sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Bitcoin, uma bolha prestes a estourar

 Muito se tem falado da Bitcoin no último ano. No entanto, o termo que define um “tipo de moeda virtual” pode ainda não ser assim tão familiar para muita gente. A moeda protegida por criptografia, conhecida por cripto-moeda, existe no mundo digital há mais de 10 anos, mas foi a sua supervalorização ao longo deste ano que chamou a atenção.
Após cair fortemente, o preço da bitcoin voltou a subir e estabeleceu novos recordes, e praticamente duplicou em apenas um mês. Uma bitcoin passou a valer nos últimos dias 17000 dólares, cerca de 14000 euros, isto porque alguém ou um conjunto de pessoas aceitou trocar 17000 dólares, garantidos pela Reserva Federal, por uma moeda digital que não é garantida por nenhuma entidade formalmente reconhecida.
Independentemente da opinião que cada um tenha acerca da bitcoin, uma coisa é certa a valorização da cripto-moeda nos últimos anos terá sido uma das melhores oportunidades de ganhar (muito) dinheiro. Ora, veja-se que, em 2011, quem tivesse aplicado 100 dólares, cerca de 75 euros, tinha comprado 333 cripto-moedas, e hoje poderia vender cada uma dessas moedas por 17000 dólares. Feitos os cálculos, o investimento de 100 dólares em 2011 rendia agora cerca de 5661000 dólares!
Uma das razões para se comprar um ativo financeiro passa por acreditar que se consegue vender no futuro mais caro a outro investidor. Neste caso, para mim, pode aplicar-se o “efeito bola de neve”. Quem compra uma bitcoin compra porque está otimista que conseguirá vender mais caro a alguém, e esse alguém compra porque acha que consegue vender a outro alguém ainda mais caro, e assim sucessivamente. É claro que chega um dia em que a bola não cresce mais e acaba por derreter, e aquele alguém que não consegue vender mais caro a ninguém é o primeiro a perder dinheiro.
A euforia das moedas virtuais chegou a Portugal devido aos recordes sucessivos que a Bitcoin tem alcançado e que os meios de comunicação social divulgam diariamente. Isto está a preocupar a CVMV, que de certa forma tenta proteger os investidores que possuem menos conhecimentos acerca dos mercados financeiros e dos riscos que a Bitcoin apresenta. Desta forma, a CVMV alerta que todo cuidado é pouco quando se investe neste tipo de instrumentos financeiros, e divulgou ainda um estudo europeu da ESMA que concluí que 80% dos investimentos realizados em produtos complexos, com um elevado grau de alavancagem e que têm como ativo subjacente as moedas virtuais, apresentam uma perda total para quem investiu.
 A questão que coloco é: serão as cripto-moedas o futuro do dinheiro ou não passam de uma fraude que levará à ruína aqueles que não se desfizerem delas a tempo? É impossível dizer-se se a valorização vai continuar ou se é uma bolha prestes a estourar. Presumo eu que há uma boa possibilidade da bitcoin continuar a valorizar-se, no entanto, é expetável que mais tarde venha a colapsar.
Muita gente tem feito a analogia entre a bitcoin com a crise das túlipas na Holanda, que ocorreu no século XVII. As semelhanças podem ser grandes, no entanto, para mim, os bolbos de túlipas tinham pelo menos alguma utilidade.

Carla Susana Peixoto Teixeira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

