quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Empreendedorismo "Made in Portugal

O empreendedorismo é um dos temas de grande destaque que normalmente surge em momentos de crise económica, pois é nele que alguns vêem a solução para o problema. Nos últimos 15 anos temos verificado um aumento de empreendedorismo nos jovens portugueses e esta opção é já encarada como alternativa à vida académica.
O empreendedorismo é o fenómeno associado à atividade empreendedora, sendo esta toda a acção humana em busca da criação de valor, através da expansão da actividade económica, pela introdução de novos produtos, processos ou mercados. Ao empreendedorismo estão associadas inúmeras vantagens económicas, como a criação de novas empresas, o que conduz a investimentos nas economias locais, a criação de postos de trabalho, a melhoria na competitividade empresarial, e a promoção de métodos, técnicas e modelos inovadores. A complexidade dos dias atuais e a falta de qualificação dos nossos jovens, exigem que o processo educativo estimule novos conhecimentos, que promovam o desenvolvimento do potencial empreendedor, buscando valores como autonomia, independência, capacidade de gerar o próprio emprego e de inovar, porque são esses os valores sociais capazes de conduzir o país ao desenvolvimento.
Em Portugal, a aptidão para a criação de novos negócios é, desde há muito, conhecida. O nosso país apresenta potencialidades para empreendedorismo, entre as quais a localização geográfica, as infra-estruturas de transportes e as redes de telecomunicações. Possui, ainda, um custo de capital humano bastante acessível (em comparação com EUA, Reino Unido ou Alemanha)  nas áreas de Engenharia, Informática e Gestão, que fazem com que este seja um lugar atractivo para os empreendedores criarem empresas. Por isso, não é de estranhar que o nosso país se mantenha na linha da frente europeia no que toca aos números do “cidadão empreendedor”, mesmo em pleno tempo de recessão. Só no ano de 2007 nasceram 167473 empresas no nosso país. Entre 2004 e 2007, o sector que evidenciou um maior dinamismo empresarial foi o dos serviços, caracterizado pelos menores custos de entrada e saída do mercado.
Um estudo realizado por investigadores da escola de gestão da Católica a indivíduos portugueses, revela que 61% dos inquiridos desenvolveram um novo produto ou serviço nos últimos três anos. É o resultado mais elevado quando comparado com estudos semelhantes feitos no Reino Unido e nos Países Baixos, onde a percentagem de “inovadores utilizadores” se situa nos 15,4%.
Todavia, em Portugal, os empreendedores ainda enfrentam alguns desafios, tais como os impostos que incidem sobre as start-ups (pequena empresa no seu período inicial) e a suspensão de subsídio de desemprego para empreendedores, que se traduzem na falta de apoio por parte do estado a estes indivíduos. Ao analisar o mercado nacional, um estudo europeu de empreendedorismo realizado pela Amway Europa, conclui que praticamente dois terços dos inquiridos concorda que a situação económica incerta é o maior impedimento para a actividade. Porém, numa altura em que o crédito bancário é cada vez mais difícil e em que a capacidade de investimento pessoal é limitada, os empreendedores portugueses têm vindo a apostar no financiamento através do crowdfunding, onde o dinheiro é angariado online, a partir de vários "financiadores" que decidem apostar no projeto. Para além da problemática do financiamento, a criação de um negócio não é simples matéria associada à vontade de criar o próprio emprego e produzir produtos inovadores, isto é, exige maturação e alguns conhecimentos técnicos e de funcionamento do mercado por parte de quem se mete nesse processo, o que muitas vezes sugere que não seja tomada como primeira opção de emprego por quem acaba um curso.
Particularmente, no nosso país, existe ainda uma falta de iniciativa colectiva. A meu ver, o governo deveria colaborar através de um conjunto de incentivos fiscais, de forma a promover a criação de emprego, a investigação e o desenvolvimento, assim como no incentivo à formação profissional. Porém, devido à situação económica que Portugal atravessa, o que se verifica é uma redução do orçamento de estado destinado a projectos de empreendedorismo, assim como para a educação (fator indispensável ao empreendedorismo).
Acredito que temos em Portugal uma geração de profissionais qualificados e com vontade de empreender, que poderão assumir com sucesso a continuidade de negócios e de empresas que, caso contrário, caminhariam para a insolvência.

Tânia Raquel Sousa Ferreira

Referências:
http://p3.publico.pt/actualidade/economia/5438/mais-de-60-dos-portugueses-qualificados-criaram-um-novo-produto-nos-ultimo

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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