É inquestionável que, actualmente, o Sistema de Segurança
Social português apresenta problemas profundos, derivados de factores sociais,
económicos e demográficos. Assim, se observarmos a evolução populacional
portuguesa nos últimos anos e atendermos ao facto do nosso Sistema de Segurança
Social se basear num contracto geracional, em que as contribuições da população
activa de um determinado período são utilizadas para financiar as pensões pagas
nesse mesmo período, não será difícil compreender qual o impacto que a dinâmica
populacional poderá vir a ter na sustentabilidade desse mesmo sistema.
Portugal sofreu uma grande alteração demográfica nas últimas
décadas, sendo um dos países mais envelhecidos da Europa. Verifica-se, então,
que a população com idade inferior a 15 anos tem sofrido uma drástica
diminuição, passando de cerca de 29,5% da população, em 1950, para 15,1%, em
2011 (fonte: Eurostat). Por outro lado, a população com idade superior a 65
anos assistiu a um aumento significativo, passando a representar 18,2% da
população total (fonte: Eurostat). Como resultado deste envelhecimento
populacional, Portugal tem assistido ao aumento do número de pensionistas, passando
de 187.297 indivíduos, em 1970, para 2.943.645 indivíduos, em 2011 (fonte:
Pordata), o que acarreta grandes problemas nas contas da segurança social.
Com o crescente aumento do número de indivíduos com mais de
65 anos (devido ao aumento da esperança média de vida), acompanhado pelo
aumento do número de indivíduos desempregados (devido à crise económica em que
nos encontramos) e pela diminuição da taxa de natalidade, não será complicado
entender o porquê de a sustentabilidade do sistema de Segurança Social se
encontrar ameaçada. Cada vez mais, serão necessários aumentos dos recursos
(contribuições) para sustentar o aumento das prestações sociais, principalmente
com as pensões. Assim, é de salientar que o número de pensionistas em
percentagem da população activa passou de 41,7%, em 1983, para 63,8%, em 2001.
Para que se atenuem estes efeitos
negativos do envelhecimento, muitas soluções têm sido propostas, debatidas e,
até mesmo, aplicadas, principalmente devido à situação de crise económica em
que nos encontramos e ao plano de austeridade que nos vemos obrigados a
cumprir. Muitas dessas soluções passam pelo congelamento de pensões, pela
diminuição de subsídios, pela suspensão do regime de reformas antecipadas e
pelo aumento da idade da reforma. O Governo avançou recentemente que os
subsídios de férias e de Natal só serão repostos em 2015, mas não por inteiro,
a sua reposição será gradual, que as baixas por doença, o Rendimento Social de
inserção e o subsídio por morte vão ser reduzidos e que, até ao final do
programa de ajuda a Portugal, as reformas antes dos 65 anos estão congeladas,
com excepção dos desempregados de longa duração (em Económico).
Um estudo realizado pelo FMI, divulgado há alguns dias,
estima que, se a esperança média de vida for 3 anos mais elevada do que aquilo
com que os governos estão a contar, os gastos dos sistemas de Segurança Social
aumentam em 50%. Uma das sugestões apresentadas é aumentar a idade da reforma à
medida que a esperança média de vida sobe. No caso de Portugal, a idade da
reforma permanece nos 65 anos, no entanto, este é um tópico que tem sido
fortemente debatido e gerado bastante controvérsia.
Restará, assim, aos jovens dos dias
de hoje, tentar aumentar o número de contribuições da Segurança Social, pelo
aumento da taxa de natalidade que tem vindo a ser cada vez menor, e às
instâncias responsáveis criar condições que constituam incentivos ao
prolongamento da vida activa.
Ana Sofia Ferreira Fernandes
[artigo de opinião produzido no
âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3.º ano do
curso de Economia (1.º ciclo) da EEG/UMinho]