A Evolução do Desemprego em Portugal

         A taxa natural de desemprego é a taxa para a qual uma economia tende no longo prazo, a qual oscila no curto e no médio prazos consoante a conjuntura atrevessada pela economia. O desemprego é um problema macroeconómico que afeta a população de uma forma muito direta uma vez que a perda de um emprego significa um padrão de vida mais reduzido. Os economistas estudam o desemprego com o objetivo de identificar as suas causas e ajudar a aperfeiçoar as políticas públicas que afetam os desempregados. Essas políticas têm em vista, principalmente, a recolocação dos desempregados e a amenização das dificuldades monetárias que possam surgir
Portanto, analisando a evolução da taxa de desemprego em Portugal ao longo dos últimos anos, podemos tirar várias conclusões, comparando Portugal com outros países da União Europeia.
A taxa de desemprego em Portugal foi uma das mais baixas entre alguns países, como a França, Espanha, Reino Unido, Grécia e Alemanha, até ao ano de 2002. A partir deste ano houve um crescimento generalizado das taxas de desemprego, sendo que no ano de 2007 Portugal registava uma taxa de desemprego superior à da União Europeia. Em 2008, todos os países viram as suas taxas de desemprego aumentarem significativamente, uma vez que coincidiu com a crise económica que teve início nesse mesmo ano. De todos os países, apenas a Alemanha registou uma diminuição desta taxa, neste momento de crise. No ano de 2013, existiram picos bastante elevados em todos os países, exceto a Alemanha, nomeadamente na Grécia, com cerca de 28% e na Espanha com 26%. A partir deste ano, de forma geral, houve uma diminuição do desemprego, coincidente com o alívio da crise vivida.
Esta análise serviu, mais uma vez, para provar a importância de se tentar alcançar taxas de desemprego mais baixas. Portugal é um dos países da União Europeia que regista uma taxa de desemprego elevada, sendo apenas ultrapassado por países como a Espanha ou a Grécia. Do meu ponto de vista, isto continua a acontecer devido à dificuldade que os recém-licenciados encontram em ingressar num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, e, claramente, devido à crise que ainda estamos a tentar ultrapassar e a recuperar tudo o que perdemos nos anos mais críticos.
 Entre julho e setembro do corrente ano, a taxa de desemprego em Portugal situou-se em 8,5% e o emprego atingiu o nível mais elevado desde o final do ano de 2010. Esta descida do desemprego foi superior à estimada pelo Montepio (cerca de 8,6%). Assim, a previsão para a média de 2017 está agora em 9%, enquanto que a estimativa para 2018 situa-se nos 8,2%. Esta estimativa ficou no mesmo patamar que a previsão do Banco de Portugal, mas inferior ao previsto pelo Governo (8,6%) e pelo FMI (9%). Assim, as previsões para 2018 mantêm Portugal nesta trajetória, com taxas de desemprego cada vez mais baixas, rumo a uma economia melhor.

Maria Inês Dias Pinto

·        http://www.pordata.pt/
·        http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/montepio-desemprego-desce-para-9-este-ano-e-82-em-2018
·        http://www.dnoticias.pt/pais/portugal-e-sexto-na-lista-dos-paises-com-mais-desemprego-XB2344624

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Escândalo Público – “Raríssimas”

Como membro de uma sociedade aparentemente justa, não pude ficar indiferente à reportagem da TVI onde é demonstrado como, supostamente, a presidente da Raríssimas, uma associação sem fins lucrativos que recebeu mais de 1,5 milhões de euros, dos quais metade são subsídios estatais e outros donativos, pode ter eventualmente recorrido aos fundos daquela associação para pagar mensalmente milhares de euros em despesas pessoais.
Segundo a mesma fonte, surgem também envolvidos o secretário de Estado da Saúde, que foi consultor da associação, recebendo 3 mil euros por mês, e uma deputada do PS, que viajou até à Noruega sem motivo aparente, viagem esta paga pela associação. Estas acusações são corroboradas pelo testemunho de vários ex-funcionários da associação sem fins lucrativos.
A reportagem e seus denunciantes muniram-se de vários documentos que dão conta de transações alegadamente ilícitas que terão beneficiado a presidente desta associação sem fins lucrativos dedicada aos cuidados de portadores de doenças pouco comuns.
Este pode ser mais uma vez um retrato de esquemas que cada vez mais se vão vulgarizando no nosso país, que está em choque. Urge então resgatar a verdade, repor a justiça, mas também refletir e questionar! Sim! Questionar a aprovação e apresentação das contas das múltiplas associações existentes no país, os subsídios e donativos solicitados e recebidos, as lideranças e a forma de acesso a este tipo de cargo por pessoas de caracter zero! Questionar a fiscalização e conivências, o tipo de gestão, o papel da Segurança Social, dos Ministros e Secretários de Estado, do Estado.
Importa implementar um sistema de fiscalização permanente da gestão financeira das instituições, ordenados e ajudas dos seus dirigentes e colaboradores. É urgente averiguar e deixar a mão pesada da Justiça atuar, se se comprovarem os factos.
Será possível existir um aproveitamento desta dimensão numa instituição que devia dar tudo a pessoas que precisam de grande apoio e às suas famílias? É assim que, em pirâmide, as finanças se fragilizam: verbas públicas, dos cidadãos e donativos muitas vezes doados com sacrifício vão corroendo a economia do País!
Queremos ser uma sociedade justa, livre e igualitária, mas temos que ter forças para banir a gestão danosa, a prepotência, o abuso de poder e de confiança e exigir o apuramento da verdade.
Quero pensar que tudo se vai esclarecer, que os factos têm outra contextualização, que as lideranças se vão fortalecer, humanizar e rechear de valores, que atenderão essencialmente ao interesse superior dos seus beneficiários e que nós, atentos, seremos indiscutivelmente agentes desta mudança, que nunca deixaremos de ser solidários e justos!

Maria João Peixoto

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

(Des)igualdade de género em Portugal

         Em pleno século XXI, estava sentada numa esplanada a aproveitar um sol de inverno quando, na mesa ao lado, ouvi, por acaso, um senhor dizer o seguinte: “a mulher foi o segundo erro de Deus”. Não sei qual é o primeiro erro a que o senhor se refere, no entanto, isto fez-me perceber que a discriminação das mulheres ainda existe no nosso país.
         Após uma pesquisa pela internet sobre o tema, percebi que ainda hoje, apesar de ser numa escala mais pequena, as mulheres continuam a auferir salários mais reduzidos que os homens e a trabalhar um número superior de horas não remuneradas quando se faz a comparação com o sexo masculino. Em 2015, em média, uma mulher tinha um salário de 824,99 euros por mês, enquanto que um homem recebia um salário 16,7% superior, ou seja, 990,05 euros mensais.
         A questão que para mim é fulcral é: “as mulheres são remunerações por salários mais reduzidos só devido a fatores discriminatórios”? À partida, poderíamos dizer que sim, no entanto há alguns indicadores que não devem ser esquecidos. De entre estes, destacam-se a educação, emprego e desemprego, conciliação entre a vida pessoal, familiar e profissional e o poder de tomada de decisão.
         Segundo o estudo intitulado “A igualdade de género em Portugal; indicadores-chave 2017”, onde os indicadores em análise são para 2015 e começando pela educação, do número total de pessoas sem nenhum nível de escolaridade completo, 71,2% eram mulheres, no entanto, 60,9% das pessoas que têm o ensino superior completo são também mulheres. Nos cursos tecnológicos, a predominância está no sexo masculino. Relativamente à taxa de emprego, esta é superior nos homens 6,8 pontos percentuais e quanto à conciliação da vida profissional com a vida pessoal e familiar, é notório que as mulheres são aquelas que continuam a gozar mais a licença de paternidade, apesar de ter havido um aumento da percentagem de homens que o fazem. Falando de tomada de decisão e analisando a participação das mulheres na assembleia da República, constata-se que apenas 33% são mulheres.
         Analisando estes indicadores, vemos que a diferença de salários e de emprego, apesar de ter uma parte discriminatória que não pode ser esquecida, pode estar associada à elevada procura por pessoas com cursos da área tecnológica, onde a predominância é dos homens e também devido ao facto de haver mais mulheres analfabetas do que homens.
         Na minha opinião, a discriminação das mulheres existe e vai existir ainda por um longo período de tempo pois não é fácil mudar mentalidades. Penso que as mulheres deveriam começar a assumir-se, a encarar as coisas de frente e a negociar salários, a concorrerem em maior número a cargos superiores e a fazerem parte de cargos políticos, por exemplo, devia haver mais mulheres a candidatar-se a presidentes de Junta, de Câmara, entre outros.

Marisa Cabral

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

domingo, 10 de dezembro de 2017

Envelhecimento da população - quais as consequências para a Segurança Social? (versão revista)

