actualmente. Toda a gente já ouviu falar, mas nem todos se preocupam. Se há alguns anos era um tema cuja discussão se resumia a possibilidades, onde a maioria da população não acreditava ser possível o gelo dos pólos desaparecer ou então que o petróleo era um bem escasso; nos dias de hoje já são menos os cépticos, mas existe ainda muita polémica à volta deste tema.
Recentemente, surgiu uma notícia muito controversa sobre o falso alarmismo para as alterações climáticas (AC). A notícia indica que o Mett Office irá rever os dados estatísticos de mil estações meteorológicas, espalhadas pelo mundo, ao longo dos últimos 150 anos. Este projecto, que levará vários anos, tem o propósito de dar confiança ao público depois do Climategate (caso da suposta alteração das temperaturas observadas nos últimos anos por parte de cientistas britânicos e norte-americanos, visando a inflação do aquecimento global - AG). Para além desta situação já de si polémica, o governo de Gordon Brown, segundo o The Times, pressionou o Mett Office a não avançar com a investigação com a justificativa de não se dever dar argumentos aos cépticos do AG. É caso para dizer: se não se tem nada a temer, porquê proibir?
A economia não pode ficar (e não fica) indiferente a este tema, até porque as mudanças climáticas devem-se a actividade comerciais desenvolvidas pelo Homem. Por este motivo algumas medidas que visam atrasar, e talvez num futuro reverter, as AC passam pela alteração de padrões de produção, de consumo e de investigação de novos processos produtivos. A implementação de quotas à libertação de CO2, que obriga os países a modernizar a sua indústria para métodos menos poluentes, é um bom exemplo de como as AC têm um impacto directo sobre a actividade económica dos países.
Não sendo possível produzir sem poluir, resta-nos tornar os nossos processos industriais mais ecológicos, o que acarreta custos potencialmente elevados. Com o protocolo de Quioto e, mais recentemente, com a Cimeira de Copenhaga, os países comprometeram-se a reduzir de forma bastante acentuada as emissões de gases poluentes. Contudo, o desejo de reduzir as emissões poluentes não é prioridade para todos os países e, por isso, a Cimeira de Copenhaga foi considerada por muitos um fiasco. Para o Conselheiro de Durão Barroso, “esta reunião terminou sem um acordo vinculativo, sem metas de redução das emissões e sem mecanismos de transferências de tecnologia definidos”. Sendo assim, ficamos sem respostas para um problema que não espera por nós.
Existem algumas medidas que procuram diminuir o efeito de gases poluentes no planeta, por exemplo, o armazenamento de dióxido de carbono que pode ser feito nos oceanos ou em grutas (cavidades) da crosta terrestre. O Professor Canadiano David Keith (2006) contruiu um protótipo que permite a captação de dióxido de carbono (captando mais CO2 que aquele necessário à sua construção e funcionamento), podendo no futuro ser mais eficiente que as árvores na captação deste gás. O armazenamento no fundo dos oceanos pode ser feito nas jazidas petrolíferas em exploração, ou então na transformação do CO2 em gelo seco e armazenado directamente no fundo do mar (devido as elevadas pressões e baixas temperaturas mantém-no “encarcerado” por milhares de anos). A aplicação deste tipo de medida já está existe numa escala industrial, como é exemplo a central de captação e armazenamento de CO2 nos EUA em New Heaven, Virgínia.
Se existir solução para as alterações climáticas, tem de ser aplicada e aceite por todos os países do mundo. Não é praticável que um conjunto de países (como por exemplo, a EU) se esforce por reduzir as emissões e ser mais ecológico se todos os outros continuam a poluir. A poluição não reconhece fronteiras nem o seu poluidor e, enquanto assim for, este é um problema de todos e não de alguns. Como seres vivos únicos e isolados no Universo temos de decidir se pretendemos continuar a consumir sem nos preocuparmos com a destruição do planeta, ou então se queremos lutar por manter o planeta um lar para milhões de espécies únicas. Enquanto subespécie que somos, estamos a caminhar para nos declararmos o ser vivo mais destrutivo que alguma vez habitou a Terra. Contrariando esta ideia existem várias campanhas e associações que lutam contra a aparente inércia global. Várias figuras públicas dão o seu contributo para esta causa aproveitando o facto de serem exemplos para a sociedade, nomeadamente Cameron Diaz e Leonardo DiCaprio.
Com esforço é possível reverter a actual situação ambiental, mantendo o crescimento económico. Só não é possível quando os países colocam interesses pessoais à frente dos interesses da humanidade.

