segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Irlanda, o duplo impacte económico da pandemia

A crise sanitária­­­­­­­ provocou desequilíbrios nas economias mundiais, tendo sido responsável por quedas acentuadas no comércio e pela paralisação parcial de alguns setores da atividade económica e, em casos mais extremos, total. Estes choques incitaram, em 2020, uma descida de 3,5% do PIB mundial, uma contração de 6,6% do PIB na Zona Euro e de 6,2% na União Europeia. Todavia, existiram duas exceções neste panorama que conseguiram escapar a uma recessão no ano passado: a China, uma grande potência mundial; e a Irlanda, que será estudo deste trabalho.

          Surpreendentemente, a Irlanda apresentou, em 2020, um acréscimo de 3,4% do PIB (segundo dados do Instituto de Estatística irlandês), contudo, isto não significa que a economia irlandesa não sofreu com a pandemia. De facto, como refere Pashcal Donohoe – ministro das Finanças da Irlanda e atual presidente do Eurogrupo – a interpretação deste resultado tem de ser feita de forma cautelosa uma vez que o “PIB não é a medida mais correta do que está a acontecer na economia”. Na verdade, o excedente verificado deve-se à atividade das multinacionais sediadas no país, principalmente norte-americanas, relacionadas com o setor farmacêutico e tecnológico, uma vez que se trata de uma economia muito aberta e dependente da produção destas empresas e, também, do comportamento da procura global.

          A pergunta que se coloca é: porque decidiram as empresas multinacionais (offshores) sediar a sua atividade económica e propriedade intelectual na Irlanda? O principal motivo está relacionado com as políticas públicas orientadas para a captação de investimento, apresentando baixas taxas de imposto sobre o lucro e capitais, assim dizendo, possue uma fiscalidade atrativa. Por consequência, as vendas, ou melhor, a produção gerada nestas empresas contribui para o PIB irlandês ao invés de fazerem parte do PIB de outros países.

Estas corporações oferecem emprego numa escala menor à do investimento e da produção, dado que parte dos postos de trabalho associados provém de recrutamentos não só nacionais mas também internacionais. Desta forma, a presença e a dimensão das mesmas (como a Google, Apple e Microsoft) dificultam a leitura dos números do crescimento do país, que divergem significativamente ao incorporar ou não a atividade das multinacionais. 

Foi o crescimento de 6,25% das exportações de serviços através das multinacionais (apesar da queda da procura mundial e a quebra das importações por causa da redução do consumo privado) e o crescimento de 9,8% dos gastos públicos que permitiram ao PIB crescer em 2020. No entanto, há um indicador usado pelo INE irlandês que mostra a outra face da moeda: a “procura interna modificada”, uma medida da atividade interna que exclui o efeito das multinacionais e que inclui o investimento e os consumos público e privado, contraiu 5,4% em 2020, número este próximo das recessões registadas nos outros países europeus.

De um ponto de vista macroeconómico, é possível identificar dois cenários diferentes, em 2020. Se, por um lado, o consumo privado de bens e serviços contraiu 9% (representa o dobro da queda apresentada durante a crise financeira internacional de 2009), os setores de transporte, distribuição, restauração e alojamento assinalaram uma contração combinada de 16,7%, e o setor das artes e entretenimento colapsou, com uma queda de 54,4%. Por outro lado, constata-se que o setor das multinacionais progrediu 16,2%, passando a representar 50% do Valor Absoluto Bruto (VAB), um acréscimo de 6,7% desde o ano anterior.

Assim, numa perspetiva pessoal e tendo em mente as evidências supramencionadas, considero que a análise de uma economia não pode ser feita só com o indicador PIB, na medida em que este não representa na totalidade a realidade. Observo, ainda, que a Comissão Europeia deveria intervir na fiscalidade presente na Irlanda. Caso contrário, este modelo de tributação proporciona benefícios para os paraísos fiscais e provoca um contexto de desigualdade nesta área para com os restantes países.

 

Bruna Freitas Lomba Costa

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]  

O Impacto da Inflação nos Gastos

A inflação é um termo económico utilizado para designar um aumento geral dos preços de bens e serviços. Deste modo, não afeta só o custo de vida mas também outros fatores, como as taxas de juro em contas poupança, o desempenho de empresas e o preço de ações.

Se o rendimento de um indivíduo não aumentar proporcionalmente ao crescimento da taxa de inflação, trata-se de uma perda do poder de compra. Este processo acontece uma vez que o preço dos bens e serviços aumenta. Por consequência, o consumo e o investimento são encorajados. Dado que o dinheiro vai perder valor, é mais vantajoso comprar produtos ou serviços que o retenham.

A inflação atinge com maior incidência as pessoas que guardam dinheiro nas suas casas ou no banco com taxas de juros baixas, visto que a taxa de inflação é maior que a taxa de juros. Em termos reais, o retorno é negativo. Porém, isto não quer dizer que não se deva ter dinheiro em contas poupança, pois estas podem servir como fundos de emergência. Por outro lado, se o dinheiro no fundo de emergência for suficiente para o individuo em questão, investir o dinheiro será uma melhor opção.

Os investidores devem procurar investimentos com retornos que são iguais ou maiores do que a inflação. Fundos de Investimento e ETF’s são opções de baixo risco e com retorno superior à inflação, não perdendo assim poder de compra e ao mesmo tempo tendo retorno. Outras boas opções de investimento que poderão ser utlizadas para cobrir a taxa de inflação são os metais preciosos, como o ouro. Também se consideram investimentos rendíveis aqueles no ramo imobiliário, sendo uma opção das mais populares não só porque é um ativo que retém bem o seu valor, mas também pela possibilidade de gerar rendimento passivo.

A inflação não é sinónimo de um acontecimento puramente negativo, tendo em conta que, para os detentores de dívidas e hipotecas, o efeito inflacionário reduz o valor da dívida em termos reais. Por exemplo, o valor definido para hipotecas sobre as propriedades mobiliárias será uma fração do valor da casa na atualidade.

Há também uma relação entre o desemprego e a inflação: quanto menor a taxa de desemprego maior a taxa de inflação. Uma relação inversa denominada por curva de Philips. Uma menor taxa de desemprego reflete-se num maior rendimento na economia, o que resultada numa procura elevada de bens e serviços. Quanto maior a procura maior a liberdade das entidades empresarias para aumentar o preço dos bens e serviços. Consequentemente, é observado um crescimento na economia.

A inflação desencoraja a poupança visto que o poder de compra diminui ao longo do tempo. Isto incentiva os consumidores e negócios a gastar e investir. A relação inversa entre o desemprego e a inflação provoca um aumento no crescimento económico, sendo que há um número maior de postos de trabalho.

Finalmente, a inflação pode também levar a aumentos de taxas de juros, o que causaria um aumento dos encargos com hipotecas, empréstimos, entre outros. Se as taxas de juro forem baixas, as empresas e indivíduos têm a possibilidade de requerer empréstimos com maior acessibilidade para começarem negócios, contratar novos trabalhadores e, até, comprar casas. Em suma, uma taxa de juro baixa incentiva o consumo e o investimento, proporcionando um aumento na taxa de inflação.

 

Luís Oliveira

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

A crise pandémica no futebol nacional e europeu: problemas e soluções

         Atualmente, o futebol é considerado o desporto mais famoso a nível mundial, dando origem a milhares de milhões de euros em receitas todos os anos. Estas receitas são divididas em três grandes grupos: receitas de bilheteira e hospitalidade; direitos televisivos e acordos comerciais; e de publicidade.

A interrupção do futebol profissional na Europa devido à pandemia da Covid-19 teve um forte impacto na economia dos clubes, numa temporada em que as receitas de todas as suas ligas e divisões sofreram uma queda de 3,7 mil milhões €. A adoção de medidas como suspensões de jogos, adiamento de competições e partidas realizadas à porta fechada foram os principais fatores para a crise no mercado futebolístico. No total, as receitas caíram 13%, para os 25,3 mil milhões €, de acordo com um relatório da Deloitte realizado em Julho de 2021.

 O maior impacto foi observado nas cinco maiores ligas europeias (inglesa, espanhola, alemã, italiana e francesa), conhecidas como as “big five”, com uma queda de 11% nas receitas. Dentro destas, a que sentiu um impacto menor foi a liga alemã, uma vez que reativou o campeonato mais cedo, mesmo que à porta fechada, com uma quebra de 4% nas receitas, para os 3,4 mil milhões de euros durante a temporada. Por outro lado, a que mais sofreu com a pandemia foi a inglesa, a liga que gera mais receitas em todo o mundo, tendo caído 13%, para os 5,2 mil milhões €.

