domingo, 10 de janeiro de 2010

O desenvolvimento do capitalismo na Rússia

Um grande marco da História da Humanidade ocorreu com a vitória da revolução socialista em Outubro de 1917, facto que permitiu a composição do primeiro Estado de operários e camponeses na URSS.
É por revoltas como esta que hoje em dia podemos dizer que somos cidadãos de plenos direitos e deveres. Porque houve países que tentaram mudar a sociedade, somos hoje livres: todos nós temos direito ao voto; ensino e saúde gratuitos; salários iguais para trabalhos iguais; direito à greve e à manifestação; liberdade política e sindical; segurança social; etc.
No entanto, com a separação da URSS e a desintegração dos regimes existentes no Leste da Europa, a luta pelo socialismo teve consequências inestimáveis.
Em 2006, o Partido Comunista da Federação Russa divulgou um relatório onde revela algumas das consequências dos 15 anos de capitalismo no país, reconhecendo grandes recuos sociais quando comparado com a ex-URSS.
O salário real era duas vezes inferior ao praticado em 1990, as reformas duas vezes e meia, e as bolsas escolares sete vezes menores. O PIB do país desceu um terço e as importações de produtos alimentares diminuíram para metade, como consequência do encerramento de cerca de 70 mil unidades industriais e do abandono de aproximadamente 35 milhões de hectares de terras.
O consumo de calorias por indivíduo desceu para um terço e o consumo de leite é duas vezes menor. Como tal, os russos apresentam piorias no seu estado de saúde: em média, medem menos 1,5 cm; uma grande percentagem de jovens apresenta sinais de desnutrição; e a população total desceu para os 12 milhões. A esperança média de vida diminuiu 10 anos.
A população da Rússia apresenta 25% de desemprego. Em Moscovo, a discrepância entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres é de 41 para 1, enquanto em 1990 era de 4 para 1. O número de crianças na escola reduziu 25%, e cerca de 4 milhões de menores vivem nas ruas.
Como é possível verificar, nestes países, as transformações a nível económico, social e cultural foram drásticas.

Raquel Costa
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

SCUTS em Portugal

Em 1997, o governo do Eng.º António Guterres introduziu o conceito de SCUT em Portugal. Uma concessão Sem Custo para o Utilizador (SCUT) é uma auto-estrada (AE) que, como o próprio nome indica, é financiada pelo Estado, no entanto, este utiliza os impostos que os contribuintes pagam. Um consórcio privado constrói, financia, explora e mantém a auto-estrada, recebendo um montante por cada veículo que nela circular.
Existem 7 AE em regime de SCUT, num total de 914km, representando cerca de um terço das concessões rodoviárias nacionais.
Inicialmente, este modelo teria um custo de construção estimado de 1,34 mil milhões de euros para o lançamento das 7 AE. Actualmente, considerando as alterações dos projectos iniciais, o custo de construção estimado ronda os 3,675 mil milhões de euros (cerca de 175% mais), e está previsto que o valor actualizado dos encargos totais a suportar pelo Estado ao longo da totalidade do período das 7 concessões atinja os 9,8 mil milhões de euros.
As orientações da política comunitária para os transportes são claras, defendendo o princípio do utilizador-pagador ao invés do contribuinte pagador, reflectindo assim a verdade dos custos totais da infra-estrutura no utilizador final. O principio do utilizador pagador implica que quem utiliza paga sempre o serviço que deseja utilizar, embora o custo desse serviço seja normalmente maior que o valor pago pelo utilizador.
No caso das concessões SCUT, pretendia-se com a introdução de portagens que quem as utiliza fizesse um esforço financeiro maior do que quem as não utiliza, dado que o verdadeiro custo destas AE já obriga a uma comparticipação do Estado (ou seja de todos os contribuintes).
Ora, não sendo um bem público essencial (contrariamente, por exemplo, à saúde ou à educação), não faz sentido que quem não utilize as AE-SCUT seja obrigado a financiá-las na sua totalidade.
Como em qualquer AE, a sustentabilidade do sistema exige sempre esforço conjunto do contribuinte e do utilizador, com o Estado a suportar parte do custo de construção. No caso das concessões SCUT, o Estado iria ter que suportar o esforço da discriminação positiva das populações locais, sendo assim claro o mecanismo de solidariedade territorial, assim como a diferença entre a tarifa real e a virtual.
Afirmar que as portagens penalizariam o desenvolvimento seria acreditar que bastaria haver uma AE para que uma região se desenvolvesse. Como todos sabemos, isso não é verdade. Com efeito, a existência de uma AE é condição desejável, quando muito necessária, mas não suficiente para se assegurar o desenvolvimento regional.
Por outro lado, o desenvolvimento regional só marginalmente poderia ser afectado se populações locais, que caracterizam esse desenvolvimento, na sua generalidade não forem afectadas. Esta situação deve-se ao facto destas populações estarem abrangidas por medidas de discriminação positiva.
Este modelo transformou-se num mau instrumento de desorçamentação, permitindo a construção rápida de auto-estradas mas com encargos financeiros insuportáveis para os próximos 25 anos. As SCUTs mostraram-se injustas, ineficientes, insustentáveis e inviáveis.

Raquel Costa

[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Suíça na União Européia

“As preocupações com a Europa estão em algum canto da mente de todo político suíço” (Keystone)

A Suiça é um país que apesar de se encontar na Europa e rodeado por países aderentes à UE, não é menbro desta. Mas as possibilidades de adesão irão aumentar quando os suíços se convencerem de que a UE veio para ficar.

A economia suíça beneficia-se de um setor de serviços altamente desenvolvido, liderado pelos serviços financeiros, e de uma indústria especializada, de alta tecnologia.

Em 1992, os eleitores suíços quase que entravam para a UE não fossem uns quanto votos contra a entrada da Suíça na UE, rejeitando assim uma participação no mercado comum. Os três outros membros do Associação Européia de Livre Comércio (EFTA), Islândia, Liechtenstein e Noruega, decidiram filiar-se ao Espaço Económico Europeu (EEE), permanecendo na EFTA.

A entrada na Unidade Européia permanece como um objetivo do Governo Federal. Foi apresentado um pedido de adesão em Bruxelas, mas continua congelado.

Devido ao sistema suíço de democracia directa, um pedido efetivo de adesão à União Européia implicaria a realização de um referendo nacional e a aprovação por maioria de votos e Cantões (Estados).

Atualmente, o melhor resultado que o governo poderia conseguir é um empate, congelando a proposta por, pelo menos, cinco anos.

O retraído posicionamento da Suíça em relação à UE baseia-se em vários factores, como as instituições filiadas à UE que não cumprem plenamente os requisitos democráticos. O sistema suíço de iniciativas e referendos necessitaria de reformas drásticas e limitações para atender a todas as regras da UE.

Existe ainda a grande preocupação quanto aos custos, pois a Suíça seria um grande contribuinte para os cofres da UE, e quanto à sua posição neutral provavelmente incompatível com a União Europeia.

A indústria e o comércio suíços não estão convencidos dos benefícios resultantes de uma adesão, visto que a Suíça tem sempre negociado com o mundo inteiro, representando as suas exportações dos rendimentos do país.

Em 2001, uma votação nacional, foi rejeitada por 73% do povo, face a uma proposta de abertura de negociações com a União Européia, evidenciou o cepticismo suíço em relação à "Comunidade dos 15" da época.

O primeiro grupo de acordos bilaterais entre a Suíça e a UE, principalmente sobre questões comerciais, laborais e de transportes, entrou em vigor em 2002. Uma segunda série de tratados, assinados em outubro de 2004, foi aprovada pelo Parlamento e pelo povo. Ao exigir uma votação nacional, a União Democrática de Centro – UDC desafiou com sucesso os chamados Acordos de Schengen/Dublin, sobre uma cooperação mais estreita, em matéria de segurança. Mas o eleitorado aprovou os acordos em 2005. Apesar da campanha liderada pelos Democratas Suíços, de extrema-direita, e parte dos de extrema esquerda, os eleitores aceitaram a extensão do mencionado tratado.

A crise instalada a nível mundial levou a que muitos cantões reflectissem a sua posição, o país esta a passar por uma recessão, crescimento de desemprego, queda de competitividade, com o seu maior banco envolvido em vários escândalos. “Tiremos lições da crise, são os grande Estados e os blocos de Estados que regem a globalização. A Suíça apenas pode defender os seus interesses se aderir ao bloco europeu”, “A Suíça será mais livre e mais forte que hoje” afirma o manifesto do grupo pró-Europa. Porém, o setor bancário que representa 18% do PIB do país, e o dinheiro estrangeiro depositado nos bancos suíços chega a 700% do PIB nacional. Sem a vantagem do sigilo bancário, muitos clientes procurariam outro destino para pôr o seu dinheiro.

Para garantir que a Suíça não sofra discriminação na qualidade de não membro da UE, a legislação suíça em muitas áreas, inclusive a comercial, tem sido harmonizada com a UE. Um dos pontos de atrito, porém, diz respeito ao sigilo bancário. A União Européia ainda não engoliu a distinção existente na Suíça entre evasão fiscal (que não é crime no país) e fraude fiscal que dá margem a colaboração para punir os culpados.

Resta que a mais clara indicação de como estão sendo tratados os assuntos relacionados com a União Européia é que a adesão à UE não figura mais como um objetivo do governo nos planos da precedente legislatura, nem da atual (2007-2011). Hoje, o termo utilizado para se referir ao ingresso na UE é "uma opção".

Joana Araújo

Netegrafia:

· EURES – “Suíça” - http://ec.europa.eu/eures/

· Niman Lais – “Crise leva Suíça a discutir adesão à UE” - http://neccint.wordpress.com/

· Swissinfo – “Suíça e União Européia” - http://www.swissinfo.ch/

[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Turismo Rural um importante contributo para o Desenvolvimento Rural

Actualmente, assistimos a uma conjuntura em que as economias dos países são dominadas, cada vez mais, pelo fenómeno da globalização, ou seja, o mundo é cada vez mais uma aldeia global. Daí que ao abordar o desenvolvimento rural em Portugal teremos, forçosamente, de ter em conta a realidade a que se assiste neste domínio, na Europa.
Fazendo um enquadramento, para a União Europeia, as zonas rurais constituem uma parte fundamental da sua geografia física e da sua identidade. Mais de 91% do território da UE é rural e este território rural acolhe mais de 56% da sua população.
O Turismo Rural constitui, quando bem estruturado, uma actividade de considerável importância no desenvolvimento económico e social do país, que se quer cada vez mais forte e coesa, com reflexos visíveis ao nível do desenvolvimento local.
Nos dias de hoje, uma percentagem significativa da população urbana é atraída pelos recursos do meio rural onde encontra a tranquilidade e o repouso, uma espécie de escape, associado ao stress citadino, vendo no turismo rural uma componente da qualidade de vida e uma alternativa, ainda que sazonal, à vida das cidades. O Turismo Rural apresenta-se, também, como uma óptima contribuição no combate ao êxodo rural, um fenómeno que constitui um flagelo para a desertificação do Interior e meios não urbanos.
O desenvolvimento do Turismo Rural, constitui para os municípios do interior, sobretudo os de montanha, sendo áreas deprimidas ou fragilizadas, uma oportunidade importante como forma de estabilizar, criar empregos e conseguir a revitalização da economia local pela potenciação de um conjunto de serviços que, directa ou indirectamente, são accionados, como o alojamento, o comércio tradicional, o artesanato e a gastronomia.
Pode-se, assim, afirmar que o Turismo Rural não só é um contributo para a qualidade de vida das populações urbanas, mas também uma possibilidade para a sobrevivência de determinadas zonas rurais.
As políticas de desenvolvimento rural assumem um papel fundamental no progresso coerente e sustentável das zonas rurais. No âmbito da União Europeia, o apoio ao Turismo Rural tem vindo a aumentar gradualmente, nomeadamente através da Política Regional, da Política Agrícola Comum (PAC) e das Iniciativas Comunitárias LEADER.
As políticas de desenvolvimento rural da UE têm como objectivo fundamental encontrar soluções para os desafios que as zonas rurais enfrentam actualmente e desenvolver todo o potencial destas regiões. Os Estados-Membros poderiam aplicar estas mesmas políticas de desenvolvimento rural de forma totalmente independente, mas essa abordagem não funcionaria na prática uma vez que nem todos os Estados-Membros disporiam de meios para levar a cabo as políticas necessárias. Apesar de se tratarem de políticas comuns, os Estados-Membros e as regiões têm um número significativo de competências próprias. Trata-se de políticas financiadas em parte pelo orçamento da União Europeia e pelos orçamentos nacionais e regionais dos Estados-Membros.
Estas políticas são, de facto, óptimos incentivos à aposta no desenvolvimento rural, devendo, portanto, ser aproveitadas pelos Estados-Membros de modo a não negligenciar as áreas rurais.
Para o nosso país as medidas de dinamização do território rural passaram, numa primeira fase, pelo apoio à criação de respostas ao nível do alojamento turístico, tendo especial atenção à recuperação de edifícios com relevante valor patrimonial e arquitectónico, para, posteriormente, apostar em um produto turístico mais diversificado, que valorize os recursos endógenos das áreas em questão.
O sector do Turismo Rural assume uma importância crescente da dinamização dos nossos espaços rurais, tal pode ser comprovado pelo crescente aumento de ofertas de alojamento ao longo do período de 2000 a 2007. A maior oferta está, principalmente, localizada na região Norte do país, sendo a Internet a principal fonte de divulgação do Turismo Rural. A duração média da estadia é até 3 dias, comprovando a teoria de esta modalidade de turismo é encarada como um escape ao stress diário.
O desenvolvimento rural, passa, sem sombra de dúvida, pela aposta no Turismo, neste caso em concreto do Turismo Rural, que se apresenta como um óptimo modo de potenciar os recursos existentes nestas áreas e combater a sua desertificação com o fomento da empregabilidade.