Célio Oliveira
Fontes:
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Desemprego em Portugal

Todos os dias ouvimos falar da Crise Económica no país, na Europa, no Mundo. O desemprego é o problema macroeconómico que afecta as pessoas de modo mais directo e cruel, que acompanha as depressões económicas. Por definição, o Desemprego é a medida da parcela da força de trabalho disponível que se encontra sem emprego. Esta é uma definição que infelizmente tem vindo a tornar-se uma constante bem conhecida entre a população. Para a maioria das pessoas, a perda de emprego significa um padrão de vida reduzido e uma angústia psicológica. É por essa razão que o desemprego é um tema tão preocupante e debatido na actualidade.
De acordo com os valores do INE (Instituto Nacional de Estatística), a taxa de desemprego subiu, encontrando-se mais uma vez o país na cauda da Europa, pois de entre os 27 estados membros, Portugal passa a ser o quarto país da zona euro com a taxa de desemprego mais elevada, sendo apenas ultrapassado por Espanha, Irlanda e Eslováquia. Pela primeira vez a taxa de desemprego em Portugal ultrapassou a barreira dos 10%, atingindo os 10,2 por cento em Outubro de 2009, o que representa uma subida de 1,9 pontos percentuais face ao mesmo mês de 2008, números revelados pela OCDE. As menores taxas pertencem à Holanda, que se ficou pelos 3,7%, e à Áustria, com 4,7%.
De entre a população que se encontra nesta situação, é de realçar que a maior parcela, cerca de 54 mil desempregados, cai sobre os jovens licenciados. E as mulheres continuam a ser as que mais sentem estas dificuldades.
Portugal está a bater recordes no que toca à taxa de desemprego, o seu valor passou para dois dígitos desde Setembro deste ano. O Eurostat revela que o desemprego em Portugal é, agora, o mais alto desde 1983. E, analisando a taxa de desemprego desde essa data, é possível verificar que ao longo dos últimos 26 anos apenas entre Outubro de 1984 e Maio de 1986 a taxa de desemprego ultrapassou os 9%. Segundo a mesma fonte, apenas em Novembro de 2006 e Setembro de 2008 é que Portugal apresentou uma taxa de desemprego superior à média na zona euro, realidade verificada no presente.
A origem deste cenário de desemprego está associada à Crise Internacional actual; era de esperar que com a recuperação económica o desemprego iria diminuir. Contudo, isso não se verifica de imediato, pois os efeitos da recuperação económica, lenta e débil, sobre a criação de postos trabalho prolonga-se por um longo período.
José Sócrates, espera que a continuidade das políticas de apoio à economia conduza ao abrandamento do aumento do desemprego no próximo ano. “Tenho a convicção de que, à medida que a recuperação da economia prossiga, possa ter finalmente efeitos no desemprego, que ainda não se começaram a fazer sentir, mas que espero que se façam sentir em 2010”, comentou o Primeiro-ministro.
“Num momento em que o desemprego sobe em todo o mundo, a mensagem que eu tenho para os portugueses é que não deixaremos os desempregados sozinhos, que tudo faremos para desenvolver os mecanismos sociais que permitam acompanhar essas pessoas e que permitam ao estado desenvolver actividades necessárias para que essas pessoas possam recuperar o emprego”, acrescentou.

Ana Margarida Carvalho
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Grandes Projectos em Portugal

