sábado, 5 de outubro de 2019

Votar para quê?

Estamos em 2019 e ainda há pessoas que se recusam a votar porque “não vai mudar nada” ou “não é o meu voto que vai fazer a diferença”. Contudo, é por pensamentos retrogradas e generalistas como estes que se alcançou, em Portugal, uma taxa de abstenção vergonhosa de quase 70%, a 26 de maio.


O gráfico representa a evolução da taxa de abstenção das eleições europeias, em Portugal. Desde 2014 até 2019, o número de eleitores aumentou em mais de 1 milhão. Tal se deveu ao acréscimo no número de residentes no estrangeiro inscritos, contudo, nem isso foi motivo para baixar a taxa de abstenção verificada em 2014. Deste modo, em 2019, surge a maior taxa de abstenção de sempre em Portugal, passando de 66,2% (2014) para cerca de 68,6%. Nesse seguimento, o gráfico mostra isso mesmo, a evolução extremamente negativa da mentalidade dos eleitores portugueses que se questionaram em relação ao poder do seu voto, no contexto europeu. É de notar que o gráfico apresenta a taxa de abstenção total, ou seja, tanto dos eleitores residentes em Portugal como no estrangeiro.
Posto isto, é necessário saber o que leva os portugueses a ter este tipo de comportamento, tal como o que leva os cidadãos da Bulgária, Eslovénia, Eslováquia, Croácia e República Checa a comportarem-se do mesmo modo, visto que conseguiram ter uma taxa de abstenção ainda mais elevada que a portuguesa.
O que me preocupa nesta situação toda, para além da enorme abstenção verificada, é o perfil do eleitor que não exerce o seu direito. Ou seja, não são as pessoas mais velhas ou menos informadas que estão a deixar de votar mas sim os grupos mais novos. Isto é, são os jovens (18 – 25 anos) educados, bem formados e cultos que não estão a ter participação ativa nas urnas.  
Os 16 anos já foram discutidos como a possível idade para votar pela primeira vez, fundamentando-se o mesmo com o facto de, em Portugal, com esta idade, já ser possível casar, trabalhar e até ser castigado pelo código penal. Desta forma, estaríamos a cativar os jovens, criando neles sentido de responsabilidade e compromisso com a área política. A opinião das camadas mais novas divide-se por acharem que ainda não estão preparados para o fazer com essa idade, defendendo que a escola tem um papel crucial para dar este tipo de informação. Por outro lado, muitos acreditam que a orientação política não depende da idade e assim seria uma forma de atrair cada vez mais pessoas às urnas.
         O tema em questão está também relacionado com a economia e com aquilo que os portugueses pensam em relação a esta. Isto deve-se ao facto de Portugal ser um dos países da União Europeia onde o desempenho eleitoral dos governos está mais relacionado com o impacto das oscilações económicas, o chamado “voto económico”. Deste modo, verificou-se que nos anos em que os portugueses estavam mais agradados com a economia a taxa de abstenção foi menor e vice-versa. Assim, podemos concluir que existe uma relação entre ciclos económicos e participação política dos eleitores.
Em termo de conclusão, sendo eu também uma jovem, é óbvio que este assunto me deixa bastante preocupada. No entanto, acredito que os jovens são os líderes do futuro e se cada vez mais tivermos um papel interventivo na sociedade vai ser possível provocar a mudança, inverter estes dados alarmantes e caminhar para um futuro melhor.

Diana Martins

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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