quinta-feira, 7 de novembro de 2019

FELICIDADE CORPORATIVA: MODA OU ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO RENTÁVEL?

No último ano, a Felicidade dos colaboradores tem sido um tópico de crescente exploração e investimento das empresas portuguesas, havendo inclusive um curso dedicado ao mesmo tema na Universidade Atlântica. Neste artigo iremos explorar o tema analisando em primeiro lugar alguns dados.
A Staples indica que, em Portugal, 92% dos empregados de escritório sentem-se frustrados no seu emprego e estão “à beira da rotura”. 1 em cada 5 destes trabalhadores procuram através de anúncios no Linkedin melhores condições de trabalho. Este estudo indica ainda que 84% dos trabalhadores de escritório consideram mudar de emprego e que 23% desses trabalhadores sente-se frustrado no novo escritório ao fim de 6 meses. Dados ainda mias graves da Net Impact sugerem que 58% dos trabalhadores aceitavam uma redução salarial de 15% para trabalhar numa empresa que estivesse alinhada com os seus valores e 45% aceitariam o mesmo corte salarial por um trabalho que lhes permitisse criar impacto social e/ou ambiental. Isto significa que, em média, os trabalhadores têm cerca de 11,7 empregos ao longo da sua carreira profissional.
Estes dados são alarmantes para as empresas! Não é viável para as empresas haver tanta rotação de funcionários, uma vez que implica custos de recrutamento, integração e formação. Perante estes dados e estas dificuldades, levanta-se a pergunta: será que a felicidade dos colaboradores não é uma estratégia de negócio rentável para as empresas?
O grande objetivo das empresas é o lucro. E para a obtenção do mesmo é necessário que os seus colaboradores trabalharem na produção, venda e disponibilização dos seus produtos/serviços e garantam a satisfação e retenção dos seus clientes. Mas até que ponto é que a experiência dos trabalhadores e a experiência dos clientes não estará interligada?
O caminho percorrido pelo setor empresarial para o melhoramento e facilitação da experiência do consumidor nas últimas décadas tem sido enorme e obteve resultados muito positivos. As empresas que investem na Felicidade Corporativa apostam na experiência dos colaboradores como o próximo passo de melhoria na experiência dos clientes. Afinal os colaboradores são a cara da empresa e o seu maior representante. Um colaborador feliz, realizado, satisfeito e motivado terá mais probabilidade de conseguir satisfazer um cliente que um trabalhador frustrado, infeliz e desmotivado. Assim, colaboradores felizes trazem clientes felizes que trazem mais lucro para a empresa. O que significa que colaboradores felizes implicam mais lucro e produtividade.
Mas como podemos criar Felicidade no trabalho? Quem deverá estar responsável por essa tarefa? A felicidade dos colaboradores está intimamente ligada com a cultura corporativa da empresa. Em Portugal, a Happiness Works indica-nos que a felicidade dos trabalhadores está relacionada com o desenvolvimento pessoal, o reconhecimento e a confiança e o ambiente interno vivido na empresa, entre outros, e não só com os benefícios monetários que recebem. Se a cultura da empresa não estiver de acordo com os valores, princípios e necessidades dos trabalhadores será difícil estes sentirem-se felizes no seu trabalho.
Mas mudar a Cultura Corporativa de uma empresa, embora seja muitas vezes necessário, como têm vindo a demonstrar muitos escândalos relacionados com o tratamento dos colaboradores, é demorado e custoso. Implica o esforço de toda a gente envolvida na empresa, desde o CEO ao estagiário. Implica que todos os colaboradores promovam a felicidade no seu ambiente de trabalho como a promovem nas relações pessoais. Tudo isto torna-se mais rápido e eficaz com a presença de um Happiness Manager ou Chief Happiness Officer na empresa.
Concluindo, a Felicidade Corporativa é uma estratégia de negócio rentável, que resulta na retenção de colaboradores e clientes, na redução de custos com a integração de novo pessoal e num aumento da produtividade. Deve ser parte integrante da Cultura Corporativa e, idealmente, as empresas teriam um Happiness Manager dedicado à formação, desenvolvimento e felicidade dos colaboradores.

MARIA SILVA

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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