sexta-feira, 27 de maio de 2011

Será que sabemos mesmo tudo aquilo que se passa no mercado de trabalho do nosso país?

Em Portugal são muitas as variáveis que têm afectado o emprego, não só na última década, mas sim, nas últimas décadas, pois este apresenta um cenário negativo desde a década de 80. Contudo, a última década apresenta valores de desemprego nunca antes atingidos. Com o passar dos anos, o desemprego em Portugal perdeu o seu carácter friccional e adquiriu cada vez mais um carácter conjuntural e estrutural.
Agora, a poucas semanas da entrada dos novos recém-licenciados no mercado de trabalho, estará o mercado preparado para os receber?
A resposta é certamente “não”! Segundo o Instituto Nacional de Estatística, o desemprego dos jovens, que atingiu, no primeiro trimestre de 2011, os incríveis 28%, tem previsto para o próximo verão português um novo recorde.
De facto, é do conhecimento de todos que o desemprego é um dos principais problemas que o país enfrenta, e que os jovens se deparam com dificuldades na procura de emprego todos os dias, e estando estes a escassas semanas do final de mais um ano universitário, do final do seu percurso académico, o mercado de trabalho torna-se assim um ponto crucial na vida dos futuros recém-licenciados.
Não são apenas mais os trabalhadores de faixa etária mais elevada que têm problemas em encontrar emprego, apesar de estes continuarem a ser dos que mais contribuem para os números do desemprego, que actualmente se sita nos 12,4%, mais propriamente, cerca de 688,9 mil pessoas, e tendo em conta que se não fosse o caso positivo da emigração, esse valor já teria atingido os 10-15% há alguns anos. Agora, perguntemo-nos o porquê de tanto desemprego jovem… Haverá resposta para nós?
Portugal tem, actualmente, uma população jovem das mais qualificadas e, portanto, não será a falta de qualificações o motivo deste desemprego. Certo é que o aumento do desemprego deveria fazer Sócrates “chorar de vergonha”, tal como referiu o deputado Luís Montenegro, ao Jornal de Notícias, no passado dia 19. Tal como estamos habituados a ver todos os dias, e actualmente mais, devido às eleições que se aproximam, os nossos partidos políticos não têm perdido tempo, e portanto, não param de criticar o primeiro-ministro pela situação em que se encontra o desemprego. Contudo, não seria mais fácil, de uma vez por todas, começar realmente a tomar medidas para combater o desemprego que parece não querer sair do seu ritmo crescente, em vez de continuarmos a assistir a uma chuva de críticas e ofensas entre partidos políticos? Certo seria Sócrates não voltar a ter uma nova oportunidade como primeiro-ministro pois está claro que este tem realmente culpa do estado em que o país se encontra. Tal como referido pelo deputado Luís Montenegro, “O Governo PS deixou o país à beira do colapso social, económico e financeiro”. Mas tal é uma decisão do povo, e a guerra constante a que se tem assistido entre os partidos políticos não tem facilitado essa decisão.
Por conseguinte, resta-nos esperar que os partidos políticos percebam realmente que não são as trocas de acusações que vão ajudar o país, e que o facto de a população jovem se sentir cada vez mais insegura no nosso país e optar por procurar emprego no estrangeiro só vai fazer com que a “fuga de cérebros” aumente, mas o que o país precisa é de investimento e confiança para que possamos aumentar os nossos níveis de competitividade e voltemos a ter confiança num mercado português.
Como tal, não podemos deixar de referir as várias medidas de austeridade acertadas entre o governo português e a troika que visam o mercado laboral. Os despedimentos individuais facilitados, a redução das indemnizações por despedimento para novos contratos e as alterações ao subsídio de desemprego, com a diminuição do período máximo para 18 meses e com a sua redução gradual ao longo do tempo, são algumas das medidas que têm o intuito de flexibilizar o mercado de trabalho. A meu ver, estas medidas são bastante importantes, de lamentar serem apenas postas em prática quando o país está numa situação crítica e terem sido impostas por estrangeiros. Este clima de incerteza faz com que as empresas tenham muito receio em contratar trabalhadores, uma vez que não sabem se vão ter trabalho para esses trabalhadores no mês seguinte. Muitas destas empresas optam por subcontratar a outras empresas de trabalho temporário. Com uma maior facilidade em despedir e com a redução das indemnizações por despedimento para novos contratos este receio por parte das empresas vai ser diluído, desta forma, esta medida tem tudo para ter um efeito positivo na taxa de desemprego. Uma outra medida importante passa pela redução da TSU, com o objectivo de incentivar os empregadores a contratar mais mão-de-obra. Mas como tal, estas medidas exigem esforço, quer da parte do empregador, quer da parte do empregado. Não se pode mais “cruzar os braços”, é necessário flexibilizar o mercado de trabalho e alcançar um alto nível de competitividade para que voltemos a crescer.

Cláudia Oliveira

[artigo de opinião produzido no âmbito da u.c. "Economia Portuguesa e Europeia", do Curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

Sem comentários: