segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Atração da economia portuguesa


O mercado de trabalho português carateriza-se, essencialmente, pelo recurso ao trabalho intensivo. A mão-de-obra é barata, o que estimula as empresas estrangeiras a instalarem-se no nosso país com a finalidade de reduzirem os seus custos, pagando um salário mais baixo. No entanto, observa-se cada vez mais a introdução das novas tecnologias e da inovação no nosso mercado, o que indica que Portugal está determinado em alterar a sua fonte de competitividade, melhorando as suas condições de trabalho.

Neste momento, a maioria dos portugueses apenas vê o seu trabalho ser valorizado com o salário mínimo, sendo este quase três vezes inferior ao valor registado no Luxemburgo, de acordo com os dados do Eurostat. Na minha opinião, não é um valor que faça com que as pessoas vejam o trabalho como uma forma de realização pessoal, mas apenas como uma obrigação, o que não as incentiva a contribuírem para o desenvolvimento e o sucesso da empresa para a qual trabalham.
Dessa forma, veem noutros mercados, principalmente, nos da Europa Central e do Norte uma oportunidade para melhorar a sua carreira, sendo o salário mínimo muito mais elevado. Esta situação reflete-se nos jovens recém-licenciados que vão à procura de um melhor nível de vida, entrando no mercado de trabalho com um rendimento mínimo superior ao do nosso país, o que transmite que nessas regiões o capital humano é mais valorizado.
Contudo, Portugal tem vindo a mostrar que pretende atingir os padrões europeus e atrair mais pessoas e, assim, conseguir competir com as economias mais fortes da Europa no que se refere às condições do mercado de trabalho através do aumento do salário mínimo entre 2014 e 2019, de 485 para 600 euros, e tudo indica que existem condições favoráveis para que se atinjam os 700 euros. Este aumento do salário mínimo pode estimular uma maior produtividade ao afastar do mercado as empresas não eficientes.
Por outro lado, o aumento do salário mínimo apenas é possível se se aumentar o PIB per capita, o que acontece se a produtividade também for mais elevada. Por sua vez, esta depende da melhor afetação dos recursos e do investimento direto estrangeiro. Este é responsável pela introdução de novas tecnologias, pelo aumento da produção e por um maior nível de exportações, que tem vindo a aumentar continuadamente desde 2010.


O investimento direto estrangeiro atingiu o valor mais elevado dos últimos 20 anos no final de 2017, 119,8 mil milhões de euros, e, segundo o INE, cresceu 8% face a 2016. Este investimento gerou aproximadamente 8 mil postos de trabalho. Em 2018, a posição de IDE diminui para 118,6 mil milhões de euros.
Assim sendo, a meu ver, o crescimento sustentado da produtividade e, consequentemente, do salário dependerá da capacidade de se continuar a transformar a economia portuguesa numa economia mais exportadora, de modo a que as empresas portuguesas façam parte das grandes cadeias de valor globais, cresçam e criem valor acrescentado. Para que se consiga atingir essa meta, o investimento direto estrangeiro realizado através das empresas multinacionais que operam no nosso país tem contribuído bastante. Desta forma, Portugal consegue afirmar-se nos mercados internacionais, constituindo fortes ligações com o exterior. Ainda assim, é necessário promover políticas que melhorem a competitividade das empresas.
Em suma, o aumento das exportações conduzirá a um maior nível de produção. Os trabalhadores tornam-se mais produtivos, refletindo-se isso no aumento do PIB bem como do preço da mão-de-obra e do salário mínimo. A ser assim, a economia portuguesa torna-se mais competitiva e apta a proporcionar um melhor nível de vida, atraindo cada vez mais pessoas jovens ao nosso mercado de trabalho, que contribuirão para acelerar o processo de transformação do mercado português, que ainda tem um longo caminho por percorrer.


Diana Gaspar

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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