domingo, 6 de janeiro de 2013

Economia paralela

À margem da atividade económica, diga-se normal, de um país, há lugar a uma outra economia, denominada economia informal ou economia paralela. Em Portugal, existe, obviamente, e em bom peso.
Trata-se, portanto, da parte da economia que não é contabilizada, que não entra nas contas do país, isto é, que não contribui para o seu PIB. Esta economia existe em qualquer país, embora em diferentes proporções. Em certos países existe maior controlo, pelo que é mais difícil realizar esta fuga às obrigações subjacentes.
Em Portugal, esta economia representou, segundo o Observatório de Economia e Gestão de Fraude, 25,4% do PIB de 2011, um número que tem vindo a ganhar cada vez mais importância, e as previsões apontam para que esta tendência se mantenha, ou seja, que continue a aumentar. A média da economia paralela da OCDE é de 16,4% para o mesmo ano e segundo a mesma fonte.[1]
Aquilo a que chamamos de clandestino, ilegal, fora da lei, existiu, existe e continuará a existir, sendo certo que o quadro social, político, financeiro (…) influencia, fortemente, o seu peso. O clima de crise que vivemos tem-se traduzido numa intensificação da austeridade: verifica-se um aumento contínuo da carga fiscal e do desemprego por exemplo, o que se reflete num nível de vida da população, de um modo geral, propício a alimentar esta economia. Estas atividades, geralmente, desenvolvem-se porque a elas estão associados menores custos de aquisição ou maiores benefícios/lucros.
São várias as atividades que cabem nesta classificação: feiras, tráfico, agricultura (por vezes), … e muitas outras onde as vendas não são “faturadas”.
O objetivo de melhorar a situação atual do país pode passar pelo aumento de impostos até um certo ponto, a partir do qual esta medida deixa de ser viável. Isto funciona como um incentivo à economia informal: quanto maior a tributação maior será a fuga aos impostos.
Mas, desta situação ressaltam algumas dúvidas: se a economia paralela é nefasta, na medida em que diminui as potencialidades de crescimento do PIB do país, como poderemos nós combatê-la? A criminalização do enriquecimento ilícito será uma medida inovadora nesse sentido? A este enriquecimento está, obviamente, implícita uma atividade ilícita, seja ela qual for (muitas vezes, burlas e “manobras escuras” no sector empresarial, tráfico, …).
Porém, talvez não abarque todas as situações que cabem nesta temática, sendo certo que será necessário, para que se consiga combater este fenómeno, desenvolver outros mecanismos, como a fiscalização, por exemplo, mas também, talvez, suavização daquilo que é a carga fiscal que os indivíduos suportam.
Os indivíduos, de facto, para se sentirem desincentivados a praticar certos atos, devem encará-los como “proibidos”, “ilegais”, logo, também se torna importante a preocupação em legislar, de forma correta, este tipo de atos. Para além disto, um dos mecanismos que verdadeiramente faz com que os indivíduos, na prática, não exerçam esses atos, é o facto de existirem punições para quem agir contrariamente à lei.
Porém, uma outra deficiência que aqui se coloca é a discrepância que existe quanto ao benefício e a pena, isto é, a sanção, por vezes, parece ficar aquém do benefício que o individuo retira do ato que pratica.
A corrupção em Portugal atinge níveis elevados, tornar crime o enriquecimento ilícito seria um possível combate à mesma.
Certamente que, com esta medida, virão os seus custos subjacentes, nomeadamente com a fiscalização necessária. No que concerne à economia informal, esta medida pode também ter algum impacto sobre a mesma, devido ao aumento da fiscalização e, por isso, ser possível inverter a sua tendência crescente. Assim, de um modo geral, poderá trazer benefícios para a atividade económica do país.

Maria Costa Reis


[1] http://www.publico.pt/economia/noticia/economia-paralela-superou-os-25-em-2011-1562861

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Nota (de J. Cadima Ribeiro): esclareça-se que não é correcto confundir negócios/operações económicas que fogem ao controlo do fisco com não contabilização dessas operações em matéria de contributo para o PIB. Em boa verdade, como ainda há pouco tempo ouvi esclarecer um técnico do INE, essas operações geram recursos que são introduzidas no circuito económico e que, por isso, na sua larga maioria, directa ou indirectamente acabam por ser identificados e calculados. 

sábado, 5 de janeiro de 2013

A Europa e a Integração Europeia

Num contexto de crise económica e de incerteza em relação ao futuro… é neste cenário que a União Europeia se encontra em 2013, cenário que se tem prolongado ao longo dos últimos anos e não tem fim à vista.
O que falta à UE para assegurar a estabilidade económica e financeira que se comprometeu aquando da criação da União Económica e Monetária? O que correu mal e que não permitiu alcançar essa estabilidade?
Por União Económica e Monetária entende um mercado comum dotado de uma moeda única e que tem como principal objetivo garantir a estabilidade económica e financeira de todos os Estados-Membros. Contudo, hoje em dia, compreende-se que o projeto de criação da União Económica e Monetária Europeia possuía algumas falhas que se repercutiram nos momentos de maior incerteza económica e no momento de eclosão da crise económica e financeira em 2007. Estas falhas fizeram com que nunca se alcançasse, em pleno, os objetivos primordiais propostos, bem pelo contrário. Em algumas situações, as dificuldades enfrentadas pelos Estados-Membros foram bem maiores do que as esperadas. Deste modo, torna-se necessário atuar no sentido de mudar as políticas que conduziram a UE a esta difícil conjuntura económica.
  É importante ter em conta que existe uma interdependência entre os Estados-Membros pelo que parte da solução terá de passar pelo esforço conjunto de todos os países da área euro, no sentido de alterar o rumo que a Europa está a tomar e, assim, tentar resolver a crise e restabelecer o crescimento sustentado e criador de emprego.
  Contudo, é preciso ter em conta que os Estados-Membros mais afetados pela crise económica e financeira mundial terão que estar sujeitos a um esforço maior. Portanto, os países que registaram desequilíbrios macroeconómicos mais acentuados têm que, obrigatoriamente, adotar medidas que restabeleçam a estabilidade financeira e a sustentabilidade da dívida pública. Portugal é um bom exemplo visto que, para além de muitas outras consequências, viu o seu acesso ao financiamento de mercado limitado, o que tornou a sua situação ainda mais complicada, registando uma contração económica no final de 2011. Contudo, nesse mesmo ano deu início à aplicação do Programa de Assistência Económica e Financeira, que consiste num conjunto de medidas relacionadas com a estabilidade financeira e a competitividade.
  Assim, torna-se necessário que cada Estado-Membro adote medidas adequadas à sua situação económica, mas é importante complementar este esforço com ações a nível europeu para que haja sucesso na implementação das novas políticas em toda a Europa.
  Mas será que a União Europeia está a trabalhar na implementação de novas estratégias para ajudar os Estados-Membros? Pode dizer-se que sim… Em maio de 2011 foi criado o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, que tem como objetivo assegurar a estabilidade da zona euro e ajudar os países do grupo em dificuldade. Esta entidade pode emitir obrigações e outros mecanismos de refinanciamento e, assim, auxiliar países em piores situações. Também o Mecanismo Europeu de Estabilidade pretende, desde 2012, assegurar a estabilidade da zona euro. O MEE, como regulamento de auxílio dos Estados-Membros, deverá impedir que mais países da zona euro entrem em dificuldades por causa dos endividamentos orçamentais, com consequências negativas para o Euro.
  Em suma, é possível concluir que a União Europeia tem tentado procurar soluções que ajudem os Estados-Membros a abandonarem a situação delicada que vivem nos dias de hoje. Para isso, tem lutado de forma a aumentar a integração europeia, pois entende que este é um pilar fundamental para que se atinja, com sucesso, o objetivo da estabilidade económica. Deste modo, todos os países da zona euro, apesar de dependerem do seu desempenho para saírem desta conjuntura desfavorável que atravessam, necessitam que a UE reforce e melhore o processo de coordenação das políticas económicas a nível europeu. Só assim será possível atingir a tão esperada estabilidade económica e financeira na União Europeia.

Ana Sofia Costa

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Quais as consequências no desemprego da redução das indemnizações por despedimento?

Atualmente, em consequência das diversas medidas de austeridade implementadas no país para reverter a situação de elevada dívida externa, o desemprego tem aumentado para um número extremo e não observável num período recente. Esta situação torna-se dramática. Pelo país fora, observam-se situações de precaridade em diversas famílias devido ao “tormento” do desemprego. Conjuntamente, diversas são as notícias de encerramento de empresas que não conseguem sobreviver. Segundo dados do Eurostat, do dia 1 de Outubro de 2012, o valor da taxa de desemprego apresenta-se em 15,9%, já para a Zona Euro e para a União Europeia é de 11,4 e 10,5, respetivamente. Ao elaborar uma comparação com outros países, deparo-me que Portugal é terceiro país da União Europeia com maior taxa de desemprego. À sua frente encontra-se a vizinha Espanha (25,1%) e a Grécia (24,4%).
Neste momento, existe por parte do governo a tentativa de alteração das regras de despedimento. A principal alteração resulta na diminuição das indemnizações que o empregador tem de pagar por cada ano de trabalho ao empregado, em caso de despedimento. Esta medida já foi efetuada em períodos anteriores, como em Novembro de 2011. Deste modo, esta alteração pode provocar dois efeitos no mercado de trabalho.
Em primeiro lugar, considero que o acontecimento com maior probabilidade de suceder na atual situação é o aumento em descalabro do desemprego. Quando os custos de despedimento baixam, os empregadores veem o despedimento de um trabalhador mais facilitado. Desta forma, as empresas têm um maior incentivo em despedir e enviar para o desemprego, principalmente, os funcionários que são abrangidos por esta medida. Em segundo lugar, mas com menor probabilidade de ocorrência, pode suceder o aumento da população empregada, ou seja, aumento do emprego. Compreende-se assim que as empresas, que anteriormente se encontravam com incerteza quanto à contratação de novos empregados, com esta medida apresentada sentem-se mais seguras em caso de insucesso do negócio. No entanto, este acontecimento com a atual situação revela-se improvável, porque existem poucas empresas a iniciar atividade ou em expansão de produção.
A medida em questão ainda se encontra em fase de discussão, principalmente com os sindicatos que não aceitam a aprovação da mesma, afirmando ser uma política a favor da recessão e da precariedade (in Jornal de Negócios, 12/12/2012). Como analisado anteriormente, a medida em questão pode elevar o valor do desemprego para um número ainda mais estrondosos que o valor mencionado acima. No entanto, a razão do uso desta medida por parte do governo tem como principal objetivo anunciado o crescimento e o emprego. Assim, surge contradição quanto às consequências desta política e, em caso de aprovação, apenas com o decorrer do tempo é possível observar quais os seus efeitos. Mas no estado atual da economia torna-se complicado o objetivo do governo ser alcançado e com maior probabilidade ocorrerá a situação contrária.
Porém, existem outras medidas que podiam ser consideradas para fomentar o crescimento e o emprego, como é exemplo a criação de um programa de estágios profissionais para jovens licenciados empurrados para o desemprego pela falta de experiência profissional. De uma outra forma, posso considerar também a criação de incentivos para o empreendedorismo de produtos de alta qualidade e inovadores, com possibilidade venda a clientes estrangeiros. Assim, seria possível afirmar a competitividade externa e aumentar as exportações. Por outro lado, os portugueses consomem diversos produtos externos. Desta forma, o governo deveria também estimular o consumo de bens nacionais, de forma a diminuir as importações e fortalecer as indústrias portuguesas.

Maria de Fátima Barbosa da Cunha

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Turquia deverá ou não ser aceite na UE?

A Turquia é um país euro-asiático, entre a Europa e a Ásia, tornando-se um país geograficamente estratégico e importante. Em termos geográficos, a Turquia faz fronteira com oito países. A religião predominante deste país é o Islão, com cerca de 70 milhões de muçulmanos, enquanto que as outras religiões representam apenas o peso de 3,9% da população, sendo a sua população total de 79.749.461 habitantes, em Julho de 2011.
A Turquia é membro associado da União Europeia desde 1963. Em 1987 fez a sua candidatura a Estado-Membro e apenas em 1999 a viu formalizada. A sua candidatura gerou uma controvérsia entre os países da UE, focando dois temas bastante polémicos: a Religião e os Direitos Humanos.
Com dois recentes alargamentos aos países de Leste, em 2004 e em 2007, a União Europeia deu um exemplo de democracia ao acolher três países ex-membros da União Soviética (Estónia, Letónia e Lituânia), e ainda países que pertenciam ao Pacto de Varsóvia (por exemplo, a Polónia, a Bulgária e a Roménia). Com a promessa de adesão à UE, esses países introduziram um conjunto de reformas que reforçaram o sistema e os valores democráticos.
Uma vantagem da entrada turca para a UE é que a população da Turquia é maioritariamente jovem, onde um quarto dessa se encontra na faixa etária entre os 0 e os 14 anos. Em oposição, a Europa vê a sua população cada vez mais envelhecida. Com a sua entrada na EU, iria dar-se o rejuvenescimento europeu. Contudo, uma desvantagem da entrada turca é que este é um país demasiado pobre e atrasado para ser membro da União Europeia. Porém, se esse critério tivesse sido aplicado no passado, Portugal também dificilmente teria conseguido entrar para a União.
Não se pode também colocar de parte os benefícios económicos que a adesão turca traria para a UE. A aceitação deste país poderia estimular a introdução de um processo de recuperação económica. Assim, a Europa ficaria a ganhar um novo dinamismo no mercado de trabalho, com mais de 70 milhões de turcos a trabalhar nas maiores reservas de minério. A Turquia tem de tudo para ser um pólo de desenvolvimento económico a ser aproveitado.
Este país também tem óptimas relações com o Mundo Árabe, assim como com Israel, podendo servir como intermediário das políticas europeias para ajudar a gerir conflitos entre o Médio Oriente e as diferenças de religião, e deste modo tentar esbater a barreira entre o Mundo Ocidental e o Mundo Oriental.
 Um dos entraves à aceitação da Turquia na UE é a religião, em que o Continente Europeu é considerado um “Clube Cristão”, fundado nos princípios Judaico-Cristãos. A aceitação de um país com 70 milhões de muçulmanos iria acabar com esta visão europeia. Não deixando de realçar que a adesão da Turquia poderia enriquecer a Europa trazendo uma nova identidade religiosa e cultural para o património da União.
Porém, como em todas as questões, além de prós, também existem sempre contras. É um facto que apenas um terço do território turco se encontra em solo Europeu, pelo que muitos alegam que a Turquia não pertence à Europa mas sim à “Ásia Menor”.
A Economia turca é bastante atrasada comparativamente à dos Estados-Membros da UE. Esta é a principal preocupação de muitos chefes de Estado e principalmente dos líderes de países pequenos, cuja economia ainda não arrancou de forma clara.
A atribuição de votos no Concelho Europeu é feita em relação ao número de habitantes que cada Estado-Membro possui. Neste momento, a Alemanha, a França, o Reino Unido e a Itália lideram a tabela de votos, porém, a entrada da Turquia, em razão dos seus 79 milhões e meio de habitantes, iria destronar a França como segundo maior país da UE.
A Constituição Europeia, devido às alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa, explicita que para a maior parte das políticas comuns será necessária uma maioria de dois terços qualificados dos Estados Europeus, deste modo a Turquia terá uma importância considerável no futuro da UE. Relativamente a esta questão surge ainda outro problema devido às projecções que apontam para uma Turquia com 100 milhões num espaço de trinta anos, contrariamente a uma Europa envelhecida, ou seja, em declínio populacional, o poderá influenciar muitas das decisões mais importantes do Concelho Europeu aliando-se a países com menor peso na União.
Por fim, temos a polémica do desrespeito e incumprimento dos Direitos Humanos por parte da Turquia, sendo este um princípio muito importante para a UE. Este é o tema que mais desperta, e com razão, apreensão junto dos líderes Europeus. Infelizmente, ainda existem presos políticos na Turquia, a liberdade de expressão ainda não é um direito garantido, há censura, tortura e todos os dias existem mulheres a serem desrespeitadas impunemente. Estes são alguns dos grandes senãos da adesão turca.
A UE já deixou bem explícito que se a Turquia deseja entrar no seu espaço tem de eliminar definitivamente esses focos de desrespeito pelos Direitos Humanos. A Turquia tem que se apresentar como sendo um país onde as liberdades estejam garantidas para todos os seus cidadãos, e só assim as negociações que poderão levar a cabo a entrada da Turquia na União Europeia têm a possibilidade de serem concluídas com sucesso.
Concluindo, ainda existem muitos entraves para que a Turquia possa ser um país da UE. Apesar dos esforços feitos pelos turcos para o que o adultério tenha deixado de ser crime e o poder dos militares ter sido substancialmente reduzido, não é possível esquecer que a pena de morte e a falta de respeito pelos Direitos Humanos ainda existem. 

Fátima Sampaio 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

As Lojas do Futuro

As lojas do futuro não vão ter caixas registadoras nem filas para pagar. Não vai haver corredores nem produtos dispostos em grandes prateleiras. Segundo João Günther Amaral, diretor de desenvolvimento e inovação da Sonae, vamos poder abrir o frigorífico, tirar o último iogurte, digitalizá-lo e acrescentá-lo à lista de compras. Isto é consequência da crescente exigência por parte do consumidor do futuro. O novo consumidor é mais exigente, mais proactivo, mais dinâmico. Este tipo de consumidor é denominado de “future shaper”. Estes “future shapers” são uma nova “gama” de consumidores inteligentes e ativos - “novo consumismo”- contrapondo-se ao comprador passivo e ingénuo de hoje - velho consumismo. Os consumidores do futuro são perfeccionistas, ou seja, não se satisfazem com a primeira opção, valorizam tudo o que é inovador, tudo para os tornar agentes com uma personalidade diferenciadora.
Nos próximos 20 anos vamos assistir a grandes alterações, desde as características da oferta e do ponto de venda (lojas) às tecnologias e formas de pagamento.
Daqui a alguns tempos vamos poder fazer o pagamento das nossas compras através de um iPad. A forma como fazer uma lista de compras vai ser completamente diferente: as pessoas vão poder usar o seu smartphone para anotar o que necessitam de comprar, podem criar uma lista pré-definida e quando forem ao supermercado até vão poder consultar as promoções existentes nessa superfície comercial, assim como beneficiar de uma aplicação (um mapa) que os guia até aos produtos que querem comprar. Também vamos poder, através do telemóvel, ler os códigos de barras dos produtos e conhecer o seu percurso, desde a sua produção até à distribuição. E isto vai acontecer já em 2014, com a introdução do Data BAR em Portugal.
Na minha opinião, a mudança e a ideia de tecnologia, cada vez mais enraizada na nossa sociedade, é algo positivo, pois faz com que haja desenvolvimento económico e com que a própria sociedade não fique “parada” no tempo. Porém, o país ainda está longe de se adaptar à nova realidade, aos novos tempos. Ainda há muitas pessoas que, devido à sua vivência, aos seus costumes, não estão a par das novas tecnologias. E por isso mesmo, esta ideia de “loja do futuro” vai ter de ser construída lentamente, de forma a que as pessoas se consigam adaptar à nova realidade e encarem bem a mudança. Para provar isto, vejamos os factos: apenas 360 mil portugueses, ou seja, apenas 4.6% do total de residentes em Portugal possuem um smartphone. Isto significa, entre outras coisas, que ainda há muita gente que não sente necessidade de ter um dispositivo destes, ou seja, que não se sente mais satisfeito só por possuir um smartphone (isto, sem fazer referência aos efeitos que a crise pode ter neste aspeto, ou seja, ao fato de as pessoas atualmente comprarem o que lhes faz realmente falta).
Conclui-se que Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer para se igualar, ou pelo menos chegar perto de grandes economias que privilegiam a tecnologia, tais como a Alemanha, onde já funcionam os “supermercados do futuro”. Uma loja do grupo alemão Metro já está totalmente integrada com tecnologia RFID, PDAs, carrinhos e balanças inteligentes e máquinas que fazem o check out dos clientes.

Mónica Filipa Correia Amaral   
        
Bibliografia:

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Para 2013, qual será o caminho?

Acabou 2012, chegou 2013. Ainda há aproximadamente 18 meses, o primeiro-ministro vinha em público, com o seu discurso demagógico, dizer que 2012 seria o dobrar do cabo das tormentas. Contudo, as previsões falharam completamente e apresenta-nos, em Outubro passado, o Orçamento de Estado mais austero da longa história de Portugal, que já tem aproximadamente 900 anos. Entretanto, o documento foi já promulgado pelo Presidente da República na véspera do ano novo.
As promessas de reformas estruturais, cortar gorduras, vencer a crise e chegar ao crescimento económico parecem agora estar um pouco mais longe. O caminho para tal será ainda mais escuro do que nos fizeram acreditar inicialmente.
Com o chumbo do Tribunal Constitucional ao corte dos subsídios dos pensionistas e função pública, o Governo arranjou a justificação que lhe faltava para aumentar a carga fiscal direta aos trabalhadores do setor privado. Deste modo, o Governo alega que a repartição equitativa do esforço entre o sector público e sector privado será alcançada por via dos impostos diretos, com particular incidência no IRS. Assim, o Orçamento de Estado contempla medidas de austeridade como o aumento do IRS através da redução dos escalões (de oito para cinco) e a sobretaxa de IRS (inicialmente de 4%, agora 3,5%).
Obviamente, dada a elevada carga fiscal de que os portugueses têm sido alvo desde o início do programa de ajustamento, o Orçamento de Estado não pode ser inteiramente constituído por aumentos da receita fiscal. Igualmente será necessário cortar na despesa. O Governo inseriu para 2013 cortes na função pública (aproximadamente 80000, na sua maioria professores), cortes nos subsídios de desemprego, e cortes nos pensionistas (além da eliminação dos subsídios para pensões acima dos 1500€). Outras medidas de corte da despesa que o Governo tem em mente para este ano são o corte de 1000 milhões nas PPP’s e um corte no apoio às fundações (perto de metade do valor).
Se as duas últimas medidas de redução da despesa são úteis e vão de encontro ao prometido no início da legislatura, as três primeiras constituem um ataque ao Estado Social e aos progressos alcançados no mesmo, bem como uma redução do nível da qualidade do ensino. Também o aumento da carga fiscal via IRS é um caminho que poderá não ser, de todo, o melhor para a situação atual do país.
Mesmo dado todo o rigor a que o Governo tem de se submeter para alcançar as metas negociadas, que entretanto já foram revistas, o aumento da carga fiscal para este ano é abusivo e um sacrifício enorme para os portugueses.
Se olharmos para as receitas fiscais, vemos que nos primeiros sete meses de 2012 ano estão 4,9% abaixo do verificado em 2011. Este indicador sugere que a carga fiscal exigida aos portugueses é tal que a receita já é decrescente. Se tomarmos por referência a curva de Laffer (da autoria de Arthur Laffer), podemos alegar que Portugal está já na banda de Tributação Proibitiva, isto é, está além do nível ótimo de taxas de imposto/receita fiscal.
Prevê-se, portanto, para 2013 um ano de mais austeridade para os portugueses, que entretanto ficaram já familiarizados com a palavra. O caminho, porventura, não será o ideal para Portugal, dada a carga excessiva a que a população portuguesa está já exposta.
O cenário de reestruturação da dívida deverá ser um meio alternativo dada a situação atual do país. Portugal deve, evidentemente, fazer um esforço para cumprir os seus compromissos e, para tal, alguma austeridade será necessária. Contudo, esta isoladamente não será o meio de resposta para atingir tal fim, ao contrário do que o Governo quer fazer querer. Se o caminho da austeridade continuar a ser seguido, este traduzir-se-á num agravamento da recessão e dos problemas sociais.
Parte da solução deverá passar por medidas de promoção do investimento e de incentivo à criação de emprego, como certos benefícios fiscais, linhas de crédito específicas para as PME, dinamizar projetos empreendedores e inovadores. Será crucial também, aumentar a eficiência da despesa do Estado, através da renegociação de PPP’s onde as rendibilidades estejam desajustadas dos riscos assumidos, entre outras.

Rogério Carvalho

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Gestores também sentem a crise?

                 Segundo estudos feitos recentemente, em 2011 os salários dos gestores portugueses aumentaram cerca de 4,4%, num ano em que supostamente todos os salários deveriam ter descido e as consequências da crise deviam ter começado a ser sentidas por toda a população, pois foi o ano em que se tiveram que cumprir as metas impostas pela Troika. Como é possível que uns sofram tanto e outros nem sequer sejam afectados?
                Os administradores das empresas do PSI20 ganharam em média mais de 290 mil euros e ainda foram encontrados 30 que ganharam acima de um milhão de euros nesse mesmo ano, sendo que um deles terá mesmo ganho mais de 2,7 milhões de euros num só ano, o que significa uma diferença de 400 vezes mais do que um trabalhador que ganha o salário mínimo, sendo que nesse mesmo estudo foi observado uma diminuição de 11% na média salarial dos trabalhadores.
                Isto mostra que, estando o país em crise e a passar por um período de austeridade, existem ainda os gestores que ganham mais do que nos períodos anteriores de ascensão económica, levando assim a concluir que estes vivem muito acima das possibilidades dos restantes portugueses. E, para agravar a situação, vêm a público ainda dizer que os restantes salários deveriam ser cada vez mais baixos.
                Estes dados levam a reflectir sobre a diferença salarial existente no país. Será que o problema não estará na pouca percentagem da população que recebe mais do que no restante que recebe menos? Não deveríamos tentar lutar por uma economia mais uniforme e com menores desigualdades sociais e menor pobreza? A questão que se coloca é que, para conseguirmos ultrapassar a crise e evoluir como país não chega investir na economia mas investir numa maior distribuição da riqueza.
                Ora, a distribuição mais equitativa dos rendimentos e da riqueza gerada por toda a população é um dos pilares que importa respeitar para que todos nós nos sintamos comprometidos com este processo de recuperação económica e que possamos ultrapassar esta crise.

Rita Fernandes

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]