sábado, 12 de outubro de 2019

¿Vivienda digna?

Hace unos años, España gozaba de gran cantidad de viviendas, pero ahora eso ha cambiado. Esto se debe a que la compra de una vivienda y, por lo tanto, pagar la consiguiente hipoteca es más complicado que en el pasado, y en nuestro caso, jóvenes, se ha vuelto prácticamente imposible ya que no tenemos ni patrimonio ni trabajo fijo, dos requisitos primordiales para su acceso.
Al no poder acceder a la compra, la mayoría tiende al alquiler, que es una buena medida para España pero que ha tenido consecuencias. En lugares como Madrid y Barcelona, dos de los sitios de España con mayor precio de alquiler, 819€ y 693€, respectivamente, suponen una parte excesiva de sus ingresos. "El crecimiento del precio de los alquileres se está moderando, si bien sigue siendo muy intenso en las grandes ciudades, su extrarradio y las zonas turísticas más emblemáticas de nuestro país", ha valorado Beatriz Toribio, directora de Estudios de Fotocasa, en una declaración difundida por el portal inmobiliario. Como consecuencia de estos elevados alquileres, tenemos los desahucios tanto por alquiler como por hipoteca, tan sonantes en los últimos años, que acompañados de las altas tasas de paro son uno de los grandes problemas actuales
Para solucionar estos problemas, las autoridades deben de buscar soluciones eficaces. Una de las medidas propuestas son las subvenciones al alquiler, que ahora mismo no se asegura que se puedan realizar. Otra de las medidas es el control de alquileres, en mi opinión, más efectiva y barata que las subvenciones. El problema es que su efecto provocaría una reducción de la oferta de viviendas de alquiler pasando a la venta, por lo que encontrar pisos de alquiler se volvería más complicado
Viendo esto, lo que está claro es que las autoridades tienen que actuar y garantizar alquileres asequibles. Si todos tenemos derecho a una vivienda digna como dice el artículo 47 de la Constitución - Todos los españoles tienen derecho a disfrutar de una vivienda digna y adecuada. Los poderes públicos promoverán las condiciones necesarias y establecerán las normas pertinentes para hacer efectivo este derecho, regulando la utilización del suelo de acuerdo con el interés general para impedir la especulación”-, ¿por qué hay personas que viven entre cartones?
Las viviendas dignas dejan de serlo cuando superan tus ingresos. ¿Por qué no se pone en relación con el Salario Mínimo Interprofesional? Si en España el salario medio fuera como el caso de Alemania quizás estos alquileres serían normales, pero siendo realistas, en España, la gran mayoría son mileuristas
Volviendo al caso de los desahucios, ya que es un tema que estamos viendo en la tele constantemente, el número de desahucios en España derivados del alquiler a aumentado en un 5.2%, mientras que los derivados de hipoteca han caído en un 19,2%. Estas cifras de entienden mejor si explicamos que el numero de personas que quiere comprar una vivienda se ha reducido también. Solo en el primer trimestre del año (enero-marzo) se han producido 15559 desahucios, cifra alarmante. ¿Qué ocurre con tu casa cuando te echan de ella? ¿Se la dan a otra familia que la necesite? No, la mayoría se queda en pisos vacíos con los que no se hace nada hasta que se derrumban inutilizados. Está claro que algo hay que hacer. ¿Y si se rescataran como a los bancos?
Cuando los bancos españoles tuvieron que ser rescatados por la crisis financiera de 2008 fue un asunto de importante gravedad al igual que en mi parecer lo es el rescate de los desahuciados. Al igual que se dio dinero a los bancos se puede crear otra ley para crear prórrogas en los desahucios. Al fin y al cabo, muchos de esos desahucios son consecuencia de una forma u otra por las hipotecas que antes de la crisis dieron los bancos de una forma alocada.

Jennifer Ciria González

[artículo de opinión producido en el ámbito del curso "Economía Portuguesa y Europea" del 3er año del curso de Economía (1er ciclo) de EEG / UMinho]

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

´Prize-linked Savings Accounts`, a criar excêntricos de um depósito para o outro

A taxa da poupança das famílias portuguesas tem vindo a atingir mínimos históricos, estando em queda pelo terceiro ano consecutivo. Em 2018, os portugueses poupavam apenas 4,6% do que ganhavam e o resto era gasto em consumo. Deve-se isto a uma compressão ou à estabilização do rendimento disponível das famílias que ao longo dos últimos anos tem vindo a ter como principal atrito do seu crescimento o aumento dos impostos diretos? Apenas no último trimestre se viu um aumento da taxa da poupança das famílias em resultado de um acréscimo do rendimento disponível das famílias superior ao da despesa em consumo final (determinado pelo crescimento de 1,9% das remunerações no 4º trimestre de 2018 e, adicionalmente, pelo acréscimo de 2,3% das prestações sociais recebidas) – ver gráfico 1.

Fonte: INE (2019)

É necessário constatar também que os agregados familiares que compõem o decil da população com maior rendimento detêm mais de um terço de toda a população portuguesa, enquanto que o decil correspondente à população mais pobre chega a ter taxa de poupança negativa (ver gráfico 2). Num momento em que se atravessa uma mudança de paradigma político a nível nacional e num ambiente de desaceleração económica devido aos mais diversos assuntos político-económicos a nível mundial (Brexit, relação comercial EUA – China cada vez mais frágil, crises políticas na América do Sul, etc.), são essenciais medidas que possam de alguma maneira interromper este declínio da taxa de poupança das famílias que se tem prolongado pelo último vinténio.


Fonte: IDEF 2005, 2010
Num momento em que se vai atravessando uma mudança de panorama político a nível nacional e num ambiente de desaceleração económica devido aos mais diversos assuntos político-económicos a nível mundial (Brexit, relação comercial EUA – China cada vez mais frágil, crises políticas na América do Sul, etc.), são essenciais medidas que possam de alguma maneira interromper este declínio da taxa de poupança das famílias que se tem prolongado pelo último vinténio. Tudo isto tem acontecido num ambiente de inflação baixa, de níveis bastante elevados na procura de crédito ao consumo e de taxas de juros nulas ou quase zero nos depósitos, o que acaba por desmotivar a procura destes por parte dos clientes e, consequentemente, a desmobilizá-los destes produtos bancários tradicionais. Como incentivá-los então?

Uma das mais recentes propostas para incentivar a poupança dos particulares foi discutida num dos episódios de um podcast norte-americano, Freakonomics (criado pelo psicólogo Stephen Dubner e pelo economista Steven Levitt) no episódio intitulado Is America ready for a “No-Lose Lottery?” – o nome desse instrumento financeiro é Prize-Linked Savings Account.
A Prize-Linked Savings Account (PLS), traduzindo à letra é conta poupança com prémio associado, “é um tipo de conta poupança que reúne alguns dos juros de todos os depositantes e que paga um prémio (como lotaria) a cada mês e que combina a emoção da lotaria com a segurança de uma conta poupança”, esclarece Stephen Dubner. Considerada como uma Non-Lose Lottery, uma vez que o depositante, que é automaticamente inserido na lotaria, não pode perder o depósito original que ele lá colocou, este tipo de lotaria poderia dar azo a que os portugueses, como povo que tipicamente deixa uma parte significativa do seu rendimento disponível para jogar (à semelhança do povo norte-americano), depositassem mais do seu rendimento disponível nos bancos que tivessem para aplicação contas poupança do tipo PLS.
Dada como exemplo a população americana por Dubner, um em cada cinco adultos acha que é através da lotaria a única e/ou a melhor oportunidade/possibilidade para conseguir ver o seu rendimento aumentar significativamente. Já para indivíduos com rendimento inferior a 25 000 dólares por ano, o rácio cresce para 40%.
Em Portugal, segundo um inquérito realizado pela Marktest, em 2017, 5,4 milhões de portugueses tinham apostado nos últimos 12 meses, ou seja 63,6% da população. Em 2018 os portugueses apostaram 16 milhões de euros nas várias ofertas que a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa disponibilizava, o que equivale a quase 3€ por apostador por dia e a 6 mil milhões de euros por ano, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto. As Raspadinhas foram responsáveis pela angariação de 1 594 milhões de euros, mais 7,2% que em 2017, enquanto que as apostas mútuas, que incluem o Euromilhões, M1lhão, Totoloto e Totobola, arrecadaram 908 milhões de euros, menos 6,9% que no ano anterior. A probabilidade para ganhar o Euromilhões é de 1 em 116 milhões. Apostar numa raspadinha como a “Mega Pé de Meia” e ganhar o maior prémio é de uma hipótese num milhão, e para ganhar também o maior prémio no “Reverse Rápido” é de 1 em 1000.
Todos estes jogos têm associada uma probabilidade muito residual para ganhar o primeiro prémio. Então, qual a razão para que o indivíduo procure tanto por lotarias quando sabe que a probabilidade é ínfima? Segundo Melissa Kearney, professora de Economia na Universidade de Maryland e convidada para um segundo episódio de Freakonomics sobre esta temática, as pessoas jogam porque com um dólar ou dois conseguem a possibilidade de terem o que nunca tiveram e mais do que isso, e com isto conclui que é impossível que numa conta poupança habitual um indivíduo possa encontrar ao final do mês, depois de um depósito de 1000 dólares, 100 000 dólares ou até mesmo 10 000 dólares, algo que através da PLS é possível, juntando o melhor dos dois mundos.
Para além dos EUA, noutros países (como na África do Sul) foi surgindo a ideia de implementar no mercado este tipo de aplicação financeira, no entanto, e tal como aconteceu em alguns estados norte-americanos, existiram sempre obstáculos politico-financeiros que não deixaram que a PLS fosse legalizada. Um dos maiores problemas legais que a PLS teve que suportar foi a rivalidade que poderia originar com as lotarias estatais, ou seja, o monopólio que o Estado detém sobre este tipo de lotaria poderia estar em risco com a disponibilidade das contas PLS no mercado. Contudo, como diz Dubner, uma conta PLS é aquilo que as contas poupanças aborrecidas não são: grandes placards (billboards) em néon onde dizem “Deposita aqui o teu dinheiro que no final do mês podes vir a ganhar em grande……e mesmo que não ganhes, bem, o dinheiro que tens na conta não deixou de ser teu”.
A verdade é que em Novembro de 2017 eram já 20 os estados que tinham legalizado as contas PLS, algo que começou em 2009 no estado de Michigan. Num momento em que a taxa de poupança das famílias portuguesas está a níveis mínimos históricos, as contas PLS já podiam e deviam de ser alvo de discussão no seio político nacional e comunitário.

Xavier Nogueira

Referências Bibliográficas
ALEXANDRE, Fernando, AGUIAR-CONRARIA, Luís, BAÇÃO, Pedro e PORTELA, Miguel (2017), Poupança e Financiamento da Economia Portuguesa, Imprensa Nacional – Casa da Moeda, Lisboa
Outras Referencias
Dinheiro Vivo. (2019). Quantos portugueses apostam nos jogos da sorte?. [online] Available at: https://www.dinheirovivo.pt/outras/acredita-na-sorte-63-dos-portugueses-acreditam-e-apostam-nos-jogos-da-sorte/ [Accessed 10 Oct. 2019].
Ekonomista. (2019). Euromilhões: estatísticas para ser o próximo milionário. [online] Available at: https://www.e-konomista.pt/euromilhoes-estatisticas/ [Accessed 10 Oct. 2019].
Freakonomics. (2019). Is America Ready for a “No-Lose Lottery”? (Ep. 12) - Freakonomics. [online] Available at: http://freakonomics.com/podcast/freakonomics-radio-could-a-lottery-be-the-answer-to-americas-poor-savings-rate/ [Accessed 10 Oct. 2019].
Freakonomics. (2019). Is America Ready for a “No-Lose Lottery”? (Update) - Freakonomics. [online] Available at: http://freakonomics.com/podcast/say-no-no-lose-lottery-rebroadcast/ [Accessed 10 Oct. 2019].
Lusa, A. (2019). Poupança das famílias recupera no 4.º trimestre mas desce no conjunto de 2018 – Observador. [online] Observador.pt. Available at: https://observador.pt/2019/03/26/poupanca-das-familias-recupera-no-4-o-trimestre-mas-desce-no-conjunto-de-2018/ [Accessed 10 Oct. 2019].
Observador.pt. (2019). Portugueses gastaram, em média, 8,5 milhões em raspadinhas por dia em 2018 – Observador. [online] Available at: https://observador.pt/2019/07/10/portugueses-gastaram-em-media-85-milhoes-em-raspadinhas-por-dia-em-2018/ [Accessed 10 Oct. 2019].



[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Nova economia do plástico até 2030?

         Muitas vezes não estamos conscientes de que o plástico é tão utilizado no nosso dia-a-dia. O plástico é um material importante e quase imprescindível, que está presente em, praticamente, todos os produtos que utilizamos, quer seja pela sua função de conservação e segurança a nível alimentar, quer pela capacidade de isolamento térmico e elétrico, como no caso do setor da energia.
         Ainda assim, a forma como os plásticos são atualmente produzidos, empregados e “eliminados” não permite compreender os seus benefícios sustentáveis e torna-se prejudicial para o ambiente. É de conhecimento geral que existe uma necessidade iminente de combater os problemas ambientais associados à produção, consumo e utilização intensiva do plástico. Diariamente, chegam até nós notícias, através dos media ou das redes sociais, que nos alertam da acumulação excessiva do plástico nos oceanos, tendo-se tornado motivo de preocupação pública.
         Associado a este problema, está também a necessidade de repensar e melhorar o funcionamento desta indústria tão complexa, desde os produtores e consumidores ate às empresas de reciclagem, que representam um papel fundamental neste tema.
         Posto isto, no final de 2015, a Comissão Europeia adotou um plano de ação da União Europeia para a economia circular – uma economia em que o valor dos produtos, materiais e recursos se mantém na economia o máximo de tempo possível e a produção de resíduos se reduz ao mínimo (...)1. Neste plano, é reconhecida a prioridade da alteração do ciclo de vida do plástico e, também, a necessidade de preparar uma estratégia que aborde os desafios colocados ao longo da cadeia de valor (...). Em 2017, a Comissão voltou a confrontar-se com esta estratégia na produção e reutilização dos plásticos e propõe, até 2030, que todas as embalagens de plástico sejam recicláveis.
         A União Europeia está em vantagem para comandar a transição para os plásticos do futuro. Este plano estratégico estabelece os alicerces para uma nova economia do plástico, que tem por base a conceção e produção deste material ou de produtos que respeitem integralmente as necessidades de reutilização e reciclagem, e que estimule o desenvolvimento de materiais mais sustentáveis. Por um lado, será possível aumentar o valor acrescentado e a prosperidade na Europa, aliada à crescente inovação na indústria deste material. Por outro, tornar-se-á também possível a redução da poluição pelo plástico que, simultaneamente, afetará a vida quotidiana e o ambiente, pela positiva. Ao incentivar estes objetivos, este plano não só contribuí para alcançar a prioridade definida pela Comissão Europeia para uma União de Energia, como também, de forma real e tangível, para a concretização dos objetivos de desenvolvimento sustentável do Acordo de Paris, para 2030.
         Assim, esta estratégia exibe compromissos primordiais para as atitudes e ações da União Europeia. Está presente a necessidade de mobilizar os diversos setores da economia, desde o setor privado, os cidadãos, até às autoridades nacionais e regionais. É necessário o comprometimento a nível internacional para que a mudança a nível mundial se torne possível. A Europa, através de esforços decisivos e primaciais, pode transformar estas adversidades em oportunidades e dar o primeiro passo para uma posição firme e determinada a nível mundial.

Catarina Antunes Ferreira

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Fontes:
o   https://eur-lex.europa.eu/legal-content/pt/TXT/?uri=CELEX:52018DC0028

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

A carga fiscal em Portugal

O aumento da carga fiscal tem sido um tema em destaque na economia portuguesa. Colocam-se, por isso, várias questões pertinentes: de que forma é que a carga fiscal tem vindo a aumentar ao longo destes últimos 4 anos? E, de que forma se posiciona a carga fiscal portuguesa, atualmente, em relação ao resto da Europa?
De facto, aquilo que se verifica é que o peso dos impostos indiretos nas receitas totais de impostos foi sempre maior que o peso dos impostos diretos. Além disso, as receitas fiscais totais têm vindo a aumentar desde 2013. Em 2012, verifica-se uma diminuição do “gap" que separa as receitas dos dois tipos de impostos, sendo este explicado pela aplicação de uma sobretaxa de IRS, para determinados níveis de rendimento. Entre 2013 e 2015, o “gap" manteve-se praticamente constante. No entanto, de 2015 até 2018 verificamos um aumento nos impostos indiretos, face aos impostos diretos que, de 2015 a 2016, denotam até uma ligeira diminuição, e a partir de 2016 passam a crescer.


Fonte: PORDATA


Na verdade, a carga fiscal tem vindo a aumentar ao longo dos últimos 4 anos, registando o seu valor máximo em 2018, no qual atingiu 71,4 mil milhões de euros, o que corresponde a 35,4% do PIB, face os 34,4% em 2015. O aumento da carga fiscal é explicado em grande parte pelo aumento das receitas com o IVA, mas também pelo
aumento das contribuições sociais efetivas. No entanto, é importante referir que a carga fiscal tem vindo a aumentar também fruto do aumento de, ainda que em menor peso que o IVA, todos os restantes impostos indiretos (ISP, Imposto sobre o tabaco, IABA, Imposto de selo, o IMT, IABA entre outros) ao longo dos últimos 4 anos.
O aumento das receitas com impostos indiretos também se relaciona com o aumento das receitas da sobretaxa adicional ao IMI para imóveis mais valiosos, denominado imposto Mortágua, que se converteu em mais de 100 milhões de euros de receita por ano (desde 2017, quando foi aplicado), e para a taxa do açúcar, que foi também uma mais-valia em termos de receita. Em relação aos impostos diretos, nos últimos quatro anos as receitas de IRC e IRS têm vindo a sofrer oscilações, mas em 2018 ambas aumentaram.



          Fonte: INE                                                                                                

É importante lembrar que os impostos indiretos são “cegos”, ou seja, atingem toda a população que faz consumo privado, independentemente da sua classe social, enquanto que os impostos diretos atingem as classes média e alta, em proporção com os seus níveis de rendimento.
No gráfico subsequente verifica-se que o peso dos impostos indiretos na carga fiscal tem vindo a crescer ao longo dos últimos quatro anos, o peso dos impostos diretos tem vindo a reduzir-se gradualmente e o peso das contribuições para a segurança social mostra-se praticamente constante.
Segundo os dados do INE, em relação a 2018, 73,2% da carga fiscal corresponde a impostos e 26,8% a contribuições para a Segurança Social. Dentro dos impostos, 43,8% corresponde a impostos indiretos e 29,4% a impostos diretos. O IVA é o imposto com maior peso nos impostos indiretos e em 2018 representou 57,2% das receitas com impostos indiretos. O imposto Sobre Produtos Petrolíferos é o segundo imposto com maior peso na carga fiscal: 11,4% em 2018. O IVA e o ISP são os impostos com maior peso no que tem que ver com os impostos indiretos. Além disso, verifica-se que o peso dos impostos diretos na carga fiscal tem vindo a reduzir-se gradualmente, de 31,5%, em 2015, para 29,4%, em 2018. O contrário se manifesta relativamente ao peso dos impostos indiretos na carga fiscal, que tem vindo a aumentar ao longo dos últimos quatro anos, registando em 2015 um peso de 42,3% e em 2018 um peso de 43,8%.
As contribuições para a Segurança Social, em 2015, representavam 26,1% da carga fiscal e, em 2018, 26.8%.


Fonte: INE

Em comparação com a União Europeia, a carga fiscal em Portugal continuou abaixo da média, tendo sido o 12º país com a carga fiscal menos elevada, um pouco acima de Espanha (34,7%), mas inferior, por exemplo, à Grécia (38,7%) e a Itália (41,9%). Esta posição deve-se essencialmente ao menor peso dos impostos diretos e das contribuições sociais face aos países da União Europeia. No entanto, no que concerne aos impostos indiretos, Portugal é o oitavo país da UE onde os impostos indiretos mais pesam na carga fiscal, estando quase 10 pontos percentuais acima da média europeia. Um dos maiores responsáveis é o IVA, que em Portugal equivale a 25,1% do total da carga fiscal, enquanto que a média europeia é de 18,1%