Andreia Carvalho

Referências bibliográficas:
· Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local, http://www.minhaterra.pt/;
· Estudo de Caracterização do Turismo no Espaço Rural e do Turismo de Natureza em Portugal, http://www.minhaterra.pt/IMG/pdf/Estudo_Caracterizacao_Turismo_em_espaco_rural.pdf;
· Comissão Europeia, http://ec.europa.eu/agriculture/index_pt.htm.
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, 9 de janeiro de 2010

Desigualdade social em Portugal

“Ricos são muito ricos, pobres são muito pobres”
De acordo com um relatório apresentado em Bruxelas, Portugal é um dos países da União Europeia onde se observa uma maior desigualdade na distribuição de rendimentos.
Segundo o Relatório Sobre a Situação Social na União Europeia, os rendimentos são mais uniformemente repartidos nos Estados-membros do que nos EUA, com excepção feita a Portugal, “Apenas Portugal apresenta um coeficiente superior ao dos Estados Unidos", sublinha o documento. Até países resultantes do alargamento, como Polónia, Letónia e Lituânia se encontram ao nível dos EUA.
No nosso país, a parcela auferida pela faixa dos 20 por cento da população com rendimentos mais elevados é 6,1 vezes superior à auferida pelos 20 por cento da população com rendimentos mais baixos. Portugal é o país em que o fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres é mais largo, sendo que, quase um milhão de pessoas vive com menos de dez euros por dia, que representam 9% da população nacional enquanto nos restantes países da União a média é de apenas 5%.
As desigualdades de rendimentos que se verificam têm provocado uma profunda desigualdade na repartição da riqueza. O desemprego é apontado como uma das causas do problema, já que Portugal é um dos cinco países em que se verifica que o risco de o desemprego levar a uma situação de pobreza é superior a 50%. Sendo outra das causas da pobreza no nosso país os baixos salários praticados. Embora o risco de pobreza se tenha mantido ao longo dos últimos anos, este é considerado uma das principais causas do aumento do sobreendividamento. O número de processos de sobreendividamento apresentados junto à DECO é o mais elevado de sempre, tendo dado entrada na associação de defesa do consumidor 2 143 processos de famílias com um nível de endividamento excessivo face ao seu nível de rendimentos actual. A vergonha de expor a situação leva muitas famílias a adiarem a resolução do problema, por isso, quando pedem ajuda já estão numa situação desesperada e, em muitos casos, de incumprimento.
O Rendimento Social de Inserção (RSI) abrange agora mais famílias, depois de um crescimento de 15,3% no número de beneficiários entre Janeiro e Setembro do corrente ano, em comparação com o ano passado, passando para um total de 379 849 beneficiários. Actualmente, cada família abrangida por este apoio social recebe 242,25 euros mensais. No final do mês de Setembro, a prestação social de combate à pobreza abrangia 148 377 famílias, mais 22 856 do que há um ano atrás, como indica o site da Segurança Social.
A União Europeia mostra ainda Portugal como um país de poucas oportunidades, revelando fraca mobilidade social. Quer isto dizer que, em Portugal, quando se nasce no seio de uma família de uma determinada classe social, dificilmente se sai dela. A baixa formação profissional é um dos factores que mais influencia esta realidade. Se imaginarmos uma criança, filha de um casal com empregos pouco qualificados, ela tem apenas 50% de probabilidade de aceder a uma categoria de emprego mais qualificado. Tal como referido anteriormente o núcleo familiar no qual se insere o indivíduo condiciona fortemente quer a sua qualificação profissional quer a literária levando à manutenção da mesma classe social dos progenitores, na medida em que delimita a ascensão social.
A crise é apontada como uma das principais causas de todos os problemas apontados anteriormente, no entanto todos estes já têm vindo a existir e a persistir. A recente crise financeira apenas fez com que os aumentos sejam exponenciais.