Como é sabido por todos nós, a população portuguesa e, de um modo mais geral, a população Europeia tem vindo a envelhecer cada vez mais rapidamente. O aumento do envelhecimento está associado a uma diminuição da taxa de mortalidade, isto é, a um aumento da Esperança Média de Vida (EMV), a uma diminuição da taxa de natalidade e também, no caso português, à saída de jovens para o estrangeiro.
         A EMV tem vindo a aumentar devido aos avanços científicos e tecnológicos que fizeram, entre outras coisas, com que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) melhorasse e, consequentemente, que a condição de vida das populações também ficasse melhor. Relativamente à diminuição da taxa de natalidade, a emancipação da mulher, o facto de as mulheres quererem estudar, progredir nas carreiras e terem uma maior concretização a nível profissional, fez com que colocassem a maternidade num segundo plano.
         Um político português, há algum tempo, propôs como solução para a redução do desemprego a saída de jovens para o estrangeiro (emigração), no entanto isto será uma solução ou um problema? Os jovens, com a sua saída, fazem com que a população ativa diminua, o que, por sua vez, faz com que as contribuições para a Segurança Social também diminuam. O Sistema de Segurança Social é um sistema de repartição onde é a população ativa que paga as pensões e reformas da população envelhecida. O problema é que cada vez mais a população com idade de reforma é maior, enquanto que a população ativa é menor. Isto significa que há mais pessoas a usufruir de pensões da Segurança Social do que pessoas a pagar impostos para a mesma, tornando-se o sistema insustentável.
         Que soluções se podem apontar para este problema? A nível Europeu, constata-se que a forte aposta dos governos tem sido o aumento da natalidade, dado que em muitos países são fornecidos subsídios às famílias para que estas tenham mais filhos. Há ainda quem defenda que para se conseguir sustentar este sistema é necessário estimular a vinda de jovens para o país, criar condições para que os jovens se interessem pelo país, consigam um emprego e passem a integrar a população ativa, contribuindo assim para a Segurança Social desse mesmo país.
         Como estudante de economia, poderia dizer que a passagem da Segurança Social para um sistema de capitalização seria uma boa opção, tal como Fernando Alexandre sugere num artigo escrito para o Expresso. Neste sistema, as pessoas passariam a pagar a sua própria reforma e aquilo que contribuem seria guardado para o seu futuro. O problema é que isto seria algo que levaria anos a ser implementado e que teria imensos prejuízos iniciais. O que aconteceria às pessoas que estão atualmente a receber as reformas? Elas pagaram as contribuições e estas foram canalizadas para as pensões dos outros (atuais pensionistas) e agora com esta mudança como pagariam as suas reformas? Assim, analisando bem os prós e contras desta medida, na minha opinião esta não é a melhor solução devido aos elevados custos de transição inerentes.
Segundo as Nações Unidas, Portugal será em 2050 o quarto país mais envelhecido do mundo, com cerca de 40% da população acima dos 60 anos. A ONU estima que dentro de meio século haverá mais idosos do que jovens não só em Portugal como em todo o mundo. Posto isto, para mim, em Portugal dever-se-ia dar mais incentivos aos casais para ter filhos, como, por exemplo, ter a possibilidade de se reformarem alguns anos antes do ano estipulado para a reforma aos pais com pelo menos 3 filhos, permitir às pessoas que não sentem necessidade de se reformar aos 66 poderem ficar a exercer outro tipo de funções nas empresas como, por exemplo, transmissão de conhecimentos aos mais novos, continuando assim a pertencer à população ativa.

Marisa Isabel Martins Cabral 

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

sábado, 9 de dezembro de 2017

O grande problema de Portugal

Estamos todos muito focados nos sérios problemas que a economia portuguesa enfrenta: o endividamento privado, as despesas do Estado, a poupança das famílias, a sustentabilidade da segurança social,… E o verdadeiro problema de Portugal continua às escuras para muitos portugueses. O nosso desenvolvimento e crescimento económico só tem um único obstáculo: a baixa produtividade.
Segundo dados da pordata, a produtividade dos portugueses equivale a apenas 68,9% da produtividade média da União Europeia. Encontramo-nos no grupo de países menos produtivos ao lado da Grécia, da Polónia, da Letónia e da Lituânia. Poderíamos pensar “se calhar a nossa produtividade é baixa porque trabalhamos pouco”. Mas se voltarmos aos dados da pordata podemos comprovar que o que acontece é exatamente o oposto. O mesmo grupo de países com baixa produtividade é o grupo com mais horas de trabalho. E esta relação inversa verifica-se também nos países mais produtivos. A Alemanha, a Dinamarca, o Luxemburgo e os Países Baixos representam o grupo de países mais produtivos e ao mesmo tempo o grupo de países com menos horas de trabalho. O que é que pode então explicar que em Portugal, ao fim de um ano, cada indivíduo tenha mais 500 horas de trabalho do que um indivíduo na Alemanha e no entanto tenha produzido apenas um terço?
Há muitas opiniões neste campo, no entanto, eu acredito que a verdadeira causa está na qualidade dos gestores nas organizações e empresas portuguesas. Muitas organizações portuguesas utilizam estruturas e técnicas de gestão que foram desenvolvidas por Frederick Taylor em 1911, e, quando Taylor desenhou a gestão da organização perfeita, apenas 4% da população, do país onde Taylor se encontrava, tinha o ensino básico completo, e, por isso, a gestão da organização passava muito por tomadas de decisão apenas no topo da empresa e o resto tinha regras e orientações específicas e havia processos de controlo muito rigorosos. Hoje esta realidade não se verifica. Temos a geração mais bem formada de sempre e que quer participar ativamente nos processos de decisão e a gestão das organizações não acompanhou este crescimento e acabamos por ter pessoas qualificadas completamente “entalhadas” de processos, onde as decisões apenas podem vir de cima.
É claro que a solução passa pela reestruturação da gestão das organizações. Um colaborador que tenha a liberdade de tomar uma decisão assim que o problema surja, em vez de perder horas em relatórios e reuniões para comunicar o problema e esperar pela resposta dos gestores no topo da organização, não só torna o funcionamento da organização mais rápido e eficaz, como cria espaço para a inovação.