Fonte: INE      
   
Em 2015, segundo o INE, a população residente era representada por 10 341 330 milhões de habitantes, enquanto que em 2018 era apenas constituída por 10 276 617 milhões de habitantes. No entanto, 5195,2 milhares de pessoas pertenciam à população ativa em 2015, enquanto que em 2018, embora o número de residentes total tenha diminuído, por força de fluxos de emigração, a população ativa aumentou para 5232,6 milhares de pessoas. De facto, isto denota uma clara mobilidade da força de trabalho no que tem que ver com a aptidão das pessoas para exercer uma atividade económica. Além disso, em 2015, em termos de taxa de desemprego, Portugal enfrentava uma taxa de 12,4%, que tem vindo a diminuir ao longo dos anos, registando-se nos 7% em 2018. Isto vem dar razão ao aumento do número de contribuições efetivas para a Segurança Social, que deram ao atual governo mais 1,9 mil milhões de euros desde o começo da legislatura, totalizando 11,1 mil milhões de euros no final de 2018.
O estímulo da economia e a diminuição da taxa de desemprego levaram a que um maior número de pessoas contribuíssem para a segurança social. Desta forma, a contratação de novos funcionários, com inscrição obrigatória no regime geral da Segurança Social, deu origem a contribuições efetivas da entidade empregadora para a Segurança Social, contribuindo para o seu aumento. Dito isto, o contributo para o aumento da carga fiscal é explicado pelo aumento da receita de alguns impostos indiretos e sobretaxas, mas também pelo bom comportamento da economia (o que acelerou o consumo privado e, por isso, a cobrança de IVA) e, sobretudo, pela redução significativa na taxa de desemprego, associada a um aumento das contribuições efetivas para a Segurança Social.

Cláudia Oliveira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

O crescimento exponencial do turismo na Islândia: até quando aguentarão os habitantes locais?

A Islândia tem cerca de 350 mil habitantes e em 2018 o número registado de turistas foi de 2,3 milhões, ou seja, existiram cerca de 6 turistas por habitante. Através destes números, podemos facilmente perceber o porquê de o turismo ser o setor mais importante na Islândia. 

No ano de 2008, a Islândia era o país da Europa mais abalado pela crise. A crise neste país envolveu os 3 principais bancos islandeses e isto levou, posteriormente, à emissão de um decreto pelo poder executivo no sentido de responsabilidade de nacionalização das instituições financeiras, evitando assim o colapso do país. O que se sucedeu foi a desvalorização da coroa islandesa, o caus político e, como solução para o clima de instabilidade que se fazia sentir, o governo decidiu apostar no turismo.

Mas porque se deu este boom no turismo? Foi essencialmente depois das erupções vulcânicas sentidas em 2010 no país que o mundo começou a tomar consciência da realidade exótica da região, não só por causa do acontecimento mas também devido à forte aposta na publicidade por parte do governo local. Sem dúvida que o turismo salvou a Islândia num período delicado e também fez com que os impactos da crise económica se atenuassem. 

No entanto, apesar de, a curto prazo, os efeitos terem sido positivos, a longo prazo, algumas externalidades negativas começam a surgir. Este massivo número de turistas, apesar de favorável ao desempenho económico do país, acarreta muitos efeitos negativos, entre os quais degradação da fauna e flora local e também a perda de identidade do país em termos linguísticos e culturais. 

Parece existir um contrassenso nalgum ponto desta evolução. Até quando se vai sobrepor o interesse económico ao bem-estar dos habitantes locais? Já existem alguns relatos de insatisfação. Os moradores na capital temem perder a sua identidade com a corrente proliferação de hotéis. Para além disso, teme-se a especulação imobiliária devido à crescente procura de acomodação. Como tentativa de solucionar a situação, o governo limitou a quantidade de quartos oferecidos no Airbnb.

Os habitantes acreditam na necessidade de um aumento de guardas florestais e, por outro lado, na imposição de uma taxa de ingresso em parques nacionais, porém, esta proposta foi chumbada em 2015 no parlamento. Mas claro que todas estas medidas exigem verbas.

É inegável a relevância do turismo para este país, no entanto, é preciso dar passos no sentido de preservar e proteger a natureza. A pergunta que resta é: estará a Islândia a caminho de uma “bolha” do turismo ? As previsões apontam para o continuar do crescimento do turismo, porém, a ritmos decrescentes. Não obstante esta situação, existe também uma preocupação com a variação cambial, uma vez que o desempenho do turismo está diretamente relacionado com isso.

Caso a moeda suba muito, a bonança do turismo pode-se alterar. Mas, por enquanto, é expectável o turismo continuar a acontecer em grande escala e as medidas de proteção ambiental aumentarem, sobretudo através da imposição de taxas.
Rita Isabel Leite