Patrícia Sousa
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

As Remessas e os Emigrantes Portugueses

Portugal tem sido ao longo de quase seis séculos, um país de emigrantes. Muitos milhões de portugueses espalharam-se por todo o mundo. Muitas vezes fizeram-no por razões culturais, outras por espírito de aventura, mas na sua maioria das vezes o motivo é a sobrevivência.
Na primeira metade do século XX, os emigrantes portugueses, dirigiam-se, essencialmente para o outro lado do atlântico, para países como o Brasil e os EUA. Já, a partir dos anos 30, as ex-colónias, tais como Angola e Moçambique, eram as principais escolhas, associado, essencialmente, à política colonial do anterior regime. A partir dos anos 50, os emigrantes portugueses passaram a eleger sobretudo países europeus.
Os números da emigração de portugueses, neste período, são impressionantes. Entre 1958 e 1974, abandonaram de Portugal cerca de 1,5 milhões de indivíduos. Em 1973, por exemplo, foram 123 mil. No ano seguinte, mesmo após todas as restrições à emigração por toda a Europa, saíram do país 71 mil pessoas.
Portugal tradicionalmente sempre foi conhecido como um país com grande tendência à emigração. Foi nos anos 60, sobretudo pelas grandes dificuldades económicas resultantes da guerra colonial, que se assistiu à última grande vaga de emigração. Sendo um país de emigrantes, as suas remessas são importantes para a economia nacional. Estas constituem uma das principais fontes dos fluxos financeiros internacionais e um motor de desenvolvimento. Organizações internacionais tais como a OCDE, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Organização Internacional das Migrações dão cada vez mais atenção ao assunto.
Em 2009, em resultado da crise económica que abalou a economia internacional e segundo dados do Banco de Portugal, o dinheiro enviado pelos portugueses no exterior, até ao mês de Outubro em comparação ao mesmo período do ano anterior, viu o valor baixar em 205 milhões de euros. A esta queda, contribuiu essencialmente a França, enviando menos 90 milhões de euros que em 2008. Para além deste país, poderemos ainda enunciar outras comunidades que contribuíram para esta redução, tais como os EUA, Reino Unido e a Suíça.
Nos últimos anos registou-se um forte aumento na entrada de pessoas no país, em particular oriundos da Europa do Leste e do Brasil, passando Portugal de um país de emigração para um país de acolhimento.
Como a crise é mundial, não foram só as remessas dos emigrantes que verificaram reduções elevadas, mas também os imigrantes que vivem em Portugal enviaram menos dinheiro para os seus países de origem. Os brasileiros, maior comunidade do país, enviou menos 24 milhões de euros que no ano passado. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, existiu uma diminuição no total de 33 milhões de euros (7%), totalizando 434 milhões de euros nos primeiros dez meses do ano de 2009.
Apesar destas reduções, o saldo das remessas ainda continua a ser positivo, com 1,43 mil milhões de euros. Isto é, os emigrantes portugueses enviam muito mais dinheiro para o país do que aquele que sai enviado pelos imigrantes que cá residem.
Um país como Portugal, com elevada carga história na emigração, não pode desejar para os imigrantes que acolhe menos do que aquilo que exige para os seus emigrantes espalhados pelo mundo. Em muito dos países, os imigrantes não passam de uma necessidade imperiosa, face à escassez de mão-de-obra. Só a Europa comunitária necessita de cerca 44 milhões de imigrantes até 2050 para resolver este défice.
Nos últimos tempos, o Governo português têm apostado numa política de integração dos imigrantes, sendo este um dos pilares centrais da nova geração de políticas sociais, orientadas para a coesão social e para a igualdade de oportunidades. Com este intuito, foi aprovado um novo regime jurídico em que decreta novas condições e procedimentos de entrada e saída dos estrangeiros do território nacional. A nova lei prevê um maior sentido de protecção do imigrante e uma maior repressão às entidades patronais que empreguem trabalhadores em situação irregular.
Sendo assim, e apresar desta política, que está a ser seguida, ser apontada como de referência para outros países, segundo a Organização das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Humano, teremos sempre problemas para resolver, e não nos devemos limitar ao facto de se ter sido reconhecido internacionalmente perante esta lei. Este reconhecimento internacional deve ser visto como um incentivo, para que se consiga melhorar. Os imigrantes são vitais não só para se manter o sistema de segurança social, mas também para o crescimento económico.