Bruna Filipa Matos Azevedo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Energias Renováveis – Opção Ambiental e Financeira (versão revista)

A utilização de energias renováveis é uma ação cada vez mais aplaudida e requerida na comunidade europeia, sendo que existem metas e políticas, em termos ambientais, que só podem ser atingidas através da sua instalação pelos diversos países europeus. No entanto, os efeitos não têm sido apenas ambientais, no que diz respeito a Portugal, mas também financeiros, segundo a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN). Entre 2010 e 2016, a produção de eletricidade através de energias renováveis resultou em poupanças de 265 milhões de euros, originando 38 milhões de euros de poupanças por ano, visto que Portugal não é rico em combustíveis fósseis e como tal contribuiu para uma menor dependência energética.
A eletricidade gerada através de energias renováveis no “Mercado Ibérico de Eletricidade” (MIBEL) conduziu a uma redução dos preços “grossistas” de eletricidade, o que é comprovado pela diferença de preço no dia 1 de janeiro de 2016, com (44,75 euros) e sem (63,44 euros) energia renovável a ser utilizada, ou seja, evidencia a existência de uma queda de 18,69 euros, aproximadamente. António Sá da Costa, presidente da APREN, afirma que “as energias renováveis não foram um custo para o consumidor, foram pelo contrário, um benefício para os mesmos”. Para além disso, o estudo dirigido pela APREN relata que “as energias renováveis evitaram a importação de combustíveis fósseis no valor de 5.620 milhões de euros e pouparam 475 milhões de euros com as licenças de emissão de dióxido de carbono”.
Um dos indicadores mais importantes, no que diz respeito à energia, é a intensidade energética, que mede o rácio entre o consumo de energia de uma economia e o seu PIB, ou seja, quanto maior for a intensidade energética mais eficiente será um país na sua realocação de fundos para o setor energético. A recente tendência comprova que a EU-15 está em declínio constante e continuado, ao invés de Portugal, que apresenta um crescimento sustentado desde 1980, atingindo valores próximos de uma potência económica como os EUA.
O setor dos transportes é um dos setores mais importantes da economia portuguesa. Logo, é necessário que exista um sistema ambiental sustentável e ecológico interligado a este setor. Atualmente, uma grande proporção dos transportes públicos contribui para os níveis de energia limpa atingidos por Portugal, em comparação à EU. O peso deste setor nos valores finais do quadro abaixo representado é considerável.
A evidência de que cada vez mais Portugal é um país que apoia e promove energias renováveis decorre do facto que, em maio de 2016, o consumo de eletricidade foi durante 4 dias consecutivos assegurado por fontes de energia limpa, poupando assim na importação de carvão e petróleo e estabelecendo um recorde nacional. No entanto, existem ainda outros exemplos, como é o caso da instalação de 18 mil painéis fotovoltaicos nas instalações do IKEA em Paços de Ferreira, designado como um dos maiores projetos em “coberturas para autoconsumo energético na Europa”, permitindo evitar a emissão de 2358 toneladas de CO2.
Em comparação com a área do euro, Portugal é dos maiores consumidores de energias renováveis, ultrapassado apenas pela Suécia, Finlândia, Dinamarca, Estónia, Letónia e Croácia, sendo que 28% da energia consumida é de facto proveniente de fontes limpas, aproximando-se assim da meta imposta para 2020, que ronda os 31%.


Em suma, o objetivo comunitário europeu no futuro é o foco central nas fontes de energia limpa, impondo-se assim várias metas aos países europeus. As expetativas são de que mais de metade dos carros irá funcionar por via elétrica no futuro, havendo uma enorme desvalorização do petróleo e do carvão. Embora ainda existam vários passos a dar, Portugal é dos países que mais pretende apostar neste tipo de energias, relembrando-se o enorme investimento na Central Solar fotovoltaica da Amareleja, um projeto de enorme estímulo fiscal que pode ser replicado se forem cumpridos vários requisitos, como é o caso de maiores “incentivos no IRS e uma redução da taxa do IVA nos equipamentos solares”.

Ivo Barros Brito

Referências Bibliográficas:
Amador, J. (2010). Produção e consumo de energia em Portugal: Factos estilizados. Boletim económico, 71-86.

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]