terça-feira, 4 de novembro de 2014

“Business Angels”

Face à situação económica em que o nosso país se encontra, o empreendedorismo é um termo que se tem vindo a destacar como resposta na luta contra a persistência da crise, e que pode ser entendido como o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas com a criação de projetos e atividades laborais.
Em períodos de turbulência económica, e apesar do carácter desfavorável que atinge a generalidade, pode, contrariamente, descobrir-se uma grande diversidade de oportunidades de negócios estimulantes e prometedores, que surgem precisamente da instabilidade. Ser empreendedor é não somente saber identificar as oportunidades mas também aproveitar, arriscar, produzir.
Este conceito abrange diferentes classes e, em plena recessão, podemos verificar a classe do empreendedor por acidente ou por força das circunstâncias como protagonista. São estes indivíduos que, com poucas ou nenhumas opções, um total desencanto pelas circunstâncias adversas em que são colocados, um futuro nada auspicioso e um desespero inerente, desenvolvem as suas capacidades e criam projetos inovadores.
                “Dificuldade financeira” é o principal obstáculo ao empreendedorismo. A comum expressão, e atualmente exausta até, manifesta-se em todos os desafios específicos que a carência económica significa: no acesso aos recursos para a criação de uma empresa, na sua promoção, no seu crescimento economicamente sustentável, na concretização da meta da estabilidade e no mantimento desta.
                O crédito bancário, que surge desde o momento inicial na aplicação de um projeto deste género, tem sido, mesmo em épocas de abundância de recursos, uma barreira para os empreendedores na passagem da teoria à prática. A desadequação por parte dos bancos a este tipo de iniciativas advém de uma falta de capacidade e de experiência na análise dos riscos que lhe estão associados. Por conseguinte, é inevitável que, em períodos de maior escassez de dinheiro, como é precisamente aquele em que vivemos, e onde a aversão ao risco é mais generalizada, as barreiras se agravem e uma solução que passe pelo crédito bancário esteja praticamente vedada.
Para combater estes desafios financeiros podemos destacar a atividade desenvolvida pelos “Business Angels”. O clube “Business Angels” foi construído em 1990 com 15 membros. Atualmente, conta com 60, liderado por Francisco Banha. Foi desenvolvido para facilitar o “ponto de encontro” entre investidores e empreendedores.
Existem já vários espalhados pelo país, como, por exemplo, “Vima Angels-Guimarães”, e “Invicta Angels-Porto”. A comunidade de “Business Angels” tem, neste momento, ao dispor dos jovens empreendedores portugueses a quantia de 42 milhões de euros. Um “business angel” é um investidor particular. Investe diretamente o seu dinheiro em empresas nascentes ou “seed-capital”, com modelos de negócio atrativos e com potencial para elevados retornos. Investem numa lógica de longo prazo e estão preparados para dar suporte estratégico aos promotores para que o investimento tenha êxito.
Este tipo de iniciativa é muito importante pois permite aos empresários, mesmo aos mais inexperientes, criarem o seu próprio negócio, e terem sucesso. São um elemento fundamental para potenciar o alto e rápido crescimento de um negócio, dado que em geral os novos negócios carecem de dois elementos fundamentais: conhecimentos de gestão e desenvolvimento de negócios e capital. Os “Business Angels” não são apenas detentores e fornecedores de capital, dispondo também de conhecimentos, experiência, tempo e contactos, ajudam no recrutamento de gestores e membros para os quadros, ou seja, fornecem um conjunto de competências várias, de importância vital, na criação e desenvolvimento de novas empresas.
As maiores empresas de sucesso a nível mundial como, por exemplo, a Amazon e a Google, tiveram nas suas fases de arranque a participação de “Business Angels”, o que lhes permitiu dar um primeiro salto.
Em suma, o Portugal não precisa apenas de empreendedores talentosos, com entusiasmo e vontade de pertencer a um projeto inovador, capazes de combater as dificuldades criando oportunidades, mas também de entidades como os “Business Angels”, que têm o capital e experiência necessária para ajudarem esses empreendedores a concretizarem, efetivamente, as suas ideias, contribuindo para uma melhor situação do país.

Sara Cristina Alves Ferreira

Fontes:
Federação Nacional de Associações de Business Angels: http://www.fnaba.org/index.html
AvePark- Vima Angels: http://www.avepark.pt/pt/inovacao/69-vima-angels

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Comer, beber e ‘turistar’ !

Apesar da situação atual do país, somos um país com um potencial de turismo muito rico e variado e com produtos turísticos que mostram o melhor de cada local.
O turismo é um setor importante da economia, que sustenta o crescimento económico e o emprego. Contudo, um dos nossos maiores desafios consiste em reforçar e melhorar o desenvolvimento de um turismo sustentável, que equilibre a otimização dos benefícios económicos, ambientais e socioculturais.
O setor de viagens de Gastronomia e Vinho é ainda muito recente no nosso país, mas atrai cada vez mais consumidores interessados neste tipo de produto, pois tem sido alvo de crescente valorização enquanto elemento cultural intangível.
Portugal dispõe, devido às suas zonas de cultivo e de mar, de uma enorme variedade gastronómica e de fortes tradições vitivinícolas, pelo que deve aproveitar e estruturar uma oferta competitiva e atraente a este nível.
Tendo em conta as suas especificidades, estes produtos encontram no meio rural e, em especial, nos territórios menos desenvolvidos, o seu território de eleição, pois conservam o que é genuíno e autêntico, sem alterações substanciais.
Estes dois produtos são potenciais motores de desenvolvimento regional destes territórios, combatendo a constante desertificação e trazendo uma ‘nova vida’ aos mesmos.
Os turistas que tiram partido deste género de turismo possuem por norma um nível cultural elevado e boas situações económicas, o que pode ser um indicador relevante para o crescimento evidenciado ao nível do turismo gastronómico e do enoturismo (estudos revelam um crescimento entre 7 e 12% ao ano).
Este tipo de turismo pode ser, sem dúvida, o grande potenciador do desenvolvimento regional, trazendo inúmeras mais-valias para a economia local e melhorando a qualidade de vida dos residentes.
Promover um turismo ligado a gastronomia e ao vinho, sustentável e com qualidade servirá como garantia da preservação do património local, ajudará a fixar a população no território, podendo inverter os fluxos migratórios de modo a atenuar a desertificação destas áreas e fará também com que as comunidades residentes saiam beneficiadas a vários níveis.
Contudo, como qualquer tipo de turismo, existem aspetos negativos, como por exemplo a inflação local ou, por vezes, o ultrapassar da capacidade de carga de uma zona em períodos sazonais, bem como o comportamento irrefletido de alguns turistas. Devido a isso, como em todos os setores turísticos, é importante o planeamento e a aposta em planos sustentáveis ligados aos produtos que são potenciais atrativos turístico-culturais de um local, região ou país.  

Diana Viana Abreu

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O problema demográfico português