Portugal é dos países da União Europeia com níveis de crescimento económico mais baixos. No entanto verifica-se que, segundo a Comissão Europeia, Portugal registou algum desenvolvimento nos anos 1998 e 2004, crescimento esse que está associado à realização de eventos de grande dimensão, como a Expo 98 e o Euro 2004. É de notar também que foi nesses períodos que a confiança dos portugueses aumentou, atingindo picos que não se repetiram; confiança que influencia o crescimento económico. O investimento e as exportações de turismo serão as variáveis macroeconómicas mais influenciadas pela realização de eventos de grande dimensão em Portugal.
O Parque Expo representa um empreendimento de dimensão invulgar no contexto nacional, estima-se que o investimento foi de 1,491 biliões de euros. Contudo, é notório o aumento do consumo privado, das importações e exportações e do PIB. Segundo dados do INE, o impacto sobre o emprego foi muito positivo. Sendo atribuível à Expo 98 um aumento dos empregos, que alcançou os 35 mil novos postos de trabalho, centrando-se essencialmente nos serviços de Hotelaria, Restaurantes e Cafés.
O Euro 2004 foi outro projecto de grande investimento que teve lugar em Portugal. O impacto principal do EURO 2004 no investimento terá sido, essencialmente, entre os anos 2001 e 2003, atingindo um montante de cerca de 806,8 milhões de euros, tendo por base as obras nos 10 estádios onde se realizaram os jogos.
Segundo os números divulgados pela DGE, os jogos terão tido 350.000 espectadores estrangeiros, representando cerca de 27% dos ingressos vendidos. A contribuição das receitas turísticas do campeonato para o total de receitas apuradas pelo INE para o mês da realização do evento, para as quatro regiões, foi da ordem dos 40%. Durante o mês de Junho, 183,8 milhões de euros de produção nacional estiveram associados, directa e indirectamente, ao evento, mantendo 4547 postos de trabalho e gerando uma massa salarial de 41 milhões de euros.
O Euro 2004 constituiu uma oportunidade para renovar os espaços desportivos das principais cidades do País, através da modernização dos equipamentos de competição associados aos principais clubes de futebol. Também o investimento autárquico se orientou para o desenvolvimento de espaços desportivos ligados à prática de outras modalidades, inserindo-os em contextos urbanos renovados ou até mesmo novas centralidades.
Apesar de o Euro 2004 ter tido um menor impacto na economia portuguesa que a Expo 98, a hipótese da realização do Mundial de 2018, em pareceria com a vizinha Espanha, faz algum sentido; uma vez que o investimento anteriormente efectuado não se repetiria, pois as infra-estruturas necessárias ao projecto já estão construídas.
A importância de um Campeonato do Mundo de Futebol vai muito para além de um campeonato europeu. Tem um impacto muito significativo a todos os níveis: atrai visitantes, dá visibilidade internacional a Portugal, contribui para o desenvolvimento do país.
O que podemos concluir da análise dos indicadores económicos relativos aos períodos deste grandes projectos em Portugal é que o importante é ter um projecto para que haja crescimento económico. Porque pior que um mau projecto é não ter projecto nenhum.

Ana Margarida Carvalho
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

As previsões do FMI para a economia portuguesa

Recentemente o Fundo Monetário Internacional(FMI), sediado em Washington nos Estados Unidos, publicou um estudo sobre a situação económica futura de Portugal. A previsão do Fundo Monetário Internacional, que é uma das instituições mais ouvidas pelos investidores internacionais, é pouca animadora. O FMI prevê para Portugal um crescimento da economia nacional abaixo da média na União Europeia, com elevados níveis de desemprego, que cada vez mais se iram verificar com sucessíveis encerramentos de empresas em todo o pais, podemos apontar como um dos mais recentes exemplos, o da Quimonda.
O Eurostat, estimou a taxa de desemprego portuguesa em 10,2 % em Outubro de 2009. Sendo que esta taxa é superior a taxa média da União Europeia dos 27 que se eleva aos 9,3%. Portugal devera esperar uma fraca recuperação, estimada em 0,5%. O FMI reconhecesse que o governo fez reformas significativas, mas alerta para a necessidade da redução do défice. No entanto e mesmo reconhecendo a incerteza elevada das projecções, devido a crise económico-financeira, estima-se um aumento do défice para o ano de 2010, antes de descer para os 5 ou 6 % em 2013, o que ainda fica longe dos 3% que a União Europeia exige para esse ano e que o governo português deu como objectivo. O FMI considera que será critico alcançar esse objectivo, já que para tal seria necessária uma consolidação na ordem de mais de 1% do PIB por ano. Se no entanto fosse possível alcançar esse objectivo, as finanças públicas ficavam no caminho certo para atingir o equilíbrio. A consolidação devera ser feita pela via da redução das despesas correntes primárias, como os salários públicos e transferências sociais. Os benefícios sociais deverão, no entender do FMI, ser calculados de melhor forma e também os custos da saúde serem sujeitos a uma gestão mais rigorosa.
A despesa pública rondara em 2013 os 100% do PIB, o que tal como o défice orçamental esta longe do valor exigido pelo Tratado de Maastricht, que prevê uma despesa pública no máximo de 60%. É por isso que o Fundo Monetário Internacional pede contenção e rigor ao executivo português nos aumentos da função pública e despesas com subsídios de desemprego e saúde. É urgente a consolidação orçamental, alerta o FMI tal como a necessidade de aumentar a receita pública e aqui os peritos desta instituição admitem que se a redução da despesa fiscal e a simplificação da administração não forem suficientes, poderá ser necessário o aumento do IVA. O aumento do Imposto sobre o valor acrescentado, que já não seria o primeiro na legislatura de Partido Socialista desde a sua eleição em 2005. No princípio da legislatura de Sócrates, o governo tinha aumentado dois pontos percentuais, de 19 para 21%, tendo no entanto baixado a taxa do IVA em Julho de 2008 para os 20%. Diz o relatório do FMI que, apesar de essa opção ser indesejável, poderá ser necessário o aumento dos impostos em Portugal, se as outras medidas falharem e não forem suficientes. Apesar de o FMI ser uma das instituições mas ouvidas pelos investidores, os políticos portugueses não consideram as recomendações como aplicáveis. A teoria microeconómica indicia que o aumento de impostos, ou o simples facto de uma previsão, de um possível aumento de impostos, leva as pessoas a gastarem menos, ou seja, a consumirem menos, o que levaria as empresas a terem níveis de produção menores, o que conduziria a mais desemprego. É isto que leva o governo e a oposição a rejeitar as recomendações do FMI.
O executivo Português, não tem intenção de aumentar os impostos, diz que não faz parte da estratégia do governo para enfrentar a crise ou o problema das contas públicas. Também a oposição não considera a conclusão do FMI como passível de trazer lucros para a economia portuguesa. O CDS fala mesmo de a possível morte das micro-, pequenas e médias empresas, com a execução dessas sugestões. O Bloco de Esquerda considera-as, neste momento, irresponsáveis economicamente e socialmente insensíveis. Um país que no entanto parece considerar as medidas adequadas á sua economia, é a Irlanda já que decidiu baixar os salários públicos, de professores, políticos e enfermeiros, tal como a redução das prestações sociais de desempregados e famílias com filhos. No entanto, inúmeros economistas consideram a medida como não consensual, já que leva a redução de impostos.