Em Portugal, as quebras nas receitas também foram acentuadas, tendo em conta a dimensão da liga e dos respetivos clubes. Apenas nos “três grandes”, estima-se que se tenha observado uma perda de 60 milhões €, tendo em conta os três meses sem futebol (março a maio de 2020). Além do adiamento de jogos e competições, uma das soluções foi estabelecer cortes salariais, tal como aconteceu com diversos clubes europeus, recorrendo ao regime de lay off simplificado - uma das medidas extraordinárias aprovadas pelo Governo português para proteger os postos de trabalho face à crise pandémica. Deste modo, a Belenenses SAD foi o primeiro representante da primeira liga portuguesa a formalizar o recurso parcial ao lay-off, seguido de clubes como o Sporting CP. Neste regime, os salários dos jogadores, técnicos e dos restantes funcionários são reduzidos para dois terços, para um máximo de 1905 euros (11% descontado para a Segurança Social), sendo que 70% desse valor é suportado pelo Estado.

A meu ver, as medidas tomadas pelo Governo português no combate à Covid-19 no que respeita aos eventos futebolísticos foram necessárias, ainda que, por vezes, insatisfatórias. O facto do final da temporada 2019/2020 ter sido disputada com os estádios à porta fechada, assim como o início da temporada de 2020/2021, sem dúvida que ajudou na redução dos casos de infetados em Portugal, uma vez que estes eventos eram categorizados pela WHO como super-spreaders. No entanto, durante estas duas temporadas sob a pandemia, foram realizados dois eventos europeus de futebol, nomeadamente a fase final da UEFA Champions League 2019/2020, em Lisboa, e a final, também da UEFA Champions League, da época 2020/2021, esta já com a presença de adeptos, no Porto. Estes dois eventos causaram revolta nos adeptos portugueses, principalmente o segundo, uma vez que comprovaram a capacidade dos clubes, como o FC Porto no Estádio do Dragão, para receber adeptos, no caso um total de 16.500, numa altura em que os jogos das competições portuguesas continuavam a ser realizados à porta fechada, afetando as receitas de todos os intervenientes das ligas profissionais.

Apesar disso, o retorno dos adeptos às cadeiras dos estádios foi realizado com sucesso, não havendo qualquer ligação entre as partidas e um aumento significativo de casos. Mesmo assim, é necessário que o Governo continue a acompanhar e a apoiar o setor futebolístico, visto que este impacto pode perdurar até 2024, segundo um estudo realizado pela World Footbal Summit (WFS) e pela empresa SPSG Consulting.

 

Miguel Vilaça Duarte

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

 

´Offshores` e Paraísos Fiscais na União Europeia

Offshore é o nome dado à abertura de uma organização (empresa) ou contas bancárias em um país alheio à residência do seu titular. Contudo, a criação de offshores está intimamente ligada à escolha ideal do paraíso fiscal que a abriga, uma vez que estes possuem regras de proteção de identidade dos detentores das offshores e adotam políticas tributárias muito reduzidas ou nulas.

Este tema é atual e polémico uma vez que envolve uma grande mobilização de ativos financeiros e criação de empresas, que em muitos casos acabam por ter associação criminosa de elisão e evasão fiscal e até mesmo lavagem de dinheiro.

A criação de uma sociedade offshore, por si só, não constituiu nada de ilícito, todavia todas as caraterísticas que a compõem e as suas localizações permitem criar espaços para a prática de crimes económico-financeiros.

A União Europeia tem uma lista, apelidada comummente de lista negra, que classifica alguns países ou estados como paraísos fiscais. Porém, esta lista é insuficiente e duvidosa, pois esconde alguns países, alguns estados-membros da UE, que têm regras e legislações que lhes permitem serem paraísos fiscais.

Vejamos o exemplo do Luxemburgo. Este país, estado-membro da UE, possui pouco mais de 600 mil habitantes e cerca de 140 mil empresas. Destas, 90% delas são detidas por estrangeiros, o que facilmente induz a perceber que este país alberga sociedades possuídas por pessoas dos outros estados membros da UE e de outros países extracomunitários.

A ONG Tax Justice Network demonstrou, em 2020, que a evasão fiscal no mundo equivale, em média, a prejuízos aos estados de cerca de 427 mil milhões de dólares. Segundo esse relatório, o Luxemburgo é o quarto país do mundo que mais contribui para estas perdas, retendo 6,5% da fuga de impostos dos outros estados.

