Portugal, que sempre foi um dos países de forte
emigração, vê-se novamente perante a necessidade de exportar gente. Os
portugueses estão novamente a emigrar e cada vez em maior número (só este ano
emigraram entre 100 mil a 120 mil portugueses), para escaparem ao desemprego e
à degradação das condições de vida que se tem vindo a acentuar nos últimos anos
no nosso país. E, actualmente, não são apenas agricultores analfabetos que
emigram mas também jovens licenciados (segundo o primeiro-ministro, Pedro
Passos Coelho emigrar seria uma solução para os jovens e professores) que não
conseguem obter emprego ou até mesmo empresários que não conseguem ter sucesso
e emigram à procura de melhores oportunidades e de melhores salários.
Angola, Espanha, Andorra, Suíça, Brasil e Reino
Unido são destinos que os novos emigrantes preferem. Estes novos emigrantes são
principalmente jovens com menos de 29 anos de idade, ou seja, Portugal com esta
nova fase de emigração está a ficar com menos população, uma vez que foi a
emigração permanente que mais aumentou, e está a ficar com uma população mais
envelhecida, já que a emigração de pessoas mais velhas manteve-se constante.
Esta situação tem levado à estagnação demográfica e a um acentuado
despovoamento do interior que vem justificar o encerramento de várias escolas,
hospitais e centros de saúde. Para além de que, em Portugal está a verificar-se
uma enorme fuga de cérebros, cérebros que ajudariam a desenvolver o nosso país.
Sendo o Mundo uma aldeia global, ajuda a que a
emigração aumente porque torna mais facilitada a vida de quem sai do seu país e
deixa cá ficar os seus familiares. E torna-a mais simplificada no sentido em
que os emigrantes têm uma maior facilidade de comunicação com os seus
familiares, devido às tecnologias existentes, como por exemplo a internet, o
que atenua o sentimento de saudade, e também porque as viagens para outro país
são mais rápidas, isto é, antigamente os portugueses atravessavam a fronteira a
pé e apenas com uma sacola na mão e agora vão de avião ou até mesmo de
autocarro mas já levam muito mais que uma sacola e claro que a melhoria das
condições de viagem e de comunicação, para além das más condições do seu país
incentivam os portugueses a procurar oportunidades melhores noutro país.
Contudo, mesmo com o aumento da emigração ficam
no ar perguntas (que precisam urgentemente de respostas) por esclarecer: Quanto
tempo vai durar esta crise? Quais são as expectativas? Quem cria empregos? Quem
cria oportunidades? Por onde vai crescer o país?
Em suma, Eça de Queiroz, em “As Farpas”, escreveu
a seguinte frase: “Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a
transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que
sofre”, esta frase retrata bem o país que temos e a situação de crise que o
país atravessa, uma vez que os cidadãos emigram porque não conseguem ter no
país uma qualidade de vida que se preze.
Cristiana
Manuela da Silva Coelho [artigo de opinião produzido no âmbito da unidade curricular “Economia Portuguesa e Europeia” do 3º ano do curso de Economia (1º ciclo) da EEG/UMinho] |
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