quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Como é que as pessoas compram atualmente?

             O comércio atual é muito diferente do comércio a que assistimos há 30 anos. Não é preciso recuar muito no tempo para perceber o que mudou e por que é que mudou. Se nos primórdios da humanidade o comércio era pouco notório (as pessoas produziam aquilo que consumiam), nos últimos séculos este fenómeno tem sido fundamental (e quase “obrigatório”), permitindo a aproximação das diferentes populações. Esta globalização (muito devida à necessidade de comercializar e contactar com diferentes países) foi sustentada pela criação da internet.

A internet é uma ferramenta essencial na atualidade e tem tido um papel cada vez mais relevante nas transações económicas. Graças a esta invenção, podemos fazer uma compra qualquer coisa numa questão de minutos e sem sair de casa. Esta adesão ao e-commerce (comércio eletrónico) tem vindo a intensificar-se ao longo dos anos e tem conquistado a confiança do consumidor. Do meu ponto de vista, os principais motivos que levam a este incremento no uso da tecnologia para comprar algo prendem-se com a comodidade e rapidez da transação, com a segurança garantida, com os menores custos envolvidos (para as empresas) e com o aumento do número de pessoas com acesso à internet.

Em relação a este último parâmetro, dados estatísticos do EUROSTAT demonstram que, em Portugal, em 2018, 79,4% das pessoas tinham ligação à internet, e a média da União Europeia (UE) situava-se nos 89%. Já em 2019, a mesma fonte garantiu que 80,9% dos portugueses tinha acesso ao mundo digital, e a média da UE correspondia a 90% da população.

Com uma evolução semelhante, o desenvolvimento do e-commerce tem-se intensificado nos últimos tempos e, em 2018, o relatório anual da E-Commerce Europe revelou que 49% dos internautas portugueses realizaram algum tipo de compra online. Complementarmente a estes dados, o Instituto Nacional de Estatística verificou que são os homens quem recorre mais a este tipo de comércio, e a maior parte dos compradores (cerca de 71%) situa-se na faixa etária entre os 25 e os 34 anos.

Além disso, os países europeus que registaram um maior número de transações de e-commerce foram o Reino Unido, a Suécia e a Dinamarca, com percentagens de 88,5%, 83,9% e 82% dos internautas, respetivamente, em 2018.

Em 2020, a pandemia provocada pela COVID-19 permitiu, tal como previsto, o crescimento do e-commerce e estima-se que 56% dos consumidores portugueses fizeram, pelo menos, uma compra online. As empresas tiveram que se adaptar aos novos desafios e, de forma a colmatar as perdas sofridas devido ao confinamento, investiram mais no mundo digital, incluindo as cadeias de hipermercados.

Numa perspetiva pessoal e de acordo com as experiências vividas, posso afirmar-me uma adepta do e-commerce já que este me permite uma visão mais alargada, cómoda e rápida das oportunidades de negócio, apesar de continuar a achar imprescindível a existência de locais físicos, como as lojas.

Assim, na minha opinião e devido aos factos supramencionados, podemos (quase) garantir que a internet é e será o futuro e, numa perspetiva mais radical, todo o comércio vai passar a ser feito online, tornando o comércio tradicional (com espaços físicos) apenas uma memória do passado. Deste modo, cabe às empresas delinear estratégias para entrar no mundo digital de forma a expandir o seu mercado e marcar uma posição.

Concluindo, vários indicadores económicos apontam para o contínuo crescimento do e-commerce e, nesse sentido, as empresas devem tentar adaptar-se ao progresso tecnológico a que se assiste nas últimas décadas, preservando as raízes do negócio mas alterando a forma como o realizam!

 

Sofia Pereira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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