A União Europeia possui, não obstante, mecanismos de deteção destes paraísos e políticas de prevenção das práticas de evasão fiscal. Algumas das medidas adotadas são a troca automática de informações relativas a contas financeiras, a troca de decisões fiscais, informações declaradas por país (que mitiga os efeitos dos agressivos planeamentos fiscais das multinacionais que operam em vários países) e políticas anti-branqueamento de capitais.

Porém, na minha opinião, estas políticas são de pequeno efeito e a sua aplicação é duvidosa, uma vez que continuam a existir estados-membros que perpetuam as receitas indevidas de dinheiro estrangeiro. Uma homogeneização das políticas fiscais nos estados membros da UE, tendo em conta as suas caraterísticas económicas, como caraterização do tecido empresarial, inflação, salários reais, o PIB em paridade do poder de compra, entre outras, poderia ser benéfico, no meu ponto de vista, de forma a eliminar desigualdades nos estados-membros e impedir crimes financeiros dentro dos países da União Europeia.

Concluindo, Paul Tang, eurodeputado de centro-esquerda dos países baixos, afirmou: “Na União Europeia, parece não ser de bom tom denunciar os prevaricadores. Penso que o Parlamento Europeu é a única instituição que o faz […]”, referindo-se a paraísos fiscais como o Luxemburgo.

Pessoalmente, concordo com a frase supracitada, pois a UE, apesar da adoção de algumas medidas e da discussão permanente no Parlamento Europeu sobre os casos polémicos (como Openlux, Luxleaks, Panama Papers, Pandora Papers, etc.) continua a evitar dar resposta às práticas existentes dentro da Comunidade. As medidas adotadas continuam a ser de cariz irrelevante pela sua ineficácia consciente (pela UE) no que toca a ter mudanças efetivas nos problemas estruturais dos sistemas fiscais dos países dos estados-membros.

 

Carlos Alexandre Teixeira Moreira

Webgrafia:

https://pt.euronews.com/2021/02/16/ue-vai-continuar-a-ignorar-os-seus-paraisos-fiscais

https://www.publico.pt/2021/02/22/economia/noticia/ue-reviu-lista-paraisos-fiscais-mudancas-minimas-1951635

https://www.europarl.europa.eu/news/pt/headlines/economy/20210415STO02118/politica-fiscal-as-solucoes-da-ue-para-prevenir-a-evasao-e-a-elisao-fiscais

https://eur-lex.europa.eu/legal-content/PT/TXT/PDF/?uri=OJ:C:2020:429:FULL&from=EN

https://maisretorno.com/portal/termos/o/offshore

https://www.wort.lu/pt/economia/luxemburgo-e-o-quarto-pa-s-que-mais-contribui-para-a-evas-o-fiscal-no-mundo-5fbce101de135b9236481072

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Natalidade em Portugal: Desafio ou Progresso?

        Nas últimas décadas, a natalidade, à vista de muitos, tornou-se um problema em Portugal. A sua diminuição drástica tem feito com que a população portuguesa envelhecesse gradualmente, situação que causa alerta na economia do país e que tem tendência para piorar no futuro. Contudo, será isto um aspeto negativo do país ou um progresso?

          A natalidade é um assunto muito falado na Assembleia com o objetivo de arranjar as melhores estratégias possíveis para pôr fim à sua queda e incentivar o seu aumento. Os portugueses queixam-se que não possuem os recursos suficientes para criar um filho e o governo trata de dar incentivos monetários às famílias. Será este o raciocínio mais correto? Se falarmos na natalidade, numa perspetiva mais histórica, reparamos que nas gerações mais antigas, como a dos nossos avós, por exemplo, ter 6, 7, 8 filhos ou mais era normal, e temos que ter em conta que Portugal e, respetivamente, as famílias portuguesas eram muito mais pobres.

          Estas adversidades fazem-nos questionar se será mesmo apenas a crise económica ou a falta de recursos que causa a queda da natalidade. Para respondermos a esta questão precisamos de refletir nos seguintes pontos:

·       Atualmente, devido aos requisitos da segurança social, é obrigatório colocar os filhos na escola até ao 12º ano, o que contrasta com um passado em que era pedido aos filhos para irem trabalhar (principalmente, em meios rurais). Assim, os filhos passaram de uma fonte de rendimento para uma forma de investimento. Os pais têm de, obrigatoriamente, pagar o ensino, que, mesmo que seja público, acarreta despesas como material escolar, livros, transportes, etc... Por outro lado, este investimento possui um custo de oportunidade: ao estar na escola, os filhos não ganham dinheiro, porém ganham conhecimento e educação para a vida toda.

