sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Manter o rumo?

De acordo com a informação disponibilizada pelo Eurostat num boletim informativo de 1 de outubro, a taxa de desemprego ajustada na zona euro era de 12% em agosto de 2013, e de 10,9% na UE28. Comparando com o mês anterior ambas mantiveram-se estáveis, mas representam uma subida em relação aos dados de agosto de 2012 (+0,5 p.p. e +0,03 p.p., respetivamente). 
Os dados da taxa de desemprego por países mostram um cenário bem mais complexo (ver http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/3-01102013-AP/EN/3-01102013-AP-EN.PDF). A par de taxas de desemprego na ordem dos 4%-5% na Áustria, Alemanha e Luxemburgo, a taxa de desemprego na Grécia atingiu os 27,9% (dados de junho) e em Espanha 26,2%. Em Portugal a taxa de desemprego atingiu os 16,5%, o que representa uma variação de -0,01 p.p. em relação a julho, mas uma variação de + 0,02 p.p. em relação ao mesmo mês no ano anterior. 
Esta assimetria entre países torna o debate sobre o subsídio de desemprego europeu mais urgente. A discussão já havia sido lançada em junho pelo responsável do maior partido da oposição em Portugal, ao propor a mutualização europeia do pagamento dos subsídios sempre que a taxa ultrapassar a média europeia. Mais recentemente, o Fundo Monetário Internacional “alargou as possibilidades” de debate ao incluir a questão numa proposta de união orçamental para a zona euro. 
O estudo de transferências entre regiões com base no nível de desemprego ocorre num clima de culpabilização, e em que tem prevalecido o discurso de que o mais importante é a reforma estrutural dos países em dificuldades. Estas “reformas estruturais” levadas a cabo na Grécia, Espanha e Portugal, por exemplo, trouxeram-nos até aos números de agosto. Tal como em Portugal, a taxa de desemprego em Espanha em agosto de 2013 era mais alta do que a registada em agosto de 2012 (+0,06 p.p.), e na Grécia a variação foi de +3,3 p.p. (dados de junho). 
Este nível de desemprego tem inúmeras consequências ao nível da coesão social. Ainda que do ponto de vista da estratégia política a mudança de discurso a nível europeu seja difícil, trata-se necessariamente de um problema de todos. Neste contexto, interessa perguntar, que rumo é este em que os líderes europeus insistem?

Paula Alexandra Teixeira do Rego

[artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] 

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