Catarina Ferreira
Bibliografia
· As remessas dos Emigrantes Portugueses. (s.d.). Obtido de Migrações e Desenvolvimento: Dupla Oportunidade Norte-Sul: http://www.duplaoportunidade.org
· Banco de Portugal. (Outubro de 2009). Obtido de Boletim Estatístico - Estatísticas da Balança de Pagamentos: http://www.bportugal.pt
· Fontes, C. (s.d.). Imigrantes Somos Todos ! Obtido de Memórias- Emigração Portuguesa: Algumas Referências Históricas: http://imigrantes.no.sapo.pt
· Jorge, R. P. (28 de Dezembro de 2009). Emigrantes enviaram menos 205 milhões este ano. Obtido de Jornal de Negócios: http://www.jornaldenegocios.pt
· Tolentino, A. C., Rocha, C. M., & Tolentino, N. C. (Abril,2008). A Importância e o impacto das remessas dos imigrantes em Portugal no desenvolvimento de Cabo Verde. Lisboa: Alto-Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural (ACIDI, I.P.).
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

SITUACION ACTUAL DE LAS PYMES EN ESPAÑA Y GALICIA

Las pequeñas y medianas empresas (PYMES) están sufriendo una verdadera catástrofe económica. No hay calle en cualquier ciudad que no tenga carteles de “se vende” ó “se alquila”. La falta de liquidez y el desplome del consumo están detrás de este panorama, que para el 2010 se presenta aún mucho peor.
Más de 200.000 empresas han cerrado este año por la crisis económica, lo que supone prácticamente un 20% del total de las existentes en España, según datos de la Confederación Nacional de Autónomos y Microempresas (Conae). La presión fiscal, la falta de consumo y la falta de liquidez son las causas fundamentales de que autónomos y microempresas no estén sobreviviendo a la crisis, según Conae, que calificó el 2009 como "un año bastante duro". El cierre de 200.000 empresas en 2009 se suma a los datos de 2008, año que se saldó con el cese de 242.200 empresas, según datos de la Seguridad Social, lo que para Conae significa que "la crisis continúa azotando a autónomos y empresas españolas, y con más contundencia a las microempresas, mucho más susceptibles de los vaivenes económicos".El número de autónomos y microempresas asciende a más de tres millones, lo que constituyen el 97% del censo empresarial español y dan una empleo al 65%, aportando a las arcas del Estado en tributos e impuestos un 70%.
Para combatir la crisis de las PYMES en Galicia, el Instituto galego de promoción económica (IGAPE) va a poner en marcha una serie de líneas de avales con un importe global de 150 millones de euros, para las pymes gallegas.
Estas líneas aportarán el aval necesario para la formalización de nuevas operaciones de financiación dentro de las empresas, siendo los destinos principales del aval:
- Formalización de líneas de crédito, de descuento comercial y operaciones para el adelanto de efectos comerciales y facturas.
- Se garantizará entre el 40% y 60% del total de la operación con unos importes avalados que oscilan desde 120.000 euros a los 2,1 millones de euros. Estos límites implican que los límites mínimos de operaciones a llevar a cabo van desde 300.000 a 3.5 millones de euros.
Estas líneas no están pensadas para microempresas ni autónomos con una infraestructura pequeña. Cualquier comercio pequeño o profesional no necesita una financiación de 300.000 euros para llevar a cabo su actividad. Para este colectivo, se está preparando una segunda línea de avales que será presentada en 03-02-2010.
En todo este tipo de operaciones, creo que existe mucha paja y poco trigo. Los criterios de concesión del aval suelen ser criterios duros, por lo que las empresas que pueden obtener estos avales, también pueden obtener la financiación necesaria en las entidades financieras sin la necesidad de la administración.
Estas operaciones terminan utilizándose como un mecanismo de distribución del riesgo financiero en la empresa, no como una ayuda directa a la financiación, que es donde realmente están los problemas actuales.

Jesus Sánchez Alvar
[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]