·       Em comparação com as primeiras décadas do século XX, Portugal encontra-se muito melhor a nível económico e a grande queda que se deu na natalidade ocorreu na transição para o grupo dos países mais desenvolvidos.

Seguindo esta a perspetiva, a queda da natalidade em Portugal deve ser vista como um aspeto positivo, pois o país tornou-se mais moderno, sensato e rico.

No meu entendimento, as principais razões/fatores para a diminuição da natalidade são o crescimento económico, os direitos das mulheres e a emancipação feminina (implicação de maior independência financeira e maior respeito pelas suas escolhas acerca da natalidade), a segurança social e os métodos contracetivos.

É importante referir que entre estes fatores há aqueles que são mais responsáveis pela diminuição da natalidade. Os direitos das mulheres e a emancipação feminina e a segurança social são fatores que advém das alterações das normas socias, oriundas do crescimento económico.

Embora pareça ser uma razão importante, a razão dos métodos contracetivos é muito menos importante do que as outras porque, historicamente, todas as sociedades tiveram maneiras de controlar as taxas de natalidade dentro de certos parâmetros.

Ainda assim, a diminuição está descontrolada. Em 2000, a taxa bruta de natalidade era de 11,66%o, e sofreu uma queda para 9,59%o até 2010. A natalidade atingiu o menor valor de sempre em 2014, com uma taxa bruta de 7,92%o. Em 2015 e 2016 a natalidade recuperou muito pouco, voltando para valores de 8,44%o, mas em 2017 começou novamente a diminuir. A última taxa bruta de natalidade que se encontra calculada pelo INE (2020) é de 8,2%o.

Com isto, mesmo que determinada queda na natalidade possa compor alguma progressividade no país, esta, hoje, apresenta-se como um desafio e condiciona o futuro do país, como, por exemplo, a sustentabilidade da segurança social.

 

Ana Carolina Rodrigues Araújo

 [artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Endividamento das famílias portuguesas durante o COVID-19

         No dia dois de março, foram confirmados os dois primeiros casos de COVID-19 em Portugal, dando assim início à crise pandémica que acarretou uma crise económica para as famílias portuguesas. Com os inúmeros surtos de Covid que iam aparecendo, tanto em empresas, como lares, escolas, universidades, hospitais, etc., e com os casos a aumentar, o governo português foi obrigado a restringir ao mínimo possível a saída dos portugueses das suas habitações, numa tentativa de combater a crise sanitária. 

Uma das primeiras medidas tomadas foi o encerramento dos estabelecimentos de ensino ou dos equipamentos sociais de apoio à primeira infância ou à deficiência, o que tornou a vida de muitos agregados familiares complicada. Após isto, começaram a fechar empresas, tendo-se visto algumas obrigadas a mandar os seus colaboradores para lay-off. Como consequência, inúmeras famílias tiveram uma perda nos seus rendimentos, tendo sido obrigadas a recorrer a moratórias e empréstimos.

Houve setores mais afetados que outros, como, por exemplo, os restaurantes, bares, discotecas, etc. Contudo, a construção civil foi um exemplo de uma área que se manteve sempre ativa.

Assim como foi demonstrado, houve famílias que mantiveram os seus rendimentos, e tendo em conta que os estabelecimentos de diversão e restaurantes se encontravam encerrados, algumas famílias conseguiram, apesar de toda a situação, aumentar as suas poupanças. Por outro lado, as restantes, que ficaram sem emprego e com rendimentos reduzidos, viram a sua situação financeira a colapsar, deixando de conseguir dar saída às despesas.

Com base nas estatísticas do balanço das instituições financeiras monetárias foram apurados os valores que se reportam de seguida. No final do ano de 2020, 1,8% do total de stock de empréstimos que os bancos concederam aos particulares estavam em incumprimento, um valor inferior ao que foi registado em dezembro de 2019 (2,1%). Verificou-se que o incumprimento dos empréstimos foi mais acentuado na área do consumo do que nos empréstimos da habitação, que apresentam rácios de incumprimento de 6,3% e 0,6%, respetivamente, no final de dezembro de 2020, onde um rácio de incumprimento de 1,8% significa que, em média, por cada 100 euros que os bancos emprestaram aos particulares, cerca de 1,80 euros não estavam a ser reembolsados de acordo com o contratualizado. 

Esta evolução de empréstimos em incumprimento pode ser analisada através do rácio de empréstimos vencidos, que mede o peso do stock de empréstimos vencidos no total de empréstimos concedidos pelo setor bancário aos particulares residentes em Portugal. 

 

          Contudo, com o desenvolvimento da vacina contra o COVID, e a fácil adesão dos portugueses na sua toma, foi possível para a economia portuguesa e mundial ver uma “luz ao fundo do túnel”. Tendo em conta que 86,82% da população portuguesa já foi vacinada, e com o levantamento das restrições impostas pelo governo português, foi possível para quase todos os setores na economia voltarem ao ativo.

 


Joana Pedra Gonçalves

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Desemprego: uma das grandes consequências da crise sanitária!

         Em 2020, identifica-se e conhece-se um vírus respiratório (SARS-CoV-2) que se alastra rapidamente por todo o mundo. O rápido contágio desta infeção num curto prazo de tempo moveu todos os países para uma situação de incerteza e insegurança visto que nenhum destes teria preparação e conhecimentos para o combater.

A dia 2 de março de 2020, foram registados os dois primeiros casos de covid-19 em Portugal e, tal como todos os outros países, também Portugal teve de tomar inúmeras decisões de forma rápida de modo a retardar a enorme propagação do vírus. Foi então que, com o avançar do número de casos de infeção, decidiu fechar todos os lugares que poderiam contribuir para a propagação do vírus.

A chegada do confinamento teve consequências Sociais e Económicas e o encerramento temporário de inúmeras empresas resultou em que muitas destas não tivessem possibilidade de continuarem abertas e, as que tinham essa possibilidade, não produziam receita suficiente para sustentarem os salários dos seus funcionários. Desta forma, o desemprego começou a aumentar.

Em setembro de 2019, o emprego registado, em Portugal, era de 301 282 indivíduos. A meio da pandemia, o aumento de desemprego, comparativamente a setembro de 2019, era significativamente maior. Deste modo, em setembro de 2020, existiam 410 174 pessoas na categoria de desemprego registado, o que nos dá um aumento de 36,1% do desemprego entre setembro de 2019 e de 2020.

Não só em Portugal o desemprego aumentou de forma gradual, mas também em vários outros países, como Brasil, Espanha, Itália e Chipre. Pesquisas demostram ainda que Itália, Espanha e Chipre foram os países do sul da Europa que registaram as maiores quedas nas taxas de emprego e que o maior desemprego registado foi nas mulheres, devido a obrigações de assistência domiciliar durante a pandemia.

Podemos ainda concluir que o aumento do desemprego teve um impacto muito grande nas famílias portuguesas dado que existiam, no final de março de 2020, 5.902 famílias nas quais nenhum elemento do agregado familiar trabalhava. Isto demostra que existiam 5.902 famílias sem qualquer tipo de rendimento, que desconheciam se viriam a conseguir emprego e com a incerteza de ter, ou não, dinheiro para as suas necessidades básicas nos tempos que se seguiam.

A verdade é que as consequências do covid foram conhecidas ao longo do ano e Portugal agiu de uma forma rápida para as minimizar. Apesar de ter dado diversos apoios, estes não foram suficientes para evitar todo o desemprego que se veio a conhecer mas, ao longo do ano, e com a reabertura das lojas, restaurantes, e muitos outros estabelecimentos, o desemprego veio a diminuir. Em setembro de 2021, foram registados 359 148 desempregados, ou seja, entre setembro de 2020 e setembro de 2021, houve uma diminuição do desemprego em 12,4%.

No futuro, mesmo que nos achemos mais atentos e preparados para outro vírus, a verdade é que nunca conseguimos estar preparados para o desconhecido e teremos de voltar para o nosso ponto inicial: para a necessidade de diagnóstico, procura de uma vacina segura e eficaz, tomada de decisões rápidas para diminuição da propagação, diminuição rápida das consequências. Assim, iremos voltar ao momento de insegurança e instabilidade económica e social que passamos e teremos da voltar a contornar.

 

Eduarda Castro

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]