Com
origem nos Estados Unidos da América, o Black
Friday ocorre na sexta-feira seguinte ao dia de Ação de Graças e é
aproveitado pelo comércio para aumentar consideravelmente a sua faturação
através da conceção de descontos, que muitas vezes são significativos. Este dia
coincide com a abertura oficial da época de vendas de Natal, o que incentiva
ainda mais à compra por parte dos consumidores.
Portugal
é um dos muitos países que já importou o conceito. A adesão foi massiva, tanto
por parte dos comerciantes oriundos de todas as áreas como dos compradores
portugueses, que acreditam na obtenção de uma oportunidade fantástica de
negócio e chegam a formar filas enormes à porta das lojas mesmo antes das
mesmas abrirem. Contudo, tem vindo a aumentar o número de queixas de
publicidade enganosa e de preços inflacionados antes das datas promocionais.
Assim, considero importante a análise deste tema, tendo em vista a compreensão
do mesmo e o debate se, realmente, trará vantagens reais.
A
DECO Proteste criou uma ferramenta fácil e intuitiva, disponibilizada no seu
sítio, que, no meu entender, constitui um instrumento de grande relevância para
os consumidores, dado que lhes permite confirmar se a loja em questão está a
propor um bom negócio. A ferramenta analisa apenas preços com desconto direto e imediato e
apresenta a variação do preço online
de um produto nos últimos 30 dias. Assim, o comprador fica a saber se o mesmo
já esteve mais baixo ou igual nessa loja.
No
ano passado, após várias reclamações, num conjunto de quase dois mil produtos
analisados, em lojas como Worten, Rádio Popular e Fnac, o preço na Black Friday era superior ao praticado
nos 10 dias anteriores. Outro caso encontrado consistia num valor de desconto
anunciado superior ao desconto efetivo. Frequentes são os casos em que o
consumidor compra um produto por acreditar que está a poupar, quando, na
verdade, não está. A Deco recorda o caso de “um televisor que custava 1099
euros, mas que dias antes da Black Friday
subiu para 1799 euros, para ser vendido por 1439,20 euros no período
promocional”.
Esta
manipulação de preços não se encontra generalizada, mas 1 em cada 20 produtos
com descontos anunciados viola a Lei das Práticas Comerciais Desleais e
ainda a Lei dos Saldos e das Promoções. A meu ver, estas situações, sendo
claramente ilegais, devem ser denunciadas às autoridades competentes, como a
ASAE (Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) e a Direção-Geral do
Consumidor, tanto para beneficio do consumidor como das empresas que não
praticam este tipo de ilícito. Empresas honestas não podem ser vítimas das fraudulentas
e devem procurar defender o seu bom nome. Já os consumidores não merecem ser
ludibriados com uma oportunidade de negócio enganadora, na qual fazem
investimentos, por vezes, maiores do que podem financeiramente.
Outra
polémica assenta na alegação de que a DECO usa esta ferramenta como estratégia
metodológica para promover novos contratos de subscrição da sua revista, o que
julgo ser uma jogada injusta e de aproveitamento dos consumidores mais
inocentes ou desinteressados, combatendo uma forma de manipulação com outra
igualmente errada.
Pelo
exposto e em jeito de conclusão, devemos responder à questão: não será o
fenómeno da Black Friday um mero
embuste? Pelo menos, a suspeita está instalada. Na minha opinião, está na hora
de serem criados mecanismos e ferramentas oficiais que permitam, de uma vez por
todas, esclarecer esta situação, bem como instaurar uma fiscalização mais
apertada para que não existam dúvidas sobre os descontos reais e promoções. Os
consumidores não são bonecos nas mãos das companhias e, como tal, não pode ser
permitida sua manipulação.
Daniela
Patrícia Pires da Costa Marcelo
[artigo
de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e
Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]
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