quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Internalização das Empresas em Portugal

A abertura dos mercados potenciou a internacionalização das empresas, tendo alterado a forma como estas encaram a entrada em novos mercados geográficos e as decisões que tomam no âmbito desta experiência. O cenário económico atual caracteriza-se cada vez mais pelo dinamismo e a sua atitude global. A interdependência entre países, o crescimento económico de economias na Ásia e América do Sul, tal como os avanços tecnológicos, configuram o presente ambiente mundial competitivo e em constante mutação. A internacionalização aparece como uma necessidade para as empresas e é concretizada não ao ritmo das estatísticas macroeconómicas mas sim em função das oportunidades e das fortalezas e debilidades que enfrentam.
As relações económicas e comerciais da União Europeia (UE) com os mercados externos mudaram desde a adesão portuguesa, em 1986. O fenómeno da globalização acentuou-se e as parcerias bilaterais são já uma realidade inquestionável.  A economia portuguesa também sofreu profundas alterações. Portugal passou de exportador de mão-de-obra a exportador de bens de valor acrescentado e até de capital, com os empresários nacionais a aventurarem-se nos mercados mais desenvolvidos.
De 1995 a 2014, o grau de abertura tem vindo a aumentar, sendo 62,63% e 83,85%, respetivamente. Apesar deste aumento, em 2013 foi o sétimo país da UE com menor abertura económica, estando abaixo apenas Finlândia, Espanha, Reino Unido, Itália, Grécia e França. Mesmo ocupando um dos últimos lugares no grau de abertura da economia, o Instituto Nacional de Economia destaca Portugal por mostrar “sinais visíveis de dinâmica internacional, nomeadamente com o aumento do volume de exportações de bens e serviços”. Segundo dados recolhidos pelo INE, em 2013 as exportações de bens para mercados externos aumentaram 4,5% quando comparados com o ano anterior, representando cerca de 41% do PIB. Apesar deste aumento, em anos anteriores essa taxa de crescimento esteve com valores superiores, como 5,6% em 2012, 14,9% em 2011 e 17,6% em 2010.
Atualmente, países como Alemanha, França e Espanha são os principais clientes das empresas portuguesas. Em 2013, cerca de 70,3% das exportações destinaram-se a países da União Europeia, tendo totalizado aproximadamente 33 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 3,5% quando comparado com o ano anterior. Um elemento central da estratégia implementada recentemente em Portugal é o que decorre das orientações para o crescimento da economia europeia entre 2014 e 2020 também conhecido como Portugal 2020, em que um dos principais objetivos é instigar a internacionalização das empresas europeias.
            Na minha opinião, o caminho para reposicionar Portugal assenta na internacionalização, ou seja, assumir uma estratégia com o objetivo de alcançar o crescimento sustentável. Como o mercado interno se encontra em crise, cabe às empresas procurarem soluções no estrangeiro para se tornarem mais competitivas, focando-se na inovação, na investigação e desenvolvimento, na tecnologia e no marketing.

Ana Filipa Lopes Marinho


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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