terça-feira, 8 de novembro de 2016

A importância das exportações de bens e serviços para a recuperação portuguesa

          Portugal vive um período de recuperação económica e financeira após a crise que se abateu sobre o nosso país. Num período deste género, são necessárias mudanças a incidir sobre aspetos negativos da economia portuguesa que tiveram lugar de forma recorrente ao longo dos anos e que podem ter levado à situação de crise, devendo estes aspetos ser alterados. Um dos aspetos negativos da economia foi o facto de, nos 10 anos anteriores à crise, o saldo da balança comercial ser sempre negativo. E a verdade é que, depois de o saldo passar a ser positivo, em 2012, a economia também voltou a crescer.
         Mas afinal, quem são os maiores parceiros comerciais de Portugal do lado das exportações? No que toca às exportações de bens, a Espanha é de longe o maior parceiro, correspondendo a 25% das exportações portuguesas de bens em 2015. A seguir à Espanha, seguem-se a França, a Alemanha e a Grã-Bretanha. Aliás, as exportações de bens para apenas estes 4 países correspondem a mais de metade do total em 2015, 55,7%. Ou seja, os países da União Europeia são muito importantes nas nossas trocas comerciais internacionais, e é uma prova de que a integração europeia e no mercado europeu deu frutos. Será então obrigatório manter uma boa relação com estes e outros países da União, bem como tentar fortalecer os laços com nações que poderão vir a ser parceiros importantes. É preciso ter atenção a essa realidade, neste mercado cada vez mais globalizado, e não descurar o resto do mundo.
A presença recente do Primeiro-Ministro e do Presidente da República em Cuba revelam exatamente isso, já que Cuba começa agora a abrir a sua economia ao exterior e o seu potencial é enorme. António Costa esteve também recentemente na China, presença que serviu para reforçar a parceria comercial, que, devido à dimensão deste mercado e do seu potencial, é obviamente uma boa estratégia. E existem ainda outros mercados onde poderão ser reforçadas parcerias estratégicas.
Muito se tem falado também no aumento do fluxo de turistas estrangeiros em Portugal, especialmente em Lisboa. O setor do turismo é extremamente importante pois Portugal é dos países onde o turismo tem maior presença no PIB, e corresponde ainda a 45,3% das exportações de serviços. Em 2015, Lisboa registou máximos históricos de mais 5 milhões de hóspedes e 12 milhões de dormidas. Mas não é só na capital que se tem vindo a verificar esta tendência, com um aumento igualmente significativo do turismo rural, realidade que me é mais próxima.
Mas, voltando ao caso de Lisboa, uma cidade que se revelou atrativa para os turistas estrangeiros, pode também tornar-se além disso, ou por causa disso, uma cidade atrativa para os empresários estrangeiros, como revela um artigo do inglês The Guardian, intitulado “Sol, surf e rendas baixas: porque é que Lisboa poderá tornar-se a nova capital da tecnologia”. E estes fatores, aliados à organização da Web Summit em Lisboa, podem levar ao “ressurgimento nacional”. Embora a sazonalidade do turismo “Sol e praia” já não se verifique tanto em Portugal, a Web Summit aumentou, e muito, a ocupação hoteleira em Lisboa em novembro, já que se esperam no evento cerca de 50.000 pessoas. Ou seja, além do aumento da receita fruto dos gastos dos turistas, o evento produzirá efeitos colaterais benéficos para a afirmação de Portugal e de Lisboa, na medida em que haverá atração de investimento estrangeiro e de empresas para cá se instalarem.
Concluíndo, a continuação da recuperação portuguesa pelo lado das exportações deve assentar em manter a boa relação com os parceiros europeus, explorar potenciais novos parceiros em mercados emergentes e apostar ainda mais no turismo como fonte de recuperação económica. É então inegável que as exportações de bens e serviços, mantendo um saldo positivo da balança comercial e tendo consequências favoráveis para toda a economia, são cruciais para uma recuperação sustentável da situação económica e financeira do país.

Francisco Centeno

Fontes:
Diário de Notícias
OCDE
PORDATA
The Guardian

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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