quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Onde é que está a crise?

A pouco mais de uma semana para o Natal, as compras pagas com cartões bancários chegaram aos 1969 milhões de euros. O valor, divulgado pela SIBS, corresponde ao período entre 24 de Novembro e 14 de Dezembro e é 5,1% superior ao do ano passado, na mesma altura. Estes valores já tinham sido antecipados por um estudo do IPAM - The Marketing School, que apontava para uma subida de 7% nos gastos com compras este Natal e para um valor médio de gastos a rondar os 272 euros.
 Mas onde é que está a crise, afinal? Numa altura em que apenas se fala no colapso do maior banco português, nos cortes salariais, no facto da bolsa portuguesa estar entre as piores do mundo, no aumento do IVA e outros impostos, na pobreza do país, é possível haver um aumento de gastos, seja no que for?
A taxa de desemprego está a diminuir, é certo, mas talvez devido ao facto de cada vez mais pessoas que faziam parte da população ativa e desempregada estarem a emigrar. O salário mínimo aumentou em 20 euros, praticamente nada se comparado com o aumento do IVA que vai ocorrer já no início de 2015.
Então, qual é a lógica disto? Se os salários estão mais baixos, como é que se gasta mais em relação ao ano passado? Se há pessoas a passar fome, como é que se gasta milhões em compras de natal? Em plena crise, enquanto dizem que é para apertar o cinto, que a austeridade vai continuar, os portugueses continuam a ter os mesmos padrões de consumo do pré-crise? Falam que a crise está a abrandar, mas isso não significa que tenha acabado. Aliás, está muito longe de acabar!
Só há, então, uma explicação para estes valores: há uma loucura instalada na sociedade em relação ao natal (e não só). A população portuguesa continua a ser consumista, parece haver uma ignorância por parte dos consumidores em relação à crise, pois esta parece não estar a afetar em nada o poder de compra dos portugueses. Basta dizer-se que a crise está a abrandar para se aumentar o clima de confiança dos consumidores portugueses. Há claramente uma inconsciência por parte dos consumidores em relação à crise que enfrentamos ou, pior que isso, os portugueses estão a ignorar a crise e continuam a gastar mais do que podem, como faziam noutros tempos. Tudo isto não faz sentido, na minha opinião, e contraria tudo que se tem vindo a afirmar nos últimos anos. Afinal, estamos em crise ou não?

Sara Margarida Pimenta 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Vamos apostar na produtividade ou na competitividade?

Frequentemente, vamos ouvindo notícias sobre os níveis de produtividade e competitividade de Portugal e respetivas conclusões: de que Portugal necessita de apostar na produtividade, de que os portugueses trabalham muito mas não são produtivos, salientando-se que maiores níveis de produtividade garantem maiores níveis de competitividade.
A liderar o ranking da produtividade do trabalho por hora, na União Europeia, está a Bélgica, com um índice de 133,1, seguido dos Países Baixos, com 129,4, e da Dinamarca, com 129. Esta informação, recolhida no PORDATA, apresenta um índice de produtividade do trabalho por hora para Portugal de 65,3, situando-se acima apenas da Bulgária (43,3), Roménia (45,1), Letónia (57), Polónia (60), Estónia (60,9) e Hungria (61,6).
A situação portuguesa no que respeita à sua classificação nos rankings de produtividade não é a melhor, nem a desejável. Mas a causa estará nas capacidades e qualificações dos trabalhadores portugueses?
Os fatores que poderão influenciar os níveis de produtividade de uma empresa são os custos com a matéria-prima, infraestruturas e equipamento e a mão-de-obra.
Contudo, qualquer uma destas medidas pode, por si só, não significar melhorias ao nível da produtividade. E, no caso concreto de Portugal, é preciso ter em conta aspetos culturais, opções estratégicas, processos, procedimentos e formas de gestão implementadas nas empresas, que poderão limitar efetivamente os seus níveis de produtividade.
Ao mesmo tempo que se fala de produtividade, fala-se de competitividade e da necessidade de sermos mais produtivos para podermos competir à escala europeia e mundial, relacionando assim produtividade com competitividade.
Uma empresa poderá ter aumentos de produção porque, por exemplo, trabalhou mais horas ou porque foi feito um investimento numa máquina tecnologicamente mais avançada, garantindo assim uma maior oferta de produtos, mas não quer dizer que sejamos mais competitivos, pelo menos ao nível do preço. Podemos colocar no mercado maiores quantidades de produto, mas a preço superior, não garantindo assim níveis de competitividade (por exemplo, se competirmos com a China). Podemos até colocar no mercado maiores quantidades de produto a um preço inferior ao praticado no mercado, mas sem qualquer valor acrescentado, por exemplo, ao nível da inovação do produto, e aí não estaremos também a ser competitivos (por exemplo, se competirmos com Alemanha).
Na sua última edição, o Índice Global de Competitividade do Fórum Económico Mundial avaliou Portugal na 36ª posição dos países mais competitivos do mundo. Atualmente este ranking é liderado pela Suíça, seguindo-se Singapura, Estados Unidos, Finlândia, Alemanha, Japão, Hong Kong, Holanda, Reino Unido e Suécia.
É preciso apostar em maiores níveis de competitividade nas empresas portuguesas e posicionar Portugal num patamar superior, e isso poderá acontecer através de maiores níveis de produtividade...mas não só!
A competitividade da economia portuguesa passa pela aposta na inovação, na diferenciação da oferta e no desenvolvimento de produtos com real valor acrescentado.
Temos vindo a assistir ao longo dos anos a uma evolução positiva de investimento privado em I+D+i, contudo essa aposta ainda não é significativa quando comparada com outros países da União Europeia. Não assistimos a grandes níveis de transferência de tecnologia das universidades, centros tecnológicos e centros de I+D+i para as empresas, deixando grande parte dos projetos de ter aplicabilidade no mercado empresarial. E o certo é que a competitividade da economia portuguesa poderá passar por aí.
Por um lado, é necessário aproximar as empresas destes centros. Por outro lado, é importante apostar em projetos que tragam valor acrescentado à indústria e que possam ser propostos ao meio empresarial.
Portugal poderá competir globalmente, apresentando diferenciação através, por exemplo, de produtos desenvolvidos por empresas de base tecnológica, por produtos desenvolvidos pela indústria tradicional portuguesa mas com incorporação de I+D+i ou design. O setor do calçado ou do têxtil são um exemplo. Empresas como a Petratex ou Luis Onofre deram a volta ao panorama nacional e vingam no mercado mundial.
Mais do que apostar na produtividade, acredito na aposta em mais e melhores empregos, em mais conhecimento e transferência de massa critica para as empresas portuguesas. Só assim conseguiremos posicionar Portugal lá fora. Os trabalhadores portugueses são produtivos, trabalham bem e muito, mas precisam também que sejam criadas condições ao nível laboral, organizacional, apostando na qualificação dos seus gestores e lideres.
          Assim, é possível aliar a produtividade à competitividade.

Francisca Pereira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Empreendedorismo e inovação em Portugal

O Empreendedorismo é o principal fator promotor do desenvolvimento económico e social de um país. Afinal, o que é o empreendedorismo? O empreendedorismo é o fenómeno que visa a busca da criação de valor, através da expansão da atividade económica, pela introdução de novos produtos, processos ou acesso a novos mercados. Ao empreendedorismo estão associadas muitas vantagens económicas, tais como a criação de novas empresas, o que conduz a investimentos nas economias locais, a criação de postos de trabalho, a melhoria na competitividade empresarial, e a promoção de métodos, técnicas e modelos inovadores. 
O empreendedorismo e a inovação são, portanto, considerados como objetivos prioritários para o desenvolvimento e para o aumento da competitividade da economia nacional. Portugal devia apostar numa nova realidade económica, competitiva e aberta ao mundo, assente em conhecimento e inovação, capital humano altamente qualificado e forte espírito empreendedor.  
A esta luz, foi criado o programa estratégico para o empreendedorismo e inovação (+e+i), que tem como principais objetivo contribuir para a formação de uma sociedade mais empreendedora, ou seja o fomento da mudança cultural, intergeracional, a favor do espírito de iniciativa e do empreendedorismo. Este, deverá ser promovido e cultivada desde cedo, e ser um dos motores de inovação. Alargar a base de empresas inovadoras e com uma forte componente exportadora é uma peça essencial. Importa sermos um país inserido nas redes internacionais de empreendedorismo, conhecimento e inovação e sermos capazes de tirar melhor partido do investimento que, neste contexto, possa ser realizado. Para que Portugal se afirme a nível internacional de forma competitiva é necessário que se concentrem esforços nas empresas com maior potencial inovador, para que possam ser desenvolvidas capacidades e competências competitivas e diferenciadoras e, consequentemente, para que sejam criadas vantagens competitivas ao nível das ofertas de mercado. 
Os pilares fundamentais deste programa assentam no alargamento das competências da população, dinamização da inovação, estímulo ao empreendedorismo e promoção destes objetivos através de adequados instrumentos de financiamento. 
Apesar dos progressos que estas matérias têm vindo a conhecer nas últimas décadas, verifica-se que existem dificuldades estruturais, que acarretam impactos negativos na capacidade de recuperação económica. Destaca-se, por exemplo, a insuficiente capacidade de rentabilização económica da Investigação e Desenvolvimento (I&D), ou o reduzido impacto do capital de risco, circunstância que limita as soluções de financiamento de novos projetos e conduz a um peso pouco significativo da ciência e da tecnologia na globalidade da economia. 
Neste contexto, o empreendedorismo e a inovação carecem de uma intervenção prioritária e especialmente direcionada para as atividades de índole empresarial, indo além dos campos da investigação e da ciência. As prioridades da estratégia Europa2020 e da sua iniciativa Innovation Union são referenciais para o desenvolvimento da política de inovação em Portugal para os próximos anos.
Na minha opinião, o Programa Estratégico para o empreendedorismo e inovação é essencial para que haja uma maior aposta no empreendedorismo, que, no fundo, é o incentivador de mudança para uma sociedade equitativa, justa e solidária e, acima de tudo, é um desafio necessário, sendo possível uma maior promoção da inovação, que é um dos principais fatores que impulsionam o desenvolvimento económico do nosso país.

Margarida Marques Cardoso 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

As pequenas e médias empresas em Portugal

As pequenas e médias empresas (PME) são amplamente reconhecidas como o pilar da economia nacional, sendo as principais responsáveis pela criação de emprego em Portugal.
As pequenas e médias empresas constituem cerca de 99,9% do tecido empresarial português e empregam a maior parte dos trabalhadores ao serviço das empresas, com uma percentagem de 77.6% de empregados, contra 22.4% nas grandes empresas.
Apesar de 99,9% das empresas serem pequenas e médias empresas, estas só são responsáveis por 58,8% do volume de negócios total gerado em Portugal. Ainda assim uma percentagem elevada, já que são, por definição, pequenas empresas com menos de 250 trabalhadores e com um volume de negócios menor ou igual a 50 milhões de euros. Existem então cerca de 1.120.000 PME’s em Portugal, com um volume de negócios combinado de 220 mil milhões de euros
O forte peso das PME na economia nacional é acompanhado de uma significativa contribuição destas empresas para o produto interno bruto. As PME foram responsáveis por 61,1% do valor acrescentado bruto, ou seja, quase dois terços do que se produz em Portugal vem de empresas de pequena e média dimensão. 
No entanto, estas empresas apresentam uma realidade preocupante em Portugal. Apesar da sua expressividade, a fragilização de tais empresas tem vindo a agravar-se, especialmente desde 2008, ano que marca o surgimento da crise financeira e em que se regista o primeiro de sucessivos decréscimos no número de empresas e no número de pessoas ao serviço. O decréscimo da procura interna bem como a falta de financiamento e a dificuldade de crédito levam a que o número de falências deste tipo de empresas tenha subido cerca de 444,4% desde 2007.
O financiamento é um dos fatores de relevo neste tipo de empresas pois permite que estas subam a nível de qualidade e quantidade do seu produto e recursos humanos, inovação etc. Torna-se, então, necessário desenvolver estratégias alternativas de financiamento para estas empresas. O acesso a fundos comunitários, a dinamização da Bolsa de Valores para estas empresas, o estímulo do capital de risco, incentivos para os aumentos de capital e a retenção de lucros são algumas das soluções que permitem melhorar a situação das pequenas e médias empresas em Portugal. O Estado pode também intervir de forma a proporcionar as mesmas condições existentes noutros mercados internacionais através do regime tributário simplificado para as PME’s. Com este regime, a carga fiscal que incide atualmente sobre as PME’s será reduzida, com estas a ficarem dispensadas do pagamento especial por conta e das tributações autónomas relacionadas com a sua atividade.
Para além das dificuldades de acesso ao financiamento que estas empresas enfrentam, as PME’s portuguesas têm as faturas energéticas mais pesadas, bem como o crédito mais caro da zona Euro. Os custos de contexto, como os impostos e a demora que se faz sentir na justiça, não ajudam a que estas consigam competir com empresas internacionais de semelhante dimensão. No entanto, estas conseguem ainda assim competir internacionalmente, através da diferenciação e da alta qualidade dos produtos que apresentam.
Num país em que há muito trabalho e cada vez menos empregos, a Economia está cada vez mais dependente das Pequenas e Médias Empresas, nomeadamente da sua capacidade de criação de emprego e da sua grande flexibilidade como instrumentos para pôr em prática a capacidade empreendedora e inovadora. 
O difícil acesso ao financiamento ao longo dos últimos anos levou a que muitas destas empresas tivessem encerrado. De forma a estimular o sucesso destas empresas é necessário investimento privado cada vez maior, bem como uma maior facilidade no financiamento, para que seja possível apoiar a criação de emprego e o incremento do valor acrescentado gerado por estas empresas. 

Margarida Marques Cardoso

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Sector Vitivinícola: de Portugal para o Mundo

Na economia portuguesa encontramos empresas e sectores que, mesmo perante os desafios e as dificuldades da conjuntura actual, revelam sustentabilidade económica, carteiras de encomendas solidas, competitividade e iniciativa no comércio global, como produtos exportadores de bens e serviços de sucesso, com base na qualidade, na inovação e no marketing. 
Estão precisamente neste caso os vinhos portugueses, cujas exportações estão em alta, reforçando assim a sua visibilidade e notoriedade nos cinco continentes, constituindo os vinhos nacionais importantes ‘embaixadores’ em matéria de promoção de um Portugal produtivo e moderno. Estes, além de desempenharem um papel de relevo no impulsionamento das exportações e na promoção nacional, promovem-se e afirmam-se nos mercados, ganhando visibilidade e notoriedade global. Os métodos de produção modernizam-se, os vinhos ganham uma elevada qualidade, a promoção investe, os mercados rendem-se cada vez mais à variedade incontornável dos vinhos portugueses, marcados por características únicas, o que potencia a sua competitividade em nichos de mercado, apreciadores de vinhos de excelência. 
As exportações portuguesas de vinho ultrapassam já os 700 milhões de euros para países fora da Europa, nomeadamente para Canadá, EUA, Brasil, Angola, China e Rússia. O país é o quarto fornecedor do Brasil e o primeiro de Angola. Em termos de volume, a subida de 8,8 por cento face ao ano anterior, coloca as exportações de vinhos portugueses muito perto dos 3,35 milhões de hectolitros devidos essencialmente à aposta dos produtores nacionais em novos mercados fora da Europa. É o terceiro ano consecutivo em que as exportações aumentam em todas as categorias, apesar da descida dos preços.
Portugal ocupa actualmente o 11º lugar na tabela dos maiores produtores mundiais de vinho, já ultrapassado pela Federação Russa e China. No entanto, na tabela dos maiores exportadores Portugal ocupa o 10º lugar.
Em suma, o vinho português tem-se desenvolvido a muito bom ritmo produzindo dos melhores vinhos a nível mundial, desenvolvendo a rotulagem, exportando cada vez mais e sendo um potencial factor para a recuperação económica e, consequentemente, um importante contributo para que a balança comercial continue positiva.

Marta Guise

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Desigualdades salariais entre o homem e a mulher

A presença das mulheres em muitas profissões, em que antes não era habitual, nomeadamente em algumas das que têm maior visibilidade, como a medicina, o jornalismo e a magistratura, por um lado, e o aprofundamento contínuo da ordem jurídica no sentido de uma igualdade de mulheres e homens, por outro, induziram a ideia de que as desigualdades salariais no género estariam erradicadas ou, pelo menos, em vias de gradual eliminação. Até porque a lei que estabelece a obrigatoriedade de pagar um salário igual para trabalho igual data de antes do 25 de Abril. Todavia, as desigualdades salariais no género são ainda, apesar de um vasto conjunto de políticas e medidas que têm vindo a ser implementadas aos mais variados níveis, uma característica estrutural de Portugal.  
Estatísticas nacionais demonstram que em Portugal ainda persiste um elevado diferencial salarial de género, à semelhança do que acontece nos restantes países da União Europeia, atingindo os 15,7% em 2012, segundo os últimos dados da Comissão Europeia. Como tal, para conseguirem ganhar o mesmo que os homens ganham num ano, as mulheres teriam de trabalhar em média mais 57 dias.
Às desigualdades de remunerações entre homens e mulheres estão associadas inúmeras causas e consequências graves em múltiplos campos. 
As causas inerentes a esta problemática são complexas, múltiplas e, muitas vezes, decorrem da combinação de vários fatores. De entre as principais razões, destaca-se: o facto do trabalho das mulheres ser muitas vezes visto como tendo um valor inferior ao trabalho dos homens; os estereótipos de género que limitam as escolhas que homens e mulheres fazem dos percursos académicos e profissionais, originando um mercado de trabalho segregado em função do sexo, no qual as profissões predominantemente femininas são desvalorizadas em comparação com as profissões predominantemente masculinas; e a conciliação desigual da vida profissional e privada, dado que a desigualdade nas responsabilidades da prestação de cuidados leva muitas mulheres a procurarem horários de trabalho mais reduzidos e flexíveis.  
Atendendo às consequências, destaca-se o impacto da desigualdade de remunerações entre homens e mulheres na repartição da riqueza em Portugal e na sustentabilidade financeira da Segurança Social, e ainda o efeito que as disparidades salariais entre homens e mulheres têm sobre os rendimentos ao longo da vida, dado que as mulheres ganham menos ao longo da vida, pelo que são mais baixas as suas reformas e é maior o risco de pobreza na terceira idade. 
O prolongamento desta problemática constitui certamente um obstáculo sério ao desenvolvimento do país, na medida em que impede a utilização plena das capacidades da maioria da população e gera naturalmente sentimentos de grave injustiça social e económica.
Apesar de todos os programas e medidas que têm vindo a ser implementados para combater as desigualdades salariais no género, a verdade é que estas têm sido pouco eficazes, levando-me assim a considerar que esta problemática se virá a agravar ao longo dos anos. Deste modo, não só como mulher que pode vir a ser alvo deste tipo de discriminação quando ingressar no mercado de trabalho, mas também como cidadã apologista da igualdade nos mais diversos contextos, exalto que é ainda necessário criar medidas que permitam fortalecer a cultura da igualdade, infundir o sentido de compartilhamento das responsabilidades familiares e profissionais entre homens e mulheres e desvendar os mecanismos às vezes utilizados pelos empregadores no sentido de facilitar o crescimento profissional dos homens e vedar o das mulheres.
A verdade é que ainda temos um longo caminho a percorrer no sentido de uma verdadeira igualdade salarial.
A igualdade salarial está longe de ser uma batalha ganha pelas mulheres, mas ainda não perdemos a guerra!

Windy Martins Noro 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Esconder desemprego

Repararam na súbita transformação da tendência de desemprego em Portugal, ocorrida no últimos meses? Eu reparei. Eu que só ouvia falar de um Portugal de mudança, onde o fim da epidemia estava perto e que o país estava numa de curar o desemprego. Extraordinária técnica de dissuasão é o que se apresenta aos nossos olhos, uma autêntica contabilidade manhosa com mãos de políticos embaraçosos. 
Antes de nos centrarmos no tema de desemprego, precisamos de parar para analisar o quadro geral onde se reflete uma desvalorização da força de trabalho acompanhada por uma generalizada precarização do emprego. 
Hoje o emprego já é uma área apagada: pessoas trabalham pouco e recebem nada. O dito emprego, já nada tem a ver com os conceitos de “formação”, “estágio”, “empreendedorismo” e até “emigração”. Tudo se confunde, isto porque o trabalho precário é quem manda e foi, desde sempre, um objetivo governativo. Aliado a este trabalho instável dos portugueses, está o facto de este tirar coesão relativamente aos empregados, que fará que cada um atue segundo um pensamento de “salve-se quem puder”, criando desunião, onde só o governo sai a ganhar com isso.
Primeiramente, era tudo bonito e o governo investia e fazia propaganda em empreendedorismo e formação. Numa segunda fase, tudo isso se desfaz e encontra-se o camuflado desemprego. Entre elevados números de emigração, desempregados “ocupados”, gente não inscrita nos centros de emprego, o governo vem atirar “areia para os olhos” dos portugueses, dizendo que o desemprego é cada vez mais pequeno. 
Analisando agora em concreto dados, podemos concluir que a população ativa em Portugal desceu aproximadamente 200 mil indivíduos em apenas 2 anos, paralelamente a uma subida do saldo migratório, isto é, passámos a verificar um maior número de emigrantes em relação a imigrantes, pelo que é bastante fácil de entender a descida da taxa de desemprego, assim como a sua manipulação.
Em suma, podemos concluir que o governo não apresenta uma política real de criação de empregos, pelo  que o futuro do país não é brilhante quanto ao desempenho da força laboral, e enquanto essa situação não for contornada a economia portuguesa não poderá ser uma economia de crescimento sustentável.

José Luís Martins da Silva

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]