Miguel Ferreira de Carvalho

Fontes:
Telejornal RTP (Dia 3 de Dezembro 2009)
http://tv1.rtp.pt/multimedia/index.php?pagURL=arquivo&tvprog=1103&idpod=32742&formato=wmv&pag=arquivo&pagina=4&data_inicio=&data_fim=&prog=1103&quantos=10&escolha=
Site oficial do Fundo Monetário Internacional (FMI)
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, 2 de janeiro de 2010

Ataque aos prémios

O Primeiro-Ministro português, José Sócrates, revelou que vai incluir no orçamento de estado de 2010 uma medida contra os prémios excessivos que os gestores bancários auferem.
Esta decisão surge após a França e o Reino Unido terem anunciado a criação de uma taxa de 50% sobre os bónus dos quadros superiores da banca superiores a 27 mil euros no caso da França, e 25 mil libras (cerca de 27.500 euros) no caso do Reino Unido. Nicolas Sarkozy e Gordon Brown declararam mesmo, numa coluna publicada no The Wall Street Journal, que estas medidas têm que ser tomadas a nível mundial, uma vez que “nenhum país tem condições de agir sozinho”.
Não sei até que ponto uma medida deste género, a ser criada, será positiva para Portugal. Os prémios ganhos por gestores bancários são demasiado excessivos, estes justificam os prémios com o facto de se encontrarem numa posição em que têm que tomar decisões de risco, mas a verdade é que são estes os gestores que com a sua própria ganância foram acusados de causar a crise em que nos encontrámos.
Em Portugal, segundo dados fornecidos pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a remuneração variável, em que incluímos os prémios e bónus, representa dois terços (61,6%) das comissões executivas dos bancos. O sector financeiro é o único em que a composição variável pesa mais de metade na composição salarial, e é também o sector que melhor paga aos seus executivos.
A verdade é que, se em Portugal a medida for idêntica à francesa e inglesa, e taxar prémios com valores superiores aos referidos anteriormente, não terá qualquer efeito prático no nosso país. Em Portugal os valores dos bónus são bastante inferiores aos valores visados, o que faz com que a medida criada pelo governo socialista não tenha sentido, ou que seja uma medida que tenha como único sentido aumentar a popularidade dos governantes, uma medida populista, já que para a maioria da população fica sempre bem a criação de “medidas contra os ricos”.
Pode acontecer também que a medida seja adaptada a valores mais razoáveis, tendo em conta o panorama nacional, caso em que penso que seria uma medida positiva para Portugal. Pode-se considerar que parte desses prémios é paga pelo Estado, uma vez que os bancos conseguiram atingir os lucros necessários para a distribuição de prémios recorrendo aos apoios estatais. Poderá então ser considerado quase como um empréstimo que retorna ao credor.
Em suma, a ser criada, esta é uma medida que certamente não gerará consenso. Alguns defendem-na acusando os bancos de serem os responsáveis pelo estado na nossa economia, e referindo o facto que os altos quadros das instituições bancárias deveriam ser os primeiros a dar o exemplo, não recebendo prémios considerados descabidos quando confrontados com a nossa realidade. Por outro lado, surgirão opositores a esta medida, acusando-a de não ser a melhor forma de agir, ou acusando mesmo o governo de tentar criar uma medida unicamente para agradar.

Diogo Faria
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]