sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Uma análise da situação das pequenas e médias empresas em Portugal

Para uma empresa se classificar como PME tem de empregar um número inferior a 250 trabalhadores e ter um volume de negócios igual ou menor que 50 milhões de euros. Coloca-se, então, a seguinte questão: “Será que as pequenas e médias empresas são o motor de crescimento da Economia Portuguesa?”
Em março de 2016 foi publicado um estudo do INE sobre a situação das empresas não financeiras portuguesas relativamente ao ano de 2014, sendo que no total existiam 1127317 entidades, mais 2,7% do que em 2013. As pequenas e médias empresas não financeiras (PME) representavam a maior parte da esfera empresarial portuguesa, dado existirem 1126344 (99,9%) de empresas de pequena ou média dimensão, enquanto que 973 (0,01%) eram consideradas grandes. Elas foram responsáveis por 80% do emprego total de todas as empresas não financeiras (cerca de 2764311 empregos) e contribuíram para mais de 60% do valor acrescentado bruto total destas empresas (VAB), apresentando um volume de negócios de cerca de 60% do volume de negócios total.
Podemos verificar, através dos dados, que as PMEs assumem um papel de referência no tecido empresarial português, sendo o motor da nossa economia. No entanto, apesar de serem bastante expressivos, elas são as mais afetadas pelo contexto e conjuntura económica que se verifica na atualidade. De facto, em 2008 (data de inicio da crise), estas foram muito prejudicadas, com o número de insolvências e falências PMEs a tomar valores muito altos, pelo que só a partir de 2014 houve uma evolução positiva de alguns indicadores.
Existe, então, um conjunto de ameaças a estas empresas que têm de ter alguma cautela. Na minha opinião, uma das principais ameaças ao desempenho das PMEs são as políticas económicas dos governos, como o aumento dos impostos com o objetivo de controlar o aumento da dívida pública, afetando, por consequência, a procura destas empresas, que não conseguem competir com as empresas maiores por não terem capacidade de redução de preços, perdendo procura interna, que é uma das grandes bases destas empresas.
Outra ameaça é a dificuldade na obtenção de crédito e financiamento a que estas empresas são sujeitas. As empresas grandes têm maior capacidade de obtenção de crédito, como se estivessem em primeira linha, pois os credores têm mais confiança que estas vão conseguir honrar os seus compromissos, ao contrário das PMEs que pelas suas características estão mais sujeitas ao ambiente externo.
A crescente globalização dos mercados, a liberalização do comércio e o surgimento de países com a China, constituem, também, uma forte ameaça às pequenas e médias empresas devido ao facto de maior parte das empresas e indústrias destes países conseguirem produzir a custos extremamente baixos. Podíamos competir com eles através da qualidade, mas no contexto atual da Economia portuguesa não me parece que os nossos consumidores prefiram qualidade a baixos preços.
É necessário, portanto, a procura de várias soluções que permitam atenuar estas ameaças e melhorar a situação das PMEs em Portugal, como a dinamização da bolsa de valores para estas empresas, a redução de custos e também um incremento da inovação. Também, atualmente, tem vindo a ser discutida no Orçamento de Estado de 2017 uma taxa de IRC mais baixa para micro, pequenas e médias empresas do Interior e, num anuncio feito pelo nosso primeiro-ministro, António Costa, foi dito que é preciso encontrar novas formas de financiamento das empresas para dinamizar a atividade económica, como a criação dos certificados de curto prazo para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
Concluindo, apesar de todos as ameaças citadas, as PMEs portuguesas, pela sua maior flexibilidade e capacidade de adaptação à mudança podem conseguir competir internacionalmente através da inovação e diferenciação dos seus produtos. Contudo, é necessário tomar medidas que lhes permitam competir com alguma segurança. Assegurar estas condições é a base para o crescimento da Economia Portuguesa.

Miguel Ângelo Pereira Domingues


[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho]

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