Portugal apresenta mutações demográficas de ampla escala e com importantes repercussões sociais, económicas e culturais. A evolução demográfica em Portugal, no passado recente, caracterizou-se por um gradual aumento do peso dos grupos etários séniores e uma redução do peso da população jovem.
O envelhecimento da população nos países desenvolvidos é, assim, o resultado de duas tendências diferentes: a queda da taxa da natalidade e o aumento da esperança de vida. Sendo a queda da taxa da natalidade consequência de vários fatores, dos quais se salientam a entrada massiva das mulheres no mercado de trabalho; a elevação dos níveis de escolaridade, a dificuldade crescente de inserção na vida ativa, e a preferência atribuída à carreira profissional nos primeiros anos de vida ativa. Em conjunto, tal conduz a um aumento progressivo da idade do casamento e da idade dos pais aquando do nascimento do primeiro filho, à concentração da população nos centros urbanos, onde se verifica quer uma menor incidência das redes de entreajuda familiar, o que “encarece” um filho, quer o elevado custo da habitação, que conduz a espaços mais pequenos com a consequente limitação no número de filhos.
A natalidade em Portugal está em declínio desde a década de 1980. Enquanto há quatro anos nasciam cerca de 100 mil crianças anualmente, agora nascem menos de 80 mil. É necessário, então, políticas fiscais, laborais e familiares que combatam o problema demográfico que Portugal enfrenta. Todavia, as propostas da comissão de peritos para a política de natalidade não têm eco no Orçamento do Estado para 2015.
De entre as 29 medidas propostas pela comissão, destacam-se as seguintes: substituição da mãe durante um ano, após período de licença parental; apoio à contratação da mulher grávida, mães ou pais com filhos até aos três anos, através da isenção da TSU; tarifários familiares da água, resíduos e saneamento; passe estudante e passe família para transportes públicos.
Porém, para 2015, são conhecidas apenas duas medidas para apoiar as famílias com filhos, que estão a andar em paralelo ao Orçamento.
A nível fiscal foi introduzido o quociente familiar, que prevê que o número de filhos e ascendentes passe a contar para o cálculo do imposto. Aqui, o Executivo decidiu adotar a proposta da Comissão para a Reforma do IRS, bem menos vantajosa para as famílias do que a proposta feita pelo grupo de peritos que estudaram as medidas para a natalidade, contudo “nenhuma família sem filhos será prejudicada, mas também todas as famílias com filhos serão beneficiadas”, sublinhou Paulo Portas na comemoração dos 25 anos do Diário Económico. No entanto, o presidente da Comissão para a Reforma do IRS reconhece que a proposta “não tem o objetivo de estimular a natalidade”, até porque “é ridículo pensar que as pessoas vão ter filhos por motivações fiscais”, disse em entrevista ao “Jornal de Negócios”.
Por outro lado, o Governo está ainda a negociar com Bruxelas uma medida que prevê que os pais de filhos menores possam trabalhar a tempo parcial, articulando a iniciativa com a contratação a tempo parcial de desempregados.
À exceção destas duas medidas, o OE/15 não especifica mais nenhuma. De fora de qualquer referência ficam, por exemplo, as alterações às licenças parentais, as adaptações aos horários das creches ou a comparticipação a 100% em medicamentos para o tratamento da infertilidade.
Posto isto, se não forem tomadas mais medidas em prol da natalidade, Portugal vai continuar a envelhecer, sendo já o sexto país mais envelhecido da Europa, a par de um largo declínio do peso da população jovem/trabalhadora. O decréscimo da força de trabalho representará também uma diminuição do crescimento económico potencial e instabilidade financeira, causando um desequilíbrio entre estes.
Além disso, do meu ponto de vista, os incentivos à natalidade não devem partir só das políticas do governo mas também as próprias empresas devem ter uma política que apoie as mães e os pais.

Sara Filipa Azevedo Rijo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Portugal rumo a um futuro mais ´limpo`

Os países da União Europeia são atualmente os líderes mundiais no desenvolvimento e na utilização das energias renováveis. A promoção da utilização destas fontes de energias é importante quer para o cumprimento do Protocolo de Quioto para reduzir as emissões de dióxido de carbono, e assim lutar contra o aquecimento global, quer para a redução da dependência de importações de energia estrangeira por parte da UE. 
O setor das energias renováveis tem vindo a assumir progressivamente uma posição de grande importância no nosso país. Portugal possui uma posição vantajosa para ser o pioneiro na diminuição da dependência energética em fontes de energia não renováveis, pois este apresenta, no que respeita às energias limpas, um grande potencial que pode e deve ser explorado não só numa ótica de reduzir a dependência energética externa, mas também do ponto de vista ambiental, no sentido de não aumentar ou até mesmo reduzir o consumo de energias que poluem o ambiente. Com efeito, Portugal apresenta uma elevada exposição solar, uma vasta frente marítima que beneficia dos ventos atlânticos e uma densa rede hidrográfica que lhe permite aproveitar o potencial energético da luz, do vento, da água e das ondas. Com isto, o nosso país tem assumido um papel de destaque a nível internacional no desenvolvimento das energias renováveis. 
Com resultados notórios desde 2007, consequentes de uma política crescente de implantação, produção e consumo de energias renováveis, Portugal produz atualmente, através das energias renováveis, 61,7% da energia eletrica total produzida, e ocupa o 5º lugar no ranking da UE no que respeita ao consumo de energia a partir das renováveis. 
Relativamente à produção de eletricidade através destas energias, o nosso país conseguiu no último ano atingir um nível máximo: cerca de 58,3% do total de eletricidade consumida em 2013 foi fornecida por intermédio de fontes renováveis, representando um aumento significativo de 20% comparativamente a 2012, facto que permitiu a estabilização do preço deste bem. 
No que concerne à energia produzida a partir de centrais eólicas também foi observado um aumento de quase 20%. No que respeita à energia fotovoltaica constatou-se um acréscimo de 25% face ao período em causa, essencialmente gerado pela extensão da capacidade instalada. Também a geração de energia renovável a partir dos recursos hídricos sofreu um aumento, duplicando a sua produção. Este facto pode ser explicado pelas condições meteorológicas, visto que 2012 foi um ano muito seco (58% abaixo da média), e 2013 foi um ano húmido (17% acima da média). Com estas metas alcançadas, Portugal conseguiu poupar cerca de 806 milhões no setor da eletricidade e 40 milhões em licenças de emissão de dióxido de carbono, uma poupança que, portanto, atingiu os 846 milhões em 2013.
Com isto, é possível concluir que 2013 foi um ano em que Portugal viu serem recompensados os esforços em ter apostado nos seus recursos naturais, pois para além de se terem evitado importações de energias provenientes de combustíveis fosseis, também se conteve as emissões de gases com efeito de estufa. É possível inferir também que o nosso país encontra-se numa posição privilegiada para compensar o défice natural de fontes de energia não renováveis e poluentes, colocando-se na vanguarda da procura de um desenvolvimento sustentável. 
Assim, na minha opinião, Portugal encontra-se no bom caminho, pois as energias renováveis constituem atualmente um dos fortes motores económicos e social do país, não só pelo investimento que atraem mas também pelo número de postos de trabalho que originam. Num contexto de crise, as energias limpas têm criado oportunidades de investimento em tecnologias, originando simultaneamente uma economia mais limpa e sustentável.  

Andreia Soraia Fernandes Soares

Referências:
http://www.energiasrenovaveis.com/index.asp?ID_area=1

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Qual o verdadeiro impacto dos “novos” agricultores?

Nos últimos anos, e face à elevada dificuldade que os portugueses têm tido em conseguir um emprego, muitos têm arriscado fazer investimentos na agricultura. 
Estima-se que em Portugal surjam cerca de 240 novos agricultores por mês, sendo a sua maioria jovens. Este forte crescimento na área agrícola, deve-se, como referido, ao pouco emprego jovem que existe noutras áreas, e aos fortes apoios de financiamento neste tipo de projetos, isto é, nos “jovens agricultores”.
Projetos como estes trazem inúmeras vantagens para o jovem agricultor na medida em que ajudam na fuga ao desemprego, criando os seus próprios negócios/empregos (o que faz transportar para a agricultura inovação e empreendedorismo). Grande parte do projeto é financiado, tendo por isso um risco financeiro muito reduzido. Estas vantagens levam o agricultor a ter a possibilidade de rendibilizar o negócio com baixo investimento e, mesmo não conseguindo a sua rendibilização, o ativo (máquinas, poços, plantas, etc.) é quase sempre superior ao investimento.
Mas qual é o verdadeiro impacto desta vaga de “novos” agricultores na economia portuguesa?
Calcula-se que o investimento na agricultura portuguesa nos últimos anos seja superior ao investimento que foi feito para o TGV. E espera-se, ainda, que Portugal, até 2020, receba cerca de 7,5 mil milhões de euros em apoios agrícolas, sendo de esperar que todos eles dêem os seus frutos.
Analisando os dados dos últimos anos, podemos afirmar que todos estes investimentos têm tido efetivamente resultado. Foram criados postos de emprego, desde empresas específicas de ajuda na criação deste tipo de projetos, desde empresas especializadas no desenvolvimento dos mesmos a empregos sazonais (pessoas para a plantação e apanha do produto). Estima-se que Portugal empregue nesta área perto de 750 mil pessoas.
O nosso país, para além de muitos postos de emprego criados, consegue agora produzir mais do que o que consome em muitos produtos e, consequentemente, diminuir bastante o valor das importações agrícolas, tendo ainda vindo a aumentar de forma muito apreciável o nível das exportações no ramo, nomeadamente para países menos explorados até então. Pôde-se também verificar-se um aumento do peso da agricultura no PIB, tendo este crescido notoriamente nos últimos anos, rondando valores entre os 4 e os 5%.
Agora, a pergunta, é: será o impacto causado por estes projetos, assim tão positivo? 
Na minha opinião, no curto prazo, acho que estas iniciativas têm tido um impacto estupendo na nossa economia, como pôde ser constatado nos parágrafos anteriores. Contudo, tenho algumas dúvidas que, a longo prazo, tudo continue da forma que está, pois só dentro de seis anos é que as novas produções irão atingir o seu potencial, e será nessa altura que poderemos tirar verdadeiras conclusões. Caso toda a produção consiga ser escoada/exportada, então o impacto dos “novos” agricultores em Portugal será maior que o atual e ultrapassará, penso, o esperado. Se, pelo contrário, a produção comece a ultrapassar a oferta, e os produtores não consigam dar saída ao produto, então veremos muitos projetos, assim como milhões, ao abandono.
Em suma, podemos concluir que atualmente estes projetos têm impulsionado a economia do nosso país. Caso consigamos, no futuro, exportar todos os cogumelos Shitake para a Ásia e todos os frutos vermelhos para os países baixos (apenas como exemplo), poderemos afirmar que houve realmente impacto positivo e não apenas uma iniciativa falhada.

Pedro Miguel Ferreira Pimenta 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Trabalhar ou estudar?

Já lá vão dois meses desde o início do ano letivo, contudo para alguns alunos que acabaram o secundário em julho deste ano, o mês de setembro fui uma realidade diferente a dos outros, uma vez que decidiram enveredar pelo caminho do trabalho e encerrar por agora os estudos. No entanto, se nesta década os alunos se depararam com a questão ”Trabalhar ou Estudar?” ao fim do secundário, os alunos de há uns anos atrás questionavam-se sobre essa matéria ao fim do 3º ciclo, ou, se avançarmos ainda mais para o passado, a perguntaria seria “Vale a pena terminar o 1º ciclo?”. Só que, ao contrário dos dias de hoje, esta pergunta seria respondida pelo país e não pelos alunos.
Desde 2011, os números de alunos matriculados pela 1ª vez ao ensino superior têm vindo a diminuir. As razões desta diminuição estão maioritariamente ligadas à crise económica, que deixou as famílias com dificuldades económicas. Mas também deve-se ao facto de ter sido gerado uma desvalorarão da educação, justificada com expressões do senso comum, como, “estudar para o desemprego”, “o melhor é emigrar”, “estudar não compensa” ou “vale mais é ir trabalhar”, criando nos jovens expectativas de que existe uma alternativa melhor à formação académica.
Olhando para o presente, essa até pode parecer uma melhor solução, no entanto esta apenas o será curto prazo, pois olhando a longo prazo um jovem qualificado terá mais possibilidades de passar as dificuldades do desemprego ou do trabalho mal remunerado, estando assim preparado para enfrentar um mundo exigente, com economias sustentadas em conhecimento.
Apesar de ainda sermos um dos países da Europa com as menores qualificações a nível escolar, os jovens de hoje continuam a deparar-se com a questão de trabalhar ou prosseguir com os estudos, sendo que vários optam por enveredar pelo caminho profissional, verificando-se as diminuições de entradas no ensino superior, sinal este alarmante que não tem merecido comentários por parte do governo. 

Ana Ribeiro 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

sábado, 1 de novembro de 2014

A “marca branca”

O atual consumidor passou a ser um consumidor bem informado, que gosta de efetuar as suas compras de forma inteligente, de maneira a sair beneficiado.
No presente, a preocupação das pessoas não é lutar por mais, mas sim manter o que têm. Vivemos num mundo onde a crise é perfeita: os produtores não produzem, os consumidores não consomem, os financiadores não financiam e os trabalhadores não têm trabalho. No processo de ajustamento em que vivemos, os consumidores procuram o controlo e a redução das suas despesas no longo prazo, sendo cada vez mais condicionados, racionais e exigentes, alterando assim os seus hábitos de consumo.
Há quem afirme que as marcas da distribuição (marcas branca) são um grande problema para a inovação no mercado uma vez que não investem no I&D, posicionando-se pelo preço baixo e imitação das marcas do produtor. Por outro lado, há quem declare que as marcas brancas introduzem dinamismo no mercado, fazendo com que haja maior concorrência no preço, trazem um estímulo ao valor acrescido ao I&D, marketing e design, ao nível do retalho, e também à indústria, através de uma maior concorrência. Completam o mercado, uma vez que preenchem lacunas e são pioneiras em novas categorias.
Os produtos alimentares são um bem essencial para o ser humano e assim são os menos afetados, mas não passam incólumes. De acordo com o estudo (Hábitos e Atitudes face à separação de resíduos domésticos), cerca de metade dos portugueses afirmam que a crise económica já teve impacto ao nível dos seus hábitos alimentares, tanto em casa como fora.
O cérebro humano tem uma capacidade extraordinária de memorização, incluindo os paladares. Este sentido é de superior importância para um supermercado, dado que a área alimentar é hegemónica. O consumidor colecionou ao longo da vida um conjunto de “heurísticas” que o ajudam a decidir em muitos momentos. Estas bases sensoriais são importantes no processo de decisão.
Há casos em que a qualidade do produto não é alterada, ou seja, a mesma empresa produz sobre as mesmas condições. Diversas empresas na mesma produção têm rotulagens diferentes, fornecendo para empresas distribuidoras e não distribuidoras. Numa visita recente que fiz a uma empresa de águas reparei que esta empresa continha duas linhas de rotulagem, sendo que numa delas as garrafas eram Penacova e noutra o engarrafamento era para as águas da cadeia Mini-Preço. Numa reportagem feita pela TVI24 na segunda semana do mês de Outubro, um produtor afirmou que vende a um menor preço para grandes revendedores, pois as suas encomendas excedem as da empresa de marca. Esta redução não afeta negativamente os seus lucros.
Mas nem sempre a qualidade se mantem intacta nas marcas consideradas brancas. Na mesma reportagem focaram a existência de uma empresa onde há alteração da qualidade do produto para assim o preço diminuir. O exemplo em causa era do fabrico em grande quantidade de camarão no Vietname, onde diversos campos de arroz deixaram de ser cultivados para dar lugar á criação de camarão. O produto é sujeito a determinado tratamento de crescimento que altera o seu paladar. 
Segundo a DECO, “de uma maneira geral, os produtos de marca da distribuição têm qualidade. Em 33% foram escolhas acertadas e em 14% foram os melhores do teste. Marcas mais económicas representam uma poupança média de 40% face às marcas mais caras, também testadas.” A realidade é que as marcas da distribuição não estão a conseguir ganhar quota de mercado. Estão a perder quota de mercado desde 2012, e nos primeiros seis meses de 2014 recuaram dois pontos percentuais em comparação com o mesmo período de 2013. De acordo com o Barómetro da Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED), no carrinho de compra dos portugueses 36,2% dos produtos ostentam a marca do híper ou supermercado, mas há um ano o peso era de 38,2%.
As marcas de fabricante, ou seja, detidas pelas empresas de grande consumo conseguiram crescer. Os dados da Nielsen, citados pela APED, mostram que a quota cresceu de 61,8% no primeiro semestre do ano passado para 63,8% no mesmo período deste ano, ou seja, dois pontos percentuais. Este é um cenário bem diferente do que se verificava em 2012. Até esse ano, as marcas da distribuição estavam a ganhar terreno, conquistando sucessivamente quota de mercado. O Barómetro da APED dava conta de um peso de 37,3%%, que desceu para 35,7% em 2013.
Mas afinal o que mudou? Para conseguirem conter o recuo nos gastos, provocado pela crise económica e financeira, os maiores fabricantes viram-se obrigados a reforçar as promoções, os preços aproximaram-se e, na hora de comprar, os portugueses optaram pelos produtos mais reconhecidos, tendo em conta a reduzida diferença de valores. Por outro lado, as cadeias de distribuição também preferem apostar em descontos nas marcas dos fornecedores, já que “os encargos com as promoções recaem nos fabricantes e não nos próprios”.

Ana Luísa Ferraz Pereira 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]