segunda-feira, 10 de janeiro de 2022

Crise do Gás Natural - Nas mãos da Rússia? À espera do resgate dos EUA?

Cavernas de sal reformadas, aquíferos e depósitos de combustível que armazenam o gás natural da Europa nunca estiveram tão vazios como neste do Inverno. Apenas quatro meses depois dos EUA virem a público dizer que a Europa não estava a fazer o suficiente para se preparar para a estação escura e fria que se avizinhava, o “velho” continente está a lutar contra uma crise de abastecimento que tem causado preços de referência do gás mais do quádruplo dos níveis do ano passado, comprimindo as empresas e as famílias. A crise deixou a União Europeia à mercê do tempo e das “artimanhas” do Presidente russo Vladimir Putin, ambas notoriamente difíceis de prever.

Figura 

Figura 1- Preços do gás natural europeu 2021

                                   Fonte- EUROSTATA

A Europa está no meio de uma transição energética, encerrando centrais elétricas alimentadas a carvão e aumentando a sua dependência das energias renováveis. O vento e a energia solar são mais limpos mas, por vezes inconstantes, como ilustrado pela súbita queda na energia gerada por turbinas que o continente registou no ano passado.

A crescente influência de Moscovo sobre os seus vizinhos tornou-se evidente no final dos últimos tempos. Um Inverno invulgarmente frio e longo esgotou os stocks de gás da Europa precisamente quando as suas economias estavam a reemergir da recessão induzida pela pandemia.

Um recente choque nas importações de GNL dos EUA proporcionou algum alívio, mas é, na melhor das hipóteses, temporário. A França precisa de desligar vários dos seus reatores para manutenção e reparações, resultando numa redução de 30% na capacidade nuclear no início de Janeiro deste ano, enquanto a Alemanha está a avançar com planos para encerrar todas as suas centrais nucleares. Com os dois meses mais frios de Inverno ainda pela frente, o receio é de que a Europa possa ficar sem gás. Dado isto, estaremos nós nas mãos da Rússia?

Os comerciantes já se estão a preparar-se para o pior, com os preços do gás a subir cerca de 40% durante os últimos meses. Alguns dizem que a crise pode durar até 2025, quando a próxima vaga de projetos de GNL nos Estados Unidos começar a abastecer o mercado mundial. Serão os Estados Unidos a salvação para estabilizar os mercados energéticos?


Maria Helena Mendes

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

A Evolução do Turismo Português

     A evolução do turismo nos últimos anos esteve intrinsecamente ligado ao desenvolvimento mundial. O consumo e as tendências dos consumidores cada vez mais informados evoluíram para uma procura de experiências personalizadas, que permitam diferenciar-se da população em geral. O mundo está a mudar e o turismo está a mudar o mundo. A globalização assente numa competitividade sustentável será um dos pilares do futuro turístico a nível mundial. O presente artigo pretende efetuar uma breve abordagem histórica à evolução do Turismo e aos aspetos conceptuais que perspetivam as tendências de evolução turística.

Começamos em 1934, onde António Ferro, diretor do Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo (SNI) da época, apresentou um projeto de difusão da imagem do país, demonstrando as fronteiras de uma nova visão multidisciplinar com base no turismo. Contudo, apenas em 1944 Ferro consegue mesmo colocar em prática o seu projeto, conciliando a cultura e o turismo, de forma a promover um conceito de “diferença” para a imagem do país. O ano de 1964 foi um ano importante para Portugal, tendo este atingindo pela primeira vez um milhão de entradas de estrangeiros no país.

Com a revolução de abril de 1974, o país enfrenta anos agitados, levando o VI Governo provisório a declarar o turismo “como atividade privada e prioritária”. Contudo, as quedas de 50% das entradas de estrangeiros no país foram desanimadoras para o setor. Só em 1986, com a construção do Instituto de Promoção Turística e do Plano Nacional do Turismo, o país recupera a sua reputação internacionalmente, mostrando uma nova imagem e novas áreas promocionais.

Com a entrada do seculo XXI, o turismo apresentou um crescimento muito acentuado, nomeadamente em algumas zonas do país, como o Algarve, a Madeira e Lisboa. Nos últimos 9 anos, o país registou uma taxa de crescimento médio anual de 7,2% nas dormidas, assim com um acréscimo de 10,8 mil milhões de euros nas receitas. Sendo assim, verificamos a existência de um comportamento pró-ativo por parte do país e das pessoas ligadas ao turismo como forma de capitalização de novas oportunidades de negócio.

Contudo, com a entrada do ano 2020, o setor do turismo registou o pior ano desde que há registo, tudo graças ao aparecimento da pandemia Covid-19. Com as restrições impostas na deslocação de pessoas entre fronteiras e em linha com outros destinos mundiais, o setor do turismo nacional registou decréscimos significativos da procura. Apenas foram registados 25,9 milhões de dormidas em 2020 (12,3 milhões de dormidas de estrangeiros e 13,6 milhões de dormidas de nacionais).

Os principais mercados emissores para Portugal foram, respetivamente, o Reino Unido com 2,0 milhões (9,4 milhões, em 2019), a Alemanha com 1,8 milhões (5,9 milhões, em 2019) e a Espanha com 1,7 milhões (5,2 milhões, em 2019).

Fonte: Turismo de Portugal - Plano de Ação “Reativar o Turismo | Construir o Futuro”

Os decréscimos refletiram-se também nas receitas, com uma redução de -135,9%, correspondente a 10,5 mil milhões de euros.

Em 2020, as receitas do turismo apenas representavam 7,7 mil milhões de euros. Neste indicador, os principais mercados emissores para Portugal foram a França (1,5 mil milhões €), o Reino Unido (1,2 mil milhões €) e a Espanha (1,0 mil milhões €).

Em relação ao futuro, o governo arquitetou o Plano de Ação “Reativar o Turismo | Construir o Futuro”, um plano para estimular a economia e a atividade turística, que permitirá superar os objetivos e as metas de sustentabilidade económica, ambiental e social definidas na Estratégia de Turismo 2027.


Fonte: Turismo de Portugal - Plano de Ação “Reativar o Turismo | Construir o Futuro”

O plano consiste em 4 pilares de atuação (apoiar empresas, fomentar segurança, gerar negócio e construir o futuro) e é composto por ações especificas que, a curto, médio e longo prazos, permitirão transformar o setor e posicioná-lo num patamar superior, contribuindo de forma expressiva para o crescimento do PIB. Este plano deverá permitir ultrapassar os 27 mil milhões € de receitas turísticas e os 80 milhões de dormidas em 2027, de uma forma sustentável, ao longo do território.

Por fim, na minha opinião, ter um bom turismo possui os dois lado das moedas. A verdade consiste na forma como este serviço cresce na esfera económica de cada pais. Em Portugal, apesar de o turismo representar uma grande parcela do PIB português, isto faz com que esteja muito dependente das economias exteriores para o seu crescimento, proporcionando assim uma maior facilidade de decréscimo face a uma crise mundial. Sendo assim, Portugal deve usufruir da oportunidade dada pelo Programa de Recuperação e Resiliência para combater esta desigualdade, empenhando-se em criar maiores facilidades para os outros setores.


Paulo Henrique da Costa Gonçalves

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

domingo, 9 de janeiro de 2022

Os problemas na competitividade da economia portuguesa

       Uma economia competitiva é aquela que regista um crescimento elevado e sustentado da produtividade. A competitividade de um país depende da sua capacidade para colocar no mercado produtos e serviços que atendam aos padrões de qualidade dos mercados, assim como proporcionem rendimentos face aos recursos utilizados ou consumidos na sua produção. Esta maior competitividade global colocou maiores desafios às empresas, bem como aos profissionais que contribuem para o seu desenvolvimento. A flexibilidade, melhoria contínua e a criatividade devem ser orientadas e focadas para a resolução de problemas reais e importantes na sociedade. Atualmente, governos, empresas e indivíduos enfrentam elevados níveis de incerteza à medida que a tecnologia e as forças geopolíticas remodelam a ordem económica e política.

Fonte: Global Competitiveness Report 2020

Analisando o caso de Portugal, verifica-se que, apesar de ser um país desenvolvido, este ainda possui muitas deficiências na sua competitividade com o mercado exterior.

Uma destas deficiências é representada pelo mercado de trabalho.  Portugal ocupa péssimas posições do ranking global no que respeita às práticas de contratação e despedimento, mobilidade dos trabalhadores, taxa de imposto sobre o trabalho, flexibilidade na determinação do salário, produtividade e burocracia. Isto impede que Portugal consiga resolver os seus problemas de produtividade, pois muitas vezes não existem incentivos para aumentar a capacidade produtiva das empresas.

Para além disto, o sistema financeiro também é um dos pilares onde a economia portuguesa apresenta graves problemas. A instabilidade do sistema financeiro nacional, assim como crédito não-produtivo e a falta de financiamento das PMEs são exemplo destas dificuldades. Da mesma forma, são de salientar as distorções provocadas pelos impostos e pela ausência de subsídios, que proporcionam a falta de concorrência das empresas portuguesas nos mercados internacionais. Devido à crise de 2008, Portugal também continua a apresentar uma pontuação bastante desfavorável na dinâmica da dívida pública, sendo um dos países com maior divida em função do seu PIB.

Ao nível de escolaridade, Portugal demorou a entrar no comboio dos países desenvolvidos. O nosso país ainda possui um número médio de anos de escolaridade da população bastante baixo, o que impossibilita o desenvolvimento de novas qualidades por parte da população ativa, como por exemplo dotações digitais. Para além disso, o baixo investimento na formação dentro das empresas levou a que este problema se agravasse e a que a qualidade produtiva portuguesa diminuísse.

          Em relação ao setor empresarial português, os novos gestores possuem muita dificuldade em lidar com decisões associadas ao risco, o que pode levar a diferentes caminhos no desenvolvimento das suas marcas. A falta de incentivos para o crescimento de empresas inovadoras e adoção de ideias disruptivas, assim como o elevado tempo e custo no início de um negócio, contribuem para o colapso das empresas portuguesas frente ao mercado internacional. Por este motivo, Portugal ainda possui essencialmente uma baixa taxa de abertura ao comércio mundial, o que é medida pelo rácio das importações e exportações no PIB nacional.

Contudo, é importante salientar os progressos feitos por Portugal para reduzir estes problemas. Portugal a partir da revolução de abril investiu em grande massa na redução do analfabetismo da população e criou melhores condições para os trabalhadores. Com a entrada na CEE, que por sua vez disponibilizou recursos, o governo tornou-se num dos grandes financiadores das empresas, o que ajudou em muito o desenvolvimento do país face a outros.

Finalizando, na minha opinião as empresas necessitam de ter uma visão mais abrangente do mercado, estando dispostas a apostar numa presença global, na criação e desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, na criação de marcas credíveis, em canais de distribuição adequados e na elevada presença digital. Portugal possui infraestruturas rodoviárias, acessos e conectividade entre estradas e autoestradas de qualidade que podem facilitar o escoamento desta produção. As abordagens tradicionais no sentido de assegurar o crescimento já não são suficientes para mitigar as pressões competitivas e concorrenciais. Por isso, todos os esforços de redução de custos devem estar completamente interligados com o conceito de crescimento. Sendo assim, Portugal tem de apostar mais em prevenir os seus erros em vez de remediá-los.

 

Paulo Henrique da Costa Gonçalves

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

O papel da Educação no desenvolvimento económico

            Evitar situações de pobreza e de marginalização é um objetivo do qual a sociedade civil não se pode alhear, e para o qual todos devemos estar sensibilizados e mobilizados. Uma das formas possíveis de atuação é através do apoio a projetos concretos com manifesta capacidade empreendedora e de realização. Isto deve ser estimulado com o apoio das escolas que, enquanto entidades de referência na missão educativa, tornam-se essenciais nestas iniciativas de inclusão social.

No início dos anos 70, no livro Small is Beautiful, Ernst Schumacher defendia: “O desenvolvimento não começa com os recursos materiais, o desenvolvimento começa com as pessoas e a sua educação, organização e disciplina. Sem estes três pilares, todos os recursos permanecem inúteis”.

O ritmo e o nível de crescimento económico de um país ou de uma região resultam, efetivamente, da interação de um conjunto complexo de fatores, em que se destacam, por um lado, a educação (incluindo a formação profissional, a investigação e o desenvolvimento tecnológico) e, por outro, os comportamentos, valores dos agentes económicos e da sociedade em que estão inseridos, ou seja, a organização e a disciplina a que Schumacher se referia.

A capacidade dos diferentes países para tirarem partido do acesso à informação e do conhecimento está limitada pelas diferenças de capacidade local para usar essas tecnologias ou transformar o conhecimento codificado. Ela depende do conhecimento tácito e de outros elementos de competência que, por definição, são difíceis de transferir. O que conta já não é só o conhecimento de que se dispõe ou a informação que está disponível mas, também, e sobretudo, a capacidade de aprender. É necessário ter trabalhadores com novos atributos: maior educação, maiores qualificações e maior capacidade de adaptação aos novos requisitos decorrentes das novas tecnologias.

A capacidade para aceder às redes e a competência para delas extrair a informação relevante e para a utilizar em termos económicos são os fatores críticos do desempenho dos trabalhadores e dos níveis de remuneração. Isto significa que, sem formação profissional e sem renovação das organizações, a introdução de novas tecnologias pode resultar em enormes perdas de eficiência. A recente utilização do conceito “economia do conhecimento” constitui uma forma de reconhecer que o conhecimento e a capacidade de aprendizagem das pessoas, das empresas e dos sistemas nacionais são os fatores‐chave do desenvolvimento económico.

Ao confrontar tais ideias com a realidade portuguesa, é possível perceber porque é tão difícil para nós alcançar qualquer tipo de crescimento económico a longo-prazo. A falta de investimento em educação combinada com a má gestão do setor cria muito pouco incentivo para o desenvolvimento de indivíduos intelectualmente notáveis.

É fundamental reconhecer que as escolas são os atores principais na missão educativa, mas têm de ser coadjuvadas pelo Estado e pelos vários setores da sociedade civil. As empresas, enquanto principais recetores dos trabalhadores qualificados, deverão intensificar a articulação com o sistema educativo e de formação profissional, manifestando as suas necessidades de conhecimentos e aptidões.

Ao Estado e às comunidades locais compete reforçar, de forma articulada, aqueles três subsistemas – educação, formação profissional e investigação − através das políticas públicas, instituições e infraestruturas. Diante do exposto, é notável que o progresso tecnológico tem um enorme peso no crescimento económico. O progresso tecnológico só pode ser alcançado por mentes criativas e curiosas, tornando-se, portanto, de grande importância refletir sobre a importância de fomentar estes valores entre os estudantes do presente e os investigadores do futuro. Sendo a educação uma das principais formas de estimular a criatividade, é extremamente importante investir nas instituições de ensino, pois elas definem o nosso futuro.

 

Ângela Ferreira

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

sábado, 8 de janeiro de 2022

Digitalização: entrave ao emprego e à economia?

A expansão da digitalização tem sido um fenómeno crescente ao longo do tempo e reforçou-se com a COVID-19. Todavia, as influências do crescimento digital na economia não são consensuais entre os autores - alguns, indicam que, aliado ao desenvolvimento tecnológico, criam-se maiores desigualdades. Será, então, a digitalização um entrave para a dinamização da economia?

A impossibilidade de negação de que o analfabetismo e a exclusão digital diminuem o leque de oportunidades, seja para encontrar trabalho, como para aceder ao conhecimento e adquirir novas competências, reside no facto de que “A tecnologia deixou de ser uma comodidade e passou a ser uma necessidade”, conforme o diretor executivo da Paradigm Iniciative. Ainda assim, os portugueses estão sujeitos a este tipo de desigualdade, com um quarto dos portugueses a não usarem internet em casa e com uma taxa de utilização de internet abaixo da média da União Europeia, 71% contra os 84%.  

Outro processo potenciador da desigualdade é a robótica, pois leva a um efeito de substituição do trabalho pouco qualificado por máquinas, com consecutiva polarização do mercado de trabalho, com diminuição da procura de trabalhadores pouco qualificados e aumento dos mais qualificados. Ora, isso traduz-se numa disparidade salarial entre estes dois grupos e na destruição de postos de trabalho - o Fórum Económico Mundial aponta para a eliminação de 85 milhões de empregos até 2025. Este desajustamento poderá levar a divisões sociais que afetem o crescimento, a produtividade, o crescimento e a coesão social.

Contrariamente ao que se diz no parágrafo acima, a maioria dos países da OCDE viram as suas taxas de emprego aumentar com o deslocamento da mão-de-obra, resultado da globalização e do progresso tecnológico. Isso acontece, possivelmente, porque as tecnologias provocam uma espécie de “transferência/compensação” de umas indústrias para/por outras, com crescimento da procura e emprego noutras indústrias. Um trabalho recente de Moretti mostra que a criação de empregos no setor das TIC tem um efeito multiplicador em outras indústrias - por cada emprego adicional no setor tecnológico, cinco empregos adicionais são criados na comunidade. 

Ao mesmo tempo que existe “desemprego tecnológico”, originou-se uma procura adicional de bens e serviços, o que levou à criação de mais empregos e, consequente, à potenciação da produtividade e do rendimento. Consoante a OCDE no Employment Outlook 2019, as mudanças líquidas no emprego causadas pela digitalização têm sido positivas a longo-prazo, sendo que, entre 2005 e 2016, 40% dos empregos criados foram em indústrias digitalmente intensivas.  

Embora, no passado, a expansão tecnológica tenha revelado um efeito líquido positivo no emprego, e, consequentemente, na economia, muitos autores apontam para uma mudança atual muito mais rápida e ampla do que no passado e para uma automação, por vezes excessiva, potencialmente geradora de externalidades negativas para a sociedade. Portanto, é preciso que os governos e instituições estejam atentas a esta dinâmica para que se evitem cenários mais pessimistas. Contudo, a OCDE constatou a existência de várias lacunas nos sistemas dos países que dificultam o enfrentar dos efeitos da automação e da digitalização e, à vista disso, propõe revisões nos mercados de trabalho e educacional, e nos sistemas de proteção social.

Refletindo sobre tudo isto, considero que a digitalização tem sido um processo benéfico e contínuo ao longo do tempo, uma vez que, até ao momento, os benefícios têm superado os malefícios. Adicionalmente, consoante o Banco Europeu de Investimento, são várias as vantagens da transformação digital para qualquer economia: maior produtividade; crescimento; eficiência energética; capacidade para investir e exportar bens e serviços. Também tem permitido encontrar soluções mais eficazes para problemas e economizar custos em matérias-primas e componentes.

Em suma, é imprescindível uma resposta adequada e consistente das organizações e governos à situação atual, para que se evitem efeitos negativos para a economia. “Cada segundo é tempo para mudar tudo para sempre” (Charles Chaplin) porque, mesmo apresentando-se a digitalização como “amiga da economia” (até ao momento), apressadamente, pode-se tornar “inimiga” e destrutiva.

 

Adriana Carmo

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Produtividade como estímulo da Competitividade

        A competitividade empresarial refere-se à competição entre 2 ou mais empresas, inseridas num mesmo setor, onde são disputados os melhores volumes de vendas/produção ou prestações de serviços, visando servir os consumidores. Como consequência, verifica-se que este cenário incentiva a inovação e conduz a um estímulo ao crescimento da economia.

          Face à significativa evolução tecnológica, penso que a produtividade pode e deve apresentar-se como alavanca desta competitividade, funcionando como condição essencial à atualização e transição para um modelo empresarial baseado na inovação e conhecimento. É, então, através dos valores da produtividade que Portugal poderá estimular o setor empresarial e respetiva competitividade, alcançando um nível de desenvolvimento superior.

          Ora, analisando as melhores estratégias que poderão permitir atingir este desenvolvimento tecnológico no setor produtivo das organizações portuguesas, realço a necessidade de aliviar as empresas dos custos decorrentes da incorporação de novas tecnologias nas cadeias de produção – custos estes que indiscutivelmente apresentam um dos fatores de perda de competitividade. Simultaneamente, é necessário estimular o investimento indispensável à incorporação da inovação tecnológica acima mencionada. Tal poderá ser concretizado através da promoção de uma fiscalidade orientada para o investimento, e a procura e defesa de medidas e soluções a favor da capitalização das empresas portuguesas, facilitando, de igual modo, o acesso a financiamento. A meu ver, todas estas medidas poderão cultivar um ambiente negocial propício à inovação bem como a concentração de recursos na criação de valor. Adicionalmente, a melhoria da produtividade e, consecutivamente, da competitividade poderão, igualmente, resultar da defesa de um enquadramento socio-laboral favorável.

          Neste sentido, como forma de promover a vertente competitiva das empresas, deverão ser tomadas medidas que permitam a homogeneização das condições sentidas por todos os agentes empresariais, nomeadamente a discriminação positiva das PME, o reforço do investimento no interior do país e a correção de eventuais distorções e vantagens sentidas pelas empresas de maior dimensão. Num contexto externo, a redução gradual da taxa de IRC (e derramas) para níveis competitivos como os vigentes na generalidade das economias europeias poderá, de igual modo, favorecer o caso português.

          Seguidamente, um ambiente de negócios favorável à inovação e competitividade implica ainda o reforço da ligação entre meios empresarias e científicos, como forma de pôr em prática as competências já adquiridas (por Portugal) ao serviço da estratégia de inovação das empresas. Mais uma vez, acho bastante importante a promoção de um contexto negocial que liberte as organizações, em particular as PME, dos excessivos custos administrativos, bem como dos custos que consomem grande parte da capacidade de financiamento e recursos, dificultando, consequentemente, o estímulo da atividade produtiva – desencorajando o aproveitamento de oportunidades e o surgimento de novas iniciativas empresariais.

          É, então, possível concluir que o bom desempenho do setor empresarial em Portugal depende diretamente da competitividade verificada entre as várias empresas portuguesas - fator potenciador de um crescimento empresarial sustentado e mais equilibrado - conduzindo, consequentemente, a aumentos de quota de mercado a nível global, à criação de novas oportunidades de emprego, bem como à conciliação de acréscimos salariais e rendibilidade.

 

Francisca Maria Soares Ferreira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Sustentabilidade Empresarial

          Hoje em dia, a questão da sustentabilidade é um assunto crucial, além de ser um dos mais debatidos e estudados no planeamento empresarial. Apesar da sua complexidade e relevância, tanto as empresas como as organizações internacionais estão cada vez mais abertas e inquietas na resposta às questões ambientais e socias.

O intenso crescimento populacional e a produção massiva que se tem sentido desde a Revolução Industrial influenciam as empresas a definirem estratégias e tomadas de decisão táticas, de forma a prevenir impactes irreversíveis no meio ambiente. Assim, a urgência de agir é cada ver maior. Tanto a sociedade como as entidades lucrativas têm de reestruturar-se de forma a tomar decisões socialmente responsáveis. No caso das empresas, é essencial que procurem resultados financeiros positivos – maximização de lucro – sem tal se repercutir penosamente no meio ambiente.

O rápido progresso tecnológico e a acentuada evolução populacional alteraram significativamente os hábitos de consumo humano ao longo dos anos. Atualmente, o consumismo, juntamente com os processos produtivos altamente poluentes, intensificam problemas já sentidos, como é o caso, da escassez dos recursos naturais e dos efeitos a nível de aquecimento global – alterações climáticas, subida do nível do mar, extinção de espécies. Desta forma, percebe-se que o desenvolvimento é preciso, no entanto é necessário que o lucro não seja o único fator significativo. As empresas têm a responsabilidade de adotar políticas mais conscientes e dar atenção a práticas de reciclagem de materiais. Em contrapartida, o papel das empresas não é o único representativo para o avanço sustentável. O dever do consumidor também é fulcral para combater estas questões. Se compararmos com a lei básica económica - quanto maior a procura, maior a oferta – se consumirmos cada vez mais, a oferta será́ igualmente maior, o que poderá́ originar um ciclo de desperdícios em grande escala.

          Em 2019, a Comissão Europeia apresentou o Pacto Ecológico Europeu, que inclui todos os setores da economia e tem como objetivo definir estratégias de biodiversidade para 2030, de forma a traçar um caminho mais amplo e real para a Europa de 2050. Todavia, a implementação de objetivos tão significativos e de longo-prazo induz investimentos de grande escala. Para os atuais objetivos de 2030, deduz-se um investimento anual de 260 mil milhões de euros (corresponde cerca de 1,5% do PIB de 2018). No entanto, com a pandemia do COVID-19 o Pacto Ecológico Europeu será́ financiado por um terço dos 1,8 biliões de euros de investimentos do Plano de Recuperação (Next Generation) e pelo orçamento da UE.

No caso de Portugal, sendo o nosso país membro da UE e da ONU, está comprometido a reduzir o impacte ambiental das suas atividades, nomeadamente, de acordo com a ONU Portugal, estamos comprometidos a diminuir entre 30 a 40% das emissões de CO2 em relação a 2005, aumentar o peso das energias renováveis para 40% do consumo final de energia, e ter apenas 2 dias por ano com o IQAR (índice de qualidade do ar) “fraco” ou “mau” (até 2030).

Adicionalmente, a preocupação das empresas portuguesas está cada vez mais a aumentar no que toca à sustentabilidade e à responsabilidade social e ambiental. O princípio essencial e imprescindível é o sucesso lucrativo empresarial, mas, simultaneamente, o contributo para um futuro próspero. Empresas como a ECO, Grow in Peace (agricultura sustentável), EDP, Grupo Jerónimo Martins, Navigator, são exemplos de entidades que procuram processos produtivos ou matérias mais sustentáveis.

         Em jeito de conclusão, na minha opinião, as empresas, ao serem forças económicas extremamente poderosas, contribuem fortemente para a expansão do mercado global. A criação de pactos e planos de mudança faz com que os países, no caso os países membros da União Europeia, adotem uma responsabilidade social e ambiental acrescida para o cumprimento dos objetivos estabelecidos. Dessa forma, Portugal, como membro da UE e da ONU, tem compromissos sustentáveis a desempenhar. Isto faz com os países e as empresas não excedam o limite considerável e, além disso, perspetivem um futuro melhor para o planeta.

 

Beatriz Neves Vieira Silva

[artigo de opinião desenvolvido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]