sábado, 8 de janeiro de 2022

Produtividade como estímulo da Competitividade

        A competitividade empresarial refere-se à competição entre 2 ou mais empresas, inseridas num mesmo setor, onde são disputados os melhores volumes de vendas/produção ou prestações de serviços, visando servir os consumidores. Como consequência, verifica-se que este cenário incentiva a inovação e conduz a um estímulo ao crescimento da economia.

          Face à significativa evolução tecnológica, penso que a produtividade pode e deve apresentar-se como alavanca desta competitividade, funcionando como condição essencial à atualização e transição para um modelo empresarial baseado na inovação e conhecimento. É, então, através dos valores da produtividade que Portugal poderá estimular o setor empresarial e respetiva competitividade, alcançando um nível de desenvolvimento superior.

          Ora, analisando as melhores estratégias que poderão permitir atingir este desenvolvimento tecnológico no setor produtivo das organizações portuguesas, realço a necessidade de aliviar as empresas dos custos decorrentes da incorporação de novas tecnologias nas cadeias de produção – custos estes que indiscutivelmente apresentam um dos fatores de perda de competitividade. Simultaneamente, é necessário estimular o investimento indispensável à incorporação da inovação tecnológica acima mencionada. Tal poderá ser concretizado através da promoção de uma fiscalidade orientada para o investimento, e a procura e defesa de medidas e soluções a favor da capitalização das empresas portuguesas, facilitando, de igual modo, o acesso a financiamento. A meu ver, todas estas medidas poderão cultivar um ambiente negocial propício à inovação bem como a concentração de recursos na criação de valor. Adicionalmente, a melhoria da produtividade e, consecutivamente, da competitividade poderão, igualmente, resultar da defesa de um enquadramento socio-laboral favorável.

          Neste sentido, como forma de promover a vertente competitiva das empresas, deverão ser tomadas medidas que permitam a homogeneização das condições sentidas por todos os agentes empresariais, nomeadamente a discriminação positiva das PME, o reforço do investimento no interior do país e a correção de eventuais distorções e vantagens sentidas pelas empresas de maior dimensão. Num contexto externo, a redução gradual da taxa de IRC (e derramas) para níveis competitivos como os vigentes na generalidade das economias europeias poderá, de igual modo, favorecer o caso português.

          Seguidamente, um ambiente de negócios favorável à inovação e competitividade implica ainda o reforço da ligação entre meios empresarias e científicos, como forma de pôr em prática as competências já adquiridas (por Portugal) ao serviço da estratégia de inovação das empresas. Mais uma vez, acho bastante importante a promoção de um contexto negocial que liberte as organizações, em particular as PME, dos excessivos custos administrativos, bem como dos custos que consomem grande parte da capacidade de financiamento e recursos, dificultando, consequentemente, o estímulo da atividade produtiva – desencorajando o aproveitamento de oportunidades e o surgimento de novas iniciativas empresariais.

          É, então, possível concluir que o bom desempenho do setor empresarial em Portugal depende diretamente da competitividade verificada entre as várias empresas portuguesas - fator potenciador de um crescimento empresarial sustentado e mais equilibrado - conduzindo, consequentemente, a aumentos de quota de mercado a nível global, à criação de novas oportunidades de emprego, bem como à conciliação de acréscimos salariais e rendibilidade.

 

Francisca Maria Soares Ferreira

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

Sem comentários: