sábado, 24 de novembro de 2012

A Moeda Única e as suas Implicações

A moeda única europeia é o culminar de todo o processo de edificação da União Económica e Monetária (UEM), promovendo a integração das economias dos países da União Europeia. Porém, para os países serem admitidos na UEM é necessário que estes cumpram um conjunto de critérios de convergência. Posto isto, os critérios de convergência são os seguintes: a manutenção da estabilidade de preços, das taxas de juro e das taxas de câmbio, enquanto o défice orçamental, no máximo, apenas poderá atingir os 3% do PIB e a dívida pública não poderá ultrapassar os 60% do PIB. Assim, alguns países, para conseguirem pertencer à UEM, acabaram por manipular os valores dos indicadores de convergência, de forma a encobrir os colossais valores dos seus défices públicos. Por exemplo, no caso Grego, através de operações financeiras, e, no caso Português, por manobras de desorçamentação.
 No entanto, o facto de a conjuntura económica estar bastante fragilizada contribui para que a actual crise financeira constitua um forte teste à viabilidade da UEM. Isto porque, nos últimos tempos, muitos países viveram acima das suas possibilidades, pelo que as dívidas públicas atingiram valores muito superiores aos estabelecidos pelos critérios de convergência. Por conseguinte, actualmente, vários países, entre os quais se salientam Portugal, Grécia, Itália e Espanha, têm as suas finanças públicas com problemas de sustentabilidade. No caso português, a dívida pública, em 2011, atingiu os 108,1% do PIB, enquanto na Itália esta atingiu os 120,7% do PIB. Por fim, na Espanha, a dívida pública foi de apenas 69,3% do PIB, embora na Grécia esta tenha atingido o valor mais elevado: cerca de 170,6% do PIB.  
Consequentemente, devido à persistência da incerteza que perdura na economia, muitos se questionam se a adopção da moeda única foi a melhor solução para a Europa, bem como se interrogam se a permanência de Portugal neste projeto será a melhor solução.
Relativamente a Portugal, pode-se referir que, independentemente da sua participação no euro, as dificuldades de ajustamento que está a ultrapassar existiriam de qualquer forma, mais cedo ou mais tarde, pois, tal como o ministro das finanças, Vítor Gaspar, afirmou: “não há dúvida que o ajustamento na zona euro é muito mais ameno e mais ordenado que em qualquer outra alternativa". Até porque se pressupõe que a existência de uma UEM serve para promover os interesses de todos, sem nunca esquecer as particularidades específicas de cada economia. O objectivo é não ignorar os interesses individuais de cada membro, ou seja, na UEM não existe apenas uma única instituição responsável pela política económica, uma vez que essa responsabilidade é dividida entre as instituições da UE e os estados membros, formando assim um mercado único.
Por conseguinte, quanto maior for a integração económica dos diferentes estados membros, maiores serão os seus benefícios (maior resistência a acontecimentos externos adversos e uma maior eficiência interna). Todavia, os níveis de integração económica na UE variam muito pelo que, apesar de os primeiros 15 países da UE poderem vir a constituir uma Área Monetária Óptima (AMO) num futuro próximo, com os recentes alargamentos irá demorar bastante tempo até que todos os países da UE constituam, como um todo, uma AMO. Isto porque uma AMO pressupõe que existem mais benefícios do que custos para os países membros.
Portanto, apesar de pertencer à UEM acarretar alguns custos, não será uma opção viável sair da zona euro, até porque, de acordo com Barry Eichengreen, isso implicaria “a mãe de todas as crises financeiras”. Desta forma, a principal fonte dos problemas económicos não deriva da integração financeira que o euro proporcionou. Antes, as principais causas para os problemas da crise financeira resultam dos erros de políticas orçamentais e económicas. Este facto é sustentado pelos desempenhos económicos notáveis de países como a Alemanha, Holanda, Áustria e Finlândia. Isto porque os países anteriormente referidos conseguiram criar maiores níveis de emprego e de riqueza, pois aproveitaram os benefícios promovidos pela integração económica ao tornarem as suas economias mais fortes e abertas ao exterior e ao aumentarem a sua competitividade, eficiência e especialização.
Por outro lado, países como a Grécia, Portugal, Espanha e Itália, não souberam aproveitar os benefícios de uma moeda única, uma vez que apenas se limitaram a aumentar os níveis de consumo público e privado, para além de ultrapassarem o limite do nível de endividamento considerado como razoável. Além disto, ainda fizeram investimentos pouco rentáveis, dos quais não retiravam praticamente nenhuma utilidade como, por exemplo, ao investirem em infra estruturas de luxo. Outro erro feito por estes países deveu-se, sobretudo, à diminuição das suas taxas de poupança para quase um terço da média europeia. Ou seja, a grande facilidade de acesso ao financiamento externo provocou graves desequilíbrios estruturais, quase que anulando as capacidades de crescimento dos países com dívidas já insustentáveis.
Deste modo, o principal problema que esteve na base da crise económica deveu-se, sobretudo, às políticas fiscais desastrosas adoptadas pelos diferentes países, que resultaram em problemas competitivos, de crescimento económico e em dívidas soberanas elevadas.
Por conseguinte, alguns países, para tentarem não entrar em incumprimento, tiveram de recorrer a planos de ajuda externa. Milhões de euros já foram disponibilizados pelas economias mais fortes para ajudar os países mais vulneráveis. Assim, devido a estes problemas e de forma a tentar ajudar a superar essas mesmas dificuldades foram criados vários planos de ajuda externa.
Portugal foi um dos países que teve de recorrer à ajuda externa e, apesar das inúmeras medidas de austeridade já adoptadas, está no caminho certo para poder recuperar a sua economia. Tal como refere o ministro das finanças Alemão, Wolfgang Schäuble, "Portugal está no bom caminho e é para todos nós, na Zona Euro, um brilhante exemplo de que a abordagem que tem vindo a ser seguida para estabilizar o Euro é a correta".
No entanto, neste momento, o caso mais grave de sustentabilidade financeira pertence à Grécia, sendo a situação ainda mais alarmante porque os planos de ajuda à Grécia parecem não estar a surtir o efeito esperado, apesar dos vários pacotes de austeridade já adoptados pelo país. Ainda recentemente, o primeiro-ministro grego afirmou “votamos se continuamos na zona euro ou se voltamos ao isolamento internacional, nos defrontamos com a falência total e acabamos no dracma”, isto caso o novo plano de austeridade grego não fosse aprovado. Programa esse em que a zona euro se compromete a desembolsar, aproximadamente, mais 31,5 mil milhões de euros, caso a Grécia adoptasse medidas como o aumento da idade da reforma para os 67 anos, demitisse cerca de oito mil funcionários públicos, cortasse nas pensões, entre outras.
Todavia, os sucessivos planos de austeridade acabam por trazer consequências bastante drásticas para a população uma vez que, por exemplo, na Grécia, em Agosto deste ano, a taxa de desemprego atingiu os 25,4%, valor que triplicou desde o início da crise financeira, em 2008. Tal como acontece na Grécia, os efeitos resultantes dos vários planos de austeridades introduzidos na economia, inclusive em Portugal, fazem com que as condições do mercado de trabalho se deteriorem devido, principalmente, à contração das economias provocando, desta forma, a insatisfação dos cidadãos. Porém, se os países mais fracos continuarem a implementar políticas irresponsáveis e se recusarem a fazer os ajustamentos necessários para tentarem repor a vitalidade das suas economias, não é viável que os países estejam sempre a pedir mais dinheiro emprestado.
Concluindo, se a crise for bem gerida, esta poderá ser ultrapassada, apesar de se ter de fazer bastantes sacrifícios para tentar eliminar os excessos do passado. Porém, apenas em caso de elevada irresponsabilidade por parte de alguns governos europeus é que o euro poderá entrar em colapso e a moeda única desaparecerá, sendo este um cenário bastante improvável de acontecer, pois as economias europeias de tudo farão para tentar manter o nível de integração e união já existente.

Valentina Maria Sousa Cerqueira Lima

Bibliogafia:
·        “A Europa do futuro”, do jornal do Diário Económico, Quinta-feira, 8 de Novembro de 2012, pp.44-45.
·         “Novo Plano de austeridade não liberta ajuda à Grécia”, do jornal do Diário Económico, Sexta-feira 9 de Novembro de 2012, pp. 14.
·         Eurostat

[Artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A evolução do Imposto sobre o valor acrescentado em Portugal

Podemos admitir que dentro do leque variado de impostos indirectos aquele que mais se destaca e mais impacto causa na sociedade Portuguesa é sem dúvida o “Imposto sobre o valor acrescentado” ou, como é mais conhecido, o IVA. Com o objectivo de harmonizar a tributação ao consumo e preparar a entrada na economia Portuguesa no mercado Europeu, está em vigor em Portugal há mais de 25 anos.
Desde a sua chegada em 1986 que tem se vindo a verificar um aumento exponencial, onde Cavaco Silva (primeiro ministro em vigor), juntamente com o governo, decide estabelecer a taxa normal nos 16% e a reduzida nos 8%, medida revista dois anos depois com o aumento da taxa normal fixada em 17%, mantendo-se a reduzida nos 8%. O último aumento verificado foi no início de 2011, de 21% para 23%.
A taxa normal do IVA situa-se actualmente nos 23%, a reduzida nos 6% e a intermédia em 13%, o que significa que o IVA aumentou cerca de 31,25% em 25 anos. O que levou a este aumento?
É de referir que nas receitas de impostos do Estado Português, o IVA representa cerca de 38% do bolo, o que faz com que seja o mais lucrativo. Esta tendência, juntamente com as dificuldades económicas que Portugal está a ultrapassar, explica o porquê do constante aumento deste imposto indirecto. O aumento do consumo, assim como a quantidade de bens que são tributados incentivam o aumento da taxa, de forma a aumentar os lucros provenientes da mesma.
Avaliando o resto da União Europeia, observamos que o Luxemburgo apresenta a taxa normal mais baixa (15%) e a Hungria a mais alta (27%). Portugal encontra-se acima da média (21%), onde partilha a mesma taxa que a Finlândia, a Polónia e a Grécia.
Observamos que em 25 anos o IVA aumentou quase 32%, resta-nos esperar o que o futuro nos reserva: será que daqui a 25 anos o mesmo se verificará?

António Melo

Bibliografia:

[Artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

CGD: privatizar ou não?

A privatização da Caixa Geral de Depósitos é um tema que tem sido notícia nos últimos tempos. Porém, devido à elevada controvérsia da questão diversas opiniões têm sido lançadas. Deste modo, os argumentos a favor ou contra têm sido bastante divulgados pela comunicação social.
            Um dos argumentos apresentados contra a privatização da CGD é a necessidade de existência de um banco público para manter o equilíbrio do setor. Um outro motivo apresentado foi que a existência de um banco público é muito importante, isto porque, se um banco privado tiver dificuldades, existe um instrumento capaz de o salvar. Outro argumento apontado foi a ideia de que os bancos públicos sofreram menos na atual crise. Defendendo a mesma posição, manter a CGD pública é necessário pois é este banco que financia as Pequenas e Médias Empresas, sendo que a componente empresarial do país é formada em 90% por PME. Por fim, tendo por base os resultados consolidados dos cinco maiores grupos bancários entre 2008 e 2010, verifica-se que a CGD apresenta elevada rendibilidade.
            A favor da privatização da CGD também surgem argumentos. Todavia, maioritariamente refutações dos argumentos apresentados contra a privatização. Uma das refutações apresentada exprime-se na ideia de que a CGD não é importante para manter o equilíbrio do setor visto que o banco regulador é o Banco de Portugal. Outro argumento é o facto de a crise não ter afetado apenas os bancos privados. A CGD também foi afetada. Ainda no mesmo sentido, dado que 90% da componente empresarial em Portugal são PMEs, a CGD não é o único banco a financiar as empresas. Todo o sistema bancário tem financiado as PME. Além disso, não é por passar a banco privado que a CGD deixará de financiar estas empresas. Defendendo a mesma posição, apontam que, dado a CGD ser o maior banco português, devia apresentar maior rendibilidade que os restantes bancos. E, entre 2008 e 2011, a rendibilidade da CGD tem vindo a decrescer, apresentando em 2011 prejuízo. Uma outra ideia apresentada foi: “Não vai cair o Carmo e a Trindade se a CGD for privatizada”. Isto, porque outras empresas foram privatizadas e não houve grande problema. Por exemplo, a PT e a EDP, apesar de privatizadas são grandes referencias a nível mundial.
            Embora ambas as posições, acerca da privatização da CGD, terem vantagens e desvantagens creio que esta decisão não deve ser tomada de ânimo leve. A privatização é uma forma de captar mais investimento estrangeiro e ganhar eficiência. No entanto, existem outros fatores a considerar. Apesar de saber que o país precisa de liquidez, não creio que privatizar a CGD nos afaste desta situação económica de crise.
A CGD é a marca nacional bancária mais valiosa, e a confiança que advém de ser pública é um aspeto bastante considerado pelos consumidores. Há quem justifique a venda à conta dos maus resultados. Contudo, estes provêm do facto de a CGD ter amortecido o escândalo do BPN e o receado risco sistémico, o que lhe custou muitos milhões de euros. A concessão de crédito às PME e a sua função económica de equilibrar o mercado (indiretamente reguladora) são aspetos dos quais não de deveria abdicar. Além disso, avançarmos com a privatização levaria a uma quebra da "balança de rendimentos" porque as empresas cairiam "em mãos estrangeiras".
Assim, medindo as partes, penso que não privatizar é a melhor solução. Aliás, as privatizações não são mesmo uma boa solução, pois os efeitos que têm na economia são sempre temporários. A longo prazo, esta será a melhor opção visto que privatizar traria mais problemas financeiros do que vantagens ao país.

Carina Alexandra Pereira Miranda

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Islândia, um exemplo a seguir

    A Islândia foi um dos países afetados pela grande crise que se atravessa, tendo afetado todo o sistema financeiro do pais, em 2008. Agora, mais de quatro anos depois, tem uma Economia estável e que ainda recupera da crise, uma recuperação um pouco diferente da de Portugal, pois não teve de recorrer à troika. 
  Tudo começou quando em 2008: os três maiores bancos do país, que representavam quase todo o sistema financeiro, tinham colapsado. As suas dívidas eram superiores a 1000% do PIB e, nessa altura, ninguém tinha bem a noção dos prejuízos.
  A revolução social iniciou-se logo em 2008 e exigiu sobretudo uma democracia transparente e soluções para as questões que abalavam o país. O governo foi escorraçado por furiosas manifestações nas ruas de eleitores desiludidos. Tudo começou quando a população, não contente com a situação social e económica do pais se revoltou e tentou remediar a situação pelas próprias mãos. Foram realizadas investigações a banqueiros e a membros do Estado para apurar as incompetências e as fragilidades, acusar os corruptos e procurar novos líderes capazes de controlar a situação.
  Depois do sucedido, foi preciso levantar a cabeça.  Cortou-se nas importações, privilegiou-se o consumo de bens nacionais, de bens em segunda mão e de marca branca, e incentivou-se a produção de bens alimentares pelas famílias. As atividades de lazer foram ‘cortadas’ dos planos familiares e as próprias habitações sofreram alterações a nível funcional e energético de modo a poupar ao máximo. Por sua vez, a moeda perdeu mais de metade do valor, o que fez com que as exportações aumentassem e as importações de bens de luxo diminuíssem. Desvalorizada, a coroa dificultou a vida de quem emprestou dinheiro em moeda estrangeira para comprar imóveis, mas as autoridades islandesas orquestraram um socorro para esse devedor. O encarecimento de produtos importados também trouxe inflação. O índice de preços ao consumidor subiu 26% desde 2008. Na Islândia, a queda de 80% da moeda (a coroa islandesa) face ao euro, em 2008, ajudou a transformar o défice comercial num excedente logo no final daquele ano. O desemprego, que se tornou nove vezes maior entre 2007 e 2010, caiu para 4,8% em Junho face ao pico de 9,3%, atingido em 2008.
   A decisão da ilha de se proteger de uma fuga de capitais, restringindo a circulação da moeda, permitiu ao Governo repelir um ataque especulativo, estancando a hemorragia da economia. Isso ajudou as autoridades a concentrarem-se no apoio às famílias e às empresas. No fundo, o objectivo era proteger o estado social, e pode-se dizer que foi cumprido.
  Na minha opinião, acho que todos devíamos olhar para o exemplo da Islândia. Quer os países que estão pior, como Portugal e Espanha, quer também aqueles que estão bem, pois a Islândia foi um grande exemplo de como dar a volta por cima de uma grande crise. Acho que grande parte desta reviravolta deve-se ao Povo que sempre teve esperança e coragem para seguir em frente e trabalhar para que pudessem ter melhor qualidade de vida. A luta contra a corrupção e desigualdades sociais é notável e pode revelar-se essencial na mudança que certos países precisarão, nomeadamente Portugal, Espanha e Itália. 
Embora Portugal e a Islândia sejam países muito diferentes, quer em termos sociais, já que as mentalidades dos povos serão bastante diferentes, quer em termos económicos,  uma vez que não estamos numa situação parecida pois, pertencendo à União Europeia, não poderíamos tomar muitas das medidas tomadas pela Islândia, é importante ter em conta a mudança por que esta pequena ilha com 331 mil habitantes passou e o que conseguiu realizar com força de vontade, coragem e muita inteligência. Embora tenham ainda um longo caminho a percorrer, a mudança que ouve em 2008 em prol da igualdades sociais e do combate à corrupção fizeram deste um grande exemplo a seguir. 

Ivo Barbosa

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

A Competitividade e Produtividade Portuguesas

Recentemente houve uma grande polémica devido a intenção do governo em reduzir a TSU para as empresas e, em contrapartida, aumentá-la para os trabalhadores. Esta descida iria aumentar a competitividade de Portugal no estrangeiro através de uma desvalorização fiscal, e assim incentivar as empresas, principalmente as exportadoras, a criar mais emprego.
Existem várias maneiras de aumentar a competitividade de um país. A primeira é desvalorizar os salários, a segunda é uma desvalorização fiscal como a redução da TSU, e a terceira um aumento da produtividade superior ao aumento do salário. Pode-se também optar por uma combinação das três.
Sabendo-se que não houve qualquer desvalorização fiscal, nós fomos perdendo competitividade, pois o aumento dos salários foi superior ao aumento de capital. Os anos de 2008 e de 2009 foram os anos em que houve uma maior perda de competitividade, devido principalmente a uma perda de produtividade no ano de 2008, e uma recuperação, apesar de pequena, em 2009. No ano de 2010 o aumento de salário e o aumento da produtividade estavam a convergir.
Esta perda de competitividade teve como consequência uma diminuição das exportações do ano de 2008 para o ano de 2009, que acabaram por aumentar em 2010, ano em que a perda de competitividade começou a reduzir. Em paralelo, as importações seguiram a mesma tendência das exportações, o que manteve o saldo da balança comercial estável, quando comparado a anos anteriores.
O aumento da competitividade assenta essencialmente no aumento da produtividade, pois uma redução do salário, apesar de não ser bem vista pelos próprios trabalhadores, também não o é pelos países importadores. Mas como podemos aumentar a nossa produtividade?
Para aumentar a produtividade é essencial um investimento por parte dos empresários, através de uma renovação tecnológica do capital produtivo e consequentemente da formação dos trabalhadores. Mas nesta altura de crise o financiamento das empresas junto dos bancos está muito complicado por causa dos altos juros dos empréstimos. Mesmo que fosse fácil de obter financiamento era necessário que os empresários soubessem incentivar os trabalhadores de modo a que trabalhassem mais e melhor, não necessariamente através de altos salários mas de boas condições de trabalho, algo que falta em muitas empresas portuguesas.

João Miguel Costa Carneiro

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

terça-feira, 20 de novembro de 2012

“Farmácias de luto”

A crise económica afeta todos os sectores, e o farmacêutico não é exceção. As farmácias estão de luto e pretendem lutar contra a má situação económica em que se encontram, tendo entregue no passado dia 7 de Novembro na Assembleia da República uma petição (considerada a maior na história da democracia portuguesa, contando com mais de 320 000 assinaturas) exigindo alterações das políticas do sector e para ser possível o “acesso de qualidade aos medicamentos e condições necessárias ao funcionamento das farmácias”.
De acordo com a Ordem de Farmacêuticos, existe uma crise generalizada das farmácias que afeta todo o país. Entre o período de 2002 até 2012, o valor das vendas reduziu, em média por farmácia, 20%, enquanto as mesmas despesas, seguros, juros bancários e os impostos se mantiveram. Deste modo, a maioria das farmácias não encontram capacidades económicas para pagar nem os custos fixos do estabelecimento. Segundo a Ordem dos Farmacêuticos, estamos perante a possibilidade de encerramento de 600 farmácias em 2013 e, actualmente, existem em Portugal 1131 farmácias com fornecimentos suspensos por falta de pagamentos, 235 milhões de euros de dívida litigiosa e 40 000 euros de resultado líquido negativo na farmácia média. Esta crise afeta os utentes, uma vez que poderão ficar sem a sua farmácia e vêem as suas receitas dispensadas por insuficiência de stocks.
            Na petição “farmácias de luto”, exigem, entre outros pontos, a revisão do sistema de remuneração das farmácias e seus serviços, a revisão urgente do serviço de preços dos medicamentos, e incentivos ao crescimento da quota de genéricos.
            O governo tem conhecimento da extensão desta crise que afeta as farmácias, mas tem sido acusado de não tomar qualquer atitude para manter a sustentabilidade do setor. Na minha opinião, o governo não tem mais obrigações em interferir no sector das farmácias do que as que tem em qualquer outro setor em crise.
            Durante muito tempo as farmácias controlaram e detinham o monopólio dos medicamentos em Portugal, inflacionando os preços a seu bel-prazer, uma vez que não existia qualquer concorrência para um estabelecimento justo dos preços dos medicamentos para os utentes, dependentes das farmácias para garantir a sua saúde. Durante este longo período de controlo de monopólio, o poder das farmácias sobre a população levaram a um enriquecimento constante do cooperativismo farmacêutico. Ao longo dos anos, com intervenções dos governos, as farmácias viram estas regalias e vantagens comerciais desaparecer com o surgimento da livre venda de medicamentos em parafarmácias e em estabelecimentos como hipermercados, assim como um pré-estabelecimento dos medicamentos por lei e o aparecimento dos genéricos. Com o surgimento desta crise mundial, este sector já fragilizado foi muito afectado, com a redução de vendas e aumentos dos impostos.
            O governo não deve ceder a exigências de cooperações e lobbies que pretendem recuperar o anterior poder e enriquecer à custa da necessidade de cuidados de saúde do utente, nem ceder a uma petição assinada, em grande parte, por utentes ludibriados por uma campanha de marketing que os fez confundir os seus direitos de consumidor, apoiando uma petição que ameaça fechar a sua farmácia e pôr em causa o acesso aos seus serviços dos quais são dependentes.


Ricardo Manuel Fernandes Antunes 


[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

O aumento ponderado dos impostos

Um dos maiores problemas que o Governo português está a tentar combater neste período de grande recessão é o aumento do défice. O défice surge pelo facto das despesas do Estado serem maiores do que as suas receitas. Posto isto, chegamos à conclusão que esse aumento verificado nos últimos anos pode ser combatido através de duas medidas: pela via do aumento da receita ou pela via da diminuição da despesa.
Focar-nos-emos então no combate através da via da receita, que é feito com aumento dos impostos dos contribuintes. Um governo aumenta a receita se aumentar o valor daquilo que irá receber, ou seja, aplicando taxas e impostos mais altos. Claro que isso demora algum tempo a ser implementado mas é a maneira mais fácil de um Governo aumentar a receita. Esta solução, no entanto, pode trazer alguns problemas que iremos abordar.
O aumento da carga fiscal não poderá ser efectuado de qualquer maneira. Este terá que ser controlado e calculado, porque só será vantajoso se esse aumento de impostos se reflectir, de facto, num aumento da receita. Existe um ponto em que o aumento da carga fiscal se vai traduzir em diminuição da receita, provocando assim efeito contrário ao pretendido. O governo terá de ter a sensibilidade para perceber quando chegou esse ponto.
A partir desse ponto, a carga fiscal levará a uma diminuição do consumo dos consumidores, que será maior do que o aumento da receita fiscal. Essa diminuição do consumo implicará menos receita para o Estado através da diminuição do IVA a receber (na óptica do Estado) ou, na melhor das hipóteses, igual receita à cobrada antes do aumento dos impostos. Isso leva-nos à manutenção do problema inicial. Por acréscimo, surgem ainda surgem outros problemas, pois, se o consumo diminui, vão existir empresas a abrir falência e consequentemente a baixar a produção e aumentar o desemprego.
Este é um tema bastante sensível e que pode ter um grande impacto nas contas do Estado e na sua capacidade para atingir as metas pretendidas.

Hugo Miguel da Cunha Ferreira   

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]