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Desafios da automação

À medida que a tecnologia avança, o mercado de trabalho se transforma. Com a automação de funções realizadas por trabalhadores vindo de forma ainda não familiar, surge a preocupação de como seremos afetados pelo surgir de novas máquinas, assim como a preocupação de como irá funcionar o mercado de trabalho do futuro.
É claro, o processo de automação de atividades humanas não é algo novo, porém nessa era da informação na qual vivemos a maneira como ela se dá parece ser diferente. Dessa vez, não são apenas os trabalhos manuais de baixa renda que estão sob “ameaça” da automação, mas também aqueles que se encontram no nível de média renda, como posições de funcionários de escritório. Há relatórios que sugerem que quase 50% dos empregos nos Estados Unidos estão sob o risco da automação, enquanto no Reino Unido esse número está em 35%. Mas nos países em desenvolvimento o valor sobe para dois terços dos trabalhos.
Na história, vimos casos quando a automação tomou muitos trabalhos de baixa renda, porém muitos trabalhos de renda mais alta foram criados em resposta. As máquinas que substituíam os trabalhadores precisavam ser projetadas, e depois necessitavam de manutenção. Porém, com o foco em eficiência e inferiores custos vistos na era da informação, menos trabalhos estão sendo criados do que seria necessário para manter um equilíbrio.
Uma coisa precisa ser esclarecida: a automação não significa exatamente a extinção da função do trabalhador. Muitas vezes, o que realmente acontece é que uma máquina irá complementar os trabalhadores, tirando a necessidade de eles fazerem um trabalho repetitivo, o qual a máquina realiza de forma muito mais eficiente. Isso permite aos empregados focarem-se nas partes mais proveitosas do trabalho, não apenas onde eles são mais produtivos, mas também onde eles se sentem mais realizados ao trabalhar.
Com isso, as capacidades humanas que não podem ser espelhadas por robôs com a tecnologia atual são a caraterística principal dos trabalhos que não estão sob grande ameaça da automação, derivando daí também as exigências esperadas dos trabalhadores futuros que irão conviver com inteligências artificiais e um novo ambiente no mercado de trabalho. Competências sociais, interpessoais e criatividade serão as maiores demandas para os trabalhadores.
Mas as mudanças vêm rapidamente no século XXI, de tal forma que o mercado de trabalho previsto nesse mundo de máquinas pode chegar mais cedo do que os trabalhadores estarão preparados para que tal aconteça. Então surgem as questões de como lidar com os trabalhadores que de fato não conseguirem escapar da automação. Por exemplo, motoristas de camião que não têm um alto nível de educação, para onde irão se os camiões passarem a serem dirigidos automaticamente? Sob quem cairá a responsabilidade de tratar dos trabalhadores que ficarem sem lugar devido as mudanças muito rápidas? Existem múltiplas alternativas a serem consideradas para seguir em frente.
Primeiramente, seria responsabilidade das empresas prover aos trabalhadores que terão suas funções extintas um treinamento para se inserir de volta ao mercado? Mesmo que isso fosse feito, não se pode acreditar que seria completamente efetivo, especialmente considerando trabalhadores com funções manuais com baixa educação, ainda mais nos países em desenvolvimento, onde eles estão sob maior risco.
Considerando ainda a educação, o sistema atual também precisa de mudanças para adequar as novas e futuras gerações ao cenário que elas enfrentarão, preparando os estudantes com as competências que serão requeridas no mercado. Isso reflete o fato que, para adaptar ao futuro que chega a passos largos, nossa visão da sociedade, assim como a relação estudo/trabalho terá de mudar.
A visão atual que separa o trabalho do estudo não será a mais apropriada, pois a dinâmica imposta pelo mundo no qual a informação viaja rapidamente e a tecnologia evolui constantemente exige constante melhora. Não será possível, no futuro, manter a visão de que aqueles que trabalham não precisam mais estudar.
Com um sistema no qual a demanda por trabalho diminui, com funções extintas e/ou reduzidas, e sem um número suficiente de funções novas sendo criadas, deve-se esperar uma queda na renda da população. Para sustentar isso, uma hipótese discutida é a renda básica universal, assim como taxações dos próprios robôs que substituirão os trabalhadores. Essas hipóteses vêm da expectativa de que, mesmo com as mudanças anteriores ocorrendo, ainda haverá falta de empregos para a população.
Com a chegada do futuro, muitos desafios se apresentam, porém muitas oportunidades também. Afinal, o progresso tecnológico é inevitável, e seus efeitos são vistos de forma benéfica pela humanidade. Não há uma resposta definitiva para o que deve ser enfrentado, porém a necessidade de preparar a sociedade para enfrentar esses problemas está cada vez mais perto.

Pedro Antônio Rocha Giuffrida


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]